quinta-feira, 6 de agosto de 2015

7 de agosto

Santo Alberto de Trapani
PRESBÍTERO E PAI DE NOSSA ORDEM


Nasceu em Trapani, na Sicília, no séc. XIII. Distinguiu-se no seu tempo pelo seu amor à pregação evangélica, pela força dos seus milagres e pelo seu temo amor à Virgem Maria. No ano de 1296 governava a Província carmelitana da Sicília como provincial. Célebre pelo seu apaixonado amor à pureza e à oração, morreu em Messina, provavelmente em 1307.

INVITATÓRIO
Ant. Vinde adoremos a Cristo, ornamento dos sacerdotes!

LAUDES
Hino
Celebremos Santo Alberto,
Que a lei teve por guia,
a alma, deu a Maria,
Estrela e Caminho certo.

Não importa a pouca idade:
eis que avança alegremente,
casto, pobre e obediente,
na senda da santidade.

No ardor da pregação
sua alma se consome
por tantos que têm fome
do anúncio da Salvação.

Sê amparo, Alberto santo,
dos que, abraçados à cruz,
procuram seguir Jesus,
sorrindo por entre o pranto.

Glória ao Pai Onipotente,
glória a Cristo Redentor,
que com o Espírito de Amor
vive e reina eternamente.

Ant. 1 Quem tem mãos inocentes e puro o coração, esse subirá à montanha do Senhor.

Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.

Ant. 2 Cristo o glorificou com bondade admirável por causa da pureza do seu coração.

Ant. 3 Por ter abandonado este mundo, Cristo lhe concedeu a vida suspirada.

Leitura breve: Eclo (Sr) 50,6-7.10
Era como a estrela da manhã no meio das nuvens, como a lua nos dias da sua plenitude, como o sol a resplandecer sobre o Templo do Altíssimo, como o arco-íris a brilhar entre névoas de glória, como um vaso de ouro maciço adornado com toda variedade de pedras preciosas.

Responsório breve
R. Foi-me concedida a graça de anunciar as inefáveis
riquezas de Cristo. R. Foi-me concedida.
V. Para que seja manifestada pela Igreja a multiforme sabedoria de Deus. *
As inefáveis. Glória ao Pai. R. Foi-me.

Cântico evangélico
Ant. Santo Alberto, servo de Cristo, guie os nossos passos e nos ensine os caminhos da paz.

Preces
Bendigamos, irmãos, a Jesus Cristo, Pontífice da nossa fé, que é admirável nos seus Santos e adornou também a nossa Ordem com a santidade e a justiça. E peçamos jubilosos:

R. Fazei-nos santos, porque vós sois santo.

Vós, que prometestes a visão de Deus aos puros de coração,
- sarai, purificai e inflamai os corações dos vossos servos. R.

Vós, que desejastes que a Boa Nova fosse proclamada até os confins da terra,
- concedei zelo e fidelidade aos anunciadores do Reino. R

Vós, que nunca privastes a vossa Igreja da presença do vosso admirável poder,
- curai os doentes, aliviai os oprimidos, fortalecei os fracos. R.

Vós, que através dos vossos representantes na terra continuais a ser o único Pastor da Igreja,
- tornai-nos dignos de ter guias santos e seguros. R.

Vós, que destes ao Carmelo vossa Mãe como nossa Mãe e Padroeira,
_ com a sua ajuda e intercessão gravai em nós mais profundamente a vossa imagem. R.
(intenções livres)
Pai Nosso ...

Oração
Senhor, que fizestes de Santo Alberto modelo de pureza e oração, e fiel servidor de Maria, concedei que, investidos destas mesmas virtudes, possamos encontrar-nos no eterno banquete da vossa Glória. Por N.S.J.C.

VÉSPERAS
Hino
Tu, Alberto, foste luz,
que iluminou Messina,
tal como outrora Jesus
nas terras da Palestina.

Como Ele tu passaste
fazendo o bem e curando
a todos os que encontraste
duras penas suportando.

Quantos foram socorridos
por tua mão benfazeja!
E aqueles que, convertidos,
encontram Cristo na Igreja!

Pois que semeaste em paz
a Palavra da Verdade,
como estrela brilharás
por toda a eternidade.

Ant. 1 Quem vive sem mancha e pratica a justiça descansará na montanha do Senhor.

Salmos e Cântico do Comum dos Pastores.

Ant. 2 Como sol refulgente brilhou no templo do Senhor.

Ant. 3 Os Santos cantavam um cântico novo diante do trono de Deus e do Cordeiro, e as suas vozes enchiam a terra.

Leitura breve: Rm 8,28-30
Sabemos que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação de acordo com o projeto de Deus, pois os que Deus contemplou com o seu amor desde sempre, a esses predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, para que este seja o Primogênito numa multidão de irmãos. E aqueles que Deus predestinou, também os chamou; e aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou.

Responsório breve
R. Santos e justos, * alegrai-vos no Senhor! R. Santos.
V. Deus vos escolheu como sua herança. * Alegrai-vos.
Glória ao Pai. R. Santos.

Cântico evangélico
Ant. Ó Santo Alberto, pai ilustre, que eternamente gozais da alegria da glória, atendei a todos os que na terra vos louvam, e ao Senhor apresentai as nossas orações.

Preces
Roguemos ao Senhor Jesus, que santifica os seus sacerdotes e convida os seus servos e servas a um íntimo trato com Ele. E digamos:

R. Criai em nós, Senhor, um coração que seja puro e aumentai a nossa fé.

Vós, que às mãos dos sacerdotes confiastes o Pão Eucarístico,
- fazei que todos gozem dos frutos do mistério pascal. R.

Concedei a todos os que investigam a verdade que, procurando-a, a encontrem,
- e, encontrando-a, a sigam fielmente. R.

A todos os que amam e cultivam a pureza de coração,
- concedei que sejam testemunhas da vossa presença no mundo. R.

Reuni ao redor da vossa mesa os vossos irmãos e irmãs,
- para que vos sigam mais de perto, a Vós, Cristo virgem, pobre e obediente. R.

Guardai a todas as que abraçaram o ideal da virgindade consagrada
- para que vos sigam a Vós, Cordeiro puro e sem mancha, por onde quer que Vós andeis. R.
(intenções livres)

Acolhei todos nossos irmãos e irmãs falecidos no Reino Eterno,
- aonde nós próprios esperamos chegar um dia. R.

