sexta-feira, 10 de julho de 2026

XV Domingo do Tempo Comum

Santos Zélia e Luís Martin, leigos
 
1ª Leitura (Is 55,10-11):
Eis o que diz o Senhor: «Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».
 
Salmo Responsorial: 64
R. A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.
 
Visitastes a terra e a regastes, enchendo-a de fertilidade. As fontes do céu transbordam em água e fazeis brotar o trigo.
 
Assim preparais a terra; regais os seus sulcos e aplanais as leivas, Vós a inundais de chuva e abençoais as sementes.
 
Coroastes o ano com os vossos benefícios, por onde passastes brotou a abundância. Vicejam as pastagens do deserto e os outeiros vestem-se de festa.
 
Os prados cobrem-se de rebanhos e os vales enchem-se de trigo. Tudo canta e grita de alegria.
 
2ª Leitura (Rom 8,18-23): Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d’Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
 
Aleluia. A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo. Quem O encontra viverá eternamente. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,1-23): Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Uma grande multidão ajuntou-se em seu redor. Por isso, ele entrou num barco e sentou-se ali, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. Ele falou-lhes muitas coisas em parábolas. Dizendo: «O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra. Logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol saiu, ficaram queimadas e, como não tinham raiz, secaram. Outras caíram no meio dos espinhos, que cresceram sufocando as sementes. Outras caíram em terra boa e produziram frutos: uma, cem, outra, sessenta, outra, trinta. Quem tem ouvidos, ouça!». Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: «Por que lhes falas em parábolas?». Ele respondeu: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não. Pois a quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem. Por isto eu lhes falo em parábolas: porque olhando não enxergam e ouvindo não escutam, nem entendem. Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Por mais que escuteis, não entendereis, por mais que olheis, nada vereis. Pois o coração deste povo se endureceu, e eles ouviram com o ouvido indisposto. Fecharam os seus olhos, para não verem com os olhos, para não ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o coração, nem se converterem para que eu os pudesse curar’. Felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. «Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta».
 
«O semeador saiu para semear»
 
P. Jorge LORING SJ (Cádiz, Espanha)
 
Hoje consideramos a parábola do semeador. Tem uma força e um encanto especiais porque é palavra do próprio Senhor Jesus.
 
A mensagem é clara: Deus é generoso semeando, mas a concretização dos frutos de sua semeadura dependem também —e ao mesmo tempo— da nossa livre correspondência. A experiência de todos os dias confirma-nos que o fruto depende da terra onde cai. Por exemplo, os alunos da mesma escola e sala, alguns acabam com vocação religiosa e outros ateus. Ouviram o mesmo, mas a semente caiu em terra diferente.
 
A terra boa é nosso coração. Em parte é coisa da natureza; mas sobretudo depende da nossa vontade. Há pessoas que preferem desfrutar antes que ser melhores. Nelas cumpre-se a parábola: as ervas más (ou seja, as preocupações do mundo e a sedução das riquezas) «sufocam a palavra, e ele fica sem fruto» (Lc 13,22).
 
Mas aqueles que, pelo contrário, valoram o ser, acolhem com amor a semente de Deus e a fazem frutificar. Ainda tenham que mortificar-se. Cristo já disse: «se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24). Também, o Senhor nos advertiu que o caminho da salvação é estreito e reduzido (cf. Mt 7,14): aquilo que vale muito, custa muito. Nada de valor se consegue sem esforço.
 
Quem se deixa levar pelos seus apetites, terá o coração como uma floresta selvagem. Pelo contrário, as árvores frutíferas que se podam dão melhor fruto. Assim, as pessoas santas não tiveram uma vida fácil, mas têm sido um modelo para a humanidade. «Não todos somos chamados ao martírio, com certeza, mas a alcançar a perfeição cristã. Mas a virtude precisa de uma força que (...) pede uma obra comprida e diligente, que não devemos interromper, até morrer. Desse jeito, pode ser chamado de martírio lento e continuado» (Pio XII).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É necessário recordar-se de Deus com mais frequência de quanto se respire» (São Gregório de Nazianzo)
 
«A semente, contudo, depara-se com a aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer estéril. Ao contrário, com o dom da fortaleza, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração» (Francisco)
 
