sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Epifania do Senhor

São Manuel González Garcia, bispo
 
1ª Leitura (Is 60,1-6):
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.
 
Salmo Responsorial: 71
R. Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.
 
Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar e a vossa justiça ao filho do rei. Ele governará o vosso povo com justiça e os vossos pobres com equidade.
 
Florescerá a justiça nos seus dias e uma grande paz até ao fim dos tempos. Ele dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra.
 
Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir.
 
Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos.
 
2ª Leitura (Ef 3,2-3a.5-6): Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.
 
Aleluia. Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorar o Senhor. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 2,1-12): Depois que Jesus nasceu na cidade de Belém da Judéia, na época do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo». Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Ele reuniu todos os sumos sacerdotes e os escribas do povo, para perguntar-lhes onde o Cristo deveria nascer. Responderam: «Em Belém da Judéia, pois assim escreveu o profeta: «E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um príncipe que será o pastor do meu povo, Israel». Então Herodes chamou, em segredo, os magos e procurou saber deles a data exata em que a estrela tinha aparecido. Depois, enviou-os a Belém, dizendo: «Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo». Depois que ouviram o rei, partiram. E a estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao observarem a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, passando por outro caminho.
 
«O rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém (...) Viram o menino com Maria, sua mãe »
 
Fr. Bill SHAUGHNESSY (Miami, Florida, Estados Unidos)
 
Hoje, vemos em três misteriosos gentios aquilo que a Jerusalém inquieta não viu: a manifestação do amor misericordioso de Deus por toda a humanidade. A cultura persa, a astronomia e os dons atraem a maior parte da nossa atenção neste dia, mas Bento XVI assinala também um enigma: a menção de José está «estranhamente ausente» da descrição que Mateus faz da chegada efetiva dos Magos (cf. Mt 2,11). Ele reconhece: «Ainda não encontrei uma explicação plenamente convincente».
 
E, no entanto, por que razão a surpresa? José precisava de sustentar a sua família em Belém nos meses que antecederam a chegada dos Magos. Longe da oficina de Nazaré, deslocava-se para onde havia trabalho: vedações e currais danificados, ou novas obras de construção. Não era estranho que José estivesse noutro lugar quando os Magos chegaram — é até possível que nunca os tenha encontrado. O trabalho de José é tão crucial para o relato da infância como a sua presença em casa com Maria e Jesus.
 
O Papa Leão XIV sublinhou este ponto, referindo-se ao ferreiro, aos estalajadeiros, às lavadeiras, etc., na cena do presépio do Vaticano: «Parecem desligados do acontecimento central, mas não é assim: na realidade, cada um participa nele tal como é, permanecendo no seu lugar e fazendo aquilo que tem de fazer, o seu trabalho (…). Isto também pode ser verdade para nós nos nossos dias de trabalho: cada um de nós cumpre a sua tarefa e louvamos a Deus precisamente ao fazê-la bem, com empenho».
 
Proponhamo-nos oferecer este ano ao Menino Jesus o dom do nosso trabalho. Sejamos gratos pelo sacrifício daqueles cujo trabalho os obriga a deixar as suas famílias e a servir-nos nos dias de festa. E, se José faltar numa cena do presépio, saibamos onde o encontrar: entre os trabalhadores de hoje que se reúnem nos lugares habituais com a missão incerta de obter o pão quotidiano das suas famílias. Eles aguardam o nosso apreço e a nossa compaixão — não o medo de Jerusalém, nem o ódio de Herodes.
 
«Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram»
 
Rev. D. Joaquim VILLANUEVA i Poll (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o profeta Isaías anima-nos: «De pé! Deixa-te iluminar! Chegou a tua luz! A glória do SENHOR te ilumina» (Is 60,1). Essa luz que viu o profeta é a estrela que veem os Magos em Oriente, junto com outros homens. Os Magos descobrem seu significado. Os demais a contemplam como algo que admiram mas, que não lhes afeta. E, assim, não reagem. Os Magos dão-se conta de que, com ela, Deus envia-lhes uma mensagem importante e que vale a pena deixar a comodidade do seguro e se arriscar a uma viagem incerta: a esperança de encontrar o Rei leva-os a seguir essa estrela, que haviam anunciado os profetas e esperado o povo de Israel durante séculos.
 
