segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Terça-feira da 5ª semana do Tempo Comum

 Imaculada Conceição de Lourdes
Evangelho (Mc 7,1-13): Os fariseus e alguns escribas vindos de Jerusalém ajuntaram-se em torno de Jesus. Eles perceberam que alguns dos seus discípulos comiam com as mãos impuras — isto é, sem lavá-las. Ora, os fariseus e os judeus em geral, apegados à tradição dos antigos, não comem sem terem lavado as mãos até o cotovelo. Bem assim, chegando da praça, eles não comem nada sem a lavação ritual. E seguem ainda outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras, vasilhas de metal, camas.  Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas tomam a refeição com as mãos impuras?» Ele disse: «O profeta Isaías bem profetizou a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. É inútil o culto que me prestam, as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus e vos apegais à tradição humana». E dizia-lhes: «Sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus apegando-vos à vossa tradição. De fato, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem insulta pai ou mãe, deve morrer’. Mas vós ensinais que alguém pode dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que poderíeis receber de mim é destinado para oferenda’. E já não deixais tal pessoa ajudar seu pai ou sua mãe. Assim anulais a palavra de Deus por causa da vossa tradição, que passais uns para os outros. E fazeis ainda muitas outras coisas como essas!».

Comentário: Rev. D. Iñaki BALLBÉ i Turu (Rubí, Barcelona, Espanha)

Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos?

Hoje contemplamos como algumas tradições tardias dos mestres da Lei haviam manipulado o sentido puro do quarto mandamento da Lei de Deus. Aqueles escribas ensinavam que os filhos que ofereciam dinheiro e bens para o Templo faziam o melhor. Segundo este ensinamento, sucedia que os pais já não podiam pedir nem dispor destes bens. Os filhos formados nesta consciência errônea achavam que tinham cumprido assim o quarto mandamento, inclusive ter cumprido da melhor maneira. Mas, de fato, se tratava de um engano.

E Jesus acrescentou: «Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês» (Mc 7,9): Jesus Cristo é o intérprete autêntico da Lei; por isso explica o justo sentido do quarto mandamento, desfazendo o lamentável erro do fanatismo judio.

«Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honre seu pai e sua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer’» (Mc 7,10): o quarto mandamento lembra aos filhos as responsabilidades que têm com os pais. Tanto como possam, devem prestar-lhes ajuda material e moral durante os anos da velhice e durante as épocas de enfermidade, solidão ou angustia. Jesus lembra este dever de gratidão.

O respeito aos pais (piedade filial) está feito da gratidão que lhes devemos pelo dom da vida e pelos trabalhos que realizaram com esforço em seus filhos, para que estes pudessem crescer em idade, sabedoria e graça. «Honre a seu pai de todo coração, e não esqueça as dores de sua mãe. Lembre-se de que por eles o geraram. O que você lhes dará em troca por tudo o que eles deram a você?» (Sir 7,27-28).

O Senhor quer que o pai seja honrado pelos filhos, e confirma a autoridade da mãe sobre os filhos. Quem honra o próprio pai alcança o perdão dos pecados, e quem respeita sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Quem honra seu pai será respeitado pelos seus próprios filhos, e quando rezar será atendido. Quem honra o seu pai terá vida longa, e quem obedece ao Senhor dará alegria à sua mãe.(cf. Sir 3,2-6). Todos estes e outros conselhos são uma luz clara para nossa vida em relação aos nossos pais. Peçamos ao Senhor a graça para que não nos falte nunca o verdadeiro amor que devemos aos pais e saibamos, com o exemplo, transmitir ao próximo esta doce “obrigação”.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O Evangelho de hoje fala dos costumes religiosos daquele tempo e dos fariseus que ensinavam tais costumes ao povo. Por exemplo, comer sem lavar as mãos ou , como eles diziam, comer com mãos impuras. Muitos destes costumes estavam desligados da vida e tinham perdido o seu sentido. Mesmo assim, estes costumes eram conservados e ensinados, ou por medo, ou por superstição. O Evangelho traz algumas instruções de Jesus a respeito destes costumes.

* Marcos 7,1-2: Controle dos fariseus e liberdade dos discípulos.
Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, observavam como os discípulos de Jesus comiam pão com mãos impuras. Aqui há três pontos que merecem ser assinalados:
1) Os escribas eram de Jerusalém, da capital! Significa que tinham vindo para observar e controlar os passos de Jesus.
2) Os discípulos não lavavam as mãos para comer! Significa que a convivência com Jesus os levou a criar coragem para transgredir normas que a tradição impunha ao povo, mas que já não tinham sentido para a vida.
3) O costume de lavar as mãos, que, até hoje, continua sendo uma norma importante de higiene, tinha tomado para eles um significado religioso que servia para controlar e discriminar as pessoas.

