sexta-feira, 31 de julho de 2026

XVIII Domingo do Tempo Comum

Sta. Maria, Rainha dos Anjos
Santo Eusébio, bispo de Vercelas,
São Pedro Julião Eymard, presbítero
 
1ª Leitura (Is 55,1-3):
Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.
 
Salmo Responsorial: 144
R. Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.
 
O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Todos têm os olhos postos em Vós e a seu tempo lhes dais o alimento. Abris as vossas mãos e todos saciais generosamente.
 
O Senhor é justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos O invocam, de quantos O invocam em verdade.
 
2ª Leitura (Rom 8,35.37-39): Irmãos: Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.
 
Aleluia. Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 14,13-21): Ao ser informado da morte de João, Jesus partiu dali e foi, de barco, para um lugar deserto, a sós. Quando as multidões o souberam, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!». Jesus porém lhes disse: «Eles não precisam ir embora. Vós mesmos dai-lhes de comer!». Os discípulos responderam: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes». Ele disse: «Trazei-os aqui». E mandou que as multidões se sentassem na relva. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos; e os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos cheios. Os que comeram foram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
 
«Trazei-os aqui»
 
Fr. Roger J. LANDRY (Hyannis, Massachusetts, Estados Unidos)
 
Hoje, Jesus nos mostra o muito que deseja envolver-nos no seu trabalho de redenção. Ele, que tem criado o céu e a terra do nada, tivesse podido —da mesma maneira— ter facilmente criado um abundante banquete para saciar aquela multidão.
 
Mas preferiu fazer o milagre partindo do único que os seus discípulos podiam entregar-lhe. «Só temos aqui cinco pães e dois peixes» (Mt 14,17), disseram-lhe. «Trazei-os aqui» (Mt 14,18), respondeu-lhes Jesus. E o Senhor levou a cabo a multiplicação de tão escasso recurso —nem suficiente para alimentar a uma família normal— para dar de comer a umas 5000 famílias.
 
O Senhor procedeu da mesma maneira no festim das bodas de Canaã. Ele, que criou todos os mares, podia facilmente ter enchido do melhor vinho aquelas vasilhas de mais de 100 litros, partindo de zero. Mas, novamente, preferiu abarcar suas criaturas no milagre, fazendo que, primeiro, enchessem os recipientes de água.
 
E, o mesmo princípio, podemos contemplá-lo na celebração da Eucaristia. Jesus começa não do nada, nem também não de cereais ou de uvas, senão do pão e do vinho, que contém em si o trabalho das mãos humanas.
 
O defunto Cardeal Francisco Javier Nguyen van Thuan, prisioneiro dos comunistas vietnamitas desde 1975 até 1988, preguntava-se como poderia favorecer o Reino de Cristo e preocupar-se de seu rebanho enquanto tentava sobrepor-se ao brutal sofrimento de sua solitária reclusão. E, percebendo o pouco que podia fazer desde a cela da cadeia, pensou que, ao menos, cada dia, podia oferecer ao Senhor seus “cinco pães e dois peixes” e deixar que Deus fizesse o resto. E o Senhor multiplicou aqueles pequenos esforços convertendo-os numa testemunha que tem inspirado não só os vietnamitas, mas também a Igreja toda.
 
Hoje, o Senhor pede-nos, seus modernos discípulos, que “demos às multidões algo de comer” (cf. Mt 14,16). Não importa quanto tenhamos se muito ou pouco: demo-lo ao Senhor e deixemos que Ele continue a partir daí.
 
Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, deu-os aos discípulos e os discípulos às multidões.
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
* v. 13. Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-se dali num barco para um lugar deserto, à parte. Tendo-o ouvido, as multidões, vindas das cidades, seguiram-no a pé.
O episódio de hoje, a multiplicação dos pães, é o único milagre de Jesus narra­do por todos os Evangelhos. Tanto Marcos como Mateus referem uma segunda multiplicação de pães (15,32-39p). Em Mateus, o episódio insere-se na quarta parte do seu Evangelho, “A Igreja, primícias do Reino dos Céus” (13,53-18,35), dependendo ele, neste relato, de Mc, que resume.
 
* No “discurso das parábolas” (13,1-52) Jesus tinha apresentado o mistério do Reino dos céus em parábolas. Agora pergunta-se: como é que os interlocutores de Jesus reagiram? A respos­ta é dada nesta secção narra­tiva (13,53-17,27). Nela, em geral, a comunidade judaica vai respondendo de forma cada vez mais negativa à mensagem de Jesus. Jesus volta-se então para os seus discípulos, a cuja formação se dedica.
 
* No início da sua vida pública, ao ouvir que João Batista tinha sido preso, Jesus “retirou-se” para a Galileia (4,12p); agora, quando o informam que João tinha sido decapitado por ordem de Herodes Antipas I (v. 12), Jesus “retira-se” (gr. anakhoréo, “afastar-se”, no sentido de “fugir”, “pôr-se a salvo”: Ex 2,15; Nm 16,24; Js 8,15; 1Sm 19,10; 25,10; 2Sm 4,4) “dali”: de sua casa (13,36), em Cafarnaum. “Num barco” (vv. 22.24.29.32s; 13,2), ou seja, por mar. O “barco”, nos Evangelhos (40x) é uma cifra da missão da Igreja.
 
* “Para um lugar deserto”: não no sentido de árido (cf. v. 19: o lugar está coberto de erva), mas no sentido semítico de “não habitado”. “À parte”: Jesus queria que os seus discípulos descansassem um pouco, longe das multidões (Mc 6,31). Por isso, vão “de barco”, por mar, para evitar serem seguidos por elas, para um lugar onde ninguém os incomodasse. Esse lugar é tradicionalmente identificado com o local onde foi construída a Igreja da multiplicação dos pães e dos peixes, em Tabgha, ao pé de Cafarnaum.
 
* O termo “deserto”, aqui usado, tem um significado especial. O “deserto” é, no AT, o lugar do encontro e do noivado de Deus com o seu povo, do Seu cuidado e desvelo para ele (cf. Os 2,16; 11,1-4; Jr 2,2; Dt 1,31; 2,7). O termo destina-se a evocar, o dom do maná a Israel, libertado do Egito, durante os quarenta anos que ele peregrinou no deserto.
 
* “As multidões”: o plural é típico de Mateus (24x), que nelas vê não só o grande número de pessoas de todo o género que procede de toda a parte de Israel, mas também aqueles dentre os gentios (cf. Nm 20,20) que acorrem a Jesus, prefigurando a futura Igreja, provinda de gentes de todos os povos, línguas e nações (cf. Ez 23,24 LXX; Dn 3,4).
 
* O povo viu que Jesus ia de barco com os discípulos para outro porto e logo percebeu logo para onde se dirigia. Vai então atrás dele, correndo por terra e chega lá antes de Jesus descer para terra firme. Ao repetindo o verbo “ouvir” do início da frase, que tem por sujeito Jesus, Mateus diz que ao “ouvir”, neste caso, a notícia que Jesus tinha saído dali, de barco, com os discípulos, “as multidões seguiram” (Mt, 7x: 4,25; 8,1; 12,15; 19,2; 20,29, 21,9) Jesus por terra. Ambos os verbos, “ouvir” e “seguir”, são termos do discipulado. Através das multidões que “escutam” Jesus e o “seguem”, Mt alude às futuras comunidades eclesiais.
 
v.14. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão, encheu-se de com­paixão dela e curou os seus enfermos. Ao “desembarcar” (lit: “sair do barco”: vv. 54s), Jesus “vê” (gr. eíden, Mt, 10x): o verbo “ver” está no mesmo tempo em que é aplicado a Deus no relato da criação e no episódio da sarça ardente (Gn 1, 8x; Ex 3,4; cf. Dt 2,6; Is 30,19; Nm 24,,4). “Uma numerosa multidão” (gr. oklós polýs): neste caso, a expressão, no singular, refere-se ao número de pessoas (cf. v. 21; 2Cr 20,15; Jr 31,8). O adjetivo “muito” (gr. polýs) evoca o êxodo no qual uma “multidão” composta de numerosas pessoas também partiu com Moisés e Israel do Egito (Ex 12,38). Jesus é o novo Moisés que conduz o novo êxodo do novo povo de Deus, a quem alimenta com o novo pão do céu (cf. 6,11).
 
