segunda-feira, 6 de abril de 2026

Quarta-feira da oitava da Páscoa

1ª Leitura (At 3,1-10):
Naqueles dias, Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. Pedro disse- lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar; depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.
 
Salmo Responsorial: 104
R. Exulte o coração dos que procuram o Senhor
 
Aclamai o nome do Senhor, anunciai entre os povos as suas obras. Cantai-Lhe salmos e hinos, proclamai todas as suas maravilhas.
 
Gloriai-vos no seu santo nome, exulte o coração dos que procuram o Senhor. Considerai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.
 
Descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacob, seu eleito, O Senhor é o nosso Deus e as suas sentenças são lei em toda a terra.
 
Ele recorda sempre a sua aliança, a palavra que empenhou para mil gerações, o pacto que estabeleceu com Abraão, o juramento que fez a Isaac.
 
Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 24,13-35): Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos iam para um povoado, chamado Emaús, a uns dez quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os seus olhos, porém, estavam como vendados, incapazes de reconhecê-lo. Então Jesus perguntou: «O que andais conversando pelo caminho?». Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: «És tu o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes dias?». Ele perguntou: «Que foi?». Eles responderam: «O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo. Os sumos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel; mas, com tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos assustaram. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que ele está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém viu». Então ele lhes disse: «Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!. Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória?». E, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, as passagens que se referiam a ele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, ele fez de conta que ia adiante. Eles, porém, insistiram: «Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!». Ele entrou para ficar com eles. Depois que se sentou à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu a eles. Neste momento, seus olhos se abriram, e eles o reconheceram. Ele, porém, desapareceu da vista deles. Então um disse ao outro: «Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os outros discípulos. E estes confirmaram: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!». Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
 
«Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
 
P. Luis PERALTA Hidalgo SDB (Lisboa, Portugal)
 
Hoje o Evangelho assegura-nos que Jesus está vivo e continua a ser o centro à volta do qual se constrói a comunidade dos discípulos. É precisamente nesse contexto eclesial —no encontro comunitário, no diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço— que os discípulos podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado.
 
Os discípulos carregados de tristes pensamentos, não imaginavam que aquele desconhecido fosse precisamente o seu Mestre, já ressuscitado. Mas sentiam «arder» o seu íntimo (cf. Lc 24,32), quando Ele lhes falava, «explicando» as Escrituras. A luz da Palavra ia dissipando a dureza do seu coração e «abria-lhes os olhos» (Lc 24, 31).
 
O ícone dos discípulos de Emaús presta-se bem para nortear um longo caminho das nossas dúvidas, inquietações e às vezes amargas desilusões, o divino Viajante continua a fazer-se nosso companheiro para nos introduzir, com a interpretação das Escrituras, na compreensão dos mistérios de Deus. Quando o encontro se torna pleno, à luz da Palavra segue-se a luz que brota do «Pão da vida», pelo qual Cristo cumpre de modo supremo a sua promessa de «estar conosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28,20).
 
O Papa Emérito Bento XVI explica que «o anúncio da Ressurreição do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos».
 
«Neste momento, seus olhos se abriram, e eles o reconheceram»
 
Rev. D. Xavier PAGÉS i Castañer (Barcelona, Espanha)
 
Hoje «é o dia que o senhor fez: regozijemo-nos e alegremo-nos nele» (Sal 117,24). Assim nos convida a rezar a liturgia desses dias da oitava de Páscoa. Alegremo-nos de ser conhecedores de que Jesus ressuscitado, hoje e sempre, está conosco. Ele permanece ao nosso lado em todo momento. Mas é necessário que nós deixemos que ele nos abra os olhos da fé para reconhecer que está presente em nossas vidas. Ele quer que gozemos de sua companhia, cumprindo o que nos disse: «Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo» (Mt 28,20).
 
Caminhemos com a esperança que nos dá o fato de saber que o Senhor nos ajuda a encontrar sentido a todos os acontecimentos. Sobretudo, naqueles momentos em que, como os discípulos de Emaús passemos por dificuldades, contrariedades, desânimos... Ante os diversos acontecimentos, nos convém saber escutar sua Palavra, que nos levará a interpretá-los à luz do projeto salvador de Deus. Mesmo que às vezes, equivocadamente, possa nos parecer que não nos escuta, Ele nunca se esquece de nós; Ele sempre nos fala. Só a nós pode faltar a boa disposição para escutar, meditar e contemplar o que Ele quer nos dizer.
 
Nos variados âmbitos onde nos movemos, freqüentemente podemos encontrar pessoas que vivem como se Deus não existisse, carentes de sentido. Convém dar-nos conta da responsabilidade que temos de chegar a ser instrumentos aptos para que o Senhor possa, através de nós, aproximar-se “abrir caminho” com os que nos rodeiam. Busquemos como fazê-los conhecedores da condição de filhos de Deus e de que Jesus nos tem amado tanto, que não só morreu e ressuscitou para nós, mas que quis ficar para sempre na Eucaristia. Foi no momento de partir o pão quando aqueles discípulos de Emaús reconheceram que era Jesus quem estava ao seu lado.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Pode parecer estranho que alguém que conhece as nossas necessidades nos exorte a rezar. Nosso Deus e Senhor quer que, através da oração, aumente nossa capacidade de desejar, para que sejamos mais capazes de receber os dons que Ele nos prepara» (Santo Agostinho)
 
«Cremos em Deus que é Pai, que é Filho, que é Espírito Santo. Cremos em Pessoas, e quando falamos com Deus falamos com Pessoas: ou falo com o Pai, ou falo com o Filho, ou falo com o Espírito Santo» (Francisco)
 
«‘o Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme’?» (Tg 4, 5). O nosso Deus é «ciumento» de nós e isso é sinal da verdade do seu amor. Entremos no desejo do seu Espírito e seremos atendidos» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.737)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* O evangelho de hoje traz o episódio tão conhecido da aparição de Jesus aos discípulos de Emaús. Lucas escreve nos anos 80 para as comunidades da Grécia que na sua maioria eram de pagãos convertidos.
Os anos 60 e 70 tinham sido muito difíceis. Houve a grande perseguição de Nero em 64. Seis anos depois em 70, Jerusalém foi totalmente destruída pelos romanos. Em 72, em Massada no deserto de Judá, foi o massacre dos últimos judeus revoltosos. Nesses anos todos, os apóstolos, testemunhas da ressurreição, foram desaparecendo. O cansaço ia tomando conta da caminhada. Onde encontrar força e coragem para não desanimar? Como descobrir a presença de Jesus nesta situação tão difícil? A narração da aparição de Jesus aos discípulos de Emaús procura ser uma resposta para estas perguntas angustiantes. Lucas quer ensinar as comunidades como interpretar a Escritura para poder redescobrir a presença de Jesus na vida.
 
