sábado, 21 de fevereiro de 2026

Segunda-feira da 1ª semana da Quaresma

 São Policarpo, bispo e mártir
 
1ª Leitura (Lev 19,1-2.11-18):
O Senhor dirigiu-Se a Moisés, dizendo: «Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: ‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. Não furtareis, não direis mentiras, nem cometereis fraudes uns com os outros. Não prestarás juramento falso, invocando o meu nome, pois profanarias o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor. Não oprimirás nem expropriarás o teu próximo. Não ficará contigo até ao dia seguinte o salário do jornaleiro. Não insultarás um surdo nem colocarás tropeços diante de um cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não cometerás injustiças nos teus julgamentos: não favorecerás indevidamente um pobre, nem darás preferência ao poderoso; julgarás o teu próximo segundo a justiça. Não caluniarás os teus parentes, nem conspirarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor’».
 
Salmo Responsorial: 18
R. As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida.
 
A lei do Senhor é perfeita, ela reconforta a alma; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria aos simples.
 
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; Os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos.
 
O temor do Senhor é puro e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos eles são retos.
 
Aceitai as palavras da minha boca e os pensamentos do meu coração estejam na vossa presença: Vós, Senhor, sois o meu amparo e redentor.
 
Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação.
 
Evangelho (Mt 25,31-46): «Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, ele se assentará em seu trono glorioso. Todas as nações da terra serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos, à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem roupa, e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’. Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’. Depois, o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois eu estava com fome, e não me destes de comer; com sede, e não me destes de beber; eu era forasteiro, e não me recebestes em casa; nu, e não me vestistes; doente e na prisão, e não fostes visitar-me. E estes responderão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’ Então, o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses mais pequenos, foi a mim que o deixastes de fazer!’ E estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna».
 
«Todas as vezes que não fizestes isso a um desses mais pequenos, foi a mim que o deixastes de fazer!»
 
Rev. D. Joaquim MONRÓS i Guitart (Tarragona, Espanha)
 
Hoje é-nos recordado o juízo final, «quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos» (Mt 25.31), e é-nos sublinhado que dar de comer, beber, vestir… resultam obras de amor para um cristão, quando ao fazê-las se sabe ver nelas o próprio Cristo.
 
Diz São João da Cruz: «À tarde te examinarão no amor. Aprende a amar a Deus como Deus quer ser amado e deixa a tua própria condição». Não fazer uma coisa que tem que ser feita, em serviço dos outros filhos de Deus e nossos irmãos, supõe deixar Cristo sem estes detalhes de amor devido: pecados de omissão.
 
O Concilio Vaticano II, e a Gaudium et spes, ao explicar as exigências da caridade cristã, que dá sentido à chamada assistência social, diz: «Sobretudo em nossos dias, urge a obrigação de nos tornarmos o próximo de todo e qualquer homem, e de o servir efetivamente quando vem ao nosso encontro, quer seja o ancião, abandonado de todos, ou o operário estrangeiro injustamente desprezado, ou o exilado, ou o indigente que interpela a nossa consciência, recordando a palavra do Senhor: «todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt 25,40)»
 
Recordemos que Cristo vive nos cristãos… e diz-nos: «Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28,20).
 
O IV Concilio de Latrão define o juízo final como verdade de fé: «Jesus Cristo há-de vir no fim do mundo, para julgar os vivos e os mortos, e para dar a cada um segundo as suas obras, tanto aos condenados como aos eleitos (…) para receber segundo as suas obras, boas ou más: aqueles com o diabo castigo eterno, e estes com Cristo glória eterna».
 
Peçamos a Maria que nos ajude nas ações de serviço a seu Filho nos irmãos.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Imolamo-nos a Deus, entreguemo-nos a ele todos os dias com todas as nossas ações, subamos resolutamente a sua cruz» (S. Gregório Nazianzeno)
 
«Por meio de obras corporais [de misericórdia] tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs que precisam ser alimentados, vestidos, abrigados, visitados. Precisamente tocando aquele que sofre a carne de Jesus crucificado, o pecador poderá receber como um dom a consciência de que ele mesmo é um pobre mendigo» (Francisco).
 
«Jesus, desde a manjedoura até a cruz, partilha a vida dos pobres; ele conhece a fome, a sede e a privação. Mais ainda: identifica-se com os pobres de todas as classes e faz do amor ativo por eles a condição de entrada no seu Reino» (Catecismo da Igreja Católica, n. 544)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* O Evangelho de Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés.
Como Moisés, Jesus promulgou a Lei Deus. Como a antiga Lei, assim a nova lei dada por Jesus tem cinco livros ou discursos. O Sermão da Montanha (Mt 5,1 a 7,27), o primeiro discurso, abriu com as oito bem-aventuranças. O Sermão da Vigilância (Mt 24,1 a 25,46), o quinto e último discurso, encerra com a descrição do Juízo Final. As bem-aventuranças descreveram a porta de entrada para o Reino de Deus, enumerando oito categorias de pessoas: os pobres em espírito, os mansos, os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os de coração limpo, os promotores da paz e os perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-10). A parábola do Juízo Final conta o que devemos fazer para poder tomar posse do Reino: acolher os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os sem roupa, os doentes e os prisioneiros (Mt 25,35-36). Tanto no começo como no fim da Nova Lei, estão os excluídos e marginalizados.
 
* Mateus 25,31-33: Abertura do Juízo final. O Filho do Homem reúne ao seu redor todas as nações do mundo. Separa as pessoas como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. O pastor sabe discernir. Ele não erra: ovelhas à direita, cabritos à esquerda. Jesus não erra. Ele sabe discernir bons e maus. Jesus não julga nem condena (cf. Jo 3,17; 12,47). Ele apenas separa. É a própria pessoa que se julga ou se condena pela maneira como se comportou com relação aos pequenos e excluídos.
 
* Mateus 25,34-36: A sentença para os que estiverem à direita do Juiz.  Os que estão à sua direita são chamados de “Benditos de meu Pai!”, isto é, recebem a bênção que Deus prometeu à Abraão e à sua descendência (Gn 12,3). Eles são convidados a tomar posse do Reino, preparado para eles desde a fundação do mundo. O motivo da sentença é este: "Tive fome e sede, era estrangeiro, nu, doente e preso, e vocês me acolheram e ajudaram!” Esta sentença nos faz saber quem são as ovelhas. São as pessoas que acolheram o próprio Juiz quando este estava faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente e preso. E pelo jeito de falar "meu Pai" e "Filho do Homem", ficamos sabendo que o Juiz é o próprio Jesus. Ele se identifica com os pequenos!
 
* Mateus 25,37-40: Um pedido de esclarecimento e a resposta do Juiz:  Os que acolheram os excluídos são chamados “justos”. Isto significa que a justiça do Reino não se alcança observando normas e prescrições, mas sim acolhendo os necessitados. Mas o curioso é que os próprios justos não sabem quando foi que acolheram Jesus necessitado. Jesus responde: "Toda vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!" Quem são estes "meus irmãos mais pequeninos"? Em outras passagens do Evangelho de Mateus, as expressões "meus irmãos" e "pequeninos" indicam os discípulos (Mt 10,42; 12,48-50; 18,6.10.14; 28,10). Indicam também os membros mais abandonados da comunidade, os desprezados que não recebem lugar e não são bem recebidos (Mt 10,40). Jesus se identifica com eles. Mas não é só isto. No contexto tão amplo desta parábola final, a expressão "meus irmãos mais pequeninos" se alarga e inclui todos aqueles que na sociedade não têm lugar. Indica todos os pobres. E os "justos" e os "benditos de meu Pai" são todas as pessoas de todas as nações que acolhem o outro na total gratuidade, independente do fato de ser cristão ou não.
 
