sexta-feira, 7 de agosto de 2026

XIX Domingo do Tempo Comum

Sta. Teresa Benedita da Cruz (Edite Stein), virgem e mártir de nossa Ordem
 
1ª Leitura (1Re 19,9a.11-13a):
Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.
 
Salmo Responsorial: 84
R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.
 
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem. A sua salvação está perto dos que O temem e a sua glória habitará na nossa terra.
 
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu.
 
O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus frutos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos.
 
2ª Leitura (Rom 9,1-5): Irmãos: Em Cristo digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo para bem dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amém
 
Aleluia. Eu confio no Senhor, a minha alma espera na sua palavra. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 14,22-33): Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho. O barco, entretanto, já longe da terra, era atormentado pelas ondas, pois o vento era contrário. Nas últimas horas da noite, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: «É um fantasma». E gritaram de medo. Mas Jesus logo lhes falou: «Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!». Então Pedro lhe disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água». Ele respondeu: «Vem!». Pedro desceu do barco e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, sentindo o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: «Senhor, salva-me!». Jesus logo estendeu a mão, segurou-o e lhe disse: «Homem de pouca fé, por que duvidaste?» Assim que subiram no barco, o vento cessou. Os que estavam no barco ajoelharam-se diante dele, dizendo: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!».
 
«Começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!»
 
Rev. D. Joaquim MESEGUER García (Rubí, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, a experiência de Pedro reflexa situações que nós também experimentamos alguma vez. Quem não viu fazer águas os seus projetos e não experimentou a tentação do desânimo ou da desesperação? Em circunstâncias assim, devemos reavivar a fé e dizer como o salmista: «Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia e dá-nos a tua salvação» (Sal 85,8).
 
Para a mentalidade antiga, o mar era o lugar onde habitavam as feras do mal, o reino da morte, ameaçador para o homem. Ao “caminhar sobre a água” (cf. Mt 14,25), Jesus indica-nos que com a sua morte e ressurreição triunfa sobre o poder do mal e da morte, que nos ameaça e procura destroçar-nos. Nossa existência, não é também como uma frágil embarcação, sacudida pelas ondas que atravessa o mar da vida e que espera chegar a uma meta que tenha sentido?
 
Pedro creia ter uma fé clara e uma força muito consistente, mas «começando a afundar» (Mt 14,30); Pedro havia assegurado a Jesus que estava disposto a seguir-lo até à morrer, mas a sua debilidade o acobardou e negou o Mestre nos feitos da Paixão. Porque Pedro afunda-se justamente quando começa a caminhar sobre a água? Porque, em vez de olhar a Jesus Cristo, olha ao mar e isso lhe fez perder a força e a partir desse instante, a sua confiança no Senhor diminuiu e os pés não lhe responderam. Mas, Jesus «estendeu a mão [e] segurou-o» (Mt 14,31) e salvou-o.
 
Depois da sua ressurreição, o Senhor não permite que o seu apóstolo afunde no remorso e na desesperação e lhe devolve a confiança com o seu generoso perdão. A quem eu enxergo no combate da vida? Quando noto que o peso dos meus pecados e erros me arrastam e me afundam, deixo que o bom Jesus estenda a sua mão e me salve?
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Outro benefício da oração é que ela faz passar o tempo tão depressa e com tanto prazer que nem sequer nos apercebemos da sua duração» (São João Mª Vianney)
 
«O Senhor está na "montanha" do Pai: podemos sempre invocá-lo» (Bento XVI)
 
«Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos pelo seu Filho» (Heb 1, 1-2). Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N'Ele, o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 65)
 
“Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
 
José Cristo Rey García Paredes
 
* O Evangelho apresenta uma das imagens mais belas da vida cristã.
Depois da multiplicação dos pães, Jesus não permite que os discípulos permaneçam presos ao entusiasmo da multidão. Ele os envia para a travessia enquanto sobe sozinho ao monte para rezar.
 
* A barca, imagem da Igreja e também da existência humana, parece ameaçada pelas ondas do medo, da insegurança e das dificuldades. Então Jesus aproxima-Se caminhando sobre as águas e proclama: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27). Essas palavras permanecem extraordinariamente atuais. Quantas tempestades enfrentam hoje as famílias, os jovens, os idosos, os trabalhadores e todos aqueles que buscam viver a fé em meio às incertezas do mundo! Cristo não elimina imediatamente as tempestades, mas entra nelas conosco, oferecendo Sua presença como a verdadeira segurança.
 
* A noite cai, o vento sopra, as ondas tornam-se ameaçadoras. A barca simboliza a Igreja, mas também reflete a nossa própria existência. Quantas vezes nos vemos navegando em meio a tempestades avassaladoras! Somos cercados por notícias inquietantes, violência, divisões, incertezas econômicas, conflitos familiares e por uma cultura que, repetidamente, tenta apagar Deus do horizonte humano. É nesse cenário que Jesus aparece caminhando sobre as águas. Sua primeira palavra não é uma ordem. É um consolo.
 
* “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27). Pedro responde com generosidade. Desce da barca e também caminha sobre as águas. Enquanto mantém os olhos fixos em Cristo, vence o impossível. Mas basta contemplar a força do vento para começar a afundar. Essa é uma das descrições mais realistas da vida espiritual.
 
Enquanto nossa confiança permanece em Cristo, enfrentamos até as maiores dificuldades. Porém, quando o medo ocupa o lugar da fé, as ondas parecem maiores que a presença de Deus.  Mesmo assim, Jesus não abandona Pedro.
 
* “Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o…” (Mt 14,31). Essa palavra – imediatamente – é profundamente consoladora. Cristo não espera que Pedro afunde completamente. Sua misericórdia é sempre mais rápida do que nossa queda.
 
