São
Manuel González Garcia, bispo
1ª
Leitura (Is 60,1-6): Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou
a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e
a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te
ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão
chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires
ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os
tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma
multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá,
trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.
Salmo
Responsorial: 71
R. Virão adorar-Vos, Senhor,
todos os povos da terra.
Ó Deus, concedei ao rei o poder
de julgar e a vossa justiça ao filho do rei. Ele governará o vosso povo com
justiça e os vossos pobres com equidade.
Florescerá a justiça nos seus
dias e uma grande paz até ao fim dos tempos. Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.
Os reis de Társis e das ilhas
virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir.
Socorrerá o pobre que pede
auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos
pobres e defenderá a vida dos oprimidos.
2ª
Leitura (Ef 3,2-3a.5-6): Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça
que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o
mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos
filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos
apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus,
pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por
meio do Evangelho.
Aleluia. Vimos a sua estrela
no Oriente e viemos adorar o Senhor. Aleluia.
Evangelho
(Mt 2,1-12): Depois que Jesus nasceu na cidade de Belém da Judéia, na
época do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,
perguntando: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua
estrela no Oriente e viemos adorá-lo». Ao saber disso, o rei Herodes ficou
alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Ele reuniu todos os sumos
sacerdotes e os escribas do povo, para perguntar-lhes onde o Cristo deveria
nascer. Responderam: «Em Belém da Judéia, pois assim escreveu o profeta: «E tu,
Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de
Judá, porque de ti sairá um príncipe que será o pastor do meu povo, Israel». Então
Herodes chamou, em segredo, os magos e procurou saber deles a data exata em que
a estrela tinha aparecido. Depois, enviou-os a Belém, dizendo: «Ide e procurai
obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-lo». Depois que ouviram o rei, partiram. E a
estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até parar sobre o lugar
onde estava o menino. Ao observarem a estrela, os magos sentiram uma alegria
muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe.
Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe
ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não
voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, passando por outro caminho.
«O rei Herodes ficou alarmado,
assim como toda a cidade de Jerusalém (...) Viram o menino com Maria, sua mãe »
Fr. Bill SHAUGHNESSY (Miami,
Florida, Estados Unidos)
Hoje, vemos em três misteriosos
gentios aquilo que a Jerusalém inquieta não viu: a manifestação do amor
misericordioso de Deus por toda a humanidade. A cultura persa, a astronomia e
os dons atraem a maior parte da nossa atenção neste dia, mas Bento XVI assinala
também um enigma: a menção de José está «estranhamente ausente» da descrição
que Mateus faz da chegada efetiva dos Magos (cf. Mt 2,11). Ele reconhece:
«Ainda não encontrei uma explicação plenamente convincente».
E, no entanto, por que razão a
surpresa? José precisava de sustentar a sua família em Belém nos meses que
antecederam a chegada dos Magos. Longe da oficina de Nazaré, deslocava-se para
onde havia trabalho: vedações e currais danificados, ou novas obras de
construção. Não era estranho que José estivesse noutro lugar quando os Magos
chegaram — é até possível que nunca os tenha encontrado. O trabalho de José é
tão crucial para o relato da infância como a sua presença em casa com Maria e
Jesus.
O Papa Leão XIV sublinhou este
ponto, referindo-se ao ferreiro, aos estalajadeiros, às lavadeiras, etc., na
cena do presépio do Vaticano: «Parecem desligados do acontecimento central, mas
não é assim: na realidade, cada um participa nele tal como é, permanecendo no
seu lugar e fazendo aquilo que tem de fazer, o seu trabalho (…). Isto também
pode ser verdade para nós nos nossos dias de trabalho: cada um de nós cumpre a
sua tarefa e louvamos a Deus precisamente ao fazê-la bem, com empenho».
Proponhamo-nos oferecer este ano
ao Menino Jesus o dom do nosso trabalho. Sejamos gratos pelo sacrifício
daqueles cujo trabalho os obriga a deixar as suas famílias e a servir-nos nos
dias de festa. E, se José faltar numa cena do presépio, saibamos onde o
encontrar: entre os trabalhadores de hoje que se reúnem nos lugares habituais
com a missão incerta de obter o pão quotidiano das suas famílias. Eles aguardam
o nosso apreço e a nossa compaixão — não o medo de Jerusalém, nem o ódio de
Herodes.