* Mateus 25,41-43: A sentença para os que estiverem à sua esquerda. Os que estão do outro lado do Juiz são chamados de “malditos” e são destinados ao fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Jesus usa a linguagem simbólica comum daquele tempo para dizer que estas pessoas não vão entrar no Reino. E aqui também o motivo é um só: não acolheram Jesus faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente e preso. Não é Jesus que nos impede de entrar no Reino, mas sim a nossa prática de não acolher o outro, a cegueira que nos impede de ver Jesus nos pequeninos.
 
* Mateus 25,44-46: Um pedido de esclarecimento e a resposta do Juiz. O pedido de esclarecimento mostra que se trata de gente bem-comportada, pessoas que têm a consciência em paz. Estão certas de terem praticado sempre o que Deus pedia delas. Por isso estranham quando o Juiz diz que não o acolheram. O Juiz responde: “Todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram!” A omissão! Não fizeram coisas más! Apenas deixaram de praticar o bem aos pequeninos e de acolher os excluídos. E segue a sentença final: estes vão para o fogo eterno, e os justos para a vida eterna. Assim termina o quinto livro da Nova Lei!
 
Para um confronto pessoal
1) O que mais chamou a sua atenção nesta parábola do Juízo Final?
2) Pare e pense: se o Juízo final fosse hoje, você estaria do lado das ovelhas ou dos cabritos?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

I Domingo da Quaresma

Cátedra de São Pedro
 
1ª Leitura (Gen 2,7-9;3,1-7):
O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?». A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu fruto da árvore e comeu; depois deu-o ao marido, que comeu juntamente com ela. Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.
 
Salmo Responsorial: 50
R. Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.
 
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas.
 
Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos.
 
Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.
 
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor.
 
2ª Leitura (Rom 5,12-19): Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos ¬¬¬pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens. E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação. Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. De facto, como pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.
 
Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
 
Evangelho (Mt 4,1-11): Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo. Ele jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!». Ele respondeu: «Está escrito: ‘Não se vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’». Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, joga-te daqui abaixo! Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a teu respeito, e eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus lhe respondeu: «Também está escrito: ‘Não porás à prova o Senhor teu Deus’!». O diabo o levou ainda para uma montanha muito alta. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua riqueza, e lhe disse: «Eu te darei tudo isso, se caíres de joelhos para me adorar». Jesus lhe disse: «Vai embora, Satanás, pois está escrito: ‘Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto’». Por fim, o diabo o deixou, e os anjos se aproximaram para servi-lo.
 
«Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo»
 
P. Byron CADMEN (Santo Domingo, Equador)
 
Hoje, irmãos, o Evangelho leva-nos ao deserto: «Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo» (Mt 4,1). Não é um passeio espiritual; é o lugar onde se desmascaram as nossas dependências. O tentador começa pelo essencial: «Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães» (Mt 4,3). A proposta parece razoável: resolver a necessidade imediatamente. Mas Jesus responde com uma liberdade que nasce da confiança: «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4).
 
A segunda tentação é mais subtil: procurar Deus como espetáculo, obrigando-O a provar-Se. Também a nós nos tenta uma “fé de provas”: se me respondes, acredito; se não, fecho-me. Jesus não negocia com o Pai nem manipula o sagrado.
 
E, quando chega a terceira tentação (poder, controlo, sucesso…), o Senhor corta pela raiz: «Vai-te, Satanás» (Mt 4,10), e fixa o centro da vida: «Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto». Esta frase é remédio para uma cultura que nos empurra a viver para o aplauso, o consumo e a autossuficiência.
 
Esta Quaresma não é para suportar quarenta dias, mas para aprender a liberdade de Jesus. Jejua para que o teu coração deixe de obedecer ao imediato. Reza para escutar a Palavra que te sustenta. E, se te descobrires inquieto, recorda Santo Agostinho: «Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti». Como disse o Papa Leão XIV: «Deus nos ama, Deus vos ama a todos, e o mal não prevalecerá!».
 
O Evangelho termina com uma promessa: «Então o diabo deixou-O. E eis que se aproximaram anjos e O serviam» (Mt 4,11). Caminhemos sem medo: o deserto não é a última palavra; é o caminho para uma adoração mais pura que nos torna livres.
 
«Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo»
 
Mn. Antoni BALLESTER i Díaz (Camarasa, Lleida, Espanha)
 
Hoje celebramos o primeiro domingo de Quaresma e, este tempo litúrgico “forte” é um caminho espiritual que nos leva a participar do grande mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Diz o Papa João Paulo II: que «em cada ano a Quaresma nos propõe um tempo para intensificar a nossa oração e a penitência, e abrir o nosso coração à acolhida dócil da vontade divina. A Quaresma convida-nos a percorrer um itinerário espiritual que nos prepara para reviver o grande mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, primeiro por médio da escuta constante da Palavra de Deus e a prática mais intensa da mortificação, graças à qual podemos ajudar com maior generosidade ao próximo necessitado».
 
A Quaresma e o Evangelho de hoje nos ensinam que a vida é um caminho que nos deve levar ao céu. Mas, para poder merecê-lo, devemos ser provados pelas tentações. «Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo» (Mt 4,1). Jesus quis ensinar-nos, ao permitir ser tentado, como devemos lutar e vencer as nossas tentações: com a confiança em Deus e a oração, com a graça divina e a fortaleza.
 
As tentações podem se descrever como os “inimigos da alma”. Em concreto, resumem-se e concretam-se em três aspectos: À primeira vista, “o mundo”: «manda que estas pedras se transformem em pães» (Mt 4,3). Supõe viver só para possuir bens.
 
À segunda vista, “o demônio”: «se caíres de joelhos para me adorar (...)» (Mt 4,9). Manifesta-se na ambição de poder.
 
