terça-feira, 4 de novembro de 2014

Quarta-feira da 31ª semana do Tempo Comum

Beata Francisca D"Amboise, OCarm
Fundadora da II Ordem
Evangelho (Lc 14,25-33): Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo. De fato, se algum de vós quer construir uma torre, não se senta primeiro para calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai pôr o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a zombar: Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar! Ou ainda: um rei que sai à guerra contra um outro não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, envia uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!

Comentário: Rev. D. Joan GUITERAS i Vilanova (Barcelona, Espanha)

Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo

Hoje contemplamos Jesus no caminho até Jerusalém. Ai entregará a sua vida para a salvação do mundo. Grandes multidões acompanhavam Jesus (Lc 14,25): Os discípulos, ao andar com Jesus que os precede, devem aprender a ser homens novos. É esta a finalidade das instruções que o Senhor expõe e propõe aos que o seguem na sua ascensão à Cidade da paz.

Discípulo significa seguidor. Seguir as pisadas do Mestre, ser como Ele, pensar como Ele, viver como Ele... O discípulo convive com o Mestre e o acompanha. O Senhor ensina com atos e com palavras. Viram claramente a atitude de Cristo entre o Absoluto e o relativo. Ouviram muitas vezes da sua boca que Deus é o primeiro valor da existência. Admiraram a relação entre Jesus e o Pai celestial. Viram a dignidade e a confiança com que orava ao pai. Admiraram a sua pobreza radical.

Hoje o Senhor fala-nos com termos claros. O autêntico discípulo há de amar com todo o seu coração e toda a sua alma a nosso Senhor Jesus Cristo, por cima de todo o vínculo, inclusive do mais íntimo: Se alguém vem a mim, mas não me prefere... até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo (Lc 14,26-17). Ele ocupa o primeiro lugar na vida do seguidor. Diz Santo Agostinho: Respondamos ao pai e à mãe: Eu vos amo em Cristo, não no lugar de Cristo. O seguimento precede inclusive ao amor pela própria vida. Seguir Jesus, ao fim e ao cabo, implica abraçar a cruz. Sem cruz não há discípulo.

O chamamento evangélico exorta à prudência, quer dizer, à virtude que dirige a atuação adequada. Quem quer construir uma torre deve calcular se a poderá terminar. O rei que tem que combater decide se vai à guerra ou pede a paz depois de considerar o número de soldados de que dispõe. Quem quer ser discípulo do Senhor tem que renunciar a todos os seus bens. A renúncia será a melhor aposta!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

*  O evangelho de hoje fala sobre o discipulado e apresenta as condições para alguém poder ser discípulo ou discípula de Jesus. Jesus está a caminho de Jerusalém, onde vai ser preso e morto na Cruz. Este é o contexto em que Lucas coloca as palavras de Jesus sobre o discipulado.

*  Lucas 14,25: Exemplo de catequese
O evangelho de hoje é um exemplo bonito de como Lucas transforma as palavras de Jesus em catequese para o povo das comunidades. Ele diz: “Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele disse”. Jesus fala para as grandes multidões, isto é, fala para todos, para o povo das comunidades do tempo de Lucas e inclusive para nós hoje. No ensinamento que segue, ele coloca as condições para alguém poder ser discípulo de Jesus.

*  Lucas 14,25-26: Primeira condição: odiar pai e mãe
Alguns diminuem a força da palavra odiar e traduzem “dar preferência a Jesus acima dos pais”. O texto original usa a expressão “odiar os pais”. Em outro lugar Jesus manda amar e honrar os pais (Lc 18,20). Como explicar esta contradição? Será que é uma contradição? No tempo de Jesus a situação social e econômica levava as famílias a se fechar sobre si mesmas e as impedia de cumprir a lei do resgate (goel), isto é, de socorrer os irmãos e as irmãs da comunidade (clã) que estavam ameaçados de perder sua terra ou de cair na escravidão (cf. Dt 15,1-18; Lev 25,23-43). Fechadas sobre si mesmas, as famílias enfraqueciam a vida em comunidade. Jesus quer refazer a vida em comunidade. Por isso pede que se rompa a visão estreita da pequena família que se fecha sobre si mesma e pede para que as famílias se abram e se unam entre si na grande família, na comunidade. Este é o sentido de odiar pai e mãe, mulher filhos, irmãos e irmãs. Jesus mesmo, quando os parentes da sua pequena família queiram levá-lo da volta para Nazaré, não atendeu ao pedido deles. Ignorou ou odiou o pedido deles e alargou a família, dizendo: “Meu irmão, minha irmã, minha mãe é todo aquele que faz a vontade do Pai” (Mc 3,20-21.31-35). Os vínculos familiares não podem impedir a formação da Comunidade. Esta é a primeira condição.

* Lucas 14,27: Segunda condição: carregar a cruz
“Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Para entender bem o alcance desta segunda exigência devemos olhar o contexto em que Lucas coloca esta palavra de Jesus. Jesus está indo para Jerusalém onde será crucificado e morto. Seguir Jesus e carregar a cruz atrás dele significa ir com ele até Jerusalém para ser crucificado com ele. Isto evoca a atitude das mulheres que “haviam seguido a Jesus e servido a ele, desde quando ele estava na Galileia. Muitas outras mulheres estavam aí, pois tinham subido com Jesus a Jerusalém” (Mc 15,41). Evoca também a frase de Paulo na carta aos Gálatas: “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo. Crucificado para o mundo” (Gl 6,14).