«Quando entraram na casa,
viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram»
Rev. D. Joaquim VILLANUEVA i Poll
(Barcelona, Espanha)
Hoje, o profeta Isaías anima-nos:
«De pé! Deixa-te iluminar! Chegou a tua luz! A glória do SENHOR te ilumina» (Is
60,1). Essa luz que viu o profeta é a estrela que veem os Magos em Oriente,
junto com outros homens. Os Magos descobrem seu significado. Os demais a
contemplam como algo que admiram mas, que não lhes afeta. E, assim, não reagem.
Os Magos dão-se conta de que, com ela, Deus envia-lhes uma mensagem importante e
que vale a pena deixar a comodidade do seguro e se arriscar a uma viagem
incerta: a esperança de encontrar o Rei leva-os a seguir essa estrela, que
haviam anunciado os profetas e esperado o povo de Israel durante séculos.
Chegam a Jerusalém, a capital dos
judeus. Acham que aí saberão lhe dizer o lugar exato onde nasceu seu Rei.
Efetivamente, lhe responderam: «Em Belém da Judéia, porque assim está escrito
por meio do profeta» (Mt 2,5). A notícia da chegada dos Magos e sua pergunta
propaga-se por toda Jerusalém em pouco tempo: Jerusalém era na época uma
pequena cidade e, a presença dos Magos com seu séquito foi vista por todos os
habitantes, pois «Ao saber disso, o rei Herodes sobressaltou-se e, com ele toda
a cidade de Jerusalém» (Mt 2,3), diz o Evangelho.
Jesus Cristo cruza-se na vida de
muitas pessoas, a quem não interessa. Um pequeno esforço teria mudado suas
vidas, teriam encontrado o Rei do Gozo e da Paz. Isso requer a boa vontade de
procurar, de nos movimentar, de perguntar sem nos desanimar, como os Magos, de
sair de nossa poltronaria, de nossa rotina, de apreciar o imenso valor de
encontrar a Cristo. Se não o encontramos, não encontramos nada na vida, pois só
Ele é o Salvador: encontrar Jesus é encontrar o Caminho que nos leva a conhecer
a Verdade que nos dá a Vida. E, sem Ele, nada de nada vale a pena.
Pensamentos para o Evangelho
de hoje
«Que todos os povos venham a se
incorporar à família dos patriarcas (...). Que todas as nações, na pessoa dos
três Magos, adorem ao Autor do universo» (São Leão Magno)
«O mistério do Natal se irradia
sobre a terra, se espalhando em círculos concêntricos: a Sagrada Família de
Nazaré, os pastores de Belém e, finalmente, os Magos, que constituem as
primícias dos povos pagãos» (Bento XVI)
«A epifania é a manifestação de
Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Juntamente com
o batismo de Jesus no Jordão e com as bodas de Caná, ela celebra a adoração de
Jesus pelos “magos” vindos do Oriente (Mt 2,1). Nesses “magos”, representantes
das religiões pagãs de povos vizinhos, o Evangelho vê as primícias das nações
que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação (...)» (Catecismo da Igreja
Católica, n° 528)
“Viemos adorá-lo”
Pe. Tiago Silva
* Celebramos de forma intensa
e condensada os mistérios do início da vida de Jesus. Poucos dias depois do
seu nascimento, que introduziu no mundo a luz nova da presença de Deus no meio
de nós, contemplamos o quadro sempre tocante e desconcertante da adoração dos
magos vindos do Oriente. Eles viram o que muitos, até bem mais próximos de
Jesus, não conseguiram ver. A estrela misteriosa guia os passos destes
estrangeiros para a gruta de Belém. Assim somos nós próprios chamados pela fé,
guiados pela luz interior que a fé nos traz, a adorar o mesmo mistério, agora
especialmente presente na Eucaristia.
* Os Magos encontram Jesus
em “Bêt-lehem”, que significa “casa do pão”. Na
humilde gruta de Belém jaz, colocado em cima de um pouco de palha, “o
grão de mostarda” que, morrendo, dará “muito fruto” (cf. Jo 12,
24). Para falar de si e da sua missão salvífica, Jesus, ao longo da sua vida
pública, recorrerá à imagem do pão. Dirá: “Eu sou o pão da vida”, “Eu sou o
pão que desceu do céu”, “o pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do
mundo” (Jo 6, 35.41.51).