«O decálogo, o sermão da montanha e a catequese apostólica descrevem-nos os caminhos que conduzem ao Reino dos céus. Por eles avançamos, passo a passo, pelos atos de cada dia, amparados pela graça do Espírito Santo. Fecundados pela Palavra de Cristo, pouco a pouco, damos frutos na Igreja para a glória de Deus» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.724)
 
A Palavra que nos faz viver
 
Pe. Jorge Guarda
 
* Jesus usa a parábola do semeador para revelar a força do reino de Deus e pôr os seus ouvintes a pensar como escutam, acolhem e deixam frutificar neles a Palavra que lhes oferece.
O texto da liturgia inclui a parábola do semeador e a sua explicação, mas aqui focamo-nos apenas na parábola, permitindo que nos toque o coração e nos provoque com a sua força comunicativa. Hoje, somos nós os terrenos onde é lançada a Palavra de Deus.
 
* A parábola é uma narração com imagens e comparações para interpelar e comunicar uma mensagem ou ensinamento. Tem grande poder comunicativo e de envolvimento dos ouvintes, evocando e provocando sentimentos, pensamentos e reações imediatas. Não deixa indiferente quem a ouve.
 
* “Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos tirados da vida diária, a fim de poder ser compreendido facilmente por todos. Por isso, gostavam de o ouvir e apreciavam a sua mensagem, que ia diretamente ao coração; e não era aquela linguagem difícil de compreender que usavam os doutores da Lei da época, que não se entendia bem, era rígida e afastava o povo. Com esta linguagem, Jesus fazia compreender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. E o Evangelho de hoje dá-nos um exemplo: a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23).
 
* O semeador é Jesus. Observamos que, com esta imagem, Ele se apresenta como alguém que não se impõe, mas se propõe; não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se: lança a semente. Ele espalha com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola nem uma armadilha, mas uma semente que pode dar fruto. E como pode dar fruto? Se a acolhermos. (Papa Francisco, Angelus, 16.6.2017)
 
* Hoje, somos nós que estamos diante desta Palavra de Jesus. Ele “faz, por assim dizer, uma «radiografia espiritual» do nosso coração, que é o terreno sobre o qual a semente da Palavra cai. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto — e muito — mas pode também ser duro, impermeável. Isto acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela escorrega, precisamente como numa estrada: não entra.” (Papa Francisco, Angelus, 16.6.2017)
 
* «Reuniu-se à sua volta tão grande multidão… Disse muitas coisas em parábolas» As pessoas gostavam de ouvir Jesus e ele correspondia, ensinando-lhes “muitas coisas”. Jesus deixou à Igreja a sua mensagem, fazendo dela e de cada cristão portador das suas palavras.  A primeira parte da celebração da Eucaristia oferece-as a quantos frequentam as igrejas. Através delas, tornamo-nos ao mesmo tempo ouvintes e mensageiros da Palavra com que Deus revela o seu amor, comunica a sua vida e ensina a viver sob a sua inspiração.
 
* «Saiu o semeador a semear». A semente é a Palavra de Deus e Ele “espalha-a por toda a parte com generosidade, sem se preocupar com o desperdício. Assim é o coração de Deus! Cada um de nós é um solo onde cai a semente da Palavra, sem excluir ninguém. A Palavra é dada a cada um de nós.” (Papa Francisco, 12/7/2020). E nós somos enviados para a partilhar com os nossos semelhantes, para que também recebam o amor, a vida e a força de Deus.
 
* «Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas.»  A Palavra de Deus, simbolizada nas sementes, cai em quatro tipos diferentes de solo: o caminho, onde a Palavra não entra; o solo pedregoso, onde a semente brota depressa, mas logo seca, porque não ganha raízes profundas; a terra de arbustos espinhosos, onde a semente desabrocha, mas cresce pouco, é sufocada e morre, sem dar fruto; há, por fim, o bom terreno, onde a semente ganha raízes, cresce e dá fruto. Conforme as atitudes com que a Palavra é acolhida, assim dá ou não fruto. “Se quisermos, com a graça de Deus, podemos tornar-nos terreno fértil, lavrado e cultivado com cuidado, para que a semente da Palavra amadureça. Já está presente nos nossos corações, mas fazê-la frutificar depende de nós, depende do acolhimento que reservarmos a esta semente.” (Papa Francisco, 12/7/2020)
 
* «Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.» Somente se for acolhida no bom terreno do coração, a Palavra de Deus ganha raízes e dá frutos. Isso acontece em quem a escuta, a acolhe no coração e a põe em prática na vida quotidiana. Esta Palavra gera em nós a fé em Deus, fortalece a nossa confiança, ilumina os nossos caminhos, diz-nos como viver e perseverar como cristãos, tornando-nos santos, e encoraja-nos na prática do bem, entre outros frutos possíveis. Viveremos assim na alegria que brota do Evangelho, conforme testemunha a vida de muitos santos.

