sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Batismo do Senhor

1ª Leitura (Is 42,1-4.6-7):
Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».
 
Salmo Responsorial: 28
R. O Senhor abençoará o seu povo na paz.
 
Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e poder. Tributai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor com ornamentos sagrados.
 
A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens, o Senhor está sobre a vastidão das águas. A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é majestosa.
 
A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão e no seu templo todos clamam: Glória! Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor, o Senhor senta-Se como Rei eterno.
 
2ª Leitura (At 10,34-38): Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».
 
Aleluia. Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». Aleluia.
 
Evangelho (Mt 3,13-17): Então, Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, até junto de João, para ser batizado por ele. Mas João queria impedi-lo, dizendo: «Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?». Jesus, porém, respondeu-lhe: «Por ora, deixa, é assim que devemos cumprir toda a justiça!». E João deixou. Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água, e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba, e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: «Este é o meu Filho amado; nele está meu pleno agrado».
 
«Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, até junto de João, para ser batizado por ele»
 
Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)
 
Hoje contemplamos o Messias —o Ungido— no Jordão «para ser batizado» (Mt 3,13) por João. E vemos Jesus Cristo como assinalado pela presença na forma visível do Espírito Santo e, na forma audível, do Pai, o qual declara de Jesus: «Este é o meu Filho amado; nele está meu pleno agrado». (Mt 3,17). Temos aqui um motivo maravilhoso e, pela sua vez, motivador para viver uma vida: ser sujeito e objeto do agrado do Pai celestial. Agradar ao Pai!
 
De alguma maneira já o pedimos na oração coletiva da missa de hoje: «Deus todo-poderoso e eterno (...) concede aos teus filhos adotivos, nascidos da água e do Espírito Santo, levar sempre uma vida que te seja grata». Deus, que é Pai infinitamente bom, sempre nos “quer bem”. Mas, já se o permitimos?; Somos dignos desta benevolência divina?; Correspondemos a esta benevolência?
 
Para ser digno da benevolência e do agrado divino, Cristo tem outorgado às águas força regeneradora e purificadora, de maneira que quando somos batizados começamos a ser verdadeiramente filhos de Deus. «Talvez haverá alguém que pergunte: ‘Por que quis batizar-se, se era santo?’. Escute-me! Cristo batiza-se não para que as águas o santifiquem, mas para santificá-las Ele» (São Máximo de Turim).
 
Tudo isto —desmerecidamente— nos situa como num plano de conaturalidade com a divindade. Mas não nos basta a nós com esta primeira regeneração: precisamos reviver de alguma maneira o Batismo por meio de uma espécie de continuo “segundo batismo” que é a conversão. Paralelamente ao primeiro Mistério da Luz do Rosário —O Batismo do Senhor no Jordão— nos convêm contemplar o exemplo de Maria no quarto dos Mistérios de Gozo: a Purificação, Ela, Imaculada, virgem pura, não tem inconveniente em submeter-se ao processo de purificação. Nós lhe imploramos a simplicidade, a sinceridade e a humildade que nos permitirão viver de maneira constante nossa purificação a modo de “segundo batismo”.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Cristo apareceu no mundo e, ao embelezar o mundo e acabar com a sua desordem, transformou-o em brilhante e alegre. Ele tornou seu o pecado do mundo e acabou com o inimigo do mundo. Ele santificou as fontes das águas e iluminou as almas dos homens» (São Próclo de Constantinopla)
 
«Antes de subir aos Céus, Jesus pediu-nos que fôssemos por todo o mundo batizar. E desde esse dia esta tem sido uma corrente ininterrupta: batizámos os nossos filhos, e depois os nossos filhos aos seus filhos, e os seus filhos... E ainda hoje esta corrente continua» (Francisco)
 
«O início da vida pública de Jesus é o seu batismo por João, no rio Jordão. João pregava um batismo de penitência, em ordem à remissão dos pecados´ (...).Então aparece Jesus´(...) e recebe o batismo. Então o Espírito Santo, sob a forma de pomba, desce sobre Jesus e uma voz do céu proclama: `Este é o meu Filho muito amado´ (Mt 3,13-17). Tal foi a manifestação (“epifania”) de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus» (Catecismo da Igreja Católica, nº 535)
 
“Este é o meu Filho amado, que muito me agrada”
 
Pe. Thomaz Hughes, SVD
 
* Hoje, o Domingo depois da Epifania, celebra-se tradicionalmente a Festa do Batismo do Senhor.
O batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão é tão importante teologicamente que é tratado por cada um dos quatro evangelistas, cada qual da sua maneira, dependendo da situação da sua comunidade e dos seus interesses teológicos. A história logo se tornou um problema para os primeiros cristãos, pois levantava a questão de como Jesus, sem pecado, podia ter sido batizado e, um ritual de purificação dos pecados. Por isso, Mateus deixa fora a referência de Mc 1, 4 ao perdão dos pecados, a adiciona vv. 14 e 15. Para João, o batismo era tão difícil de ser harmonizado com a sua cristologia, que omite qualquer referência ao atual evento, e no seu lugar, faz com que João Batista indica Jesus como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29-34).
 
* O texto já nos apresenta o programa da vida e missão de Jesus - a justiça do Reino. Em Mateus, a palavra “justiça” designa a fidelidade nova e radical à vontade de Deus. O significado disso será mostrado ao longo do Evangelho. Também Jesus, unindo-se aos pecadores, já está desde o começo rejeitando a visão de um Messianismo triunfante.
 
* Os sinóticos (Mt, Mc e Lc) ressaltam o fato que “o céu se abriu”. Marcos é mais contundente ainda quando enfatiza que “os céus se rasgaram”. É uma maneira simbólica de expressar que em Jesus acontece a união definitiva entre o céu e a terra (At 7, 56; 10, 11-16; Jo 1, 51) e uma revelação celeste (Is 63, 19; Ez 1, 1; Ap 4, 1; 19, 11). A revelação maior é a confirmação da identidade de Jesus como o Servo de Javé. Mateus, escrevendo dentro de um ambiente de polêmica com o judaísmo formativo do fim do primeiro século, muda a tradição original (Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22), onde as palavras do Pai se dirigiam a Jesus, para dirigi-las aos ouvintes :“Este é o meu Filho muito amado, aquele que me aprouve escolher” (v. 17). Estas palavras associam a terminologia de Sl 2, 7, que repete a profecia de Natã em 2Sm 7, 14 (tu és meu filho...) a Is 42, 1 (meu bem-amado que me aprouve escolher). A passagem de Isaías apresenta o Servo que não levanta a voz (42, 2), nem vacila, nem é quebrantado (42, 4). (A tradução grega da Septuaginta usou uma palavra que podia expressar tanto o termo hebraico para “filho” como para “servo”). Fazendo fusão desses textos do Antigo Testamento, Mateus une em Jesus duas figuras proféticas - a do Filho da descendência real davídica e do Servo de Javé. Assim, prevê que o messianismo de Jesus implica a vocação do Servo Sofredor, e rejeita pretensões messiânicas triunfalistas. Podemos dizer que o Batismo é para Jesus o assumir público da sua missão como Servo de Javé. A voz do céu confirme a sua opção de vida. O Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público, como seu Filho (Sl 2, 7), seu bem-amado, objeto da sua predileção.
 
* Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai. Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus - cada um de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (1Jo 3, 1), a quem aprouve escolher-nos. Nada pode fazer com que o Pai abandone esse amor incondicional e gratuito - nem a nossa fraqueza, nem o pecado (Rm 8, 39). Importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (1Jo 4, 10-11). Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as consequências - uma vida de fidelidade, que o levava até a Cruz - e a Ressurreição! (Fl 2, 6-11). Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz. O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino d’Ele, que “já está no meio de nós” (Mc 1, 14).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

TEMPO DO NATAL - Sábado depois da Epifania

S. Gonçalo de Amarante, presbítero
 
1ª Leitura (1Jo 5,14-21):
Caríssimos: Esta é a confiança que temos em Deus: se Lhe pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele escuta-nos. E sabendo que nos escuta em tudo o que Lhe pedirmos, sabemos também que alcançaremos o que Lhe tivermos pedido. Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não o leva à morte, reze e Deus lhe dará a vida, se de facto o pecado cometido não leva à morte. Há um pecado que leva à morte; não é por este pecado que eu digo que se reze. Toda a iniquidade é pecado, mas nem todo o pecado leva à morte. Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, porque o guarda Aquele que foi gerado por Deus e o Maligno não o pode atingir. Sabemos que somos de Deus, mas o mundo inteiro está sujeito ao Maligno. E sabemos também que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos o Verdadeiro. Nós estamos no Verdadeiro, por seu Filho, Jesus Cristo, que é o Deus verdadeiro e a vida eterna. Meus filhos, guardai-vos dos falsos deuses.
 
Salmo Responsorial: 149
R. O Senhor ama o seu povo.
 
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor na assembleia dos santos. Alegre-se Israel em seu Criador, rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.
 
Louvem o seu nome com danças, cantem ao som do tímpano e da cítara, porque o Senhor ama o seu povo, coroa os humildes com a vitória.
 
Exultem de alegria os fiéis, cantem jubilosos em suas casas; em sua boca os louvores de Deus. Esta é a glória de todos os seus fiéis.
 
Aleluia. O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 3,22-30): Depois disso, Jesus e seus discípulos foram para a região da Judéia. Ele ficava lá com eles e batizava. João também estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. As pessoas iam lá para serem batizadas. João ainda não tinha sido lançado na prisão. Surgiu então, da parte dos discípulos de João, uma discussão com um judeu, a respeito da purificação. Eles foram falar com João: «Mestre, aquele que estava contigo do outro lado do Jordão, e de quem tu deste testemunho, está batizando, e todos vão a ele». João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Cristo, mas fui enviado à sua frente’. Quem recebe a noiva é o noivo, mas o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria, quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela ficou completa. É necessário que ele cresça, e eu diminua».
 
«É necessário que ele cresça, e eu diminua»
 
Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)
 
Hoje ficamos surpresos vendo Jesus e o Batista batizando “em paralelo”. Dizemos, sim, “em paralelo”, mas,… isso só acontece aparentemente, porque João o Batista remite a Jesus, que é o Messias, o "novo Moises", o Profeta tão esperado, aquele que vem para nos dar a Deus. «Que trouxe [Jesus]? A resposta é muito simples: A Deus. Trouxe a Deus» (Bento XVI).
 
Em consequência e imediatamente João aclara o sentido do batismo: Realmente, trata-se de uma purificação, mas «diferença-se das acostumadas abluções religiosas» daquele tempo e, —como afirmou o papa Bento— «Deve-se a consumação concreta de uma mudança que determina de modo novo e para sempre toda a vida». Assim, o batismo cristão comporta uma mudança tão radical como um novo nascimento, até o ponto de nos converter em um novo ser.
 
Purificação, certamente, mas, para despojar-se do "homem velho", morrer a si mesmo e —pela graça— nascer a uma nova vida: A vida divina, algo que «ninguém pode receber (…) se não lhe for dada do céu» (Jo 3,28). O Concílio II de Orange ensinou que «amar a Deus é exclusivamente um dom de Deus. Ele mesmo que, sem ser amado, ama, concedeu-nos que lhe amássemos. Fomos amados quando ainda lhe éramos desagradáveis, para que nos concedera algo com que agradar-lhe».
 
Hei aqui, então, nossa tarefa pela santidade: Aprofundar na humildade para abrir espaço à ação de Deus e deixá-lo fazer. O importante não é tanto o que eu faça, mas que Ele atue em mim: «É necessário que ele cresça, e eu diminua» (Jo 3,30). E nossa alegria será tanto mais completa quanto mais desapareça o próprio eu e, mais presente se faça o Esposo em nosso coração e nas nossas obras.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É necessário que Cristo cresça em ti para que progridas no seu conhecimento e amor: porque quanto mais O conheces e O amas, tanto mais Cristo cresce em ti» (Santo Tomás de Aquino)
 
«Finalmente tinha chegado um profeta cuja vida também o acreditava como tal e anunciava-se, de novo, a ação de Deus na história: João batizava com água mas, o Maior —Aquele que batizará no Espírito Santo— está quase a chegar» (Bento XVI)
 
«Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N'Ele, o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa» (Catecismo da Igreja Católica, nº 65)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* Tanto João Batista como Jesus, ambos apontavam um rumo novo para o povo.
Mas Jesus, depois de ter aderido ao movimento de João Batista e de ter sido batizado por ele, deu um passo a mais e criou o seu próprio movimento. Ele chegou a batizar pessoas no rio Jordão ao mesmo tempo que João Batista. Ambos atraíam o povo pobre e abandonado da Palestina, anunciando a chegada da Boa Nova do Reino de Deus.
 
* Jesus, o novo pregador, estava levando uma certa vantagem sobre João Batista. Ele batizava mais gente e atraía mais discípulos. Surgiu então uma tensão entre os discípulos de João e os de Jesus a respeito da "purificação", isto é, a respeito do valor do batismo. Os discípulos de João Batista sentiam uma certa inveja e foram falar com João para informá-lo a respeito do movimento de Jesus.
 