* Lc 24,13-24: 1º Passo: partir da realidade.  Jesus encontra os dois amigos numa situação de medo e de descrença. As forças de morte, a cruz, tinham matado neles a esperança. Era a situação de muita gente no tempo de Lucas e continua sendo a situação de muitos hoje em dia. Jesus se aproxima e caminha com eles, escuta a conversa e pergunta: "De que estão falando?" A ideologia dominante, isto é, a propaganda do governo e da religião oficial da época, impedia-os de enxergar. "Nós esperávamos que ele fosse o libertador, mas...".  Qual é hoje a conversa do povo que sofre?
 
O primeiro passo é este: aproximar-se das pessoas, escutar sua realidade, sentir seus problemas; ser capaz de fazer perguntas que ajudem as pessoas a olhar a realidade com um olhar mais crítico.
 
* Lc 24,25-27: 2º Passo: usar a Bíblia para iluminar a vida.  Jesus usa a Bíblia e a história do povo de Deus para iluminar o problema que fazia sofrer os dois amigos, e para esclarecer a situação que eles estavam vivendo. Usa-a também para situá-los dentro do conjunto do projeto de Deus que vinha desde Moisés e os profetas. Ele mostra assim que a história não tinha escapado da mão de Deus. Jesus usa a Bíblia não como um doutor que já sabe tudo, mas como o companheiro que vem ajudar os amigos a lembrar o que estes tinham esquecido. Jesus não provoca complexo de ignorância nos discípulos, mas procura despertar neles a memória: “Como vocês demoram para entender o que os profetas anunciaram!”.
 
O segundo passo é este: com a ajuda da Bíblia, ajudar as pessoas a descobrir a sabedoria que já existe dentro delas mesmas, e transformar a cruz, sinal de morte, em sinal de vida e de esperança. Aquilo que as impedia de caminhar, torna-se agora força e luz na caminhada. Como fazer isto hoje?
 
3. Lc 24,28-32: 3º Passo: partilhar na comunidade.  A Bíblia, ela por si, não abre os olhos. Apenas faz arder o coração. O que abre os olhos e faz enxergar, é a fração do pão, o gesto comunitário da partilha, rezar juntos, a celebração da Ceia. No momento em que os dois reconhecem Jesus, eles renascem e Jesus desaparece. Jesus não se apropria da caminhada dos amigos. Não é paternalista. Ressuscitados, os discípulos são capazes de caminhar com seus próprios pés.
 
O terceiro passo é este: saber criar um ambiente de fé e de fraternidade, de celebração e de partilha, onde possa atuar o Espírito Santo. É ele que nos faz descobrir e experimentar a Palavra de Deus na vida e nos leva a entender o sentido das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,13).
 
4. Lc 24,33-35: O resultado: Ressuscitar e voltar para Jerusalém.  Os dois criam coragem e voltam para Jerusalém, onde continuavam ativas as mesmas forças de morte que tinham matado Jesus e que tinham matado neles a esperança. Mas agora tudo mudou. Se Jesus está vivo, então nele e com ele está um poder mais forte do que o poder que o matou. Esta experiência os faz ressuscitar! Realmente tudo mudou! Coragem, em vez de medo! Retorno, em vez de fuga! Fé, em vez de descrença! Esperança, em vez de desespero! Consciência crítica, em vez de fatalismo frente ao poder! Liberdade, em vez de opressão! Numa palavra: vida, em vez de morte! Em vez da má notícia da morte de Jesus, a Boa Notícia da sua Ressurreição! Os dois experimentam a vida, e vida em abundância! (Jo 10,10). Sinal do Espírito de Jesus atuando neles!
 
Para um confronto pessoal
1. Os dois disseram: “Nós esperávamos, mas….!” Você já viveu uma situação de desânimo que o levou a dizer: “Eu esperava, mas...!”?
2. Como você lê, usa e interpreta a Bíblia? Já sentiu arder o coração ao ler e meditar a Palavra de Deus? Lê a Bíblia sozinho ou faz parte de algum grupo bíblico?
 

Terça-feira da oitava da Páscoa

São João Baptista de la Salle, presbítero
 
1ª Leitura (At 2,36-41):
No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.
 
Salmo Responsorial: 32
R. A bondade do Senhor encheu a terra.
 
A palavra do Senhor é certa, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do Senhor.
 
Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.
 
A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protetor. Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.
 
Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 20,11-18): Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: «Mulher, por que choras». Ela respondeu: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram». Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Mulher, por que choras? Quem procuras?». Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo». Então, Jesus falou: «Maria!». Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabboni!»( que quer dizer: Mestre ). Jesus disse: «Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus». Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Eu vi o Senhor», e contou o que ele lhe tinha dito.
 
«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’»
 
Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, na figura de Maria Madalena, podemos contemplar dois níveis de aceitação de nosso Salvador: imperfeito, o primeiro; completo, o segundo. Desde o primeiro, Maria se nos apresenta como uma sincera discípula de Jesus. Ela o segue, mestre incomparável; está heroicamente ligada, crucificado por amor; o busca, mais além da morte, sepultado e desaparecido. Quão impregnadas de admirável entrega ao seu “Senhor” são as duas exclamações que nos conservou, como pérolas incomparáveis, o evangelista João: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!» (Jo 20,13); «Senhor, se foste tu que o levaste, diz-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo»(Jo 20,15). Poucos discípulos contemplaram a história, tão carinhosos e leais como a Madalena.
 
No entanto, a boa notícia de hoje, desta terça-feira, oitava de Páscoa, supera infinitamente toda bondade ética e toda fé religiosa em um Jesus admirável, mas, em último término, morto; e nos traslada ao âmbito da fé no Ressuscitado. Aquele Jesus que, em um primeiro momento, deixando-a no nível da fé imperfeita, se dirige à Madalena perguntando-lhe: «Mulher, por que você está chorando» (Jo 20,15) e à qual ela, com olhos míopes, responde como corresponde a um hortelão que se interessa pelo seu sentimento; aquele Jesus, agora, em um segundo momento, definitivo, a interpelou com seu nome: «Maria!» e a comove até o ponto estremecê-la de ressurreição e de vida, isto é, Dele mesmo, o Ressuscitado, o Vivente por sempre. Resultado? Madalena crente e Madalena apóstolo: «Então Maria Madalena foi e anunciou aos seus discípulos: eu vi o senhor» e contou o que Jesus tinha dito (Jo 20,18).
 