* Marcos 7,3-4: A Tradição dos Antigos
“A Tradição dos Antigos” transmitia as normas que deviam ser observadas pelo povo para conseguir a pureza exigida pela lei. A observância da pureza era um assunto muito sério para o povo daquele tempo. Eles achavam que uma pessoa impura não podia receber a bênção prometida por Deus a Abraão. As normas de pureza eram ensinadas para abrir o caminho até Deus, fonte da paz. Na realidade, porém, em vez de serem uma fonte de paz, as normas eram uma prisão, um cativeiro. Para os pobres, era praticamente impossível observar as centenas de normas, costumes e leis. Por isso, eles eram desprezados como gente ignorante e maldita que não conhece a lei (Jo 7,49).

* Marcos 7,5: Escribas e fariseus criticam o comportamento dos discípulos de Jesus
Os escribas e fariseus perguntam a Jesus: Por que os teus discípulos não se comportam conforme a tradição dos antigos e comem o pão com as mãos impuras? Eles fingem estar interessados em conhecer o porquê do comportamento dos discípulos. Na realidade, criticam Jesus por ele permitir que os discípulos transgridam as normas da pureza. Os fariseus formavam uma espécie de irmandade, cuja principal preocupação era observar todas as leis da pureza. Os escribas eram os responsáveis pela doutrina. Ensinavam as leis referentes à observância da pureza.

* Marcos 7,6-13 Jesus critica a incoerência dos fariseus
Jesus responde citando Isaías: Este povo me honra só com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (cf. Is 29,13). Insistindo nas normas da pureza, os fariseus esvaziavam os mandamentos da lei de Deus. Jesus cita um exemplo concreto. Eles diziam: a pessoa que oferecer ao Templo os seus bens, não pode usar esses bens para ajudar os pais necessitados. Assim, em nome da tradição esvaziavam o quarto mandamento que manda amar pai e mãe. Tais pessoas pareciam muito observantes, mas era só por fora. Por dentro, o coração delas fica longe de Deus! Como diz o canto: “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome, e vive à beira das calçadas. E a gente quando vê passa adiante, às vezes, para chegar depressa à igreja!”. No tempo de Jesus, o povo, na sua sabedoria, não concordava com tudo que se ensinava. Esperava que, um dia, o messias viesse indicar um outro caminho para alcançar a pureza. Em Jesus se realiza esta esperança.

Para um confronto pessoal
1. Conhece algum costume religioso de hoje que já não tem muito sentido, mas que continua sendo ensinado?
2. Os fariseus eram judeus praticantes mas sua fé estava desligada da vida da vida do povo. Por isso, Jesus os criticou. E hoje, Jesus nos criticaria? Em que?

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Segunda-feira da 5ª semana do Tempo Comum

Sta Escolástica, virgem
Evangelho (Mc 6,53-56): Tendo atravessado o lago, foram para Genesaré e atracaram. Logo que desceram do barco, as pessoas reconheceram Jesus. Percorriam toda a região e começaram a levar os doentes, deitados em suas macas, para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E, em toda parte onde chegava, povoados, cidades ou sítios do campo, traziam os doentes para as praças e suplicavam-lhe para que pudessem ao menos tocar a franja de seu manto. E todos os que tocavam ficavam curados.

Comentário: Fr. John GRIECO (Chicago, Estados Unidos)

Todos os a tocavam [a franja de seu manto] ficavam curados

Hoje, no Evangelho do dia, vemos o magnífico “poder do contato” com a pessoa de Nosso Senhor: «Traziam os doentes para as praças e suplicavam-lhe para que pudessem ao menos tocar a franja de seu manto. E todos os que tocavam ficavam curados».(Mc 6,56). O menor contato físico pode obrar milagres para aqueles que se aproximam a Cristo com fé. Seu poder de curar transborda do seu coração amoroso e estende inclusive a suas vestes. Ambos, sua capacidade e seu desejo pleno de curar, são abundantes de fácil acesso.

Esta passagem pode nos ajudar a meditar como estamos recebendo ao Nosso Senhor na Sagrada Comunhão. Comungamos com fé de que este contato com Cristo pode obrar milagres em nossas vidas? Mais que um simples tocar «a franja de seu manto», nós recebemos realmente o Corpo de Cristo em nossos corpos. Mais que uma simples cura de nossas doenças físicas, a Comunhão cura nossas almas e lhes garanta a participação na própria vida de Deus. São Inácio de Antioquia, assim, considerava à Eucaristia como a «medicina da imortalidade e o antídoto para prevenir-nos da morte, de modo que produz o que eternamente nós devemos viver em Jesus Cristo».

