sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sábado X do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações.

Evangelho (Mt 5,33-37): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes também que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno».

Comentário: Rev. D. Jordi PASCUAL i Bancells (Salt, Girona, Espanha)

«Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não»

Hoje Jesus continua a comentar-nos os Mandamentos. Os israelitas tinham um grande respeito para com o nome de Deus, uma veneração sagrada, pois sabiam que o nome se refere à pessoa e Deus merece todo o respeito, toda a honra e toda a gloria, de pensamento, palavra e obras. Por isso —tendo presente que jurar é pôr Deus como testemunha da verdade que dizemos— a Lei mandava-lhes: «‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos» (Mt 5,33). Mas Jesus ainda vai aperfeiçoar a Lei (e, portanto, a aperfeiçoar-nos segundo a Lei) e dá um passo mais: « não jureis de modo algum, nem pelo céu (...), nem pela terra (...)» (Mt 5,34). Não que jurar em si mesmo seja mau, mas, são necessárias determinadas condições para que o juramento seja lícito, como por exemplo, que haja uma causa justa, grave, séria (pensemos no caso de um juízo) e que aquilo que se jura seja verdadeiro e bom.

Mas o Senhor ainda nos diz mais: «Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não.» (Mt 5,37). Quer dizer, convida-nos a viver a veracidade em todas as ocasiões, a conformar o nosso pensamento, as nossas palavras e as nossas obras na verdade. Mas, o que é a verdade? É a grande pergunta que já vemos formulada no Evangelho, pela boca de Pilatos, no juízo contra Jesus, à qual tantos pensadores, ao longo dos tempos, procuraram dar resposta. Deus é a Verdade. Quem vive agradando a Deus, cumprindo os seus Mandamentos, vive na Verdade. Diz o santo Cura de Ars: «A razão porque tão poucos cristãos obrem com a exclusiva intenção de agradar a Deus é porque a maior parte deles estão submetidos à mais espantosa ignorância. Meu Deus, quantas boas obras se perdem para o Céu!» Devemos pensar nisto.

É conveniente formarmo-nos, ler o Evangelho e o Catecismo. Depois, viver segundo o que aprendemos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No evangelho de hoje, Jesus faz a releitura do mandamento “Não jurar falso”. E aqui também, ele vai para além da letra, busca o espírito da lei e procura mostrar o objetivo último deste mandamento: alcançar a transparência total no relacionamento entre as pessoas. Aqui vale aplicar o que já dissemos a respeito dos mandamentos “Não matar” e “Não cometer adultério”. Trata-se da nova maneira de interpretar e de colocar em prática a Lei de Moisés a partir da nova experiência de Deus como Pai/Mãe que Jesus nos trouxe. Jesus relê a lei a partir da intenção que Deus tinha ao proclama-la, séculos atrás, no Monte Sinai.

* Mateus 5,33: Foi dito aos antigos: não jurar falso
A lei do AT dizia: “Não jurar falso”. E acrescentava que a pessoa deve cumprir os seus juramentos para com o Senhor (cf. Nm 30,2). Na oração dos salmos se diz que só pode subir a montanha de Javé e chegar no lugar santo “aquele que tem mãos inocentes e coração puro, que não confia nos ídolos, nem faz juramento para enganar” (Sl 24,4). O mesmo é dito em vários outros lugares do AT (Ecle 5,3-4), pois deve-se poder confiar nas palavras do outro. Para favorecer esta confiança mútua, a tradição tinha inventado a ajuda do juramento. Para dar força à sua palavra, a pessoa jurava por alguém ou por algo que era maior do que ela e que poderia vir castiga-la caso ela não cumprisse o que prometeu. E assim é até hoje. Tanto na igreja como na sociedade, há momentos e ocasiões em que se exigem juramentos solenes das pessoas. No fundo, o juramento é a expressão da convicção de que nunca se pode confiar inteiramente na palavra do outro.

* Mateus 5,34-36: Mas eu digo: não jurar nunca
Jesus quer sanar esta deficiência. Não basta “não jurar falso”. Ele vai mais além e afirma: “Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Não jure nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Faziam juramento pelo céu, pela terra, pela cidade de Jerusalém, pela própria cabeça. Jesus mostra que tudo isto é remédio que não cura a doença da falta de transparência no relacionamento entre as pessoas. Qual é a solução que ele propõe?

* Mateus 5,37: O Sim seja sim, e o não seja não.
A solução que Jesus propõe é esta: “Diga apenas 'sim', quando é 'sim'; e 'não', quando é 'não'. O que você disser além disso, vem do Maligno". Ele propõe a total e radical honestidade. Nada mais do que isto. O que você disser além disso, vem do Maligno . Aqui, novamente, aqui somos confrontado com um objetivo que ficará sempre na nossa frente e que nunca chegaremos a cumprir totalmente. É uma outra expressão do novo ideal de justiça que Jesus propõe: “ser perfeito como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Jesus elimina pela raiz qualquer tentativa de eu criar em mim a convicção de que me salvo pela minha observância da lei. Ninguém poderá merecer a graça de Deus. Já não seria graça. Observamos a Lei, não para merecer a salvação, mas para agradecer de coração a imensa bondade gratuita de Deus que nos acolhe, perdoa e salva sem merecimento algum da nossa parte.

Para um confronto pessoal
1) Como é a minha observância da lei?