Pai Nosso...

Oração
Senhor, que fizestes de Santo Alberto modelo de pureza e oração, e fiel servidor de Maria, concedei que, investidos destas mesmas virtudes, possamos encontrar-nos no eterno banquete da vossa Glória. Por N.S.J.C.

Sexta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Santo Alberto, Presbítero e Pai da nossa Ordem
Evangelho (Mt 16,24-28): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida? Pois o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade, vos digo: alguns dos que estão aqui não provarão a morte sem antes terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino».

«Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me»

Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Rubí, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos coloca claramente diante do mundo. É radical na sua abordagem, não admitindo ambigüidades: «Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me» (Mt 16,24). Em numerosas ocasiões, perante o sofrimento causado por nós mesmos ou pelos outros ouvimos: «Devemos suportar a cruz que Deus nos manda...Deus quis que fosse assim...», e vamos acumulando sacrifícios como cupons em uma cartela, que apresentaremos à auditoria celestial no dia que tivermos que prestar contas.

O sofrimento não tem valor algum em si mesmo. Cristo não era um estóico: sentia sede, fome, cansaço, não gostava de ser deixado só, se deixava ajudar... Onde podia aliviava a dor, física e moral. Que acontece então?

Antes de carregarmos a nossa “cruz”, primeiramente devemos seguir a Cristo. Não se sofre e depois se segue a Cristo... Cristo se segue por Amor, e é a partir daí que se compreende o sacrifício, a negação pessoal: «Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará» (Mt 16,25). É o amor e a misericórdia o que nos leva ao sacrifício. Todo amor verdadeiro gera sacrifício de uma forma ou de outra, mas nem todo sacrifício gera amor. Deus não é sacrifício; Deus é Amor, e só esta perspectiva dá sentido à dor, ao cansaço e às cruzes de nossa existência segundo o modelo de homem que o Pai nos revelou em Cristo. Santo Agostinho afirmou: «Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento».

No correr da nossa vida, não busquemos uma origem divina para os sacrifícios e as penúrias: «Por que Deus me mandou isto?», mas busquemos um “uso divino” para o que nos acontece: «Como posso fazer disso, um ato de fé e de amor?». É assim que seguimos a Cristo e, como —com certeza— seremos merecedores do olhar misericordioso do Pai. O mesmo olhar com que contemplou o seu Filho na Cruz.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

*  Os cinco versículos do evangelho de hoje são a continuidade das palavras de Jesus a Pedro que meditamos ontem. Jesus não esconde nem abranda as exigências do discipulado. Não permitiu que Pedro tomasse a dianteira e o colocou no seu devido lugar: “Atrás de mim!” O evangelho de hoje explicita estas exigências para todos nós; 

V Centenário do Nascimento
(1515-2015)
*  Mateus 16,24: Tome a sua cruz e siga-me
Jesus tira as conclusões que valem até hoje: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga”. Naquele tempo, a cruz era a pena de morte que o império romano impunha aos marginais e bandidos. Tomar a cruz e carregá-la atrás de Jesus era o mesmo que aceitar ser marginalizado pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. A Cruz não é fatalismo, nem é exigência do Pai. A Cruz é a conseqüência do compromisso livremente assumido por Jesus de revelar a Boa Nova de que Deus é Pai e que, portanto, todos e todas devem ser aceitos e tratados como irmãos e irmãs. Por causa deste anúncio revolucionário, Jesus foi perseguido e não teve medo de dar a sua vida. Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão (Jo 15,13). O testemunho de Paulo na carta aos Gálatas mostra o alcance concreto de tudo isto: “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”.  (Gal 6,14)  E ele termina aludindo às cicatrizes das torturas que sofreu: “De agora em diante ninguém mais me moleste, pois trago em meu corpo as marcas de Jesus” (Gal 6,17).

*  Mateus 16,25-26: Quem perde a vida por causa de mim vai encontrá-la
Estes dois versículos explicitam valores humanos universais que confirmam a experiência de muitos, cristãos e não cristãos. Salvar a vida, perder a vida, encontrar a vida. A experiência de muitos ensina o seguinte: Quem vive atrás de bens e de riqueza, nunca fica saciado. Quem se doa aos outros esquecendo-se a si mesmo, sente uma grande felicidade. É a experiência das mães que se doam, e de tanta gente que não pensa em si, mas nos outros. Muitos fazem e vivem assim quase por instinto, como algo que vem do fundo da alma. Outros fazem assim, porque tiveram uma experiência dolorosa de frustração que os levou a mudar de atitude. Jesus tem razão em dizer: Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. Importante é o motivo: “por causa de mim”, ou como diz em outro lugar: “por causa do Evangelho” (Mc 8,35). E ele termina: “Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida?” Esta última frase evoca o salmo onde se diz que ninguém é capaz de pagar o preço do resgate da vida: “O homem não pode comprar seu próprio resgate, nem pagar a Deus o preço de si mesmo. É tão caro o resgate da vida, que nunca bastará para ele viver perpetuamente, sem nunca ver a cova”.  (Sl 49,8-10).

*  Mateus 16,27-28: O Filho do Homem retribuirá a cada uma conforme a sua conduta
Estes dois versículos se referem à esperança do povo com relação à vinda do Filho do Homem no fim dos tempos como juiz da humanidade, como é apresentado na visão do profeta Daniel (Dn 7,13-14). O primeiro versículo diz: “O Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta” (Mt 16,27). Nesta frase se fala da justiça do Juiz. Cada um vai receber conforme a sua própria conduta. O segundo versículos diz: “Alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino”. (Mt 16,28). Esta frase é um aviso para ajudar a perceber a vinda de Jesus como Juiz nos fatos da vida. Alguns achavam que Jesus viria logo (1Ts 4,15-18). Jesus, de fato, veio e já estava presente nas pessoas, sobretudo nos pobres. Mas eles não o percebiam. Jesus mesmo tinha dito: “Aquela vez que você ajudou o pobre, o doente, o sem casa, o preso, o peregrino, era eu!” (Mt 25,34-45)

Para um confronto pessoal
1. Quem perde a vida vai ganha-la. Qual a experiência que tenho neste ponto?
2. As palavras de Paulo:“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”. Tenho coragem de repeti-las na minha vida?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

6 de agosto, Transfiguração do Senhor.