* A maior revelação desta liturgia não é que Deus domina os ventos ou caminha sobre as águas. É que Ele escolhe aproximar-Se de nós com infinita delicadeza. Sua voz continua ressoando na brisa da oração, Sua misericórdia continua sustentando quem vacila, e Sua mão permanece estendida a todos os que, mesmo entre lágrimas e dúvidas, ainda encontram forças para clamar: “Senhor, salva-me!” (Mt 14,30). Quem aprende a reconhecer Deus no silêncio jamais se sentirá sozinho nas tempestades da vida, porque descobrirá que o Senhor nunca deixou de estar presente na barca de sua existência.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

9 de agosto

 Santa Teresa Benedita da Cruz
Virgem e Mártir de nossa Ordem

 
Edith Stein, filha de pais judaicos, nasceu em Breslau no dia 12 de outubro de 1891. Tendo-se dedicado aos estudos filosóficos, empenhou-se perseverantemente na procura da verdade, até que encontrou a fé em Deus e se converteu à Igreja Católica. Foi batizada no dia 1 de janeiro de 1922. Desde então serviu a Deus na função de professora e escritora. Agregada às irmãs carmelitas em 1933 com o nome Teresa Benedita da Cruz por ela escolhida, dedicou a sua vida ao serviço do povo judaico e do povo alemão. Deixando a Alemanha por causa da perseguição aos judeus, foi recebida a 31 de dezembro de 1938 no convento das carmelitas de Echt (Holanda). No dia 2 de agosto de 1942 foi presa pelas autoridades que exerciam o poder aterrador na Alemanha e enviada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (Polônia), destinado ao genocídio do povo judaico. Aí foi cruelmente morta no dia 9 de agosto.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Cântico evangélico (Benedictus)
Ant. Quem perder a vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.
 
Oração
Senhor, Deus dos nossos pais, que conduzistes a mártir Teresa Benedita ao conhecimento do vosso Filho crucificado e à sua imitação até à morte, concedei, pela sua intercessão, que todos os homens conheçam o Salvador, Jesus Cristo, e por Ele cheguem à perpétua visão do vosso rosto. Por Nosso Senhor.
 
Cântico evangélico (Magnificat)
Ant.
Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, dá muito fruto.

Omite-se esta memória neste ano, por cair na Páscoa Semanal


Sábado XVIII do Tempo Comum

São Domingos de Gusmão, presbítero
 
1ª Leitura (Hab 1,12—2,4):
Não sois Vós, Senhor, desde os tempos antigos, o meu Deus, o meu Santo, o Imortal? Estabelecestes os caldeus, Senhor, para exercerem a justiça e os consolidastes como um rochedo para castigarem. Os vossos olhos são demasiado puros para verem o mal e não podeis contemplar a opressão. Porque olhais então para os malvados, porque ficais em silêncio, quando o ímpio devora o justo? Tratareis os homens como os peixes do mar, ou como os répteis que não têm dono? O inimigo pesca-os a todos no anzol, apanha-os com a rede, recolhe-os com a tarrafa e assim fica alegre e satisfeito. Por isso oferece sacrifícios à sua rede e queima incenso à sua tarrafa, pois fez com elas uma pesca abundante e alcançou alimento com fartura. Continuará ele a utilizar a sua rede, matando os povos impiedosamente? Ficarei no meu posto de sentinela, conservar-me-ei de pé sobre a muralha, estarei alerta para ver o que o Senhor me dirá, como irá responder à minha queixa. Então o Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-a em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. Vede como sucumbe aquele que não tem alma reta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».
 
Salmo Responsorial: 9
R. Não abandonais, Senhor, aqueles que Vos procuram.
 
O Senhor é Rei para sempre, firmou o seu trono para julgar. Ele julga a terra com justiça, governa os povos com retidão.
 
O Senhor é o refúgio dos oprimidos, o seu refúgio nas horas de tribulação. Em Vós confiam os que conhecem o vosso nome, porque não abandonais, Senhor, os que Vos procuram.
 
Cantai ao Senhor, que tem em Sião a sua morada, anunciai entre os povos os seus feitos gloriosos. O Senhor lembra-Se do sangue derramado e não esquece o clamor dos infelizes.
 
Aleluia. Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte e fez brilhar a vida por meio do Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 17,14-20): Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus, caiu de joelhos e disse: «Senhor, tem compaixão do meu filho. Ele tem crises de epilepsia e passa mal. Muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!». Jesus tomou a palavra: «Ó geração sem fé e perversa! Até quando vou ficar convosco? Até quando vou suportar-vos? Trazei aqui o menino». Então Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino, que ficou curado a partir dessa hora. Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: «Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?». Ele respondeu: «Por causa da fraqueza de vossa fé! Em verdade vos digo: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: 'Vai daqui para lá', e ela irá. Nada vos será impossível».
 
«Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda (...) nada vos será impossível»
 
Rev. D. Fidel CATALÁN i Catalán (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, uma vez mais, Jesus dá a entender que a medida dos milagres é a medida de nossa fé: «Eu vos asseguro: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: Vai daqui para lá, e ela irá» (Mt 17,20). De fato, como fazem notar São Jerônimo e Santo Agostinho, na obra de nossa santidade (algo que claramente supera as nossas forças) se realiza esse deslocar-se o monte. Por tanto, os milagres aí estão e, se não vemos mais é porque não lhe permitimos os fazer por nossa pouca fé.
 
Ante uma situação desconcertante e para todos incompreensível, o ser humano reage de diversas maneiras. A epilepsia era considerada como uma doença incurável e que sofriam as pessoas que se encontravam possuídas por algum espírito maligno.
 
O pai daquela criatura expressa seu amor para o filho buscando sua cura integral, e vai a Jesus. Sua ação é mostrada como um verdadeiro ato de fé. Ele se ajoelha ante Jesus e o impreca diretamente com a convicção interior de que sua petição será escutada favoravelmente. A maneira de expressar a demanda mostra, ao mesmo tempo, a aceitação de sua condição e, o reconhecimento da misericórdia Daquele que pode sentir compaixão dos outros.
 
Aquele pai menciona o fato de que os discípulos não puderam jogar àquele demônio. Esse elemento introduz a instrução de Jesus fazendo notar a pouca fé dos discípulos. Segui-lo a Ele, se fazer discípulo, colaborar em sua missão pede uma fé profunda e bem fundamentada, capaz de suportar adversidades, contratempos, dificuldades e incompreensões. Uma fé que é efetiva porque está solidamente enraizada. Em outros fragmentos evangélicos, Jesus Cristo mesmo lamenta a falta de fé de seus seguidores. A expressão «nada vos será impossível» (Mt 17,20) expressa com toda a força a importância da fé no seguimento do Mestre.
 