2) Será que já experimentei alguma vez na vida algo da bondade gratuita de Deus?

quinta-feira, 13 de junho de 2013

14 de junho

SANTO ELISEU, PROFETA
Memória

"Quando Elias se aproximou de Eliseu, lançou o seu manto sobre os ombros dele, e Eliseu, largando os bois, correu imediatamente para seguir Elias, e servia-lhe" (cf 1Rs 19,21)_ Eliseu, recebendo o espírito de Elias, entre muitos grandiosos prodígios, curou Naamã da lepra, ressuscitou um menino que falecera, conviveu entre os filhos dos profetas e, em nome de Deus, interveio muitas vezes nos acontecimentos do povo de Israel. A Ordem do Carmo, lembrada das suas origens no Monte Carmelo, desejou, com a celebração litúrgica dos grandes Profetas, celebrar a memória da presença deles e das suas gestas. Já no ano de 1399 o Capítulo Geral decretou a celebração da Festa de Santo Eliseu; nos nossos dias, porém, o Profeta lança inegavelmente uma luz sobre a missão profética do cristão como fidelidade ao Deus Vivo e Verdadeiro e como serviço em favor do Povo de Deus.

Laudes
Hino

Com voz bem clara possamos cantar
a bela glória, que o Senhor te deu!
Ajuda, pois, nosso fervor tão íntimo,
Santo Eliseu!

Rico da graça do Supremo Rei,
mestre futuro dos nossos pais serias.
Ao toque do manto transformado foste
em outro Elias.

Do Jordão divides as águas santas:
feliz, reúnes o rebanho amado
e o conduzes, pai, com ardor e zelo
abençoado ...

Com fervor adentras grutas desertas
e do mundo as pompas desprezas tanto
que excelsos méritos mostram que tens
Espírito Santo.

Guia feliz, ó tão feliz profeta,
a mente inculta com amor lavraste;
da morte vencedor e farol de vida,
vida doaste.

Nós, Carmelitas, com fé adoramos
a Vós, Deus Uno e Trino, totalmente,
mas suplicantes o perdão pedimos,
ó Deus clemente!

Salmodia
Ant. 1 Naamã venha até mim - disse Eliseu _ para saber que há profeta em Israel.
Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.
Ant. 2 Enquanto o citarista tocava na sua cítara, a mão do Senhor repousou sobre Eliseu, e ele profetizou.
Ant. 3 Nos seus dias não teve medo dos poderosos e com prepotência ninguém o dobrou.

Leitura breve                                                                              Eclo (Sr) 48, 13b-15
Nos seus dias não teve medo dos poderosos e com prepotência ninguém o dobrou; palavra nenhuma esteve acima dele; e morto, o seu corpo agiu em nome de Deus. Em vida realizou portentos e depois de morto operou coisas maravilhosas.

Responsório breve                                                                            2Rs 2,11.15.13
R. No meio do redemoinho subiu Elias para o céu * e sobre Eliseu repousou o espírito de Elias. R. No meio.
V. Eliseu ergueu do chão o manto de Elias, * E sobre Eliseu.
V. Glória ao Pai.  R. No meio.

Cântico Evangélico
Ant. Bendito seja o Rei Celeste, dos Profetas Senhor, que por meio dos seus Santos nos dá leis de amor; o caminho da salvação e da paz Ele mostra ao povo seu e para a luz do  céu nos leva pelas preces de Eliseu.

Preces
Deus outrora falou e agiu por meio dos profetas, hoje, porém, está conosco na pessoa do seu Filho, o Verbo Encarnado; peçamos com muita confiança:

R. Fazei-nos testemunhas da vossa Palavra.

Rei dos Profetas, que cumulastes Eliseu com o espírito de Elias,
- despertai em nós o espírito da profecia, que todos nós recebemos no sacramento do Batismo. R.

Jesus, Palavra do Pai, que pelo Espírito Santo inspirastes os Profetas, para que fossem a vossa voz,
- concedei aos vossos pastores e pregadores que sejam fiéis e honestos na proclamação da vossa palavra. R.

Médico do corpo e da alma, que por meio dos santos profetas realizastes maravilhas em favor dos doentes e dos pobres,
- curai os doentes, fortalecei os fracos, protegei os que não têm defesa. R.

Pão dos anjos e dos homens, que pela intervenção do Profeta Eliseu aliviastes a fome do povo,
- infundi nos corações dos vossos discípulos sentimentos de solidariedade e comunhão para com todos os que padecem fome e pobreza em qualquer parte do mundo. R.

Fonte da piedade e do perdão, que por meio de Eliseu socorrestes até os inimigos de Israel,
- fazei que todos os vossos discípulos sejam ministros da misericórdia, da reconciliação e do perdão. R.
(intenções livres)
Pai Nosso ...

Oração
Deus, nosso Pai, Pastor dos Homens e Redentor, que sois proclamado admirável nos vossos santos profetas e derramastes o espírito de Elias sobre o vosso profeta Eliseu, dignai-vos, na vossa bondade, fazer crescer em nós os dons do Espírito Santo, para que, compenetrados da nossa missão de profetas, possamos por toda parte testemunhar a Vossa divina presença e a vossa adorável providência. Por N.S.J.C.

Vésperas
Hino
Este mês festivo ao meio chegou:
dos seus trinta dias este é o teu;
cantam mil vozes no alto do Carmelo,
Santo Eliseu!

Oh! Profeta Santo e querido pai!
Ungiu-te Elias por seu sucessor:
do espírito seu tu tens dois terços.
Vive o Senhor!