* “E encheu-se de compaixão dela”:
o verbo (gr. splankhnízomai: 9,36; 15,32p) só é utilizado no NT, referido quase só a Deus, a Jesus e a pessoas com os seus senti­mentos. Indica uma comoção interna, visceral, que enche alguém de profunda compaixão e se traduz numa obra de misericórdia. Jesus não vê apenas uma mole de gente, anónima, mas vê cada um dos rostos e através deles cada uma das pessoas, com a sua história individual e familiar, os seus problemas e necessidades, os seus anseios e dores, as suas lutas e reveses, as suas dores e enfermidades, os seus sofrimentos e deplorável situação.
 
* Ao ver estas pessoas, Jesus enche-se de compaixão, a qual se traduz em gestos: “e curou” (gr. therapeýo, Mt, 16x: 4,24; 8,16; 12,15; 15,30; 19,2; 21,14), “os seus enfermos”, ou seja, não apenas os doentes, mas também os débeis (gr. árrostos, “sem forças”, “enfermo”, lat. infirmus, “não firme”: Mc 6,13; 16,18; cf. 1Sm 2,4; Ez 34,4; Sr 7,35; 1Cor 11,30).
 
* v. 15. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se dele, dizendo: «O lugar é deserto e a hora avançada. Manda embora as multidões, para que vão às aldeias comprar alimento para si». Começa agora uma nova ação no episódio. “Ao cair da tarde”: a expressão remete diretamente para a Última Ceia, na qual Jesus instituiu a Eucaristia, onde é repetida (26,26). O dia está a terminar, e “os discípulos aproximam-se” de Jesus, uma expressão retirada do versículo paralelo Mc 6,35, que só aparece em Mt e por ele é usada repetidas vezes (11x). Eles lembram a Jesus que o lugar é deserto e o dia se aproxima do fim, não tendo “as multidões” alimento, devendo por isso ser despedidas para que possam ir “comprar alimento para si” (cf. Gn 42,7; 43,4.22.25; Dt 2,6). É uma velada alusão a Is 55,1 (“Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço”) que prepara a ação seguinte.
 
* v. 16. Mas Jesus disse-lhes: «Não precisam de ir; dai-lhes vós de comer». Jesus, porém, não quer separar-se da multidão e diz aos seus discípulos: “Não precisam de ir”, ou seja, “de partir” (gr. apérkhomai: Gn 42,26.33; 45,17). E explica: “dai-lhes vós de comer”. Jesus desafia-os a partilhar o que têm com os que não têm de comer, um desafio que também se encontra no episódio do AT que serve de referência a este: a multiplicação de pães por Eliseu, alimentando cem pessoas com o que lhe tinha sido dado (2Rs 4,42s).
 
v. 17. Eles, porém, dizem-lhe: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Os discípulos fazem a listagem dos bens disponíveis e dizem que eles (Jesus incluído), só têm “cinco pães” (16,9) “e dois peixes”. A soma de ambos dá sete. Sete simboliza a plenitude: os discípulos dão tudo o que têm. Sete é também o número de nações gentias que habitavam Canaã e foram expulsas para Israel dela tomasse posse, segundo a promessa de Deus a Abraão (Dt 7,1; At 13,19). Os pães eram o que eles tinham levado consigo para comer durante a viagem (cf. Mc 6,8); já os peixes não seriam peixes crus, tal como tinham sido pescados, mas muito provavelmente peixe assado ou então, como era comum, peixe seco, habitualmente usado como provisão.
 
* O peixe era para os primeiros cristãos o símbolo de Jesus Cristo, porque peixe em grego se diz ichthys, o acróstico cristão que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Os peixes são dois, pois “dois” é o número que designa o homem, neste caso a nova humanidade regenerada pela palavra de Cristo e o batismo (cf. 1Pd 1,23; Tt 3,5). Aquele que se alimenta da Eucaristia é transformado em Cristo, devendo reproduzir aquele que comungou, tornou-se outro Cristo.
 
* v. 18. Disse-lhes Ele: «Trazei-mos cá». Jesus manifesta a sua autoridade e ordena aos discípulos que lhe tragam o que têm; eles fazem-no.
 
* v. 19. E depois de ter ordenado às multidões que se reclinassem sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, deu-os aos discípulos e os discípulos às multidões. Jesus mandou então ao povo que se “reclinasse sobre a erva”. As pessoas comiam habitualmente sentadas na terra (15,35). “Reclinar-se” para comer só acontecia nos banquetes, em que as pessoas comiam reclinados em poltronas, voltadas para a mesa, à boa maneira romana.
 
* O banquete era para os judeus o lugar do encontro, da fraternidade e da amizade, onde os convivas estabeleciam laços de família e comunhão. Reclinar-se à mesa com alguém significava estabelecer laços profundos, íntimos, familiares, com ele. Por isso, o “banquete” é, para Jesus, o símbolo por excelência do mundo novo que há de vir, o Reino dos céus, no qual todos os homens se sentarão à mesa de Deus como membros do seu povo (8,11; 22,1-14).
 
* A presente nota é uma alusão à ceia pascal judaica, em que os convivas comem reclinados à mesa, apoiados sobre um cotovelo, indicando desta forma que são pessoas livres (cf. Jo 13,12.25; 21,20; Lc 22,27), pois o escravo e os servos permaneciam de pé numa refeição. Jesus inaugura uma nova Páscoa. A nota de haver erva no local evoca o Sl 23,2 e Ez 34,13s, apresentando Jesus como o Messias, o Bom Pastor do Povo de Deus (10,7s).
 
* Jesus toma os “cinco pães e os dois peixes” e faz os mesmos gestos que irá repetir na Última Ceia, a ceia pascal em que instituirá a Eucaristia. Jesus começa por “erguer os olhos ao céu” (Mc 7,34; Jo 11,41), em oração (Sl 123,1). Depois:
 
1)pronunciou a bênção” (gr. eulogéo: “bendizer”), o primeiro momento duma refeição e também da ceia eucarística (26,26). Todas as refeições começavam com a bênção do pão (bBer 35a; 46a; mBer 6,1.6-7; 7,1; 8,7). A “bênção” é uma fórmula de ação de graças com que se agradece a Deus pelos seus dons. Isso significa reconhecer que aquilo que se possui é um dom de Deus. Dado por Ele a quem? A uma só pessoa ou família? Sendo Deus Pai de todos, cuidando Ele de todos e amando a todos da mesma forma, “bendizer” significa reconhecer que determinado dom veio de Deus e que, por isso, pertence a todos os seus filhos. Aquele que recebeu esse dom não é seu dono, é apenas um adminis­trador a quem Deus o confiou, para que o cultive e ponha ao serviço dos outros com a mesma gratuidade com que o recebeu. Os bens postos à disposição de cada um são dons do Pai, destinados a serem colocados ao serviço de todos. Por isso, se reza no Pai-nosso: “O pão nosso”.
 
2)Partiu os pães”: a “fração do pão” é o gesto pascal eucarístico por excelência feito sobre o pão do meio (26,26; 1Cor 10,16). Em Lucas designa a Eucaristia (Lc 24,30.35; 9,16; At 2,46; 20,11).
 
3)E deu-os aos discípulos” (26,26; Mc 14,22; Lc 22,19; 24,30; cf. At 27,35).
 
* “E os discípulos [deram-nos] às multidões”: uma vez que a multiplicação dos pães é uma prefiguração da Eucaristia, não é Jesus quem dá o pão repartido às multidões, mas os apóstolos, pois foi a eles que Jesus confiou a Euca­ristia. Mateus vinca de tal modo o paralelo entre a multiplicação dos pães e a Eucaristia, que, ao invés de Mc 6,41.43, não volta a falar nos peixes.
 
* v. 20. Todos comeram e ficaram saciados. E dos pedaços que sobraram recolheram doze cestos cheios. “Todos comeram e ficaram saciados” (Sl 132,15; 107,9; cf. 5,6): é uma alusão ao maná (Ex 16,8.12; Nm 11,7-9.31s; Sl 78,25). Segundo a apoca­líptica judaica, o maná deveria cair novamente do alto do céu no tempo do Messias, devendo reinar então grande abundância: “Naquele tempo … o Messias começará a sua revelação….Do alto cairá de novo grande quantidade de maná; dele comerão eles naqueles anos, por terem participado do final dos tempos” (2Apoc.Bar. 29,3.8).
 
* “Dos pedaços que sobraram” alude à multiplicação dos pães por Eliseu (2Rs 4,43-44). No Êxodo, não se devia conservar o maná até ao dia seguinte (Ex 16,19), exceto à sexta-feira, para se guardar o “descanso” sabático (gr. anápausis: Ex 16,22ss; Sl 22,2). Na Eucaristia Jesus introduz os seus discípulos, o novo Povo de Deus, no seu descanso, fazendo-os participar no banquete do Reino dos céus (cf. Ex 24,10ss; Ap 19,9).
 