A Palavra de Deus põe na nossa frente a reflexão sobre a qualidade de nossa fé e, a maneira como a aprofundamos e, nos lembra aquela atitude do pai de família que se aproxima a Jesus e lhe roga com a profundidade do amor de seu coração.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Com uma confiança firme na palavra de Deus, arrancaríamos uma montanha de sofrimentos; ao passo que, se a nossa fé vacilar, nem apenas uma concha se moverá» (S. Tomás More)
 
«Cada um de nós, na sua vida quotidiana, pode dar testemunho de Cristo, com a força de Deus, com a força da fé. E onde é que vamos buscar essa força? Recebemo-la de Deus, na oração. A oração é o sopro da fé» (Francisco)
 
«`caminhamos pela fé e não vemos claramente´ (2 Cor 5, 7) (...). a fé pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a fé nos diz (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 164)
 
Reflexão
 
• Contexto.
Esta passagem apresenta Jesus em sua atividade de curar. Depois de sua permanência com os discípulos na região de Cesareia de Filipe (16,13-28), Jesus vai a um alto monte e transfigurou-se diante de três dos seus discípulos (17,1-10), e depois encontra pessoas (17,14.21) e de novo se dirige para a Galileia (17,22). O que pensar destes deslocamentos geográficos Jesus? Não é de excluir que eles poderiam ter um valor de ordem geográfica, mas Mateus quer expressar a sua função num itinerário espiritual. Em seu caminho de fé, a comunidade está sempre chamada a percorrer o itinerário espiritual traçado pela vida de Jesus: partindo da Galileia de sua atividade pública e desta até a sua ressurreição, atravessando o caminho da cruz. Um itinerário espiritual em que a força da fé desempenha um papel essencial.
 
• A força da fé. Depois de sua transfiguração, Jesus e a pequena comunidade dos seus discípulos se volta para as pessoas antes de regressar para a Galileia (v. 22) e chegar a Cafarnaum (v. 24). Enquanto Jesus está entre as pessoas, se aproxima dele um homem e pede com insistência para que intervenha sobre o mal que mantém aprisionado o filho. A descrição anterior à intervenção de Jesus é verdadeiramente precisa: é um caso de epilepsia com todas as suas consequências patológicas em um nível psíquico. No tempo de Jesus, esse tipo de doença era atribuído a forças do mal, e, especificamente como obra de Satanás, o inimigo de Deus e do homem e, portanto, a origem do mal e de todos os males. Neste caso, onde as forças do mal emergem persistentemente acima da capacidade humana, os discípulos se sentem incapazes de curar o jovem (vv.16-19) por causa de sua pouca fé (v. 20).
 
* Para o evangelista, este jovem epiléptico é símbolo daqueles que desprezam o poder da fé (v. 20), aqueles que não estão cientes da presença de Deus entre eles (v. 17). A presença de Deus em Jesus, que é o Emmanuel, não é reconhecida; não é suficiente entender algo sobre Jesus, é necessária a verdadeira fé. Jesus, depois de repreender as pessoas, manda trazer o jovem: "Traga-o aqui" (v. 17), cura-o e o liberta no momento em que o demônio grita. Não basta o milagre da cura de uma única pessoa, é também necessário curar a fé incerta e fraca dos discípulos. Jesus se aproxima deles, que estão confusos ou atordoados com sua impotência: “Por que não pudemos nós expulsar este demônio?” (v. 20). A resposta de Jesus é clara: “Por causa de vossa falta de fé.” Jesus pede uma fé capaz de mover montanhas do próprio coração para se identificar com sua pessoa, com sua missão, com seu poder divino.
 
* É verdade que os discípulos deixaram tudo para seguir a Jesus, mas não puderam curar o menino epiléptico por causa de sua "pouca fé". Não se trata falta de fé e sim de fé fraca, hesitante para os céticos, com predomínio da desconfiança e da dúvida. É uma fé não se enraizada plenamente no relacionamento com Cristo. Jesus se excede na linguagem, quando ele diz: "Se tiverdes fé, como um grão de mostarda", poderão mover montanhas; é uma exortação para deixar-se a conduzir na ação pelo poder da fé, o que se torna especialmente forte nos momentos de provação e sofrimento, e atinge a maturidade, quando não se escandaliza mais com o escândalo da cruz. A fé pode fazer qualquer coisa, desde que se renuncie a confiar nas próprias capacidades humanas, pode mover montanhas. Os discípulos e a comunidade primitiva experimentaram que a incredulidade não se vence só através da oração e do jejum, mas que é necessário unir-se à morte e ressurreição de Jesus.
 
Para um confronto pessoal
1) Na meditação desta passagem, observamos como os discípulos se situam diante do epilético e diante de próprio Jesus. Você descobre o seu caminho de relacionamento com Jesus e com outros pela força da fé?
2) Jesus, desde a cruz, dá testemunho do Pai e o revela totalmente. A palavra de Jesus que você tem meditado te pede uma adesão total: Você se sente comprometido cada dia em mover as montanhas do seu coração que se interpõem entre o seu egoísmo e a vontade de Deus

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sexta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Sto. Alberto da Sicília (de Trapani), presbítero e Pai de nossa Ordem.
São Caetano de Thiene, presbítero.
 
1ª Leitura (Na 2,1.3; 3,1-3.6-7):
Vede sobre os montes os passos do mensageiro que anuncia a paz. Celebra as tuas festas, Judá, cumpre os teus votos, porque o malfeitor não voltará a passar por ti, ele foi totalmente destruído. O Senhor restaurou o esplendor de Jacob e o esplendor de Israel, porque os salteadores a tinham saqueado, devastando os seus sarmentos. Ai da cidade sanguinária, cheia de perfídia, repleta de despojos, onde não cessa a pilhagem! Ouve-se o estalar do chicote, o estrépito das rodas, o galope dos cavalos, o baloiçar dos carros. Arremetem os cavalos, brilham as espadas, cintilam as lanças. Depois, multidão de feridos, mortos sem conta, cadáveres sem fim, nos quais se tropeça! «Vou cobrir-te de imundície, lançar-te na ignomínia e expor-te à vergonha pública – diz o Senhor –. Quem te vir fugirá de ti, dizendo: ‘Nínive está devastada! Quem terá compaixão dela?’ Onde encontrarei quem te console’».
 
Salmo Responsorial: Dt 32
R. Eu sou o Senhor da morte e da vida.
 
Está próximo o dia da ruína, iminente o seu destino, porque o Senhor defenderá o seu povo, terá piedade dos seus servos.
 
Reconhecei agora que Eu sou Deus e não há outro além de Mim. Sou o Senhor da morte e da vida: nada escapa ao meu poder.
 