Hoje não deixa de ser frequente o caso dos cristãos que não veem claro o mais além desta vida, assim, que duvidam da ressurreição de Jesus. Estarei entre eles? De modo semelhante são numerosos os cristãos que têm suficiente fé como para seguir-lhe privadamente, mas que temem proclamar apostolicamente. Faço parte desse grupo? Se assim for, como Maria Madalena, digamos-lhe: —Mestre!, abracemo-nos aos seus pés e vamos encontrar os nossos irmãos para dizer-lhes: —O Senhor ressuscitou e eu o vi.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não é grande coisa acreditar que Cristo morreu; pois isso também é acreditado pelos pagãos e judeus e todos os ímpios: todos eles acreditam que ele morreu. A fé dos cristãos é a ressurreição de Cristo» (Santo Agostinho)
 
«Na ressurreição de Jesus atingiu-se uma nova possibilidade de ser-se humano, uma possibilidade que interessa a todos e que abre um futuro, um novo tipo de futuro para a humanidade» (Bento XVI)
 
«(…) O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e ‘as suas narrativas pareceram-lhes um desvario’ (Lc 24,11). (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, ‘censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado’ (Mc 16,14)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 643)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje descreve a aparição de Jesus a Maria Madalena.
A morte do seu grande amigo levou Maria a uma perda do sentido da vida. Mas ela não desistiu da busca. Foi ao sepulcro para reencontrar aquele que a morte lhe tinha roubado. Há momentos na vida em que tudo desmorona. Parece que tudo acabou. Morte, desastre, doença, decepção, traição! Tantas coisas que podem tirar o chão debaixo dos pés e jogar-nos numa crise profunda. Mas também acontece o seguinte. Como que de repente, o reencontro com uma pessoa amiga pode refazer a vida e nos fazer redescobrir que o amor é mais forte do que a morte e a derrota.
 
* O Capítulo 20 de João, além da aparição de Jesus a Madalena, traz vários outros episódios que revelam a riqueza da experiência da ressurreição: (1) do discípulo amado e de Pedro (Jo 20,1-10); (2) de Maria Madalena (Jo 20,11-18); (3) da comunidade dos discípulos (Jo 20,19-23) e (4) do apóstolo Tomé (Jo 20,24-29). O objetivo da redação do Evangelho é levar as pessoas a crer em Jesus e, acreditando nele, ter a vida (Jo 20,30-3).
 
* Na maneira de descrever a aparição de Jesus a Maria Madalena transparece as etapas da travessia que ela teve de fazer, desde a busca dolorosa até o reencontro da Páscoa. Estas são também as etapas pelas quais passamos todos nós, ao longo da vida, na busca em direção a Deus e na vivência do Evangelho.
 
* João 20,11-13: Maria Madalena chora, mas busca.  Havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de ficar com Jesus até a hora da sua morte na cruz. Depois do repouso obrigatório do sábado, ela voltou ao sepulcro para estar no lugar onde tinha encontrado o Amado pela última vez. Mas, para a sua surpresa, o sepulcro estava vazio! Os anjos perguntam: "Por que você chora?" Resposta: "Levaram meu senhor e não sei onde o colocaram!" Maria Madalena buscava o Jesus, o mesmo Jesus, que ela tinha conhecido e com quem tinha convivido durante três anos.
 
* João 20,14-15: Maria Madalena conversa com Jesus sem reconhecê-lo. Os discípulos de Emaús viram Jesus mas não o reconheceram (Lc 24,15-16). O mesmo acontece com Maria Madalena. Ela vê Jesus, mas não o reconhece. Pensa que é o jardineiro. Como os anjos, Jesus pergunta: "Por que você chora?" E acrescenta: "A quem está procurando?" Resposta: "Se foi você que o levou, diga-me, que eu vou buscá-lo!" Ela ainda busca o Jesus do passado, o mesmo de três dias atrás. É a imagem de Jesus do passado que a impede de reconhecer o Jesus vivo, presente na frente dela.
 
* João 20,16: Maria Madalena reconhece Jesus. Jesus pronuncia o nome: "Maria!" Foi o sinal de reconhecimento: a mesma voz, o mesmo jeito de pronunciar o nome. Ela responde: "Mestre!" Jesus tinha voltado, o mesmo que tinha morrido na cruz. A primeira impressão é que a morte foi apenas um incidente doloroso de percurso, mas que agora tudo tinha voltado a ser como antes. Maria abraça Jesus com força. Era o mesmo Jesus que ela tinha conhecido e amado. Realiza-se o que dizia a parábola do Bom Pastor: "Ele as chama pelo nome e elas conhecem a sua voz". - "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem" (Jo 10,3.4.14).
 
* João 20,17-18: Maria Madalena recebe a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos.  De fato, é o mesmo Jesus, mas a maneira de ele estar junto dela já não é mais a mesma. Jesus lhe diz: "Não me segure, porque anda não subi para o Pai!" Ele vai para junto do Pai. Maria Madalena deve soltar Jesus e assumir sua missão: anunciar aos irmãos que ele, Jesus, subiu para o Pai. Jesus abriu o caminho para nós e fez com que Deus ficasse, de novo, perto de nós.
 
Para um confronto pessoal
1. Você já passou por uma experiência que lhe deu um sentimento de perda e de morte? Como foi? O que foi que lhe trouxe vida nova e lhe devolveu a esperança e a alegria de viver?
2. Qual a mudança que se operou em Maria Madalena ao longo do diálogo? Maria Madalena buscava Jesus de um jeito e o reencontrou de outro jeito. Como isto acontece hoje na nossa vida?

domingo, 5 de abril de 2026

Segunda-feira da oitava da Páscoa

São Pedro de Verona, presbítero e mártir
Beato Miguel Rua, presbítero
 
1ª Leitura (At 2,14.22-33):
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».
 
Salmo Responsorial: 15
R. Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.
 
Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.
 
Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta, e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.
 
Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita.
 
Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 28,8-15): E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos. Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: «Alegrai-vos!». Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração. Jesus lhes disse: «Não tenhais medo; ide anunciar a meus irmãos que vão para a Galileia. Lá me verão». Quando foram embora, alguns da guarda entraram na cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes o que tinha acontecido. Reunidos com os anciãos, deliberaram dar bastante dinheiro aos soldados; e instruíram-nos: «Contai o seguinte: ‘Durante a noite vieram os discípulos dele e o roubaram, enquanto estávamos dormindo’. E se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o tranquilizaremos, para que não vos castigue». Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes fora instruído. E essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia.
 
«E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos»
 
Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, a alegria da ressurreição faz das mulheres que foram ao túmulo, mensageiras valentes de Cristo. «Uma grande alegria» sentem em seus corações pelo anuncio do anjo sobre a ressurreição do Mestre. E foram «correndo» do túmulo a anunciar aos Apóstolos. Não podem ficar inativas e seus corações explodiriam se não o comunicavam a todos os discípulos. Ressoam em nossas almas as palavras de Paulo: «O amor de Cristo nos impele» (2Cor 5,14).
 
