quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

5 de janeiro (Tempo de Natal)

Evangelho (Jo 1,43-51): No dia seguinte, ele decidiu partir para a Galileia e encontrou Filipe. Jesus disse a este: «Segue-me»! (Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro). Filipe encontrou-se com Natanael e disse-lhe: «Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, bem como os Profetas». Natanael perguntou: «De Nazaré pode sair algo de bom?» Filipe respondeu: «Vem e vê»!  Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e declarou a respeito dele: «Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade»! Natanael disse-lhe: «De onde me conheces?» Jesus respondeu: «Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu te vi». Natanael exclamou: «Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!» Jesus lhe respondeu: «Estás crendo só porque falei que te vi debaixo da figueira? Verás coisas maiores que estas”. E disse-lhe ainda: «Em verdade, em verdade, vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem!»

«Vem e vê»

Rev. D. Rafel FELIPE i Freije (Girona, Espanha)

Hoje, Felipe nos dá uma grande lição ao acompanhar a Natanael até o Mestre. Age como o amigo que deseja compartilhar com outro o tesouro recém-descoberto: «Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.» (Jo 1,45). Rapidamente, com ilusão, quer acompanhá-lo com os demais, para que todos possam receber seus benefícios. O tesouro é Jesus Cristo. Ninguém como Ele pode encher o coração do homem de paz e felicidade. Se Jesus vive em teu coração, o desejo de compartilhá-lo se converterá em uma necessidade. Daqui nasce o sentido do apostolado cristão. Quando Jesus, mais tarde, nos convide a jogar as redes nos dirá a cada um de nós que devemos ser pescadores de homens, que são muitos os que necessitam a Deus, que a fome de transcendência, de verdade, de felicidade... Há Alguém que pode satisfazer completamente: Jesus Cristo. «Somente Jesus Cristo é para nós todas as coisas (…). Ditoso o homem que espera Nele!» (São Ambrósio).

Ninguém pode dar o que não tem ou o que ainda não recebeu. Antes de falar do Mestre, é necessário falar com Ele. Somente se o conhecemos bem e nos deixamos conhecer por Ele, estaremos em condições de apresentá-lo aos demais, tal como faz Felipe no Evangelho de hoje. Tal como têm feito tantos santos e santas ao longo da historia.

Tratar com Jesus, falar com Ele como um amigo, confessar com uma fé convencida: «Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel.» (Jo1, 49), recebê-lo sempre na Eucaristia e visitá-lo com frequência, escutar atenciosamente suas palavras de perdão... tudo isso nos ajudará a apresentá-lo melhor aos demais e a descobrir a alegria interior que produz o fato de que muitas outras pessoas o conheçam e o amem.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Jesus voltou para a Galileia. Encontrou Filipe e o chamou: "Segue-me!" O objetivo do chamado é sempre o mesmo: "seguir Jesus". Os primeiros cristãos fizeram questão de conservar os nomes dos primeiros discípulos. De alguns conservaram até os apelidos e o nome do lugar de origem. Filipe, André e Pedro eram de Betsaida (Jo 1,44). Natanael era de Caná (Jo 22,2). Hoje, muitos esquecem os nomes das pessoas que estão na origem da sua comunidade. Lembrar os nomes é uma forma de conservar a identidade.

* Filipe encontra Natanael e fala com ele sobre Jesus: "Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas! É Jesus, o filho de José, de Nazaré!" Jesus é aquele para o qual apontava toda a história do Antigo Testamento.

* Natanael pergunta: "De Nazaré pode vir coisa boa?" Possivelmente, na pergunta dele transparece a rivalidade que costuma existir entre as pequenas aldeias de uma mesma região: Caná e Nazaré. Além disso, conforme o ensinamento oficial dos escribas, o Messias viria de Belém na Judéia. Não podia vir de Nazaré na Galileia (Jo 7,41-42). André dá a mesma resposta que Jesus tinha dado aos outros dois discípulos: "Venha e veja você mesmo!" Não é impondo, mas sim vendo que as pessoas se convencem. Novamente, o mesmo processo: encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus!