* A resposta de João aos seus discípulos é uma resposta bonita, que revela a grandeza de alma. João ajudou seus discípulos a verem as coisas com mais objetividade. Ele usou três argumentos: 1) Ninguém recebe nada a não ser aquilo que lhe foi dado por Deus. Se Jesus faz coisas tão bonitas, é porque as recebeu de Deus (Jo 3,27). Em vez de inveja, os discípulos deveriam sentir alegria. 2) João reafirma, novamente, que ele, João, não é o Messias mas apenas o precursor (Jo 3,28). 3) No fim, ele usa uma comparação, tirada das festas de casamento. Naquele tempo, lá na Palestina, no dia da festa do casamento, na casa da noiva, os assim chamados "amigos do noivo" aguardavam a chegada do noivo para poder apresentá-lo à noiva. No caso, Jesus é o noivo, o povo é a noiva e ele, João, é o amigo do noivo. João Batista diz que, na voz de Jesus, reconheceu a voz do noivo e ele pôde apresentá-lo à noiva, ao povo. Neste momento, a noiva, o povo, deixa de lado o amigo do noivo e vai atrás de Jesus, porque reconheceu nele a voz do seu noivo! Por isso, é grande a alegria de João, "alegria completa". João não quer nada para si! Sua missão é apresentar o noivo à noiva! A frase final resume tudo: "É necessário que ele cresça e eu diminua!" Esta frase é também o programa de toda pessoa seguidora de Jesus.
 
* Naquele fim do primeiro século, tanto na Palestina como na Ásia Menor, onde quer que houvesse alguma comunidade de judeus, havia também gente que tinha estado em contato com João Batista ou que tinha sido batizada por ele (At 19,3). Vistos do lado de fora, o movimento de João Batista e o de Jesus eram muito semelhantes entre si. Os dois anunciavam a chegada do Reino (cf. Mt 3,1-2; 4,17). Deve ter havido uma certa confusão e tensão entre os seguidores de João e os de Jesus. Por isso era tão importante o testemunho de João sobre Jesus. Todos os quatro evangelhos se preocupam em relatar as palavras de João Batista dizendo que ele não é o messias. Para as comunidades cristãs, a resposta de João "Ele deve crescer e eu devo diminuir" valia não só para os discípulos de João da época de Jesus, mas também para os discípulos das comunidades batistas do fim do primeiro século.
 
Para um confronto pessoal
1. “Ele deve crescer e eu diminuir”. É o programa de João. É também o meu programa?
2. O que importa é que a noiva encontre o noivo. Somos porta-vozes, nada mais. Será que eu sou?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

TEMPO DO NATAL - Sexta-feira depois da Epifania

Santo André Corsini, Bispo de nossa Ordem
Servo de Deus Frei Miguelângelo de Cíngoli, presbítero
 
1ª Leitura (1Jo 5,5-13):
Caríssimos: Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é O que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. São três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; e os três estão de acordo. Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque o testemunho de Deus consiste naquele que Ele deu de seu Filho. Quem acredita no Filho de Deus tem em si mesmo este testemunho. Quem não acredita em Deus considera-O um mentiroso, porque não acredita no testemunho dado por Deus acerca de seu Filho. E o testemunho é este: Deus deu-nos a vida eterna e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Escrevo-vos estas coisas, para saberdes que tendes a vida eterna, vós que acreditais no nome do Filho de Deus.
 
Salmo Responsorial: 147
R. Jerusalém, louva o teu Senhor.
 
Glorifica, Jerusalém, o Senhor, louva, Sião, o teu Deus. Ele reforçou as tuas portas e abençoou os teus filhos.
 
Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras e saciou-te com a flor da farinha. Envia à terra a sua palavra, corre veloz a sua mensagem.
 
Revelou a sua palavra a Jacob, suas leis e preceitos a Israel. Não fez assim com nenhum outro povo, a nenhum outro manifestou os seus juízos.
 
Aleluia. Jesus proclamava o Evangelho do reino e curava todas as doenças entre o povo. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 5,12-16): Estando Jesus numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, ele caiu com o rosto em terra e suplicou-lhe: «Senhor, se queres, tens o poder de purificar-me». Estendendo a mão, Jesus tocou nele e disse: «Quero, fica purificado». E imediatamente a lepra desapareceu. E ordenou-lhe que não o contasse a ninguém. «Mas», disse, «vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta por tua purificação a oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho». Cada vez mais, sua fama se espalhava, e as multidões acorriam para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças. Ele, porém, se retirava para lugares desertos, onde se entregava à oração.
 
«Cada vez mais, sua fama se espalhava»
 
Rev. D. Santi COLLELL i Aguirre (La Garriga, Barcelona, Espanha)
 
Hoje temos uma grande responsabilidade em fazer que «sua fama» (Lc 5,15) continue se estendendo, sobretudo, a todos aqueles que não lhe conhecem ou que, por diversas razões e circunstâncias, se afastaram Dele.
 
Mas, este contágio não será possível se antes nós não temos sido capazes de reconhecer nossas próprias “lepras” particulares e de nos acercar a Cristo tendo consciência de que somente Ele nos pode liberar de maneira eficaz de todos nossos egoísmos, invejas, orgulhos e rancores...
 
Que a fama de Cristo se estenda a todos os cantos de nossa sociedade depende, em grande medida, dos ”encontros particulares” que tivemos com Ele. Quanto mais e mais intensamente nos impregnemos de seu Evangelho, de seu amor, de sua capacidade de escutar, de acolher, de perdoar, de aceitar o outro (por diferente que seja), mais capazes seremos nós de dá-lo a conhecer a nosso entorno.
 
O leproso do Evangelho que hoje se lê na Eucaristia é alguém que tem feito um duplo exercício de humildade. O de reconhecer qual é seu mal e, o de aceitar a Jesus como seu Salvador. Cristo é quem nos dá a oportunidade de fazer uma mudança radical e profunda na nossa vida. Diante de tudo aquilo que é impedimento para o amor e que tem se enquistado nos nossos corações e em nossas vidas, Cristo, com seu testemunho de vida e de Vida Nova, propõem-nos uma alternativa totalmente real e possível. A alternativa do amor, da ternura da misericórdia. Jesus, diante de quem é diferente a Ele (o leproso) não escapa, não o ignora, não o “despacha” à administração, nem às instituições ou às “ong’s”. Cristo aceita o reto do encontro e, ao “enfermo” lhe oferece aquilo que necessita, a cura/purificação.
 