Jesus faz se o «encontradiço»: o faz com Maria Madalena e a outra Maria —assim agradece e paga Cristo sua ousadia de buscá-lo muito cedo pela manhã— e também o faz com todos os homens e mulheres do mundo.
 
As reações das mulheres ante a presença do Senhor expressam as atitudes mais profundas do ser humano diante de Aquele que é o nosso Criador e Redentor: a submissão—«abraçaram seus pés» (Mt 28,9)— e a adoração. Que grande lição para apreender a estar diante de Cristo Eucaristia!
 
«Não tenhais medo» (Mt 28,10), diz Jesus às santas mulheres. Medo do Senhor? Nunca, se é o Amor dos amores! Temor de perdê-lo? Sim, porque conhecemos a própria debilidade. Por isso abracemo-nos bem forte aos seus pés. Como aos Apóstolos no mar embravecido e os discípulos de Emaús peçamo-lhe: Senhor, não nos deixes!
 
E o Mestre envia as mulheres a anunciar a boa nova aos discípulos. Essa é também tarefa nossa, e missão divina desde o dia do nosso batismo: anunciar a Cristo por todo o mundo, «para que todo o mundo possa encontrar a Cristo, para que Cristo possa percorrer com cada um o caminho da vida, com a potência da verdade (...) que contém o mistério da Encarnação e da Redenção, com a potência do amor que irradia dela» (João Paulo II).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Oh mensagem cheia de felicidade e beleza! Aquele que para nosso bem se fez homem à nossa semelhança, sendo o Filho Unigénito do Pai, quer fazer de nós seus irmãos e, ao levar a sua humanidade para o Pai, arrasta atrás de si todos aqueles que já são da sua raça» (São Gregório de Nissa)
 
«Hoje, mais do que nunca, a adoração é necessária. Uma das maiores perversões do nosso tempo é o facto de nos ser proposta a adoração do humano, pondo o divino de lado. Os ídolos que causam a morte não merecem culto, apenas o Deus da vida merece adoração e glória» (Papa Francisco)
 
«Maria de Magdala e as santas mulheres, que vinham terminar de embalsamar o corpo de Jesus, sepultado às pressas, devido à chegada do Sábado, na tarde da Sexta-feira Santa, foram as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os próprios apóstolos. Foi a eles que Jesus apareceu em seguida, primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, chamado a confirmar a fé de seus irmãos, vê portanto, o Ressuscitado antes deles, e é baseada no testemunho dele que a comunidade exclama: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão" (Lc 24,34).» (Catecismo da Igreja Católica, nº 641)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* Páscoa! O evangelho de hoje descreve a experiência de ressurreição das discípulas de Jesus.
No início do seu evangelho, ao apresentar Jesus, Mateus tinha dito que Jesus é Emanuel, Deus Conosco (Mt 1,23). Agora, no fim, ele comunica e amplia a mesma certeza da fé, pois proclama que Jesus ressuscitou (Mt 28,6) e que ele estará conosco sempre, até o fim dos tempos! (Mt 28,20). Nas contradições da vida, esta verdade muitas vezes é contestada. Não faltam as oposições. Os inimigos, os chefes dos judeus, se defendem contra a Boa Notícia da ressurreição e mandaram dizer que o corpo foi roubado pelos discípulos (Mt 28,11-13). Tudo isto acontece hoje. De um lado, o esforço de tanta gente boa para viver e testemunhar a ressurreição. De outro lado, tanta gente maldosa que combate a ressurreição e a vida.
 
* No evangelho de Mateus, a verdade da ressurreição de Jesus é contada através de uma linguagem simbólica, que revela o sentido escondido dos acontecimentos. Mateus fala de tremor de terra, de relâmpagos e anjos que anunciam a vitória de Jesus sobre a morte (Mt 28,2-4). É a linguagem apocalíptica, muito comum naquela época, para anunciar que, finalmente, o mundo foi transformado pelo poder de Deus! Realizou-se a esperança dos pobres que reafirmam sua fé: “Ele está vivo, no meio de nós!”
 
* Mateus 28,8: A alegria da Ressurreição vence o medo. Na madrugada do domingo, o primeiro dia da semana, duas mulheres foram ao sepulcro, Maria Madalena e Maria de Tiago, chamada a outra Maria. De repente, a terra tremeu e um anjo apareceu como um relâmpago. Os guardas que estavam vigiando o túmulo desmaiaram. As mulheres ficaram com medo, mas o anjo as reanimou, anunciando a vitória de Jesus sobre a morte e enviando-as a reunir os discípulos de Jesus na Galileia. É na Galileia que eles poderão vê-lo de novo. Lá, onde tudo começou, acontecerá a grande revelação do Ressuscitado. A alegria da ressurreição começa a vencer o medo. Inicia-se o anúncio da vida e da ressurreição.
 
* Mateus 28,9-10,: A aparição de Jesus às mulheres.  As mulheres saem correndo. Dentro delas, há um misto de medo e de alegria. Sentimentos próprios de quem faz uma profunda experiência do Mistério de Deus. De repente, o próprio Jesus vai ao encontro delas e diz: “Alegrai-vos!”. Elas se prostram e o adoram. É a postura de quem acredita e acolhe a presença de Deus, mesmo que ela surpreenda e ultrapasse a capacidade humana de compreensão. Agora é o próprio Jesus que dá a ordem de reunir os irmãos na Galileia: "Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão".
 
* Mateus 28,11-15: A astúcia dos inimigos da Boa Nova.  A mesma oposição que Jesus encontrou em vida, aparece agora depois da sua ressurreição. Os chefes dos sacerdotes se reúnem e dão dinheiro aos guardas. Eles devem espalhar o boato de que os discípulos roubaram o corpo de Jesus e inventaram essa conversa de ressurreição. Os chefes recusam e combatem a Boa Notícia da Ressurreição. Preferem acreditar que tudo não passou de uma invenção dos discípulos e das discípulas de Jesus.
 
* O significado do testemunho das mulheres.  A presença das mulheres na morte, no enterro e na ressurreição de Jesus é significativa. Elas testemunharam a morte de Jesus (Mt 27,54-56). No momento do enterro, elas ficaram sentadas diante do sepulcro e, portanto, podiam dar testemunho do lugar onde fora colocado o corpo de Jesus (Mt 27,61). Agora, na madrugada do domingo, elas estão lá de novo. Sabem que aquele sepulcro vazio é realmente o de Jesus! A profunda experiência de morte e ressurreição que elas fizeram transformou suas vidas. Elas mesmas ressuscitaram e se tornaram testemunhas qualificadas da ressurreição nas Comunidades cristãs. Por isso, recebem a ordem de anunciar: "Jesus está vivo! Ele ressuscitou!"
 