* Lucas 14,28-32: Duas parábolas
As duas têm o mesmo objetivo: levar as pessoas a pensar bem antes de tomar uma decisão. Na primeira parábola ele diz: “Se alguém de vocês quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, lançará o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso, começarão a caçoar, dizendo: Esse homem começou a construir e não foi capaz de acabar!” Esta parábola não precisa de explicação. Ela fala por si: que cada um reflita bem sobre a sua maneira de seguir Jesus e se pergunte se calculou bem as condições antes de tomar a decisão de ser discípulo de Jesus.
A segunda parábola: “Se um rei pretende sair para guerrear contra outro, será que não vai sentar-se primeiro e examinar bem, se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, envia mensageiros para negociar as condições de paz, enquanto o outro rei ainda está longe”. Esta parábola tem o mesmo objetivo que a precedente. Alguns perguntam: “Como é que Jesus foi usar um exemplo de guerra?” A pergunta é pertinente para nós que conhecemos as guerras de hoje. Só a segunda guerra mundial (1939 a 1945) causou a morte de 54 milhões de pessoas! Naquele tempo, porém, as guerras eram como a concorrência comercial entre as empresas de hoje que lutam entre si para ter mais lucro.

* Lucas 14,33: Conclusão para o discipulado
A conclusão é uma só: ser cristão, seguir Jesus, é coisa séria. Hoje, para muita gente, ser cristão não é opção pessoal nem decisão de vida, mas um simples fenômeno cultural. Não lhes passa pela cabeça de fazer uma opção. Quem nasce brasileiro é brasileiro. Quem nasce japonês é japonês. Não precisa optar. Já nasce assim e vai morrer assim. Muita gente é cristã porque nasceu assim e morre assim, sem nunca ter tido a ideia de optar e de assumir o que já é por nascimento.

Para um confronto pessoal
1) Ser cristão é coisa séria. Devo calcular bem minha maneira de seguir Jesus. Como isto acontece na minha vida?
2) “Odiar os pais”; Comunidade ou família! Como você combina as duas coisas? Consegue unir as duas em harmonia?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

V Centenário Teresiano

Tema 3 - ORAMOS PORQUE JESUS OROU (I)

1. Por que oramos?
Mais tarde ou mais cedo no-lo perguntarão; ou tu mesmo já te perguntaste. Podemos nós mesmos dar várias razões: porque me ensinaram; preciso pedir, agradecer ou louvar; intuo a necessidade de me relacionar com Deus; ou até me sinto psicologicamente bem...
Todas estas razões podem ser válidas mas não suficientes. Os que seguimos o Evangelho, possuímos uma razão de fundo: Oramos por que Jesus orou e ensinou-nos a orar.

2. Efetivamente Jesus orou
Se a oração não é senão a relação do homem com Deus, Jesus, não só orou, mas, ao ser a sua vida inteira uma relação com o Pai, toda ela foi oração. Contudo, somente soluças nos apresenta Jesus a orar: no Batismo (3,21); depois duma jornada de pregação (5,15); antes da eleição dos doze (6,12); antes da confissão de Pedro (9,18); durante a transfiguração (9,28); no momento de ensinar o Pai Nosso (11,1); no Monte das Oliveiras (22,41); desde a Cruz (11,46)...
E se nos fixamos em S.João, vemo-lo orando: antes da Ressurreição de Lázaro (11,41); depois de anunciar a sua hora (12,27); na oração sacerdotal (17).
Jesus ora num lugar solitário (Mc 1,35); no coração da noite (Mc 6,6); durante uma refeição (Jo 6,11); no regresso dos 72 discípulos (Lc 10,21); no Templo, na Sinagoga...

3. Porque orou Jesus?
A razão de fundo e a mais simples é esta: Jesus orava porque sentia necessidade de orar. Jesus necessitava várias vezes, de se distanciar dos homens e buscar no Pai o que estes não Lhe podiam dar.
Lucas diz-nos que a sua fama se estendia, que muitos acorriam a Ele para ouvi-lo; mas Jesus retirava-se para lugares solitários, onde rezava (5,15), onde cultivava a sua relação de filiação com o Pai.
Só descobrindo esta necessidade de nos sentirmos filhos - e na medida em que o formos descobrindo - saberemos dar razões da nossa oração. Finalmente, só se oramos para estar - ou querer estar - com o Pai, conhecer dia a dia a sua vontade e correr a cumpri-la entre os homens, oraremos pelos mesmos motivos que Jesus orou.
 
4. Orar em Cristo Jesus
Orar é tanto «falar com Deus» como deixar-nos falar por Ele. Mas Ele só fala em direto com o Filho, a nós fala-nos por seu intermédio. O orante deve aproximar-se do Filho para conhecê-lo, traduzir, adequar a mensagem a si próprio e segui-Lo.
Jesus disse a Teresa que Ele era o Livro Vivo; mas ler a Cristo não é fácil. Sem a luz do Espírito não entenderemos nem uma só linha do Evangelho. Por fim, não só devemos ler a Cristo, mas devemos ler em Cristo. Ou seja, interpretar tudo com os seus critérios. Ninguém como os grandes orantes interpretou à luz do Evangelho todos os sinais dos tempos.
 