E, finalmente, “a carne”: «joga-te daqui abaixo» (Mt 4,6) o que significa pôr a confiança no Corpo. Tudo isso o expressa Santo Tomas de Aquino dizendo que «a causa das tentações são as causas das concupiscências: o deleite da carne, o afã da glória, e a ambição de poder.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Jesus no deserto derrotou o seu adversário com as palavras da Lei, não com o vigor dá o braço dele. Ele venceu para que sejamos vencedores da mesma forma" (São Leão Magno)
 
«Não podemos sustentar uma espiritualidade que se esquece do Deus todo-poderoso e criador. Caso contrário, acabaríamos adorando outros poderes do mundo, ou nos colocaríamos no lugar do Senhor, a ponto de tentar pisar na realidade por Ele criada sem conhecer limites" (Francisco)
 
«Jesus é o novo Adão que permaneceu fiel onde o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpriu perfeitamente a vocação de Israel: ao contrário daqueles que antes provocaram Deus durante quarenta anos no deserto (cf. Sl 95,10), Cristo revela-se como o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do diabo; Ele 'amarrou o homem forte' para despojá-lo do que ele havia se apropriado(Mc 3.27). A vitória de Jesus no deserto sobre o Tentador é uma antecipação da vitória da Paixão. Obediência suprema do seu amor filial ao Pai" (Catecismo da Igreja Católica, n.539)
 
Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo.
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
*
O presente texto, as tentações de Jesus no deserto, tem cinco partes: a introdução (vv. 1-2), as três tentações que Jesus sofreu (1ª: vv. 3-4; 2ª: 5-7; 3ª: 8-10) e a conclusão (v. 11). As tentações seguem um esquema comum a todas elas: a) o cenário; b) a tentação de Satanás; c) e a resposta de Jesus, que consiste fundamentalmente na citação de uma passagem bíblica, por Ele introduzida com a fórmula: “Está escrito” (gr. gégraptai: vv. 4.7.10; Mt, 9x). O evidente paralelismo das tentações é quebrado em dois pontos: na citação da Sagrada Escritura, feita pelo diabo (v. 6); e na substituição da oração subordinada condicional, “Se és Filho de Deus”, pela proposta: “se, prostrado, me adorares” (v. 9), na terceira tentação, onde, além disso, a oração principal não é um imperativo, mas uma promessa.
 
v. 1. Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. (vv. 1-11: Mc 1,12s; Lc 4,1-13). “Então”: Mateus prefere usar este advérbio (gr. tóte), onde Marcos usa o advérbio “imediatamente” (gr. euthús). Logo após a sua unção pelo Espírito Santo, durante a qual foi investido messianicamente e proclamado “Filho amado” pelo Pai, aquando o seu batismo no rio Jordão por João (3,16s), Jesus é “conduzido” (gr. anagô): este verbo evoca a peregrinação de Israel através do deserto rumo à Terra Prometida após o êxodo do Egito (Gn 50,24; Ex 33,12; Nm 20,4s; Js 24,17; Sl 78,52; Os 13,4; Jr 2,6). Está na voz passiva, na qual é usado na navegação com o sentido de “navegar” impelido pelo vento (At 13,13; 16,11), neste caso, “pelo Espírito”, tema que também remete ao êxodo (Is 63,11.14; cf. Rm 8,14; Gl 5,18). A vida e o ministério de Jesus são conduzidos pelo Espírito Santo, que o impele, soberanamente o dirige e age através dele.
 
* “Ao deserto”: no AT, o deserto é o lugar do encontro de Deus com o seu povo e do seu noivado com ele (Os 2,16; 11,1-4; Jr 2,2.6; Dt 1,31; 2,7), mas também o lugar da tentação e da prova (Ex 16,4; Dt 8,2.16). É para aí que Jesus é conduzido “para ser tentado” como o povo de Israel, para que, obedecendo, recapitule a história deste que, desobedecendo, “no deserto tentou” a Deus “dez vezes” (Nm 14,22) e, assim, o salve do seu pecado (1,21).
 
* “Pelo diabo”: o diabo (gr. diábolos, “o que separa”, “o que divide”: 4x aqui; 13,39; 25,41) é a tradução habitual grega de Satanás nos LXX (cf. v. 10)  Ele é o tentador (v. 3), o anjo mau (cf. 2Pd 2,4; Jd 1,6) que tentou o homem no paraíso (Sb 2,24) levando-o a desconfiar de Deus, a não acreditar na sua Palavra e a pecar. Jesus é “tentado” pelo diabo que põe à prova a autenticidade da sua obediência filial, provando pela sua vitória sobre o maligno que ama a Deus, confia n'Ele e segue o Seu caminho, na obediência à sua Palavra (cf. Dt 13,3-4; Jz 2,22), recapitulando, deste modo, desde as origens, como novo Adão, a história do primeiro “Adão, filho de Deus” (Lc 3,38), que logo no princípio pecou.
 
v. 2. Tendo jejuado durante quarenta dias e quarenta noites, por fim, sentiu fome. Jesus jejuou “durante quarenta dias e quarenta noites”. “Quarenta” (daí o nome Quaresma, vindo do latim quadragésima [die], "quadragésimo [dia]") designa no AT uma geração (Sl 95,10), ou seja, a vida humana, tempo de prova e de conversão (cf. Jb 7,1; Jn 3,4). Evoca o tempo que, “sem comer pão, nem beber água”, Moisés passou por duas vezes no Sinai (primeiro para receber a Lei: Ex 24,18; Dt 9,9; depois para interceder pelo povo e renovar a Aliança: Ex 34,28) e Elias caminhou no deserto até ao Horeb (o monte Sinai: 1Rs 19,8), simbolizando “cada dia um ano” (Nm 14,34; Ez 4,6) dos que Israel caminhou pelo deserto e foi “tentado” para saber o que tinha no seu coração (cf. Dt 8,2). O número "quarenta" é, pois, simbólico, indicando que as tentações de Jesus não foram algo que Ele só teve aqui, mas foram as tentações que o acompanharam ao longo de toda a sua existência e ministério (cf. 16,1-4).
 
* “Por fim, sentiu fome”. De Moisés e Elias não se tinha dito que após quarenta dias sem comer nem beber, tivessem sentido sede ou fome, mas de Jesus não se diz que não tenha bebido e acrescenta-se que “sentiu fome”, para sublinhar que Ele assumiu a nossa condição humana para nela experimentar a fraqueza humana até ao fim e nesta “ser tentado em tudo, à nossa semelhança, menos no pecado” (Hb 4,15), a fim de nela, fraqueza, vencer, pela graça de Deus, o diabo (2Cor 12,9) e assim poder socorrer aqueles que são tentados como Ele (Hb 2,14-18). Neste sentido, as tentações de Jesus são também as tentações fundamentais de cada ser humano.
 
* Cada tentação de Jesus incide sobre uma das coordenadas fundamentais da existência humana e uma das três formas com que se pode pecar contra o primeiro mandamento, como o interpretava o judaísmo:: “Amarás o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, isto é, com as tuas duas inclinações, a boa e a má; de toda a tua alma, quer dizer, também quando te tiram a vida; com todas as tuas forças, quer dizer, com todas as tuas riquezas” (mBer 9,5), aqui segundo a ordem do primeiro mandamento: “coração”, “alma” (gr. psyché, “vida”) e “forças” (Dt 6,4-5).
 
v. 3. Aproximando-se, o tentador disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se tornem pães». A primeira tentação, a do pão, é a mais básica do ser humano (cf. Ex 16,3). Refere-se à relação do homem com a realidade, que ele quer possuir e manipular a seu gosto para satisfazer os seus apetites, ignorando o grito e as necessidades dos pobres. “O tentador” (1Ts 3,5) que, por ser anjo decaído, não pode vez a Deus, mas tinha ouvido a voz do Pai no batismo de Jesus a dizer: “Este é o meu Filho amado” (3,17), “aproxima-se” de Jesus (16,1; 19,3) e tenta minar a sua confiança em Deus, dizendo-lhe que se é verdade que é “Filho de Deus” (26,63; 27,40.43), não precisa de passar por privações, mas deve mostrar que é o Messias, “Filho de Deus” – o título com que o Messias era designado no AT, em sentido metafórico (2Sm 7,14; 1Cr 28,6; Sl 89,27; Sb 2,16) –, capaz de saciar o seu povo com as riquezas das nações (cf. Is 60,5-61,6) e de salvar a humanidade, satisfazendo as suas necessidades materiais, simbolizadas pelo pão (cf. Jo 6,15).
 