* “Doze cestos”. “Doze” é o número das tribos de Israel que formam o povo de Deus (19,28; Gn 49,28; Ex 24,9): a Eucaristia é alimento do novo povo de Deus. Os “cestos” (he. dud; gr. kóphinos) eram portáteis, de tamanho médio, com cerca de 38 cm alto, feitos de fibras vegetais flexíveis, sendo mais largos no fundo do que nas bordas. Serviam sobretudo para transportar alimentos (Jz 6,19). Eram bem menores do que o spyrís, o “cesto” ou alcofa (15,37; 16,10; Mc 8,8.20; At 9,25), que servia para transportar grandes quantidades de provisões ou mercadorias pessoas. O milagre foi da multiplicação dos pães, não dos cestos. Isto indica que as pessoas tinham levado consigo cestos com man­timentos. Mas ninguém queria mostrar o que trazia. Ao ver Jesus repartir o que possuía, começaram também a partilhar uns com os outros o que traziam. A multiplicação dos pães foi simultaneamente um milagre de par­tilha e de multiplicação dos pães. Tal como a Eucaristia, que é um milagre de partilha, que dela nasce e a ela leva (cf. 1Cor 16,2; 9,5-15; At 2,44-47; 4,34s).
 
* Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia todas as semanas, sábado à noite, quando começava o primeiro dia da semana (At 20,7; 1Cor 16,2). Levavam consigo o que tinham poupado ao longo da semana no jejum (jejuavam dois dias por semana: Lc 18,12; Did. 8,1), e entregavam-no ao bispo, que o distribuía aos necessitados através dos diáconos (cf. Did. 4,5-8). Na celebração eucarística, além do pão maior que se consa­grava e partia, para dele todos comun­garem (1Cor 10,17), consagra­vam-se também os pães menores que cada um trazia consigo, de casa, para a Eucaristia. Estes, uma vez consagrados com o pão grande, eram entregues no final a cada família, que levava um para casa (7,6), envolto num pano (o corporal), guardando-o depois num lugar reservado da casa (“o segredo”: 6,6), para aí, nesse lugar, toda a família se reunir ao longo da semana, junto ao Corpo do Senhor, para orar e dele cada dia comungar (cf. At 2,42.46; Cat. Rom. 466.1183), como se pede no Pai nosso: “o pão nosso sobre-essencial (gr. epioúsios) nos dai hoje (gr. sêmeron)” (6,11).
 
* v. 21. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Mateus conclui informando que “os que comeram eram cerca de 5.000 homens” o que, segundo a maneira de contar de então, em que se mencionavam apenas os varões (Ex 12,37), “sem contar mulheres e crianças”, deveria equivaler a cerca de 20.000 pessoas.
 
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
 
MEDITAÇÃO
1. Jesus acolhe todos e ensina os seus discípulos a partilhar. Sinto-me também responsável pela resolução dos problemas dos outros?
2. Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como “meus” ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?
3. Quão importante é a Eucaristia na minha vida? Que faço para me abrir a toda a sua riqueza?

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Sábado XVII do Tempo Comum

Sto. Afonso Mª de Ligório, bispo e doutor da Igreja
 
1ª Leitura (Jer 26,11-16.24):
Naqueles dias, os sacerdotes e os profetas disseram aos chefes e a todo o povo: «Este homem merece a morte, por ter profetizado contra esta cidade, como acabais de ouvir com os vossos ouvidos». Então Jeremias disse aos chefes e a todo o povo: «Foi o Senhor que me enviou a profetizar, contra este templo e contra esta cidade, tudo o que ouvistes. Portanto, emendai os vossos caminhos e as vossas ações, ouvi a voz do Senhor, vosso Deus, e o Senhor afastará de vós os males com que vos ameaçou. Quanto a mim, estou nas vossas mãos: tratai-me como vos parecer melhor e mais justo. Mas ficai sabendo que, se me condenardes à morte, sereis responsáveis pelo sangue de um inocente, vós, esta cidade e os seus habitantes. Na verdade, foi o Senhor que me enviou a vós, para anunciar aos vossos ouvidos todas estas palavras». Então os chefes e todo o povo disseram aos sacerdotes e aos profetas: «Este homem não merece a morte, porque nos falou em nome do Senhor, nosso Deus». Jeremias ficou sob a proteção de Aican, filho de Safan, e assim não caiu nas mãos do povo para ser morto.
 
Salmo Responsorial: 68
R. Pela vossa bondade, ouvi-me, Senhor.
 
Tirai-me do lamaçal, para que não me afunde, livrai-me dos que me odeiam e do abismo das águas. Não me cubram as ondas nem me arraste a voragem, não se feche sobre mim a boca do abismo.
 
Eu sou pobre e miserável: defendei-me com a vossa proteção. Louvarei com cânticos o nome de Deus e em ação de graças O glorificarei.
 
Vós, humildes, olhai e alegrai-vos, buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará. O Senhor ouve os pobres e não despreza os cativos.
 
Aleluia. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 14,1-12): Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do rei Herodes. Ele disse aos seus cortesãos: «É João Batista! ele ressuscitou dos mortos; por isso, as forças milagrosas atuam nele». De fato, Herodes tinha mandado prender João, acorrentá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João vivia dizendo a Herodes: «Não te é permitido viver com ela». Herodes queria matá-lo, mas ficava com medo do povo, que o tinha em conta de profeta. Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. Instigada pela mãe, ela pediu: «Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista». O rei ficou triste, mas, por causa do juramento e dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. E mandou cortar a cabeça de João, na prisão. A cabeça foi trazida num prato, entregue à moça, e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois vieram contar tudo a Jesus.
 
«A fama de Jesus chegou aos ouvidos do rei Herodes»
 
Rev. D. Joan Pere PULIDO i Gutiérrez (Sant Feliu de Llobregat, Espanha)
 
Hoje, a liturgia convida-nos a contemplar uma injustiça: A morte de João Batista; e, também, descobrir na Palavra de Deus a necessidade de um testemunho claro e concreto de nossa fé para encher o mundo de esperança.
 
Convido-os a focalizar nossa reflexão na personagem do tetrarca Herodes. Realmente, para nós, não é um verdadeiro testemunho, mas nos ajudará a destacar alguns aspectos importantes para a nossa declaração de fé em meio do mundo. «Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do rei Herodes» (Mt 14,1). Esta afirmação distingue uma atitude aparentemente correta, mas pouco sincera. É a realidade que hoje podemos achar em muitas pessoas e, talvez também em nós mesmos. Muitas pessoas têm ouvido falar de Jesus, mas, quem é Ele realmente? que implicância pessoal nos une a Ele?
 
Em primeiro lugar, é necessário dar uma resposta correta; a do tetrarca Herodes não passa de ser uma vaga informação: «É João Batista! Ele ressuscitou dos mortos» (Mt 14,2). Com certeza sentimos falta da afirmação de Pedro diante da pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’» (Mt 16,15-16). E esta afirmação não dá lugar para o medo ou para a indiferença, e sim abre a porta a um testemunho fundamentado no Evangelho da esperança. Assim o definia São João Paulo II na sua Exortação apostólica A Igreja na Europa: «Junto à Igreja toda, convido aos meus irmãos e irmãs na fé a se abrirem constante e confiadamente a Cristo e, a se deixar renovar por Ele, anunciando com o vigor da paz e o amor a todas as pessoas de boa vontade que, quem encontra ao Senhor conhece a Verdade, descobre a Vida e, reconhece o Caminho que conduz a ela».
 
Que, hoje sábado, a Virgem Maria, a Mãe da esperança, nos ajude de verdade a encontrar Jesus e, a dar um bom testemunho Dele aos nossos irmãos.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«São João Batista deu a sua vida por Cristo, embora não lhe fosse ordenado negar Jesus Cristo; só lhe foi ordenado que calasse a verdade» (São Beda, o Venerável)
 
«São João Batista recorda-nos também, cristãos do nosso tempo, que o amor a Cristo, à sua Palavra, à Verdade, não admite arranjos. Verdade é verdade, não há discussão» (Bento XVI)
 
«O dever dos cristãos de participar na vida da Igreja os impele a ser testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele derivam. Este testemunho é transmissão de fé em palavras e obras. O testemunho é um ato de justiça que estabelece ou dá a conhecer a verdade» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2.472)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje descreve como João Batista foi vítima da corrupção e da prepotência do governo de Herodes.
Foi morto sem processo, durante um banquete do rei com os grandes do reino. O texto traz muitas informações sobre o tempo em que Jesus vivia e sobre a maneira como era exercido o poder pelos poderosos da época.
 