Possuis o manto do teu pai, que voa
lá nas alturas num carro de fogo:
o Jordão deténs e de pés enxutos
o passas logo.

Em prece, a Deus falas da mãe sem filhos,
e realizas um anseio ardente.
Morre o menino ... mas traz vida a súplica
onipotente.

Glória ao Pai e ao Filho muito amado;
ao Santo Amor seja igual louvor.
Ao Deus Uno e Trino adoremos sempre
Com todo ardor.

Salmodia
Ant. 1 Respondeu Eliseu: "Vive o Senhor, ao serviço de quem eu estou".
Do Comum dos Santos Homens
Ant. 2 Eliseu foi com os Filhos dos Profetas, a fim de construírem uma casa para sua habitação.
Ant. 3 Conta-me - disse o rei - todas as maravilhas, que Eliseu realizou.

Leitura breve                                                                                           2Pd 1,19-21
. Esta voz (do Pai) nós a ouvimos descer do céu, quando estávamos com Jesus no alto do Monte santo: temos assim maior firmeza quanto à palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção como a lamparina, que clareia num lugar tenebroso, até que amanheça o dia e brote nos vossos corações a Estrela da Manhã. Mas antes entendei isto: que nenhuma profecia da Escritura está sujeita à interpretação de um particular, pois a profecia não é voz nenhuma proferida por iniciativa humana, mas os homens falaram por parte de Deus impelidos pelo Espírito Santo.

Responsório breve                                            2Mc 15,14;Jo 15,13;1103,16
R. Este é o amigo dos irmãos, * que muito reza pelo povo. R. Este.
V. Ele sacrificou a vida pelos seus irmãos. R. Que muito reza.
V. Glória ao Pai. R. Este.

Cântico evangélico
Ant. Hoje o morador do Carmelo, Santo Eliseu, engrandece o Senhor dos Exércitos. Hoje pelo seu Profeta o Senhor derruba os poderosos e no alto põe os humildes. Glória a vós, que no Reino da Paz hoje acolhestes o Homem de Deus!

Preces
Aclamemos ao Senhor, que nos dá a sua graça por meio da palavra dos profetas que nos clareia como lamparina a brilhar num lugar tenebroso até que amanheça o dia.

R. Derramai sobre os servidores da Palavra o Espírito da Profecia.

Rei do Universo, que por meio do Profeta Eliseu governastes até mesmo os governadores do povo,
- dai o Espírito da Sabedoria e da Fortaleza aos que governam os povos, para que zelem pela justiça e pela paz para todos. R .

Vós que sois origem e inspiração de todo amor fraterno, e inspirastes ao Profeta Eliseu viver fraternalmente com os Filhos dos Profetas,
- concedei à Família dos Carmelitas sentimentos de fraternidade e concórdia entre si e para com todos os vossos filhos. R.

Senhor Deus de Justiça e de Equidade, que fizestes surgir o Profeta Eliseu para demonstrar os direitos vossos e do povo,
- fortalecei no vosso povo o sentimento dos seus direitos e daquela justiça, que é garantia da verdadeira paz. R.

Senhor Jesus, que viestes para os mínimos entre os vossos irmãos e assim fostes prefigurado pelo Profeta Eliseu,
- protegei todas as formas de vida, socorrei os órfãos e viúvas e não deixeis faltar alimento aos que têm fome. R.

(intenções livres )

Senhor da vida e da morte, que por intermédio de Santo Eliseu arrancastes do poder da morte uma criança,
- pela intercessão de Maria, Mãe e Rainha dos Carmelitas, derramai as riquezas do vosso Amor Misericordioso sobre as nossas irmãs e irmãos falecidos. R.

Pai Nosso ...

Oração

Deus, nosso Pai, Pastor dos Homens e Redentor, que sois proclamado admirável nos vossos santos profetas e derramastes o espírito de Elias sobre o vosso profeta Eliseu, dignai-vos, na vossa bondade, fazer crescer em nós os dons do Espírito Santo, para que, compenetrados da nossa missão de profetas, possamos por toda parte testemunhar a Vossa divina presença e a vossa adorável providência. Por N.S.J.C.

Mesmo dia 14 de junho
Maria Cândida da Eucaristia
Virgem de nossa Ordem

Nasceu no dia 16 de janeiro de 1884, em Catanzaro (Itália), cidade para onde a família, originária de Palermo, se transferiu por um breve período de tempo devido ao trabalho do pai. Maria era a décima de doze filhos.
Aos quinze anos manifestou a sua vocação religiosa à qual seus pais, apesar de serem profundamente religiosos, se opuseram com determinação. De fato, Maria teve que esperar quase vinte anos para poder realizar a sua aspiração, demonstrando, nestes anos de expectativa e de sofrimento interior, uma força de ânimo surpreendente e uma fidelidade incomum. Depois da morte de sua mãe, entrou finalmente no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Ragusa, que tinha surgido havia pouco tempo e era muito pobre, a 16 de abril de 1920, onde assumiu o nome de Maria Cândida da Eucaristia, em certos aspectos profético. Em 17 de abril de 1921 pronunciou a profissão simples e a solene no dia 23 de abril de 1924.
Seis meses depois da profissão solene, em 10 de novembro de 1924 foi nomeada pela primeira vez Priora do seu Mosteiro.
Durante os anos em que guiou o seu mosteiro, de 1924 a 1947, salvo uma breve interrupção, infundiu na sua comunidade um profundo amor pela Regra de Santa Teresa de Jesus e contribuiu de modo direto para a expansão do Carmelo Teresiano na Sicília, a fundação de Siracusa, e para o retorno do ramo masculino da Ordem na região.
Para a Beata Maria Cândida, a Eucaristia é alimento, é encontro com Deus, é fusão de coração, é escola de virtude, é sabedoria de vida. “O Céu mesmo não possui mais; Aquele tesouro único está aqui, é Deus! Verdadeiramente, sim verdadeiramente: meu Deus e meu Tudo”. “Peço a meu Jesus ser colocada como sentinela de todos os sacrários do mundo até o fim dos tempos”.
No dia 12 de junho de 1949, na Solenidade da Santíssima Trindade, depois de alguns meses de sofrimentos físicos atrozes, Maria Cândida da Eucaristia faleceu. Foi beatificada em Roma no dia 21 de março de 2004.  