Evangelho (Mt 17,1-9): Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João e os fez subir a um lugar retirado, no alto de uma montanha, a sós. Lá, ele foi transfigurado diante deles. Sua roupa ficou muito brilhante, tão branca como nenhuma lavadeira na terra conseguiria torná-la assim. Apareceram-lhes Elias e Moisés, conversando com Jesus. Pedro então tomou a palavra e disse a Jesus: «Rabi, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias». Na realidade, não sabia o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo. Desceu, então, uma nuvem, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: «Este é o meu Filho amado. Escutai-o!». E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém: só Jesus estava com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos. Eles ficaram pensando nesta palavra e discutiam entre si o que significaria esse «ressuscitar dos mortos».

«Rabi, é bom ficarmos aqui»

Rev. D. Ignasi NAVARRI i Benet (La Seu d'Urgell, Lleida, Espanha).

Hoje celebramos a solenidade da Transfiguração do Senhor. A montanha do Tabor, como a do Sinai, é o lugar da proximidade com Deus. É o espaço elevado, com respeito à existência diária onde se respira o ar puro da Criação. É o lugar da oração donde se está na presença do Senhor, como Moisés e Elias que aparecem com Jesus transfigurado falando com Ele sobre o Êxodo que lhe esperava em Jerusalém (ou seja, sua Páscoa).

«As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear» (Mc 9,3). Este fato simboliza a purificação da Igreja. E Pedro disse a Jesus: «Vamos fazer três cabanas, una para ti, outra para Moisés e outra para Elias» (Mc 9,5). Santo Agostinho comenta belamente que Pedro buscava três cabanas porque ainda não conhecia a unidade entre a Lei, a Profecia e o Evangelho.

«Nisto veio uma nuvem que os cobriu, e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi» (Mc 9,7). A Transfiguração não é uma mudança em Jesus, e sim a Revelação de sua Divindade. Pedro, Santiago e João, contemplando a Divindade do Senhor, se preparam para afrontar o escândalo da Cruz. A Transfiguração é um antecipo da Ressurreição!

«Rabi, bom é nós estarmos aqui» (Mc 9,5). A Transfiguração nos recorda que as alegrias semeadas por Deus na vida não são pontos de chegada, e sim luzes que Ele nos dá na peregrinação terrena para que “Jesus só” seja nossa Lei, e sua Palavra seja o critério, o gozo e a bem-aventurança de nossa existência.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver intensamente nossos momentos de encontro com o Senhor para que possamos seguir cada dia com alegria, e nos ajude a escutar e seguir sempre ao Senhor Jesus, até a paixão e a Cruz com intenção de participar também de sua Gloria.

«Este é o meu Filho amado»

+ Rev. D. Joan SERRA i Fontanet (Barcelona, Espanha)

Hoje o Evangelho nos fala da Transfiguração de Jesus Cristo no monte Tabor. Jesus, depois da confissão de Pedro, começou a mostrar a necessidade de que o Filho do homem fosse condenado à morte e anunciou também a sua ressurreição ao terceiro dia. É neste contexto que devemos situar o episódio da Transfiguração de Jesus. Anastácio, o Sinaíta escreve que «Ele tinha se revestido com nossa miserável túnica de pele, hoje se colocou a veste divina, e a luz o envolveu como um manto». A mensagem que Jesus transfigurado nos traz são as palavras do Pai: «Este é o meu Filho amado. Escutai-o!». (Mc 9,7). Escutar significa fazer sua vontade, contemplar sua pessoa, imitá-lo, por em prática seus conselhos, tomar nossa cruz e segui-lo.

Com o propósito de evitar equívocos e más interpretações, Jesus «ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos». (Mc 9,9). Os três apóstolos contemplam a Jesus transfigurado, sinal de sua divindade, mas o Salvador não quer que se divulgue até depois de sua Ressurreição, quando se poderá compreender a dimensão deste episódio. Cristo nos fala no Evangelho e em nossa oração; então poderemos repetir as palavras de Pedro: «Rabi, que bem estamos aqui» (Mc 9,5), sobretudo depois de ir a comungar.

O prefácio da Missa de hoje nos oferece um belo resumo da Transfiguração de Jesus. Diz assim: «Porque Cristo, Senhor, tendo anunciado sua morte aos discípulos, revelou sua glória na montanha sagrada e, tendo também a Lei e os profetas como testemunhas, os fez compreender que a paixão é necessária para chegar à gloria da ressurreição». Lição que cristãos não devem esquecer nunca.

Reflexão de Frei Carlos Mesters, OCarm.

* Hoje é a festa da Transfiguração de Jesus. A Transfiguração acontece depois do primeiro anúncio da Morte de Jesus (Mt 16,21). Este anúncio transtornou a cabeça dos discípulos, sobretudo de Pedro (Mt 16,22-23). Eles tinham os pés no meio dos pobres, mas a cabeça estava perdida na ideologia dominante da época. Eles esperavam um messias glorioso. A cruz era um impedimento para crer em Jesus. A Transfiguração, onde Jesus aparece glorioso no alto da montanha, era uma ajuda para eles poderem superar o trauma da Cruz e descobrir em Jesus o verdadeiro Messias. Mesmo assim, muitos anos depois, quando a Boa Nova já estava espalhada pela Ásia Menor e pela Grécia, a Cruz continuava sendo um grande impedimento para os judeus e para os pagãos aceitarem Jesus como Messias. “A cruz é uma loucura e um escândalo!”, assim diziam (1Cor 1,23). Um dos maiores esforços dos primeiros cristãos consistia em ajudar as pessoas a perceber que a cruz não era escândalo nem loucura, mas sim a expressão mais bonita e mais forte do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1,22-31). O evangelho de hoje dá a sua contribuição neste esforço. Ele mostra que Jesus veio realizar as profecias e que a Cruz era o caminho para a Glória. Não há outro caminho.

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
* Mateus 17,1-3: Jesus muda de aspecto.
Jesus sobe a uma montanha alta. Lucas acrescenta que ele subiu para rezar (Lc 9,28). Lá em cima, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto com Jesus aparecem Moisés e Elias. A Montanha alta evoca o Monte Sinai, onde, no passado, Deus tinha manifestado sua vontade ao povo, entregando as tábuas da lei. As vestes brancas lembram Moisés que ficava fulgurante quando conversava com Deus na Montanha e dele recebia a lei (cf. Ex 34,29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, conversam com Jesus. Moisés representa a Lei, Elias, a profecia. Lucas informa que a conversa foi sobre o “êxodo” (a morte) de Jesus em Jerusalém (Lc 9,31). Assim fica claro que, o Antigo Testamento, tanto a Lei como os Profetas, já ensinava que, para o Messias, o caminho da glória tinha de passar pela cruz.