Quando desembainhar a minha espada fulgurante, quando tomar em minhas mãos a sentença, tirarei desforra dos meus inimigos, retribuirei aos meus adversários.
 
Aleluia. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 16,24-28): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida? Pois o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade, vos digo: alguns dos que estão aqui não provarão a morte sem antes terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino».
 
«Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me»
 
Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Ripollet, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos coloca claramente diante do mundo. É radical na sua abordagem, não admitindo ambiguidades: «Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me» (Mt 16,24). Em numerosas ocasiões, perante o sofrimento causado por nós mesmos ou pelos outros ouvimos: «Devemos suportar a cruz que Deus nos manda...Deus quis que fosse assim...», e vamos acumulando sacrifícios como cupons em uma cartela, que apresentaremos à auditoria celestial no dia que tivermos que prestar contas.
 
O sofrimento não tem valor algum em si mesmo. Cristo não era um estoico: sentia sede, fome, cansaço, não gostava de ser deixado só, se deixava ajudar... Onde podia aliviava a dor, física e moral. Que acontece então?
 
Antes de carregarmos a nossa “cruz”, primeiramente devemos seguir a Cristo. Não se sofre e depois se segue a Cristo... Cristo se segue por Amor, e é a partir daí que se compreende o sacrifício, a negação pessoal: «Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará» (Mt 16,25). É o amor e a misericórdia o que nos leva ao sacrifício. Todo amor verdadeiro gera sacrifício de uma forma ou de outra, mas nem todo sacrifício gera amor. Deus não é sacrifício; Deus é Amor, e só esta perspectiva dá sentido à dor, ao cansaço e às cruzes de nossa existência segundo o modelo de homem que o Pai nos revelou em Cristo. Santo Agostinho afirmou: «Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento».
 
No correr da nossa vida, não busquemos uma origem divina para os sacrifícios e as penúrias: «Por que Deus me mandou isto?», mas busquemos um “uso divino” para o que nos acontece: «Como posso fazer disso, um ato de fé e de amor?». É assim que seguimos a Cristo e, como —com certeza— seremos merecedores do olhar misericordioso do Pai. O mesmo olhar com que contemplou o seu Filho na Cruz.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A alma participará do próprio Deus, obrando nela a Santíssima Trindade. Oh almas criadas para essas grandezas e para esses chamamentos! O que fazeis? Em que vos entretendes? (...). Estais cegos!: enquanto procurais a grandeza e a glória, permaneceis pequenos e ignorantes» (S. João da Cruz)
 
«O importante para qualquer pessoa, a primeira coisa a que dá importância na sua vida, é saber-se amada. Deus está lá primeiro e ama-me. Esta é a razão segura em que se baseia a minha vida» (Bento XVI)
 
«(...) O Espírito é a nossa vida´: quanto mais renunciarmos a nós próprios (cf Mt 16,24-26), mais caminharemos segundo o Espírito´(Gl 5,25)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 736)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Os cinco versículos do evangelho de hoje são a continuidade das palavras de Jesus a Pedro que meditamos ontem.
Jesus não esconde nem abranda as exigências do discipulado. Não permitiu que Pedro tomasse a dianteira e o colocou no seu devido lugar: “Atrás de mim!” O evangelho de hoje explicita estas exigências para todos nós;
 
* Mateus 16,24: Tome a sua cruz e siga-me. Jesus tira as conclusões que valem até hoje: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga”. Naquele tempo, a cruz era a pena de morte que o império romano impunha aos marginais e bandidos. Tomar a cruz e carregá-la atrás de Jesus era o mesmo que aceitar ser marginalizado pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. A Cruz não é fatalismo, nem é exigência do Pai. A Cruz é a consequência do compromisso livremente assumido por Jesus de revelar a Boa Nova de que Deus é Pai e que, portanto, todos e todas devem ser aceitos e tratados como irmãos e irmãs. Por causa deste anúncio revolucionário, Jesus foi perseguido e não teve medo de dar a sua vida. Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão (Jo 15,13). O testemunho de Paulo na carta aos Gálatas mostra o alcance concreto de tudo isto: “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”.  (Gal 6,14)  E ele termina aludindo às cicatrizes das torturas que sofreu: “De agora em diante ninguém mais me moleste, pois trago em meu corpo as marcas de Jesus” (Gal 6,17).
 
* Mateus 16,25-26: Quem perde a vida por causa de mim vai encontrá-la. Estes dois versículos explicitam valores humanos universais que confirmam a experiência de muitos cristãos e não cristãos. Salvar a vida, perder a vida, encontrar a vida. A experiência de muitos ensina o seguinte: Quem vive atrás de bens e de riqueza, nunca fica saciado. Quem se doa aos outros esquecendo-se a si mesmo, sente uma grande felicidade. É a experiência das mães que se doam, e de tanta gente que não pensa em si, mas nos outros. Muitos fazem e vivem assim quase por instinto, como algo que vem do fundo da alma. Outros fazem assim, porque tiveram uma experiência dolorosa de frustração que os levou a mudar de atitude. Jesus tem razão em dizer: Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. Importante é o motivo: “por causa de mim”, ou como diz em outro lugar: “por causa do Evangelho” (Mc 8,35). E ele termina: “Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida?” Esta última frase evoca o salmo onde se diz que ninguém é capaz de pagar o preço do resgate da vida: “O homem não pode comprar seu próprio resgate, nem pagar a Deus o preço de si mesmo. É tão caro o resgate da vida, que nunca bastará para ele viver perpetuamente, sem nunca ver a cova”.  (Sl 49,8-10).
 
* Mateus 16,27-28: O Filho do Homem retribuirá a cada uma conforme a sua conduta. Estes dois versículos se referem à esperança do povo com relação à vinda do Filho do Homem no fim dos tempos como juiz da humanidade, como é apresentado na visão do profeta Daniel (Dn 7,13-14). O primeiro versículo diz: “O Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta” (Mt 16,27). Nesta frase se fala da justiça do Juiz. Cada um vai receber conforme a sua própria conduta. O segundo versículos diz: “Alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino”. (Mt 16,28). Esta frase é um aviso para ajudar a perceber a vinda de Jesus como Juiz nos fatos da vida. Alguns achavam que Jesus viria logo (1Ts 4,15-18). Jesus, de fato, veio e já estava presente nas pessoas, sobretudo nos pobres. Mas eles não o percebiam. Jesus mesmo tinha dito: “Aquela vez que você ajudou o pobre, o doente, o sem casa, o preso, o peregrino, era eu!” (Mt 25,34-45)
 
Para um confronto pessoal
1. Quem perde a vida vai ganhá-la. Qual a experiência que tenho neste ponto?
2. As palavras de Paulo: “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”. Tenho coragem de repeti-las na minha vida?