Para reflexão

1 - Escuto com atenção e gosto as Palavras de Deus na missa? Leio com frequência, entendo e encontro proveito na Palavra de Deus? Partilho com outros os dons que recebo e as experiências vividas?
2 - Olhemos para o íntimo do coração e examinemos se está aberto, limpo e disponível para receber e fazer frutificar a Palavra de Deus. Na convivência e relação com os outros, partilhamos a sabedoria que nos vem dessa Palavra e as experiências que ela nos proporciona, quando a pomos em prática?
3 - A que tipo de terreno se assemelha o meu coração? Cuido dele e da atenção na escuta da Palavra de Deus, para saber distinguir entre tantas vozes e palavras aquela que realmente me faz viver e me torna livre?
4 - A Palavra de Deus que leio e escuto está a produzir frutos em mim? Reconheço nos cristãos que me rodeiam, nomeadamente nos que se podem considerar “santos de ao pé da porta”, exemplos de bons terrenos onde brotam com abundância os frutos da Palavra de Deus? Que me inspira o Senhor para me tornar “boa terra”?

5º dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
 
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
SOB O MANTO DE MARIA

 
2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
Dirigente: Depois de escapar do cárcere em Toledo, João da Cruz continuou o seu trabalho, acompanhando a reforma do Carmelo, fundando conventos, formando os novos religiosos e desenvolvendo funções importantes na Ordem. Neste quinto dia escutemos um fato que ocorreu durante a fundação do Convento de São Roque. Nossa Senhora do Carmo protege João da Cruz de um trágico acidente, conservando sua vida.
 
Leitor: “Enquanto Frei João da Cruz participava da fundação do convento de São Roque dos Carmelitas Descalços na cidade de Córdoba, durante a demolição de uma parte do edifício para a construção da igreja, após a escavação das fundações e quando os trabalhadores tentavam derrubar uma parede com cordas para o lado, a parede inclinou-se na direção do venerável padre Frei João da Cruz, causando o desabamento do aposento. Os operários e frades correram para resgatá-lo, acreditando que ele estivesse morto. No entanto, após removerem muitas pedras e terra de um canto daquela sala, encontraram-no rindo, dizendo que havia levado grandes golpes, mas que a da capa branca (referindo-se à Virgem do Carmo) o havia protegido, sem que ele sofresse ferimentos ou dano algum.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p.30)
 
3. PALAVRA DE DEUS: At 1,12-14
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA
Dirigente: Não foi fácil para João da Cruz, nem para Teresa, o trabalho de reforma do Carmelo. Este incidente na construção de uma igreja é símbolo da árdua tarefa de renovação da Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Muitas vezes, pelas provações enfrentadas, parecia que todo o projeto de Teresa e João iria desmoronar-se e transformar- se em escombros. Quando, porém, uma obra é de Deus, ela se mantém de pé, mesmo em meio as intempéries. Mais uma vez, a da capa branca, ou seja, Nossa Senhora, protege João da Cruz para que continue a restauração do Carmelo. Esse destaque da capa ou manto de Maria nos faz recordar gravuras que apresentam Nossa Senhora do Carmo com a capa aberta, e debaixo dela os santos e santas carmelitas. A Virgem do Carmo coloca seus filhos e filhas debaixo da sua proteção, cobrindo-os com seu manto, intercedendo por eles, ajudando-os a realizar a sua missão, assim como esteve no cenáculo com os discípulos em
oração.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) Os perigos para construir a obra de Deus me paralisam e me impedem de seguir em frente ou me fazem confiar e me entregar à providência e à ação divinas?
3) Confio minha vida e meus trabalhos à proteção da Virgem Maria? Reconheço seus cuidados maternos para comigo?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

