sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

V Domingo do Tempo Comum

Santa Josefina Bakhita, virgem
 
1ª Leitura (Is 58,7-10):
Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».
 
Salmo Responsorial: 111
R. Para o homem reto nascerá uma luz no meio das trevas.
 
Brilha aos homens retos, como luz nas trevas, o homem misericordioso, compassivo e justo. Ditoso o homem que se compadece e empresta e dispõe das suas coisas com justiça.
 
Este jamais será abalado; o justo deixará memória eterna. Ele não receia más notícias: seu coração está firme, confiado no Senhor.
 
O seu coração é inabalável, nada teme; reparte com largueza pelos pobres, a sua generosidade permanece para sempre e pode levantar a cabeça com altivez.
 
2ª Leitura (1Cor 2,1-5): Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus. Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras. A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.
 
Aleluia. Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor: quem Me segue terá a luz da vida. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 5,13-16): «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas. Vós sois a luz do mundo. Uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida. Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus».
 
«Vós sois a luz do mundo»
 
Rev. D. Josep FONT i Gallart (Getafe, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos faz uma grande chamada a sermos testemunhos de Cristo. E nos convida a sê-lo de duas maneiras, aparentemente, contraditórias: como o sal e como a luz.
 
O sal não se vê, mas se nota; se sente no, paladar. Há muitas pessoas que “não se deixam ver”, porque são como “formiguinhas” que não param de trabalhar e de fazer o bem. Ao seu lado se pode sentir a paz, a serenidade, a alegria. Têm —como está de moda dizer hoje— “boas energias”.
 
A luz não se pode esconder. Há pessoas que “as vemos de longe”: Santa Teresa de Calcutá, o Papa, o Sacerdote de algum lugar. Ocupam postos importantes por sua liderança natural ou por seu ministério concreto. Estação “acima do candeeiro”. Como diz o Evangelho de hoje, «Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha. Nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa» (cf. Mt 5,14.15).
 
Todos estão chamados a ser sal e luz. Jesus mesmo foi “sal” durante trinta anos de vida oculta em Nazaré. Dizem que São Luiz Gonzaga, enquanto brincava, ao perguntar-lhe que faria se soubesse que em poucos minutos morreria, respondeu: «Continuaria brincando». Continuaria fazendo a vida normal de cada dia, fazendo a vida agradável aos companheiros de jogo.
 
Às vezes estamos chamados a ser luz. E somos de una maneira clara quando professamos nossa fé em momentos difíceis. Os mártires são grandes iluminados. E hoje, de acordo com o ambiente, somente o fato de ir à missa já é motivo de burlas. Ir à missa já é ser “luz”. E a luz sempre se vê; mesmo que seja muito pequena. Uma luzinha pode mudar uma noite.
 
Peçamos uns pelos outros ao Senhor para que saibamos ser sempre sal. E saibamos ser luz quando seja necessário ser. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós (cf. Mt 5,16).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Mais uma vez, refere-se ao mundo, ao mundo inteiro; luz para ser compreendida num sentido espiritual. Com estas palavras, o Senhor insiste na perfeição da vida que os seus discípulos devem levar» (São João Crisóstomo)
 
«Vós que recebestes nos vossos corações a mensagem salvadora de Cristo, sois portanto o sal da terra, pois deveis ajudar a evitar que a vida do homem se deteriore ou seja corrompida pela busca de falsos valores» (S. João Paulo II)
 
«A fidelidade dos batizados é condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens a sua força de verdade e irradiação, a mensagem de salvação deve ser autenticada pelo testemunho de vida dos cristãos (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.044)
 
Como tornar-se sal e luz para o mundo 
 
Pe. Fidel Ortega
 
*
Após a proclamação das bem-aventuranças, Jesus dirige-se aos seus discípulos para definir a sua missão com as imagens do sal e da luz: os discípulos devem difundir no mundo a sabedoria que impregna a vida de sabor e significado, não deixar que a humanidade se deteriore e apodreça, levada pelo mal, e testemunhar a infalibilidade do amor de Deus, respondendo a este amor com a prática das boas obras.
 