* Mateus 14,1-2. Quem é Jesus para Herodes. O texto começa informando a opinião de Herodes a respeito de Jesus: "Ele é João Batista, que ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem". Herodes procurava compreender Jesus a partir dos medos que o assaltavam após o assassinato de João. Herodes era um grande supersticioso que escondia o medo atrás da ostentação da sua riqueza e do seu poder.
 
* Mateus 14,3-5: A causa escondida do assassinato de João. Galileia, terra de Jesus, era governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, desde 4 antes de Cristo até 39 depois de Cristo. Ao todo, 43 anos! Durante todo o tempo que Jesus viveu, não houve mudança de governo na Galileia! Herodes era dono absoluto de tudo, não prestava conta a ninguém, fazia o que bem entendia. Prepotência, falta de ética, poder absoluto, sem controle por parte do povo! Mas quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 antes de Cristo, era o Império Romano. Herodes, lá na Galileia, para não ser deposto, procurava agradar a Roma em tudo. Insistia sobretudo numa administração eficiente que desse lucro ao Império. A preocupação dele era a sua própria promoção e segurança. Por isso, reprimia qualquer tipo de subversão. Mateus informa que o motivo do assassinato de João foi a denúncia que o Batista fez a Herodes por ele ter casado com Herodíades, mulher do seu irmão Filipe. Flávio José, escritor judeu daquela época, informa que o motivo real da prisão de João Batista era o medo que Herodes tinha de um levante popular. Herodes gostava de ser chamado de benfeitor do povo, mas na realidade era um tirano (Lc 22,25). A denúncia de João contra Herodes foi a gota que fez transbordar o copo: "Não te é permitido casar com ela”.  E João foi preso.
 
* Mateus 14,6-12: A trama do assassinato. Aniversário e banquete de festa, com danças e orgias! Marcos informa que a festa contava com a presença “dos grandes da corte, dos oficiais e das pessoas importantes da Galileia” (Mc 6,21). É nesse ambiente que se trama o assassinato de João Batista. João, o profeta, era uma denúncia viva desse sistema corrupto. Por isso foi eliminado sob pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a fraqueza moral de Herodes. Tanto poder acumulado na mão de um homem sem controle de si! No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes fez um juramento leviano a Salomé, a jovem dançarina, filha de Herodíades. Supersticioso como era, pensava que devia manter esse juramento, atendeu ao capricho da menina e mandou o soldado trazer a cabeça de João num prato e dar à dançarina, que o entregou à sua mãe. Para Herodes, a vida dos súditos não valia nada. Dispunha deles como dispunha da posição das cadeiras na sala.
 
* As três marcas do governo de Herodes: a nova Capital, o latifúndio e a classe dos funcionários:
1. A Nova Capital.  Tiberíades foi inaugurada quando Jesus tinha seus 20 anos. Era chamada assim para agradar a Tibério, o imperador de Roma. Lá moravam os donos das terras, os soldados, a polícia, os juízes muitas vezes insensíveis (Lc 18,1-4). Para lá eram levados os impostos e o produto do povo. Era lá que Herodes fazia suas orgias de morte (Mc 6,21-29). Tiberíades era a cidade dos palácios do Rei, onde vivia o pessoal de roupa fina (cf Mt 11,8). Não consta nos evangelhos que Jesus tenha entrado nessa cidade.
 
2. O Latifúndio.  Os estudiosos informam que, durante o longo governo de Herodes, cresceu o latifúndio em prejuízo das propriedades comunitárias. O Livro de Henoque denuncia os donos das terras e expressa a esperança dos pequenos: “Então, os poderosos e os grandes já não serão mais os donos da terra!” (Hen 38,4). O ideal dos tempos antigos era este: “Cada um debaixo da sua vinha e da sua figueira, sem que haja quem lhes cause medo” (1 Mac 14,12; Miq 4,4; Zac 3,10). Mas a política do governo de Herodes tornava impossível a realização deste ideal.
 
3. A Classe dos funcionários. Herodes criou toda uma classe de funcionários fiéis ao projeto do rei: escribas, comerciantes, donos de terras, fiscais do mercado, coletores de impostos, militares, policiais, juízes, promotores, chefes locais. Em cada aldeia ou cidade havia um grupo de pessoas que apoiavam o governo. Nos evangelhos, alguns fariseus aparecem junto com os herodianos (Mc 3,6; 8,15; 12,13), o que reflete a aliança entre o poder religioso e poder civil. A vida do povo nas aldeias era muito controlada, tanto pelo governo como pela religião. Era necessária muita coragem para começar algo novo, como fizeram João e Jesus! Era o mesmo que atrair sobre si a raiva dos privilegiados, tanto do poder religioso como do poder civil.
 
Para um confronto pessoal
1. Conhece casos de pessoas que morreram vítimas da corrupção e da dominação dos poderosos? E aqui entre nós, na nossa comunidade e na igreja, há vítimas de desmando e de autoritarismo?
2. Herodes, o poderoso, que pensava ser o dono da vida e da morte do povo, era um covarde diante dos grandes e um bajulador corrupto diante da moça. Covardia e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compare com o exercício do poder religioso e civil hoje nos vários níveis da sociedade e da Igreja.
 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Sexta-feira da 17ª semana do Tempo Comum

Santo Inácio de Loyola, presbítero
 
1ª Leitura (Jer 26,1-9):
No princípio do reinado de Joaquim, filho de Josias e rei de Judá, foi dirigida a Jeremias esta palavra do Senhor: «Assim fala o Senhor: Vai colocar-te no átrio do templo do Senhor e diz a todos os habitantes das cidades de Judá, que vêm prostrar-se no templo do Senhor, todas as palavras que te mandei anunciar, sem nada omitir. Pode ser que as escutem e se arrependa cada um do seu mau caminho; e Eu desistirei do castigo que penso mandar-lhes por causa da maldade das suas ações. Vai dizer-lhes: ‘Assim fala o Senhor: Se não quiserdes escutar-Me e não seguis a lei que vos proponho, se não ouvirdes as palavras dos meus servos, os profetas, que sem cessar vos tenho enviado, mas vós não escutais, farei deste templo o que fiz de Silo e farei desta cidade um objeto de maldição para todos os povos da terra’». Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram Jeremias dizer estas palavras no templo do Senhor. E quando Jeremias acabou de anunciar o que o Senhor lhe mandara dizer a todo o povo, os sacerdotes e os profetas apoderaram-se dele, gritando: «Tu tens de morrer! Porque profetizaste em nome do Senhor que este templo teria a mesma sorte de Silo e que esta cidade ficaria em ruínas e sem habitantes?». E todo o povo se amotinou contra Jeremias no templo do Senhor.
 
Salmo Responsorial: 68
R. Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.
 
São mais numerosos que meus cabelos os que me odeiam sem razão; são mais fortes que meus ossos os que me detestam sem motivo.
 
Por Vós tenho suportado afrontas, cobrindo-se meu rosto de confusão. Devorou-me o zelo pela vossa casa e recaíram sobre mim os insultos contra Vós.
 
A Vós, Senhor, elevo a minha súplica, no momento propício, meu Deus. Pela vossa grande bondade, respondei-me, pela vossa fidelidade, salvai-me.
 
Aleluia. A palavra do Senhor permanece eternamente. Esta é a palavra que vos foi anunciada. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,54-58): Jesus foi para sua própria cidade e se pôs a ensinar na sinagoga local, de modo que ficaram admirados. Diziam: «De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não estão todas conosco? De onde, então, lhe vem tudo isso?». E ele tornou-se para eles uma pedra de tropeço. Jesus, porém, disse: «Um profeta só não é valorizado em sua própria cidade e na sua própria casa!». E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
 
«Um profeta só não é valorizado em sua própria cidade e na sua própria casa»
 
Rev. D. Jordi POU i Sabater (Sant Jordi Desvalls, Girona, Espanha)
 
Hoje, como naquele tempo, é difícil falar de Deus àqueles que nos conhecem há muito tempo. No caso de Jesus, são João Crisóstomo comenta: «Os nazarenos admiravam-se Dele, mas essa admiração não os levava a crer, mas a sentir inveja, como se dissessem: `Porque Ele, e não eu´». Jesus conhecia bem aqueles que em vez ouvi-lo, escandalizavam-se por causa Dele. Eram parentes, amigos, vizinhos pessoas que Ele apreciava, mas justamente a eles não chegará a mensagem da salvação.
 