O aproveitamento desta «medicina da imortalidade» consiste em ser curados de todos aqueles que nos separa de Deus e dos outros. Ser curados por Cristo na Eucaristia, por tanto, implica superar nosso ensimesmamento. Tal como ensina Bento XVI, «Nutrir-se de Cristo é o caminho para não permanecer alheios ou indiferentes diante da sorte dos irmãos (...). Uma espiritualidade eucarística, então, é um autentico antídoto diante o individualismo e o egoísmo que com frequência caracterizam a vida cotidiana, levam ao redescobrimento da gratuidade, da centralidade das relações, a partir da família, com particular atenção em aliviar as feridas de aquelas desintegradas».

Igual que aqueles que foram curados de suas doenças tocando seus vestidos, nós também podemos ser curados de nosso egoísmo e de nosso isolamento dos outros mediante a recepção de Nosso Senhor com fé.

Comentário: Rev. D. Joaquim MONRÓS i Guitart (Tarragona, Espanha)

Logo que desceram do barco, as pessoas reconheceram Jesus

Hoje, contemplamos a fé dos habitantes daquela região onde Jesus chegou para levar a salvação das almas. O Senhor é dono da alma e do corpo; por isso, não duvidavam em levar os seus enfermos: «Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos» (Mc 6,56). Temos hoje, como sempre, enfermos da alma e do corpo. Convém que ponhamos todos os meios humanos e sobrenaturais para aproximar nossos parentes, amigos e conhecidos ao Senhor. Podemos fazer, em primeiro lugar, rezando por eles, pedindo pela sua saúde espiritual e corporal. Se há uma enfermidade do corpo, não duvidamos em procurar saber se existe um tratamento adequado, se há pessoas que possam cuidá-lo, etc.

Quando se trata de uma “enfermidade” da alma (habitualmente, palpável externamente), como pode ser que um filho, um irmão, um parente não assista à Missa aos domingos, além de rezar convém falar do remédio, talvez lhe transmitindo a palavra algum pensamento ou alguma orientação motivadora que nós mesmos possamos extrair do Magistério (por exemplo, da Carta apostólica O dia do Senhor de João Paulo II, ou de algum dos pontos do Catecismo da Igreja).

Se o irmão “enfermo” é alguém constituído em pública autoridade que justifica ou mantém uma lei injusta - como pode ser a falta de penalização do aborto —, não duvidemos — além de orar— em buscar a oportunidade para transmitir-lhe - de palavra ou por escrito — nosso testemunho sobre a verdade.

«Nós não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos» (Hch 4,20). Todas as pessoas têm necessidade do Salvador. Quando não atendem ao seu chamado é porque ainda não o reconheceram, talvez porque nós ainda não soubemos anunciar-lhe. O fato é que, enquanto o reconheciam, «colocavam os enfermos nas praças e lhe pediam que tocara somente um pedacinho do seu manto» (Mc 6,56). Jesus curava tanto mais quanto havia alguns que «colocavam» (punham ao alcance do Senhor) aos que mais urgentemente necessitavam remédio.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O texto do Evangelho de hoje é a parte final do conjunto mais amplo de Marcos 6,45-56 que compreende três assuntos diferentes: 1) Jesus sobe sozinho a montanha para rezar (Mc 6,45-46). 2) Em seguida, andando sobre as águas, ele vai ao encontro dos discípulos que lutam contra as ondas domar (Mc 6,47-52). 3) Agora, no evangelho de hoje, estando já em terra Jesus é procurado pelo povo que a cura das suas enfermidades (Mc 6,53-56).

* Marcos 6,53-56. A busca do povo.
“Acabando de atravessar, chegaram à terra, em Genesaré, e amarraram a barca. Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus”. O povo vai em massa atrás de Jesus. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconheceu Jesus e vai atrás dele. O que o move nesta busca de Jesus não é só o desejo de encontrar-se com ele, de estar com ele, mas também o desejo de obter a cura das suas doenças. “Iam de toda a região, levando os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E onde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocaram, ficaram curados”. O evangelho de Mateus comenta e ilumina este fato citando a figura do Servo de Javé, do qual Isaías diz: “Carregou sobre si as nossas enfermidades” (Is 53,4 e Mt 8,16-17)

* Ensinar e curar, curar e ensinar.
Desde o começo da sua atividade apostólica, Jesus anda por todos os povoados da Galileia para falar ao povo sobre o Reino de Deus que estava chegando (Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar:
- nas sinagogas durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1,21; 3,1; 6,2);
- em reuniões informais nas casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10);
- andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23);
- ao longo do mar na praia, sentado num barco (Mc 4,1);
- no deserto para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34);
- na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1);
- nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6,55-56);
- no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49)!
 Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). O povo ficava admirado (Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e o procurava em massa.