12 de julho

 Santos Luís Martin e Zélia Guérin
Leigos, pais de Sta. Teresa do Menino Jesus

 

Ambos eram filhos de militares e foram educados num ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso. Os dois receberam uma educação de cunho religioso: nos Irmãos das Escolas Cristãs, Luís; nas Irmãs da Adoração Perpétua, Zélia. Ao terminar os estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro. Conduzem uma vida conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa quotidiana, pela oração pessoal e comunitária, pela confissão frequente, pela participação na vida paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos quais morrem prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram, está Teresa, a futura santa, que nasceu em 1873. As recordações da carmelita sobre os seus pais são uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A família Martin educou as suas filhas a tornarem-se não só boas cristãs, mas também honestas cidadãs. Aos 45 anos Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no seio. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte, ocorrida em agosto de 1877. Entre os anos de 1882 e 1887 Luís acompanhou as três filhas ao Carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em julho de 1894.

 

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.


Oração

Ó Deus, que destes aos santos Luís e Zélia, a graça de caminhar na vida da santidade como esposos e pais cristãos; concedei-nos, por sua intercessão e exemplo, saber amar-vos e servir-vos fielmente respondendo, cada um, dignamente, à sua vocação.  Por nosso Senhor Jesus Cristo ...

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Sábado XIV do Tempo Comum

São Bento, abade
 
1ª Leitura (Is 6,1-8):
No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. À sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um: com duas asas cobriam o rosto e com as outras duas voavam. E clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra». Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros; moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?». Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».
 
Salmo Responsorial: 92
R. O Senhor é rei, revestiu-Se de majestade.
 
O Senhor é rei, revestiu-Se de majestade, revestiu-Se e cingiu-Se de poder.
 
Firmou o universo, que não vacilará. É firme o vosso trono desde sempre, Vós existis desde toda a eternidade.
 
Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé, a santidade habita na vossa casa por todo o sempre.
 
Aleluia. Felizes de vós, se sois ultrajados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de Deus repousa sobre vós. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,24-33): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa chamaram de Beelzebu, quanto mais ao pessoal da casa! Não tenhais medo deles. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e nada de escondido que não venha a ser conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas são incapazes de matar a alma! Pelo contrário, temei Aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vendem dois pardais por uma moedinha? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus».
 
«O discípulo não está acima do mestre»
 
P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico di Fiesole, Florença, Itália)
 
Hoje, o Evangelho nos convida a refletir sobre a relação mestre-discípulo: «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor» (Mt 10,24). No campo humano não é impossível que o aluno chegue a ultrapassar a quem lhe ensinou o abc de uma matéria. Há na história exemplos como Giotto, que supera seu mestre Cimabue, ou como Manzoni ao abade Pieri. Mas a chave da suma sabedoria está somente nas mãos do Homem-Deus e todos os demais podem participar dela, chegando a compreendê-la segundo diversos níveis: desde o grande teólogo Santo Tomás de Aquino até a criança que se prepara para a Primeira Comunhão. Podemos acrescentar adornos de vários estilos, mas nunca tão essenciais para enriquecer o valor intrínseco da doutrina. Ao contrário, é possível que nos aproximemos da heresia.
 
Devemos tomar cuidado quando fizermos associações que possam distorcer ao invés de enriquecer a essência da Boa Nova. «Devemos nos abster dos manjares, mas, devemos muito mais jejuar dos erros», dizia Santo Agostinho. Em certa ocasião me passaram um livro sobre os Anjos de Guarda em que apareciam elementos de doutrina esotérica, como a metempsicoses, e uma incompreensível necessidade de redenção que abalaria a esses espíritos bons e já conformados no Bem.
 