Nós —que não podemos fazer milagres nem temos a santidade de Cristo— não provocaremos inveja (ainda se por acaso possa acontecer, se realmente nos esforçarmos por viver como cristãos). Seja como for, nos encontraremos, como Jesus, com aqueles a quem amamos ou apreciamos, são os que menos nos escutam. Neste sentido, devemos recordar, também, que as pessoas veem mais os defeitos do que as virtudes, e aqueles que estiveram ao nosso lado durante anos podem dizer interiormente —Tu que fazias (ou fazes) isto ou aquilo, o que vais me ensinar?
 
Pregar ou falar de Deus entre as pessoas do nosso povo ou família é difícil, mas é necessário. É preciso dizer que Jesus quando ia a casa estava precedido pela fama de seus milagres e sua palavra. Talvez, nós precisaremos estabelecer um pouco de fama de santidade por fora (e dentro) de casa antes de “predicar” às pessoas da casa.
 
São João Crisóstomo acrescenta no seu comentário: «Presta atenção, por favor, na amabilidade do Mestre: não lhes castiga por não ouvi-lo, mas diz com doçura: `Um profeta só não é valorizado em sua própria cidade e na sua própria casa´(Mt 13,57). Resulta evidente que Jesus iria-se triste desse lugar, mas continuaria suplicando para que sua palavra salvadora fosse bem-vinda no seu povo.
 
E nós (que nada vamos perdoar ou deixar de lado), igual temos que orar para que a palavra de Jesus chegue até aqueles que amamos, mas não querem nos ouvir.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Um pouco de fé pode muito» (São João Crisóstomo)
 
«A fé floresce quando nos deixamos “atrair” pelo Pai para Jesus, e vamos e Ele com o coração aberto. Aí nós recebemos o dom, o dom da Fé» (Francisco)
 
«Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente em Aquele que Deus enviou, “no seu Filho muito amado” em quem Ele pôs todas as suas complacências (Mc 1,11). Deus mandou-nos que O escutássemos (...) (Mc9,7)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 151)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje conta como foi a visita de Jesus à Nazaré, sua comunidade de origem.
A passagem por Nazaré foi dolorosa para Jesus. O que antes era a sua comunidade, agora já não é mais. Alguma coisa mudou. Onde não há fé, Jesus não pode fazer milagre.
 
* Mateus 13, 53-57ª:  Reação do povo de Nazaré frente a Jesus. É sempre bom voltar para a terra da gente. Após longa ausência, Jesus também voltou e, como de costume, no dia de sábado, foi para a reunião da comunidade. Jesus não era coordenador, mesmo assim ele tomou a palavra. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião. O povo ficou admirado, não entendeu a atitude de Jesus: "De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres?” Jesus, filho do lugar, que eles conheciam desde criança, como é que ele agora ficou tão diferente? O povo de Nazaré ficou escandalizado e não o aceitou: “Não é ele o filho do carpinteiro?” O povo não aceitou o mistério de Deus presente num homem comum como eles conheciam Jesus. Para poder falar de Deus ele teria de ser diferente. Como se vê, nem tudo foi bem-sucedido. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, estas eram as que se recusavam a aceitá-la. O conflito não é só com os de fora de casa, mas também com os parentes e com o povo de Nazaré. Eles recusam, porque não conseguem entender o mistério que envolve a pessoa de Jesus: “Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não moram aqui conosco? Então, de onde vem tudo isso?"  Não deram conta de crer.
 
* Mateus 13, 57b-58: Reação de Jesus diante da atitude do povo de Nazaré. Jesus sabe muito bem que “santo de casa não faz milagre”. Ele diz: "Um profeta só não é honrado em sua própria pátria e em sua família". De fato, onde não existe aceitação nem fé, a gente não pode fazer nada. O preconceito o impede. Jesus, mesmo querendo, não pôde fazer nada. Ele ficou admirado da falta de fé deles.
 
* Os irmãos e as irmãs de Jesus. A expressão “irmãos de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso?  Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça. Pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos bem mais para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé. Deveríamos lembrar algumas outras frases de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”(Jo 10,10). “Que todos sejam um, para que o mundo creia que Tu, Pai, me enviaste”(Jo 17,21). “Não o impeçam! Quem não é contra nós é a favor”(Mc 10,39.40).
 
Para um confronto pessoal
1. Em Jesus algo mudou no seu relacionamento com a Comunidade de Nazaré. Desde que você começou a participar na comunidade, alguma coisa mudou no seu relacionamento com a família? Por que?
2. A participação na comunidade tem ajudado você a acolher e a confiar mais nas pessoas, sobretudo nos mais simples e pobres?

terça-feira, 28 de julho de 2026

Quinta-feira da 17ª semana do Tempo Comum

São Pedro Crisólogo, bispo
 
1ª Leitura (Jer 18,1-6):
Palavra que o Senhor dirigiu ao profeta Jeremias: «Levanta-te e desce à casa do oleiro; ali te farei ouvir as minhas palavras». Eu desci à casa do oleiro e encontrei-o a trabalhar na roda. Quando o vaso que ele estava a moldar não saía bem, como acontece com o barro nas mãos do oleiro, ele começava de novo e fazia outro vaso, como lhe parecia melhor. Então o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Não poderei Eu tratar-vos como este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor –. Como o barro nas mãos do oleiro, assim estais vós na minha mão, ó casa de Israel».
 
Salmo Responsorial: 145
R. Feliz o que tem por auxílio o Deus de Jacó.
 
Louva, minha alma, o Senhor. Louvarei o Senhor toda a minha vida, cantarei hinos ao meu Deus, enquanto viver.
 
Não ponhais a confiança nos poderosos, no homem que nem a si se pode salvar. Vai-se-lhe o espírito e volta ao pó da terra e assim ficam desfeitos os seus planos.
 
Feliz o que tem por auxílio o Deus de Jacob, o que põe a sua confiança no Senhor, seu Deus, que fez o céu e a terra, o mar e quanto neles existe.
 
Aleluia. Abri, Senhor, o nosso coração, para recebermos a palavra do vosso Filho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,47-53): Naquele tempo, disse Jesus ao povo: «Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que pegou peixes de todo tipo. Quando ficou cheia, os pescadores puxaram a rede para a praia, sentaram-se, recolheram os peixes bons em cestos e jogaram fora os que não prestavam. Assim acontecerá no fim do mundo: os anjos virão para separar os maus dos justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isso?» — «Sim», responderam eles. Então Ele acrescentou: «Assim, pois, todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas». Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, partiu dali.
 
«Recolhem em cestos o que é bom e jogam fora o que não presta»
 
Rev. D. Ferran JARABO i Carbonell (Agullana, Girona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho constitui uma chamada vital à conversão. Jesus não nos poupa da dura realidade: «Os anjos virão para separar os maus dos justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo» (Mt 13,49-50). E a advertência é clara! Não podemos fraquejar.
 
Agora devemos optar livremente: ou buscamos a Deus e ao bem com todas as nossas forças, ou colocamos nossa vidas à beira da morte. Ou estamos com Cristo ou estamos contra Ele. Converter-se significa, nesse caso, optar totalmente por fazer parte do grupo dos justos e levar uma vida digna de filhos. Porém, temos em nosso interior a experiência do pecado: sabemos o bem que deveríamos fazer, mas fazemos o mal; como podemos dar uma verdadeira unidade às nossas vidas? Sozinhos, não podemos fazer muito. Somente se nos colocamos nas mãos de Deus podemos fazer algum bem e pertencer ao grupo dos justos.
 
«Por não sabermos quando virá nosso Juiz, devemos viver cada dia como se não houvesse o dia seguinte» (São Jerônimo). Essa frase é um convite a viver com intensidade e responsabilidade nossa vida cristã. Não se trata de ter medo, mas sim de viver com esperança esse tempo de graça, louvor e glória.
 
Cristo nos ensina o caminho para nossa própria glorificação. Cristo é o caminho, portanto, nossa salvação, nossa felicidade e tudo o que possamos imaginar passa por Ele. E se tudo o temos em Cristo, não podemos deixar de amar a Igreja que no-lo apresenta e é seu corpo místico. Contra as visões puramente humanas dessa realidade é necessário que recuperemos a visão divino-espiritual: nada melhor do que Cristo e o cumprimento de sua vontade!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«As minhas palavras são espírito e são vida, e não podem ser ponderadas com base em critérios humanos. Não devem de ser usadas para satisfazer a vã complacência, mas devem ser ouvidas em silêncio e devem ser recebidas com humildade» (Thomas de Kempis)
 
«Aí onde vamos, mesmo na paróquia menor, no canto mais perdido desta terra, lá está a única Igreja. E este é um grande dom de Deus. A Igreja é uma para todos» (Francisco)
 
«(…) Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus. A Igreja é o Reino de Cristo ‘já presente em mistério’ (Concílio Vaticano II)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 763)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
O evangelho de hoje traz a última parábola do Sermão das Parábolas: a história da rede lançada ao mar. Esta parábola encontra-se só no evangelho de Mateus, sem nenhum paralelo nos outros três evangelhos.
 