PAUTAS PARA A ORAÇÃO PESSOAL :
 
1. JESUS ENSINOU-NOS A ORAR
Dirigindo-nos a um Deus Pai (Lc 11,2). Desde a nossa própria interioridade (Mt 6,5). Sem ser demasiado loquazes (Lc 11,5). Unidos aos irmãos (Mt 18,19). Adequando fé e obras (Mt 7,21). Seguros da bondade do Pai (Mt 6,7). Procurando o melhor para nós (Lc 12,29). Perdoando (Mc 11,25). Sem esquecer os nossos inimigos (Mt 5,43). Orando em seu nome e unidos A Ele (Jo 14-12; 15-1). Examina hoje a tua oração à luz da oração de Jesus.

2. JESUS ORA QUANDO ESTÁ ALEGRE E CONTENTE
Lê o texto de Lc 10,21. Jesus apresenta-se como cumpridor da vontade do Pai e publica os nomes dos que serão herdeiros do seu Reino: os pobres, os simples... Chegar a compreender isto não é nada fácil, é pura graça de Deus. Jesus dá graças, não pela desgraça dos sábios e «espertos», mas porque as coisas de Deus vão ser patrimônio da gente simples. Como andamos de simplicidade e humildade?
           
3. JESUS ORA, CHORANDO, FRENTE AO TÚMULO DE LÁZARO.      
«Graças, Pai, por me teres escutado» (Jo 11, 42). Neste caso, a oração do Senhor serve para demonstrar a sua condição de enviado; mas também para demonstrar o valor que para Deus tem a vida em si mesma, o corporal, o terreno.
Releiamos este texto. Façamos nossos os sentimentos de Jesus frente à dor humana; frente à morte de um amigo. Façamos nossa a petição ao Pai a favor do mesmo. Integramos na nossa oração a dor dos que sofrem?
   
4. JESUS ORA NO JARDIM DAS OLIVEIRAS (Lc 39,46)
Podem-se tecer muitas considerações acerca desta passagem evangélica. Fixemo-nos nela, não só hoje, mas muitas vezes na vida. Podemos meditar na necessidade de orar para não cair... No terrível da angústia, tristeza ou tédio. Pensemos, por exemplo, na sua terrível solidão. Solidão que lhe advém do fato de ser o Profeta por antonomásia e, todo o profeta, será sempre um homem incompreendido. Será sempre o orante da oração comprometida, isto é, a oração que não acaba nas palavras mas no jogo da sua própria vida. Silêncio... Assombremo-nos frente a tanta capacidade de compromisso! 

Terça-feira da 31ª semana do Tempo Comum

S. Carlos Borromeu, Bispo
Evangelho (Lc 14,15-24): Tendo ouvido isso, um dos que estavam junto à mesa disse a Jesus: Feliz quem come o pão no Reino de Deus! Ele respondeu: Alguém deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora do banquete, mandou seu servo dizer aos convidados: Vinde! Tudo está pronto. Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: Comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço que me desculpes. Outro explicou: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço que me desculpes. Um terceiro justificou: Acabo de me casar e, por isso, não posso ir. O servo voltou e contou tudo a seu senhor. Então o dono da casa ficou irritado e disse ao servo: Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. E quando o servo comunicou: Senhor, o que mandaste fazer foi feito, e ainda há lugar, o senhor ordenou ao servo: Sai pelas estradas e pelos cercados, e obriga as pessoas a entrar, para que minha casa fique cheia. Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete

Comentário: Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)

Sai pelas estradas e pelos cercados, e obriga as pessoas a entrar, para que minha casa fique cheia.

Hoje o Senhor oferece-nos uma imagem da eternidade representada por um banquete. O banquete significa o lugar onde a família e os amigos se encontram juntos, gozando da companhia, da conversa e da amizade à volta da mesma mesa. Esta imagem fala-nos da intimidade com Deus trindade e do gozo que encontraremos na estância do Céu. Tudo o fez para nós, e chama-nos porque tudo está pronto (Lc 14,17). Nos quer com Ele; quer a todos os homens e mulheres do mundo ao seu lado, a cada um de nós.

É necessário, no entanto, que queiramos ir. E apesar de sabermos que é onde melhor se está, porque o céu é a nossa morada eterna, que excede todas as mais nobres aspirações humanas - o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu (1Cor 2,9) e, portanto, nada lhe é comparável-; no entanto somos capazes de recusar o convite divino e perder eternamente a melhor oferta que Deus nos podia fazer: participar da sua casa, da sua mesa, da sua intimidade para sempre. Que grande responsabilidade!

Somos, decididamente, capazes de trocar a Deus por qualquer coisa. Uns, como lemos no Evangelho de hoje, por um campo; outros por uns bois. E você e eu, pelo que é que somos capazes de trocar aquele que é o nosso Deus e o seu convite? Há quem por preguiça, por desleixo, por comodidade deixa de cumprir os seus deveres de amor para com Deus. Deus vale tão pouco que o substituímos por qualquer outra coisa? Que a nossa resposta ao oferecimento divino seja sempre um sim, cheio de agradecimento e de admiração.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje continua a reflexão em torno de assuntos ligados à mesa e à refeição. Jesus conta a parábola do banquete. Muita gente tinha sido convidada, mas a maioria não veio. O dono da festa ficou indignado com a desistência dos convidados e mandou chamar os pobres, os aleijados, os cegos, os mancos. Mesmo assim sobrava lugar. Então, mandou convidar todo mundo, até que a casa ficasse cheia. Esta parábola era uma luz para comunidades do tempo de Lucas.