v. 4. Jesus, porém, respondeu: «Está escrito: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”». Jesus responde com Dt 8,3, afirmando que o verdadeiro alimento do homem é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34), que se manifesta em “toda a Palavra” que sai da Sua boca. “Palavra” (he. dabar) no AT significa também “realidade”, “acontecimento”. Jesus apresenta assim o programa da sua vida: fazer a vontade do Pai, pondo em prática e realizando a sua Palavra. Palavra que Deus transmite não apenas através da Bíblia, mas também das pessoas, da realidade, dos acontecimentos e da história. Jesus mostra que Deus é o único capaz de saciar o coração humano: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo vos será dado por acréscimo” (6,33).
 
v. 5. Então o diabo leva
‑o consigo à Cidade Santa, colocou-o no pináculo do Templo. A segunda tentação, a dos milagres (ou “sinais”), é a principal tentação de Israel (12,38; 16,1; 1Cor 1,22; Nm 14,22). Incide sobre a relação do homem com Deus. Muda-se subitamente de cenário: já não estamos no deserto, mas o diabo leva Jesus “à Cidade Santa”, ou seja, a Jerusalém (no NT, fora Ap 11,2, só aqui e em Mt 27,43; cf. Ne 11,1; Is 48,2; 52,1) e coloca-o sobre o pináculo do Templo (o ponto mais alto da muralha do Templo, no extremo SE da mesma). Subentende-se que se trata aqui de uma visão, em que a possibilidade de Jesus pôr em jogo, por iniciativa própria, a sua vida “por Deus”, é testada de forma real.
 
v. 6. E diz-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, pois está escrito: “Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito e levar-te-ão nas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra”». Aí, sobre o pináculo do Templo, o diabo cita a Jesus o Sl 91,11-12 e diz-lhe que se é Filho de Deus – ou seja, o Messias – Deus deve demonstrar-lhe que é seu Pai e que é fiel à sua palavra para com Ele (cf. 5,18), pondo-se ao seu serviço, libertando-o de todos os obstáculos, sofrimentos e contrariedades e assegurando-lhe o êxito da sua missão através de sinais portentosos (27,40.42), que mostrem a todos que Ele é o “Ungido do Senhor”, que resolve todos os problemas da humanidade, mesmo os provocados pela irresponsabilidade pessoal de cada um.
 
v. 7. Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: “Não tentarás o Senhor, teu Deus”». Jesus replica com Dt 6,16, afirmando que a fé não consiste em pôr Deus ao serviço de si mesmo, mas em entregar-se o homem ao serviço de Deus, deixando-se conduzir por Ele na fé e na obediência à sua vontade, que se exprime através da realidade, submetendo-se, confiada e filialmente, ao seu desígnio de amor, que se reflete na história e passa pelos acontecimentos (cf. 26,53-54).
 
v. 8. De novo o diabo leva-o consigo a um monte muito alto, mostra-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória. A terceira tentação, a das riquezas e do poder, uma constante do ser humano e de todas as nações, incide sobre a relação do homem com os outros. Desta vez o diabo não apela à condição filial de Jesus; pelo contrário: incita-o a realizar-se à margem de Deus, a sobrepor-se a todos, a chegar ao topo deste mundo, pondo os outros ao seu serviço. Para tal, o diabo “leva-o consigo a um monte muito alto”, ou seja, leva-o numa visão (Ez 40,2: “Nas visões de Deus, [o anjo] levou-me à terra de Israel e pôs-me sobre um monte muito alto”) – donde se podia avistar toda a terra (2Bar 76,3) e “mostra-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória”, ou seja, as suas riquezas (Is 66,12; Dn 7,14 LXX).
 
v. 9. E disse-lhe: «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares». Insinuando-se perfidamente como o “dono disto tudo”, senhor dos reinos e das riquezas deste mundo (cf. Jo 12,31; Ap 12,9; 13,7s; LvRab 18,3,118a), numa paródia do único e verdadeiro Senhor e dominador do universo, Deus (Dt 10,14; Gn 14,19; Ex 19,5; Sl 24,1; Ne 9,6; cf. Jr 27,5), o diabo procura desviar Jesus da vontade do Pai, de quem Ele virá a receber o domínio e o poder sobre todas as coisas, aquele mesmo domínio e poder que lhe competem, enquanto Filho de Deus, conforme as promessas da Escritura, nomeadamente, a da sua investidura messiânica, “Tu és meu Filho, Eu hoje te gerei. Pede-me e dar-te-ei as nações por herança e os confins da terra para tua possessão” (Sl 2,7-8; cf. Sl 72,8-11) – a qual, porém, só se realizará, segundo o desígnio de Deus, como depois se verá (cf. 16,21; 17,22-23; 20,18-19), através da paixão, morte e ressurreição de Jesus (28,18; At 13,32-33).
 
* No fundo, o diabo quer que Jesus faça o que o primeiro homem logo no princípio fez, quando, seduzido pela serpente, caiu em tentação e pecou: acreditar mais no diabo do que em Deus e fazer a vontade dele, em vez da de Deus, pretendendo com isso, tornar-se igual a Deus (Gn 3,5) e usurpar o seu lugar (cf. Gn 11,4; Fl 2,6). Só que aqui, neste caso, quem pretende usurpar o lugar de Deus é o diabo, prometendo a Jesus que lhe dará todo o poder e riquezas terrenas, se Ele, prostrado, fizer em relação a ele, aquilo que os magos, representando todos os gentios, Lhe tinham feito, logo após o seu nascimento em Belém: prostrar-se diante dele e adorá-lo (2,11). E junta-lhe a promessa de lhe dar tudo, se Ele o fizer.
 
* A lógica do diabo é muito simples: se Jesus é o Messias deve alcançar e garantir o seu poder, domínio e triunfo sobre todos os reinos e gentes da terra, pondo-os ao seu serviço e exigindo deles o culto idolátrico da sua pessoa, como faziam os monarcas da Antiguidade (cf. Jdt 3,8; Ez 28,2; Dn 3,5), culto esse que o diabo, como interessado final, reclama, também de Jesus, para si (cf. Is 14,13s; 2Ts 2,4). Desta forma, assegura-lhe o diabo, Jesus alcançará o poder e a riqueza que lhe são devidos, sem ter de percorrer o caminho do Pai, que passa pela sua paixão e morte de cruz. É a máxima pragmática política de “o fim justifica os meios” (exitus acta probat: Ovídio [†17 d.C.], Heroides 2, 85), tão contrária à sabedoria evangélicaa (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1759). Uma tentação que será também dirigida aos cristãos pelos poderes políticos ao longo dos tempos (a começar pelo Sinédrio, passando depois pelo Império Romano e continuando a emergir aqui e ali, ao longo dos séculos, noutros países), de lhes poupar o sofrimento, as torturas e a vida, prometendo-lhes até riquezas, desde que prestem culto a eles (o Imperador ou o rei) e aos seus ídolos, obedeçam à sua vontade e sigam a sua ideologia (cf. Dn 3,6; 2Ma 7,24).
 
v. 10. Responde-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto”». Jesus rejeita todas as propostas de vida e de realização pessoal à margem do Pai e da sua vontade e invetiva o diabo, designando-o pelo seu nome original, “Satanás” (he. “o adversário”: 12,26; 1Cr 21,1; Jb 1,6-12; 2,1-7; Zc 3,1-2; Ap 12,9; 20,212,26), e dando-lhe, pela primeira vez, uma ordem: “Vai-te, Satanás” (gr. hýpage), manifestando a sua vitória e autoridade sobre ele. Uma invetiva semelhante terá de ouvir Simão Pedro, quando pretender desviar Jesus do desígnio e da vontade do Pai, embora, neste caso, Jesus o chame a retomar de novo o caminho do discipulado e do seguimento dele: “Vai-te para trás de mim, Satanás” (16,23; cf. 4,19).
 