* Mateus 13,47-48: A parábola da rede lançada ao mar. "O Reino do Céu é ainda como uma rede lançada ao mar. Ela apanha peixes de todo o tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e escolhem: os peixes bons vão para os cestos, os que não prestam são jogados fora”. A história contada é bem conhecida do povo da Galileia que vive ao redor do lago. É o trabalho deles. A história reflete o fim de um dia de trabalho. Os pescadores saem para o mar com esta única finalidade: jogar a rede, apanhar muito peixe, puxar a rede cheia para a praia, escolher os peixes bons para levar para casa e jogar fora os que não servem. Descreve a satisfação do pescador no fim de um dia de trabalho pesado e cansativo. Esta história deve ter provocado um sorriso de satisfação no rosto dos pescadores que escutavam Jesus. O pior é chegar na praia no fim do dia sem ter pescado nada (Jo 21,3).
 
* Mateus 13,49-50: A aplicação da parábola. Jesus aplica a parábola, ou melhor dá uma sugestão para as pessoas poderem discutir a parábola e aplicá-la em suas vidas. “Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. E lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes."  Como entender esta fornalha de fogo? São imagens fortes para descrever o destino daqueles que se separam de Deus ou não querem saber de Deus. Toda cidade tem um lixão, um lugar onde joga os detritos e o lixo. Lá existe um fogo de monturo permanente que é alimentado diariamente pelo lixo novo que nele vai sendo despejado. O lixão de Jerusalém ficava num vale perto da cidade que se chamava geena, onde, na época dos reis havia até uma fornalha para sacrificar os filhos ao falso deus Molok. Por isso, a fornalha da geena tornou-se símbolo de exclusão e de condenação. Não é Deus que exclui. Deus não quer a exclusão nem a condenação, mas que todos tenham vida e vida em abundância. Cada um de nós se exclui a si mesmo
 
* Mateus 13,51-53: O encerramento do Sermão das Parábola. No final do Sermão das parábolas Jesus encerra com a seguinte pergunta: "Vocês compreenderam tudo isso?" Eles responderam “Sim!” E Jesus termina a explicação com uma outra comparação que descreve o resultado que ele quer obter com as parábolas: "E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas". Dois pontos para esclarecer:
 
(1) Jesus compara o doutor da lei com o pai de família. O que faz o pai de família? Ele “tira do seu baú coisas novas e velhas".  A educação em casa se faz transmitindo aos filhos e às filhas o que eles, os pais, receberam e aprenderam ao longo dos anos. É o tesouro da sabedoria familiar onde estão encerradas a riqueza da fé, os costumes da vida e tanta outra coisa que os filhos vão aprendendo. Ora, Jesus quer que, na comunidade, as pessoas responsáveis pela transmissão da fé sejam como o pai de família. Assim como os pais entendem da vida em família, assim, estas pessoas responsáveis pelo ensino devem entender as coisas do Reino e transmiti-la aos irmãos e irmãs da comunidade.
 
(2) Trata-se de um doutor da Lei que se torna discípulo do Reino. Havia portanto doutores da lei que aceitavam Jesus como revelador do Reino. O que acontece com um doutor na hora em que descobre em Jesus o Messias, o filho de Deus? Tudo aquilo que ele estudou para poder ser doutor da lei continua válido, mas recebe uma dimensão mais profunda e uma finalidade mais ampla. Uma comparação para esclarecer o que acabamos de dizer. Numa roda de amigos alguém mostrou uma fotografia, onde se via um homem de rosto severo, com o dedo levantado, quase agredindo o público. Todos ficaram com a ideia de se tratar de uma pessoa inflexível, exigente, que não permitia intimidade. Nesse momento, chegou um jovem, viu a fotografia e exclamou: "É meu pai!" Os outros olharam para ele e, apontando a fotografia, comentaram: "Pai severo, hein!" Ele respondeu: "Não é não! Ele é muito carinhoso. Meu pai é advogado. Aquela fotografia foi tirada no tribunal, quando ele denunciava o crime de um latifundiário que queria despejar uma família pobre que estava morando num terreno baldio da prefeitura há vários anos! Meu pai ganhou a causa. Os pobres não foram despejados!” Todos olharam de novo e disseram: "Que pessoa simpática!” Como por um milagre, a fotografia se iluminou por dentro e tomou um outro aspecto. Aquele rosto, tão severo adquiriu os traços de uma grande ternura! As palavras do filho, mudaram tudo, sem mudar nada! As palavras e gestos de Jesus, nascidas da sua experiência de filho, sem mudar uma letra ou vírgula sequer, iluminaram o sentido do Antigo Testamento pelo lado de dentro (Mt 5,17-18) e iluminaram por dentro toda a sabedoria acumulada do doutor da Lei. O mesmo Deus, que parecia tão distante e severo, adquiriu os traços de um Pai bondoso de grande ternura!
 
Para um confronto pessoal
1) A experiência do Filho já entrou em você para mudar os olhos e descobrir as coisas de Deus de outro modo?
2) O que te revelou o Sermão das Parábolas sobre o Reino?

segunda-feira, 27 de julho de 2026

29 de julho, SS. Marta, Maria e Lázaro

1ª Leitura (Ex 32,15-24.30-34):
Naqueles dias, Moisés desceu do monte Sinai, trazendo na mão as duas tábuas da Lei, escritas de ambos os lados, em uma e outra face. As tábuas eram obra de Deus; a escritura era letra de Deus gravada nas tábuas. Josué ouviu a vozearia do povo e disse a Moisés: «Há gritos de guerra no acampamento». Moisés respondeu-lhe: «Não são gritos de vitória, nem lamentos de derrota; o que eu oiço são vozes de gente a cantar». Ao aproximar-se do acampamento, viu o bezerro e as danças. Então Moisés, inflamado em cólera, arremessou as tábuas e fê-las em pedaços no sopé do monte. Pegou no bezerro que eles tinham fabricado, queimou-o e triturou-o até o reduzir a pó; espalhou-o na água e deu-a a beber aos filhos de Israel. Moisés perguntou a Aarão: «Que te fez este povo, para o induzires a pecado tão grave?». Aarão respondeu-lhe: «Não se acenda a cólera do meu senhor. Bem sabes como este povo é inclinado para o mal. Foram eles que me disseram: ‘Faz-nos um deus que vá à nossa frente, porque a esse Moisés, o homem que nos fez sair da terra do Egipto, não sabemos o que lhe aconteceu’. Então eu disse-lhes: ‘Quem tem ouro?’ Eles desfizeram-se do ouro que tinham e deram-mo. Depois eu lancei-o ao fogo e saiu este bezerro». No dia seguinte, Moisés disse ao povo: «Vós cometestes um grande pecado. Mas agora vou subir à presença do Senhor, para ver se posso obter o perdão do vosso pecado». Moisés voltou à presença do Senhor e disse-Lhe: «Este povo cometeu um grande pecado, fabricando um deus de ouro. Se quisésseis ainda perdoar-lhe este pecado... Se não, peço que me risqueis do livro que escrevestes». O Senhor respondeu a Moisés: «Riscarei do meu livro aquele que pecou contra Mim. Agora vai e conduz o povo para onde Eu te disse, que o meu Anjo irá à tua frente. Mas no dia em que Eu tiver de intervir, castigarei o seu pecado».
 
Salmo Responsorial: 105
R. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom.
 
Fizeram um bezerro no Horeb e adoraram um ídolo de metal fundido. Trocaram a sua glória pela figura de um boi que come feno.
 
Esqueceram a Deus que os salvara, que realizara prodígios no Egipto, maravilhas na terra de Cam, feitos gloriosos no Mar Vermelho.
 
E pensava já em exterminá-los, se Moisés, o seu eleito, não intercedesse junto d’Ele e aplacasse a sua ira para os não destruir.
 
Aleluia. Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade, para sermos as primícias das suas criaturas. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 10,38-42): Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!». O Senhor, porém, lhe respondeu: «Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada».
 
«Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária»
 
Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, também nós que estamos ocupados com muitas coisas devemos ouvir o que o Senhor nos recorda: «No entanto, uma só é necessária» (Lc 10,42): o amor, a santidade. Este é o objetivo, o horizonte que não podemos perder nunca de vista no meio de nossas ocupações cotidianas.
 