* Na raiz deste grande entusiasmo do povo estava, de um lado, a pessoa de Jesus que chamava e atraía, e, de outro lado, o abandono do povo que era como ovelha sem pastor (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só falava sobre Deus, mas também o revelava. Comunicava algo do que ele mesmo vivia e experimentava. Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. Nele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e sobretudo o testemunho, o gesto concreto. Esta é a Boa Nova do Reino que atrai!

Para um confronto pessoal
1. O entusiasmo do povo em busca de Jesus, em busca de um sentido para a vida e uma solução para os seus males. Onde existe isto hoje? Existe em você, existe em mim?
2. O que chama a atenção é a atitude carinhosa de Jesus para com os pobres e abandonados. E eu, como me comporto com as pessoas excluídas da sociedade?

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O cristão seguidor de Cristo deve ser sal e luz.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Sta Apolônia, virgem e mártir
Jesus segue fazendo a imagem e a fisionomia de seus discípulos e seguidores no famoso Sermão da Montanha (Matheus, capítulos 5-7). Além das bem-aventuranças, que nos marcavam o caminho da autêntica felicidade (domingo passado), hoje Jesus usa duas imagens expressivas: quem leve o nome de cristão deve ser sal e luz neste mundo (Evangelho).

Em primeiro lugar, Jesus nos diz que somos e temos que ser sal, não açúcar. O que o sal faz? Dá sabor às comidas, é curativo. Impede a corrupção dos alimentos; é conservante por ser ácido. Nos lugares onde tem neve, o sal derrete o gelo das rodovias para evitar acidentes. O sal do bicarbonato é um antiácido para o estômago. O sal também retira a ferrugem acumulada nas chaminés, evitando possíveis incêndios perigosos. As cores podem ser restauradas com um pano umedecido em água e sal. O sal afasta a traça dos tapetes de lã novos. O segredo é limpar o chão com uma mistura concentrada de sal e água quente antes de colocar o tapete. Tudo isso é um símbolo do que deve ser o cristão. Assim foi Jesus: com o sal de sua palavra ia dando sabor a todas as situações humanas: alegres e dolorosa. Ia preservando os valores humanos e morais com sua mensagem divina, para que não se corrompessem. E a segunda imagem: também o cristão tem que ser luz, porque levamos na alma e na consciência o fulgor de Cristo Ressuscitado. Somos cristãos de Páscoa. Cristo, com sua Páscoa, dissipou as trevas do demônio, que parecia ter triunfado nessa Sexta-feira Santa.  Em nossas pupilas brilha a luz do Círio Pascal. Em nossos lábios ressoa o “Lumen Christi”. Nossas mãos seguram a vela que se alimenta desse Círio Pascal que é Cristo. Desafiamos Nietzsche, porque nós sim temos rostos de ressuscitados.

Em segundo lugar, que Deus nos livre de ser cristãos inertes e apagados. Com o sal, daremos sabor a nossa vida cristã e também curaremos as feridas de nossos irmãos (primeira leitura), não com palavras vãs, mas com a palavra e o bálsamo do crucificado (segunda leitura) e preservaremos nosso mundo da opressão e injustiça (primeira leitura) e do mundanismo. Com o sal – disse o Crisóstomo – podemos voltar a seu sabor àqueles que se tornaram insípidos, mas com o sal em sua medida. Muito sal estraga a comida. Com a luz da fé em Cristo iluminamos nosso interior e iluminamos nosso ambiente, em qualquer parte onde estejamos. Fé que nos ilumina desde dentro, como trata de expressar a iconografia oriental. Com ela vivemos nesse mundo para não tropeçar, sim, mas com os olhos postos na eternidade. Pela luz da fé vemos com claridade qual é o caminho que nos conduz ao Céu. Já não somos “um povo que anda nas trevas”, mas que tem “a luz da vida”.

Finalmente, cuidemos para não estragar o sal colocando outras substâncias colorantes, como podem ser nossos gostos pessoais e os temperos picantes desse mundo.  Cuidemos nossa luz, que é a participação na luz de Cristo, para que não iluminemos com a minúscula luz de nossas tolas vaidades ou nossos saberes enciclopédicos e culturais mundanos (segunda leitura).