Para um confronto pessoal
1) Qual é a experiência de ressurreição na minha vida? Existe em mim alguma força que procura combater a experiência de ressurreição? Como reajo?
2) Qual é hoje a missão da nossa comunidade como discípulos e discípulas de Jesus? De onde podemos tirar força e coragem para cumprir nossa missão?

sábado, 4 de abril de 2026

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

1ª Leitura (At 10,34a.37-43):
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-no, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se¬, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».
 
Salmo Responsorial: 117
R. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.
 
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Israel: é eterna a Sua misericórdia.
 
A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei-de viver, para anunciar as obras do Senhor.
 
A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: e é admirável aos nossos olhos.
 
2ª Leitura (Col 3,1-4): Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.
 
SEQUÊNCIA PASCAL
 
À Vítima pascal Ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor O Cordeiro resgatou as ovelhas: Cristo, o Inocente, reconciliou com o Pai os pecadores.
 
A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida. Diz-nos, Maria: Que viste no caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivo, e a glória do ressuscitado. Vi as testemunhas dos Anjos, vi o sudário e a mortalha.
 
Ressuscitou Cristo, minha esperança: precederá os seus discípulos na Galileia. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós.
 
Aleluia. Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado: celebremos a festa do Senhor. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 20,1-9): No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram». Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
 
«O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu»
 
Mons. Joan Enric VIVES i Sicília Bispo Emérito de Urgell (Lleida, Espanha)
 
Hoje «é o dia que o Senhor fez», iremos cantando ao longo de toda a Páscoa. Essa expressão do Salmo 117 inunda a celebração da fé cristã, O Pai ressuscitou a seu Filho Jesus Cristo, o Amado, Aquele em quem se compraz porque amou a ponto de dar sua vida por todos.
 
Vivamos a Páscoa com muita alegria. Cristo ressuscitou: celebremo-lo cheios de alegria e de amor. Hoje, Jesus Cristo venceu a morte, o pecado, a tristeza… e nos abriu as portas da nova vida, a autêntica vida que o Espírito Santo continua a nos dar por pura graça. Que ninguém fique triste! Cristo é nossa Paz e nosso Caminho para sempre. Ele, hoje, «revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes 22).
 
O grande sinal que nos dá o Evangelho é que o sepulcro de Jesus está vazio. Já não temos de procurar entre os mortos Aquele que vive, porque ressuscitou. E os discípulos, que depois o verão Ressuscitado, isto é, que o experimentarão vivo em um maravilhoso encontro de fé, percebem que há um vazio no lugar de sua sepultura. Sepulcro vazio e aparições serão os grandes sinais para a fé do crente. O Evangelho diz que «o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu» (Jo 20,8). Ele soube compreender, pela fé, que aquele vazio e, por sua vez, aquela mortalha e aquele sudário bem dobrados, eram pequenos sinais do passo de Deus, da nova vida. O amor sabe captar, a partir de pequenos detalhes, o que os outros, sem ele, não captam. O «discípulo que Jesus mais amava» (Jo 20,2) guiava-se pelo amor que havia recebido de Cristo.
 
O “ver” e o “crer” dos discípulos hão de ser também os nossos. Renovemos nossa fé pascoal. Que Cristo seja, em tudo, o nosso Senhor. Deixemos que sua Vida vivifique a nossa e renovemos a graça do batismo que recebemos. Façamo-nos seus apóstolos e seus discípulos. Guiemo-nos pelo amor e anunciemos a todo o mundo a felicidade de crer em Jesus Cristo. Sejamos testemunhos esperançosos de sua Ressurreição.
 
«Ele não está aqui! Ressuscitou»
 
Frei Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)
 
Hoje no Evangelho da vigília pascal, late um grande dinamismo: duas mulheres correm para o sepulcro, um terramoto, um anjo faz rodar a pedra, uns guardas assustados caem como mortos. E Jesus, vivo e ressuscitado, torna-se companheiro de caminho daquelas mulheres.
 
As mulheres são as primeiras a experimentar a ressurreição de Jesus, apenas por terem visto o sepulcro vazio e o anjo que lhes anuncia: «Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito…» (Mt 28,5-6). São, também, as primeiras a dar testemunho da sua experiência: «Ide depressa contar aos discípulos: ‘Ele ressuscitou´» (Mt 28,7).
 
Imediatamente acreditam. Mas a sua fé é uma mistura de medo e de alegria. Sentiam medo pelas palavras do anjo, com o anúncio que vai para lá das expectativas humanas. E a alegria pela certeza da ressurreição do Senhor, porque as Escrituras tinham-se cumprido, pelo imenso privilégio da primazia pascal que receberam. A fé, pois, mesmo produzindo uma grande alegria interior, não exclui o medo.
 
Elas vão anunciar aquela experiencia do Ressuscitado, que tiveram sem a ter visto. Jesus premia-lhes esta fé e aparece-lhes durante o caminho.
 
O centro de toda a experiência de fé não é em primeiro lugar uma doutrina nem uns dogmas. É a pessoa de Jesus. A fé das mulheres do Evangelho de hoje está centrada nele, na sua pessoa e não noutra coisa. Experimentaram-no vivo e vão anuncia-lo vivo!
 
Outra mulher, Santa Clara, escrevia a Santa Inês de Praga que deveria centrar-se em Jesus ressuscitado: «Observai, considerai, comtemplai a Jesus Cristo (...). Se sofrerdes com Ele, reinareis também com Ele; se chorardes com Ele, com Ele gozareis; se morrerdes com Ele na cruz da tribulação, possuireis com Ele as eternas moradas».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O que deve ser considerado nestes acontecimentos é a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher que nunca se afastou do túmulo. Ela foi a única a vê-lo, pois tinha permanecido à sua procura, o que dá força às boas obras é a perseverança nelas» (São Gregório Magno)
 
«Jesus não regressou a uma vida humana normal deste mundo, como Lázaro e os outros mortos que Jesus ressuscitou. Ele entrou numa vida diferente, nova; na imensidão de Deus» (Bento XVI)
 
«O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo, por volta do ano 56, pôde escrever aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, o mesmo que havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras: a seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze». O Apóstolo fala aqui da tradição viva da Ressurreição, de que tinha tomado conhecimento após a sua conversão, às portas de Damasco» (Catecismo da Igreja Católica, nº 639)
 
“Viu e acreditou.”
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
*
O presente texto evangélico, lido na Eucaristia da manhã do domingo de Páscoa, abre a terceira secção da segunda parte do Quarto Evangelho (20,1-31), onde se apresenta Jesus ressuscitado como o Homem Novo, o Senhor, que dá início à nova criação e à comunidade de homens novos, que a Ele se convertem e nele acreditam.
 