* Mateus 17,4: Pedro gostou, mas não entendeu.
Pedro gostou e quis segurar o momento agradável na Montanha. Ele se oferece para construir três tendas. Marcos diz que Pedro estava com medo, sem saber o que estava dizendo (Mc 9,6), e Lucas acrescenta que os discípulos estavam com sono (Lc 9,32). Eles são como nós: têm dificuldade para entender a Cruz!

* Mateus 17,5-8: A voz do céu esclarece os fatos. 
Enquanto Jesus é envolvido pela glória, uma voz do céu diz: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz". A expressão “Filho amado” evoca a figura do Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1). A expressão “Escutem o que ele diz” evoca a profecia que prometia a chegada de um novo Moisés (cf. Dt 18,15). Em Jesus, as profecias do AT estão se realizando. Os discípulos já não podem duvidar. Jesus é realmente o Messias glorioso e o caminho para a glória passa pela cruz, conforme tinha sido anunciado na profecia do Messias Servo (Is 53,3-9). A glória da Transfiguração o comprova. Moisés e Elias o confirmam. O Pai o garante. Jesus o aceita. Diante de tudo que estava acontecendo os discípulos ficam com muito medo e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproxima, toca neles e diz: "Levantem-se, e não tenham medo." Os discípulos levantam os olhos e veem sós Jesus e ninguém mais. Daqui para frente, Jesus é a única revelação de Deus para nós! Jesus, e só ele, é a chave para podermos entender a Escritura e a Vida.

4. Mateus 17,9: Saber guardar o silêncio.
Jesus pedia aos discípulos para não dizer nada a ninguém até que ele tivesse ressuscitado dos mortos. Marcos diz que eles não sabiam o que significava ressurreição dos mortos (Mc 9,10). De fato, não entende o significado da Cruz quem não liga o sofrimento com a ressurreição. A Cruz de Jesus é a prova de que a vida é mais forte que a morte. A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço, desde a Galileia até Jerusalém.

Para um confronto pessoal
1. A sua fé em Jesus já proporcionou a você algum momento de transfiguração e de alegria intensa? Como estes momentos de alegria lhe dão força na hora das dificuldades?
2. Como transfigurar, hoje, tanto a vida pessoal e familiar, como a vida comunitária no nosso bairro?

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Quarta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

N. Sra das Neves (Santa Maria Maior)
Evangelho (Mt 15,21-28): Naquele tempo, Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher Cananéia, vinda daquela região, pôs-se a gritar: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!». Ele não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: «Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós». Ele tomou a palavra: «Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus e começou a implorar: «Senhor, socorre-me!». Ele lhe disse: «Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos». Ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!». Diante disso, Jesus respondeu: «Mulher, grande é tua fé! Como queres, te seja feito!». E a partir daquela hora, sua filha ficou curada.

«Mulher, grande é tua fé»

Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala (Sant Hipòlit de Voltregà, Barcelona, Espanha)

Hoje, frequentemente, escutamos expressões como já não existe mais fé! E o dizem pessoas que pedem às nossas comunidades o batismo de seus filhos ou a catequese das crianças ou o sacramento do matrimônio. Essas palavras refletem uma visão negativa do mundo, mostra o convencimento de que em qualquer tempo passado as coisas eram melhores do que agora e que estamos no fim de uma etapa em que não há nada novo a dizer, nem tampouco nada de novo a fazer. Evidentemente são pessoas jovens que, em sua maioria, veem com certa tristeza que o mundo mudou muito, desde o tempo de seus pais, que talvez vivessem uma fé mais popular, a qual eles não se souberam ajustar. Esta experiência os deixa insatisfeitos e sem capacidade de reação quando, na verdade, quem sabe, não estão às portas de uma nova etapa que deveriam aproveitar.

Esta passagem do Evangelho chama a nossa atenção para aquela mãe cananeia que pede uma graça para sua filha, reconhecendo em Jesus o Filho de Davi: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!» (Mt 15,22). O Mestre é surpreso: «Mulher, grande é tua fé!», e não pode fazer outra coisa senão atuar em favor daquelas pessoas: «Como queres, te seja feito!» (Mt 15,28), ainda que isto não pareça estar em seus planos. Apesar da realidade humana, a graça de Deus sempre se manifesta.

A fé não é patrimônio de uns quantos, nem tampouco é propriedade dos que se creem bons ou dos que o foram, ou de quem tem esta etiqueta social ou eclesial. A ação de Deus precede a ação da Igreja e, o Espírito Santo está atuando já em pessoas que não havíamos suspeitado que nos trouxessem uma mensagem de parte de Deus, uma solicitação em favor dos mais necessitados. Diz São Leão: «Amados meus, a virtude e a sabedoria da fé cristã são o amor a Deus e ao próximo: nada falta a nenhuma obrigação de piedade a quem procura dar culto a Deus e a ajudar a seu irmão».

Reflexão

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
• Contexto. O pão dos filhos e a grande fé de uma mulher cananeia é a questão apresentada por esta passagem do capítulo 15 de Mateus, que propõe ao leitor do seu Evangelho um posterior aprofundamento da fé em Cristo. O episódio é precedido por uma iniciativa dos escribas e fariseus chegados de Jerusalém, que causam um encontro de curta duração com Jesus, até que ele se afastou com os seus discípulos para se retirar à região de Tiro e Sidônia.

Enquanto ia pelo caminho, é alcançado por uma mulher que vem de lugares pagãos. Mateus apresenta esta mulher com o nome de "cananeia", que aparece no Antigo Testamento com toda a sua dureza. No livro do Deuteronômio, os habitantes de Canaã são vistos como um povo cheio de pecado e por consequência um povo mau e idólatra.