7 de agosto

 Santo Alberto de Trapani
PRESBÍTERO E PAI DE NOSSA ORDEM
 
Nasceu em Trapani, na Sicília, no séc. XIII. Distinguiu-se no seu tempo pelo seu amor à pregação evangélica, pela força dos seus milagres e pelo seu temo amor à Virgem Maria. No ano de 1296 governava a Província carmelitana da Sicília como provincial. Célebre pelo seu apaixonado amor à pureza e à oração, morreu em Messina, provavelmente em 1307.
 
INVITATÓRIO
Ant. Vinde adoremos a Cristo, ornamento dos sacerdotes!
 
LAUDES
Hino
Celebremos Santo Alberto,
Que a lei teve por guia,
a alma, deu a Maria,
Estrela e Caminho certo.
 
Não importa a pouca idade:
eis que avança alegremente,
casto, pobre e obediente,
na senda da santidade.
 
No ardor da pregação
sua alma se consome
por tantos que têm fome
do anúncio da Salvação.
 
Sê amparo, Alberto santo,
dos que, abraçados à cruz,
procuram seguir Jesus,
sorrindo por entre o pranto.
 
Glória ao Pai Onipotente,
glória a Cristo Redentor,
que com o Espírito de Amor
vive e reina eternamente.
 
Ant. 1 Quem tem mãos inocentes e puro o coração, esse subirá à montanha do Senhor.
 
Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.
 
Ant. 2 Cristo o glorificou com bondade admirável por causa da pureza do seu coração.
 
Ant. 3 Por ter abandonado este mundo, Cristo lhe concedeu a vida suspirada.
 
Leitura breve: Eclo (Sr) 50,6-7.10
Era como a estrela da manhã no meio das nuvens, como a lua nos dias da sua plenitude, como o sol a resplandecer sobre o Templo do Altíssimo, como o arco-íris a brilhar entre névoas de glória, como um vaso de ouro maciço adornado com toda variedade de pedras preciosas.
 
Responsório breve
R. Foi-me concedida a graça de anunciar as inefáveis
riquezas de Cristo. R. Foi-me concedida.
V. Para que seja manifestada pela Igreja a multiforme sabedoria de Deus. *
As inefáveis. Glória ao Pai. R. Foi-me.
 
Cântico evangélico
Ant. Santo Alberto, servo de Cristo, guie os nossos passos e nos ensine os caminhos da paz.
 
Preces
Bendigamos, irmãos, a Jesus Cristo, Pontífice da nossa fé, que é admirável nos seus Santos e adornou também a nossa Ordem com a santidade e a justiça. E peçamos jubilosos:
 
R. Fazei-nos santos, porque vós sois santo.
 
Vós, que prometestes a visão de Deus aos puros de coração,
- sarai, purificai e inflamai os corações dos vossos servos. R.
 
Vós, que desejastes que a Boa Nova fosse proclamada até os confins da terra,
- concedei zelo e fidelidade aos anunciadores do Reino. R
 
Vós, que nunca privastes a vossa Igreja da presença do vosso admirável poder,
- curai os doentes, aliviai os oprimidos, fortalecei os fracos. R.
 
Vós, que através dos vossos representantes na terra continuais a ser o único Pastor da Igreja,
- tornai-nos dignos de ter guias santos e seguros. R.
 
Vós, que destes ao Carmelo vossa Mãe como nossa Mãe e Padroeira,
_ com a sua ajuda e intercessão gravai em nós mais profundamente a vossa imagem. R.
 
(intenções livres)
 
Pai Nosso ...
 
Oração
Senhor, que fizestes de Santo Alberto modelo de pureza e oração, e fiel servidor de Maria, concedei que, investidos destas mesmas virtudes, possamos encontrar-nos no eterno banquete da vossa Glória. Por N.S.J.C.
 
VÉSPERAS
Hino
Tu, Alberto, foste luz,
que iluminou Messina,
tal como outrora Jesus
nas terras da Palestina.
 
Como Ele tu passaste
fazendo o bem e curando
a todos os que encontraste
duras penas suportando.
 
Quantos foram socorridos
por tua mão benfazeja!
E aqueles que, convertidos,
encontram Cristo na Igreja!
 
Pois que semeaste em paz
a Palavra da Verdade,
como estrela brilharás
por toda a eternidade.
 
Ant. 1 Quem vive sem mancha e pratica a justiça descansará na montanha do Senhor.
 
Salmos e Cântico do Comum dos Pastores.
 
Ant. 2 Como sol refulgente brilhou no templo do Senhor.
 
Ant. 3 Os Santos cantavam um cântico novo diante do trono de Deus e do Cordeiro, e as suas vozes enchiam a terra.
 
Leitura breve: Rm 8,28-30
Sabemos que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação de acordo com o projeto de Deus, pois os que Deus contemplou com o seu amor desde sempre, a esses predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, para que este seja o Primogênito numa multidão de irmãos. E aqueles que Deus predestinou, também os chamou; e aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou.
 
Responsório breve
R. Santos e justos, * alegrai-vos no Senhor! R. Santos.
V. Deus vos escolheu como sua herança. * Alegrai-vos.
Glória ao Pai. R. Santos.
 
Cântico evangélico
Ant. Ó Santo Alberto, pai ilustre, que eternamente gozais da alegria da glória, atendei a todos os que na terra vos louvam, e ao Senhor apresentai as nossas orações.
 
Preces
Roguemos ao Senhor Jesus, que santifica os seus sacerdotes e convida os seus servos e servas a um íntimo trato com Ele. E digamos:
 
R. Criai em nós, Senhor, um coração que seja puro e aumentai a nossa fé.
 
Vós, que às mãos dos sacerdotes confiastes o Pão Eucarístico,
- fazei que todos gozem dos frutos do mistério pascal. R.
 
Concedei a todos os que investigam a verdade que, procurando-a, a encontrem,
- e, encontrando-a, a sigam fielmente.      R.
 