* v.1. No primeiro dia da semana, Maria Madalena vem de manhã cedo, sendo ainda escuro, ao sepulcro e vê que a pedra tinha sido retirada do sepulcro. A cena decorre em Jerusalém, na manhã de Páscoa. Começa com uma indicação cronológica: “no primeiro dia da semana”. Foi neste dia que Deus deu início à criação (Gn 1,5) e é neste dia que Ele inaugura a nova criação em Cristo ressuscitado, dia que, por isso, se chama “Dia do Senhor” (Ap 1,10; lat. dominica), o dia em que a comunidade cristã se reúne para celebrar a Eucaristia (cf. v. 26; At 20,7; 1Cor 16,2).
 
João descreve em seguida, quase sempre no presente do indicativo, a reação dos discípulos perante a descoberta do sepulcro vazio, recorrendo, como lhe é próprio, à técnica do “personagem em destaque” (cf. o perfil jornalístico). Foca a narração em três pessoas. A primeira é Maria Madalena (he. de Magdala, “torre”, “grandeza”), que também é a primeira que foi nomeada entre as mulheres que estavam junto à cruz de Jesus (19,25). Ela vai ao sepulcro de Jesus de “manhã cedo”, o tempo que assinala o despontar de um novo dia, mal se abrem as portas da cidade, por volta das 6 h, sendo “ainda era escuro” (cf. 1,5; 8,12; 12,46; Lc 24,22). É uma alusão a Ct 3,1-5, o megillat (“rolo”), que tinha sido lido na véspera, sábado, naquele ano também páscoa judaica. Chega ao sepulcro e vê (gr. blepô, “observar”) que a pedra que servia de calço à porta (he. dopheq: mOhal 2,4) fora “retirada” (Sl 24,7.9; Is 53,8) e assim a pedra rotatória exterior (golel: mSanh 47b) tinha rolado para trás, deixando aberta a entrada e permitindo ver que nenhum corpo estava no sepulcro. O verbo “retirar” está no particípio perfeito, sendo um passivo divino, indicando que a pedra fora retirada por Deus.
 
* v.2. Corre e vem ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e diz-lhes: «Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram».
Maria Madalena imagina logo o pior e “corre” (cf. Gn 24,20.28; 29,12; Ct 1,4; 1Cor 9,24), indo ter com Simão Pedro e o discípulo que Jesus amava (o próprio evangelista: cf. 13,23; 19,26; 21,20.24), para lhes dizer que tinham “retirado” (no aoristo, indicando um espaço de tempo: cf. Mt 14,12) o corpo de Jesus, pensando talvez que o tinham ido depositar numa vala comum, uma vez que o sepulcro onde o tinham deposto era novo, de uma pessoa rica (19,41) e Jesus fora morto como um condenado, um maldito, tendo assim profanado o sepulcro, de modo que mais ninguém poderia ser sepultado lá.
 
* “Não sabemos” indica que Maria Madalena não fora só ao sepulcro, mas acompanhada por outras mulheres, como referem os Sinóticos (Mc 15,47; 16,1; Lc 24,10; cf. Jo 19,25: Maria, mulher de Cleofás, tia de Jesus, mãe de Tiago e de José; Salomé, mãe de João e de Tiago, filhos de Zebedeu; Joana, etc.). A expressão evoca os diálogos de Jesus com os judeus (7,11.22; 8,14.28.42) e com os seus discípulos (13,33; 14,1-5; 16,5) que “não sabem” (cf. Gn 28,16; Is 45,15 LXX) para onde Ele vai. Pode ser uma alusão a Moisés (Dt 34,6) e a Elias (cf. 2Rs 2,17), os dois maiores emissários de Deus no AT, cujos corpos nunca foram encontrados. Maria designa Jesus como era seu hábito, “Senhor” (11,3.32), título que a partir do v. 18 passa a ser uma confissão de fé na divindade de Cristo ressuscitado (cf. Fl 2,11).
 
* v.3. Então, Pedro saiu com o outro discípulo e vieram ambos ao sepulcro. João apresenta agora em Simão Pedro e no discípulo amado a atitude dos apóstolos perante o mistério da morte e ressurreição de Jesus. Ambos aparecem lado a lado no Quarto Evangelho em diversas ocasiões: na Última Ceia (13,23ss), na paixão (18,15-18) e na aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos junto ao lago de Tiberíades (21,7). Nelas, o “discípulo amado” antecipa-se sempre a Pedro.
 
* v.4. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. É o que aqui acontece: o “outro discípulo”, mais jovem do que Pedro, corre à sua frente (Gn 24,29; 29,13), mais depressa do que ele (porque movido pela esperança e o amor: cf. Is 40,31; Sl 119,32; Tob 11,3), para comprovar a notícia (cf. 1Ma 16,21) e chega primeiro ao sepulcro.
 
* v.5. Debruçando-se, viu os panos de linho no chão, mas não entrou. O discípulo “debruça-se” para ver a câmara onde jazera o corpo de Jesus, porque a passagem da antecâmara para esta é mais baixa do que a entrada do sepulcro. Vê apenas os “panos de linho” (gr. othónia), usados, como era habitual, para envolver o corpo na sepultura (19,40), caídos no chão. Mc 15,46, Lc 23,53 e Mt 27,59 preferem o sinónimo “lençol” (gr. sindôn, he. sadin: Jz 14,12; Pv 31,24). Mas nunca se fala em “ligaduras” (gr. keiría: 11,44), como para Lázaro.
 
O discípulo amado, entretanto, aguarda que Pedro “entre” (18,15), reconhecendo a primazia que Jesus lhe conferira (mencionando sempre Pedro em primeiro lugar: Lc 22,8; At 1,13; 3,1.3.11; 4,13.19; 8,14; cf. Mc 3,16s p; 9,2p; 14,33p; Gl 2,9). João simboliza aqueles que irão acreditar em Jesus sem O terem visto (20,29), apoiados apenas na fé no querigma da Igreja (presente nos dois apóstolos: cf. 1,35; Mc 6,7p; Mt 18,20), que Pedro representa (cf. 6,68; 21,15ss; Lc 24,34!; 1Cor 15,5!; cf. Mc 8,29p; Lc 22,32), anuncia e professa. Indica que Pedro entrará primeiro no sepulcro do que ele, “seguindo” Jesus na morte de cruz (13,36s; 18,15; 21,19s.22).
 