* Jesus vê Natanael e diz: "Eis um israelita autêntico, sem falsidade!" E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um "israelita autêntico" se ele não aceitava Jesus como messias? Natanael "estava debaixo da figueira". A figueira era o símbolo de Israel (cf. Mq 4,4; Zc 3,10; 1Rs 5,5). Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe que elas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com o ensinamento oficial da época (Jo 7,41-42.52). Por isso, inicialmente, não aceitava um messias vindo de Nazaré. Mas o encontro com Jesus ajudou-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a gente o imagina ou deseja. Ele reconhece o seu engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: "Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!" A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem for fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gn 28,10-22).

Para um confronto pessoal
1. Qual o título de Jesus de que você mais gosta? Por quê?
2. Teve intermediário entre você e Jesus?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

4 de janeiro (Tempo de Natal)

Evangelho (Jo 1,35-42): No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos. E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram onde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo). Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).

«Rabi, onde moras? Vinde e vede»

Fray Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos lembra das circunstâncias da vocação dos primeiros discípulos de Jesus. Para preparar-se ante a vinda do Messias, João e seu companheiro André haviam escutado e seguido durante um tempo a João Batista. Um bom dia, este aponta a Jesus com o dedo, chamando-o Cordeiro de Deus. Imediatamente, João e André o entendem: o Messias esperado é Ele! E, deixando a João Batista, começam a seguir a Jesus.

Jesus ouve os passos atrás Dele. Volta-se e fixa a olhada nos que o seguiam. As miradas se cruzam entre Jesus e aqueles homens simples. Eles ficaram extasiados. Esta olhada comove seus corações e sentem o desejo de estar com Ele: «Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras» (Jo 1,38), lhe perguntam. «Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram onde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima» (Jo 1,39), lhes responde Jesus. Os convida a ir com Ele e a ver, contemplar.

Vão e, o contemplam escutando-o. E convivem com Ele aquele anoitecer, aquela noite. É a hora da intimidade e das confidencias. A hora do amor compartilhado. Ficam com Ele até o dia seguinte, quando o sol se levanta por cima do mundo.

Acesos com a chama daquele «Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.» (cf. Lc 1,78-79). Excitados, sentem a necessidade de comunicar o que contemplaram e viveram aos primeiros que encontram ao seu passo: «Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo)» (Jo 1,41). Os santos também o têm feito assim. São Francisco, ferido de amor, ia pelas ruas e praças, pelas vilas e bosques gritando: «O Amor não está sendo amado».

O essencial na vida cristã é deixar-se ver por Jesus, ir e ver onde ele se aloja, estar com Ele e compartilhar. E, depois, anunciá-lo. O caminho e o processo que seguiram os discípulos e os santos. É nosso caminho.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* No evangelho de hoje, João Batista, novamente, aponta Jesus como “Cordeiro de Deus”. E dois dos seus discípulos, animados pelo próprio João, foram em busca de Jesus e perguntam: “Onde o senhor mora?”. Jesus responde: "Venham e vejam!" É convivendo com Jesus, que eles mesmos poderão verificar e confirmar se era isto que estavam buscando. O encontro confirmou a busca, pois os dois nunca mais esqueceram a hora do encontro. Quase setenta anos depois, João lembra: “Eram quatro horas da tarde!”

* Quando uma pessoa é muito amada, ela costuma receber muitos apelidos, nomes ou títulos que expressam o carinho. No Evangelho de João, Jesus recebe muitos títulos e nomes que expressam o que ele significava para os primeiros cristãos. Estes nomes traduzem o desejo dos primeiros cristãos de conhecer melhor quem é Jesus para poder amá-lo com maior coerência. O quarto Evangelho é uma catequese muito bem feita. Os títulos e nomes de Jesus, que vão aparecendo durante os encontros e as conversas das pessoas com ele, fazem parte desta catequese. Eles ajudam os leitores e as leitoras a descobrir como e onde Jesus se revela nos encontros do dia-a-dia da vida. Ao longo dos seus 21 capítulos, através destes nomes e títulos, o evangelista João nos vai revelando quem é Jesus.

* Também hoje, nossas comunidades devem poder dizer: "Venham e vejam!" É ver e experimentar para poder testemunhar. O apóstolo João escreve na sua primeira carta: "A vida se manifestou. Nós a vimos e dela damos testemunho!" (1Jo 1,2)

* As pessoas que vão sendo chamadas professam a sua fé em Jesus através de títulos como: Cordeiro de Deus (Jo 1,36); Rabi (Jo 1,38); Messias ou Cristo (Jo 1,41); “aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas” (Jo 1,45); Jesus de Nazaré, o filho de José (Jo 1,45), Filho de Deus (Jo 1,49); Rei de Israel (Jo 1,49); Filho do Homem (Jo 1,51). São oito títulos em apenas quinze versos! A cristologia dos primeiros cristãos não começa com reflexões teóricas, mas com nomes e títulos que exprimem o carinho, o compromisso e o amor.