Nós temos que ser capazes de oferecer aos que se aproximam a nossas vidas aquilo que recebemos do Senhor. Mas, antes será necessário encontrar-nos com Ele e renovar nosso compromisso de viver seu Evangelho nos pequenos detalhes de cada dia.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Aquele homem se ajoelha prostrando-se no chão —o que é um sinal de humildade e de vergonha— para que cada um se envergonhe das nódoas da sua vida. A sua confissão está cheia de piedade y de fé: isto é, reconheceu que curar-se estava nas mãos do Senhor» (Santo Beda o Venerável)
 
«Através da sua Mãe é sempre Jesus quem sai ao nosso encontro para liberar-nos de toda doença do corpo e da alma. ¡Deixemo-nos tocar e purificar por Ele!» (Bento XVI)
 
«Jesus acompanha as suas palavras com numerosos ‘milagres, prodígios e sinais, (At 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado (289)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 547)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* Um leproso chega perto de Jesus.
Era um excluído. Devia viver afastado. Quem tocasse nele ficava impuro! Mas aquele leproso teve muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Ele diz: Se queres, podes curar-me! Ou seja: “Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!” A frase revela duas doenças: 1) doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, toca no leproso. É como se dissesse: “Para mim, você não é um excluído. Eu te acolho como irmão!” Em seguida, cura a lepra dizendo: Quero! Seja curado!
 
* O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um rosto novo de Deus, transgrede as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo, quem tocava num leproso tornava-se um impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época.
 
* Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Ele reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para um leproso ser novamente acolhido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura assinado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado.
 
* Jesus tinha proibido o leproso de falar sobre a cura. O Evangelho de Marcos informa que esta proibição não adiantou nada. O leproso, assim que partiu, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos (Mc 1,45). Por que? É que Jesus tinha tocado no leproso. Por isso, na opinião da religião daquele tempo, agora ele mesmo era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. E Marcos mostra ainda que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a ele (Mc 1,45). Subversão total!
 
* O duplo recado que Lucas e Marcos dão às comunidades do seu tempo e a todos nós é este: 1) anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que ele anuncia? Ele conta aos outros o bem que Jesus lhe fez. Só isso! Tudo isso! E é este testemunho que leva os outros a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. 2) Para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Mesmo que isto traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.
 
Para um confronto pessoal
1. Para ajudar o próximo, Jesus transgrediu a lei da pureza. Existem hoje leis na igreja que dificultam ou impedem a prática do amor ao próximo?
2. O leproso para poder ser curado teve coragem a opinião pública do seu tempo. E eu?

9 de janeiro

 Santo André Corsini
Bispo de nossa Ordem

Nasceu dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini, no ano de 1302. Seus pais não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André. Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provincial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano. Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo. Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também outra criança para ele lhe dizendo que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Distinguiu-se pelo zelo apostólico, prudência e amor em relação aos pobres. Em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. Morreu a 6 de janeiro de 1374. Foi canonizado em 29 de abril de 1629.

INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Cristo, o grande Pontífice, que se compadece de nós.
 
LAUDES
Hino
André o Carmelo te canta,
ao festejar o teu dia!
Que nessa Morada Santa
ressoe nossa alegria!
 
Oh! Que brilhante porvir
clara Estrela te mostrou!
No caminho a seguir
a Mãe de Deus te guiou.
 
Alistado nas fileiras
dos ungidos do Senhor,
não te poupaste as canseiras,
sábio e prudente Pastor.
 
Recorda-te, Santo André,
dos irmãos que, reunidos,
professam a mesma fé,
no amor de Cristo unidos.
 
Ao Bom e Supremo Pastor,
na tua festividade
se preste honra e louvor
no tempo e na eternidade.
 
Ant. 1. Chamei o meu servo para colocar o poder nas suas mãos e o estabelecer num trono de glória.
 
Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.
 
Ant. 2. A esmola para ele é como um selo e ele conservará a graça como a menina dos seus olhos.
 
Ant. 3. Fiéis são as obras das suas mãos; o louvor do Senhor permanece eternamente.
 
Leitura breve - Is 25,3-4c
Um povo forte vos glorificará e a cidade das nações poderosas vos temerá, porque sois o refúgio do fraco, o amparo do pobre na sua tribulação, um abrigo contra a tempestade e uma sombra contra o calor.
 
Responsório breve
R. Tive fome * e me destes de comer. R. Tive fome.
V. Todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais
pequeninos, foi a Mim que o fizestes. * E me destes de comer.
Glória ao Pai. R. Tive fome.
 
Cântico Evangélico Ant. à escolha 1) ou 2)
Ant1. Eu era os olhos para o cego, os pés para o coxo, o pai para os pobres, e com muito carinho examinava a causa dos desconhecidos.
ou
Ant2 Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus, diz o Senhor.
 
Preces
Nosso Senhor Jesus Cristo escuta propício as preces dos necessitados e cumula de bens os famintos; por isso supliquemos com fé:
 
R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
 
Vós, que misericordiosamente reunistes no vosso nome o vosso rebanho,
- fazei que não se perca nenhum daqueles que o Pai vos deu. R.
 
Vós, que aos pecadores concedeis a conversão e dais a força aos débeis,
- dai-nos a plenitude da graça e a salvação. R.
 
Vós, que a todos amais com infinito amor,
- fazei que os fiéis vivam unidos entre si na unidade do espírito e pelo vínculo da paz. R.
 
Vós, que mediante a graça concedeis a todos a paz,
- fazei que hoje tenhamos paz com todos. R.
 
Vós, que consolastes os tristes e humildes,
- ajudai os pobres nas suas tribulações. R.
 
(intenções livres)
 
Pai nosso
 
Oração
Pai santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Qual vento que vem e passa,
assim o sopro divino
fez renascer pela graça
a alma de André Corsini
 
Que triunfo! Que alegria!
Foi vencida a encruzilhada,
e já na Ordem de Maria
para sempre dá entrada.
 
Não o destina o Senhor
a viver na solidão:
espera-o a cruz de Pastor
- alta e difícil missão.
 
Trabalha, sofre e ora,
se na fé jamais fraqueja,
a caridade o devora
pela unidade da Igreja.
 
Pai, a todos concedei
vosso perdão e amor!
Nossas preces atendei
por Jesus, nosso Senhor.
 
Ant.1. Fez o bem e praticou a verdade na presença do Senhor, procurando a Deus com todo o coração.
 
Salmos e Cântico do Comum dos pastores: para bispos
 
Ant.2. Foi encontrado perfeito e no tempo da ira tornou-se o elo da reconciliação.
 
Ant.3. Apascentarei as minhas ovelhas e eu as farei descansar.
 
Leitura breve - 1Pd 5,1-4
Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos e participante da glória que será revelada: sede pastores do rebanho de Deus confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o Pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.
 
Responsório breve
R. Eis o amigo dos irmãos,
* que intercede pelo povo. R. Eis o amigo.
V. Dedicou sua vida em favor dos seus irmãos.
* Que intercede. Glória ao Pai. R. Eis o amigo.
 