* Simultaneamente Jesus contrapõe a Satanás Dt 6,13; 10,20, acrescentando-lhe, porém, no início, o mandamento, enunciado aqui, pela primeira vez, de forma positiva, de “adorar a Deus” (cf. Jo 4,24; Ap 14,7), e não meramente negativa – ou seja, como era habitual, como interdição de prestar culto a outros deuses (Ex 20,5; 23,24; Dt 5,9; Sl 81,10).
 
* Jesus não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pelos homens (cf. 20,25-28), libertando-os do jugo de Satanás. Recusa assim o ídolo do dinheiro (Cl 3,5), raiz de todos os males (1Tm 6,10), pois “ninguém pode servir a dois senhores, Deus e Mamon” (6,24). Só a Deus, o único Deus vivo e verdadeiro, o Senhor de tudo – e a mais nenhum deus ou senhor terreno – se deve adorar e prestar culto, “pois Ele é a tua vida” (Dt 30,20).
 
* Todas as citações que Jesus faz da Sagrada Escritura são do livro do Deuteronômio – o último livro da Lei, que define a relação entre Deus e o homem como amor –, dos capítulos 6-8, onde se fala do culto apenas a Deus e das tentações de Israel no deserto e, depois, na Terra prometida.  Jesus mostra assim que o homem nunca poderá realizar-se fora do amor e da vontade do Pai, o único Deus, vivo e verdadeiro.
 
* Jesus vence as tentações do diabo com a força da Palavra de Deus, a oração e o jejum, ensinando os seus discípulos a vencê-las n'Ele também, do mesmo modo que Ele. Para isso, fortificados por aquelas, é necessário que se deixem conduzir pelo Espírito, sejam humildes (cf. Mq 6,8) e obedeçam com fé e amor à vontade do Pai, expressa na realidade, na história concreta de cada um, certos de que Ele cuidará de tudo e tudo fará concorrer para o bem daqueles que o amam e n'Ele confiam.
 
v. 11. Então o diabo deixa-o e eis que anjos se aproximaram e o serviam. Jesus é o único ser humano que correspondeu plenamente à vontade do Pai, obedecendo-lhe e amando-o de todo o coração. Por isso, se o primeiro Adão foi colocado no paraíso, onde, segundo escritos apócrifos da época era servido por anjos e aí foi tentado por Satanás (Vida de Adão e Eva 4,8; 8,1; TNeft 8,4.6), com muito mais razão Jesus, tendo vencido o diabo, recapitulando em si a história do seu povo e a da humanidade, é servido pelos anjos como novo Adão e Filho de Deus (cf. 26,53; Hb 1,6; Sl 97,7; Dt 32,43 LXX).
 
MEDITAÇÃO
1. Qual é o plano de Deus para mim? Confio nele, acredito no seu amor? Ou prefiro os meus projetos e desejos pessoais?
2. Olho apenas para o meu próprio conforto, êxito e poder ou também para os outros? Como posso imitar Jesus e seguir o seu caminho?
3. Nesta Quaresma, de que vou jejuar (cf. 1ª tentação), que vou partilhar com os outros (cf. 2ª tentação) e que tempo vou dedicar à oração (cf. 3ª tentação)?
 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

COROA EM HONRA DAS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

Meu Deus, vinde em meu socorro.
Senhor, dai-vos pressa em me socorrer.
Glória ao Pai, etc.
 
1ª DOR: “A PROFECIA DE SIMEÃO” (Lc 2, 25 - 35)
 

Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a primeira espada que traspassou o vosso coração, quando no Templo, à voz de Simeão, vos foram representados todos os tormentos que os homens deviam fazer sofrer a vosso amadíssimo Jesus, os quais já conhecíeis pelas divinas Escrituras, tormentos que chegariam a fazê-lo morrer ante os vossos olhos, cravado num madeiro infame, esgotado de sangue e abandonado de todo o mundo, sem que o pudésseis defender e consolar.
 
Por esta lembrança cheia de amargura, que angustiou a vossa alma tantos anos, ó minha Rainha, suplico-vos me obtenhais a graça de ter sempre gravadas no meu coração, durante a minha vida e na hora da minha morte, a Paixão de Jesus Cristo e as vossas dores.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
D. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
T. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
2ªDOR: A FUGA PARA O EGITO (Mt 2, 13-14)

Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a segunda espada que traspassou o vosso coração, quando vistes o vosso Filho inocente, apenas nascido, perseguido para a morte pelos mesmos homens para cuja salvação veio ao mundo, de sorte que fostes então obrigada a fugir para o Egito, de noite e às ocultas.
 
Por tudo que sofrestes, Virgem Santa, com o vosso divino Filho exilado, durante esta longa e penosa viagem, e durante a vossa estada no Egito, onde, estrangeiros e desconhecidos, vivestes tantos anos, pobres e desprezados, suplico-vos, ó minha amadíssima Soberana, me obtenhais a graça de suportar com paciência na vossa companhia, até à morte, as penas desta miserável vida, a fim de escapar na outra às penas eternas que mereci.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
3ª DOR: “MARIA PROCURA JESUS EM JERUSALÉM” (Lc 2, 41-48)

 
Ó Mãe aflita, compadeço-me da dor que vos causou a terceira espada que traspassou o vosso  coração, quando perdestes o vosso Filho Jesus em Jerusalém, que por três dias ficou ausente de vós: certamente, durante essas noites cruéis, que tivestes de passar sem ver ao vosso lado o objeto do vosso amor e sem conhecer a causa da sua ausência, não pudestes achar repouso, e não fizestes outra coisa que suspirar por Aquele que era todo o vosso bem.
 
Por estes suspiros, por esta separação tão longa e amarga, ó minha Rainha amantíssima, suplico-vos me obtenhais a graça de jamais perder o meu Deus, a fim de que, constantemente unido a ele durante a minha vida, tenha a felicidade de sair deste mundo nesta santa união.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
4ªDOR: “JESUS ENCONTRA SUA MÃE NO CAMINHO DO CALVÁRIO” (Lc 23, 26-29)
 
Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a quarta espada que traspassou o vosso coração, quando vistes o vosso divino Filho condenado à morte, coberto de sangue e chagas, coroado de espinhos, caindo no caminho sob o peso da cruz que levava sobre seus machucados ombros, indo como um cordeiro inocente morrer pelo nosso amor: os seus olhos e os vossos se encontraram então, e os vossos olhos foram outros tantos dardos cruéis que feriram reciprocamente os vossos Corações ardentes de amor.
 