O Evangelho de hoje nos abre os olhos a respeito do fato inquestionável de que o discípulo possa, às vezes, ser incompreendido, encontre obstáculos ou até seja perseguido por ter-se declarado seguidor de Cristo. A vida de Jesus foi um serviço ininterrupto em defesa da verdade. Se Ele foi tachado de Belzebu, não é estranho que em disputas, querelas culturais ou nos confrontos que vemos na televisão, nos tachem de retrógrados. A fidelidade a Cristo, Mestre, é o melhor de que podemos nos gloriar: «Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus» (Mt 10,32).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Oh Senhor, faz que resplandeça em nós tua face pelo bem da paz, protege-nos com tua mão poderosa...Te damos graças, a traves do sumo Sacerdote e protetor de nossas almas, Jesus Cristo, pelo qual seja a glória e louvor a ti, agora e de geração em geração. Amém» (São Clemente de Roma)
 
«Quem não conhece a Deus, embora tenha múltiplas esperanças, no fundo está sem esperança» (Bento XVI)
 
«A palavra alma designa (...) o que há de mais íntimo no homem e de maior valor na sua pessoa, aquilo que particularmente faz dele imagem de Deus: “alma” significa o princípio espiritual no homem» (Catecismo da Igreja Católica, n° 363)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz várias instruções de Jesus a respeito do comportamento que os discípulos devem adotar durante o exercício da sua missão.
O que mais chama a atenção nestas instruções são duas advertências: (1) a frequência com que Jesus alude às perseguições e aos sofrimentos que eles vão ter; (2) a insistência três vezes repetida para o discípulo não ter medo.
 
* Mateus 10,24-25: Perseguições e sofrimentos marcam a vida dos discípulos. Estes dois versículos são a parte final de uma advertência de Jesus aos discípulos a respeito das perseguições. Os discípulos devem saber que, pelo fato de serem discípulos de Jesus, vão ser perseguidos (Mt 10,17-23). Eles não poderão reclamar nem ficar preocupados com isso, pois um discípulo deve imitar a vida do mestre e participar com ele nas provações. Isto faz parte do discipulado. “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. Para o discípulo basta ser como o seu mestre, e para o servo ser como o seu senhor”. Se chamaram a Jesus de Belzebu, quanto mais vão insultar os discípulos dele. Com outras palavras, o discípulo de Jesus só deverá ficar preocupado seriamente no caso em que não aparecer nenhuma perseguição em sua vida.
 
* Mateus 10,26-27: Não ter medo de dizer a verdade. Os discípulos não devem ter medo dos perseguidores. Estes conseguem perverter o sentido dos fatos e espalham calúnias a ponto de a verdade aparecer como mentira, e a mentira como a verdade. Mas por maior que seja a mentira, a verdade acabará vencendo e derrubará a mentira. Por isso, não devem ter medo de proclamar a verdade, as coisas que Jesus ensinou. Hoje em dia, os meios de comunicação conseguem perverter o sentido dos fatos e fazem aparecer como criminosos as pessoas que proclamam a verdade; fazem aparecer como justo o sistema neoliberal que perverte o sentido da vida humana.
 
* Mateus 10,28: Não ter medo dos que podem matar o corpo. Os discípulos não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.
 
* Mateus 10,29-31: Não ter medo, mas ter confiança na Providência Divina. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Vocês valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza.
 
* Mateus 10,32-33: Não ter vergonha de dar testemunho de Jesus. No fim, Jesus resume tudo nesta frase: “Portanto, todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante do meu Pai que está no céu. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, eu também o renegarei diante do meu Pai que está no céu”. Sabendo que estamos na mão de Deus e que Deus está conosco a cada momento, teremos a coragem e a paz necessárias para dar testemunho de sermos discípulos e discípulas de Jesus.
 
Para um confronto pessoal
1) Você tem medo? Medo de que? Por que?
2) Você já sofreu ou já foi perseguido ou perseguida por causa do seu compromisso com o anúncio da Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe?

4º dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

 1. ORAÇÃO DE ABERTURA
 
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
NO CÁRCERE DE TOLEDO

 
2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
Dirigente: A reforma abraçada por São João da Cruz não foi aceita por todos os seus irmãos, os quais, querendo fazê-lo mudar de ideia, puniram-no, colocando-o numa prisão, onde esteve por nove meses, em 1577, sendo submetido a diversas provações, humilhações, mas sem abandonar suas convicções e a missão que Deus lhe tinha confiado. Foi um tempo em que viveu sua noite escura iluminado pela presença da Virgem Maria, que o conduziu à Cristo
crucificado e à liberdade. Participar dos sofrimentos de Cristo era um desejo que João carregava dentro do coração e pediu ao Mestre: “Senhor, quero padecer e ser desprezado
por amor de Vós.” Neste quarto dia, escutemos o relato sobre sua libertação do cárcere pela intercessão de Nossa Senhora.
 