* Nas comunidades do tempo de Lucas havia cristãos, vindos do judaísmo e cristãos, vindos da gentilidade, chamados de pagãos. Apesar das diferenças de raça, classe e gênero, eles tinham um grande ideal de partilha e de comunhão (At 2,42; 4,32; 5,12). Mas havia muitas dificuldades, pois os judeus impunham normas de pureza legal que os impediam de comer com os pagãos. Mesmo depois de terem entrado na comunidade cristã, alguns deles mantinham o costume antigo de não sentar à mesma mesa com um pagão. Assim, Pedro teve conflitos na comunidade de Jerusalém, por ter entrado na casa de Cornélio, um pagão, e ter comido com ele (At 11,3). Em vista desta problemática das comunidades, Lucas conservou uma série de palavras de Jesus a respeito da comunhão de mesa (Lc 14,1-24). A parábola que aqui meditamos é um retrato do que estava acontecendo nas comunidades.

* Lucas 14,15: Feliz quem come o pão no Reino de Deus
Jesus tinha acabado de contar duas parábolas: uma, sobre a escolha dos lugares (Lc 14,7-11), e outra, sobre a escolha dos convidados (Lc 14,12-14). Ouvindo estas parábolas, alguém que estava à mesa com Jesus deve ter percebido o alcance do ensinamento de Jesus e disse: "Feliz quem come o pão no Reino de Deus!". Os judeus comparavam o tempo futuro do Messias a um banquete, marcado pela fartura, pela gratidão e pela comunhão (Is 25,6; 55,1-2; Sl 22,27). A fome, a pobreza e a carestia faziam o povo esperar, para o futuro, aquilo que não podiam obter no presente. A esperança dos bens messiânicos, comumente experimentadas nos banquetes, era projetada para o final dos tempos.

* Lucas 14,16-20: O grande jantar está pronto
Jesus responde com uma parábola. "Um homem estava dando um grande jantar e convidou muita gente". Mas os deveres de cada dia impedem os convidados de aceitar o convite. O primeiro diz: “Comprei um terreno. Preciso vê-lo!” O segundo: “Comprei cinco juntas de bois! Vou experimentá-las!” O terceiro: “Casei. Não posso ir!”. Dentro das normas e costumes da época, aquelas pessoas tinham o direito de recusar o convite (cf. Dt 20,5-7).

* Lucas 14,21-22: O convite permanece de pé
O dono da festa fica indignado com a recusa. No fundo, quem está indignado é o próprio Jesus, pois as normas da estrita observância da lei reduziam o espaço para o povo viver a gratuidade de um convite amigo que gerava fraternidade e partilha. Aí, o dono da festa mandou os empregados convidar os pobres, os cegos, os aleijados e os mancos. Os que, normalmente, eram excluídos como impuros, agora são convidados para sentar-se à mesa do banquete.

* Lucas 14,23-24: Ainda tem lugar
A sala não ficou cheia. Ainda havia lugar. Então, o dono da casa manda convidar os que andam pelos caminhos e trilhas. São os pagãos. Eles também são convidados para sentar-se à mesa. Assim, no banquete da parábola de Jesus, sentam todos juntos na mesma mesa, judeus e pagãos. No tempo de Lucas havia muitos problemas que impediam a realização deste ideal da mesa comum. Por meio da parábola, Lucas mostra que a prática da comunhão de mesa vinha do próprio Jesus.

Depois da destruição de Jerusalém, no ano 70, os fariseus assumiram a liderança nas sinagogas, exigindo o cumprimento rígido das normas que os identificavam como povo judeu. Os judeus que se convertiam ao cristianismo eram vistos como uma ameaça, pois eles derrubavam os muros que separavam Israel dos outros povos. Os fariseus tentavam obrigá-los a abandonar a fé em Jesus. Como não o conseguiam, os expulsavam das sinagogas. Tudo isto provocou uma lenta e progressiva separação entre judeus e cristãos e era fonte de muito sofrimento, sobretudo, para os judeus convertidos (Rm 9,1-5). Na parábola, Lucas deixa bem claro que estes judeus convertidos não eram infiéis ao seu povo. Pelo contrário! Eles são os convidados que não recusaram o convite. Eles são os verdadeiros continuadores de Israel. Infiéis foram os que recusaram o convite e não quiseram reconhecer em Jesus o Messias (Lc 22,66; At 13,27).

Para um confronto pessoal
1. Quais as pessoas que normalmente são convidadas e quais as que não são convidadas para as nossas festas?
2. Quais os motivos que hoje limitam a participação das pessoas na sociedade e na igreja? E quais os motivos que alguns alegam para se excluir da comunidade? Será que são motivos justos?

domingo, 2 de novembro de 2014

V Centenário Teresiano

No dia 3 de novembro de 1537, Santa Teresa professa como carmelita no Mosteiro da Encarnação de Ávila.
Peçamos, hoje, a Nosso Senhor, por intercessão de Santa Teresa, a graça de sermos fiéis à nossa vocação carmelita.