Chegam a Jerusalém, a capital dos judeus. Acham que aí saberão lhe dizer o lugar exato onde nasceu seu Rei. Efetivamente, lhe responderam: «Em Belém da Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta» (Mt 2,5). A notícia da chegada dos Magos e sua pergunta propaga-se por toda Jerusalém em pouco tempo: Jerusalém era na época uma pequena cidade e, a presença dos Magos com seu séquito foi vista por todos os habitantes, pois «Ao saber disso, o rei Herodes sobressaltou-se e, com ele toda a cidade de Jerusalém» (Mt 2,3), diz o Evangelho.
 
Jesus Cristo cruza-se na vida de muitas pessoas, a quem não interessa. Um pequeno esforço teria mudado suas vidas, teriam encontrado o Rei do Gozo e da Paz. Isso requer a boa vontade de procurar, de nos movimentar, de perguntar sem nos desanimar, como os Magos, de sair de nossa poltronaria, de nossa rotina, de apreciar o imenso valor de encontrar a Cristo. Se não o encontramos, não encontramos nada na vida, pois só Ele é o Salvador: encontrar Jesus é encontrar o Caminho que nos leva a conhecer a Verdade que nos dá a Vida. E, sem Ele, nada de nada vale a pena.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Que todos os povos venham a se incorporar à família dos patriarcas (...). Que todas as nações, na pessoa dos três Magos, adorem ao Autor do universo» (São Leão Magno)
 
«O mistério do Natal se irradia sobre a terra, se espalhando em círculos concêntricos: a Sagrada Família de Nazaré, os pastores de Belém e, finalmente, os Magos, que constituem as primícias dos povos pagãos» (Bento XVI)
 
«A epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Juntamente com o batismo de Jesus no Jordão e com as bodas de Caná, ela celebra a adoração de Jesus pelos “magos” vindos do Oriente (Mt 2,1). Nesses “magos”, representantes das religiões pagãs de povos vizinhos, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação (...)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 528)
 
“Viemos adorá-lo”
 
Pe. Tiago Silva
 
* Celebramos de forma intensa e condensada os mistérios do início da vida de Jesus.
Poucos dias depois do seu nascimento, que introduziu no mundo a luz nova da presença de Deus no meio de nós, contemplamos o quadro sempre tocante e desconcertante da adoração dos magos vindos do Oriente. Eles viram o que muitos, até bem mais próximos de Jesus, não conseguiram ver. A estrela misteriosa guia os passos destes estrangeiros para a gruta de Belém. Assim somos nós próprios chamados pela fé, guiados pela luz interior que a fé nos traz, a adorar o mesmo mistério, agora especialmente presente na Eucaristia.
 
* Os Magos encontram Jesus em “Bêt-lehem”, que significa “casa do pão”. Na humilde gruta de Belém jaz, colocado em cima de um pouco de palha, “o grão de mostarda” que, morrendo, dará “muito fruto” (cf. Jo 12, 24). Para falar de si e da sua missão salvífica, Jesus, ao longo da sua vida pública, recorrerá à imagem do pão. Dirá: “Eu sou o pão da vida”, “Eu sou o pão que desceu do céu”, “o pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do mundo” (Jo 6, 35.41.51).
 
* Percorrendo com fé o itinerário do Redentor da pobreza desde o Presépio até ao abandono na Cruz, compreendemos melhor o mistério do seu Amor que redime a humanidade. O Menino, colocado por Maria na Manjedoura, é o Homem-Deus que veremos pregado na Cruz. O mesmo Redentor está presente no sacramento da Eucaristia. Na manjedoura de Belém deixou-se adorar, sob as pobres aparências de um recém-nascido, por Maria, por José e pelos pastores; na Hóstia consagrada adoramo-lo sacramentalmente presente em corpo, sangue, alma e divindade, e oferece-se a nós como alimento de vida eterna. A santa Missa torna-se então o verdadeiro encontro de amor com Aquele que se entregou completamente por nós. Somos convidados para este encontro de amor.
 