Para refletir: Sou sal ou açúcar; insosso ou salgado? Sou luz ou sombra com meu mau exemplo?

V Domingo do Tempo Comum

«Vós sois a luz do mundo»

Depois de subir à montanha com as multidões e os discípulos, Jesus apresenta-lhes o seu evangelho e as condições do Reino. Aos discípulos propõe-lhes uma identidade própria, como sal da terra e luz do mundo. Eles são chamados a ser o condimento que dá um sabor especial à terra; são chamados a ser a luz que dá o brilho que o mundo precisa. Demitidos deste testemunho, inertes, não teremos razão de ser, como discípulos. Pelo contrário, somos convidados a dar testemunho da nossa fé, do nosso seguimento a Cristo, em obras concretas, em boas obras, para que os homens, através delas, possam glorificar o Pai que está nos Céus.

Evangelho segundo S. Mateus Mt 5,13-16 - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra.
Jesus tinha acabado de subir à montanha com as multidões para lhes apresentar o seu evangelho, as condições do Reino; mas são os seus discípulos os principais ouvintes e interlocutores. E não lhes poderia ter dado maior importância que ao designá-los “sal da terra”. Na medida certa, o sal dá um sabor especial aos alimentos e ajuda-os a conservar por longo tempo. Assim, os discípulos são o condimento especial para dar sabor à terra, aos âmbitos da vida humana. Já paramos para pensar em tamanha dignidade e tão grande responsabilidade? Como ficar de braços cruzados, se o mundo espera o nosso sabor de discípulos de Jesus? Vivamos o evangelho do Reino e o nosso mundo recuperará o sabor de Jesus.

Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
O sabor de Cristo é o saber dar a vida. O discípulo que se desvirtua e perde o sabor, é o discípulo que se deixa vencer pelo egoísmo e se afasta do mestre e dos irmãos e, por isso, já não ama, não dá a vida, perdeu a razão de ser, como sal da terra, como discípulo da terra. Que pena, depois de tantas expectativas de Jesus em nós! Que pena, com esta terra desorientada, à espera do toque especial dos discípulos de Jesus. O sal, para dar sabor aos alimentos, dá-se, troca a sua “vida” pelo sabor que transmite aos alimentos; por isso, nada vale o discípulo que não dá este sabor de Cristo, que não se entrega e perdeu a sua identidade.

Vós sois a luz do mundo.
Jesus serve-se agora de uma segunda imagem para se referir aos seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo”. A luz é o princípio da criação (Gn 1,3); Deus é luz (Sal 27,1; Jo 1,5); Jesus é a grande luz que brilhou para os que viviam nas trevas (Mt 4,16). Agora, também os discípulos de Jesus são luz, luz do mundo; é o próprio Jesus quem o atesta. Damo-nos conta da beleza da nossa vocação como discípulos, luz do mundo? Damo-nos conta da responsabilidade de sermos discípulos, sempre, a tempo inteiro? O verdadeiro discípulo é, por si só, a luz que o mundo espera.

Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa.
Que adianta possuir a mais bela luz, se ela permanecer apagada ou escondida? Que adianta termos sido agraciados com a mais bela vocação, de discípulos de Jesus, se permanecemos inativos? A nossa identidade não se pode esconder, nem sobre o monte ou debaixo do alqueire, nem no anonimato, desinteresse, desmotivação ou falta de tempo. Como a lâmpada só mostra toda a sua utilidade quando é acesa, assim o discípulo de Jesus só tem sentido, só revela a sua verdadeira identidade se for luz do mundo: luz que dá testemunho da luz de Cristo e do seu Reino.

Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».
Não é difícil constatar que o nosso mundo parece andar sem sabor e com falta de brilho! Se ousássemos viver, seriamente, a nossa vida como discípulos de Jesus, interessados por conduzir a história segundo os desígnios de Deus, certamente o nosso agir estaria repleto de boas obras, e então, seguramente, os homens voltar-se-iam para Deus, glorificando-O, fascinados pelo nosso testemunho como discípulos. O mundo precisa, urgentemente, de discípulos ousados, apaixonados, dispostos a dar sabor dando a vida, dispostos a ser luz em boas obras; ao demitirmo-nos da nossa identidade, o mundo corre o risco de mergulhar nas trevas sem retorno… Que vou decidir?

Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres e sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: “Aqui estou”. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».
A primeira leitura, do livro do profeta Isaías, apresenta-nos um caminho de boas obras a praticar. A luz dos discípulos de Jesus não é estática; pelo contrário, vai ao encontro das situações de trevas dos que habitam na grande casa do mundo, seja a fome, a nudez ou as necessidades extremas, para lhes dar o brilho de Cristo. De fato, a luz de Cristo, dos seus discípulos, não fica indiferente às necessidades dos irmãos. A identidade dos discípulos de Jesus é ser como Ele, autuarem como Ele, ao encontro dos últimos, dos rejeitados, dos pobres, dos pecadores. Se assim fizermos, as trevas da noite brevemente brilharão como a luz forte do meio-dia, e os homens saberão reconhecer as nossas boas obras e glorificarão o Pai que está nos Céus.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sábado IV do Tempo Comum

Sta Josefina Bakhita
Evangelho (Mc 6,30-34): Os apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado. Ele disse-lhes: «Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!». Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer. Foram, então, de barco, para um lugar deserto, a sós. Muitos os viram partir e perceberam a intenção; saíram então de todas as cidades e, a pé, correram à frente e chegaram lá antes deles. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário: Rev. D. David COMPTE i Verdaguer (Manlleu, Barcelona, Espanha)

Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco! Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer

Hoje, o Evangelho nos sugere uma situação, uma necessidade e um paradoxo que são muito atuais.

1. Uma situação. Os Apóstolos estão “estressados”: «Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer» (Mc 6,31). Frequentemente nós nos vemos achegados à mesma mudança. O trabalho exige boa parte de nossas energias; a família, onde cada membro quer palpar nosso amor; as outras atividades nas que nos comprometemos, que nos fazem bem e, ao mesmo tempo, beneficiam a terceiros... Querer é poder? Talvez seja mais razoável reconhecer que não podemos tudo aquilo que gostaríamos.

2. Uma necessidade. O corpo, a cabeça e o coração reclamam um direito: descanso. Nestes versículos temos um manual, frequentemente ignorado, sobre o descanso. Aí destaca a comunicação. Os Apóstolos «Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado» (Mc 6,30). Comunicação com Deus, seguindo o fio do mais profundo de nosso coração. E — que surpresa!— encontramos a Deus que nos espera. E espera encontrar-nos com nossos cansaços.
Jesus lhes diz: «Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer» (Mc 6,31). No plano de Deus há um lugar para o descanso! É mais, nossa existência, com todo seu peso, deve descansar em Deus. O descobriu o inquieto Agostinho: «Nos criastes para ti e nosso coração está inquieto até que não descanse em ti». O repouso de Deus é criativo; não “anestésico”: encontrar-se com seu amor centra nosso coração e nossos pensamentos.

3. Um paradoxo. A cena do Evangelho acaba “mal”: os discípulos não podem repousar. O plano de Jesus fracassa: são abordados pelas pessoas. Não puderam “desconectar”. Nós, com frequência, não podemos liberar-nos de nossas obrigações (filhos, conjugue, trabalho...): seria como trair-nos! Impõe-se encontrar a Deus nestas realidades. Se existe comunicação com Deus, se nosso coração descansa Nele, relativizaremos tensões inúteis... E a realidade —desnuda de quimeras— mostrará melhor o sinal de Deus. Nele, ali, repousaremos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Beato Pio IX - "O Papa da Imaculada"
* O evangelho de hoje está em vivo contraste com o de ontem! De um lado, o banquete de morte, promovido por Herodes com os grandes do reino no palácio da Capital, durante o qual João Batista foi assassinado, (Mc 6,17-29). Do outro lado, o banquete de vida, promovido por Jesus com o povo faminto da Galileia lá no deserto (Mc 6,30-44). O evangelho de hoje só traz a introdução à multiplicação dos pães descrevendo o ensino de Jesus.

* Marcos 6,30-32. O acolhimento dado aos discípulos.
“Os apóstolos se reuniram com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Havia aí tanta gente que chegava e saía, a tal ponto que Jesus e os discípulos não tinham tempo nem para comer. Então Jesus disse para eles: Vamos sozinhos para algum lugar deserto, para que vocês descansem um pouco" Estes versículos mostram como Jesus formava seus discípulos. Ele se preocupava não só com o conteúdo da pregação, mas também com o descanso. Levou-os a um lugar mais tranquilo para poder descansar e fazer uma revisão.