Por esta grande dor, ó minha generosa Advogada, suplico-vos me obtenhais a graça de viver em perfeita resignação com a vontade do meu Deus, levando a minha cruz com alegria após Jesus até o meu último suspiro.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
5ª DOR: “MARIA AO PÉ DA CRUZ” (Jo 19, 25-27)

 
Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a quinta espada que traspassou o vosso coração, quando, no Calvário, vistes morrer a pouco e pouco, no meio dos sofrimentos e humilhações, sobre o duro leito da cruz, o vosso amadíssimo Jesus, sem lhe poderdes acudir com o mínimo alívio.
 
Pela agonia que então sofrestes com o vosso divino Filho agonizante; pela comoção que experimentastes ouvindo as últimas palavras que ele vos dirigiu do altar da cruz, despedindo-se de vós e vos deixando por filhos todos os homens na pessoa de São João; pela coragem que tivestes de vê-los depois pender a cabeça e dar o último suspiro, ó terna Mãe, suplico-vos me obtenhais do vosso Amor Crucificado a graça de viver e morrer crucificado a todas as coisas deste mundo, a fim de viver unicamente para meu Deus, até à morte, e chegar um dia a vê-lo face a face no Céu.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
6ª DOR: “MARIA RECEBE NOS BRAÇOS O CORPO DO FILHO” (Lc 23, 50-53)
 

Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a sexta espada que traspassou o vosso coração, quando lancearam o doce Coração do vosso Filho já morto por esses ingratos que, depois de lhe tirarem a vida, buscavam ainda atormentá-lo.
 
Por este cruel tratamento, cuja pena só vós sentistes, ó Mãe de Dores, suplico-vos me obtenhais a graça de habitar no Coração de Jesus, ferido e aberto para mim, neste Coração que é o belo asilo, retiro de amor, em que buscam e acham repouso todas as almas amantes, e onde Deus só, enquanto eu aí repousar, será o objeto dos meus pensamentos e afetos. Ó Virgem santíssima, podeis alcançar-me esta felicidade, de vós espero consegui-la.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
7ª DOR: “MARIA DEPOSITA JESUS NO SEPULCRO” (Jo 19, 38-42)
 

Ó Mãe aflita, eu me condoo da dor que vos causou a sétima espada que traspassou o vosso coração, quando tivestes em vossos braços o corpo do vosso Filho, não mais no brilho da sua beleza, como o tínheis outrora recebido na gruta de Belém, mas ensanguentado, lívido, e rasgado todo de feridas que haviam penetrado até aos ossos. “Ó meu Filho - diríeis então - a que estado vos reduziu o amor!” E quando o levaram para o sepulcro, quisestes acompanhá-lo e compô-lo com as vossas próprias mãos; e enfim constrangida a lhe dardes o último adeus, deixastes sepultado com ele o vosso coração ardente de amor.
 
Por todos estes martírios sofridos pela vossa bela alma, ó Mãe do Santo Amor, obtende-me o perdão dos pecados de que me fiz réu contra meu Deus; pesa-me deles de todo o meu coração, protegei-me contra as tentações, e socorrei-me na hora da minha morte, a fim de que, salvo pelos merecimentos de Jesus Cristo e pelos vossos, vá um dia, graças à vossa assistência, após este miserável exílio, cantar no paraíso os vossos louvores, e os de Jesus, durante toda a eternidade.
 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
 
V. Santa Mãe, isto eu vos peço, que fiquem no meu peito, bem impressas
R. As chagas de Jesus Crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
V. Rogai por nós, ó Virgem dolorosíssima!
R Para que nos tornemos dignos das promessas de Cristo.
 
OREMOS
Senhor, sede-nos propício, e concedei-nos a graça de experimentar o feliz efeito da vossa Paixão, na qual, como o havia profetizado, Simeão, uma espada de dor traspassou a alma tão terna da gloriosa Virgem Maria, vossa Mãe, cujas dores celebramos e honramos. Vós que viveis e reinais, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

Sábado depois de Cinzas

São Pedro Damião, bispo e Doutor da Igreja
 
1ª Leitura (Is 58,9b-14):
Assim fala o Senhor, 9”Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. 11O Senhor te conduzirá sempre e saciará tua sede na aridez da vida, e renovará o vigor do teu corpo; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas que jamais secarão. 12Teu povo reconstruirá as ruínas antigas; tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar. 13Se não puseres o pé fora de casa no sábado, nem tratares de negócios em meu dia santo, se considerares o sábado teu dia favorito, o dia glorioso, consagrado ao Senhor, se o honrares, pondo de lado atividades, negócios e conversações, 14então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai. Falou a boca do Senhor.
 
Salmo Responsorial: 85
R. Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei.
 
Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! Protegei-me, que sou vosso amigo, e salvai vosso servo, meu Deus, que espera e confia em vós!
 
Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! Animai e alegrai vosso servo, pois a vós eu elevo a minh’alma.
 
Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois o perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!
 
Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida.
 
Evangelho (Lc 5,27-32): E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: «Segue-me». E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu. E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: «Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?» E Jesus, respondendo, disse-lhes: «Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento».
 
«Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores»
 
Rev. D. Joan Carles MONTSERRAT i Pulido (Cerdanyola del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje vemos como avança a Quaresma e a intensidade da conversão a que o Senhor nos chama. A figura do apóstolo e evangelista Mateus é muito representativa daqueles que podemos chegar a pensar que por causa do nosso historial, ou pelos pecados pessoais ou por situações complicadas, é difícil que o Senhor repare em nós para colaborarmos com Ele.
 
Pois bem, Jesus Cristo, para nos tirar de toda a dúvida põe-nos como primeiro evangelista um cobrador de impostos Levi, a quem diz sem rodeios: «Segue-me» (Lc 5,27). Fez, com ele exatamente o contrário daquilo que a mentalidade “prudente” poderia esperar. Hoje procuramos ser “politicamente corretos”, Levi —pelo contrário— vinha de um mundo que tinha repulsa pelos seus compatriotas, pois consideravam-no, apenas por ele ser publicano, colaboracionista dos romanos e possivelmente fraudulento com as “comissões”, o que afogava os pobres ao cobrar-lhes os impostos, em fim, um pecador público.
 
Aos que se consideravam perfeitos não se lhes passava pela cabeça que Jesus não apenas os chamaria a segui-lo, nem muito menos apenas a sentarem-se à mesma mesa.
 
Mas com esta atitude, ao escolhê-lo, Nosso Senhor Jesus Cristo diz-nos que é mais deste tipo de gente de quem gosta de se servir para estender o seu Reino; escolheu os malvados, os pecadores, e os que não se consideram justos: «Para confundir os fortes, escolheu os que são débeis aos olhos do mundo» (1Cor 1,27). São estes os que necessitam de médico, e sobretudo, são eles os que compreenderão que os outros o necessitam.
 