• Dinâmica da história. Enquanto Jesus desenvolvia sua atividade na Galileia e está a caminho de Tiro e de Sidônia, uma mulher se aproxima dele e começa a incomodá-lo com um pedido de ajuda para sua filha doente. A mulher aborda Jesus com o título de "filho de Davi", um título que soa estranho na boca de um pagão e poderia se justificar pela extrema necessidade em que vivia aquela mulher. Poderia se pensar que esta mulher já acreditava de em alguma forma na pessoa de Jesus como o salvador final, mas se exclui visto que só no v. 28 aparece reconhecido seu ato de fé, precisamente por Jesus.

No diálogo com a mulher, parece que Jesus mostra a mesma distância e desconfiança que existia entre o povo de Israel e os pagãos. Por um lado, Jesus manifesta à mulher a prioridade de Israel em relação à salvação, e diante do insistente pedido de sua interlocutora, Jesus parece tomar distância, uma atitude incompreensível para o leitor, mas na intenção de Jesus expressa um alto valor pedagógico. A primeira súplica "Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi", Jesus não responde. À segunda intervenção, desta vez pelos discípulos que o convidam para atender a mulher, apenas expressa uma rejeição que sublinha a distância secular entre o povo escolhido e os povos pagãos (vv. 23b-24). Mas, devido à insistência da mulher que se prostra ante Jesus, segue uma resposta difícil e misteriosa: "Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos" (v. 26). Ela vai além da dureza das palavras de Jesus e apega a um pequeno sinal de esperança: a mulher reconhece que o plano de Deus que Jesus realiza inicialmente afeta o povo escolhido e Jesus pede a observância desta prioridade; a mulher explora esta prioridade, a fim de apresentar um motivo forte para o milagre: “os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos” (v. 27). A mulher superou a prova de fé: "Ó mulher, grande é tua fé!" (v. 28); na verdade, à humilde insistência de sua fé, Jesus responde com um gesto de salvação.

Este episódio dirige a todo leitor do Evangelho um convite para ter uma atitude de "abertura" para todos, crentes ou não, ou seja, disponibilidade e aceitação sem reserva para qualquer pessoa.

Para um confronto pessoal
1. A palavra Deus convida-o a romper seu fechamento e seus esquemas pequenos. Você é capaz de acolher todos os irmãos que vêm até você?
2. Você está ciente de sua pobreza para ser capaz, como a cananeia, de confiar na palavra salvadora de Jesus?

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Terça-feira da 18ª semana do Tempo Comum

DIA DO PADRE

Evangelho (Mt 14,22-36): Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho. O barco, entretanto, já longe da terra, era atormentado pelas ondas, pois o vento era contrário. Nas últimas horas da noite, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: «É um fantasma». E gritaram de medo. Mas Jesus logo lhes falou: «Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!». Então Pedro lhe disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água». Ele respondeu: «Vem!». Pedro desceu do barco e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, sentindo o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: «Senhor, salva-me!». Jesus logo estendeu a mão, segurou-o e lhe disse: «Homem de pouca fé, por que duvidaste?». Assim que subiram no barco, o vento cessou. Os que estavam no barco ajoelharam-se diante dele, dizendo: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!». Após a travessia, aportaram em Genesaré. Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; suplicavam que pudessem ao menos tocar a franja de seu manto. E todos os que tocaram ficaram curados.

«Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água »

Fray Lluc TORCAL Monge del Monastério de Sta. Mª de Poblet (Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha).

Hoje não veremos Jesus dormindo na barca enquanto esta se afunda, nem acalmando a tempestade com só uma palavra de interpelação, suscitando assim a admiração dos discípulos (cf. Mt 8, 22-23). Mas a ação de hoje não deixa de ser desconcertante: tanto para os primeiros discípulos como para nós.

Jesus mandou os discípulos subirem na barca e irem para a outra margem; despediu todo o mundo depois de saciar a multidão faminta e, Ele permaneceu sozinho na montanha, profundamente imerso em oração (cf. Mt 14,22-23). Os discípulos, sem o Mestre, avançam com dificuldade. Foi então quando Jesus se aproximou da barca caminhando sobre as águas.

Como acontece com pessoas normais e sensatas, os discípulos se assustaram ao vê-Lo: os homens não costumam caminhar sobre a água e, portanto, deviam estar vendo um fantasma. Mas eles se equivocaram, não era um fantasma, mas tinham diante deles o próprio Senhor, que os convidava como em tantas outras ocasiões a não terem medo e a confiar Nele para revelar neles a fé. Esta fé se exige, em primeiro lugar, a Pedro, que disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água» (Mt 14,28). Com esta resposta, Pedro mostrou que a fé consiste na obediência à palavra de Cristo: não disse «faça com que eu caminhe sobre as águas», mas queria seguir o que o próprio e único Senhor lhe mandasse para poder crer na veracidade das palavras do Mestre.

Suas dúvidas o fizeram cambalear em sua fé incipiente, mas ela levou à confissão dos outros discípulos, agora com o Mestre presente: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» (Mt 14,33). «O grupo daqueles que já eram apóstolos, mas que ainda não acreditavam, depois de verem que as águas jogavam sob os pés do Senhor e que mesmo no movimento agitado das ondas, os passos do Senhor eram seguros, (...) creram que Jesus era o verdadeiro Filho de Deus, confessando-O como tal» (Santo Ambrósio).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
* O Evangelho de hoje descreve a difícil e cansativa travessia do mar da Galilria num barco frágil, balançado pelo vento contrário. Entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o da Comunidade (Mt 18), está, novamente, a parte narrativa (Mt 14 até 17). O Sermão das Parábolas chamava nossa atenção para a presença do Reino. Agora, a parte narrativa mostra como esta presença acontece provocando reações a favor e contra Jesus. Em Nazaré ele não foi aceito (Mt 13,53-58) e o rei Herodes pensava que Jesus fosse uma espécie de reencarnarão de João Batista, por ele assassinado (Mt 14,1-12). O povo pobre, porém, reconhecia em Jesus o enviado de Deus e o seguia no deserto, onde aconteceu a multiplicação dos pães (Mt 14,13-21). Depois da multiplicação dos pães, Jesus despede a multidão e manda os discípulos fazer a travessia, descrita no evangelho de hoje (Mt 14,22-36).