* Marcos 6,33-34. O acolhimento dado ao povo.
O povo percebeu que Jesus tinha ido para o outro lado do lago, e eles foram atrás dele procurando alcançá-lo andando por terra até o outro lado. “Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar muitas coisas para eles”. Ao ver aquela multidão, Jesus ficou com dó, “pois eles estavam como ovelhas sem pastor”. Ele esqueceu o descanso e começou a ensinar. Ao perceber o povo sem pastor, Jesus começou a ser pastor. Começou a ensinar.
Como diz o Salmo: “O Senhor é meu pastor! Nada me falta! “Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores” (Sl 23,1.3-5).” Jesus queria descansar junto com os discípulos, mas o desejo de atender à necessidade do povo levou-o a deixar de lado o descanso. Algo semelhante aconteceu quando ele se encontrou coma a samaritana.
Os discípulos foram buscar comida. Quando voltaram, disseram a Jesus: “Mestre, come alguma coisa!” (Jo 4,31), mas ele respondeu: “Eu tenho um alimento para comer que vocês não conhecem” (Jo 4,32). O desejo de atender à necessidade do povo samaritano levou-a a esquecer a fome. “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4,34). Em primeiro lugar o atendimento ao povo que o procurava. A comida vem depois.

Então Jesus começou a ensinar muitas coisas para eles
O evangelho de Marcos muitas vezes informa que Jesus ensinava. O povo ficava impressionado: “Um novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!” (Mc 1,22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). Por mais de quinze vezes Marcos diz que Jesus ensinava, mas raramente diz o que ele ensinava. Será que Marcos não se interessava pelo conteúdo? Depende do que a gente entende por conteúdo!
Ensinar não é só uma questão de ensinar verdades novas para o povo decorar. O conteúdo que Jesus tinha para dar transparecia não só nas palavras, mas também nos gestos e no próprio jeito de ele se relacionar com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora (Mc 6,34). Queria bem ao povo. A bondade e o amor que transparecem nas suas palavras faziam parte do conteúdo. Eram o seu tempero. Conteúdo bom sem bondade é como leite derramado. Este novo jeito de ensinar de Jesus manifestava-se de muitas maneiras. Jesus aceita como discípulos não só homens, mas também mulheres.
Ensina não só na sinagoga, mas em qualquer lugar onde houvesse gente para escutá-lo: na sinagoga, em casa, na praia, na montanha, na planície, no caminho, no barco, no deserto. Não cria relacionamento de aluno-professor, mas sim de discípulo-mestre. O professor dá aula e o aluno está com ele só durante o tempo de aula. O mestre dá testemunho e o discípulo convive com ele 24 horas por dia. É mais difícil ser mestre do que professor!
Nós não somos alunos de Jesus, mas sim discípulos e discípulas! O ensino de Jesus era uma comunicação que transbordava da abundância do coração nas formas mais variadas: como conversa que tenta esclarecer os fatos (Mc 9,9-13), como comparação ou parábola que faz o povo pensar e participar (Mc 4,33), como explicação do que ele mesmo pensava e fazia (Mc 7,17-23), como discussão que não foge do polêmico (Mc 2,6-12), como crítica que denuncia o falso e o errado (Mc 12,38-40). Era sempre um testemunho do que ele mesmo vivia, uma expressão do seu amor! (Mt 11,28-30).

Para um confronto pessoal
1. Como você faz quando deve ensinar aos outros algo da fé e da religião? Imita Jesus?
2. Jesus se preocupa não só com o conteúdo, mas também com o descanso. Como foi o ensino de religião que você recebeu na infância? As catequistas imitavam Jesus?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A DEVOÇÃO ÀS SANTAS CHAGAS.

Há devoções tão antigas como o Calvário e que tiveram pontos altos na vida e na história da Igreja. Entre estas está a devoção das Santas Chagas.

Parece ser da vontade de Deus reavivar tal devoção, como meio de santificação pessoal e reparação pelos pecadores. Perante tanta maldade e desordem, desprezo pelo divino e indiferença pela ofensa ao Criador, só a reparação pode salvar o mundo. Daí a necessidade de almas reparadoras. E a devoção das Santas Chagas é eminentemente reparadora.

Santo Agostinho, São João Crisóstomo, São Bernardo, São Boaventura, São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis fizeram desta devoção objeto especial do seu zelo apostólico.

Rosário às Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo

No início: Fazer o sinal da Cruz e após...

1. Oh! Jesus, Divino Redentor, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

2. Deus Forte, Deus Santo, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.

3. Graça, misericórdia, Meu Jesus; nos perigos presentes, cobri-nos com vosso preciosíssimo Sangue.

4. Pai Eterno, tende misericórdia de nós, pelo Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho Unigênito, tende misericórdia de nós, vos suplicamos. Amém, Amém, Amém.

Em lugar do Pai Nosso:
Pai Eterno, eu vos ofereço as santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo;
Para curar as de nossas almas.