Cântico Evangélico
Ant1. Este é o Sumo Sacerdote que na sua vida restaurou o Templo e nos seus dias fortificou o Santuário.
ou
Ant2. O Reino de Deus não é questão de comida e bebida; é justiça, é paz e alegria no Espírito Santo. Quem serve a Cristo nestas coisas agrada a Deus e é estimado pelos homens.
 
Preces
Bendigamos a Cristo que decidiu ser semelhante em tudo a seus irmãos, a fim de se tornar o misericordioso e fiel Pontífice junto de Deus; supliquemos, dizendo:
 
R. Concedei-nos, Senhor, os tesouros do vosso amor.
 
Robustecei os ministros da vossa Igreja, para que,
- pregando aos demais, sejam encontrados fiéis no vosso serviço. R.
 
Fazei que os vossos sacerdotes sejam sal da terra e luz do mundo,
- para que com seu trabalho renovem a Igreja no seu interior. R.
 
Ensinai-nos hoje a reconhecer-vos presente em todos os nossos irmãos e irmãs
- e a encontrar-vos principalmente nos pobres e nos excluídos. R.
 
Nós vos pedimos pelos membros da vossa Igreja atribulados pela doença,
- libertai os prisioneiros, iluminai os cegos, socorrer os órfãos e as viúvas. R.
 
(intenções livres)
 
Tende misericórdia dos nossos irmãos e irmãs defuntos,
- associai-os aos outros irmãos, que já descansam em Cristo. R.
 
Pai Nosso
 
Oração
Pai santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

TEMPO DO NATAL - Quinta-feira depois da Epifania

S. Pedro Tomás
Patriarca de Constantinopla, bispo de nossa Ordem
 
1ª Leitura (1Jo 4,19—5,4):
Caríssimos: Nós devemos amar, porque Deus nos amou primeiro. Se alguém disser: «Amo a Deus» e odiar o seu irmão, é mentiroso. Quem não ama o seu irmão, que vê, não pode amar a Deus, que não vê. É este o mandamento que recebemos d’Ele: quem ama a Deus ame também o seu irmão. Quem acredita que Jesus é o Messias nasceu de Deus e quem ama Aquele que gerou ama também o que d’Ele nasceu. Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus, cumprindo os seus mandamentos, porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.
 
Salmo Responsorial: 71
R. Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.
 
Deus, concedei ao rei o poder de julgar e a vossa justiça ao filho do rei. Ele governará o vosso povo com justiça e os vossos pobres com equidade.
 
Ele os libertará da opressão e da violência e o sangue deles será precioso a seus olhos; por ele hão de rezar sempre e todos os dias o bendirão.
 
O seu nome será eternamente bendito e durará tanto como a luz do sol; nele serão abençoadas todas as nações, todos os povos da terra o hão de bendizer.
 
Aleluia. O Senhor enviou-me a anunciar aos pobres a boa nova, a proclamar aos cativos a redenção. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 4,14-22): Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas deles, e todos o elogiavam. Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no dia de sábado, foi à sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor». Depois, fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele. Então, começou a dizer-lhes: «Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir».Todos testemunhavam a favor dele, maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam de sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?».
 
«O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção»
 
Rev. D. Jordi POU i Sabater (Sant Jordi Desvalls, Girona, Espanha)
 

Hoje lembramos que «quem ama a Deus, ame também seu irmão» (1Jo 4,21). Como poderíamos amar a Deus a quem não vemos, se não amamos a quem vemos, imagem de Deus? Depois que São Pedro renegara, Jesus lhe perguntou se o amava: «Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo» (Jo 21,17), respondeu. Como a São Pedro, também Jesus nos pergunta: «Tu me amas?»;e queremos lhe responder agora mesmo: «Tu o sabes tudo, Senhor, tu sabes que te amo apesar de minhas deficiências; mas, ajuda-me a demonstrar-te; ajuda-me a descobrir as necessidades de meus irmãos, a me entregar de verdade aos outros, a aceitá-los tal como são, a valorizá-los».
 
A vocação do homem é o amor, é vocação a se entregar, procurando a felicidade do outro e, assim encontrar a própria felicidade. Como diz São João da Cruz, «No crepúsculo da vida, seremos julgados no amor». Vale a pena que nos perguntemos ao terminar cada jornada, cada dia, num breve exame de consciência, com foi este amor e, pontualizar algum aspecto a melhorar para o dia seguinte.
 
«O Espírito do Senhor está sobre mim» (Lc 4,18), dirá Jesus, fazendo seu este texto messiânico. É o Espírito do Amor que assim como fez o do Messias a «que consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres» (cf. Lc 4,18), também “repousa” sobre nós e nos conduz até o amor perfeito: Como diz o Concilio Vaticano II: «Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade». O Espírito Santo nos transformará como fez com os Apóstolos, para que possamos agir sob sua moção, nos outorgando seus frutos e, assim levá-los a todos os corações: «O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio» (Gal 5,22-23).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Nosso Salvador foi verdadeiramente homem, e Ele conseguiu a salvação do homem inteiro. Porque de forma nenhuma nossa salvação é fictícia nem afeta só o corpo, se não que a salvação de todo o homem foi realizada naquele que é o Verbo» (Santo Atanásio)
 
«Tem muitos cristãos com uma esperança com demasiada água. Para ser “cristãos vencedores” devemos crer confessando a fé, e custodiando a fé, e encomendando-nos a Deus, ao Senhor. E esta é a vitória que venceu o mundo: nossa fé» (Francisco)
 
«Cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, nascido judeu de uma filha de Israel, (..) é o Filho eterno de Deus feito homem; “vindo de Deus” (Jn 13,3), “decido do céu” (Jn 3,13; 6,33), “veio na carne”, (1Jn 4,2) (...). De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça” (Jn 1,14.16)» (Catecismo da Igreja Católica, n°423)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* Animado pelo Espírito Santo, Jesus volta para a Galileia e começa a anunciar a Boa Nova do Reino de Deus.
Andando pelas comunidades e ensinando nas sinagogas, ele chega em Nazaré, onde tinha sido criado. Estava de volta na comunidade, onde, desde pequeno, tinha participado das celebrações durante trinta anos. No sábado seguinte, conforme o seu costume, ele vai na sinagoga para estar com o povo e participar da celebração.
 
* Jesus se levantou para fazer a leitura. Escolheu o texto de Isaías que falava dos pobres, presos, cegos e oprimidos. O texto refletia a situação do povo da Galileia no tempo de Jesus. Em nome de Deus, Jesus toma posição em defesa da vida do seu povo e, com as palavras de Isaías, define a sua missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a libertação aos presos e a recuperação da vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos. Retomando a antiga tradição dos profetas, ele proclama “um ano de graça da parte do Senhor”. Proclama o ano do jubileu. Jesus quer reconstruir a comunidade, o clã, para que fosse novamente expressão da sua fé em Deus! Pois, se Deus é Pai/Mãe, todos e todas devemos ser irmãos e irmãs uns dos outros.
 