* Percorrendo com fé o
itinerário do Redentor da pobreza desde o Presépio até ao
abandono na Cruz, compreendemos melhor o mistério do seu Amor que
redime a humanidade. O Menino, colocado por Maria na Manjedoura, é o
Homem-Deus que veremos pregado na Cruz. O mesmo Redentor está presente no
sacramento da Eucaristia. Na manjedoura de Belém deixou-se
adorar, sob as pobres aparências de um recém-nascido, por Maria, por José e
pelos pastores; na Hóstia consagrada adoramo-lo
sacramentalmente presente em corpo, sangue, alma e divindade, e oferece-se a
nós como alimento de vida eterna. A santa Missa torna-se então
o verdadeiro encontro de amor com Aquele que se entregou completamente por nós.
Somos convidados para este encontro de amor.
* “Prostrando-se,
adoraram-no”. Se, no Menino que Maria estreita entre os seus braços, os
Magos reconhecem e adoram o esperado pelas nações anunciado pelos profetas, nós
hoje podemos adorá-lo na Eucaristia e reconhecê-lo como o nosso
Criador, único Senhor e Salvador.
* “Abrindo os cofres,
ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra”. Os dons que os Magos
oferecem ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Mediante o ouro eles
realçam a realeza divina; com o incenso confessam-no como sacerdote da nova
Aliança; oferecendo-lhe a mirra celebram o profeta que derramará o próprio
sangue para reconciliar a humanidade com o Pai.
* Ofereçamos também nós ao
Senhor o ouro da nossa existência, ou seja, a liberdade de o
seguir por amor, respondendo fielmente à sua chamada; façamos subir para
Ele o incenso da nossa oração fervorosa, o louvor da sua
glória; ofereçamos-lhe a mirra, isto é, o afeto repleto de gratidão por
Ele, verdadeiro Homem, que nos amou até morrer como um malfeitor no
Gólgota.
* A adoração do verdadeiro
Deus constitui um ato autêntico de resistência contra qualquer forma de
idolatria. Adorar Cristo! Ele é a Rocha sobre a qual
construir o nosso futuro e um mundo mais justo e solidário. Jesus é o
Príncipe da paz, a fonte de perdão e de reconciliação, que pode
irmanar todos os membros da família humana. (cf. Papa João Paulo II, Mensagem
para a XX Jornada Mundial da Juventude)
Meditação Adorante
Adorar quer dizer render-se
totalmente nas mãos de Deus, depondo toda a vida e expondo-se sem reservas
diante dele para O honrar, louvar e amar.
Deus está diante de nós e nós
estamos diante d’Ele. Mais, a adoração torna-se união.
Adorar é, afinal, «dar a Deus o
que é de Deus», isto é, tudo em nós, todo o nosso amor.
Para te encontrares na intimidade
com Deus que se oferece a ti e para poderes estar com ele frente a frente, como
«um amigo está com o seu amigo», não é preciso dizer muitas palavras, mas de
estar e acolher a companhia de Jesus.
Como os magos vamos adorar Jesus
e oferecer-Lhe o que temos de melhor.
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos;
Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e nos Vos
amam.
I. Eu Te adoro, Senhor
Os magos foram interpelados por
uma estrela. Também hoje Deus nos chama e guia através de sinais. Quando nos
deixamos guiar por Ele, o nosso coração experimenta uma profunda alegria.
Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir o nosso
futuro!
Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir um mundo mais justo e
solidário!
Jesus, eu Te adoro!
II. A minha oferta para Ti
Ouro, incenso e mirra. Os magos
deram a Jesus o melhor que tinham.
Também nós, hoje, Te damos o
melhor que temos: a nossa amizade e o nosso desejo de estar contigo.
Quero oferecer-Te o ouro da minha existência.
Quero oferecer-Te o perfume da minha liberdade.
Quero oferecer-Te o incenso da minha amizade.
Quero seguir-Te por amor!
III. Senhor, quero seguir-Te
Depois daquele encontro os magos
regressaram. Mas não iam iguais. Tinham encontrado Aquele a quem tanto
procuraram. Levavam consigo a profunda alegria de ter encontrado Jesus. E iriam
certamente partilhar com muitos outros esse dom precioso.
Jesus, é tão bom estar contigo!
Quero seguir-Te, Deus, feito homem.
Quero seguir-Te, Deus simples, que te revelas aos simples de coração.
Quero seguir-Te nos Teus caminhos.
Quero seguir-Te, Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
Quero partilhar com os outros o dom espiritual do encontro contigo.
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