Oração:
Deus eterno e todo-poderoso, que, com o sopro do Espírito Santo, inspirastes a beata Maria Cândida, virgem, a contemplação das riquezas da Eucaristia.  Concedei-nos, por sua intercessão, que oferecendo com gratidão o sacrifício do Corpo e do Sangue de Cristo, e unidos Bem- aventurada Virgem Maria vos glorifiquemos sempre neste Sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sexta-feira da 10ª Semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações

Evangelho (Mt 5,27-32): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração. Se teu olho direito te leva à queda, arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno.      Se a tua mão direita te leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno. Foi dito também: ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Ora, eu vos digo: todo aquele que despedir sua mulher — fora o caso de união ilícita — faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério».

Comentário: Pare Josep LIÑÁN i Pla SchP (Sabadell, Barcelona, Espanha)

«Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério»

Hoje Jesus continua aprofundando na exigência do Sermão da Montanha. Não muda a Lei, senão que lhe dá plenitude; por isso a sua observância é mais que um simples cumprimento de umas condições mínimas para tener em regra os papeis. Deus dá-nos a Lei do amor para chegar ao cume, mas nós procuramos sempre o modo de convertê-la na lei do mínimo esforço. Deus pede-nos muito…! Sim, mas também nos deu o máximo que pode dar, já que se deu a si mesmo.

Hoje, Jesus Cristo aponta alto ao manifestar a sua autoridade sobre o sexto e o nono mandamento, os preceitos que fazem referência à sexualidade e à pureza de pensamento. A sexualidade é uma linguagem humana para significar o amor e a aliança, pelo tanto, não pode ser banalizada, como tampouco podemos converter os outros em objetos de prazer. E nem tão só com o pensamento! Daqui esta afirmação tão severa de Jesus: « Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração» (Mt 5,28). É preciso, pois, cortar o mal de raiz e evitar pensamentos e ocasiões que nos levariam a obrar o que Deus aborrece; isto é o que querem indicar tais palavras, que podem parecer-nos radicais e exageradas, mas que os ouvintes de Jesus entendiam na sua expressividade: tira, corta, expulsa...

Finamente, a dignidade do matrimonio deve ser sempre protegida, pois faz parte do projeto de Deus para o homem e a mulher, para que no amor e na mutua doação se convertam numa só carne e ao mesmo tempo é signo e participação na Aliança de Cristo com a Igreja. O cristão não pode viver a relação homem-mulher nem a vida conjugal segundo o espírito mundano: «Não deveis crer que por haver escolhido o estado matrimonial vos é permitido continuar com uma vida mundana e abandonar-vos à ociosidade e à preguiça; ao contrario, por isso mesmo obriga-vos a trabalhar com maior esforço e a velar com mais cuidado pela vossa salvação» (São Basílio).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No evangelho de ontem, Jesus fez uma releitura do mandamento “Não Matarás” (Mt 5,20-26). No evangelho de hoje, ele faz uma releitura do mandamento “Não cometer adultério”. Jesus relê a lei a partir da intenção que Deus tinha ao proclama-la, séculos atrás, no Monte Sinai. Ele procura o Espírito da Lei e não se fecha dentro da letra. Ele retoma e defende os grandes valores da vida humana que estão por de trás de cada um dos Dez Mandamentos. Ele insiste no amor, na fidelidade, na misericórdia, na justiça, na veracidade, na humanidade (Mt 9,13; 12,7; 23,23; Mt 5,10; 5,20; Lc 11,42; 18,9). O resultado da observância plena da Lei de Deus é a humanização perfeita da vida. A observância da Lei humaniza a pessoa. Em Jesus aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus tomar conta da sua vida. O objetivo último é unir os dois amores, a construção da fraternidade em defesa da vida. Quanto maior a fraternidade, tanto maior será a plenitude da vida e maior a adoração das criaturas todas ao Deus Criador e Salvador.

* No evangelho de hoje, Jesus olha de perto o relacionamento mulher e homem no casamento, a base fundamental da convivência em família. Havia um mandamento que dizia: “Não cometer adultério”, e um outro que dizia: “Quem se divorciar da sua mulher lhe dê uma certidão de divórcio”. Jesus retoma os dois e lhes dá um novo sentido. 

* Mateus 5,27-28: Não cometer adultério
O que pede de nós este mandamento? A resposta antiga era esta: o homem não pode dormir com a mulher do outro. É o que exigia a letra do mandamento. Mas Jesus vai além da letra e diz: “Eu, porém, lhes digo: todo aquele que olha para uma mulher e deseja possuí-la, já cometeu adultério com ela no coração”. O objetivo do mandamento é a fidelidade mútua entre o homem e a mulher que assumiram viver juntos como casados. E esta fidelidade só será completa, se os dois souberam manter a fidelidade mútua até no pensamento e no desejo e se souberem chegar a uma total transparência entre si.