A todos os que amam e cultivam a pureza de coração,
- concedei que sejam testemunhas da vossa presença no mundo. R.
 
Reuni ao redor da vossa mesa os vossos irmãos e irmãs,
- para que vos sigam mais de perto, a Vós, Cristo virgem, pobre e obediente. R.
 
Guardai a todas as que abraçaram o ideal da virgindade consagrada
- para que vos sigam a Vós, Cordeiro puro e sem mancha, por onde quer que Vós andeis. R.
 
(intenções livres)
 
Acolhei todos nossos irmãos e irmãs falecidos no Reino Eterno,
- aonde nós próprios esperamos chegar um dia. R.
 
Pai Nosso...
 
Oração
Senhor, que fizestes de Santo Alberto modelo de pureza e oração, e fiel servidor de Maria, concedei que, investidos destas mesmas virtudes, possamos encontrar-nos no eterno banquete da vossa Glória. Por N.S.J.C.
 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

6 de agosto: Transfiguração do Senhor

1ª Leitura (Dan 7,9-10.13-14):
Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.
 
Salmo Responsorial: 96
R. O Senhor é rei, o Altíssimo sobre toda a terra.
 
O Senhor é rei: exulte a terra, rejubile a multidão das ilhas. Ao seu redor, nuvens e trevas; a justiça e o direito são a base do seu trono.
 
Derretem-se os montes como cera diante do senhor de toda a terra. Os céus proclamam a sua justiça e todos os povos contemplam a sua glória.
 
Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra, estais acima de todos os deuses. Alegrai-vos, ó justos, no Senhor e louvai o seu nome santo.
 
2ª Leitura (2Pe 1,16-19): Caríssimos: Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.
 
Aleluia. Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 17,1-9): Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».
 
«Este é o meu Filho amado»
 
Rev. D. Joan SERRA i Fontanet(Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho fala-nos da Transfiguração de Jesus Cristo no monte Tabor. Jesus, depois da confissão de Pedro, começou a mostrar a necessidade de o Filho do homem ser condenado à morte e anunciou também a sua ressurreição ao terceiro dia. É neste contexto que devemos situar o episódio da Transfiguração de Jesus. Santo Anastácio Sinaíta escreve que «Ele tinha-se revestido com nossa miserável túnica de pele, hoje colocou a veste divina, e a luz envolveu-o como um manto». A mensagem que Jesus transfigurado nos traz são as palavras do Pai: «Este é o meu Filho amado. (...) Escutai-o!». (Mt 17,5). Escutar significa fazer a sua vontade, contemplar a sua pessoa, imitá-lo, pôr em prática os seus conselhos, tomar a nossa cruz e segui-lo.
 
Com o propósito de evitar equívocos e más interpretações, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos (cf. Mt 17,9). Os três apóstolos contemplam Jesus transfigurado, sinal da sua divindade, mas o Salvador não quer que se divulgue até depois da sua Ressurreição, quando então se poderá compreender a dimensão deste episódio. Cristo fala-nos no Evangelho e na nossa oração; então podemos repetir as palavras de Pedro: «Rabi, que bem estamos aqui» (Mt 17,4), sobretudo depois de ir comungar.
 
O prefácio da Missa de hoje oferece-nos um belo resumo da Transfiguração de Jesus. Diz assim: «Porque Cristo, Senhor, tendo anunciado sua morte aos discípulos, revelou a sua glória na montanha sagrada e, tendo também a Lei e os profetas como testemunhas, fê-los compreender que a paixão é necessária para chegar à gloria da ressurreição». Lição que os cristãos nunca devem esquecer.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Para penetrarmos na intimidade destes inefáveis e sagrados mistérios juntamente com os eleitos, entre os discípulos inspirados por Deus, ouçamos a voz divina e sagrada que, lá do alto, do cimo do monte, instantemente nos chama» (Anastácio Sinaíta)
 
«Esse corpo que se transfigura diante dos olhos atônitos dos Apóstolos é o corpo de nosso irmão Cristo, mas é também nosso corpo destinado à glória; a luz que o inunda é e será também nossa parte da herança e esplendor» (São Paulo VI)
 
«Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente em Aquele que Deus enviou, “no seu Filho muito amado” em quem Ele pôs todas as suas complacências (Mc 1,11). Deus mandou-nos que O escutássemos (...) (Mc9,7)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 151)
 
No "monte” da Transfiguração
 
Com base nos textos de Bento XVI
 
Hoje vemos o Senhor tomando consigo os três prediletos e, levá-los a um monte alto. Voltaremos a encontrá-los juntos em outro monte —no das Oliveiras— na angustia extrema do Senhor, como imagem que contrasta com a transfiguração, ainda que ambas estejam inseparavelmente relacionadas entre si: A divindade de Jesus vai unida à cruz, somente nessa inter-relação reconhecemos Jesus Cristo corretamente.
 
A cena, além dos diversos “montes” da vida de Cristo (Calvário, Ascensão...) nos lembra os montes da revelação do Antigo Testamento (Sinai, Horeb, Moriá): São ao mesmo tempo montes de “paixão” e de “revelação”. Moisés e Elias receberam no monte a revelação de Deus: Agora estão em colóquio com Aquele que é a Revelação (e a Lei) em pessoa. Ambos foram, com seus sofrimentos, figuras da paixão: Agora falam da iminente Paixão do Transfigurado.
 
—Jesus, enquanto descemos do monte, nos falas de tua “ressurreição dentre os mortos”: Nossa esperança passará pelo monte Calvário.
 
Reflexão de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Hoje é a festa da Transfiguração de Jesus.
A Transfiguração acontece depois do primeiro anúncio da Morte de Jesus (Mt 16,21). Este anúncio transtornou a cabeça dos discípulos, sobretudo de Pedro (Mt 16,22-23). Eles tinham os pés no meio dos pobres, mas a cabeça estava perdida na ideologia dominante da época. Eles esperavam um messias glorioso. A cruz era um impedimento para crer em Jesus. A Transfiguração, onde Jesus aparece glorioso no alto da montanha, era uma ajuda para eles poderem superar o trauma da Cruz e descobrir em Jesus o verdadeiro Messias. Mesmo assim, muitos anos depois, quando a Boa Nova já estava espalhada pela Ásia Menor e pela Grécia, a Cruz continuava sendo um grande impedimento para os judeus e para os pagãos aceitarem Jesus como Messias. “A cruz é uma loucura e um escândalo!”, assim diziam (1Cor 1,23). Um dos maiores esforços dos primeiros cristãos consistia em ajudar as pessoas a perceber que a cruz não era escândalo nem loucura, mas sim a expressão mais bonita e mais forte do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1,22-31). O evangelho de hoje dá a sua contribuição neste esforço. Ele mostra que Jesus veio realizar as profecias e que a Cruz era o caminho para a Glória. Não há outro caminho.
 