Aparição de Sto Alberto de Trápani
a Santa Teresa de Jesus.
Tema 2  - O QUE É ORAR 

1. ORAR É A CONSEQUÊNCIA LÓGICA DO ACREDITAR
 
  O crente é-o na medida em que um dia se encontrou com Deus: Abraão, Moisés, Profetas, Apóstolos, Madalena, Zaqueu, Paulo, Agostinho, Teresa, Carlos Foucauld...
  Todo o encontro pessoal com Deus dar-se-á após uma atitude de abertura por parte do Homem, numa dinâmica de conhecimento e de necessidade mutua: como na amizade.
  Esta relação de amizade pode ser implícita ou explicita: entre dois esposos que se amam de verdade, todas as ações estarão imbuídas desse amor de um para com o outro. Este ser e estar de um para com o outro equivaleria à FÉ. Mas toda a gente tende a manifestar aquilo que leva dentro de si. Esses mesmos esposos estarão à espera do momento de poderem dedicar algum tempo para expressarem diretamente um ao outro o seu amor. Este ato de explicitar o amor, a fé mútua equivaleria à ORAÇÃO: diálogo amoroso estando simplesmente a contemplar-se um ao outro.
  Por isso, não podemos dizer que acreditamos e oramos, mas que oramos porque acreditamos.
 
2. ORAR É EXPERIMENTAR DEUS DENTRO DE UMA RELAÇÃO AMOROSA
         
  Se nos colocássemos a procurar definições do que é oração descobriríamos muitas. Umas de raiz mais intelectual, que falam em elevar a mente para Deus; outras de raiz mais popular, falam em pedir a Deus o que mais precisamos...
  Longe de qualquer uma destas definições, Teresa de Jesus diz-nos que «em minha opinião, oração mental não é mais do que um tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama» (Vida 8,7). Por isso, daqui deduzimos que...
· orar só é possível dois: um Deus que sabemos que nos procura e um orante que se converte em procurador de Deus;
· na oração, o importante já não será o que (faço, digo...) mas com Quem estou ou, simplesmente, quero estar;
· é algo que já não consiste em pensar muito mas em amar muito;
· a oração passa a ser não um tratar de negócios, mas um encontro amoroso entre pessoas.  Assim, só aquilo que colaborar para incrementar esse trato amistoso entre ambos os interlocutores será válido no momento de orar.
  
Esta relação de amizade será lógico:
· que parta de um saber-se querido e de uma atitude de atenção para com os interesses do outro;
· que se alimente, como em todas as histórias de amizade, de encontros repetidos;
· e que encontre o seu melhor «habitat» num clima de silêncio e solidão.
 
3. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS
 
· Deus procura-te e bate à tua porta para criar amizade: abre-a!
· Qualquer encontro e acolhimento requer um ambiente próprio. Procura o melhor tempo, lugar, etc.
· Orar é dialogar. Acaba com os teus intermináveis monólogos orantes. Cultiva a capacidade de escuta.
· Aprende a estar diante Dele. Escuta... Deixa-te interpelar e não tenhas medo de Lhe responder.
 
4. EXERCÍCIO PRÁTICO -  APRENDER A ORAR

Ø  Começa por saber escutar. O céu tem muito que comunicar dia e noite.
Ø  Não ores para que Deus realize os teus planos, mas para que tu  interpretes os planos de Deus.
Ø  Mas não esqueças que a força da tua fraqueza é a oração. Cristo disse: "Pedi e recebereis".
Ø O pedir tem a sua técnica. Faça-o atento, humilde, confiado, insistente e unido a Cristo.
Ø Não sabes o que dizer a Deus? Fala-lhe dos vossos interesses mútuos. Muitas vezes. E a sós.
Ø  Não convertas a tua oração num monólogo, pois converterias a Deus em autor dos teus próprios pensamentos.
Ø Quando ores não sejas nem orgulhoso nem humilde em demasia. Com Deus os truques não resultam.  Sê tu mesmo, tal como és.
Ø E as distrações involuntárias? Não te preocupes. O sol bronzeia desde que te ponhas diante dele, assim se passa com Deus.
Ø Se alguma vez pensas que quando falas a Deus Ele não te responde... lê a Bíblia.
Ø  Nunca fales de momentos ou espaços de oração mas antes em VIDA DE ORAÇÃO.
 
5. PAUTAS PARA ORAÇÃO PESSOAL:      

1. Jesus chamou-nos amigos: Jo 15, 15 ss. Orai tendo como ponto de partida este texto e questionai-vos: Que entendo eu por amizade? Tenho falta de amigos? Sinto a sua Falta? Porquê? Sinto necessidade desse Amigo com letra maiúscula? Como anda a vida de Deus em mim? Como poderei aumentar em mim a sede de Deus?
 
2. “Que mais poderia eu fazer pela minha vinha que não tenha feito?”, disse um dia o Senhor: Is. 5, 1 – 7. Relê este texto e interpela-te: Sentes-te, não só querido mas verdadeiramente “mimado” por Deus? Ou acreditas que tudo quanto tens o conseguiste apenas com o teu imenso esforço? Ou facilmente te lamentas diante d’Ele acerca de tudo o que os outros tem e tu não? Procura recordar todas as maravilhas que Ele fez por ti. Deixa que do teu coração brote uma oração de louvor e ação de graças ao teu Amigo.
   