Leitor: “O padre carmelita descalço Gabriel de São José, que conheceu e conviveu com o Santo, disse: ‘Vi que, estando preso no convento de Toledo, sofreu com muita paciência, e sei que, por ordem e mandado da Virgem, Nossa Senhora, saiu por uma janela muito alta da prisão, sendo considerado por todos como algo milagroso ter saído com vida de tamanha altura... e Nossa Senhora o levantou e o tirou para fora dos muros’. Diz frei Martín da Assunção: ‘Depois, na noite seguinte (à repreensão do padre Maldonado, que não permitiu que João da Cruz celebrasse a missa mariana do dia 15 de agosto), Nossa Senhora lhe apareceu com muito resplendor e claridade, e lhe disse: Filho, tenha paciência, pois em breve esses sofrimentos terminarão, você sairá da prisão, celebrará missa e será consolado’. E tudo isso o Santo contou a essa testemunha para incentivá-la à devoção à Virgem Santa Maria.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p.28)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Jo 19, 25-27
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA
Todos os seguidores de Jesus, marcados pela cruz, experimentam no caminho a realidade do sofrimento, que se expressa de diversas formas. Isso não é algo desconhecido, pois o próprio Jesus é sincero nos evangelhos quanto à participação dos seus discípulos no mistério da cruz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga me” (Lc 9,23). A virgem Maria é a discípula fiel que de um modo particular se une ao sofrimento do Filho e recebe dele a missão de ser mãe dos seus seguidores, para ajudá-los com seus cuidados maternais, sua oração, seu exemplo, suas palavras. No cárcere de Toledo, Maria também estava com João da Cruz, ajudando-o a viver aquele período de provas, conduzindo-o a Cristo crucificado para que, participando de seus sofrimentos, participasse também de sua glória, de sua vitória.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) Diz São João da Cruz: "Quem não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo". Como reajo diante da cruz de cada dia: a acolho ou a rejeito? Sofro com Cristo, fortalecendo-me nele, ou me afasto dele?
3) A figura de Maria, junto ao Filho na cruz, e a missão que ela recebe, revela o amor para com os que sofrem. Sou sensível ao sofrimento dos outros? Ajudo os meus irmãos a levarem sua cruz?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Sexta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Santa Verônica Giuliáni, virgem
 
1ª Leitura (Os 14,2-10):
Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair. Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios. Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo, nem chamaremos ‘Nosso Deus’ à obra das nossas mãos, porque só em Vós o órfão encontra piedade”. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles. Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano. Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira e a sua fragrância como a do Líbano. Voltarão a sentar-se à minha sombra, farão reviver o trigo; florescerão como a vinha, criarão fama como o vinho do Líbano. Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Sou Eu que o atendo e olho por ele. Sou como o cipreste verdejante: graças a Mim darás muito fruto». Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá compreendê-las. Porque são retos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores.
 
Salmo Responsorial: 50
R. A minha boca proclamará o vosso louvor.
 
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas.
 
Amais a sinceridade de coração e fazeis-me conhecer a sabedoria no íntimo da alma. Aspergi-me com o hissope e ficarei puro, lavai-me e ficarei mais branco do que a neve.
 
Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.
 
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor.
 
Aleluia. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos ensinará toda a verdade e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,16-23): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem».
 
«Sereis odiados por todos, por causa do meu nome»
 
P. Josep LAPLANA OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho remarca as dificuldades e as contradições que o cristão haverá de sofrer por causa de Cristo e do seu Evangelho e como deverá resistir e perseverar até o final. Jesus nos prometeu: «Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos» (Mt 28,20); mas não prometeu, aos seus, um caminho fácil, antes pelo contrário, lhes disse: «Sereis odiados por todos, por causa do meu nome» (Mt 10,22).
 
A Igreja e o mundo são duas realidades de ”difícil” convivência. O mundo, que a Igreja há de converter a Jesus Cristo, não é uma realidade neutra, como se fosse uma cera virgem que só espera o selo que lhe dará forma. Isto só teria sido assim se não tivesse havido uma história de pecado entre a criação do homem e a sua redenção. O mundo, como estrutura afastada de Deus, obedece a outro senhor, que o Evangelho de São João denomina como o senhor deste mundo, o inimigo da alma, o que fez com que o cristão fizesse um juramento — no dia de seu batismo — de desobediência, de dizer não ao inimigo, para pertencer somente ao Senhor e à Mãe Igreja que ela engendrou em Jesus Cristo.
 