Devemos pois evitar pensar que Deus quer expedientes limpos e imaculados para O servir. Este expediente apenas o preparou para a Nossa Mãe. Mas para nós, sujeitos da salvação de Deus e protagonistas da Quaresma, Deus quer um coração contrito e humilhado. Precisamente, «Deus escolheu-te débil para te dar o seu próprio poder» (Sto. Agostinho). Este é o tipo de gente que, como diz o salmista, Deus não menospreza.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Podes ser salvo, se é isso que tu queres. Só tens de te pôr nas mãos do médico, e ele abrirá os olhos da tua alma e do teu coração. ¿Que médico é este? Deus, que salva e vivifica mediante a sua Palavra. E é que foi por meio da Palavra e da sabedoria que tudo foi feito» (São Teófilo de Antioquia)
 
«Um dado que salta à vista: Jesus no exclui ninguém da sua amizade: ‘Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’ (Mc 2,17). A boa nova do Evangelho consiste de facto nisto: no oferecimento da graça de Deus ao pecador!» (Bento XVI)
 
«Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: ‘Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’. Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa ‘alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa’ (Lc 15,7). A prova suprema deste amor será o sacrifício da sua própria vida ‘pela remissão dos pecados’ (Mt 26,28)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 545)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
 
* O Evangelho de hoje traz o mesmo assunto no evangelho de Marcos (Mc 2,13-17).
Só que desta vez é do Evangelho de Lucas e bem mais abreviado, concentrando a atenção sobre a cena principal que é o chamado e a conversão de Levi e a conversão que isto implica para nós que estamos entrando na quaresma.
 
* Jesus chama um pecador para ser discípulo. Jesus chama Levi, um publicano, e este, imediatamente, larga tudo, segue Jesus e começa a fazer parte do grupo dos discípulos. Em seguida, Lucas diz que Levi preparou um grande banquete em sua casa. Em Marcos, parecia que o banquete era na casa de Jesus. O que importa é a insistência na comunhão de mesa de Jesus com os pecadores, coisa que era proibida.
 
* Jesus veio não para os justos mas para os pecadores.  O gesto de Jesus provocou a raiva das autoridades religiosas. Era proibido sentar-se à mesa com publicanos e pecadores, pois se sentar à mesa com alguém era o mesmo que tratá-lo como irmão! Com o seu gesto Jesus estava acolhendo os excluídos como irmãos da mesma família de Deus. Em vez de falar diretamente com Jesus, os escribas dos fariseus falam com os discípulos: O quê! Ele come com pecadores e publicanos? Jesus responde: Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes Eu não vim chamar os justos mas sim os pecadores! É a consciência da sua missão que ajuda Jesus a encontrar a resposta e a indicar o rumo para o anúncio da Boa Nova de Deus. Ele veio para reunir o povo disperso, para reintegrar os que tinham sido excluídos, para revelar que Deus não é um juiz severo que condena e expulsa, mas sim um Pai/Mãe que acolhe e abraça.
 
Para um confronto pessoal
1) Jesus acolhe e inclui as pessoas. Qual a minha atitude?
2) O gesto de Jesus revela a experiência que ele tem de Deus como Pai. Qual a imagem de Deus que se irradia para os outros através do meu comportamento?

VIA SACRA COM OS SANTOS CARMELITAS

 

1ª Estação: Jesus é condenado à morte

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Quando a alma chega a não prestar atenção aos louvores, cada vez menos presta atenção às críticas. A crítica fortalece a alma, a qual vai adquirindo um particular e terno amor cada vez maior para com os seus perseguidores. Santa Teresa de Ávila.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, a minha alma está diante de ti. Tu conheces-me profundamente, sabes tudo sobre mim, lês o mais profundo da minha intimidade. Tu recolhes cada lágrima e respondes aos meus sorrisos. Na minha vida não há nenhum espaço ou tempo que tu não visites com o teu amor e com a tua amizade. Dou-te graças por tudo isto, meu Deus. O meu caminho nesta vida está já decidido: quero estar contigo em cada momento, na alegria e no cansaço, na paz e na incompreensão, na companhia e na solidão. A tua presença, ó Jesus, fortalece a minha alma, mesmo na debilidade.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
2ª Estação: Jesus carrega com a cruz

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Jesus prodigaliza as suas cruzes como o sinal mais seguro da sua ternura, porque deseja fazer-te semelhante a Ele. Por que ter medo de não ser capaz de levar a cruz sem desfalecer? Santa Teresinha do Menino Jesus.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
 Senhor, muitas vezes na minha vida experimentei a tua ternura, sobretudo nos momentos de dor, quando não encontrei palavras para pronunciar, quando me era impossível orar, quando sozinho se fazia presente a noite… Tu estavas a meu lado, talvez no silêncio, com um toque apenas perceptível. Ó Jesus, muitas vezes te vi assim e pude olhar-te nos olhos. Quando voltava para a luz, quando as lágrimas tinham secado, sentia-me um pouco mais igual a ti, um pouco mais filho e irmão teu.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
3ª ESTAÇÃO: Jesus cai pela primeira vez sob o peso da cruz


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
A “ciência da cruz” só pode ser adquirida somente depois de ter chegado a sentir radicalmente a cruz. A totalidade dos erros humanos pode ser eliminada pela expiação da cruz. Santa Teresa Benedita da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, sei que não te conheço como deveria nem como desejaria. Sei que me falta muito caminho por andar indo atrás de ti, seguindo as tuas pisadas à sombra da cruz. Do que unicamente posso presumir é das minhas debilidades e dos meus erros. Humanamente falando, ó Jesus, sou pouca coisa, mas tendo-te a ti no coração e na vida, sinto-me rico e feliz. Não quero esconder-me de ti; abro as minhas mãos e o meu coração para que possas entrar na minha pobreza com a verdadeira riqueza, que é a tua Cruz. Sim, meu Salvador, este é o sinal do Amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
4ª ESTAÇÃO: Jesus encontra a sua Mãe

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
O Evangelho não coloca nenhuma palavra na boca da tua Mãe que está ao pé da cruz. Também tu, meu Jesus, não pronuncias nem uma só palavra. O teu silêncio é a palavra mais eloquente. Beato Tito Brandsma.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, eu também quero permanecer em silêncio neste momento para captar o intercâmbio de amor infinito que vos une a ti e à tua Mãe. Ó Jesus, levanto os olhos e vejo-te, continuo a olhar o teu rosto, teus olhos de Filho, que refletem a figura da tua Mãe. Tu não falas, mas ofereces a tua Presença: entregas-te a ti mesmo e entregas a tua Mãe. Eu a recebo como minha Senhora, como minha Mãe dulcíssima.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
5ª ESTAÇÃO: O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Cada um tem a cruz que deve levar, ainda que cada cruz seja diferente das outras. Quem quiser conquistar a liberdade de espírito e não sentir-se continuamente atribulado, deve começar por não espantar-se da cruz. Então verá como o Senhor o ajuda a levá-la. S. João da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, tenho medo. Desejaria fugir perante qualquer dor ou provação. Sobretudo, espanta-me e bloqueia-me a solidão, Cada vez que aparece na minha vida a sombra da cruz custa-me continuar a esperar. Sinto-me cansado, ó Jesus. Não obstante, desejo provar uma vez mais, desejo aproximar-me do teu coração. Estendo a minha mão e tomo a tua; ofereço-te a pouca força que tenho, o nada que sou. Somente contigo poderei levar também a cruz.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
6ª ESTAÇÃO: A Verônica enxuga o rosto de Jesus