3. “Fala Senhor, que o teu servo escuta”: Sam 3, 10. Lê e medita este texto. Não esqueças que oramos, não para que Deus realize os “nossos planos”, mas para que conheçamos e tenhamos força para dar pleno cumprimento aos “planos de Deus”. Isto exige capacidade de escuta e de diálogo. Tenho esta capacidade ao menos a nível puramente humano? Ou considero-me sempre do lado certo, do lado da verdade? Recorda que Deus nos fala através das Escrituras, do Magistério da Igreja, dos acontecimentos da vida, etc. procura cultivar esta atitude de escuta.
 
4. “Muito grande misericórdia faz Ele a quem dá graça e ânimo para se determinar a procurar este bem com todas as forças, porque, quando se persevera, não se nega Deus a ninguém. Pouco a pouco vai habilitando o ânimo para que se saia com esta vitória. Digo ânimo, porque são tantas as dificuldades que o demônio apresenta a princípio para que não comecem de fato este caminho... que não se precisa de pouco ânimo para não o abandonar.” (Teresa de Jesus, V 11, 4). Examina-te: como está a tua vontade para começar a orar? Que mais é que te anima a fazê-lo? Quais são, em concreto, as tuas principais dificuldades? Recorda tudo serenamente, revivendo-o diante do Senhor. Coragem!

5. Propomos dois textos:
  O primeiro é de Lucas 11, 1: “Senhor, ensina-nos a rezar.”
  O segundo é de Teresa de Jesus: Meu pai era amigo de ler bons livros... Isto, com o cuidado que minha mãe tinha em fazer-nos rezar...” (V 1, 1)

  Assim começou o caminho de oração dos discípulos do Senhor e de Santa Teresa. Pára um momento e, tal como outros escrevem as suas memórias, medita sobre o teu caminho de oração até ao momento presente. Até onde chegou o teu grau de intimidade com o Senhor? Já sabes o que é orar; bem, se na oração o importante é refletir sobre QUEM se relaciona COM QUEM... desfruta de um longo momento contemplando ambas as partes: quem és tu..., e quem é Ele. 

Segunda-feira da 31ª semana do tempo comum

Vera efigie de São Martín de Porres, OP
Evangelho (Lc 14,12-14): E disse também a quem o tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes podem te convidar por sua vez, e isto já será a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos».

Comentário: Fr. Austin Chukwuemeka IHEKWEME (Ikenanzizi, Nigéria)

Quando deres um banquete, convida os pobres, (...), pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos

Hoje, o Senhor ensina-nos o verdadeiro sentido da generosidade cristã: o dar-se aos demais. «Quando ofereceres um almoço ou jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes podem te convidar por sua vez, e isto já será a tua recompensa» (Lc 14,12).

O cristão move-se no mundo como uma pessoa comum; mas o fundamento do trato com os seus semelhantes não pode ser nem a recompensa humana nem a vanglória; deve procurar ante tudo a glória de Deus, sem pretender outra recompensa que a do Céu. «Pelo contrário, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos» (Lc 14, 13-14).

O Senhor convida-nos a dar-nos incondicionalmente a todos os homens, movidos somente pelo amor a Deus e ao próximo pelo Senhor. «Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto» (Lc 6,34).

Isto é assim porque o Senhor ajuda-nos a entender que se damo-nos generosamente, sem esperar nada em troca, Deus nos pagará com uma grande recompensa e nos fará seus filhos prediletos. Por isto, Jesus nos diz: «Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo» (Lc 6-35).

Peçamos à Virgem a generosidade de saber fugir de qualquer tendência ao egoísmo, como seu Filho. «Egoísta! — Tu, sempre tu, sempre o que é "teu". Pareces incapaz de sentir a fraternidade de Cristo: nos outros, não vês irmãos; vês degraus (...)» (São Josemaria).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje dá continuidade ao ensinamento que Jesus estava dando em torno de vários assuntos, todos ligados à mesa e à refeição: uma cura durante a refeição (Lc 14,1-6); um conselho para não ocupar logo os primeiros lugares (Lc 14,7-12); um conselho para convidar os excluídos (Lc 14,12-14). Esta organização das palavras de Jesus em torno de uma determinada palavra, como mesa ou refeição, ajuda a perceber o método usado pelos primeiros cristãos para guardar na memória as palavras de Jesus.

* Lucas 14,12: Convite interesseiro
Jesus está jantando na casa de um fariseu que o tinha convidado (Lc 14,1). O convite para o jantar é o assunto do ensinamento do evangelho de hoje. Existem vários tipos de convite: convites interesseiros em benefício de si mesmo e convites desinteressados em benefício dos outros. Jesus diz: "Quando você der um almoço ou jantar, não convide amigos, nem irmãos, nem parentes, nem vizinhos ricos. Porque esses irão, em troca, convidar você. E isso será para você recompensa”. O costume normal do povo era este: para almoçar ou jantar eles convidavam amigos, irmãos e parentes. Pois sentar à mesa com pessoas desconhecidas ninguém fazia. Comunhão de mesa só com gente amiga! Este era o costume entre os judeus. É este também o nosso costume até hoje. Jesus pensa diferente e manda fazer convites desinteressados que ninguém costuma fazer.

