São
Cláudio La Colombière, presbítero
Beato
Miguel Sopocko, presbítero
1ª
Leitura (Si 15,16-21): Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel
depende da tua vontade. Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão
para o que desejares. Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele
escolher, isso lhe será dado. Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é
forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O
temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal,
nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.
Salmo
Responsorial: 118
R. Ditoso o que anda na lei do
Senhor.
Felizes os que seguem o caminho
perfeito e andam na lei do Senhor. Felizes os que observam as suas ordens e O
procuram de todo o coração.
Promulgastes os vossos preceitos
para se cumprirem fielmente. Oxalá meus caminhos sejam firmes na observância
dos vossos decretos.
Fazei bem ao vosso servo: viverei
e cumprirei a vossa palavra. Abri, Senhor, os meus olhos para ver as maravilhas
da vossa lei.
Ensinai-me, Senhor, o caminho dos
vossos decretos, para ser fiel até ao fim. Dai-me entendimento para guardar a
vossa lei e para a cumprir de todo o coração.
2ª
Leitura (1Cor 2,6-10): Irmãos: Nós falamos de sabedoria entre os
perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo, nem dos príncipes deste
mundo, que vão ser destruídos. Falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e
oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória.
Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque se a tivessem conhecido,
não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, «nem os
olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do
homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». Mas a nós Deus o revelou
por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas,
até o que há de mais profundo em Deus.
Aleluia. Bendito sejais, ó
Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do
reino. Aleluia.
Evangelho
(Mt 5,17-37): Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: «Não penseis
que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Em
verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só
letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem
desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os
outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e
ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Eu vos digo: Se vossa
justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino
dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar deverá
responder no tribunal’. Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com
raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão ‘imbecil’ deverá
responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser
condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando estiveres levando a tua oferenda
ao altar e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua
oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só então,
vai apresentar a tua oferenda. Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará
ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na
prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último
centavo. Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo:
todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu
adultério com ela em seu coração. Se teu olho direito te leva à queda,
arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus
membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno. Se a tua mão direita te
leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um
de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno. “Foi dito também: ‘Quem
despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Ora, eu vos digo: todo
aquele que despedir sua mulher —fora o caso de união ilícita— faz com que ela
se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete
adultério». Ouvistes também que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas
‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Ora, eu vos digo: não jureis
de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é
o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.
Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só
fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem
do Maligno.
«Não penseis que vim abolir a
Lei e os Profetas»
Pe. Givanildo dos SANTOS Ferreira
(Brasília, Brasil)
Hoje, Jesus nos diz: «Vim para
cumprir a Lei» (Mt 5, 17). O que é a Lei? O que são os Profetas? Por Lei e
Profetas, entendem-se dois conjuntos distintos de livros do Antigo Testamento.
A Lei refere-se aos escritos atribuídos a Moisés; os Profetas, como o próprio
nome o indica, são os escritos dos profetas e os livros sapienciais.
No Evangelho de hoje, Jesus
refere-se àquilo que consideramos o resumo do código moral do Antigo
Testamento: os mandamentos da lei de Deus. Segundo o pensamento de Jesus, a Lei
não consiste em princípios meramente externos. Não. A Lei não é uma imposição
vinda de fora. Muito pelo contrário. Na verdade, a Lei de Deus corresponde ao
ideal de perfeição que está radicado no coração de cada homem. Esta é a razão
pela qual o cumpridor dos mandamentos não somente torna-se realizado em suas
aspirações humanas, mas também atinge a perfeição do cristianismo, ou, nas
palavras de Jesus, atinge a perfeição do reino de Deus: «Quem os praticar e
ensinar, será considerado grande no reino dos céus» (Mt 5, 19).
«Eu, porém, digo-vos» (Mt 5,22).
O cumprimento da Lei não se resume à letra, visto que “a letra mata, mas o
espírito vivifica” (2Cor 3,6). É neste sentido que Jesus empenha sua autoridade
para interpretar a Lei segundo seu espírito mais autêntico. Na interpretação de
Jesus, a Lei é ampliada até as suas últimas consequências: o respeito pela vida
está ligado à erradicação do ódio, da vingança e da ofensa; a castidade do
corpo passa pela pureza das intenções; a perfeição do matrimônio passa pela
fidelidade e pela indissolubilidade; a verdade da palavra dada passa pelo
respeito aos pactos. Ao cumprir a Lei, Jesus, «revela o homem ao próprio homem
e manifesta-lhe sua vocação mais profunda» (Concílio Vaticano II).
O exemplo de Jesus convida-nos
àquela perfeição da vida cristã que realiza com ações o que se prega com
palavras.
Pensamentos para o Evangelho
de hoje
«Deus não aceita o sacrifício de
quem causa desunião: Deus quer ser pacificado com orações de paz. A mais bela
obrigação para com Deus é a nossa paz, a nossa harmonia» (São Cipriano)
«Rezar por aquele com quem
estamos irritados é um belo passo no amor, e é um ato evangelizador»
(Francisco)
«‘Não devais a ninguém coisa
alguma, a não ser o amor de uns para com os outros’ (Rm 13, 8). A comunhão da
Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (…)»
(Catecismo da Igreja Católica, nº 2.845)
A Lei e os Profetas
Ir. Adelaide Gonçalves
* No Evangelho de hoje, Jesus
refere-se à lei do Antigo Testamento: os mandamentos de Deus. Segundo o
pensamento de Jesus, a Lei não consiste em princípios meramente externos.