* No antigo Israel, a grande família, o clã ou a comunidade, era a base da convivência social. Era a proteção das famílias e das pessoas, a garantia da posse da terra, o veículo principal da tradição e a defesa da identidade do povo. Era a maneira concreta de se encarnar o amor de Deus no amor ao próximo. Defender o clã, a comunidade, era o mesmo que defender a Aliança com Deus. Na Galileia do tempo de Jesus, um duplo cativeiro marcava a vida do povo e estava contribuindo para a desintegração do clã, da comunidade: o cativeiro da política do governo de Herodes Antipas (4 aC a 39 dC) e o cativeiro da religião oficial. Por causa do sistema de exploração e de repressão da política de Herodes Antipas, apoiada pelo Império Romano, muita gente ficava sobrando e sem lugar, excluída e sem emprego (Lc 14,21; Mt 20,3.5-6). O clã, a comunidade, ficou enfraquecida. As famílias e as pessoas ficaram sem ajuda, sem defesa. E a religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época, em vez de fortalecer a comunidade, para que ela pudesse acolher os excluídos, reforçava ainda mais esse cativeiro. A Lei de Deus era usada para legitimar a exclusão de muita gente: mulheres, crianças, samaritanos, estrangeiros, leprosos, possessos, publicanos, doentes, mutilados, paraplégicos. Era o contrário da fraternidade que Deus sonhou para todos! Assim, tanto a conjuntura política e econômica como a ideologia religiosa, tudo conspirava para enfraquecer a comunidade local e impedir, assim, a manifestação do Reino de Deus. O programa de Jesus, baseado no profeta Isaías oferecia uma alternativa.
 
* Terminada a leitura, Jesus atualizou o texto e o ligou com a vida do povo dizendo: “Hoje se cumpriu esta escritura nos ouvidos de vocês!” A sua maneira de ligar a Bíblia com a vida do povo, provocou uma dupla reação. Uns acreditaram e ficaram admirados. Outros tiveram uma reação de descrédito. Ficaram escandalizados e já não queriam saber dele. Diziam: “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22) Por que ficaram escandalizados? É que Jesus falou em acolher os pobres, os cegos, os oprimidos. Mas eles não aceitaram a sua proposta. E assim, no momento em que apresentou o seu projeto de acolher os excluídos, ele mesmo foi excluído!
 
Para um confronto pessoal
1. Jesus ligou a fé em Deus com a situação social do seu povo. E eu, como vivo a minha fé em Deus?
2. No lugar onde eu moro existem cegos, presos, oprimidos? O que faço?

8 de janeiro

 São Pedro Tomás
Patriarca de Constantinopla
Bispo de nossa Ordem.
 
Nasceu por volta do ano 1305 numa aldeia da Aquitânia, França. Os seus pais viviam em pobreza extrema, o que levou Pedro Tomás a abandonar o lar paterno muito cedo para não ser pesado aos seus. Era Pedro Tomás de estatura baixa, mas possuía uma inteligência rara e profunda. Vivendo de esmolas, conseguiu estudar, tornando-se mestre e professor com apenas 17 anos. Foi convidado para ser professor dos estudantes carmelitas, vindo também ele a entrar na Ordem em 1327. Ensinou várias matérias em muitos conventos da Ordem, até ser nomeado Procurador da Ordem junto da Santa Sé, que então se encontrava em Avinhão.  Em certa ocasião, vendo o Padre Geral a humilde e pequena aparência do santo, envergonhava-se de apresentá-lo aos Cardeais. No entanto, certo Cardeal que conhecia a fama de Frei Pedro Tomás resolveu apresentá-lo. O Papa fê-lo seu Núncio e Legado, encomendando-lhe muitas e difíceis missões que Frei Pedro Tomás resolveu sempre em bem.  Foi arauto e apóstolo incansável da paz e da unidade da Igreja, pelo que depressa este nosso irmão granjeou em toda a parte fama de santo. Depois de ter exercido o múnus de bispo em várias dioceses, foi nomeado Patriarca de Constantinopla. Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens, Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra. Morreu no dia 6 de janeiro de 1366. Apesar de ser bispo, pediu que o vestissem com o hábito da Ordem. Era muito devoto da Virgem Maria e um dia contou a um irmão que Nossa Senhora lhe tinha aparecido dizendo-lhe que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos. Morreu na Ilha de Chipre, em 1366.
 
INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Cristo, o grande Pontífice, que se compadece de nós.
 
LAUDES
Hino
Sem os dons que a terra estima,
mas rico de bens dos céus,
São Pedro Tomás ensina
que só se é pobre... sem Deus.
 
Fraco e pequeno em estatura,
mais ainda em seu conceito,
Deus o ergueu à Sua altura,
vendo-o fiel e perfeito.
 
De Cristo soube imitar
a humildade profunda,
por isso pôde ensinar
ciência sublime e funda.
 
Da Mãe de Deus recebeu
promessa, que causa inveja,
mas toda a vida ofereceu
pelo serviço da Igreja.
 
Louvemos o Deus presente,
que é do Carmelo o Amor,
com o Filho onipotente
e o Santo Consolador.
 
Ant. 1. Unido a Vós estou, Senhor; a vossa mão me serve de amparo.
 
Salmos e cântico do domingo da I Semana.
 
Ant. 2. Louvai o nosso Deus vós todos, servos do Senhor.
 
Ant. 3. O Senhor coroa com a vitória os humildes.
 
Leitura breve - Lv11 2,6-7
A lei da verdade estava na sua boca, e a iniquidade não se encontrava nos seus lábios; andava comigo na paz e na retidão, e a muitos afastou do mal. Os lábios do sacerdote guardam a ciência, da sua boca espera-se a doutrina, porque é mensageiro do Senhor do Universo.
 
Responsório breve
R. Dar-vos-ei pastores
* segundo o meu coração. R. Dar-vos-ei.
V. E eles vos apascentarão com inteligência e sabedoria.
* Segundo. Glória ao Pai. R. Dar-vos-ei.
* Segundo. Glória ao Pai. R. Dar-vos-ei.
* Segundo. Glória ao Pai. R. Dar-vos-ei.
 
Cântico evangélico, Ant. (à escolha) 1 ou 2
1) Sirvamos ao Senhor sem pavor, na santidade e na justiça enquanto perdurarem nossos dias.
ou
2) Eu sou o Bom Pastor; dou minha vida pelas minhas ovelhas e haverá um só rebanho e um só Pastor.
 