* Em cada domingo, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, o cristão recebe a força de Jesus Cristo para se tornar capaz de praticar as obras do amor em relação ao seu próximo.
 
* Nas parábolas, através de imagens conhecidas pelo seu auditório, o Senhor aproxima-se verdadeiramente de todos e chega ao coração onde está o afeto e o querer e de onde surge a vontade: a decisão e a escolhas cotidianas da existência. Assim, hoje o discípulo é convidado a assumir a sua identidade cristã, deixando-se guiar pelo Espírito, de maneira a manter no mundo de hoje a sabedoria divina e o amor que dão sentido e sustentam toda a vida.
 
* Face este Evangelho, cabe-nos descobrir a força real destas imagens e a maneira de poder levar até às nossas ações este desejo do Senhor de sermos suas testemunhas no meio dos homens na nossa vida cotidiana.
 
* No fundo, é uma questão de fé. Parece que antigamente havia mais fé do que hoje, mas será? O que havia era uma maior afluência de gente na igreja, mas isso é fé? Se calhar, segundo os nossos critérios é! A partir desta Palavra do Senhor, descobrimos que o critério de fé de Jesus é outro: mesmo que muitos dos fregueses habituais da Igreja continuem a reduzir a sua relação com Deus ao cumprimento escrupuloso de práticas religiosas, o que verdadeiramente interessa ao Senhor é a retidão e a justiça da nossa vida, ou seja, a presença do amor nas nossas ações a favor de outrem. Mas uma coisa não impede a outra:  é preciso ir à missa dominical e praticar o amor em relação aos outros.
 
“Vos sois o sal da terra. Mas se ele perder a sua força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens” O Senhor convida o cristão a conservar a sabedoria divina na vida, pelas ações, não excluindo a Deus, mas combatendo a apatia e indiferença atual da sociedade – que já perdeu o sabor, é insossa e vive só a dimensão material e consumista da vida, que deixa um grande vazio de sentido existencial: o sabor da vida não é tanto o ter, mas experimentar a alegria de ser amado por Deus e partilhar este amor pela vida fora. E mais: conservar os valores cristãos, não deixar caducar na vida a presença de Deus, “porque agora a sociedade mudou”, como dizem muitos. Mas a fé não mudou, a Palavra de Deus não mudou. É preciso deixar-se guiar pelos valores evangélicos para superar a perversão, o ódio, a violência, o abuso, as guerras, resgatar o valor sagrado da vida, etc.
 
“Vos sois a luz do mundo” Os discípulos são continuadores da missão confiada por Deus a Israel de serem depositários da sabedoria divina revelada a Moisés. Jesus não se refere só a esta luz sapiencial mas às obras de amor, concretas, verificáveis. É com estas obras que o Senhor quer que os discípulos iluminem o mundo.
 
“Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte” O aparecer não é simplesmente para serem notados, para se mostrarem, o que seria uma contradição, já que as boas obras têm por fim último glorificar a Deus, fonte de todo bem. O que o Senhor quer é que a vida dos discípulos seja orientada pelo Seu Espírito.
 
“Nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa” Desde o alto, a lâmpada ilumina tudo, até os cantos mais escondidos: o discípulo é chamado a não ocultar, a não esconder as partes mais exigentes da mensagem do Senhor. O cristão manifesta na própria vida a sua fé, sem medo de não ser ouvido ou até de ser perseguido ou ridicularizado…
 
MEDITAÇÃO
1. Sou capaz de fazer presente a minha fé na sociedade? Qual é a minha postura de fé perante o valor inviolável da vida, posto em causa pela violência, o aborto, a eutanásia…?
2. Sou consciente da minha vocação cristã de iluminar o mundo? São “luminosas” as minhas ações? Como posso aumentar a luz da minha vida?
3. Que sinal passo para o mundo com a minha vida? Que atitudes e obras da minha vida dão testemunho de que sou cristão?
4. Falo do Senhor e dou testemunho da minha fé em toda parte? Ou guardo-a só para a minha intimidade? Tenho medo de ser visto como antiquado?
 

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