* André descobriu que Jesus é o Messias. Ele gostou tanto do encontro, que partilhou sua experiência com o irmão e deu testemunho: "Encontramos o Messias!" Em seguida, conduziu o irmão até Jesus. Encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus! É assim que a Boa Nova se espalha pelo mundo, até hoje! Conosco pode acontecer o que aconteceu com o irmão de André. No encontro com Jesus, ele teve seu nome mudado de Simão para Cefas (Pedra ou Pedro). Mudança de nome significa mudança de rumo. O encontro com Jesus pode produzir mudanças profundas na vida da gente. Deus queira!

Para um confronto pessoal
1. Como foi o chamado de Jesus em sua vida? Teve alguma mudança de rumo?
2. Você lembra a hora e o lugar de acontecimentos importantes da sua vida?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

3 de janeiro

São Ciríaco Elias Chavara
Presbítero de nossa Ordem

Nasceu em Kainakary (Kerala, Índia) a 10 de fevereiro de 1805. Entrou no Seminário em 1818 e foi ordenado sacerdote em 1829. Homem de profunda oração, cultivou especialmente as virtudes da simplicidade de coração, fé viva, fiel obediência, devoção ao Santíssimo Sacramento, à Imaculada Virgem Maria e a São José. Em 1831 fundou em Mannanam a Congregação dos Carmelitas de Maria Imaculada e emitiu os votos religiosos em 1855. Nomeado Vigário-Geral da Igreja sírio-malabar em 1861, trabalhou denodadamente em prol da renovação espiritual dos seus fiéis. Conservou uma extraordinária devoção à Santa Sé, tendo sofrido muito pela unidade da Igreja, particularmente durante o cisma de Rocos. Colaborou ainda na fundação da Congregação das Irmãs da Mãe do Carmelo, em 1866. Após dois anos de dolorosa enfermidade, expirou aos 65 anos, a 3 de janeiro de 1871, em Koonammavu. Antes da sua morte pôde declarar que nunca perdera a sua inocência batismal. Os seus restos mortais repousam desde 1899 em Mannanam. Foi beatificado por João Paulo II em Kottayam (Índia) a 8 de fevereiro de 1986. Canonizado pelo Papa Francisco em 2014

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Senhor, nosso Deus, que chamastes São Ciríaco Elias, sacerdote, para fortalecer a unidade da Igreja, concedei-nos, por sua intercessão, que, iluminados pelo Espírito Santo, saibamos discernir os sinais dos tempos e difundir entre os homens, por palavras e obras, a mensagem evangélica. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTÍSSIMO NOME DE JESUS


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor, que sois Deus,
Espírito Santo que sois Deus,
Santíssima Trindade que sois Deus,

Jesus, Filho do Deus vivo, tende piedade de nós.
Jesus, pureza da Luz eterna,
Jesus, Rei da Glória,
Jesus, sol de justiça,
Jesus, Filho da Virgem Maria,
Jesus amável,
Jesus admirável,
Jesus, Deus Forte,
Jesus, Pai do Século Futuro,
Jesus, Anjo do Grande Conselho,
Jesus poderosíssimo,
Jesus pacientíssimo,
Jesus obedientíssimo,
Jesus, manso e humilde de coração,
Jesus, amante da castidade,
Jesus, nosso Amigo,
Jesus, Deus da paz,
Jesus, Autor da vida,
Jesus, Exemplar das virtudes,
Jesus, Zelador das almas,
Jesus, nosso Deus,
Jesus, nosso refúgio,
Jesus, Pai dos pobres,
Jesus, tesouro dos fiéis,
Jesus, bom Pastor,
Jesus, Luz verdadeira,
Jesus, sabedoria eterna,
Jesus, bondade infinita,
Jesus, nosso Caminho e nossa Vida,
Jesus, alegria dos anjos,
Jesus, Rei dos patriarcas,
Jesus, Mestre dos apóstolos,
Jesus, Doutor dos evangelistas,
Jesus, fortaleza dos mártires,
Jesus, Luz dos confessores,
Jesus, pureza das virgens,
Jesus, coroa de todos os santos,

Sede- nos propício, perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício, ouvi-nos Jesus.