Preces
Glorifiquemos, irmãos, a Cristo, nossa Paz e Reconciliação, que, mediante as obras e a pregação de São Pedro Tomás, fortaleceu e confortou a sua Igreja, e aclamemos:
 
R. Deus Santo, Deus Forte, Salvador!
 
Senhor Jesus Cristo, em vós formamos um só corpo e nos tomamos membros uns dos outros,
- fazei que vivamos em paz com todos. R.
 
Rei Pacífico, que transformais as espadas em arados e as lanças em foices,
- convertei as invejas em amor e os rancores em perdão. R.
 
Senhor Jesus, que sois perfeito Louvor da Glória do Pai,
- conservai-nos no vosso louvor até à morte.    R.
 
Filho Unigênito do Pai, que na Cruz nos destes por mãe Maria, vossa própria Mãe,
- concedei que com a sua ajuda guardemos no coração as vossas maravilhas, e com a vida as proclamemos. R.
 
(intenções livres)
Pai Nosso
 
Oração
Senhor, Deus da paz, que concedestes ao bispo São Pedro Tomás a força do vosso Espírito para estabelecer a paz e promover a unidade dos cristãos, concedei que, pelo seu exemplo e intercessão, testemunhemos a integridade da fé e vivamos unidos pelo vínculo da caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Louvemos o eleito
São Pedro Tomás!
Carmelita perfeito,
evocar-te nos apraz.
 
Desde novo revelaste
virtude e sabedoria
do mal muitos desviaste:
teu zelo os convertia.
 
Em defesa da Senhora,
filho dileto da Virgem
escreves, provando que fora
sem mancha desde a origem.
 
O bom combate travaste,
justa causa defendeste;
pela fé que conservaste,
já o prêmio recebeste.
 
Pelo exemplo recebido
de tão santo Pastor
o Carmelo agradecido
te glorifica, Senhor.
 
Ant. 1. Apoiado na força divina, colaborou na difusão do Evangelho.
 
Salmos e Cântico do Comum dos Pastores: para bispos
 
Ant. 2. Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor estabeleceu à frente de sua família.
 
Ant. 3. Grande é a glória do Senhor e eterna é a sua misericórdia.
 
Leitura breve - Is 52, 7.10
Como são belos por sobre os montes os pés do mensageiro, que vem anunciar a paz, que vem trazer a boa-nova, que vem proclamar a salvação e dizer a Sião: "Reina o teu Deus!" O Senhor desnudou o seu santo braço diante de todas as nações, e todos os confins da terra verão a vitória do nosso Deus.
 
Responsório breve - Sr 44,17
R. Eis o Sumo Sacerdote, que nos seus dias agradou ao Senhor
* e foi reconhecido como homem justo. R. Eis o Sumo Sacerdote.
V. E no tempo da ira foi o vínculo da reconciliação.
* E foi reconhecido. Glória ao Pai. R. Eis o Sumo Sacerdote.
 
Cântico Evangélico
Ant. Hoje um glorioso filho da Igreja deixou a terra da fé.  Hoje um pregador da Cruz e da verdade mergulhou no Mistério. Hoje um glorioso defensor da fé, poderoso em palavras e obras, recebeu a eterna recompensa.
 
Preces
Glorifiquemos a Cristo Jesus, o Sumo Pontífice, que entrou nos Céus e recompensou com o prêmio da Vida Eterna os trabalhos de São Pedro Tomás; e digamos:
 
R. Salvai o vosso povo, Senhor!
 
Vós que, por meio de santos e insignes pastores, fizestes resplandecer a vossa Igreja de modo admirável,
_ fazei que os cristãos, onde quer que se encontrem, trabalhem na construção do vosso Reino. R.
 
Vós, que suscitastes na vossa Igreja zelosos pregadores movidos de sincera caridade,
_ concedei aos sacerdotes e ministros do vosso povo o zelo e a constância. R.
 
Vós que, por meio dos santos pastores, sois o médico dos corpos e das almas,  
_ fortalecei os fracos, sarai os feridos, curai os enfermos e consolai os tristes. R.
 
Vós, que nos confiastes a Maria, vossa Mãe, e a confiastes ao nosso amor filial,
- fazei que, a exemplo de São Pedro Tomás, possamos beneficiarmos sempre do seu amor maternal. R.
 
 (intenções livres)
 
Vós que, por meio dos pastores da Igreja, dais a vida eterna às vossas ovelhas, para que ninguém as arrebate das vossas mãos,
- salvai os nossos irmãos e irmãs falecidos, pelos quais destes a vossa vida. R.
 
Pai Nosso ...
 
Oração
Senhor, Deus da paz, que concedestes ao bispo São Pedro Tomás a força do vosso Espírito para estabelecer a paz e promover a unidade dos cristãos, concedei que, pelo seu exemplo e intercessão, testemunhemos a integridade da fé e vivamos unidos pelo vínculo da caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

TEMPO DO NATAL - Quarta-feira depois da Epifania

Bta Lindalva Justo de Oliveira, virgem e mártir
 
1ª Leitura (1Jo 4,11-18):
Caríssimos: Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. A Deus ninguém jamais O viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos o amor de Deus por nós e acreditamos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. Nisto se realiza a perfeição do amor de Deus em nós, porque somos neste mundo como é Jesus e assim temos plena confiança no dia do juízo. No amor não há temor; o amor que é perfeito expulsa o temor, porque o temor supõe um castigo. Quem teme não é perfeito no amor.
 
Salmo Responsorial: 71
R. Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.
 
Deus, concedei ao rei o poder de julgar e a vossa justiça ao filho do rei. Ele governará o vosso povo com justiça e os vossos pobres com equidade.
 
Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir.
 
Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos.
 
Aleluia. Glória a Vós, Jesus Cristo, anunciado aos gentios; glória a Vós, Jesus Cristo, acreditado no mundo. Aleluia.
 
Evangelho (Mc 6,45-52): Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele mesmo despediria a multidão. Depois de os despedir, subiu a montanha para orar. Já era noite, o barco estava no meio do mar e Jesus, sozinho, em terra. Vendo-os com dificuldade no remar, porque o vento era contrário, nas últimas horas da noite, foi até eles, andando sobre as águas; e queria passar adiante. Quando os discípulos o viram andar sobre o mar, acharam que fosse um fantasma e começaram a gritar. Todos o tinham visto e ficaram apavorados. Mas ele logo falou: «Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!» Ele subiu no barco, juntando-se a eles, e o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados. De fato, não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles continuava sem entender.
 
«Depois de os despedir, subiu a montanha para orar»
 
Rev. D. Melcior QUEROL i Solà (Ribes de Freser, Girona, Espanha)
 
Hoje, contemplamos como Jesus, depois de se despedir dos Apóstolos e das pessoas, retira-se sozinho a rezar. Toda sua vida é um diálogo constante com o Pai e, não obstante, vai-se à montanha a rezar. E nós? Como rezamos? Frequentemente levamos um ritmo de vida atarefado, que termina sendo um obstáculo para o cultivo da vida espiritual e não damo-nos conta que é tão necessário “alimentar” a alma quanto alimentar o corpo. O problema é que, com muita frequência, Deus ocupa um lugar pouco relevante em nossa ordem de prioridades. Nessa circunstância é muito difícil rezar de verdade. Não podemos dizer que se tenha um espírito de oração quando somente imploramos ajuda nos momentos difíceis.
 
Achar tempo e espaço para a oração pede um requisito prévio: o desejo de encontro com Deus com a consciência clara de que nada nem ninguém o pode substituir. Se não há sede de comunicação com Deus, facilmente transformaremos a oração num monólogo, porque a utilizamos para tentar solucionar os problemas que nos incomodam. Também é fácil que, nos momentos de oração, nos distraiamos porque nosso coração e nossa mente estão invadidos constantemente por pensamentos e sentimentos de todo tipo. A oração não é charlatanice, senão um simples e sublime encontro com o Amor; é relação com Deus: comunicação silenciosa do “Eu necessitado” com o “Você rico e transcendente”. O prazer da oração é se saber criatura amada diante do Criador.
 
Oração e vida cristã vão unidas, são inseparáveis. Nesse sentido, Orígenes diz que «reza sem parar aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Somente assim podemos considerar realizável o princípio de rezar sem parar». Sim, é necessário rezar sem parar porque as obras que realizamos são fruto da contemplação e, feitas para sua glória. Devemos agir sempre desde o diálogo contínuo que Jesus oferece-nos, no sossego do espírito. A partir dessa certa passividade contemplativa veremos que a oração é o respirar do amor. Se não respiramos morremos, se não rezamos expiramos espiritualmente.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não quero (…) desconfiar da bondade de Deus, por mais fraco e frágil me sinta. Além disso, se por causa do medo e do espanto visse que estou prestes a ceder, lembrar-me-ei de São Pedro, quando, devido à sua pouca fé, começou a afundar se por causa de uma única rajada de vento, e farei o que ele fez. Clamarei a Cristo: Senhor, salva-me» (Santo Tomás More)
 
«[Hoje em dia] Deus pode agir na esfera espiritual, mas não na matéria. Isto atrapalha-nos! Se Deus não tem poder também sobre a matéria, então ele não é Deus» (Bento XVI)
 
«Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado» (Catecismo da Igreja Católica, nº 338)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Depois da multiplicação dos pães (evangelho de ontem), Jesus obriga os discípulos a entrar no barco.
Por que? Marcos não explica. O evangelho de João informa o seguinte. De acordo com a esperança da época, o Messias iria repetir o gesto de Moisés de alimentar o povo no deserto. Por isso, diante da multiplicação dos pães, o povo concluiu que Jesus devia ser o messias esperado, anunciado por Moisés (cf. Dt 18,15-18) e quis fazer dele um rei (cf. Jo 6,14-15). Este apelo do povo era uma tentação tanto para Jesus como para os discípulos. Por isso, Jesus obrigou-os a embarcar. Queria evitar que eles se contaminassem com a ideologia dominante, pois o “fermento de Herodes e dos fariseus”, era muito forte (Mc 8,15). Jesus, ele mesmo, enfrenta a tentação por meio da oração.
 
* Marcos descreve com arte os acontecimentos. De um lado, Jesus sobe o monte para rezar. De outro lado, os discípulos descem para o mar e entram no barco. Parece até um quadro simbólico que prefigura o futuro: é como se Jesus já subisse para o céu, deixando os discípulos sozinhos em meio às contradições da vida, no barquinho frágil da comunidade. Era noite. Eles estavam em alto mar, todos juntos num pequeno barco, querendo avançar remando, mas o vento era contrário. Estavam cansados. Já era a quarta vigília, isto é, entre 3 e 6 da madrugada. As comunidades do tempo de Marcos eram como os discípulos. Noite! Vento contrário! Não conseguiam nada, apesar de todo o esforço que faziam! Jesus parecia ausente! Mas ele estava presente e vinha até elas, mas elas, como os discípulos de Emaús, não o reconheciam (Lc 24,16).
 
* No tempo de Marcos, em torno do ano 70, o barquinho das comunidades enfrentava o vento contrário tanto de alguns judeus convertidos que queriam reduzir o mistério de Jesus ao tamanho das profecias e figuras do Antigo Testamento, como de alguns pagãos convertidos que pensavam ser possível uma certa aliança da fé em Jesus com o império. Marcos procura ajudar os cristãos a respeitar o mistério de Jesus e a não querer reduzir Jesus ao tamanho dos próprios desejos e ideias.
 
* Jesus chega andando sobre as águas do mar da vida. Eles gritam de medo, porque pensam que se trata de um fantasma. Como na história dos discípulos de Emaús, Jesus faz de conta que quer seguir adiante (Lc 24,28). Mas o grito deles faz com que ele mude de rumo, se aproxime deles e diga: “Calma, gente! Sou eu! Não tenham medo!” Aqui, de novo, quem conhece a história do Antigo Testamento, lembra alguns fatos muito importantes: (1) Lembra como o povo, protegido por Deus, atravessou sem medo o Mar Vermelho. (2) Lembra como Deus, ao chamar Moisés, declarou várias vezes o seu nome dizendo: “Sou eu!” (cf. Ex 3,15). (3) Lembra ainda o livro de Isaías que apresenta o retorno do exílio como um novo êxodo, onde Deus aparece repetindo inúmeras vezes: “Sou eu!” (cf. Is 42,8; 43,5.11-13; 44,6.25; 45,5-7). Esta maneira de evocar o Antigo Testamento, de usar a Bíblia, ajudava as comunidades a perceber melhor a presença de Deus em Jesus e nos fatos da vida. Não tenham medo!
 
*Jesus sobe no barco e o vento pára. Mas o espanto dos discípulos, em vez de terminar, aumenta. O próprio evangelista Marcos faz um comentário crítico e diz: “Eles não tinham entendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido” (6,52). A afirmação coração endurecido evoca o coração endurecido do faraó (Ex 7,3.13.22) e do povo no deserto (Sl 95,8) que não queria ouvir Moisés e só pensava em voltar para o Egito (Nm 20,2-10), onde havia pão e carne com fartura (Ex 16,3).
 
Para um confronto pessoal
1. Noite, mar agitado, vento contrário! Você já se sentiu assim alguma vez? Como fez para vencer?
2. Você já se espantou alguma vez porque não reconheceu Jesus presente e atuante em sua vida?