* v.6. Entretanto, vem também Simão Pedro, que o seguia; entrou no sepulcro e vê os panos de linho caídos no chão. Chega então Simão Pedro, que “segue” João (18,15), entra no sepulcro e vê (gr. theorein: um ver que faz pensar) os panos de linho depostos no chão.
 
* v.7. E o lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não com os panos de linho no chão, mas enrolado, num lugar à parte. Vê também “o lenço” (gr. soudárion) que tinha sido posto sobre o rosto de Jesus (só João anota este pormenor, também referido no caso de Lázaro: 11,44), não caído no chão, mas “enrolado num lugar à parte”, com amor (cf. Lc 23,53p), “sinal” que o corpo de Jesus não tinha sido “roubado” (cf. Mt 28,13), nem intempestivamente levado (cf. Dn 14,36) para outro lado.
 
* v.8. Entrou então também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Finalmente entra o outro discípulo, aquele que Jesus amava: “viu” (gr. oraô, o ver que reconhece, comprova e testemunha: 14,9) o lugar onde tinha jazido o corpo de Jesus, o lenço e os panos de linho no chão “e acreditou” (20,29; cf. 1,50; 2,11; 3,36; 6,26), reconhecendo neste “sinal” a ação de Deus (cf. 20,30s; 21,7) que ressuscitara Jesus de entre os mortos.
 
* v.9. De facto, ainda não tinham compreendido a Escritura, que diz que é necessário Ele ressuscitar dos mortos.
O fundamento da fé do discípulo não é, porém, este sinal (4,48), que apenas apela à fé, mas é a Palavra de Deus, consignada na Escritura (2,22; 12,16), expressa nas palavras de Jesus (14,3.28; 16,16s.19-22) e transmitida pela Igreja, na pessoa dos apóstolos, aqui presentes e evocados pelo plural: “ainda não tinham compreendido a Escritura”. A Cristo ressuscitado só se chega pela fé, a qual nasce da escuta da Palavra de Deus (2,22; cf. Rm 10,17; Gl 3,2.5).
 
* “É necessário Ele ressuscitar dos mortos”. “É necessário” (gr. deĩ) indica o desígnio salvífico de Deus, expresso nas Escrituras, que anunciam que o Messias, devia morrer e ressuscitar ao terceiro dia (Sl 16,10; 22,22-31; 26,19; Is 25,8; 53,10ss; Os 6,2; 13,14; Lc 24,25-27.44-46; At 2,24-36, 13,32-37; 17,3; 1Cor 15,4). Por sua vez, só a morte e ressurreição de Jesus permitiriam ler as Escrituras (o AT), que falam acerca dele (5,39).
 
* “Ressuscitar” está no infinitivo aoristo ativo (como em Mc 8,31; 9,10; Lc 24,7.46; At 10,41; 17,3), fórmula que prefere ao passivo divino do credo primitivo: “foi ressuscitado” (1Cor 15,4). Em João é o próprio Jesus que ressuscita (cf. 10,17s).
 
* “Dos mortos”: acrescenta-se esta nota porque, quer em hebraico, quer em grego, não existiam (nem existem), termos equivalentes ao verbo “ressuscitar” e ao substantivo “ressurreição”, criados mais tarde pelo latim cristão. Os termos usados na Sagrada Escritura para falar da ressurreição de Jesus são analógicos, sendo também usados em sentido corrente: “viver”, “despertar” e “levantar” (he. hayah, “viver”: Is 26,19; Ez 37,3.5s.9.14; qûm, “erguer”: 2Rs 13,21; Os 6,2; Is 26,19; qutz, “despertar”: Is 26,19; Dn 12,2; ‘amad, “levantar”: Ez 37,10; Dn 12,13), sendo traduzidos em grego por egueírô, “despertar”, e anístêmi, “levantar”. Por isso, para indicar que não se trata neste caso duma imagem, mas de uma autêntica ressurreição, os evangelistas acrescentam o inciso: “dos mortos”.
 
* O “discípulo amado” é o exemplo do discípulo que está em plena sintonia com Jesus: acredita sem ver (20,29), porque escuta o anúncio, conhece a Palavra de Deus e acredita no seu amor e, por isso, permanece junto dele, corre ao seu encontro, compreende os seus sinais, descobre a sua presença viva e operante na história e na vida dos homens e testemunha-a (porque a tal leva o amor).
 
MEDITAÇÃO
1. Tenho fé em Cristo ressuscitado? Já me encontrei com Ele? Como?
2. Que significa para mim a ressurreição de Jesus? Que decorre dela, para mim, na prática da minha vida quotidiana?

quinta-feira, 2 de abril de 2026

CELEBRAÇÃO DAS DORES DE MARIA

D- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
R- Amém!
D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
ORAÇÃO INICIAL

T - Virgem Dolorosíssima, seríamos ingratos se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas Dores particulares graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos. Alcançai-nos Senhora, de Vosso Divino Filho, pelos méritos de vossas dores e lágrimas, a graça...(pedir a graça)
 
1ª DOR - PROFECIA DE SIMEÃO
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L - Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T - Pela dor que sofreste ao ouvir a profecia de Simeão de que uma espada de dor transpassaria o vosso coração, Mãe de Deus, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
2ª DOR - FUGA PARA O EGITO
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L - O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T - Pela dor que sofreste quando fugiste para o Egito, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para o salvar da fúria do ímpio Herodes, Virgem Imaculada ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
3ª DOR - MARIA PROCURA JESUS EM JERUSALÉM
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L - Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T - Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias, Santíssima Senhora, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
4ª DOR - JESUS ENCONTRA A SUA MÃE NO CAMINHO DO CALVÁRIO
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L - Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23,26-27).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T - Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a cruz ao ombro, a caminho do Calvário, Virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
5ª DOR – MARIA AO PÉ DA CRUZ DE JESUS
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L – Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27ª).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T – Pela dor que sofreste quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões, Mãe da Divina Graça, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
6ª DOR – MARIA RECEBE JESUS DESCIDO DA CRUZ
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L – Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimateia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T – Pela dor que sofreste quando recebestes em vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz, Mãe dos Pecadores, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
7ª DOR - MARIA DEPOSITA JESUS NO SEPULCRO
 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
 
L - Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a).
 
D- Nós contemplamos vossas dores, ó Mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!
 
T - Pela dor que sofrestes quando o corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando vós na mais triste solidão, Senhora e Mãe nossa, ouvi a nossa oração.
 
(1 Pai Nosso, 7 Ave Marias e Glória ao Pai)
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
ORAÇÃO FINAL

Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida. Mãe, pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida à eternidade. E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema, e assim direi: Jesus e Maria, entrego-vos a minha alma. Amém.