Porque ocupados estaremos sempre se obedecermos à indicação do Criador: «Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!» (Gn 1,28). A Terra! O mundo: é aqui o nosso lugar de encontro com o Senhor. «Eu não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno» (Jo 17,15). Sim, o mundo é o altar para nós e para nossa entrega a Deus e aos outros.
 
Somos do mundo, mas não podemos ser mundanos. Muito pelo contrário, somos chamados a ser como a bela expressão de João Paulo II sacerdotes da criação, sacerdotes do nosso mundo, de um mundo que amamos apaixonadamente.
 
Eis aqui a questão: o mundo e a santidade, o trabalho diário e a única coisa necessária. Não são duas realidades opostas: temos que procurar a confluência de ambas. E essa confluência se produz em primeiro lugar e sobre tudo em nosso coração, que é onde se pode unir o céu e a terra. Porque no coração humano é onde pode nascer o diálogo entre o Criador e a criatura.
 
É necessário, portanto, a oração. «O nosso tempo é um tempo em constante movimento, que frequentemente desemboca no ativismo, com o risco fácil de acabar fazendo por fazer. Temos que resistir a essa tentação, procurando ser antes de fazer. Recordamos a este respeito a reprovação de Jesus a Marta: «Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária (Lc 10,41-42)» (João Paulo II).
 
Não há oposição entre o ser e o fazer, mas sim há uma ordem de prioridade, de precedência: «Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada» (Lc 10,42).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A vida de Marta, é nosso mundo; a vida de Maria é o mundo que esperamos. Vivamos a de aqui com retitude para obter plenamente a outra» (Santo Agostinho)
 
«A palavra de Cristo é muito clara: não desprecia a vida ativa, e muito menos a generosa hospitalidade; mas lembra o fato de que a única coisa verdadeiramente necessária é outra: escutar a Palavra do Senhor» (Bento XVI)
 
«É tão grande a força e a virtude de Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual» (Catecismo da Igreja Católica, n° 131)
 
"Senhor, não te importas?”
 
• A jornada de Jesus, iniciada em 9,51, é marcada por encontros específicos — como aquele com o doutor da Lei (10,25-37) — que precedem o encontro com Marta e Maria (vv. 38-42).
Destaca-se, sobretudo, o doutor da Lei que dirige uma pergunta a Jesus; para o leitor, isso se torna uma ocasião propícia para descobrir como a vida eterna é herdada ou alcançada na intimidade com o Pai. Pode-se ter acesso à vida eterna participando da missão de Jesus, o primeiro enviado que nos revelou plenamente a misericórdia de Deus (v. 37). Em Jesus, o Pai aproximou-se dos homens e manifestou sua paternidade de maneira tangível. Ao final do encontro, a expressão que Jesus dirige ao doutor da Lei — e a todo leitor — é fundamental: “Vai e faze o mesmo” (v. 37). Tornar-se próximo, aproximar-nos dos outros como Jesus fez, faz de nós instrumentos para manifestar, de modo vivo, o amor misericordioso do Pai. Esta é a chave secreta para entrar na vida eterna.
 
Após este encontro com um perito na Lei, enquanto está a caminho, Jesus entra numa aldeia e é acolhido por velhas amigas: Marta e Maria. Jesus não é apenas o primeiro enviado pelo Pai, mas é também aquele que reúne as pessoas — no nosso caso, os membros da casa de Betânia —, na medida em que Ele é a única Palavra do Pai. Se é verdade que há muitos serviços a realizar no acolhimento e na atenção às necessidades dos outros, é ainda mais verdade que o que é insubstituível é escutar a Palavra. O relato de Lucas apresenta um episódio real e, ao mesmo tempo, um modelo ideal. Começa com o acolhimento de Marta (v. 38). De seguida, descreve Maria com uma atitude típica de discípula: sentada aos pés de Jesus e totalmente atenta para escutar a sua Palavra. Esta atitude de Maria é extraordinária, pois, no judaísmo do tempo de Jesus, não era permitido a uma mulher frequentar a escola de um mestre. Até aqui, temos um quadro harmonioso: o acolhimento de Marta e a escuta de Maria. Mas, logo, o acolhimento de Marta transforma-se em um ativismo excessivo: a mulher sente-se "puxada" em várias direções, dividida pela execução de múltiplos serviços. Fica tão absorvida que perde o controlo das tarefas domésticas. A grande quantidade de atividades — compreensível perante tal hóspede — torna-se tão desproporcional que a impede de viver o essencial, precisamente no momento em que Jesus está presente em sua casa. A sua preocupação é legítima, mas acaba por se transformar em angústia — um estado de espírito inadequado para o momento de acolher um amigo.
 
O seu serviço de acolhimento e hospitalidade é muito positivo, mas torna-se prejudicial devido ao estado de ansiedade com que ela o realiza. O Evangelista deixa o leitor perceber isto para mostrar que não há contradição entre a "diaconia" da mesa e a da Palavra, mas quer sugerir que o serviço deve estar ligado à escuta. Por não ter associado a atitude espiritual de serviço à de escuta, Marta sente-se abandonada pela irmã. Em vez de dialogar com Maria, queixa-se ao Mestre. Enclausurada na sua solidão, volta-se contra Jesus — que parece indiferente ao seu problema ("Senhor, não te importas?...") — e depois contra a irmã ("que a minha irmã me deixe fazer o serviço toda sozinha?"). Na sua resposta, Jesus não a repreende nem a critica, mas tenta ajudar Marta a recuperar o essencial naquele momento: escutar o Mestre. Convida-a a escolher aquela parte — única e prioritária — que Maria assumiu espontaneamente. O episódio convida-nos a considerar um perigo sempre presente na vida dos cristãos: a ansiedade, a preocupação e o ativismo excessivo, que podem isolar-nos da comunhão com Cristo e com a comunidade. Este perigo é mais insidioso porque, frequentemente, as preocupações materiais ou as tarefas realizadas com ansiedade são precisamente aquelas que consideramos uma forma de serviço. O que importa para Lucas é que, nas nossas comunidades, não se descure a prioridade que deve ser dada à Palavra de Deus e à sua escuta. Antes de servir os outros, os familiares e a comunidade eclesial, é necessário deixar-se servir por Cristo com a Sua Palavra de graça. E assim, mergulhados nas tarefas quotidianas como Marta, esquecemo-nos de que o Senhor deseja cuidar de nós… É preciso, pelo contrário, depositar em Jesus e em Deus todas as nossas preocupações e inquietações.
 
Meditação
• Sabe relacionar o serviço com a escuta da Palavra de Jesus? Ou deixa-se dominar pela ansiedade por causa das inúmeras tarefas a realizar?
• Compreendeu que, antes de servir, é preciso aceitar ser servido por Cristo? Tem consciência de que o seu serviço se torna divino apenas se, antes, tiver aceite Cristo e a sua Palavra?

domingo, 26 de julho de 2026

Terça-feira da 17ª semana do Tempo Comum

S. Pedro Poveda Castroverde, presbítero e mártir - Fundador da Instituição Teresiana
 
1ª Leitura (Jer 14,17-22):
Chorem meus olhos, noite e dia, lágrimas sem fim, porque uma grande ruína, uma chaga atroz, tortura a virgem, filha do meu povo. Se saio para o campo, eis os mortos à espada; se entro na cidade, eis as vítimas da fome. Tanto o profeta como o sacerdote percorrem o país e não compreendem. Acaso rejeitastes inteiramente Judá? Porque Vos desgostastes com Sião? Porque nos feristes sem esperança de remédio? Esperávamos a paz e nada vemos de bom, uma era de restauração e surgiu a angústia. Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade e a culpa dos nossos pais, porque pecámos contra Vós. Não nos rejeiteis, por amor do vosso nome, não deixeis profanar o vosso trono de glória. Recordai e não revogueis a vossa aliança conosco. Pode algum dos falsos deuses das nações fazer que chova? Ou é o céu que nos dá sozinho os aguaceiros? Não sois Vós, Senhor, nosso Deus, em quem esperamos? Na verdade, sois Vós que realizais tudo isto.
 
Salmo Responsorial: 78
R. Salvai-nos, Senhor, para glória do vosso nome.
 
Não recordeis, Senhor, contra nós as culpas dos nossos pais. Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia, porque somos tão miseráveis.
 
Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador, para glória do vosso nome. Salvai-nos e perdoai os nossos pecados, para glória do vosso nome.
 
Chegue à vossa presença, Senhor, o gemido dos cativos; pela omnipotência do vosso braço, libertai os condenados à morte.
 
E nós, vosso povo, ovelhas do vosso rebanho, louvar-Vos-emos para sempre e de geração em geração cantaremos a vossa glória.
 