* Mateus 5,29-30: Arrancar o olho e cortar a mão
Para ilustrar o que acaba de dizer Jesus traz uma palavra forte que ele usou também em outra ocasião quando tratava do escândalo aos pequenos (Mt 18,9 e Mc 9,47). Ele diz: “Se o olho direito leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor perder um membro, do que o seu corpo todo ser jogado no inferno”. E ele afirma o mesmo a respeito da mão. Estas afirmações não podem ser tomadas ao pé da letra. Elas indicam a radicalidade e a seriedade com que Jesus insiste na observância deste mandamento.

* Mateus 5,31-32: A questão do divórcio
Ao homem era permitido dar uma certidão de divórcio para a mulher. Jesus dirá no Sermão da Comunidade que Moisés o permitiu por causa da dureza do coração do povo (Mt 19,8). “Eu, porém, lhes digo: todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada, comete adultério". Muita discussão já foi feita em torno deste assunto. Baseando-se nesta afirmação de Jesus, a igreja oriental permite o divórcio no caso de “fornicação”, isto é, de infidelidade. Outros dizem que, aqui, a palavra fornicação traduz um termo aramaico ou hebraico zenuth que indicava um casamento dentro de um grau parentesco proibido. Não seria um casamento válido.

* Qualquer que seja a interpretação correta desta palavra, o que importa é ver o objetivo e o sentido geral das afirmações de Jesus na nova leitura que ele faz dos Dez Mandamentos. Jesus aponta um ideal que deve estar sempre diante dos meus olhos. O ideal último é este: “ser perfeito como o pai de céu é perfeito” (Mt 5,48). Este ideal vale para todos os mandamentos revistos por Jesus. Na releitura do mandamento “Não cometer adultério“, este ideal se traduz na total e radical transparência e honestidade entre marido e mulher. Ninguém nunca vai poder dizer: “Sou perfeito como o Pai do céu é perfeito”. Estaremos sempre abaixo da medida. Nunca vamos poder merecer o prêmio pela nossa observância que sempre será abaixo da medida. O que importa é manter-se na caminhada, manter o ideal diante dos olhos, sempre! Mas ao mesmo tempo, como Jesus, devemos saber aceitar as pessoas com a mesma misericórdia com que ele aceitava as pessoas e as orientava para o ideal. Por isso, certas exigências jurídicas da igreja hoje, como por exemplo, não permitir a comunhão a pessoas que vivem em segundas núpcias, parecem mais com os fariseus do que com a atitude de Jesus. Ninguém aplica ao pé da letra a explicação do mandamento “Não Matar”, onde Jesus diz que todo aquele que chama seu irmão de idiota merece o inferno (Mt 5,22). Pois neste caso, todos já teríamos viagem garantida até lá e ninguém se salvaria. Por que a doutrina nossa usa medidas diferentes no caso do quinto e do nono mandamento?

Para um confronto pessoal
1) Você consegue viver a total honestidade e transparência com as pessoas do outro sexo?

2) Como entender a exigência “ser perfeito como o Pai celeste é perfeito”?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

JESUS INTERCEDE POR NÓS JUNTO AO PAI

Dos Sermões de Sto. Antonio, V Domingo depois da Páscoa.

    “Eu roguei ao Pai por vocês: o próprio Pai os ama, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí do Pai” (Jo 16,26).

    Cristo, sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, mediador entre Deus e os homens, roga por nós ao Pai. Lemos no livro do Levítico: “O sacerdote rogará por eles e o Senhor lhes será propício” (4,20); e novamente: “o sacerdote rogará por ele e pelo seu pecado e este lhe será perdoado” (4,26). 

    Estão muito bem de acordo com tudo isso as palavras do livro dos Números: “Moisés disse a Aarão: “pega o turíbulo, acende-o com o fogo do altar coloca incenso e dirige-te ao povo para orar por ele: porque a ira do Senhor se acendeu e o flagelo já começou. Aarão cumpriu a ordem: foi ao meio do povo já golpeado pelo flagelo, ofereceu o incenso; e permanecendo entre os mortos e os vivos, orou em favor do povo e o flagelo cessou” (Num 16,46-48). “Disse Moisés a Aarão”, isto é, disse o Pai ao Filho: “Pega o turíbulo” da humanidade que foi feito por obra de Beseleel (Nm 31,1) que quer dizer “sombra divina”, sombra do Espírito Santo no seio da Virgem gloriosa que justamente pelo Espírito Santo foi “sombreada” levando-lhe assim o refrigério e extinguindo nela de maneira total a fome do pecado. “Enche” com o fogo da divindade o turíbulo da humanidade em que morou corporalmente a plenitude da divindade.E justamente diz: “do altar”, porque “eu saí do Pai e vim ao mundo” (Jo 16,28) “E coloca incenso” da tua paixão, e assim, qual mediador rogarás em favor do povo que o incêndio do diabo está devastando atrozmente. 

    E Jesus, obediente à vontade de quem mandara, pegou o turíbulo, correu “à morte e morte de cruz”. E estando “na cruz com os braços abertos, entre os mortos e os vivos”, isto é, entre os dois ladrões, dos quais um foi salvo e o outro condenado – ou também “entre os mortos e os vivos”, isto é, entre aqueles que estavam presos no cárcere do inferno e aqueles que viviam na miséria deste exílio – livrou-os todos do incêndio da perseguição diabólica, oferecendo-se a si mesmo como sacrifício de suave odor. E justamente de si mesmo ele diz: “Eu rogarei ao Pai por vocês”. 