* Mateus 14,22-24: Iniciar a travessia a pedido de Jesus.
Jesus forçou os discípulos a entrar no barco e ir para o outro lado do mar, onde ficava a terra dos pagãos. Ele mesmo sobe a montanha para rezar. O barco simboliza a comunidade. Ela tem a missão de dirigir-se aos pagãos e de anunciar também entre eles a Boa Nova do Reino que gera um novo jeito de conviver em comunidade. Mas a travessia é cansativa e demorada. A barca é agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Apesar de terem remado a noite toda, falta muito para chegar à terra. Faltava muito para as comunidades fazerem a travessia para os pagãos. Jesus não foi com os discípulos. Eles devem aprender a enfrentar juntos as dificuldades, unidos e fortalecidos pela fé em Jesus que os enviou. O contraste é grande: Jesus em paz junto de Deus rezando no alto da montanha, e os discípulos meio perdidos lá em baixo, no mar revolto.

* A travessia para o outro lado do lago simboliza também a difícil travessia das comunidades do fim do primeiro século. Elas deviam sair do mundo fechado da antiga observância da lei para o novo jeito de observar a Lei do amor, ensinado por Jesus; sair da consciência de pertencer ao povo eleito, privilegiado por Deus entre todos os povos, para a certeza de que em Cristo todos os povos estavam sendo fundidos num único Povo diante de Deus; sair do isolamento da intolerância para o mundo aberto do acolhimento e da gratuidade. Também nós hoje estamos numa travessia difícil para um novo tempo e uma nova maneira de ser igreja. Travessia difícil, mas necessária. Há momentos na vida em que o medo nos assalta. Boa vontade não falta, mas não basta. Somos como um barco que enfrenta o vento contrário.

* Mateus 14,25-27: Jesus se aproxima e eles não o reconhecem.
Na quarta vigília, isto é, entre as horas três e seis da madrugada, Jesus foi ao encontro dos discípulos. Andando sobre as águas, chegou perto deles, mas eles não o reconheceram. Gritavam de medo, pensando que fosse um fantasma. Jesus os acalma dizendo: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo!” A expressão "Sou Eu!" é a mesma com que Deus tentou superar o medo de Moisés quando o enviou para libertar o povo do Egito (Ex 3,14). Para as comunidades, tanto as de ontem como as de hoje, era e é muito importante ouvir sempre de novo: "Coragem! Sou eu! Não tenham medo!"

* Mateus 14,28-31: Entusiasmo e fraqueza de Pedro.
Sabendo que é Jesus, Pedro pede para poder andar sobre as águas. Quer experimentar o poder que domina a fúria do mar. Um poder que, na Bíblia, é exclusivo de Deus (Gn 1,6; Sl 104,6-9). Jesus permite que ele participe desse poder. Mas Pedro tem medo. Pensa que vai afundar e grita: "Senhor! Salva-me!" Jesus o segura e repreende: "Homem fraco na fé! Por que duvidou?" Pedro tem mais força do que ele imagina, mas tem medo diante das ondas contrárias e não acredita no poder de Deus que existe nele. As comunidades não acreditam na força do Espírito que existe dentro delas e que atua através da fé. É a força da ressurreição (Ef 1,19-20).

* Mateus 14,32-33: Jesus é o Filho de Deus
Diante da onda que avança sobre ele, Pedro afunda no mar por falta de fé. Depois que foi salvo, ele e Jesus, os dois, entram na barca e a ventania para. Os outros discípulos, que estavam na barca, ficam maravilhados e se ajoelham diante de Jesus, reconhecendo nele o Filho de Deus: "De fato, tu és o Filho de Deus". Mais tarde, Pedro também vai professar a mesma fé em Jesus: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Assim, Mateus sugere que não é só Pedro que sustenta a fé dos discípulos, mas também é a fé dos discípulos, que sustenta a fé de Pedro.

* Mateus 14,34-36: Levaram a Jesus todos os doentes
O episódio da travessia termina com este final bonito: “Acabando de atravessar, desembarcaram em Genesaré. Os homens desse lugar, reconhecendo-os, espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a Jesus todos os doentes, e pediram que pudessem ao menos tocar a barra da roupa dele. E todos os que tocaram, ficaram curados”.

Para um confronto pessoal
1. Um vento contrário assim já aconteceu na sua vida? Como fez para vencer? Já aconteceu alguma vez na comunidade? Como superaram?
2. Qual a travessia que hoje as comunidades estão fazendo? De onde para onde? Como tudo isto nos ajuda a reconhecer hoje a presença de Jesus nas ondas contrárias da vida?

domingo, 2 de agosto de 2015

Segunda-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 14,13-21): Naquele tempo, ao ser informado da morte de João, Jesus partiu dali e foi, de barco, para um lugar deserto, a sós. Quando as multidões o souberam, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida! ». Jesus, porém, lhes disse: «Eles não precisam ir embora. Vós mesmos dai-lhes de comer! ». Os discípulos responderam: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes». Ele disse: «Trazei-os aqui». E mandou que as multidões se sentassem na relva. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos; e os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos cheios. Os que comeram foram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

«Ergueu os olhos para o céu...»

Rev. D. Xavier ROMERO i Galdeano (Cervera, Lleida, Espanha)

Hoje, o Evangelho toca nossos "esquemas mentais"... Por isso, hoje, como nos tempos de Jesus, podem surgir as vozes dos prudentes para sopesar se vale a pena determinado assunto. Os discípulos, ao ver que se fazia tarde e, como não sabiam como atender àquelas pessoas reunidas em torno de Jesus, encontraram uma saída honrosa: «Que possam ir aos povoados comprar comida! » (Mt 14,15). Não podiam esperar que seu Mestre e Senhor contrariasse esse raciocínio, aparentemente tão prudente, dizendo-lhes: «Vós mesmos dai-lhes de comer! » (Mt 14,16).

Um ditado popular diz: «Aquele que deixa Deus fora de suas contas, não sabe contar». E é verdade, os discípulos — e nós também — não sabemos contar, porque nos esquecemos frequentemente, de acrescentar o elemento de maior importância na soma: Deus mesmo entre nós.

Os discípulos fizeram bem as contas; contaram com exatidão o número de pães e peixes, mas ao dividi-los mentalmente entre tanta gente, eles obtinham sempre um zero periódico; por isso optaram pelo realismo prudente: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes» (Mt 14,17). Não percebem que eles têm a Jesus — verdadeiro Deus e verdadeiro homem — entre eles!