* Lucas 14,13-14: Convite desinteressado
Jesus diz: “Quando você der uma festa, convide pobres, aleijados, mancos e cegos”. Jesus manda romper o círculo fechado e pede para convidar os excluídos: pobres, aleijados, mancos, cegos. Este não era o costume e, até hoje, ninguém faz isso. Mas Jesus insiste: “Convida esse pessoal!” Por que? Porque no convite desinteressado, dirigido a pessoas excluídas e marginalizadas, existe uma fonte de felicidade: “Então você será feliz! Porque eles não lhe podem retribuir”. Felicidade estranha, diferente! Você será feliz porque eles não podem retribuir. É a felicidade que nasce do fato de você ter feito um gesto de gratuidade total. Um gesto de amor que quer o bem do outro e para o outro, sem esperar nada em troca. É a felicidade de quem faz as coisas gratuitamente, sem querer nenhuma retribuição. Jesus diz que esta felicidade é a semente da felicidade que Deus vai dar na ressurreição. Ressurreição, não só no fim da história, mas já desde agora. Agir assim já é uma ressurreição!

* É o Reino acontecendo. O conselho que Jesus nos dá no evangelho de hoje evoca o envio dos setenta e dois discípulos para a missão de anunciar o Reino (Lc 10,1-9). Entre as várias recomendações dadas naquela ocasião como sinais da presença do Reino, estão (1) a comunhão de mesa e (2) a acolhida aos excluídos: “Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: O Reino de Deus chegou!” (Lc 10,8-9) Aqui, nestas recomendações, Jesus manda transgredir aquelas normas de pureza legal que impediam a convivência fraterna.

Para um confronto pessoal
1) Convite interesseiro e convite desinteressado: qual dos dois acontece mais na minha vida?
2) Se você fizesse só convites desinteressados, isto lhe traria dificuldades? Quais?

sábado, 1 de novembro de 2014

Novembro - Mês das Almas do Purgatório

José Luís.

Sta Teresa intercede pelas Almas do Purgatório
O mês de novembro é dedicado às almas do purgatório. Purgatório quer dizer estado de purificação. Purificação de que? Das culpas e penas devidas pelos pecados.

Que são culpas e penas?
Para entendermos isto é preciso saber que todo pecado gerauma ofensa à qual corresponde uma culpa e também umprejuízo ao qual corresponde uma pena.
“Almas penadas” são aquelas que devem pagar uma pena. Conforme o pecado – mortal ou venial – também é a gravidade da culpa e da pena, que pode ser eterna ou temporal.
O sacramento da penitência perdoa a culpa e a pena eterna, mas o pecador deve reparar os prejuízos causados pelos próprios pecados cumprindo alguma penitência para descontar as penas devidas.
As flores e velas expressam os sentimentos dos vivos pelos falecidos, mas o melhor consolo e a oferta mais proveitosa para os vivos e falecidos são as orações, penitências e boas obras. A melhor oração para lucrar a indulgência pelos falecidos é a Santa Missa, em que Jesus mesmo se oferece em expiação das penas dos falecidos. Nós podemos fazer boas obras e orações, que aplicadas às almas do purgatório alcançam-lhes o perdão de suas culpas e penas.

Que são Indulgências?
Indulgência é a remissão ou perdão da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa. O pecado é uma ofensa a Deus a qual gera uma culpa e ao mesmo tempo um prejuízo, uma desordem, que devem ser reparados por uma pena.
A indulgência é parcial ou plenária, conforme perdoe em parte ou no todo a pena temporal devida pelos pecados.
Para alguém poder lucrar indulgências, deve ser batizado e encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas.
No tempo de Finados, concede-se uma Indulgência plenária, só aplicável aos defuntos:
Diariamente, do dia 1o. ao dia 8º de novembro, aos que visitarem os cemitérios. No dia dos finados, todas as vezes aos que visitarem uma igreja.

Que é preciso para lucrar a indulgência?
·         Visitar uma igreja ou um cemitério
·         Fazer Orações: Creio, Pai Nosso, nas intenções do Papa
·         Estado de graça ou confissão e Comunhão.

Purgatório
Na Bíblia não se encontra a palavra “purgatório”, mas sua existência pode se concluir a partir do contexto bíblico.
Se alguém está no céu não precisa de orações para salvar-se, pois já está salvo. Se alguém está no inferno, não existe oração que o retire de lá. Como, porém nada de pecado entra no céu (Apoc. 21,27) e nem todos os mortos estão livres de pequenas faltas e culpas, que não merecem a condenação eterna, segue-se que eles precisam de alguma purificação.

Outras passagens bíblicas que fundamentam o purgatório:
Em S. Mateus, 12,32: “Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”.
Neste texto é clara a afirmação de que há pecados que podem ser perdoados neste mundo (no tempo) e outros que podem ser perdoados no mundo vindouro (na eternidade).
Em II Macabeus, 12,43-46 lemos: “Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição... Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos. Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados.”
Ora ser livre de seus pecados, depois da morte, pelo sacrifício expiatório, indica claramente a possibilidade de purificação.

TEXTOS para meditação.
Jo. 11,17-27 = Lázaro. Jo. 11, 32-44 = Lázaro.
Jo. 6, 53-58 = Pão da Vida
Jo. 19,28-37. = Morte de Jesus.
1 Cor. 15,1-19 = Ressurreição
Mt. 27,45-54 = Morte de Jesus
Apoc. 21,1-7 = Novo céu e nova Terra.

ORAÇÂO PELOS FALECIDOS:
Ó Deus, vossos dias não tem fim e vossa misericórdia não tem limites, fazei-nos sempre lembrar a brevidade da vida e a incerteza da hora da morte. Que vosso Espírito Santo nos conduza neste mundo, todos os dias de nossa vida na santidade e na justiça. E depois de vos servirmos na terra na comunhão de vossa igreja, na confiança de uma fé segura, na consolação da esperança e na perfeita caridade para com todos, possamos chegar ao vosso reino. Por Cristo Senhor nosso. Amém.