    E João, em sua carta canônica, escreve: “Nós temos um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo justo: ele é propiciação – isto é, expiação – pelos nossos pecados” (1Jo 2,1). Por isso é que todos os dias nós O oferecemos ao Pai no sacramento do altar afim de que sempre de novo se ofereça por nossos pecados. Com efeito, nós fazemos como a mulher que tem uma criança pequenina quando o marido nervoso quer agredi-la: segurando a criança nos braços, coloca-a diante do homem, falando: “Bate nela! Bate nela!” A criança, com lágrimas nos olhos, sofre junto com a mãe. 

   O pai, comovendo-se diante das lágrimas do filho a quem ama intensamente, perdoa a esposa, por causa do filho. Assim também nós: a Deus Pai nervoso com os nossos pecados oferecemos o seu filho Jesus Cristo no sacramento do altar como aliança da nossa reconciliação. E Deus Pai, se não for por nós, pelo menos em consideração a seu Filho amado, afaste de nós os merecidos flagelos e nos perdoe lembrando-se de suas lágrimas, sofrimentos e paixão. 

    O próprio Filho diz por boca do profeta Isaías: “Eu o criei e eu o conduzirei, eu o levarei e o salvarei”(46,4). Observem-se bem os quatro verbos: eu “criei” o homem e o “conduzirei” em meus ombros como uma ovelha perdida e cansada; eu o “levarei” como a mãe carrega a criança nos braços. E que é que pode fazer o Pai senão responder: “Eu o salvarei”? Por isso é que Cristo diz com muita propriedade: “Eu rogarei ao Pai por vocês; o próprio Pai os ama porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí do Pai”. Pai e Filho são uma coisa só. O próprio Filho o afirmou: “Eu e o Pai somos uma coisa só” (Jo 10,30). 

    Quem ama o Pai, ama também o Filho, e o Pai e o Filho o amam. No Evangelho de João, com efeito, o Filho diz: “Quem me ama será amado pelo meu Pai e eu também o amarei e me manifestarei a ele (14,21). Por tudo quanto diz respeito a este amor, estão de acordo também as palavras da carta de São Tiago: “Quem fixa o olhar sobre a lei da perfeita liberdade e lhe permanecer fiel, não como quem escuta e se esquece, mas como quem que a coloca em prática, este sim, será feliz em praticá-la” (1,25). 

    A lei da perfeita liberdade é o amor de Deus que torna o homem perfeito em tudo e livre de toda escravidão. Diz o Salmo (36,31), sobre o justo: “A lei do seu Deus está em seu coração”. Com efeito, no coração do justo está a lei do amor de Deus e por isso diz Deus: “Filho, dê-me seu coração!” (Pv 23,26). Como o falcão tira dos pássaros que apanha, antes o coração e o come, assim também Deus nada procura e nada ama no homem mais do que o coração no qual está a lei do amor e por isso “seus passos não vacilarão” (Sl 36,31). 

    Os passos dos justos são as suas obras ou mesmo os afetos do coração que nunca vacilarão, isto é, nunca cairão no laço da sugestão diabólica nem escorregarão na praça da vaidade mundana. Sobre o laço fala Jó: “Seu pé será preso pelo laço e a sede se lançará contra ele” (18,9). O pé do inimigo está preso no laço da má sugestão e assim lança-se contra ele a sede da cobiça. Sobre a escorregada fala Jeremias: “Nossos pés escorregaram no caminho rumo às nossas praças” (Lm 4,18). Praça vem da palavra grega platós, que significa largura. Nossos pés – ditos aqui em latim “vestigia”, porque por meio deles se investiga, isto é, descobre-se o percurso de quem passou – estão indicando as obras em base às quais alguém é reconhecido.

     Na imensidão suja do prazer mundano escorregam as obras dos pecadores, porque caem de pecado em pecado e por fim se arruinam no inferno. Diz o salmo: “Seus caminhos tornem-se escuros e escorregadios e o anjo do Senhor”, isto é, o anjo mau (ele também é criatura de Deus!) “os persiga” (34,6) até que os precipite no abismo do inferno. Ao invés, os passos do justo não vacilam, porque em seu coração está a lei do amor e quem lhe é fiel “encontrará a felicidade em observá-la”. O amor de Deus infunde a graça na vida presente e a felicidade da glória na vida futura. A ela nos conduza Aquele que é bendito nos séculos dos séculos. Amém.

    “Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas necessidades e conservar-se puros neste mundo” (Tg 1,26). A religião é chamada assim porque por meio dela nós “ligamos” a nossa alma ao único Deus para render-lhe o culto divino. Escutem as pessoas religiosas o que é que diz o Senhor no Apocalipse: “Eu não imporei sobre vocês outros pesos: segurem aqueles que vocês já têm”(2,24), isto é, o Evangelho! E a verdadeira religião consiste nessas duas coisas: na misericórdia e na inocência. Com efeito, ordenando visitar os órfãos e as viúvas, ela sugere tudo o que devemos fazer pelo próximo; e mandando preservar-nos sem mancha neste mundo, mostra-nos tudo aquilo em que nós devemos ser castos. Peçamos, portanto, irmãos caríssimos, a nosso Senhor Jesus Cristo que nos infunda a sua graça com que possamos inclinar-nos e chegar à plenitude da verdadeira felicidade, rogue por nós junto ao Pai, nos conceda a verdadeira religião a fim de que possamos alcançar o reino da vida eterna. No-lo conceda Aquele que é digno de louvor, princípio e fim, admirável e inefável nos séculos eternos. E toda religião pura e sem mancha diga: Amém, aleluia!