Parafraseando a São Josemaria, não nos seria mal recordar aqui que: «os empreendimentos de apostolado, está certo — é um dever — que consideres os teus meios terrenos (2 + 2 = 4). Mas não esqueças nunca! Que tens de contar, felizmente, com outra parcela: Deus + 2 + 2...». O otimismo cristão não é baseado na ausência de dificuldades, de resistências e de erros pessoais, mas em Deus que nos diz: «Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos» (Mt 28,20).

Seria bom se você e eu, quando confrontados com as dificuldades, antes de darmos uma sentença de morte à ousadia e ao otimismo do espírito cristão, contássemos com Deus. Tomara que possamos dizer como São Francisco, naquela oração genial: «Onde houver ódio que eu leve o amor», isto é, onde as contas não baterem, que contemos com Deus.

Reflexão

V Centenário do Nascimento
• O capítulo 14 de Mateus, que inclui a história da multiplicação dos pães, propõe um itinerário que leva o leitor à descoberta progressiva da fé em Jesus: via desde a falta de fé dos conterrâneos de Jesus ao reconhecimento do Filho de Deus passando pelo dom do pão. Os concidadãos de Jesus estão surpreendidos com a sua sabedoria, mas não compreendem que ela age através de suas obras. Tendo até mesmo um conhecimento direto da família de Jesus, de sua mãe, irmãos e irmãs, não conseguem aceitar a Jesus, a não ser apenas sua condição humana: é o filho do carpinteiro. Incompreendido em sua terra natal, a partir de agora Jesus viverá entre o povo ao qual dedicará toda a sua atenção e solidariedade, curando e alimentando as multidões.

• Dinâmica da narrativa.
Mateus narra acuradamente o episódio da multiplicação dos pães. O episódio está narrado entre duas expressões de transição nas quais se diz que Jesus se retira "aparte" das multidões, os discípulos da barca (vv.13-14; vv.22-23). O versículo 13 não só serve como uma transição, mas também fornece o motivo pelo qual Jesus está em um lugar deserto. Esta estratégia serve para especificar o ambiente em que ocorre o milagre. O evangelista enfoca a história na multidão e na atitude de Jesus a respeito da mesma.

• Jesus se comove em seu interior.
No momento em que chega, Jesus encontra uma multidão que o espera; ao ver as multidões se comove e cura os seus doentes. É uma multidão "cansada e abatida como ovelhas sem pastor" (9,36; 20,34) O verbo que expressa a compaixão de Jesus é verdadeiramente expressivo: a Jesus "se lhe despedaça o coração", corresponde ao verbo hebraico que expressa amor visceral da mãe. É o mesmo sentimento que eu tinha Jesus diante do túmulo de Lázaro (Jo 11,38). Compaixão é o aspecto subjetivo da experiência de Jesus, que se faz efetiva com o dom do pão.

• O dom do pão.
O relato da multiplicação dos pães se abre com uma expressão: "Caía a tarde" (v.15), que também introduz o relato da Última Ceia (Mt 26,20) e do sepultamento de Jesus (Mt 27,57). À tarde, então, Jesus convida os apóstolos para alimentar a multidão, em meio ao deserto longe de vilas e cidades. Jesus e os discípulos estão diante de um problema humano muito forte: alimentar a grande multidão que segue Jesus. Mas eles não conseguem suprir as necessidades materiais da multidão, sem o poder de Jesus. A resposta imediata dos discípulos é mandá-los para casa. Diante dos limites humanos, Jesus intervém e realiza o milagre saciando a todos os que o seguem. Dar de comer é aqui a resposta de Jesus, de seu coração que se faz em pedaços diante de uma necessidade humana muito específica. O dom do pão não é apenas suficiente para satisfazer a multidão, mas é tão abundante que se deve recolher as sobras.
No v. 19b parece que Mateus deu um significado eucarístico ao episódio da multiplicação dos pães: "elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos," o papel dos discípulos também fica muito evidente na função de mediação entre Jesus e a multidão: "os discípulos distribuíram ao povo" (v. 19c). Os gestos que acompanham o milagre são idênticos aos que Jesus adotará mais tarde na "noite em que foi entregue": levanta os olhos, abençoa o pão e o parte. Disto se deduz o valor simbólico do milagre: pode se considerar uma antecipação da Eucaristia. Além disso, alimentar a multidão por parte de Jesus é um "sinal" de que ele é o Messias e de que prepara um banquete de festa para toda a humanidade. De Jesus, que distribuiu os pães, os discípulos aprendem o valor da partilha. É um gesto simbólico que contém um fato real que vai além do episódio mesmo e se projeta para o futuro: o dom da nossa Eucaristia diária, em que revivemos aquele gesto do pão partido, é necessário que seja reiterado ao longo da jornada.

Para um confronto pessoal
1. Você se esforça para fazer gestos de solidariedade com aqueles que estão perto de você partilhando o caminho da vida? Diante dos problemas concretos de seus amigos ou parentes, você sabe oferecer sua ajuda e tua disponibilidade de colaborar para encontrar maneiras de resolver?
2. Jesus, antes de partir o pão, levanta os olhos para o céu, você sabe agradecer ao Senhor pelo dom pão diário? Você sabe compartilhar seus bens com os outros, especialmente com os pobres?

sábado, 1 de agosto de 2015

XVIII Domingo do Tempo Ordinário

Textos: Ex 16, 2-4.12-15; Ef 4, 17.20-24; Jo 6, 24-35

Nossa Senhora dos Anjos
Indulgência da Porciúncula
Evangelho (Jo 6,24-35): Naquele tempo, quando a multidão percebeu que Jesus não estava aí, nem os seus discípulos, entraram nos barcos e foram procurar Jesus em Cafarnaum. Encontrando-o do outro lado do mar, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade, vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados. Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois a este, Deus Pai o assinalou com seu selo». Perguntaram então: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?». Jesus respondeu: «A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou». Eles perguntaram: «Que sinais realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Que obras fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: ‘Deu-lhes a comer o pão do céu’». Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu.É meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo». Eles então pediram: «Senhor, dá-nos sempre desse pão!». Jesus lhes disse: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede».

«Senhor, dá-nos sempre desse pão (...) Eu sou o pão da vida»

Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)

Hoje vemos diferentes atitudes nas pessoas que buscam a Jesus: uns comeram o pão material, outros pedem um sinal mesmo quando o Senhor acaba de fazer um prodígio, outros se apressam para encontrá-lo e fazem de boa fé —poderíamos dizer— uma comunhão espiritual: «Senhor, dá-nos sempre desse pão» (Jo 6,34).