Mas o batizado continua vivendo neste mundo e não em outro, não renuncia à cidadania deste mundo nem lhe nega sua honesta contribuição para mantê-lo e melhorá-lo; os deveres de cidadania cívica são também deveres dos cristãos; pagar os impostos é um dever de justiça para o cristão. Jesus disse que nós, seus seguidores, estamos no mundo, mas não somos do mundo (cf. Jo 17,14-15). Não pertencemos ao mundo incondicionalmente, inteiramente, só pertencemos a Jesus Cristo e à sua Igreja, verdadeira pátria espiritual, que está aqui na terra e que transpassa a barreira do espaço e do tempo para desembarcar-nos na pátria definitiva que é o céu.
 
Esta dupla cidadania inevitavelmente se choca com as forças do pecado e do domínio que move os mecanismos mundanos. Repassando a história da Igreja, Newman dizia que «a perseguição é a marca da Igreja e talvez a mais duradoura de todas».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O atleta não ganha quando tira a roupa, porque deixa a roupa para começar a lutar. Ele só recebe a coroa de vencedor depois de ter lutado adequadamente» (São Paulino de Nola)
 
«Jesus nos diz: ‘Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos’. O cristão, antes, deverá de ser prudente, às vezes até astuto: essas são as virtudes aceites pela lógica evangélica. Mas nunca a violência» (Francisco)
 
«Podemos, portanto, aguardar a glória do céu prometida por Deus a àqueles que o amam e fazem a sua vontade. Em todas as circunstâncias, cada um deve esperar, com a graça de Deus, ‘permanecer firme até o fim’ (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1821)
 
Reflexão
 
• Olhando para sua futura missão, Jesus dá algumas orientações para a comunidade dos seus discípulos, chamados e reunidos em torno dele e investidos de sua mesma autoridade como colaboradores.
 
Mateus 10,16-19: o perigo e a confiança em Deus. Jesus introduz esta parte do seu discurso com duas metáforas: ovelhas entre lobos, ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas. A primeira mostra o contexto difícil e perigoso em que os discípulos são enviados. Por um lado, demonstra a situação de perigo em que se encontram os discípulos enviados em missão; por outro lado, a expressão "eu vos envio" expressa proteção. Também na esperteza das serpentes e a simplicidade das pombas parece que Jesus relaciona dois comportamentos: a confiança em Deus e a reflexão atenta e prolongada do modo de se relacionar com os outros.
Jesus continua depois uma ordem que, à primeira vista, parece ser marcada por uma acentuada desconfiança: "Cuidado com os homens ...", mas na realidade é estar alerta para uma possível perseguição, hostilidade e denúncias. A expressão "os entregarão" não se refere apenas à acusação no tribunal, mas principalmente tem um valor teológico: o discípulo que segue Jesus poderá ter a mesma experiência que o Mestre, “ser entregue nas mãos dos homens” (17,22). Os discípulos devem ser fortes e resistir "para dar testemunho", sua entrega aos tribunais será um testemunho para os judeus e para os pagãos, como a possibilidade de atraí-los para a pessoa e para a causa de Jesus e, portanto, ao conhecimento do evangelho. É importante este retorno positivo ao testemunho caracterizado pela fé que se faz crível e atraente.
 
Mateus 10,20: ajuda divina. Para que tudo isso seja realizado na missão-testemunho dos discípulos, é essencial a ajuda que vem de Deus. Ou seja, não devemos confiar nas próprias seguranças ou recursos, mas nas situações críticas, perigosas e agressivas de sua vida, os discípulos encontrarão em Deus ajuda e solidariedade. Aos discípulos também se prometeu o Espírito do Pai (v. 20) para realizar a sua missão. Ele vai trabalhar neles para realizar sua missão de evangelização e dar testemunho, o Espírito falará através deles.
 