Quinta-feira da 10ª semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações


Evangelho (Mt 5,20-26): «Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.  Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar deverá responder no tribunal’. Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão ‘imbecil’ deverá responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser condenado ao fogo do inferno.  Portanto, quando estiveres levando a tua oferenda ao altar e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só então, vai apresentar a tua oferenda. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo».

Comentário: P. Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)

Se vossa justiça não for maior (...) não entrareis no Reino dos Céus

Hoje, Jesus nos convida a ir além do que pode viver qualquer simples cumpridor da lei. Ainda, sem cair na concreção das más ações, muitas vezes o costume endurece o desejo da procura da santidade, moldando-nos de forma acomodatícia à rotina do comportar-se bem e, nada mais. São João Bosco costumava repetir: «O bom, é inimigo do ótimo». Ai é onde nos alcança a Palavra do Mestre, que nos convida a fazer coisas “maiores” (cf. Mt 5,20), que partem de uma atitude diferente. Coisas maiores, que paradoxalmente, passam pelas menores, pelas pequenices. Encolerizar-se, menosprezar e renegar do irmão não são adequadas para o discípulo do Reino, que foi chamado a ser — nada mais e nada menos— que sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-16), desde a vigência das bem aventuranças (cf. Mt 5,3-12).

Jesus, com autoridade, muda a interpretação do preceito negativo ‘Não matar’ (cf. Ex 20,13) pela interpretação positiva da profunda e radical exigência da reconciliação, colocada —para maior ênfase— em relação com o culto. Assim, não há oferenda que sirva quando «te lembrares que teu irmão tem algo contra ti» (Mt 5,23). Por isso, importa arrumar qualquer pleito, porque caso contrário a invalidez da oferenda se voltará contra ti (cf. Mt 5,3-26).


Tudo isto, só o pode mobilizar um grande amor. São Paulo nos dirá: «De fato os mandamentos: ‘Não cometerás adultério’, ‘Não matarás’, ‘Não roubarás’, ‘Não cobiçarás’, e qualquer outro mandamento, se resumem neste: ‘Amarás o próximo como a ti mesmo’. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei» (Rom 13,9-10). Peçamos ser renovados no dom do amor —até no mínimo detalhe— para com o próximo e, nossa vida será a melhor e mais autêntica oferenda a Deus.


Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O texto do evangelho de hoje está dentro da unidade maior de Mt 5,20 até Mt 5,48. Nela Mateus mostra como Jesus interpretava e explicava a Lei de Deus. Por cinco vezes ele repetiu a frase: "Antigamente foi dito, eu, porém, lhes digo!" (Mt 5,21.27.33.38.43). Na opinião de alguns fariseus, Jesus estava acabando com a lei. Mas era exatamente o contrário. Ele dizia: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os Profetas. Não vim acabar, mas sim dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17). Frente à Lei de Moisés, Jesus tem uma atitude de ruptura e de continuidade. Ele rompe com as interpretações erradas que se fechavam na prisão da letra, mas reafirma categoricamente o objetivo último da lei: alcançar a justiça maior que é o Amor.

*Nas comunidades para as quais Mateus escreve o seu Evangelho havia opiniões diferentes frente à Lei de Moisés. Para alguns, ela não tinha mais sentido. Para outros, ela devia ser observada até nos mínimos detalhes. Por isso, havia muitos conflitos e brigas. Uns chamavam os outros de imbecil e de idiota. Mateus tenta ajudar os dois grupos a entender melhor o verdadeiro sentido da Lei e traz alguns conselhos de Jesus para ajudar a enfrentar e superar os conflitos que surgem dentro da família e dentro da comunidade.

* Mateus 5,20: A justiça de vocês deve ser maior que a justiça dos fariseus.
Este primeiro versículo dá a chave geral de tudo que segue no conjunto de Mt 5,20-48. O evangelista vai mostrar às comunidades como elas devem praticar a justiça maior que supera a justiça dos escribas e dos fariseus e que levará à observância plena da lei. Em seguida, depois desta chave geral sobre a justiça maior, Mateus traz cinco exemplos bem concretos de como praticar a Lei de tal maneira que a sua observância leve à prática perfeita do amor. No primeiro exemplo do evangelho de hoje, Jesus revela o que Deus queria quando entregou a Moisés o quinto mandamento “Não Matarás!”.

* Mateus 5,21-22: Não Matar
“Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: Não mate! Quem matar será condenado pelo tribunal" (Ex 20,13) Para observar plenamente este quinto mandamento não basta evitar o assassinato. É preciso arrancar de dentro de si tudo aquilo que, de uma ou de outra maneira, possa levar ao assassinato, como por exemplo, raiva, ódio, xingamento, desejo de vingança, exploração, etc. “Todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu perante o tribunal”. Ou seja, quem fica com raiva do irmão já merece o mesmo castigo de condenação pelo tribunal que, na antiga lei, era reservado para o assassino! E Jesus vai mais longe ainda. Ele quer arrancar a raiz do assassinato: Quem diz ao seu irmão: 'imbecil', se torna réu perante o Sinédrio; e quem chama o irmão de 'idiota', merece o fogo do inferno. Com outras palavras, eu só observei plenamente o mandamento Não Matar se consegui tirar de dentro do meu coração qualquer sentimento de raiva que leva a insultar o irmão. Ou seja, se cheguei à perfeição do amor.