Jesus deveria estar muito contente com o esforço por buscá-Lo e segui-Lo. Ensinava a todos e os interpelava de vários modos. A uns dizia: «Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna» (Jo 6,27). Aqueles que perguntaram: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?» (Jo 6,28), receberão um conselho prático, naquela sinagoga de Cafarnaum, onde o Senhor promete a Sagrada Comunhão: «Crede».

Você e eu, que tentamos nos meter nas páginas deste Evangelho, vemos refletida nossa atitude? A nós que queremos reviver esta cena, que expressões nos tocam mais? Estamos prontos para o esforço de buscar a Jesus depois de tantas graças, doutrina, exemplos e lições que temos recebido? Sabemos fazer uma boa comunhão espiritual: ‘Senhor dá-nos sempre deste pão que acalma toda a nossa fome’?

O melhor atalho para encontrar a Jesus é Maria. Ela é a Mãe de Família que reparte o pão para os filhos no calor do lar paterno. É a Mãe da Igreja que quer alimentar os seus filhos para que cresçam, tenham forças, sejam felizes, levem a cabo o seu trabalho santamente e sejam comunicativos. Santo Ambrósio, em seu tratado sobre os mistérios, escreve: «E o sacramento que realizamos é o corpo nascido da Virgem Maria. Acaso aqui, a nível da natureza, podemos pedir o corpo de Cristo, se o mesmo Jesus nasceu de Maria por cima das leis naturais?».

A Igreja, mãe e mestra, nos ensina que a Sagrada Eucaristia é «o sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, convite Pascal, no qual se recebe a Cristo, e a alma se enche de graça e nos é dada a prenda da glória futura» (Concílio Vaticano II).

Do pão material é preciso passar ao pão espiritual.

Pe. Antonio Rivero, L.C

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
O ser humano não é só corpo. Também tem alma, e afeto e sentimentos e espírito. Querer saciar o corpo é viver só num nível biológico e como os pagãos (2ª leitura). Querer alimentar só a alma é coisa de anjos. Atender corpo e alma é humano e divino ao mesmo tempo.

Em primeiro lugar, o maná do deserto (1ª leitura), que Moisés conseguiu para o seu povo durante o deserto, é uma prefiguração do Pão celestial que Cristo nos dará na Eucaristia. Moisés quis que o seu povo superasse o cansaço, o desanimo e a rebelião. O maná do Antigo Testamento não dava a vida; todos os que dele se alimentavam, cedo ou tarde sucumbiam. O Pão verdadeiro que é Cristo, ao contrário, dá a vida que não morre, pois o homem também tem outras fomes profundas: fome de amor, de felicidade, de verdade, de segurança, de sentido da vida. O pão corporal era o pão de morte, porque só se ordenava a restaurar as forças, sem evitar com isso a morte ulterior. O Pão espiritual, pelo contrario, vivifica, porque destrói a morte. Por isso, Cristo é o Pão verdadeiro, do qual o maná era somente a figura. E Deus se preocupa de dar o seu “pão” aos cansados. E esse Pão é o seu Filho em dois pratos gratuitos em cada missa: o pão da Palavra e o pão da Eucaristia. É um grande pesar que alguns fiquem felizes com a “panela de carne” do Egito. A coisa má não é ter fome, mas não ter fome das coisas que valem a pena, não saber que nos faz falta o autêntico pão. A coisa má e ficar satisfeito com a “panela de carne” que oferece o mundo, com valores que não são últimos.  

Em segundo lugar, todos sabemos como é o processo do pão. Grão que se enterra na terra e passa o seu inverno. Depois floresce em espiga. A espiga é cortada e levada ao molinho e se tritura. Assim também aconteceu com Cristo que é o Pão vivo, feito Palavra e Eucaristia. Também Ele se enterrou durante 30 anos em Nazaré. Brotou a espiga da sua maturidade. E antes de se fazer comível e digerível como alimento de imortalidade, passou pela Paixão, onde se deixou triturar pelos golpes, pelas chicotadas, pelo ódio, pela lança, para fazer-se Pão da nossa Eucaristia. Como o trigo, Cristo deve ser moído antes de se tornar Pão de vida eterna. A Igreja chama isto a Eucaristia como sacrifício. É verdade que Cristo já ofereceu o sacrifício na cruz uma vez por todas naquela primeira Sexta-feira Santa. A Eucaristia prolonga este aspecto sacrificial: é o sacrifício de Cristo, renovado, perpetuado, atualizado sobre os nossos altares. Ao celebrar esse sacrifício na missa fazemos memória da sua morte, dessa morte que foi uma e não muitas. A Eucaristia é, pois, o sacramento do sacrifício da Cruz, onde nos dá a comer o Pão que é a sua Palavra e o seu Corpo.     

Finalmente, assim como o pão material nos faz crescer no corpo, assim também o Pão da Eucaristia, que é Cristo mesmo, faz-nos crescer em virtudes. Crescemos para cima, para uma visão sobrenatural, superando a visão rasteira e humana. Crescemos para os lados, estendendo as nossas mãos para ajudar os demais, superando o nosso egoísmo e o nosso fechamento. Crescemos para dentro, para poder ter em nós os mesmo afetos e sentimentos de Cristo Jesus. Não somos nós que assimilamos Cristo, mas é Cristo quem nos assimila, dir-nos-á Santo Agostinho. E nos faz crescer, até alcançar a sua estatura, como diz São Paulo na carta aos Efésios. Não só nos faz crescer, mas que também nos une ao seu próprio sacrifício. Na Eucaristia nós também comemos e participamos da sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. O seu sacrifício passa também pelas nossas mãos e pela nossa vida; completando em nós “o que falta à Paixão de Cristo”.  

Para refletir: Desejo esse Pão que é Cristo, ou me conformo com outros pães que o mundo me oferece? Contento-me com assistir passivamente a missa ou também me imolo interiormente com Cristo para a vida do mundo? Sou pão terno que me ofereço aos meus irmãos mediante a entrega generosa, a disponibilidade sem medida, a escuta atenta? O que procuro em Deus: só as soluções a problemas materiais e humanos? Ou também busco soluções para os meus problemas espirituais? 

Para rezar: Dai-me sempre deste Pão de vida eterna, Senhor. Que eu não pense mais nas cebolas do Egito sedutor.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org