* Mateus 17,1-3: Jesus muda de aspecto. Jesus sobe a uma montanha alta. Lucas acrescenta que ele subiu para rezar (Lc 9,28). Lá em cima, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto com Jesus aparecem Moisés e Elias. A Montanha alta evoca o Monte Sinai, onde, no passado, Deus tinha manifestado sua vontade ao povo, entregando as tábuas da lei. As vestes brancas lembram Moisés que ficava fulgurante quando conversava com Deus na Montanha e dele recebia a lei (cf. Ex 34,29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, conversam com Jesus. Moisés representa a Lei, Elias, a profecia. Lucas informa que a conversa foi sobre o “êxodo” (a morte) de Jesus em Jerusalém (Lc 9,31). Assim fica claro que, o Antigo Testamento, tanto a Lei como os Profetas, já ensinava que, para o Messias, o caminho da glória tinha de passar pela cruz.
 
* Mateus 17,4: Pedro gostou, mas não entendeu. Pedro gostou e quis segurar o momento agradável na Montanha. Ele se oferece para construir três tendas. Marcos diz que Pedro estava com medo, sem saber o que estava dizendo (Mc 9,6), e Lucas acrescenta que os discípulos estavam com sono (Lc 9,32). Eles são como nós: têm dificuldade para entender a Cruz!
 
* Mateus 17,5-8:  A voz do céu esclarece os fatos. Enquanto Jesus é envolvido pela glória, uma voz do céu diz: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz". A expressão “Filho amado” evoca a figura do Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1). A expressão “Escutem o que ele diz” evoca a profecia que prometia a chegada de um novo Moisés (cf. Dt 18,15). Em Jesus, as profecias do AT estão se realizando. Os discípulos já não podem duvidar. Jesus é realmente o Messias glorioso e o caminho para a glória passa pela cruz, conforme tinha sido anunciado na profecia do Messias Servo (Is 53,3-9). A glória da Transfiguração o comprova. Moisés e Elias o confirmam. O Pai o garante. Jesus o aceita. Diante de tudo que estava acontecendo os discípulos ficam com muito medo e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproxima, toca neles e diz: "Levantem-se, e não tenham medo." Os discípulos levantam os olhos e vêem só Jesus e ninguém mais. Daqui para a frente, Jesus é a única revelação de Deus para nós! Jesus, e só ele, é a chave para podermos entender a Escritura e a Vida.
 
4. Mateus 17,9: Saber guardar o silêncio. Jesus pedia aos discípulos para não dizer nada a ninguém até que ele tivesse ressuscitado dos mortos. Marcos diz que eles não sabiam o que significava ressurreição dos mortos (Mc 9,10). De fato, não entende o significado da Cruz quem não liga o sofrimento com a ressurreição. A Cruz de Jesus é a prova de que a vida é mais forte que a morte. A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço, desde a Galileia até Jerusalém.
 
Para um confronto pessoal
1. A sua fé em Jesus já proporcionou a você algum momento de transfiguração e de alegria intensa? Como estes momentos de alegria lhe dão força na hora das dificuldades?
2. Como transfigurar, hoje, tanto a vida pessoal e familiar, como a vida comunitária no nosso bairro?

Quarta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior
 
1ª Leitura (Jer 31,1-7):
«Naquele tempo – diz o Senhor – serei o Deus de todas as tribos de Israel e elas serão o meu povo». Assim fala o Senhor: «O povo que escapou à espada foi favorecido no deserto: Israel vai chegar ao seu repouso». De longe o Senhor apareceu-lhe, dizendo: «Amei-te com amor eterno; por isso tive compaixão de ti. Hei-de edificar-te novamente e serás reconstruída, virgem de Israel. Voltarás a adornar-te com os teus tamborins, para tomar parte em danças festivas. De novo plantarás vinhas nos montes da Samaria e aqueles que as plantarem colherão os seus frutos. Porque virá um dia em que as sentinelas gritarão sobre os montes de Efraim: ‘Levantai-vos! Subamos a Sião, ao encontro do Senhor, nosso Deus’». Assim fala o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, aclamai a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: ‘O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel’».
 
Salmo Responsorial: Jer 31
R. Como o pastor guarda o seu rebanho, assim nos guarda o Senhor.
 
Escutai, ó povos, a palavra do Senhor e anunciai-a às ilhas distantes: Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como um pastor ao seu rebanho.
 
O Senhor resgatou Jacob e libertou-o das mãos do seu dominador. Regressarão com brados de alegria ao monte Sião, acorrendo às bênçãos do Senhor.
 
A virgem dançará alegremente, exultarão os jovens e os velhos. Converterei o seu luto em alegria e a sua dor será mudada em consolação e júbilo.
 
Aleluia. Apareceu entre nós um grande profeta: Deus visitou o seu povo. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 15,21-28): Naquele tempo, Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher Cananéia, vinda daquela região, pôs-se a gritar: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!». Ele não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: «Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós». Ele tomou a palavra: «Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus e começou a implorar: «Senhor, socorre-me!». Ele lhe disse: «Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos». Ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!». Diante disso, Jesus respondeu: «Mulher, grande é tua fé! Como queres, te seja feito!». E a partir daquela hora, sua filha ficou curada.
 
«Mulher, grande é tua fé»
 
Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala (Vic, Barcelona, Espanha)

Hoje, frequentemente, escutamos expressões como já não existe mais fé!, e o dizem pessoas que pedem às nossas comunidades o batismo de seus filhos ou a catequese das crianças ou o sacramento do matrimônio. Essas palavras refletem uma visão negativa do mundo, mostra o convencimento de que em qualquer tempo passado as coisas eram melhores do que agora e que estamos no fim de uma etapa em que não há nada novo a dizer, nem tampouco nada de novo a fazer. Evidentemente são pessoas jovens que, em sua maioria, vêem com certa tristeza que o mundo mudou muito, desde o tempo de seus pais, que talvez vivessem uma fé mais popular, a qual eles não se souberam ajustar. Esta experiência os deixa insatisfeitos e sem capacidade de reação quando, na verdade, quem sabe, não estão às portas de uma nova etapa que deveriam aproveitar.
 