Aleluia. A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo: quem O encontra permanece para sempre. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,36-43): Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Explica-nos a parábola do joio». Ele respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça».
 
«Explica-nos a parábola do joio»
 
Rev. D. Iñaki BALLBÉ i Turu (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, com a parábola do joio e do trigo, a Igreja nos convida a meditar sobre a convivência do bem e do mal. O bem e o mal dentro do nosso coração; o bem e o mal que vemos em outros, que vemos existir neste mundo.
 
«Explica-nos a parábola» (Mt 13,36), pedem os discípulos a Jesus. E nós, hoje, podemos fazer o propósito de ter mais cuidado com a nossa oração pessoal, com o nosso trato cotidiano com Deus. Senhor, podemos dizer-lhe, explique-me por que não avanço suficientemente em minha vida interior. Explique-me como posso lhe ser mais fiel, como posso buscar-lhe em meu trabalho, ou através dessa circunstância que não entendo, ou não quero. Como posso ser um apóstolo qualificado. A oração é isso, pedir explicações a Deus. Como é minha oração? É sincera? É constante? É confiante?
 
Jesus Cristo nos convida a ter os olhos fixos no céu, nossa morada eterna. Freqüentemente, vivemos enlouquecidos pela pressa, e quase nunca nos detemos para pensar que um dia próximo ou não, não o sabemos deveremos prestar contas a Deus de nossa vida, de como temos feito frutificar as qualidades que Ele nos tem dado. E o Senhor nos diz que no fim dos tempos haverá uma triagem. Devemos ganhar o Céu na terra, no dia a dia, sem esperar situações que possivelmente nunca virão. Devemos viver heroicamente o que é ordinário, o que aparentemente não possui nenhuma transcendência. Viver pensando na eternidade e ajudar os outros a pensar nela!: paradoxalmente, «esforça-se para não morrer o homem que há de morrer; e não se esforça para não pecar o homem que há de viver eternamente» (São João de Toledo).
 
Colheremos o que houvermos semeado. Devemos lutar para dar 100% hoje. Para que quando Deus nos chame a sua presença Lhe apresentemos as mãos cheias: de atos de fé, de esperança, de amor. Que se concretizam em coisas muito pequenas e em pequenos vencimentos que, vividos diariamente, nos fazem mais cristãos, mais santos, mais humanos.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Esforça-se por não morrer o homem que morrerá; e não se esforça por não pecar, o homem que viverá eternamente» (São Julião de Toledo)
 
«Devemos estar preparados para protegermos a graça recebida no dia do nosso Baptismo, alimentando a fé em Nosso Senhor impedindo assim que o mal lance as suas raízes» (Bento XVI)
 
«(...) Jesus fala muitas vezes da «gehena» do «fogo que não se apaga» reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. Jesus anuncia, em termos muitos severos, que «enviará os seus anjos que tirarão do seu Reino [...] todos os que praticaram a iniquidade, e hão de lançá-los na fornalha ardente» (Mt 13, 41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: «afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno» (Mt 25, 41)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1034)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz a explicação que Jesus, a pedido dos discípulos, deu da parábola do joio e do trigo.
Alguns estudiosos acham que esta explicação, dada por Jesus aos discípulos, não seja de Jesus, mas sim da comunidade. É possível e provável, pois uma parábola, por sua própria natureza, pede o envolvimento e a participação das pessoas na descoberta do sentido. Assim como a planta já está dentro da sua semente, assim, de certo modo, a explicação da comunidade já está dentro da parábola. É exatamente este o objetivo que Jesus queria e ainda quer alcançar com a parábola. O sentido que nós hoje vamos descobrindo na parábola que Jesus contou dois mil anos atrás já estava implicado na história que Jesus contou, como a flor já está dentro da sua semente.
 
* Mateus 13,36: O pedido dos discípulos para explicar a parábola do joio e do trigo
Os discípulos, em casa conversam com Jesus e pedem uma explicação da parábola do joio e do trigo (Mt 13,24-30). Várias vezes se informa que Jesus, em casa, continuava o seu ensinamento aos discípulos (Mc 7,17; 9,28.33; 10,10). Naquele tempo não havia televisão e nas longas horas das noites do inverno o povo reunia para conversar e tratar dos assuntos da vida. Jesus fazia o mesmo. Era nestas ocasiões que ele completava o ensinamento e a formação dos discípulos.
 
* Mateus 13,38-39: O significado de cada um dos elementos da parábola. Jesus responde retomando cada um dos seis elementos da parábola e lhes dá um sentido: o campo é o mundo; a boa semente são os membros do Reino; o joio são os membros do adversário (maligno); o inimigo é o diabo; a colheita é o fim dos tempos; os ceifadores são os anjos. Experimente você agora ler de novo a parábola (Mt 13,24-30) colocando o sentido certo em cada um dos seis elementos: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Aí, a história toma um sentido totalmente diferente e você alcança o objetivo que Jesus tinha em mente ao contar esta história do joio e do trigo ao povo. Alguns acham que esta parábola que deve ser entendida como uma alegoria e não como uma parábola propriamente dita.
 
* Mateus 13,40-43: A aplicação da parábola ou da alegoria. Com estas informações dadas por Jesus você entenderá a aplicação que ele dá: Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”. O destino do joio é a fornalha, o destino do trigo bom é o brilho do sol no Reino do Pai. Por de trás destas duas imagens está a experiência das pessoas. Depois que elas escutaram Jesus e o aceitaram em suas vidas, tudo mudou para elas. O fim chegou. Ou seja, em Jesus chegou aquilo que, no fundo, todos esperavam: a realização das promessas. A vida agora se divide em antes e depois que escutaram e aceitaram Jesus em suas vidas. A nova vida começou como o brilho do sol. Se tivessem continuado a viver como antes, seriam como o joio jogado na fornalha, vida sem sentido e sem serventia para nada.
 
* Parábola e Alegoria. Existe a parábola. Existe a alegoria. Existe a mistura das duas que é a forma mais comum. Geralmente tudo é chamado de parábola. No evangelho de hoje temos o exemplo de uma alegoria. Uma alegoria é uma história que a pessoa conta, mas enquanto conta, ela não pensa nos elementos da história, mas sim no assunto que deve ser esclarecido. Ao ler uma alegoria não é necessário olhar primeiro a história como um todo, pois numa alegoria a história não se constrói em torno de um ponto central que depois serve como meio de comparação, mas cada elementos tem a sua função independente a partir do sentido que recebe. Trata-se de descobrir o que cada elemento das duas histórias nos tem a dizer sobre o Reino como fez a explicação que Jesus deu da parábola: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Geralmente, as parábolas são alegorizantes. Mistura das duas.
 
Para um confronto pessoal
1) No campo existe tudo misturado: joio e trigo. No campo da minha vida, o que prevalece: o joio ou o trigo?
2) Você já tentou conversar com outras pessoas para descobrir o sentido de alguma parábola?

sábado, 25 de julho de 2026

28 de julho

 São Pedro Poveda Castroverde
Presbítero e mártir - Fundador da Instituição Teresiana

 

Pedro Poveda Castroverde nasceu em Linhares (Jaén) em 3 de dezembro de 1874. Desde criança sentiu atração pelo sacerdócio. Ingressou no seminário de Jaén e concluiu os estudos no de Guadix, diocese na qual recebeu a ordenação em 1897. Começou seu ministério no Seminário e no atendimento pastoral aos que viviam nas margens da população, criando uma escola para eles. Nomeado canônico de Covadonga ocupou-se da formação cristã dos peregrinos e começou a escrever livros sobre educação e a relação entre a fé e a ciência. A partir de 1911, com algumas jovens colaboradoras, começou a fundação de Academias e Centros pedagógicos que dariam início à Instituição Teresiana. Transferiu-se para Jaén para consolidar a mesma Instituição que receberia ali aprovação diocesana e depois, estando ele já em Madri como capelão real, a aprovação pontifícia. Sacerdote prudente e audaz, pacífico e aberto ao diálogo, entregou sua vida por causa da fé na madrugada de 28 de julho de 1936, identificando-se: "Sou sacerdote de Cristo" perante aqueles que o conduziriam ao martírio.

 

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.


Oração

Senhor nosso Deus, que concedestes a são Pedro Poveda, fundador da Instituição Teresiana, impulsionar a ação evangelizadora dos cristãos mediante a educação e a cultura, e entregar a sua vida no martírio como «sacerdote de Jesus Cristo»; concedei-nos que saibamos, como ele, participar fielmente da missão da Igreja com o testemunho de nossa vida cristã e a entrega generosa ao anúncio de vosso Reino. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.