Também não é uma imposição vinda de fora. Na verdade, a Lei de Deus corresponde
ao ideal de perfeição que está radicado no coração de cada homem. Esta é a
razão pela qual aquele que cumpre a lei de Deus se torna realizado nas suas
aspirações humanas e espirituais, assim como na perfeição do cristianismo, como
refere Jesus: «Aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no reino dos
céus» (Mt 5, 19).
* Este Evangelho é outra
página do Sermão da Montanha, que encontramos no Evangelho de Mateus (cf. 5,
17-37). Neste trecho, Jesus quer ajudar os seus ouvintes a fazer uma
releitura da lei mosaica. O que foi dito na antiga aliança era verdadeiro, mas
não era tudo: Jesus veio para dar cumprimento e para promulgar de forma
definitiva a lei de Deus, até ao último jota (cf. v. 18). Ele manifesta as suas
finalidades originárias e cumpre os seus aspetos autênticos, e faz tudo isto
mediante a sua pregação e mais ainda com o dom de si mesmo na cruz. Assim Jesus
ensina como fazer plenamente a vontade de Deus e usa esta palavra: com uma
“justiça superior” em relação à dos escribas e dos fariseus (cf. v. 20). Uma
justiça animada pelo amor, pela caridade, pela misericórdia, e, portanto, capaz
de realizar a substância dos mandamentos, evitando o risco do formalismo. O
formalismo: isto posso, isto não posso; até aqui posso, até aqui não posso…
Não: mais, mais. (Papa Francisco, Angelus, 12.02.2017)
* Parafraseando o Papa Francisco
meditemos com ele sobre os três aspetos espelhados no Evangelho de hoje: o
homicídio, o adultério e o juramento.
* Relativamente ao mandamento
“não matar”, Ele afirma que foi violado não só pelo homicídio efetivo, mas
também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana,
inclusive as palavras injuriosas (cf. v. 22). Certamente, estas palavras
injuriosas não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas no
nosso dia a dia, vemos, escutamos e testemunhamos comportamentos abusivos,
agressivos e de violência que não podemos mais calar, sejam de que tipo forem
são reveladores do mal. Jesus convida-nos a não estabelecer uma classificação
das ofensas, mas a considerá-las todas prejudiciais, pois são movidas pelo
intento de fazer mal ao próximo. E Jesus dá o exemplo. Insultar: estamos
acostumados a insultar, é como dizer “bom dia”. E isto está na mesma linha do
homicídio. Quem insulta o irmão, mata no próprio coração o irmão. Por favor,
não insulteis! Não ganhamos nada. Rivalizemos pelo amor.
* Outro cumprimento é relativo
à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de
propriedade do homem sobre a mulher. Ao contrário, Jesus vai à raiz do mal.
Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias, ofensas e insultos,
também se chega ao adultério mediante as intenções de posse em relação a uma
mulher que não é a própria esposa. O adultério, como o furto, a corrupção e
todos os outros pecados, são concebidos primeiro no nosso íntimo e, depois de o
coração ter feito a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto. E
Jesus diz: quem olha para uma mulher que não é a própria com sentimentos de
posse é um adúltero no seu coração, começou o caminho rumo ao adultério.
Pensemos um pouco sobre isto: sobre os maus pensamentos que vêm nesta linha.
* Depois, Jesus diz aos seus
discípulos para não jurar, pois o juramento é sinal da insegurança e da
duplicidade mediante a qual se desenrolam as relações humanas.
Instrumentaliza-se a autoridade de Deus para dar garantia às nossas
vicissitudes humanas. Pelo contrário, fomos chamados para instaurar entre nós,
nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e de confiança
recíproca, para que possamos ser considerados sinceros sem recorrer a
intervenções superiores a fim de sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita
recíproca sempre ameaçam a serenidade!
* Que a Virgem Maria, mulher
da dócil escuta e da obediência jubilosa, nos ajude a aproximar-nos cada vez
mais do Evangelho, para sermos cristãos não “de fachada”, mas de substância!
E isto é possível com a graça do Espírito Santo, que nos permite fazer tudo com
amor, e assim realizar plenamente a vontade de Deus. (Papa Francisco, Angelus,
12.02.2017)
MEDITAÇÃO
1. Como é a minha relação
com os outros: de respeito, apreço, valorização e amor ou de maledicência,
desprezo, murmuração e inimizade?
2. Como é o meu olhar e
pensamento em relação à mulher ou ao homem: é puro ou malicioso? Que tipo de
anedotas ou piadas aprecio: as com pimenta as que nos dão um riso honesto e
positivo?
3. Sou verdadeiro e nas
minhas relações, posições e afirmações inspiro confiança? Tenho, por princípio,
confiança nos outros e só a ponho em causa depois de os ouvir e conhecer?
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