Esta passagem do Evangelho chama a nossa atenção para aquela mãe Cananéia que pede uma graça para sua filha, reconhecendo em Jesus o Filho de Davi: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!» (Mt 15,22). O Mestre é surpreso: «Mulher, grande é tua fé!», e não pode fazer outra coisa senão atuar em favor daquelas pessoas: «Como queres, te seja feito!» (Mt 15,28), ainda que isto não pareça estar em seus planos. Apesar da realidade humana, a graça de Deus sempre se manifesta.
 
A fé não é patrimônio de uns quantos, nem tampouco é propriedade dos que se creem bons ou dos que o foram, ou de quem tem esta etiqueta social ou eclesial. A ação de Deus precede a ação da Igreja e, o Espírito Santo está atuando já em pessoas que não havíamos suspeitado que nos trouxessem uma mensagem de parte de Deus, uma solicitação em favor dos mais necessitados. Diz São Leão: «Amados meus, a virtude e a sabedoria da fé cristã são o amor a Deus e ao próximo: nada falta a nenhuma obrigação de piedade a quem procura dar culto a Deus e a ajudar a seu irmão».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É certo que a verdade foge sempre das mentes que não são humildes» (Santo Agostinho)
 
«O Ser de Deus é o que há de mais verdadeiro: é o eterno, a origem e o fundamento de tudo. E Cristo é a imagem encarnada dessa Verdade» (Bento XVI)
 
«Muitíssimas vezes, nos evangelhos, aparecem pessoas que se dirigem a Jesus chamando-lhe «Senhor». Este título exprime o respeito e a confiança dos que se aproximam de Jesus (...) `É o Senhor!´ (Jo 21, 7)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 448)
 
Que é a verdade?
 
Com base nos textos de Bento XVI
 
Hoje devemos aprender da atitude dessa mulher Cananéia, quer dizer, não judia: Prostra-se diante da Verdade. Que é a verdade? Expressado num tom despectivo, é o que escutou Jesus enquanto o julgavam injustamente. A Cananéia, porém, inclinou-se diante da Verdade não só fisicamente, senão também intelectualmente: “É verdade, Senhor” afirmou.
 
O Ser de Deus é o mais verdadeiro: É o eterno, a origem e o fundamento de tudo. E Cristo é a imagem encarnada dessa Verdade, o espelho no qual nós podemos contemplá-la. Jesus Cristo não disse “Eu sou o costume”, senão “Eu sou a Verdade” Cristo não sanciona simplesmente o costume: pelo contrário, Ele nos arranca dos costumes (“todos o fazem...", dizemos sempre). Ele deseja que os abandonemos e nos exige que procuremos a verdade, o que nos introduz na realidade do Criador, de nosso próprio ser.
 
—Senhor, contigo eu não discuto porque Tu és a Verdade e rindo-me diante de ti.
 
Reflexão
 
Contexto. O pão dos filhos e a grande fé de uma mulher cananéia é a questão apresentada por esta passagem do capítulo 15 de Mateus, que propõe ao leitor do seu Evangelho um posterior aprofundamento da fé em Cristo. O episódio é precedido por uma iniciativa dos escribas e fariseus chegados de Jerusalém, que causam um encontro de curta duração com Jesus, até que ele se afastou com os seus discípulos para se retirar à região de Tiro e Sidônia.

* Enquanto ia pelo caminho, é alcançado por uma mulher que vem de lugares pagãos. Mateus apresenta esta mulher com o nome de "cananéia", que aparece no Antigo Testamento com toda a sua dureza. No livro do Deuteronômio, os habitantes de Canaã são vistos como um povo cheio de pecado e por consequência um povo mau e idólatra.
 
Dinâmica da história. Enquanto Jesus desenvolvia sua atividade na Galileia e está a caminho de Tiro e de Sidônia, uma mulher se aproxima dele e começa a incomodá-lo com um pedido de ajuda para sua filha doente. A mulher aborda Jesus com o título de "filho de Davi", um título que soa estranho na boca de um pagão e poderia se justificar pela extrema necessidade em que vivia aquela mulher. Poderia se pensar que esta mulher já acreditava de alguma forma na pessoa de Jesus como o salvador final, mas se exclui visto que só no v. 28 aparece reconhecido seu ato de fé, precisamente por Jesus.
 
* No diálogo com a mulher, parece que Jesus mostra a mesma distância e desconfiança que existia entre o povo de Israel e os pagãos. Por um lado, Jesus manifesta à mulher a prioridade de Israel em relação à salvação, e diante do insistente pedido de sua interlocutora, Jesus parece tomar distância, uma atitude incompreensível para o leitor, mas na intenção de Jesus expressa um alto valor pedagógico. A primeira súplica "Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi", Jesus não responde. À segunda intervenção, desta vez pelos discípulos que o convidam para atender a mulher, apenas expressa uma rejeição que sublinha a distância secular entre o povo escolhido e os povos pagãos (vv. 23b-24). Mas, devido a insistência da mulher que se prostra ante Jesus, segue uma resposta difícil e misteriosa: "Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos" (v. 26). Ela vai além da dureza das palavras de Jesus e apega a um pequeno sinal de esperança: a mulher reconhece que o plano de Deus que Jesus realiza inicialmente afeta o povo escolhido e Jesus pede a observância deste prioridade; a mulher explora esta prioridade, a fim de apresentar um motivo forte para o milagre: “os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos” (v. 27). A mulher superou a prova de fé: "Ó mulher, grande é tua fé!" (v. 28); na verdade, à humilde insistência de sua fé, Jesus responde com um gesto de salvação.
 
* Este episódio dirige a todo leitor do Evangelho um convite para ter uma atitude de "abertura" para todos, crentes ou não, ou seja, disponibilidade e aceitação sem reserva para qualquer pessoa.
 
Para um confronto pessoal
1. A palavra Deus convida-o a romper seu fechamento e seus esquemas pequenos. Você é capaz de acolher todos os irmãos que vêm até você?
2. Você está ciente de sua pobreza para ser capaz, como a cananéia, de confiar na palavra salvadora de Jesus?