Súplicas a Jesus Cristo pelas almas

Senhor Jesus, pelo suor e sangue que derramastes no Horto das Oliveiras, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas dores da Vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas dores da Vossa coroação de espinhos, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas dores que sofrestes no caminho do calvário, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas dores de Vossa penosíssima agonia, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas imensas dores que sentistes expirando na cruz, tende piedade das almas do Purgatório.
Senhor Jesus, pelas últimas gotas de sangue do Vosso amantíssimo Coração transpassado pela lança, tende piedade das almas do Purgatório.

2 de novembro: Comemoração de todos os fiéis defuntos

Sta Teresa intercede pelas Almas do Purgatório.
Evangelho (Jo 11,17-27):  Quando Jesus chegou a Betânia, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.  Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém.  Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão.  Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido.   Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá."   Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão ressuscitará." Disse Marta: "Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia." Então Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá.  E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?"  Respondeu ela: "Sim Senhor, eu creio firmemente que és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo."


"QUEM CRÊ EM MIM, MESMO QUE MORRA VIVERÁ. E TODO AQUELE QUE VIVE EM MIM NÃO MORRERÁ JAMAIS. CRÊS ISTO?"

Celebramos o dia de Fiéis defuntos.

O Evangelho é de João e está tirado da segunda Missa das três previstas para hoje. A narração insere-se no drama da morte eminente de Jesus. Os inimigos querem matá-lo e Jesus afirmou que vai entregar a vida mas volta a retomá-la, a sua morte não significa perder a vida mas ganhá-la. Neste contexto surge a informação da doença de Lázaro, amigo de Jesus, e posteriormente a sua morte. Jesus decide visitar Marta e Maria, irmãs do defunto, que já está há quatro dias no sepulcro quando Jesus chega a Betânia. No diálogo com Jesus, Marta apresenta-lhe a situação como ela a vê: “se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Mas reconhece que em Jesus a realidade não termina aqui “Mas eu sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá”. É uma afirmação interessante mas sem o verdadeiro alcance da fé, por isso Jesus insiste com ela até que seja capaz de fazer uma profissão de fé na ressurreição. “Eu sou a ressurreição e a vida… Acreditas nisto?”. Tudo o que Maria sabia sobre a ressurreição torna-se agora fé em Jesus Cristo como aquele que tem poder sobre a morte. Ele é aquele que pode dar a vida e retomá-la e mostra-o ressuscitando Lázaro.

“Se Deus existisse isto… não tinha acontecido”. Esta é muitas vezes a nossa afirmação diante da morte. É difícil entender este mistério sem a presença de Jesus. A fé na ressurreição não é uma moda dos dias de hoje. Pelo contrário, o homem contemporâneo está interessados em respostas mais rápidas, mais imediatas e, se possível, que passem ao lado do sofrimento. Jesus oferece a vida, Ele é a vida, mas não nos priva da possibilidade do sofrimento porque seria impedir-nos de fazer um verdadeiro amadurecimento da fé. Crer nele não é acreditar que nos livra da morte, mas acreditar que mesmo quem esteja morto viverá eternamente.

Hoje recordamos e celebramos o fato fundamental do Cristianismo: a morte e ressurreição de Jesus. Façamos nossa, agora, a oração do Bom Ladrão: Jesus, lembra-te de mim (Lc 23, 42). A Igreja não reza pelos santos como ora pelos defuntos, que dormem no Senhor, mas encomenda-se às orações daqueles e reza por estes, diz Sto. Agostinho num Sermão. Pelo menos uma vez por ano nós, os cristãos, questionamo-nos sobre o sentido da nossa vida e sobre o sentido da nossa morte e ressurreição. É no dia da comemoração dos fiéis defuntos, da qual Sto. Agostinho nos apontou a diferença em relação à festa de Todos os Santos.

Os sofrimentos da Humanidade são os sofrimentos da Igreja e têm em comum, sem dúvida, o fato de todo o sofrimento ser de algum modo privação de vida. Por isso a morte de um ser querido nos causa uma dor tão indescritível que nem a fé sozinha consegue aliviá-la. Assim, os homens sempre quiseram honrar os defuntos. Na verdade, a memória é uma forma de fazer com que os ausentes estejam presentes, de perpetuar a sua vida. Mas os mecanismos psicológicos e sociais, com o tempo, amortecem as recordações. E se, humanamente, esse fato pode levar à angústia, os cristãos, graças à ressurreição, têm paz. A vantagem de nela crermos é que nos permite confiar em que, apesar do esquecimento, voltaremos a encontrar-nos na outra vida.

Uma segunda vantagem de crermos consiste em que, ao recordar os defuntos, rezamos por eles. Fazemo-lo no nosso interior, na intimidade com Deus, e cada vez que rezamos juntos, na Eucaristia: não estamos sós perante o mistério da morte e da vida, antes o compartilhamos como membros do Corpo de Cristo. Mais ainda: ao ver a cruz, suspensa entre o céu e a terra, sabemos que se estabelece uma comunhão entre nós e os nossos defuntos. Por isso S. Francisco proclamou agradecido: Louvado sejas, Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal.