terça-feira, 19 de maio de 2026

22 de maio

 Santa Joaquina de Vedruna
Viúva e Religiosa de nossa Ordem
Fundadora das Carmelitas da Caridade

 
Nasceu em Barcelona (Espanha) no dia 16 de abril de 1783. Casou-se aos 16 anos com Teodoro de Mas e ficou viúva aos 33, com 9 filhos que educou cristãmente. Em 1826, movida por uma inspiração divina, fundou a Congregação das Irmãs Carmelitas da Caridade. A sua obra difundiu-se rapidamente por toda a Catalunha e dedicava-se ao cuidado dos doentes e à educação cristã das crianças, especialmente dos pobres. A sua espiritualidade assenta, sobretudo, na contemplação do mistério da SS. Trindade, donde brotam algumas características pessoais: oração, mortificação, desapego, humildade e caridade. Morreu em Vich em 1854. Beatificada a 19 de maio de 1940 por Pio XII, foi canonizada a 12 de abril de 1959 por João XXIII.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
LAUDES
Cântico Evangélico
Ant. Nisto conhecerão que sois meus discípulos se tiverdes amos uns para com os outros. (T.P. Aleluia)
 
Oração
Senhor, nosso Deus, que suscitastes na vossa Igreja Santa Joaquina para a educação cristã da juventude e para alívio dos enfermos, concedei-nos que, seguindo o seu exemplo, dediquemos a nossa vida a servir-vos diligentemente nos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
 
VÉSPERAS
Cântico Evangélico
Ant.
Todas as vezes que fizestes isto a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes, diz o Senhor. (T.P. Aleluia)

MÊS DE MARIA – Quinta-feira da 7ª semana da Páscoa

ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 2,30;23,6-11): Naqueles dias, querendo o tribuno obter informações seguras sobre as acusações dos judeus contra Paulo, mandou que lhe tirassem as algemas e reunissem os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio. Fez então descer Paulo para comparecer diante deles. Paulo, sabendo que o Conselho era constituído pelo partido dos saduceus e pelo partido dos fariseus, exclamou no meio do Sinédrio: «Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus, e é pela nossa esperança na ressurreição dos mortos que estou a ser julgado». Estas palavras desencadearam um conflito entre fariseus e saduceus e a assembleia dividiu-se. De facto os saduceus dizem que não há ressurreição, nem Anjos, nem espíritos, ao passo que os fariseus afirmam uma e outra coisa. Levantou-se enorme gritaria e alguns escribas do partido dos fariseus ergueram-se e começaram a protestar com energia, dizendo: «Não encontramos nenhum mal neste homem. E se foi um espírito ou um Anjo que lhe falou?». A discussão redobrou de violência, a tal ponto que o tribuno, receando que eles despedaçassem Paulo, ordenou que os soldados descessem para o tirarem do meio deles e o reconduzissem à fortaleza. Na noite seguinte, o Senhor apareceu a Paulo e disse-lhe: «Coragem! Assim como deste testemunho de Mim em Jerusalém, deverás dar testemunho também em Roma».
 
Salmo Responsorial: 15
R. Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.
 
Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio. Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus. Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino.
 
Bendigo o Senhor por me ter aconselhado, até de noite me inspira interiormente. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.
 
Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.
 
Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita.
 
Aleluia. Todos sejam um, ó Pai, como Tu em Mim e Eu em Ti, para que o mundo acredite que Tu Me enviaste. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 17,20-26): Naquele tempo, Jesus, alçando os olhos ao céu, disse: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles. Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim. Pai, quero que estejam comigo aqueles que me deste, para que contemplem a minha glória, a glória que tu me deste, porque me amaste antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o farei conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles».
 
«Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim»
 
P. Joaquim PETIT Llimona, L.C. (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, encontramos no Evangelho um sólido fundamento para a confiança: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que (...) vão crer em mim...» (Jo 17,20). É o Coração de Jesus que, na intimidade com os seus, abre-lhes os tesouros inesgotáveis do seu Amor. Quer afiançar seus corações afligidos pelo ar de despedida que têm as palavras e gestos do Mestre durante a Santa Ceia. É a oração indefectível de Jesus que sobe junto ao Pai pedindo por eles. Quanta segurança e fortaleça encontrarão depois nessa oração ao longo da sua missão apostólica! Em meio de todas as dificuldades e perigos que tiveram que afrontar, essa oração os acompanhará e, será a fonte na que encontrarão a força e ousadia para dar testemunho da sua fé com a entrega da própria vida.
 
A contemplação dessa realidade, dessa oração de Jesus pelos seus, tem que atingir também as nossas vidas: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que (...) vão crer em mim... ». Essas palavras atravessam os séculos e chegam, com a mesma intensidade com que foram pronunciadas, até o coração de todos e cada um dos crentes.
 
Na lembrança da última visita de São João Paulo II a Espanha, encontramos nas palavras do Papa o eco dessa oração de Jesus pelos seus: «Com meus braços abertos, levo-os a todos no meu coração —disse o Pontífice na frente de mais de um milhão de pessoas—. A recordação desses dias vai transformar-se em oração pedindo para vos a paz em fraterna convivência, animados pela esperança cristã que nunca engana». E, já não tão próximo no tempo, outro Papa fazia uma exortação que nos chega ao coração depois de muitos séculos: «Não há nenhum doente a quem seja negada a vitória da cruz, nem há ninguém a quem não lhe ajude a oração de Cristo. Já que se esta foi de proveito para os que o maltrataram, quanto mais o será para os que se convertem a Ele?». (São Leão Magno)
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Vejo como os vossos sentimentos se elevam com os meus em relação às coisas celestiais. Passamos um bom tempo a desfrutar de uma luz comum, enchemo-nos de gozo e alegria; mas, mesmo que agora estejamos separados uns dos outros, procuremos não nos separarmos d´Ele» (Santo Agostinho)
 
«A fidelidade até à morte dos mártires, a proclamação do Evangelho a todos, estão enraizadas no amor de Deus e no testemunho que devemos dar deste mesmo amor na nossa vida quotidiana» (Francisco)
 
«(...) Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «...Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo» (Catecismo da Igreja Católica, nº 820)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
O Evangelho de hoje traz a terceira e última parte da Oração Sacerdotal, na qual Jesus olha para o futuro e manifesta o seu grande desejo pela unidade entre nós, seus discípulos, e pela permanência de todos no amor que unifica, pois sem amor e sem unidade não merecemos credibilidade.
 
* João 17,20-23: Para que o mundo creia que tu me enviaste. Jesus alarga o horizonte e reza ao Pai: Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. Aqui transparece a grande preocupação de Jesus pela união que deve existir nas comunidades. Unidade não significa uniformidade, mas sim permanecer no amor, apesar de todas as tensões e conflitos. Amor que unifica a ponto de criar entre todos uma profunda unidade, como aquela que existe entre Jesus e o Pai. A unidade no amor revelada na Trindade é o modelo para as comunidades. Por isso, é através do amor entre as pessoas que as comunidades revelam ao mundo a mensagem mais profunda de Jesus. Como o povo dizia dos primeiros cristãos: “Veja como eles se amam!” É trágica a atual divisão entre as três religiões nascidas a partir de Abraão: judeus, cristãos e muçulmanos. Mais trágica ainda é a divisão entre nós cristãos que dizemos crer em Jesus. Divididos não merecemos credibilidade. O ecumenismo está no centro da última prece de Jesus ao Pai. É o seu Testamento. Ser cristão e não ser ecumênico é um contrassenso. Contradiz a última vontade de Jesus.
 
* João 17,24-26: Que o amor com que me amaste esteja neles. Jesus não quer ficar só. Ele diz: Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo. A felicidade de Jesus é que todos nós estejamos com ele. Ele quer que os discípulos e as discípulas tenham a mesma experiência que ele mesmo teve do Pai. Quer que conheçam o Pai como ele o conheceu. Na Bíblia, a palavra conhecer não se reduz a um conhecimento teórico racional, mas implica experimentar a presença de Deus na convivência amorosa com as pessoas na comunidade.
 
*  Que sejam um como nós! (Unidade e Trindade no evangelho de João). O evangelho de João nos ajuda muito na compreensão do mistério da Trindade, a comunhão entre as três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito. Dos quatro evangelhos, João é o que mais acentua a profunda unidade entre o Pai e o Filho. Vemos pelo texto do evangelho (Jo 17,6-8) que a missão do Filho é a suprema manifestação do amor do Pai. É esta unidade entre Pai e Filho que faz Jesus proclamar: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). Entre ele e o Pai existe uma unidade tão intensa que quem vê o rosto de um vê também o do outro. É cumprindo esta missão de unidade recebida do Pai, que Jesus revela o Espírito. O Espírito da Verdade vem de junto do Pai (Jo 15,26). A pedido do Filho (Jo 14,16), o Pai o envia a cada um de nós para que permaneça conosco, nos animando e nos fortalecendo. O Espírito também nos vem do Filho (Jo 16,7-8). Assim, o Espírito da Verdade, que caminha conosco, é a comunicação da profunda unidade que existe entre o Pai e o Filho (Jo 15,26-27). O Espírito não pode comunicar outra verdade que não seja a Verdade do Filho. Tudo o que se relaciona com o mistério do Filho, o Espírito nos faz conhecer (Jo 16,13-14). Esta experiência da unidade em Deus foi muito forte nas comunidades do Discípulo Amado. O amor que une as pessoas divinas Pai e Filho e Espírito nos permite experimentar Deus através da união com as pessoas numa comunidade de amor. Assim também era a proposta da comunidade, onde o amor deveria ser o sinal da presença de Deus no meio da comunidade (Jo 13,34-35). E este amor constrói a unidade dentro da comunidade (Jo 17,21). Eles olhavam para a unidade em Deus para poder entender a unidade entre eles.
 
Para confronto pessoal
1) Dizia o bispo Dom Pedro Casaldáliga: “A Trindade ainda é a melhor comunidade”. Na comunidade da qual você faz parte, você percebe algum reflexo humano da Trindade Divina?
2) Ecumenismo. Sou ecumênico?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Quarta-feira da 7ª semana da Páscoa

São Bernardino de Sena, presbítero
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 20,28-38): Naqueles dias, disse Paulo aos anciãos da Igreja de Éfeso: «Tende cuidado convosco e com todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constituiu vigilantes para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. Eu sei que, depois da minha partida, se hão de introduzir entre vós lobos devoradores que não pouparão o rebanho. De entre vós mesmos se hão de erguer homens com palavras perversas, para arrastarem os discípulos atrás de si. Por isso, sede vigilantes e lembrai-vos que, durante três anos, noite e dia, não cessei de exortar com lágrimas cada um de vós. Agora entrego- vos a Deus e à palavra da sua graça, que tem o poder de construir o edifício e conceder a herança a todos os santificados. Não desejei prata, ouro ou vestuário de ninguém. Vós próprios sabeis que estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. Em tudo vos mostrei que é trabalhando assim que devemos acudir aos mais fracos; e recordo-vos as palavras do Senhor Jesus: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’». Dito isto, Paulo pôs-se de joelhos e orou com eles. Todos romperam em pranto e, lançando-se ao pescoço de Paulo, começaram a abraçá-lo, consternados sobretudo por ele lhes ter dito que não mais tornariam a ver o seu rosto. Em seguida, acompanharam-no até ao barco.
 
Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.
 
Mostrai, Senhor, o vosso poder, confirmai o que por nós fizestes. No vosso templo, em Jerusalém, os reis vos oferecem presentes.
 
Reinos da terra, cantai a Deus, entoai hinos ao Senhor, a Ele que avança pelos céus altíssimos e faz ouvir a sua voz poderosa.
 
Sobre Israel resplandece a sua majestade e nas nuvens está o seu poder. O Deus de Israel dá força e poder ao seu povo. Bendito seja Deus.
 
Aleluia. A vossa palavra, Senhor, é a verdade: santificai-nos na verdade. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 17,11b-19): Naquele tempo, Jesus alçando os olhos ao céu, disse: «Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. Quando estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei, e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. Agora, porém, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas estando ainda no mundo, para que tenham em si a minha alegria em plenitude. Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Eu não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Consagra-os pela verdade: a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo. Eu me consagro por eles, a fim de que também eles sejam consagrados na verdade».
 
«Que tenham em si a minha alegria em plenitude»
 
Fr. Thomas LANE (Emmitsburg, Maryland, Estados Unidos)
 
Hoje, vivemos em um mundo que não sabe como ser verdadeiramente feliz com a felicidade que vem de Jesus, um mundo que procura a alegria de Jesus nos lugares errados e da maneira errada. Procurar a felicidade sem Jesus leva somente à infelicidade ainda mais profunda. É só ver as novelas na TV, há sempre alguém em apuros. As novelas na TV nos mostram a miséria de uma vida sem Deus.
 
Mas queremos viver o dia de hoje com a alegria de Jesus. Jesus orou ao Pai em nosso Evangelho de Hoje, «digo estas coisas estando ainda no mundo, para que tenham em si a minha alegria em plenitude» (Jo 17,13). Percebamos que Jesus quer que sua alegria seja completa em nós. Ele quer que sejamos plenos de alegria. Isto não quer dizer que não teremos cruzes, porque «o mundo os odiou, porque eles não são do mundo» (Jo 17,14), mas Jesus espera que vivamos com sua alegria independentemente do que o mundo pensa de nós. A alegria de Jesus deve nos permear até o mais íntimo de nosso ser, enquanto os rugidos superficiais de um mundo sem Deus não devem nos penetrar.
 
Hoje então vivamos a alegria de Jesus. Como podemos adquirir mais e mais dessa alegria de Jesus? Obviamente dele mesmo. Jesus é o único que nos dá a verdadeira alegria que está ausente no mundo, como podemos ver nas novelas de TV. Jesus disse, «Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado» (Jo 15,7). Então passemos tempo a cada dia em oração com as palavras de Jesus nas Escrituras, comamos e consumamos as palavras de Jesus nas Escrituras, deixemos que elas sejam nosso alimento, para que sejamos saciados com a alegria que vem de Jesus: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte» (Bento XVI).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A totalidade dos fiéis, nascidos na pia batismal, nasceu com Cristo em seu nascimento, assim como foi crucificado com Cristo em sua paixão e ressuscitou em sua ressurreição» (São Leão Magno)
 
«A oração de Jesus na vigília de sua paixão ressoou hoje no Evangelho: 'Que eles sejam uma coisa como nós'. Deste amor eterno entre o Pai e o Filho, que se estende em nós pelo Espírito Santo, ganha força a nossa missão e a nossa comunhão fraterna» (Francisco)
 
«A oração da 'hora de Jesus', justamente chamada 'oração sacerdotal' (cf. Jo 17), recapitula toda a Economia da criação e da salvação. Inspira as grandes petições do 'Pai Nosso'» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.758)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Estamos na novena de Pentecostes, aguardando a vinda do Espírito Santo.
Jesus diz que o dom do Espírito Santo só é dado a quem o pede na oração (Lc 11,13). No cenáculo, durante nove dias, desde a ascensão até pentecostes, os apóstolos perseveraram na oração junto com Maria a mãe de Jesus (At 1,14). Por isso conseguiram em abundância o dom do Espírito Santo (At 2,4). O evangelho de hoje continua colocando diante de nós a Oração Sacerdotal de Jesus. É um texto bem apropriado para nos preparar nestes dias para a vinda do Espírito Santo em nossas vidas.
 
* João 17, 11b-12: Guarda-os em teu nome! Jesus transforma a sua preocupação em prece: "Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós!" Tudo que Jesus fez em toda a sua vida, ele o fez em Nome de Deus. Jesus é a manifestação do Nome de Deus. O Nome de Deus é Javé, JHWH. No tempo de Jesus, este Nome era pronunciado como Adonai, Kyrios, Senhor. No sermão de Pentecostes, Pedro disse que Jesus, pela sua ressurreição, foi constituído Senhor : “Portanto, que todo o povo de Israel fique bem ciente que a esse mesmo Jesus, que vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Messias” (At 2,36). E Paulo diz que isto foi feito “para que todos proclamem, para glória de Deus Pai: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2,11). É o “Nome que está acima de todo nome” (Fl 2,9), JHWH ou Javé, o Nome de Deus, recebeu um rosto concreto em Jesus de Nazaré! É em torno a este Nome que deve ser construída a unidade: Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós. Jesus quer a unidade das comunidades, para que possam resistir frente ao mundo que as odeia e persegue. Povo unido ao redor do Nome de Jesus jamais será vencido!
 
* João 17,13-16: Que tenham a plenitude da minha alegria. Jesus está se despedindo. Vai partir em breve. Os discípulos e as discípulas continuam no mundo, vão ser perseguidos, terão aflições. Por isso estão tristes. Jesus quer que tenham alegria plena. Eles vão ter que continuar no mundo sem fazer parte do mundo. Isto significa, bem concretamente, viver no sistema do império, seja ele romano ou neoliberal, sem se deixar contaminar por ele. Como Jesus e com Jesus devem viver na contramão do mundo.
 
* João 17,17-19: Como tu me enviaste, eu os envio ao mundo. Jesus pede que sejam consagrados na verdade. Isto é, que sejam capazes de dedicar toda a sua vida para testemunhar suas convicções a respeito de Jesus e de Deus como Pai. Jesus se santificou na medida em que, durante a sua vida, revelava o Pai. Ele pede que os discípulos e as discípulas entrem no mesmo processo de santificação. A missão deles é a mesma de Jesus. Eles se santificam na mesma medida em que, vivendo o amor, revelam Jesus e o Pai. Santificar-se significa tornar-se humano como Jesus foi humano. Dizia o Papa Leão Magno: “Jesus foi tão humano, mas tão humano, como só Deus pode ser humano”. Por isso devem viver na contramão do mundo, pois o sistema do mundo desumaniza a vida humana e a torna contrária às intenções do Criador.
 
Para confronto pessoal
1) Jesus viveu no mundo, mas não era do mundo. Viveu na contramão do sistema e, por isso, foi perseguido e morto. E eu? Será que vivo na contramão do sistema de hoje, ou adapto minha fé ao sistema?
2) Preparação para Pentecostes. Invocar o dom do Espírito Santo, o Espírito que animou a Jesus. Nesta novena de preparação a Pentecostes convém tirar um tempo para pedir o dom do Espírito de Jesus.
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

domingo, 17 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Terça-feira da 7ª semana da Páscoa

São Pedro Celestino (Celestino V), papa e monge
Sto Ivo de Kermantin, presbítero, advogado e juiz.
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 20,17-27): Naqueles dias, estando Paulo em Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da Igreja. Quando chegaram junto dele, disse-lhes: «Sabeis como me comportei sempre convosco, desde o primeiro dia em que pus os pés na Ásia. Servi o Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio de provações que me vieram das ciladas dos judeus. Em nada que vos pudesse ser útil me furtei a pregar-vos e a instruir-vos, publicamente e de casa em casa. Exortei judeus e gregos a converterem-se a Deus e a acreditarem em Jesus, nosso Senhor. Agora vou para Jerusalém, prisioneiro do Espírito, sem saber o que lá me espera. Só sei que o Espírito Santo me avisa, de cidade em cidade, que me aguardam cadeias e tribulações. Mas por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que não tornareis a ver o meu rosto, vós todos entre os quais passei anunciando o Reino. Por isso posso garantir-vos, hoje, que não me sinto responsável pela perda de nenhum de vós, pois não me furtei a anunciar-vos todo o desígnio de Deus a vosso respeito».
 
Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.
 
Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos, restaurastes a vossa herança enfraquecida. A vossa grei estabeleceu-se numa terra que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.
 
Bendito seja o Senhor, dia após dia. Preocupa-se conosco Deus, nosso Salvador. O nosso Deus é um Deus que salva, da morte nos livra o Senhor.
 
Aleluia. Eu pedirei ao Pai, que vos dará o Espírito Santo, para estar convosco para sempre. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 17,1-11a): Assim Jesus falou, e elevando os olhos ao céu, disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique, assim como deste a ele poder sobre todos, a fim de que dê vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste. Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer. E agora Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que, do mundo, me deste. Eles eram teus e tu os deste a mim; e eles guardaram a tua palavra. Agora, eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, porque eu lhes dei as palavras que tu me deste, e eles as acolheram; e reconheceram verdadeiramente que eu saí de junto de ti e creram que tu me enviaste. Eu rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Eu já não estou no mundo; mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti».
 
«Pai, chegou a hora»
 
Rev. D. Pere OLIVA i March (Sant Feliu de Torelló, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho de São João —que há dias estamos lendo— começa falando-nos da “hora”: «Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique» (Jo 17,1). O momento culminante, a glorificação de todas as coisas, a doação máxima de Cristo que se entrega por todos... “A hora” é ainda uma realidade escondida aos homens; se revelará à medida que a trama da vida de Jesus nos abre a perspectiva da cruz.
 
Chegou a hora? A hora de que? Pois chegou a hora em que os homens conheçam o nome de Deus, ou seja, sua ação, a maneira de dirigir-se à Humanidade, a maneira de falarmos no Filho, em Cristo que o Pai ama.
 
Os homens e as mulheres de hoje, conhecendo Deus através de Jesus («porque eu lhes dei as palavras que tu me deste»: Jo 17,8), chegamos a ser testemunhas da vida, da vida divina que se desenvolve em nós pelo sacramento batismal. Nele vivemos nos movemos e somos; Nele encontramos palavras que alimentam e que nos fazem crescer; Nele descobrimos o que Deus quer de nós: a plenitude, a realização humana, uma existência que não vive de vanglória pessoal, mas sim de uma atitude existencial que se apoia em Deus mesmo e em sua glória. Como nos lembra São Irineu, «a glória de Deus é que o homem viva». Louvemos a Deus e sua glória para que a pessoa humana chegue a sua plenitude!
 
Estamos marcados pelo Evangelho de Jesus Cristo; trabalhamos para a glória de Deus, tarefa que se traduz em um maior serviço à vida dos homens e mulheres de hoje. Isto quer dizer: trabalhar pela verdadeira comunicação humana, a felicidade verdadeira da pessoa, fomentar o gozo dos tristes, exercer a compaixão com os débeis... definitivamente: abertos à Vida (em maiúscula).
 
Pelo Espírito, Deus trabalha no interior de cada ser humano e habita no mais profundo da pessoa e não deixa de estimular a todos a viver dos valores do Evangelho. A Boa Nova é expressão da felicidade libertadora que Ele quer dar-nos.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Portanto, todos nós não somos mais do que uma única coisa no Pai, o Filho e o Espírito Santo: uma única coisa pela identidade de condição, pela assimilação que o amor realiza, pela comunhão da santa humanidade de Cristo e pela participação no único e Santo Espírito» (São Cirilo de Alexandria)
 
«Conhecer a Jesus significa conhecer o Pai, e conhecer o Pai significa entrar em comunhão real com a própria Origem da vida, da luz e do amor» (Bento XVI)
 
«A vigilância é a 'guarda do coração', e Jesus pede ao Pai que 'nos guarde em Seu Nome' (Jo 17,11). O Espírito Santo tenta continuamente nos despertar para essa vigilância. Esta petição adquire todo o seu sentido dramático referindo-se à tentação final de nosso combate na terra; pede a perseverança final. 'Olhe, eu venho como um ladrão. Feliz aquele que está acordado' (Ap 16,15)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.849)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Nos evangelhos de hoje, de amanhã e de depois de amanhã, vamos meditar as palavras que Jesus dirigiu ao Pai no momento da despedida.
João conservou estas palavras e as colocou como pronunciadas por Jesus durante o último encontro de Jesus com seus discípulos. É o Testamento de Jesus em forma de prece, também chamada Oração Sacerdotal (Jo 17,1-26).
 
* O capítulo 17 do evangelho de João é o final de uma longa reflexão de Jesus, iniciada no capítulo 15, sobre a sua missão no mundo. As comunidades conservaram estas reflexões para poderem entender melhor o momento difícil que elas mesmas estavam atravessando: tribulação, abandono, dúvidas, perseguição. A longa reflexão termina com a oração de Jesus pelas comunidades. Nela transparecem os sentimentos e as preocupações que, conforme o evangelista, estavam em Jesus no momento de ele sair deste mundo para o Pai. É com estes sentimentos e com esta preocupação que Jesus está agora diante do Pai, intercedendo por nós. Por isso, a Oração Sacerdotal é também o Testamento de Jesus. Muita gente, no momento de se despedir para sempre, deixa alguma mensagem. Todo mundo guarda palavras importantes do pai e da mãe, sobretudo quando são dos últimos momentos da vida. Preservar estas palavras é como preservar as pessoas. É uma forma de saudade.
 
* O capítulo 17 é um texto diferente. É mais de amizade do que de raciocínio. Para captar bem todo o seu sentido, não basta a reflexão da cabeça, da razão. Este texto deve ser meditado e acolhido também no coração. É um texto não tanto para ser discutido mas sim para ser meditado e ruminado. Por isso, você não se preocupe se não entender logo tudo. O texto exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Um texto assim, a gente deve ler, meditar, pensar, ler de novo, repetir, ruminar, como se faz com um doce gostoso na boca. Vai virando e virando, até se gastar todo. Por isso, feche os olhos, faça silêncio dentro de você e escute Jesus falando para você, transmitindo no Testamento sua maior preocupação, sua última vontade. Procure descobrir qual o ponto em que Jesus insiste mais e que ele considera o mais importante.
 
* João 17,1-3:  Chegou a hora! “Pai, chegou a hora!" É a hora longamente esperada (Jo 2,4; 7,30; 8,20; 12,23.27; 13,1; 16,32). É o momento da glorificação que se fará através da paixão, morte e ressurreição. Chegando ao fim da sua missão, Jesus olha para trás e faz uma revisão. Nesta prece, ele vai expressar o sentimento mais íntimo do seu coração e a descoberta mais profunda da sua alma: a presença do Pai em sua vida.
 
* João 17,4-8: Pai, reconheceram que vim de Ti!. Revendo sua vida, Jesus se vê a si mesmo como a manifestação do Pai para os amigos e as amigas que o Pai lhe deu. Jesus não viveu para si. Viveu, para que todos pudessem ter um lampejo da bondade e do amor que estão encerrados no Nome de Deus que é Abba, Pai.
 
* João 17,9-11a: Tudo que é meu é teu, tudo que é teu é meu!. No momento de deixar o mundo, Jesus expõe ao Pai a sua preocupação e reza pelos amigos e amigas que ele deixa para trás. Eles continuam no mundo, mas não são do mundo. São de Jesus, são de Deus, são sinais de Deus e de Jesus neste mundo. Jesus está preocupado com as pessoas que ficam, e reza por elas.
 
Para confronto pessoal
1) Quais as palavras de pessoas queridas que você guarda com carinho e que orientam a sua vida? Caso você fosse embora, qual a mensagem que você deixaria para sua família e para a comunidade?
2) Qual a frase do Testamento de Jesus que mais me tocou? Por que?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

sábado, 16 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Segunda-feira da 7ª semana da Páscoa

São Félix de Cantalício, religioso
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 19,1-8): Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou a região alta e chegou a Éfeso. Encontrou lá alguns discípulos e perguntou-lhes: «Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?». Eles responderam-lhe: «Nem sequer ouvimos falar do Espírito Santo». Paulo perguntou: «Então, que baptismo recebestes?». Eles responderam: «O baptismo de João». Disse-lhes Paulo: «João administrou um baptismo de penitência, dizendo ao povo que acreditasse n’Aquele que ia chegar depois dele, isto é, em Jesus». Depois de ouvirem estas palavras, receberam o Baptismo em nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar línguas e a profetizar. Eram ao todo uns doze homens. Paulo foi em seguida à sinagoga, onde falou com firmeza durante três meses, argumentando de modo convincente sobre o reino de Deus.
 
Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.
 
Levanta-se Deus, dispersam-se os inimigos e fogem diante deles os que O odeiam. Como se desfaz o fumo, assim eles se dissipam, assim perecem os ímpios à vista de Deus.
 
Os justos exultam na presença de Deus, exultam e transbordam de alegria. Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome; o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.
 
Pai dos órfãos e defensor das viúvas é Deus na sua morada santa. Aos abandonados Deus prepara uma casa, conduz os cativos à liberdade.
 
Aleluia. Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 16,29-33): Os seus discípulos disseram: «Agora, sim, falas abertamente, e não em figuras. Agora vemos que conheces tudo e não precisas que ninguém te faça perguntas. Por isso acreditamos que saíste de junto de Deus!». Jesus respondeu: «Credes agora? Eis que vem a hora, e já chegou, em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis sozinho. Mas eu não estou só. O Pai está sempre comigo. Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo».
 
«Que tenham em si a minha alegria em plenitude»
 
Rev. D. Miquel SALÓ Casajuana (Sabadell, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, Jesus afirma que os discípulos O deixarão sozinho, mas acrescenta imediatamente que não está só, «porque o Pai está comigo» (Jo 16,32). Pai, Filho e Espírito Santo formam uma comunidade de amor. Do mesmo modo, também nós, os batizados, participamos desta comunhão de amor; nunca estamos sozinhos: «Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o “Espírito da Verdade”» (Leão XIV).
 
Podemos participar da vida divina em qualquer momento. Como criaturas, o Pai mantém-nos sempre no ser. Como batizados, podemos sempre participar da Inabitação da Santíssima Trindade em nós. Tem presente que podes sempre dirigir-te ao Senhor em qualquer lugar e circunstância. Esta relação com a Trindade alimenta-se especialmente nos sacramentos e deve manifestar-se na prática da caridade.
 
É necessário cuidar da relação com Deus para a tornar mais intensa e viva: participar nos sacramentos (especialmente, na Eucaristia e na Penitência), ter uma vida de maior intimidade através da oração, da leitura da Sagrada Escritura ou da prática da caridade, seguindo as obras de misericórdia. Ele vem ao nosso encontro; devemos acolhê-Lo na nossa pessoa.
 
Com o olhar posto na Ascensão e no Pentecostes, o Evangelho recorda-nos também que Cristo venceu a morte. Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente. Ainda estamos no tempo pascal. Jesus recorda-nos que Ele venceu o mundo (cf. Jo 16,33). Se compararmos isto com o mundo do desporto, seria como estar a jogar um jogo sabendo que já está ganho. Isto não significa que não haja perigos; não significa que não seja necessário esforçar-se. Apesar de ainda restar tempo de jogo e de haver suor e sofrimento, sabemos que a vitória é nossa.
 
Sempre pela mão de Maria! Ela está cheia do Espírito Santo, viveu uma vida de grande intimidade com Cristo, trouxe-O no seu seio durante nove meses, escutou-O ao longo dos anos e acompanhou os discípulos na recepção do Espírito Santo no dia de Pentecostes.
 
«Mas tende coragem! Eu venci o mundo»
 
Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala (Vic, Barcelona, Espanha)
 
Hoje podemos ter a sensação de que o mundo da fé em Cristo se debilita. Existem várias notícias que vão contra a fortaleza que quereríamos receber de uma vida fundamentada integramente no Evangelho. Os valores do consumismo, do capitalismo, da sensualidade e do materialismo estão em voga e em contra de tudo o que suponha pôr-se em sintonia com as exigências evangélicas. Não obstante, este conjunto de valores e de formas de entender a vida não nos dão nem a plenitude pessoal nem a paz, mas apenas trazem mais mal-estar e inquietude interior. Não será por isso que, hoje, as pessoas que vão pela rua enferrujadas, fechadas e preocupadas com um futuro que não vêm nada claro, precisamente porque o hipotecaram ao preço de um carro, de um apartamento ou de umas férias que, de fato, não se podem permitir?
 
As palavras de Jesus convidam-nos à confiança: «Eu venci o mundo» (Jo 16,33), quer dizer, pela sua Paixão, Morte e Ressurreição alcançou a vida eterna, aquela que não tem obstáculos, aquela que não tem limite e superou todas as dificuldades.
 
Os de Cristo vencemos as dificuldades tal e como Ele as venceu, apesar de na nossa vida também termos de passar por sucessivas mortes e ressurreições, nunca desejadas mas assumidas pelo próprio Mistério Pascal de Cristo. Por acaso não são “mortes” a perca de um amigo, a separação da pessoa amada, o fracasso de um projeto ou as limitações que experimentamos por causa da nossa fragilidade humana?
 
Mas «em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou» (Rom 8,37). Sejamos testemunhas do amor de Deus, porque Ele em nós «fez (…) grandes coisas» (Lc 1,49) e deu-nos a sua ajuda para superar todas as dificuldades, inclusivamente a da morte, porque Cristo nos comunica o seu Espírito Santo.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Durante todo este tempo entre a ressurreição do Senhor e a sua ascensão, a providência de Deus encarregou-se de demonstrar, insinuando-se nos olhos e no coração dos seus, que a ressurreição do Senhor Jesus Cristo foi tão real quanto o seu nascimento, paixão e morte» (São Leão Magno)
 
«Aqui nos interessa destacar o segredo da alegria insondável que Jesus traz consigo e que é sua. Se Jesus irradia essa paz, essa segurança, essa alegria, essa disponibilidade, é pelo amor inefável com que se sabe amado pelo Pai» (São Paulo VI)
 
«(…) A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. (...) ‘No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!’ (Jo 16, 33)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.808)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O contexto do evangelho de hoje continua sendo o ambiente da Última Ceia, ambiente de confraternização e de despedida, de tristeza e de expectativa, no qual se reflete a situação das comunidades da Ásia Menor do fim do primeiro século.
Para poder entender bem os evangelhos, não podemos nunca esquecer que eles não relatam as palavras de Jesus como se fossem gravadas num CD para transmiti-las literalmente. Os Evangelhos são escritos pastorais que procuram encarnar e atualizar as palavras de Jesus nas novas situações em que se encontravam as comunidades na segunda metade do primeiro século na Galileia (Mateus), na Grécia (Lucas), na Itália (Marcos) e na Ásia Menor (João). No evangelho de João, as palavras e as perguntas dos discípulos não são só dos discípulos, mas nelas transparecem também as perguntas e os problemas das comunidades. São espelhos, nos quais as comunidades, tanto as daquele tempo como as de hoje, se reconhecem com suas tristezas e angústias, com suas alegrias e esperanças. Elas encontram luz e força nas respostas de Jesus.
 
* João 16,29-30: Agora estás falando claramente. Jesus tinha dito aos discípulos: O próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus. Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai (Jo 16,27-28). Ouvindo esta afirmação de Jesus, os discípulos respondem: Agora estás falando claramente e sem comparações. Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus". Os discípulos acham que entenderam tudo. Sim, realmente, eles captaram uma luz verdadeira para clarear seus problemas. Mas era uma luz ainda muito pequena. Captaram a semente, mas por agora não conhecem a árvore. A luz ou a semente era a intuição básica da fé de que Jesus é para nós a revelação de Deus como Pai: Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus. Mas isto era apenas o começo, a semente. Jesus, ele mesmo, era e continua sendo a grande parábola ou revelação de Deus para nós. Nele Deus chega até nós e se revela. Mas Deus não cabe em nossos esquemas. Ultrapassa tudo, desarruma nossos esquemas e traz surpresas inesperadas que, por vezes, são muito dolorosas.
 
* João 16,31-32: Vocês me deixam só, mas não estou só. O Pai está comigo. Jesus pergunta: "Agora vocês acreditam?" Ele conhece seus discípulos. Sabe que falta muito para a compreensão total do mistério de Deus e da Boa Nova de Deus. Sabe que, apesar da boa vontade e apesar da luz que acabaram de receber naquele momento, eles ainda deviam enfrentar a surpresa inesperada e dolorosa da Paixão e Morte de Jesus. A pequena luz que captaram não bastava para vencer a escuridão da crise: Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. Esta é a fonte da certeza de Jesus e, através de Jesus, esta é e será a fonte da certeza de todos nós: O Pai está comigo! Quando Moisés foi enviado para a missão de libertar o povo da opressão do Egito, ele recebeu esta certeza: “Vai! Estou com você!” (Ex 3,12). A certeza da presença libertadora de Deus está expressa no nome que Deus assumiu na hora de iniciar o Êxodo e de libertar o seu povo: JHWH, Deus conosco: Este é o meu nome para sempre (Ex 3,15). Nome que ocorre mais de seis mil vezes só no Antigo Testamento.
 
* João 16,33: Coragem! Venci o mundo! E vem agora a última frase de Jesus que antecipa a vitória e que será fonte de paz e de resistência tanto para os discípulos e discípulas daquele tempo como para todos nós, até hoje: Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo. “Com seu sacrifício por amor, Jesus vence o mundo e o Satanás. Seus discípulos são chamados a participar da luta e da vitória. Sentir o ânimo que ele infunde já é ganhar uma batalha” (L.A.Schokel).
 
Para confronto pessoal
1) Uma pequena luz ajudou os discípulos a dar um passo, mas não iluminou o caminho todo. Você já teve uma experiência assim na sua vida?
2) Coragem! Eu venci o mundo! Esta frase de Jesus já te ajudou alguma vez em sua vida?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Ascensão do Senhor

São Pascoal Bailão, religioso
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 1,1-11): No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João batizou com água; vós, porém, sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
 
Salmo Responsorial: 46
R. Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.
 
Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com brados de alegria, porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível, o Rei soberano de toda a terra.
 
Deus subiu entre aclamações, o Senhor subiu ao som da trombeta. Cantai hinos a Deus, cantai, cantai hinos ao nosso Rei, cantai.
 
Deus é Rei do universo: cantai os hinos mais belos. Deus reina sobre os povos, Deus está sentado no seu trono sagrado.
 
2ª Leitura (Ef 1,17-23): Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
 
Aleluia. Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 28,16-20): Os onze discípulos voltaram à Galileia, à montanha que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, prostraram-se; mas alguns tiveram dúvida. Jesus se aproximou deles e disse: «Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos».
 
«Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra»
 
Dr. Josef ARQUER (Berlin, Alemanha)
 
Hoje contemplamos umas mãos que abençoam —o último gesto terreno do Senhor (cf. Lc 24,51). Ou algumas pegadas marcadas numa colina —o último sinal visível da passagem de Deus pela nossa terra. Em algumas ocasiões, representa-se essa colina como uma rocha, e a pegada de suas pisadas ficam gravadas não sobre a terra, mas na rocha. Como que aludindo àquela pedra que Ele anunciou e que rapidamente será selada pelo vento e pelo fogo do Pentecostes. A iconografia emprega desde a antiguidade esses símbolos tão sugestivos. E também a nuvem misteriosa —sombra e luz ao mesmo tempo que acompanha tantas teofanias já no antigo testamento. O rosto do Senhor nos deslumbraria.
 
São Leão Magno ajuda-nos a aprofundar o acontecimento: «O que era visível no nosso Salvador passou agora aos seus mistérios». A que mistérios? Aos que confiou à sua Igreja. O gesto da bênção realiza-se na liturgia, as pegadas sobre a terra marcam o caminho dos sacramentos. E é um caminho que conduz à plenitude do definitivo encontro com Deus.
 
Os apóstolos terão tido tempo para se habituar ao outro modo de ser do seu Mestre ao longo daqueles quarenta dias, nos quais o Senhor— dizem-nos os exegetas— não “se aparece”, mas que —numa tradução fiel literal— “se deixa ver”. Agora nesse último encontro, renova-se o assombro. Porque agora descobrem que, daqui em diante, não só anunciarão a Palavra, mas que infundirão vida e saúde, com o gesto visível e a palavra audível: no batismo e nos outros sacramentos.
 
«Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra» (Mt 28, 18). Toda a autoridade… Ir a todas as gentes… E ensinar a guardar tudo… E Ele estará com eles —com a sua Igreja, conosco— todos os tempos (cf Mt 28,19-20). Esse “todo” retumba através do espaço e do tempo, afirmando-nos na esperança.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Os Apóstolos aproveitaram tanto a Ascensão do Senhor que tudo o que antes lhes causava medo, depois tornou-se alegria. A partir daquele momento elevaram toda a contemplação da sua alma à divindade sentada à direita do Pai» (São Leão Magno)
 
«A Ascensão de Jesus ao céu constitui o fim da missão que o Filho recebeu do Pai e o início da continuação desta missão por parte da Igreja, que durará até o fim da história e contará com a ajuda do Senhor Ressuscitado» (Francisco)
 
«A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu estar com os seus, ‘sempre, até ao fim do mundo’ (Mt 28, 20)» (Catecismo da Igreja Católica, n. 80)

"Eu estarei convosco, até o fim do mundo"

Do site da Ordem do Carmo em Portugal

*
Diversamente dos outros evangelistas, Mateus refere uma só aparição de Jesus ressuscitado aos “onze discípulos”, que redige e insere como conclusão final da sua obra, retomando o tema principal da mesma: Jesus é o Messias, o Deus conosco, cuja palavra, obra e salvação, se devem estender a todas as nações, cumprindo-se assim as promessas de Deus a Abraão. E assim como no seu Evangelho recolhe as palavras de Jesus em cinco discursos, também conclui a sua obra, não com palavras suas, mas deixando que seja o próprio Jesus, uma vez mais, a dirigir-se pessoalmente aos seus discípulos, a cada um dos destinatários do Evangelho.
 
* O texto de hoje tem duas partes: a) a aparição de Jesus aos Onze (vv. 16-18); e b) o grande mandato missionário (vv. 19-20).
 
v. 16. Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. Os onze discípulos" (Mc 16,14; Lc 24,9.33; At 1,26) são os "Doze discípulos" (10,1; 11,1; 20,17), ou seja, "os Doze” (10,5; 11,1; 26,20) “apóstolos" (10,2), que agora, sem Judas Iscariotes – “um dos Doze” (26,14.47), aquele que traiu Jesus (10,4) –, ficaram reduzidos a onze, pois Judas Iscariotes, ao tomar consciência do seu ato, se tinha suicidado (27,3-5).
 
* A aparição de Jesus aos onze é situada por Mateus, sem indicação de tempo, nem precisão de lugar, não em Jerusalém, mas na Galileia (he. "distrito", "região"). Porquê? Porque:
 
a) A missão de Jesus, que tinha começado na periferia norte de Israel, consuma-se onde tinha começado: na Galileia. E a missão universal da Igreja, que agora vai começar, a partir de Cristo ressuscitado, nasce da missão de Jesus na Galileia, que se alargou, tomando corpo primeiro na missão dos apóstolos, ainda quando Jesus estava fisicamente entre eles (10,5), e estendendo-se depois do Pentecostes a cada um dos membros da Igreja, de modo que o Evangelho seja anunciado sempre, por todos os discípulos de Jesus, a todos, em toda a parte, até ao fim dos tempos.
 
b) esta região é a desprezada “Galileia das nações” (4,15; Is 9,1; cf. Jo 7,52), onde coabitavam gentios e judeus, nessa altura, numa proporção de 2 para 1. A missão da Igreja, doravante, já não se restringirá apenas “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6), mas destinar-se-á a todas as gentes.
 
c) quando Mateus escreve o Evangelho, Jerusalém já tinha sido destruída pelas tropas de Tito, no ano de 70 d.C. Antes, porém, no Inverno de 66-67 d.C., quando as tropas romanas começaram a reconquistar a Galileia, após a sublevação de Israel no verão de 66, a comunidade cristã, obedecendo à palavra de Jesus (24,15-28), já tinha deixado Jerusalém e fugido da Judeia, primeiro para Pela, na Decápole (atual Jordânia: cf. Eus. Hist. eccl. 3.5.3), e, depois da conquista de Jerusalém, espalhando-se daí para a Galileia, o Líbano e a Síria. Mateus, no seguimento de Marcos, dá aqui a entender que Jerusalém deixa, desde então, de ser a capital do Povo de Deus (cf. Lc 21,24), para o centro do novo Povo de Deus passar a ser o lugar onde Jesus convoca e reúne os seus discípulos (Mc 16,7 precisa-o: à volta de Pedro), neste caso, a Galileia, o lugar onde os eles vivem e trabalham, ou seja, a Galileia da vida concreta: é aí que Jesus ressuscitado se encontra com os seus discípulos e os envia em missão – primeiro os apóstolos e, depois, neles, todos os membros da comunidade cristã, que os apóstolos representam. É por este motivo que Mateus não os designa como “os onze apóstolos”, mas “os onze discípulos”, para neles ver representados todos os cristãos.
 
* O encontro de Jesus ressuscitado com os Onze ocorre num “monte” da Galileia. É o último dos oito montes (4,8 [1º]; 5,1 [2º].14 [é também um “monte”, o 3º!]; 14,23 [4º]; 15,29 [5º]; 17,1 [6º]; 21,1 [7º]) que Mateus refere na sua obra, dos quais (exceto no caso do monte das Oliveiras: Zc 14,4), nunca indica o lugar preciso nem o nome, a fim de se destacar apenas o seu significado teológico. No AT, o “monte” é o lugar do encontro com Deus e da revelação. Este “monte” agora é Jesus, sobre o qual está assente e é edificada a Igreja (cf. 5,14!; 16,18), a nova Jerusalém, a partir da qual será anunciada a Palavra de Cristo, a nova lei de Deus, a todas as nações, como tinha sido prometido através dos profetas (cf. Is 2,2-5; 66,20; Jr 31,6; Mq 4,2; Zc 8,20-23). E tal como Moisés, antes de morrer, contemplou do cimo do monte indicado por Deus a Terra Prometida e aí instituiu Josué como seu sucessor (Nm 27,12‑23; Dt 3,27s; 34,1-4), Jesus, o novo Moisés, confia aos seus discípulos a terra inteira para nela formar o novo Povo de Deus, que Ele, o novo Josué (o nome hebraico Iehoschua – em aramaico Ioschua – é traduzido para grego, pelos LXX, como Iesous, "Jesus"), introduzirá na verdadeira terra prometida, que é o Reino dos céus. E assim como foi num monte da Galileia que Jesus “começou a ensinar” (5,1), é também a partir dum monte da Galileia que Ele envia os seus discípulos a "ensinar", não apenas ao povo de Israel, mas a todas as nações.
 
* “Designar” (gr. tássô) tem aqui duplo significado: a) refere-se ao lugar da Galileia (26,32), indicado por Jesus na Última Ceia, tal como o anjo o recordou às mulheres quando lhes anunciou a ressurreição de Jesus (v. 7) e o próprio Jesus ressuscitado lhes mandou anunciar “aos seus irmãos” (v. 10); b) significa “instituir num serviço”, porque é agora que os Doze são constituídos apóstolos para todas as nações.
 
* v. 17. E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram. Os apóstolos, “quando o viram” (Jo 20,20), prostram-se por terra e “adoram” Jesus ressuscitado (v. 9; Lc 24,52), pois é só então, a partir da Sua ressurreição, que Ele se lhes revela claramente como Deus, ou seja, como o único Senhor (he. Adonai; gr. Kyriós) a quem se deve adorar (4,10).
 
* “Alguns duvidaram”: Mateus refere aqui, descontextualizadas e sintetizadas nesta brevíssima expressão, as dúvidas e as dificuldades que os discípulos tiveram em acreditar na ressurreição de Jesus
(Mc 16,10-14; Lc 24,25; Jo 20,25.27). A persistência de dúvidas nalguns deles, mesma na presença do próprio Cristo ressuscitado, mostra que não é a partir dos sentidos, nem apenas duma visão interior, mas da fé na Palavra que é possível encontrar-se com Jesus Ressuscitado e reconhecê-lo (cf. Jo 20,8s; 2Cor 5,16; Rm 10,8ss). Este encontro e este reconhecimento, porém, requerem um “salto na fé” tão grande e uma conversão interior tão profunda, que muitos, demasiado presos à letra da Lei ou aos seus próprios esquemas mentais, têm dificuldade de dar.
 
* v. 18. Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra. A segunda parte narra o grande mandato missionário de Jesus aos “onze discípulos” e, neles, a todos os membros da Igreja que eles representam (19,28).
O mandato (vv. 19-20a) é precedido pela declaração da autoridade de Jesus (v. 18) e concluído com a sua promessa de permanecer com eles até ao fim do tempo (20b), estando dispostos os seus elementos numa estrutura quiástica: A, autoridade (v. 18b); B, fazer discípulos (v. 19a); C: batizar (o elemento central: v. 19b); B’, ensinar os discípulos (v. 20a); A’, presença (v. 20b).
 
* “Aproximando-se deles” (17,7): pela ressurreição, Jesus não se separou dos seus discípulos, mas aproxima-se antes deles, tomando a iniciativa de ir ao seu encontro, a fim de restabelecer uma relação íntima e pessoal com eles, que será o meio deles receberem o seu poder e a fonte donde jorrará cada dia o ímpeto sempre renovado da sua missão e a fecundidade da sua obra. Ao tomar a iniciativa de se aproximar deles, Jesus ensina os seus discípulos a imitá-lo, tomando também eles a iniciativa de ir ao encontro dos outros, neste caso, das gentes de toda a humanidade.
 
* Depois, Jesus revela-lhes que, graças à sua ressurreição, "Lhe foi dada" (é um passivo divino; subentende-se: por Deus; cf. a paródia diabólica acerca deste poder, sobre o primeiro monte: 4,9), “toda a autoridade”. É a décima e última vez que o termo "autoridade" (gr. exousía) aparece em Mateus, simbolizando o número dez, em hebraico, a totalidade. Mateus indica assim que, pela paixão, morte e ressurreição, "foi dada" a Jesus, enquanto "Filho do homem", tal como tinha sido anunciado por Dn 7,13-14, toda a autoridade, ou seja, todo o poder, toda a potestade divina (11,27; Lc 10,22; Jo 3,35).
 
* Esta autoridade é exercida por Jesus de forma universal, sobretudo, “no céu e sobre a terra”, unindo-os (cf. Ef 1,20ss; Ap 12,10). A tradição judaica dizia que Moisés “tinha controle sobre a terra e os céus” (ExRab 12,75a); Jesus, o novo Moisés, é constituído Senhor sobre toda a criação, inaugurando assim um novo êxodo, o êxodo do novo povo de Deus, que se estenderá a toda a humanidade, libertando-a do poder da morte e fazendo-a sair do Egito do pecado (1,21), para a introduzir na verdadeira terra da promissão, o Reino dos céus.
 
* Porque divina, a autoridade de Jesus ressuscitado é universal, abarcando "o céu e a terra", estendendo-se aos anjos, a todos os homens de todos os tempos (vivos ou mortos) e a toda a criação (22,32; 25,32), como o adjetivo “todo” (gr. pãs, "todo", "tudo" e "cada um", 4x no presente texto: vv. 18ss) indica.
 
* v. 19. Ide, pois, fazei discípulas todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. “Ide” é o imperativo missionário (7,10; Mc 16,15; 2Rs 2,16). O particípio aoristo passivo indica que a missão não é uma ação pontual, mas constante, que se vai processando, à medida que os discípulos vão avançando, ao longo da história, ao encontro de todas as pessoas, em todo o tempo e lugar. A Igreja, nascida da missão de Jesus, é, por sua natureza, missionária.
 
* Jesus explicita o mandato que transmite aos seus discípulos em cinco pontos:
 
1) a missão é universal, já não se limita apenas ao povo de Israel (10,5s), mas destina-se a “todas as gentes” (24,14p; 26,13; Mc 16,15; At 1,8; Cl 1,23). A autoridade universal que foi dada a Jesus é o fundamento da missão universal da Igreja.
2) A missão articula-se em três etapas:
 
i) “fazei discípulas”. É a primeira etapa, a evangelização. "Evangelizar" é pregar o querigma (1Cor 15,3-5), por palavras e obras, no poder do Espírito (cf. Rm 15,19; 2Cor 12,12; Gl 3,5; 1Ts 1,5; Hb 2,4).
 
* "Todas as gentes”: a expressão está no acusativo, sendo o complemento direto do verbo “fazer discípulos/as” (gr. matheteuo, só 4x na Bíblia: três em Mateus, 13,52; 27,57; e uma em At 14,21).
 
* O AT tinha duas palavras para designar um povo: a) "povo" (he. 'am; gr. laós), quase sempre, o povo de Deus propriamente dito, ou seja, Israel; b) "nação" (he. gôy; gr.éthnos), aqueles povos e nações que não faziam parte de Israel.
 
* É a estas que Jesus se refere aqui, no sentido mais amplo.
De facto, o termo “nação”  em grego não tem apenas a conotação sociopolítica que hoje tem, mas indica também o conjunto de pessoas que fazem parte da mesma nação, ou seja, aqueles que normalmente se costuma designar "gentios" ou “gentes”. É o caso desta expressão, em que Jesus pensa mais nas pessoas do que nas instituições (embora não as exclua), incluindo também entre elas o povo de Deus da antiga aliança, a quem os “doze apóstolos” já tinham sido enviados (10,5-6), não sendo por isso aqui explicitamente mencionado, uma vez que Jesus só quer indicar que doravante a missão se dirige também aos gentios. Jesus não exclui ninguém da sua oferta de salvação; pelo contrário: quer que todos dela possam beneficiar. Desta forma, a missão evangelizadora da Igreja deve estender-se a todos as pessoas, de todos os povos, nações, línguas, sexo, idade, tempo, cultura ou condição social, quer sejam hebreias, quer não.
 
* A expressão “todas as gentes” evoca a promessa de Deus a Abraão de na sua descendência (que é Jesus: Gl 3,16) serem "abençoadas todas as gentes da terra" (Gn 18,18; 22,18; 26,6), cumprindo-se assim esta promessa da forma mais universal (cf. 3,9; 8,11; Sl 47,2; 72,11.17; 117,1; Is 2,2; 25,7; 66,18; Jr 3,17; Dn 7,14; Am 9,12; Ag 2,7).
 
* Inserida aqui, na conclusão final, a expressão indica que a salvação que Jesus alcançou com a sua paixão e morte de cruz não se destina apenas “ao seu povo” (1,21), nem se limita à "redenção” e à remissão dos pecados “de muitos” (20,28; 26,28), mas tem um alcance universal, abrangendo não só “todas as gentes” de todas as épocas, mas abarcando também toda a criação (cf. v. 18).
 
ii) “batizar” (gr. "mergulhar", “imergir”: 2Rs 5,14) os que acreditaram no Evangelho (Mc 16,16; At 2,38; 8,12). É a segunda etapa, a iniciação cristã: fazer renascer e participar na vida divina os que escutaram a Palavra, se arrependeram e confessam a Jesus Cristo como o Senhor, a fim de viver a vida nova do Evangelho.
 
“Em nome” (eis ónoma: 10,41s; 18,20; 24,9): o Nome designa a pessoa (6,9), sendo doravante a presença libertadora e salvífica da Trindade o novo e definitivo “memorial” de Deus (cf. Ex 3,15) no meio do Seu povo, espalhado entre todas as gentes.
 
* Pelo batismo (o termo inclui aqui os três sacramentos de iniciação cristã: batismo, crisma e Eucaristia), o crente nasce de novo, é unido a Cristo como membro do seu Corpo e feito filho de Deus, tornando-se morada do Espírito Santo e participante da vida divina, ficando assim capacitado para viver como discípulo-missionário de Jesus, seguindo-o como seu Senhor, no seio da Igreja;
 
* v. 20. E ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação do tempo».
 
iii) “Ensinar” (5,2; 13,54; 21,24; 22,16). É a terceira etapa: ajudar os que já renasceram pelo batismo e receberam o dom do Espírito Santo a viver segundo a sua nova condição. "Ensinar" e evangelizar (4,23; 9,35; 11,1) eram as atividades fundamentais de Jesus, que os seus discípulos continuam, destinando-se a primeira aos membros do povo de Deus que já conheciam a Sua Palavra, e a segunda, àqueles que ainda não conheciam Deus e a Sua Palavra. “Ensinar” (que, em Mateus, começa por pôr em prática, cumprir: 5,19!) consiste em expor aos batizados, de forma orgânica e estruturada, todo o desígnio salvífico de Deus, dizendo-lhes qual é a sua vontade e mostrando-lhes como a cumprir, de modo que possam progredir na vida cristã, pondo em prática o Evangelho (3,10; 7,21.24; 12,50; 21,31ss) em todos os aspetos e dimensões da sua existência, imitando Jesus (10,25).
 
* “Tudo o que vos mandei”. A expressão evoca:
a) a fidelidade à Palavra (5,19; Ex 23,22; Dt 6,25; 8,1; 13,1. 19; 28,1; 30,16; 32,46; Js 22,2). Os discípulos de Jesus devem transmitir integralmente a Sua palavra, o Evangelho – não as suas próprias ideias, opiniões ou preferências pessoais –, ensinando os outros a "guardá-lo", ou seja, a conservá-lo vivo, na mente e no coração, para o observar, o "pôr em prática". Na Igreja primitiva, o ensino, assente na palavra de Deus, sobretudo no Evangelho, e dirigido à vida, fazia-se depois do batismo, sacramento que se recebia imediatamente a seguir ao querigma (At 2,41s), a primeira fase da evangelização, durante a qual se transmitia o núcleo essencial da fé (Hb 6,1s; cf. supra, v. 19, 2.i).
 
b) a atividade profética (Ex 25,22; Jr 1,7.17). Apesar da oposição do mundo (5,12s; 10,18.22.25; 23,34; 24,9), os discípulos, tal como os profetas em relação à palavra de Deus, não devem deixar de anunciar o Evangelho a todos.
 
3) A profissão de fé trinitária, a mais clara e concisa do NT (v. 19): Deus é Trindade, uma comunhão de três Pessoas divinas, iguais e distintas, que são um só Deus, como mostra o polissíndeto (“e”) em que o único “Nome” de Deus as une e rege por igual (cf. 1Cor 12,4-6; 2Cor 13,13).
 
4) A promessa de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias” (Dt 31,23; Js 1,5.9; Is 41,10; 43,2; Jr 1,19; Ag 1,13; 2,4s; At 18,10; 2Tm 4,17). O Evangelho conclui como começou, formando a grande inclusão mateana. No início do Evangelho, o anjo tinha dito que Jesus se haveria de chamar Emanuel, "Deus connosco" (1,23; Is 7,14; Is 8,10); agora, o próprio Jesus confirma esta declaração, anunciando o novo nome de Deus (do "Eu Sou": Ex 3,14) que nele se revela, literalmente: “Eu convosco Sou”. Cumpre deste modo no novo Povo de Deus, a Igreja (cf. 18,20), a grande promessa do AT: a de Deus habitar sempre, “todos os dias”, no meio do seu povo (Ex 29,45; Ez 37,26s; Zc 2,14s; 8,23; 2Cor 6,16), doravante não apenas na terra de Israel, como anunciaram os profetas, mas no meio de todas as gentes e nações da terra, no seio da humanidade renascida da sua obra redentora de alcance universal.
 
5) A duração da missão. A missão durará "até à consumação do tempo” (gr. aiôn: “século”, "era"). A expressão, no singular, é própria de Mateus (13,39-40.49; 24,3).
 
* "Consumar" significa devorar, consumir pelo fogo (cf. 1Cor 3,13). "A consumação do tempo" designa o último dia do “fim dos tempos” (Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 2,9; Gl 4,4; Ef 1,10), determinado pelo Pai (24,36), em que Jesus virá, os mortos ressuscitarão e todos serão julgados por Ele (13,49; 24,3; cf. 25,31). Então o universo será "consumido" pelo fogo do amor de Deus e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), que, assumidos por Cristo ressuscitado, participarão da sua ressurreição, na eternidade prometida (13,43; 25,46), de uma forma que só Deus conhece, sendo então, finalmente, Deus tudo em todos (1Cor 15,28).
 
* O Evangelho de Mateus termina assim com uma mensagem de fé e de esperança, destinadas a toda a humanidade, da qual Jesus, o Filho de Deus, se tornou irmão (v. 10), nascendo como "filho de David, filho de Abraão" (1,1), ou seja, como "Filho do homem" (16,13; 25,31; 26,64), a fim de tornar o homem filho de Deus e fazer todas as criaturas participar, cada uma a seu modo, da glória da Sua ressurreição.
 
MEDITAÇÃO
1. Sou discípulo de Jesus? Acredito na sua ressurreição? Conheço a sua Palavra, para ler à sua luz a minha vida e a história, e a praticar?
2. Sou Igreja? Como tenho cumprido o mandato missionário de Jesus em casa, no trabalho, na paróquia, no grupo? A quem ainda não fui?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA

 
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.