* Mateus 5,23-24: O culto perfeito que Deus quer
“Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar de que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta”. Para poder ser aceito por Deus e estar unido a ele, é preciso estar reconciliado com o irmão, com a irmã. Antes da destruição do Templo do ano 70, quando os cristãos ainda participavam das romarias a Jerusalém para fazer suas ofertas no altar do Templo, eles sempre se lembravam desta frase de Jesus. Agora, nos anos 80, no momento em que Mateus escreve, o Templo e o Altar já não existiam. A própria comunidade passou ser o Templo e o Altar de Deus (1Cor 3,16).

* Mateus 5,25-26: Reconciliar
Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação, pois nas comunidades daquela época, havia muitas tensões entre grupos radicais com tendências diferentes, sem diálogo. Ninguém queria ceder diante do outro. Mateus ilumina esta situação com palavras de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhimento e compreensão. Pois o único pecado que Deus não consegue perdoar é a nossa falta de perdão aos outros (Mt 6,14). Por isso, procure a reconciliação, antes que seja tarde demais!

* O ideal da justiça maior
Por cinco vezes, Jesus cita um mandamento ou um costume da lei antiga: Não matar (Mt 5,21), Não cometer adultério (Mt 5,27),  Não jurar falso (Mt 5,33), Olho por olho, dente por dente (Mt 5,38), Amar o próximo e odiar o inimigo (Mt 5,43). E por cinco vezes, ele critica a maneira antiga de observar estes mandamentos e aponta um caminho novo para atingir a justiça, o objetivo da lei (Mt 5,22-26; 5, 28-32; 5,34-37; 5,39-42; 5,44-48). A palavra Justiça  aparece sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). O ideal religioso dos judeus da época era "ser justo diante de Deus". Os fariseus ensinavam: "A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos os seus detalhes!" Este ensinamento gerava uma opressão legalista e trazia muitas angústias para as pessoas de boa vontade, pois era muito difícil alguém observar todas as normas (Rom 7,21-24). Por isso, Mateus recolhe palavras de Jesus sobre a justiça mostrando que ela deve ultrapassar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). Para Jesus, a justiça não vem daquilo que eu faço para Deus observando a lei, mas sim vem do que Deus faz por mim, me acolhendo com amor como filho ou filha. O novo ideal que Jesus propõe é este: "Ser perfeito com o Pai do céu é perfeito!" (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas da mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa gratuitamente, apesar dos meus muitos defeitos e pecados.

Para um confronto pessoal
1) Quais os conflitos mais freqüentes na nossa família? E na nossa comunidade? É fácil a reconciliação na família e na comunidade? Sim ou não? Por que?

2) De que maneira os conselhos de Jesus podem ajudar a melhorar o relacionamento dentro da nossa família e da comunidade?

terça-feira, 11 de junho de 2013

12 de junho

Beato Hilário Januszewski
Presbítero de nossa Ordem e mártir


Pawel Januszewski nasceu em Krajenki (Polónia) no dia 11 de unho de 1907, tendo entrado com 20 anos no Carmelo de Cracóvia, onde recebeu o nome de Hilarião. Após os estudos teológicos no Colégio de Santo Alberto, em Roma, onde foi ordenado sacerdote em 1934, regressou à sua pátria, sendo nomeado prior do Convento de Cracóvia em 1939. No dia 4 de dezembro do ano seguinte foi preso pelos nazistas por causa da sua fé cristã e deportado para o campo de concentração de Dachau, onde se distinguiu pela sua fé e caridade, acabando por ficar contaminado com o tifo enquanto prestava assistência aos enfermos, acabando por morrer no dia 25 de março de 1945. Foi beatificado com mais outros 107 mártires polacos por João Paulo II no dia 13 de junho de 1999 em Varsóvia.

Do comum de um mártir

Oração
Deus Pai todo-poderoso, que destes ao bem-aventurado Hilário, a graça de combater até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar a adversidade por vosso amor e a caminhar corajosamente para Vós, fonte da verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

B. Afonso Maria Mazurek
Presbítero da nossa Ordem e mártir


Nasceu em Baranówka, perto de Lubartów (Polônia) no dia 1 de março de 1891. Recebeu o hábito carmelita em Wadowice. Fez a profissão solene em 1912 e foi ordenado presbítero no dia 16 de julho de 1916. Durante vários anos dedicou-se à formação da juventude. Passou os últimos catorze anos da sua vida no convento de Czerna, no qual foi prior, consagrando-se de alma e corpo ao serviço da comunidade. Reavivou a atividade apostólica na igreja conventual. Foi para todos exemplo de vida religiosa e de ministério sacerdotal. No dia 28 de agosto de 1944 foi detido pelos militares alemães e depois fuzilado, vindo a falecer com o rosário apertado entre as mãos. Foi beatificado por João Paulo II no dia 13 de junho de 1999, em Varsóvia, juntamente com outros 107 mártires polacos.

Do comum de um mártir

Oração
Deus Pai todo-poderoso, que destes ao bem-aventurado Afonso Maria, a graça de combater até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar a adversidade por vosso amor e a caminhar corajosamente para Vós, fonte da verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.