Em lugar de cada Ave-Maria:
Meu Jesus, perdão e misericórdia:
Pelos méritos de vossas santas Chagas.

Terminando o Rosário, deve-se rezar três vezes:
Pai Eterno, eu vos ofereço as santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo;
Para curar as de nossas almas. Amém.

7 de fevereiro

AS CINCO CHAGAS DO SENHOR
 
Invitatório
Ant. Cristo foi trespassado por nosso amor: vinde, adoremos.

LAUDES
Hino
Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Pelas chagas de seu Filho,
Louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

Salmos e cântico do dia da semana corrente
Ant. 1 Quando chegaram ao monte Calvário, crucificaram Jesus.
Ant. 2 Um dos soldados trespassou-lhe o lado com a lança, e logo saiu sangue e água.
Ant. 3 Hão de olhar para Aquele que trespassaram, hão de chorá-lo todos os povos da terra.

Leitura breve - Zac 12,10
Derramarei sobre a casa de David e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de piedade e de oração, e eles voltarão os olhos para aquele a quem trespassaram. Lamentar-se-ão por ele como se lamenta um filho único, hão de chorá-lo como se chora a morte do primogênito.

Responsório breve
V. Foi trespassado por causa das nossas culpas; pelas suas Chagas fomos curados.
R. Foi trespassado...
V. Suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores.
R. Pelas suas Chagas fomos curados.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Foi trespassado...

Cântico evangélico (Benedictus)
Ant. Bendito seja Deus, que pelas Chagas de Cristo redimiu o seu povo.

Preces
Oremos a Cristo, nosso Redentor, que pelas suas Chagas nos salvou; e digamos confiadamente:

R: Pelas vossas santas Chagas, salvai-nos, Senhor.

Jesus, Salvador do mundo, ferido pelos pecados do vosso povo,
— salvai as nossas almas, porque somos pecadores.
R.
Jesus, Médico da humanidade, homem de dores e acostumado ao sofrimento,
— curai as feridas do vosso povo.
R.
Jesus, Mestre de todos os homens, que aprendestes a obedecer até à morte,
— ensinai-nos a obedecer aos vossos mandamentos.
R.
Jesus, bom pastor, que destes a vida pelas ovelhas,
— reuni-nos a todos num só rebanho sob um só pastor.
R.
Pai nosso

Oração
Deus de infinita misericórdia, que por meio do vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na terra as suas santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto redentor do seu Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Pelas chagas de seu Filho,
Louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

Salmos e cântico do dia da semana corrente
Ant. 1. Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu.
Ant. 2. Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.
Ant. 3. Mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo mas fiel.

Leitura breve - 1Pedro 2,21b-24
Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, e na sua boca não se encontrou engano. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças. Mas entregava-se Àquele que julga com justiça. Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz, a fim de que, mortos para os nossos pecados, vivamos para a justiça. Pelas suas Chagas fomos curados.

Responsório breve
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Nós Vos adoramos ...
V. Que pela vossa paixão remistes o mundo.
R. Nós Vos adoramos ...
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos adoramos ...

Cântico evangélico (Magnificat)
Ant. Jesus apareceu no meio dos seus discípulos e disse-lhes: A paz esteja convosco. E tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Preces
Oremos a Cristo nosso Redentor, que pelas suas Chagas nos salvou; e digamos confiadamente:

R: Pelas vossas santas Chagas, perdoai-nos, Senhor.

Eterno Rei do mundo, que mostrastes aos Apóstolos as Chagas das mãos e dos pés,
— libertai o coração dos vossos fiéis de toda a dúvida e perturbação.
R.
Supremo Juiz da humanidade, que curastes a incredulidade de São Tomé, fazendo-o tocar a Chaga do vosso lado,
— iluminai os olhos do nosso coração para Vos proclamarmos fielmente nosso Deus e Senhor.
R.
Vítima divina, que, pregado no madeiro da cruz, tomastes sobre Vós o castigo dos nossos pecados,
— convertei-nos a Vós, Pastor e Guarda das nossas almas.
R.
Filho de Deus, que do vosso Coração, ferido pela lança do soldado, fizestes brotar sangue e água,
— renovai continuamente a vossa Igreja com o cálice da salvação e a água da vida eterna.
R.
Cordeiro de Deus, que pela vossa morte merecestes receber o poder, a sabedoria, a honra e a glória,
— fazei que descansem dos seus trabalhos os que morreram na vossa graça.
R.
Pai nosso

                                                                                     Oração
Deus de infinita misericórdia, que por meio do vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na terra as suas santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto redentor do seu Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.