De todo mal, livrai-nos, Jesus.
De todo pecado,
De Vossa ira,
Das ciladas do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das vossas inspirações,
Pelo Mistério da vossa Santa Encarnação,
Pela vossa Natividade,
Pela vossa Infância,
Pela vossa santíssima Vida,
Pelos vossos trabalhos,
Pela vossa agonia e Paixão,
Pela vossa Cruz e desamparo,
Pelas vossas angústias,
Pela vossa Morte e sepultura,
Pela vossa Ressurreição,
Pela vossa Ascensão,
Pela vossa instituição da Santíssima Eucaristia,
Pelas vossas alegrias,
Pela vossa glória,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
perdoai-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
ouvi-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós, Jesus.

Jesus ouvi-nos
Jesus atendei-nos

ORAÇÃO:
Senhor Jesus Cristo, que dissestes: "Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á", nós vos suplicamos que concedais a nós, que Vo-lo pedimos, os sentimentos afetivos do vosso divino Amor, a fim de que nós Vos amemos de todo o coração e que esse amor transcenda por nossas ações. Permiti que tenhamos, sempre, Senhor, um igual temor e amor pelo vosso Santo Nome, pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do vosso Amor. Vós que viveis e reinais para todo o sempre. Amém.


3 de janeiro – SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

Evangelho (Jo 1,29-34): No dia seguinte, João viu que Jesus vinha a seu encontro e disse: «Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. É dele que eu falei: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia’! Eu também não o conhecia, mas vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel”. João ainda testemunhou: «Eu vi o Espírito descer do céu, como pomba, e permanecer sobre ele. Pois eu não o conhecia, mas aquele que me enviou disse-me: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus!».

«Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus»

Rev. P. Higinio Rafael ROSOLEN IVE (Cobourg, Ontário, Canadá).

Hoje, S. João Batista dá testemunho do Batismo de Jesus. O Papa Francisco recordava que «o Batismo é o sacramento no qual se alicerça a nossa própria fé, que nos enxerta como membros vivos em Cristo, na sua Igreja»; e acrescentava: «Não é uma formalidade. É um ato que toca profundamente na nossa existência. Uma criança batizada ou uma criança não batizada, não são a mesma coisa. Não é o mesmo uma pessoa estar batizada ou uma pessoa não estar batizada. Nós com o batismo, somos mergulhados nessa fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e graças a este amor, podemos viver uma vida nova, não já dependentes do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos».

Acabamos de ouvir os dois efeitos principais do Batismo ensinados no Catecismo da Igreja Católica (n. 1262-1266):

1º «Eis aqui o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jn 11,29). Uma consequência do Batismo é a purificação dos pecados, ou seja, todos os pecados são perdoados, tanto o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como as penas do pecado.

«Descida do Espírito Santo», «batiza com o Espírito Santo» (Jo 1,34): o batismo torna-nos “uma nova criação”, filhos adotivos de Deus e partícipes da natureza divina, membros de Cristo, corredentores com Ele e templos do Espírito Santo.

A Santíssima Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — dá-nos a graça santificante, que nos torna capazes de acreditar em Deus, de esperar nele e de amá-lo; de viver e de obrar sob a inspiração do Espírito Santo mediante os seus dons; de acreditar no bem através das virtudes morais.

Supliquemos, como nos exorta o Papa Francisco, «despertar a memória do nosso Batismo», «viver cada dia o nosso Batismo, como uma realidade atual na nossa existência».

«Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus»

+ Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

São Ciríaco Elias Chavara
Presbítero de nossa Ordem
Hoje, esta passagem do Evangelho de São João imerge-nos plenamente na dimensão testemunhal que lhe é própria. Testemunha é a pessoa que comparece para declarar a identidade de alguém. Pois bem, João se apresenta a nós como o profeta por excelência, que afirma a centralidade de Jesus. Vejamo-lo sob quatro pontos de vista.

·  Afirma-a, em primeiro lugar, como um vidente que exorta: «Eis o Cordeiro de Deus,
aquele que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29).
·  Fá-lo, em segundo lugar, reiterando convictamente: «É dele que eu falei: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia’ (Jo 1,30).
·  Confirma-o consciente da missão que recebeu: «Vim batizar com água para que ele
fosse manifestado a Israel” (Jo 1,31).
·  E, finalmente, voltando à sua qualidade de vidente, afirma: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi» (Jo 1,33-34).

Perante este testemunho, que conserva dentro da Igreja a mesma energia de há dois mil anos, perguntemo-nos, irmãos: — No meio de uma cultura laicista que nega o pecado, contemplo Jesus como Aquele que me salva do mal moral? —No meio de uma corrente de opinião que vê em Jesus somente um homem religioso extraordinário, creio nele como Aquele que existe desde sempre, antes de João, antes da criação do mundo? —No meio de um mundo desorientado por mil ideologias e opiniões, aceito Jesus como Aquele que dá sentido definitivo à minha vida? —No meio de uma civilização que marginaliza a fé, adoro Jesus como Aquele em Quem repousa plenamente o espírito de Deus?

E uma última pergunta: — O meu “sim” a Jesus é tão profundo que, como João, também eu proclamo aos que conheço e me rodeiam: «Dou-vos testemunho de que Jesus é o filho de Deus!»?

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* No Evangelho de João história e símbolo se misturam. No texto de hoje, o simbolismo consiste, sobretudo em evocações de textos conhecidos do Antigo Testamento que revelam algo a respeito da identidade de Jesus. Nestes poucos versos (João 1,29-34) existem as seguintes expressões com densidade simbólica:

* 1. Cordeiro de Deus. Este título evocava a memória do êxodo. Na noite da primeira Páscoa, o sangue do Cordeiro Pascal, passado nas portas das casas, tinha sido sinal de libertação para o povo (Ex 12,13-14). Para os primeiros cristãos Jesus é o novo Cordeiro Pascal que liberta o seu povo (1Cor 5,7; 1Pd 1,19; Ap 5,6.9).

* 2. Tirar o pecado do mundo. Evoca a frase tão bonita da profecia de Jeremias: “Ninguém mais precisará ensinar seu próximo ou seu irmãos dizendo: “Procure conhecer a Javé” Por que todos, grandes e pequenos, me conhecerão, pois eu perdoo suas culpas e esqueço seus erros” (Jer 31,34).

* 3. Existia antes de mim. Evoca vários textos dos livros sapienciais, nos quais se fala da Sabedoria de Deus que existia antes de todas as outras criaturas e que estava junto de Deus como mestre de obras na criação do universo e que, por fim, foi morar no meio do povo de Deus (Prov 8,22-31; Eclo 24,1-11).

* 4. Descida do espírito como imagem de uma pomba. Evoca a ação criadora onde se diz que “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2). O texto de Gênesis sugere a imagem de um pássaro que fica esvoaçando em cima do ninho. Imagem da nova criação em andamento através da ação de Jesus.

* 5. Filho de Deus: é o título que resume todos os outros. O melhor comentário deste título é a explicação do próprio Jesus: “As autoridades dos judeus responderam: "Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus." Jesus disse: "Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: 'Eu disse: vocês são deuses'? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus? Se não faço as obras do meu Pai, vocês não precisam acreditar em mim. Mas se eu as faço, mesmo que vocês não queiram acreditar em mim, acreditem pelo menos em minhas obras. Assim vocês conhecerão, de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai." (Jo 10,33-39).

domingo, 1 de janeiro de 2017

10 armadilhas usadas pelo demônio para tentar nos separar de Deus

  Fr. Dwight Longenecker -

Satanás é mentiroso, é o pai da mentira. Trabalha em nossas vidas para nos destruir, nos levar ao pecado, e assim afastando-nos de Deus. Ele quer que abandonemos nossa fé e vivamos afastados de Deus.
Por isso, queremos desmascar as ações do demônio com essa lista com 10 armadilhas que ele usa para tentar nos destruir.

1) RELATIVISMO
O relativismo defende a ideia de que nada é verdadeiro, que todos os pontos de vista são válidos e que não existe uma verdade absoluta nem universal. O demônio não quer que acreditemos em uma verdade, pois se não existir a verdade, então o bem nem o mal não existem. Se isto for assim, então, tudo é válido.
Uma maneira de nos tentar com mais facilidade é fazendo com que acreditemos que o pecado não existe. E um discurso corriqueiro, que tem invandido inclusive nossas Igrejas, é de que “o que importa é o amor”. Isso é um discurso relativista que nos afundará em pecados graves.

2) INDIFERENTISMO
O indiferentismo te diz que todas as religiões são iguais e não importa qual escolha. O indiferentismo é comum dentro do protestantismo. Esta ideologia diz: “Não importa em qual igreja você participa, o importante é amar Jesus”.
Também assinala que não importa ser hinduísta, muçulmano, judeu, budista ou católico. Dizem que “todos estamos subindo a mesma montanha, mas por diferentes caminhos”.
Devemos ser claros. Jesus Cristo é a mais plena, a mais completa e a revelação final de Deus aos seres humanos. Portanto, o catolicismo é a mais plena, antiga e a mais completa união com a única revelação de Deus em Cristo. Porém, pode ser que por misericórdia Deus queira salvar pessoas de outras religiões.

3) ECLETISMO
Este é “primo” do indiferentismo. O ecletismo indica que você pode misturar e juntar diferentes religiões e espiritualidades como quiser, da mesma forma que monta o seu próprio combo de fast food. A pessoa acredita que isto é possível porque já está influenciada pelo indiferentismo.
Pense bem. Não pode misturar o islamismo, o cristianismo ou o budismo com o catolicismo. Não é como montar o teu próprio combo. É como se estivesse colocando molho de tomate no sorvete ou estar usando tinta branca no lugar de creme para o café.
Infelizmente, esse tipo de prática é comum nos dias atuais. Existe uma determinada seita protestante que vende água benta, faz novena para a sagrada família, seu pastor se veste de rabino, e ainda acontecem banhos de sal grosso…

4) SENTIMENTALISMO
O sentimentalismo implica tomar decisões ou escolher suas crenças baseando-se nas emoções em vez das verdades eternas. Pode estar zangado ou contente com alguém e, deste modo, atua e decide segundo sua ira ou alegria.
Por exemplo: o padre João é legal, mas ele passou por mim no final da missa e não deu oi. Fiquei chateado e por isso vou mudar de paróquia, ou até mesmo de religião. Precisamos crescer e deixar de frescurite. Isso é tentação do demônio, e desordem afetiva.

5) UTILITARISMO
O utilitarismo é apoiar suas decisões morais ou crenças no que parece ser útil, eficiente e econômico. Por exemplo: “Minha mãe está em uma casa de repouso. Ela tem demência. É caro mantê-la neste lugar. Os médicos nos dão a alternativa de ‘dar uma injeçãozinha’ e assim ‘seus problemas acabarão’”.
Utilitarismo é o que ideologias que afirmam defender as mulheres fazem quando assassinam seus bebês em nome de uma vida cômoda.

6) INCREMENTALISMO
O demônio não quer executar de uma só vez todo seu plano. Ele atua passo a passo. Primeiro faz com que a pessoa fale uma pequena mentira, depois uma verdade pela metade, logo outra mentira e outra meia verdade.
A pessoa precisa estar atenta, pois o demônio conseguirá que caia usando o sentimentalismo, argumentos utilitaristas, indiferentismo ou ideias relativistas. Ele sempre está trabalhando, nunca descansa. Incrementalismo é inserir mentiras naquilo que é verdade, para que a mentira pareça verdade.

7) MATERIALISMO
O materialismo não se refere aos gastos que alguém tenha. Vai mais além. O problema real com o materialismo é que nos conduz a pensar que não existe nada sobrenatural.
“Deus, os anjos, os demônios, o céu e o inferno são apenas um mito. Não existe um mundo invisível. Os sacramentos são somente símbolos. A Igreja é uma instituição humana. Os sacerdotes não são mais que uns trabalhadores sociais que usam batina. O matrimônio é somente um papel, a confissão não é mais que uma terapia de autoajuda, o batismo e a crisma são apenas ritos lindos para as crianças”.
Esse é o materialismo. Reconhece? Rejeite-o com todo seu coração. É uma mentira!

8) CIENTIFICISMO
O cientificismo diz que a única verdade que existe é a científica. É uma mentira poderosa de Satanás porque é uma das coisas que a sociedade assumiu.
“Sabemos que a ciência desacredita a Bíblia”. E isto está errado. Toda a verdade é a verdade de Deus e a verdadeira ciência sempre é irmã da verdadeira teologia.”
O cientificismo é uma parte do ateísmo assumido. Nele não existe um Deus. Somente existem as leis da ciência.

9) DILEMAS ÉTICOS
Isto é apenas outro nome para o relativismo moral. Defende a ideia de que nada é bom ou ruim, o que realmente importa são as intenções e as circunstâncias da eleição moral. Se a pessoa tiver boas intenções e as circunstâncias o justificam, então, o que escolhe fazer está bem. Muitos católicos aceitam a anticoncepção artificial e o aborto devido a estes dilemas éticos.
O perigo com os dilemas éticos é que podem levar as pessoas até o ponto de cometer um pecado mortal justificando sua escolha. Cuidado para não cair nesta armadilha. Se você precisa tomar uma decisão moral complicada, fale com um sacerdote ou um bom diretor espiritual.

10) UNIVERSALISMO
Esta ideologia venenosa provém diretamente do inferno. Assinala que Deus é tão amoroso, tão bom e misericordioso que não condenará ninguém e que todos se salvarão.
Isto não só contradiz o que a Bíblia diz, mas também contradiz todos os ensinamentos da Igreja. O universalismo faz com que milhares de pessoas caiam em uma falsa certeza de que não importa o que façam ou escolham pois de qualquer maneira irão para o céu. Satanás ama o universalismo porque disfarça sua mentira com o atributo maior de Deus Pai: a Divina Misericórdia.

2 de janeiro (Feira do tempo de Natal)

Evangelho (Jo 1,19-28): Este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas para lhe perguntar: «Quem és tu?» Ele confessou e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Cristo». Perguntaram: «Quem és, então? Tu és Elias?» Respondeu: «Não sou». — «Tu és o profeta?» — «Não», respondeu ele. Perguntaram-lhe: «Quem és, afinal? Precisamos dar uma resposta àqueles que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz de quem grita no deserto: ‘Endireitai o caminho para o Senhor! ’», conforme disse o profeta Isaías. Eles tinham sido enviados da parte dos fariseus, e perguntaram a João: «Por que, então, batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?» João lhes respondeu: «Eu batizo com água. Mas entre vós está alguém que vós não conheceis: aquele que vem depois de mim, e do qual eu não sou digno de desatar as correias da sandália!». Isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

«Mas entre vós está alguém (…) aquele que vem depois de mim»

Mons. Romà CASANOVA i Casanova Bispo de Vic (Barcelona, Espanha)

Hoje, no Evangelho da liturgia eucarística, lemos o testemunho de João Batista. O texto que precede estas palavras do Evangelho segundo São João é o prólogo em que se afirma com clareza: «E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós» (Jo 1,14). Aquilo que no prólogo —a modo de grande abertura— se anuncia, manifesta-se agora, passo a passo, no Evangelho. O mistério do Verbo encarnado é o mistério da salvação para a humanidade: «A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo» (Jo 1,17). A salvação chega-nos por meio de Jesus Cristo e, a fé é a resposta à manifestação de Cristo.

O mistério da salvação em Cristo está sempre acompanhado pelo testemunho. O próprio Jesus Cristo é o «Amém, a testemunha fiel e verdadeira» (Ap 3,14). João Batista é quem dele dá testemunho, com a sua missão e visão de profeta: «entre vós está alguém que vós não conheceis (…) aquele que vem depois de mim» (Jo 1,26-27).

E os Apóstolos entendem a sua missão: «Deus ressuscitou este mesmo Jesus, e disso todos nós somos testemunhas» (At 2,32). A Igreja, toda ela, e, portanto, todos os seus membros têm a missão de serem testemunhas. O testemunho que trazemos ao mundo tem um nome. O Evangelho é o próprio Jesus Cristo. Ele é a “Boa Nova”. E a proclamação do Evangelho por todo o mundo deve ser igualmente entendida como clave do testemunho que une inseparavelmente o anúncio e a vida. É conveniente recordar aquelas palavras do Papa Paulo VI. «O homem contemporâneo escuta melhor quem dá testemunho do que quem ensina (…) ou, se escutam os que ensinam, é porque disso dão testemunho».

«Eu sou a voz de quem grita no deserto: ‘Endireitai o caminho para o Senhor!»

Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)

São Basilio, bispo e doutor
Hoje, o Evangelho propõe à nossa contemplação a figura de João Batista. «Quem és tu?», perguntam-lhe os sacerdotes e os levitas. A resposta de João manifesta claramente a consciência de cumprir uma missão: preparar a vinda do Messias. João responde aos emissários: «Eu sou a voz de quem grita no deserto: Endireitai o caminho para o Senhor» (Jo 1,23). Ser a voz de Cristo, o seu altifalante, aquele que anuncia o Salvador do mundo e prepara a Sua vinda: esta é a missão de João e, tal como dele, de todas as pessoas que se sabem e sentem depositárias do tesouro da fé.

Toda a missão divina tem por fundamento uma vocação, também divina, que garante a sua realização. Tenho a certeza de uma coisa, dizia São Paulo aos cristãos de Filipos: «Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo, até o dia do Cristo Jesus.» (Flp 1,6). Todos, chamados por Cristo à santidade, temos de ser a Sua voz no meio do mundo. Um mundo que, muitas vezes, vive de costas para Deus e que não ama o Senhor. É preciso que O tornemos presente e O anunciemos com o testemunho da nossa vida e da nossa palavra. Não o fazer, seria atraiçoar a nossa vocação mais profunda e a nossa missão. «Pela sua própria natureza, a vocação cristã é também vocação para o apostolado.», comenta o Concílio Vaticano II.

A grandeza da nossa vocação e da missão que Deus nos destinou não provém dos nossos méritos, mas daquele a Quem servimos. Assim o exprimiu João Batista: «Não sou digno de desatar as correias da sandália» (Jo 1,27). Como Deus confia nas pessoas!

Agradeçamos de todo o coração a chamada a participar da vida divina e a missão de ser, para o nosso mundo, além da voz de Cristo, também as Suas mãos, o Seu coração e o Seu olhar e renovemos, agora, o nosso desejo sincero de sermos fiéis.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

S. Gregório de Nazianzo, bispo e doutor
* O evangelho de hoje fala do testemunho de João Batista. Os judeus enviaram “sacerdotes e levitas” para interroga-lo. Da mesma maneira, alguns anos depois, mandaram pessoas para controlar a atividade de Jesus (Mc 3,22). Há uma semelhança muito grande entre as respostas do povo a respeito de Jesus e as perguntas que as autoridades dirigiram a João. Jesus perguntou aos discípulos: “Quem diz o povo que eu sou?”. Eles responderam: “Elias, João Batista, Jeremias, algum dos profetas” (cf. Mc 8,27-28). As autoridades fizeram as mesmas perguntas a João: “Quem é você: o Messias? Elias?, o Profeta?” João respondeu citando o profeta Isaías: “Eu sou a voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor”. Os três outros evangelhos também trazem a mesma afirmação a respeito de João: ele não é o Messias, mas veio para preparar a vinda do messias. (cf. Mc 1,3; Mt 3,3; Lc 3,4). Todos os quatro evangelhos dão uma atenção muito grande à atividade e ao testemunho de João Batista. Qual o motivo desta insistência deles em dizer que João não é o Messias?

* João Batista tinha sido executado por Herodes em torno do ano 30. Mas até o fim do primeiro século, época em que foi escrito o Quarto Evangelho, a liderança do Batista continuava muito forte entre os judeus. Mesmo depois da sua morte a memória de João continuava a exercer uma grande influência na vivência da fé do povo. Ele era visto como o profeta (Mc 11,32). Era o primeiro grande profeta que apareceu depois de séculos ausência de profetas. Muitos o consideravam como o Messias. Quando, nos anos 50, Paulo passou por Éfeso lá na Ásia Menor, ele encontrou um grupo de pessoas que tinham sido batizadas no nome de João (cf. At 19,1-4). Por isso, era importante divulgar o testemunho do próprio João Batista dizendo que não era o Messias e apontando Jesus como o messias. Assim, o próprio João contribuía para irradiar melhor a Boa Nova de Jesus.

* “Como é que você batiza se não é o Messias, nem Elias, nem o profeta?” A resposta de João é outra afirmação que aponta Jesus como o Messias: "Eu batizo com água, mas no meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem, e que vem depois de mim. Eu não mereço nem sequer desamarrar a correia das sandálias dele". E um pouco mais adiante (Jo 1,33), João faz alusão às profecias que anunciavam a efusão do Espírito para os tempos messiânicos: “Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e pousar, esse é quem batiza com o Espírito Santo” (cf Is 11,1-9; Ez 36,25-27; Joel 3,1-2).

Para um confronto pessoal
1. Teve algum João Batista na sua vida que preparou em você o caminho para Jesus?
2. João foi humilde. Não se fez maior do que era na realidade: você já foi batista para alguém?