Mateus 10, 21-22: ameaça-consolo. O tema da ameaça retorna de novo com o termo "entregará": irmão contra irmão, pai contra filho, filho contra seus pais. Trata-se de uma verdadeira e grande desordem das relações sociais, o esmagamento da família. As pessoas unidas pelos mais íntimos laços familiares - como pais, filhos, irmãos e irmãs - caem na desgraça de odiar-se e de se eliminar um ao outro. Em que sentido essa divisão da família tem algo a ver com o testemunho em favor de Jesus? Tal ruptura nas relações familiares poderia encontrar sua causa na diversidade de atitudes adotadas no seio da família em relação a Jesus. A expressão "sereis odiados", sugere o tema da acolhida hostil de seus enviados por parte dos contemporâneos. A dureza das palavras de Jesus são comparáveis a outro texto do NT: "Bem-aventurados sois se são insultados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de glória, que é o Espírito de Deus repousa sobre vós. Que nenhum de vós padeça como homicida, ladrão, malfeitor ou delator. Mas, se alguém sofre como cristão, não se envergonhe, mas sim dê glória a Deus por este nome." Ao anúncio da ameaça segue a promessa de consolação (v. 23). O maior consolo dos discípulos será "ser salvos", para viver a esperança do salvador, ou seja, participar na sua vitória.
 
Para um confronto pessoal
1. Estas disposições de Jesus nos ensinam hoje como entender a missão do cristão?
2. Você sabe confiar na ajuda de Deus quando você sofre conflitos, per
seguições

3ª dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ (2026)

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
 
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
REFORMADOR DO CARMELO

 
2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
Dirigente: Quando, em 1567, aos 25 anos, se ordenou sacerdote, o então frei João de São Matias, que depois se tornará, frei João da Cruz, desejando uma vida mais perfeita, e vendo o relaxamento dos seus irmãos carmelitas, alimentava no coração a possibilidade de deixar a Ordem de Nossa Senhora do Carmo e ingressar na Ordem de São Bruno, os Cartuxos. Encontrando-se com Santa Teresa de Jesus é animado a abraçar e a encabeçar entre os frades a reforma do Carmelo, por ela iniciada entre as monjas. Em vez de abandonar sua Ordem, ele é convencido a trabalhar pela sua renovação. E, assim, torna-se o primeiro carmelita descalço. Descalço aqui significa o retorno à simplicidade e ao rigor da vida religiosa. Neste terceiro dia, escutemos o relato da chegada de João da Cruz a Duruelo, em 1568, para a fundação do primeiro convento da nova família carmelita. Em Duruelo, deixa o nome de Frei João de São Matias e passa a chamar-se Frei João da Cruz.
 
Leitor: “Ao chegar a Duruelo, recolhido em oração e falando com Cristo e com sua Santíssima Mãe, tirou o hábito leve dos Carmelitas da Antiga Observância e vestiu o hábito grosseiro, ficando com os pés descalços sobre o chão. Com isso agradou muito à Virgem Maria, em cuja honra e serviço esta obra estava sendo fundada.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p. 26)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Jo 2, 1-11
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA
Dirigente: O Carmelo, Ordem de Maria, como qualquer outra ordem ou congregação, como também qualquer grupo, pastoral ou movimento, precisa sempre de renovação, para ser fiel à sua identidade. Durante a história houve várias reformas no Carmelo, e uma das que mais causaram impacto foi a de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Reformar o Carmelo significa convertê-lo a fim de continuar a transparecer no mundo o que Jesus quer comunicar através deste carisma. Simbolicamente, a atitude de João de trocar o hábito, ficar descalço e mudar de nome, são expressões externas de um compromisso interno de esvaziar-se para encher-se de Deus, ser todo de Deus, ser em Cristo uma nova pessoa. Esvaziar-se de si para encher-se de Deus é uma atitude constante na vida de quem quer seguir o Senhor, sendo fiel aos compromissos batismais. Isso agrada à Virgem Maria, a cheia de graça, que constantemente pede ao seu Filho que não falte à sua Igreja o vinho novo da fidelidade, da vida nova.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) João percebeu o relaxamento, a falta de zelo na vivência dos compromissos religiosos dentro da comunidade dos Carmelitas. Este é um mal que continua a afetar as pessoas, as famílias, os grupos. O que o exemplo de João da Cruz e Teresa de Jesus nos ensina?
3) Uma verdadeira devoção mariana deve conduzir à conversão pessoal e comunitária. Procuro seguir o conselho de Maria, escutando o seu Filho, que é o Filho amado do
Pai?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, ave-maria, glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!