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Ao longo do caminho da cruz Jesus não está só. Hoje como então, estão não só os adversários como também as pessoas que o ajudam. Representando a quantos o amam e desejam ajudá-lo está a Verônica. Santa Teresa Benedita da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, tenho um desejo no coração: ser teu amigo, caminhar contigo, compartilhar a vida contigo. Sei que estás a sofrer ao percorrer o caminho da dor. Vejo muitas pessoas à tua volta. Também eu te procuro, aproximo-me o mais que posso. Quero amar-te; já nada mais me importa. Junto à Verônica procuro o teu rosto, pois tu és a minha Luz.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
7ª ESTAÇÃO: Jesus cai pela segunda vez

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Quando caminhas na noite escura e no vazio da pobreza espiritual, pensas que te falta tudo e todos – inclusivamente Deus -. Contudo não te falta nada. S. João da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Faltas-me, Senhor! Como podes dizer que estás perto de mim, que compartilhas tudo comigo? Sinto a solidão, a dor, a angústia. Também tu caíste sob o peso de um infinito sofrimento. Como poderei encontrar-te de novo, meu Pastor? Eu, ovelha tresmalhada, tenho necessidade de ti. Levanta-te, aparece de novo, ó bom Pastor! Então seguir-te-ei todos os dias da minha vida.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
8ª ESTAÇÃO: Jesus consola as filhas de Jerusalém.


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Ó Jesus, deixa que eu chore por mim mesmo, pois não sou senão uma árvore seca que só serve para ser lançada ao fogo. Porém tu dás nova vida à árvore seca enxertando-a na árvore da cruz. Beato Tito Brandsma.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Tu, Senhor, és o meu Fogo. Como árvore pobre e sem vida, só desejo lançar-me nos teus braços. Recebe-me, rogo-te. Não importa que isto signifique que terei de abraçar-me à cruz da tua dor. Só contigo posso novamente ser feliz. As nossas lágrimas unir-se-ão num canto de alegria.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
9ª ESTAÇÃO: Jesus cai pela terceira vez


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Ainda que caias cem vezes, levanta-te cada vez mais com maior presteza, demonstrando assim o teu amor por Ele. Santa Teresinha do Menino Jesus.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, tenho vergonha de mim mesmo; caio e volta a cair, perco-me, afasto-me, encerro-me. Quando estou assim, no chão e sem forças, entendo que a única coisa que há que fazer, o único passo a dar, é voltar a entrar em mim mesmo, como o filho pródigo da parábola, e ali, no fundo da alma, voltar a descobrir o teu amor por mim. Agarrado a ele poderei ressurgir, movido somente por uma infinita confiança em tua ternura de Amigo, ó meu Salvador.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
10ª ESTAÇÃO: Jesus é despojado das suas vestes.


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
A alma despojada de si mesma e revestida de Jesus Cristo não tem de temer nada do mundo exterior. Por isso, renuncio cada dia a mim mesma, a fim de que Cristo possa crescer em mim. Beata Isabel da Trindade.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, muitas vezes senti-me despojado do que considerava valioso, indispensável para viver. Muitas experiências no mundo ajudaram-me a entender que no fim nada permanece, senão unicamente a tua presença, o teu amor fiel. Então pensei abandonar muitas coisas inúteis, inclusivamente muitas companhias que não me conduziam a ti. Aos poucos me fui despojando e revesti-me do vestido mais formoso que és tu, ó Jesus.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
11ª ESTAÇÃO: Jesus é cravado na cruz.

 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Decidi permanecer em espírito aos pés da cruz para receber aí o orvalho divino, o sangue que caía no chão, sem que ninguém se apressasse a recolhê-lo. Então compreendi que devia derramá-lo sobre as almas. Santa Teresinha do Menino Jesus.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, pela tua graça cheguei até aqui, até aos pés da tua cruz. Contemplo-te cravado no madeiro, cravado sobretudo à dor, ao amor, à vontade de nos salvar. Cada gota do teu sangue que cai é uma promessa de vida nova para cada um de nós, teus filhos, espalhados pelo mundo inteiro, ao longo da pobre história humana. Como teu irmão, ó Jesus, desejo aprender em cada dia a recolher as gotas preciosas da tua palavra para nós, do teu infinito amor por nós, e quero entregá-lo depois a quantos encontro no meu caminho, sem o guardar para mim.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
12ª ESTAÇÃO: Jesus morre na cruz


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
A morte não pode resultar amarga para a alma que ama, já que nela encontra toda a doçura e o deleite do amor. A alma goza da morte como se estivesse a pensar no seu noivado ou no seu matrimonio, por isso deseja o dia e a hora da sua morte. S. João da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, a tua morte é uma grande escola para mim; nela posso aprender a amar, a viver de verdade; nela posso encontrar sentido para a minha vida. Diante de ti, Crucificado, descubro que o amor e a dor são uma mesma coisa e que por isso a morte foi anulada e a partir de agora jamais poderá triunfar. Junto a ti, toda a pequena morte, converte-se em doce experiência de vida, porque agora sei que na dor posso encontrar o amor. Obrigado, Senhor Jesus.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
13ª Estação: Jesus é descido da cruz.


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Seguindo os teus caminhos não poderás chegar aonde desejas, nem sequer através da mais alta contemplação, mas somente através de uma grande humildade e de uma total disponibilidade do coração.  Santa Teresa do Menino Jesus.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, eu sei que não tenho nada de grande, vistoso e importante para te oferecer. Não tenho nada, unicamente o meu coração. Depois deste longo caminho seguindo os teus passos na prova e na dor da cruz, somente desejo entregar-te o meu coração, o meu amor, a minha vida. Entrego-me ao teu abraço sabendo que me acolhes tal como sou.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
14ª ESTAÇÃO: O corpo de Jesus é colocado no túmulo.


C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
A alma tem de esvaziar-se de tudo o que não é Deus para poder ir até Deus… Por amor de Cristo deve desejar entrar numa completa desnudez e pobreza relativamente a tudo. S. João da Cruz.
 
C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
 
Senhor, o último passo é uma descida profunda, é entrar na obscuridade do túmulo. Ao chegar ao cimo eu esperava ver uma luz mais clara, receber os benéficos raios do sol. No entanto, ainda não é o tempo. Quero permanecer contigo, baixar também até à solidão tenebrosa do túmulo. Não tenho medo, pois creio que o teu amor é mais forte; sei que ressuscitarás e também me farás viver.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
ORAÇÃO FINAL A JESUS CRUCIFICADO
Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! Humildemente prostrado de joelhos em vossa presença, peço e suplico-vos, com todo o fervor de minha alma, que vos digneis gravar em meu l coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, de verdadeiro arrependimento de meus pecados e um firme propósito de emendar-me, enquanto vou considerando, com vivo afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta Davi punha em vossa boca, ó bom Jesus: "Transpassaram minhas mãos e os meus pés e contaram todos os meus ossos" (S121, 17).
 
ORAÇÃO FINAL A NOSSA SENHORA DAS DORES
Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida. Mãe, pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida à eternidade. E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema, e assim direi: Jesus e Maria, entrego-vos a minha alma. Amém.