* “Prostrando-se, adoraram-no”. Se, no Menino que Maria estreita entre os seus braços, os Magos reconhecem e adoram o esperado pelas nações anunciado pelos profetas, nós hoje podemos adorá-lo na Eucaristia e reconhecê-lo como o nosso Criador, único Senhor e Salvador.
 
* “Abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra”. Os dons que os Magos oferecem ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Mediante o ouro eles realçam a realeza divina; com o incenso confessam-no como sacerdote da nova Aliança; oferecendo-lhe a mirra celebram o profeta que derramará o próprio sangue para reconciliar a humanidade com o Pai. 
 
* Ofereçamos também nós ao Senhor o ouro da nossa existência, ou seja, a liberdade de o seguir por amor, respondendo fielmente à sua chamada; façamos subir para Ele o incenso da nossa oração fervorosa, o louvor da sua glória; ofereçamos-lhe a mirra, isto é, o afeto repleto de gratidão por Ele, verdadeiro Homem, que nos amou até morrer como um malfeitor no Gólgota.
 
* A adoração do verdadeiro Deus constitui um ato autêntico de resistência contra qualquer forma de idolatria. Adorar Cristo! Ele é a Rocha sobre a qual construir o nosso futuro e um mundo mais justo e solidário. Jesus é o Príncipe da paz, a fonte de perdão e de reconciliação, que pode irmanar todos os membros da família humana. (cf. Papa João Paulo II, Mensagem para a XX Jornada Mundial da Juventude)
 
Meditação Adorante
Adorar quer dizer render-se totalmente nas mãos de Deus, depondo toda a vida e expondo-se sem reservas diante dele para O honrar, louvar e amar.
 
Deus está diante de nós e nós estamos diante d’Ele. Mais, a adoração torna-se união.
 
Adorar é, afinal, «dar a Deus o que é de Deus», isto é, tudo em nós, todo o nosso amor.
 
Para te encontrares na intimidade com Deus que se oferece a ti e para poderes estar com ele frente a frente, como «um amigo está com o seu amigo», não é preciso dizer muitas palavras, mas de estar e acolher a companhia de Jesus.
 
Como os magos vamos adorar Jesus e oferecer-Lhe o que temos de melhor.
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos;
Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e nos Vos amam.
 
I. Eu Te adoro, Senhor
Os magos foram interpelados por uma estrela. Também hoje Deus nos chama e guia através de sinais. Quando nos deixamos guiar por Ele, o nosso coração experimenta uma profunda alegria.
Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir o nosso futuro!
Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir um mundo mais justo e solidário!
Jesus, eu Te adoro!
 
II. A minha oferta para Ti
Ouro, incenso e mirra. Os magos deram a Jesus o melhor que tinham.
Também nós, hoje, Te damos o melhor que temos: a nossa amizade e o nosso desejo de estar contigo.
Quero oferecer-Te o ouro da minha existência.
Quero oferecer-Te o perfume da minha liberdade.
Quero oferecer-Te o incenso da minha amizade.
Quero seguir-Te por amor!
 
III. Senhor, quero seguir-Te
Depois daquele encontro os magos regressaram. Mas não iam iguais. Tinham encontrado Aquele a quem tanto procuraram. Levavam consigo a profunda alegria de ter encontrado Jesus. E iriam certamente partilhar com muitos outros esse dom precioso.
Jesus, é tão bom estar contigo!
Quero seguir-Te, Deus, feito homem.
Quero seguir-Te, Deus simples, que te revelas aos simples de coração.
Quero seguir-Te nos Teus caminhos.
Quero seguir-Te, Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
Quero partilhar com os outros o dom espiritual do encontro contigo.
 

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