OFÍCIO DAS DORES

 

MATINAS E LAUDES
 
Agora lábios meus
Dizei e anunciai
os grandes louvores
da Virgem, Mãe das Dores
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
EVANGELHO DE SÃO LUCAS:
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições. E uma espada transpassará a tua alma.
 
Deus vos salve Virgem
Senhora das Dores
Rainha de clemência
ouvi meus clamores
 
Mãe admirada
das grandes maravilhas
que  o Santo Profeta
de Jesus dizia
 
o teu Filho amado,
a Luz das nações
será um sinal
de contradições
 
e a tua alma
será transpassada
Eis a profecia
por uma espada
 
Ó Grande martírio
Guardar no coração
as tristes palavras
dessa predição.
 
Esmagada n´alma
Filha de Sião
sem nenhum alento
ou consolação
 
Vinde sustentai-me
com flores e frutos
pois eu desfaleço
de  amor profundo (Cânticos 2:5)
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toque em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
PRIMA
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS:
Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito, fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo.
 
Deus vos salve Arca
do Celeste Templo
que sobes do deserto
com mirra, ouro e incenso
 
na vigília escura
és Mãe apressada
A quem comparar-te
Virgem Desterrada?
 
Foste para o Egito
fugindo de Herodes
Levando teu Filho
salvando-o da morte
 
Levantando à noite
o coração derramas
ante o teu Senhor
pela vida clamas
 
De Belém o luto
está pelo caminho
ouvem-se os gritos
choros e gemidos
 
Raquel lacrimosa
Virgem da amargura
Implora por teus filhos
caídos na rua
 
Tens rosto vermelho
de tanto chorar
nos olhos doídos
tem pranto o lugar  (Jó 16:16)
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toquem em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
TERÇA
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS
Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.
 
Deus vos salve Cidade
Grande entre as nações
Virgem desolada
cheia de aflições
 
buscando quem  amas
não o encontraste
e cheia de angústia
à cidade  voltastes
 
rodeia apressada
por todas as ruas
enferma de amor
três dias procuras
 
Aonde foi teu amado,
Formosa entre as mulheres
Para que o busquemos
entre lírios celestes?
 
Entre os doutores
no templo o encontras
Filho o que fizeste
tua perda nos assombra
 
Porque me buscáveis
- disse o Menino,
se devo cuidar
das coisas do Pai?
 
O Deus feito Homem
te foi submisso
No coração guardaste
Sempre tudo isso
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toque em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
SEXTA
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos.
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS
Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.
 
Deus vos Salve Virgem
Senhora do Calvário
Seguindo a multidão
buscando o Filho Amado
 
Aquele a quem amo
Dizei guardas se vistes?
Em lágrimas se fundem
os meus olhos tristes
 
Vos conjuro, filhas
de Jerusalém
não choreis por mim,
mas por vossos filhos
 
O Senhor dos Passos
assim respondia.
Sem consolo a Virgem
na amargura vivia
 
Como uma viúva
Rainha entre as províncias
De mãos estendidas
Sem quem a console
 
Quem é esta que sobe
no Amado encostada
Ao Monte Calvário
pelo amor é levada?
 
Escarros e torturas
golpes, bofetadas
ao ver ferido o Filho
és também chagada
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toque em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
NOA
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
 DO EVANGELHO DE SÃO JOÃO:
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
 
Deus vos salve Mulher
na cruz revelada
és a nova Eva
Rainha coroada
 
Junto a Jeus
na cruz tu estavas
De pé como Muralha
em torrente de lágrimas
 
A Profecia antiga
em ti se cumpriu
a dor como espada
a tua alma feriu
 
Lágrimas e choro
consomem a tua alma
o sol  a natureza
em trevas desmaia
 
Mulher eis o teu Filho
disse o Crucificado
Eis aí tua Mãe
Meu discípulo amado
 
Dessa hora em diante
tornou-te Mãe da Igreja
Mulher revestida
de sol e estrelas
 
Olhai se existe dor
igual a dor que eu sinto
Vós que caminhais
Vede como me aflijo
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toque em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
 
VÉSPERAS
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
DO EVANGELHO DE SÃO JOÃO: Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus.
 
Deus vos salve Sunamita
assistindo aos pés da cruz
Eras a Dor Viva
morrendo com Jesus
 
Morres em tua alma
Vendo o Filho morto
Como um oceano
Grande é teu desgosto
 
Vendo um dos soldados
transpassar-lhe o lado
sentes em teu peito
o coração chagado
 
Põe-me como um selo
no coração me cole
O amor de Jesus
é mais forte que a morte
 
Descendo-o da cruz
envolto em teus braços
Virgem da Piedade
agarraste-o e não o largaste
 
Como foi coberta
de nuvens escuras
a Filha de Sião
é só amargura
 
Coroa do martírio
recebeste em vida
morrendo não morreis
Mãe Compadecida
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toquem em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
 
COMPLETAS
 
Sede em meu favor
Virgem Dolorosa
o mal não triunfe
sobre vossos filhos
 
Glória seja ao Pai
ao Filho e ao Amor também
que são um só Deus
em pessoas três
Agora e sempre e sem fim.
Amém
 
DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS:
As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galileia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado.
 
Deus vos salve Virgem
Mãe da Soledade
Mãe da Esperança
 E do puro Amor
 
Levaram teu Filho
para o sepulcro
Cidade abandonada
vestida de luto
 
Vos conjuro, filhas
de Jerusalém
que antes que o queira
não o desperteis
 
Num jardim fechado
foi o amado posto
num canteiro de aromas
o Deus Homem morto
 
Chora noite adentro
com a face inundada
Uma vigilia eterna
sem trégua ou parada
 
Na fresta da porta
Jesus pôs a mão
E estremeceu
o meu coração (Cânticos 5:4)
 
Onde está, ó morte,
a tua vitória?
Eis que ele já vem (Cânticos 2:8)
Vivo em sua glória.
 
Ouvi Mãe das Dores
a minha oração
toquem em vosso peito
os clamores meus.
 
ORAÇÃO: Santa Maria, Mãe de Deus, Senhora das Dores, rogai por nós ao Rei entregue à morte, vosso suave Filho para que por sua terna clemência e pela força de sua Santíssima Ressurreição se digne perdoar todos os nossos pecados. AM
 
OFERECIMENTO
 
Recebei Senhora esta oração
Ouvi os pedidos de meu coração
 
Em toda tristeza que te imitemos
e junto a Jesus erguidos fiquemos
 
Para na alegria eterna cantar
A cruz de cada dia dai-nos suportar
 
O amor de Jesus ninguém pode apagar
e dentro de mim sempre ficará
 
Agora e sempre e sem fim. Amém
Agora e sempre e sem fim. Amém