terça-feira, 7 de julho de 2026

Quinta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Beata Joana Scopélli, virgem da nossa Ordem
Sta Paulina do Coração de Jesus Agonizante, virgem
 
1ª Leitura (Os 11,1-4.8c-9):
Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o fazer sair do Egipto, chamei o meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, mais eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos ídolos. Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir».
 
Salmo Responsorial: 79
R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto e seremos salvos.
 
Pastor de Israel, escutai, Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei. Despertai o vosso poder e vinde em nosso auxílio.
 
Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha. Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento que fortalecestes para Vós.
 
Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,7-15): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro à cintura; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, procurai saber quem ali é digno e permanecei com ele até a vossa partida. Ao entrardes na casa, saudai-a: se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossas palavras, saí daquela casa ou daquela cidade e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade, vos digo: no dia do juízo, a terra de Sodoma e Gomorra receberá uma sentença menos dura do que aquela cidade».
 
«No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo»
 
Rev. D. Antonio BORDAS i Belmonte (L’Ametlla de Mar, Tarragona, Espanha)
 
Hoje, o texto do Evangelho convida-nos a evangelizar; diz-nos: «Pregai» (cf. Mt 10,7). O anúncio é a boa nova de Jesus, que tenta falar-nos sobre o reino de Deus, que Ele é nosso salvador, enviado pelo Pai ao mundo e, por este motivo, o único que nos pode renovar desde o nosso interior e mudar a sociedade em que vivemos.
 
Jesus anunciava que «o Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,7). Ele anunciava o reino de Deus, que se fazia presente entre os homens e mulheres à medida que o bem avançava e o mal retrocedia.
 
Jesus quer a salvação do homem total, seu corpo e seu espírito; mais ainda, perante o enigma que preocupa a humanidade, que é a morte, Jesus propõe a ressurreição. Quem vive morto pelo pecado, quando recupera a graça, experimenta uma nova vida. Este é um grande mistério que começamos a experimentar a partir de nosso baptismo: os cristãos estamos chamados à ressurreição.
 
Uma amostra de como o Papa Francisco procura o bem do homem: «Esta ‘cultura do descarte’ tornou-nos insensíveis também ao esbanjamento e ao desaproveitamento de alimentos. Outrora, os nossos avós prestavam muita atenção a não perder nada da comida que sobejava. A comida que se desaproveita é como se fosse roubada da mesa do pobre, de quantos têm fome!».
 
Jesus diz-nos que sejamos sempre portadores de paz. Quando os sacerdotes levam a Comunhão a um enfermo dizem: «A paz do Senhor esteja nesta casa!». E a paz de Cristo permanece aí, se houver pessoas dignas dela. Para receber os dons do reino de Deus é necessário ter boa disposição interior. Por outro lado, também vemos como muita gente dá desculpas para não receber o Evangelho.
 
Temos uma grande responsabilidade entre os homens: é que, depois de crer, não podemos deixar de anunciar o Evangelho, porque vivemos dele e queremos que outros também vivam.
 
«Não leveis nem ouro, nem prata (...) para o caminho»
 
Rev. D. David COMPTE i Verdaguer (Manlleu, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, até o imprevisível queremos prever. Hoje, se multiplicam os serviços em domicílio. E se hoje falamos tanto de paz, talvez seja porque temos muita necessidade dela. Hoje, o Evangelho nos fala exatamente desses vários “hoje”. Mas vamos por partes.
 
Queremos prever até o imprevisível: em breve estaremos fazendo um seguro para o caso do nosso seguro falhar. Ou então quando comprarmos uma calça o vendedor nos vai oferecer um modelo com manchas ou com o desbotado já incluído! O Evangelho de hoje, com a sua proposta de irmos sem bagagem («Não leveis nem ouro nem prata...»), nos convida à confiança e à disponibilidade. Mas nos alerta: isto não significa um descuido nem tampouco improviso. Viver esta realidade só é possível quando nossa vida está enraizada no fundamental: na pessoa de Cristo. Como dizia o Papa João Paulo II, «é necessário respeitar um princípio essencial da visão cristã de vida: a primazia da graça (...). Não se há de esquecer que, sem Cristo, nada podemos fazer» (cf. Jo 15,5).
 
Também afirmamos que hoje proliferam os serviços em domicílio: não cozinhamos mais em casa, agora o arroz com feijão é feito para você, na sua casa, por outros. Isto é um exemplo de como a sociedade pretende se organizar prescindindo dos outros. Hoje Jesus nos diz: «Ide»; saí. Isto quer dizer, preocupe-se com quem está ao seu lado. Estejamos, portanto atentos e abertos para as necessidades dos mais próximos.
 
Férias! Uma paisagem tranquila... Serão sinônimos de paz? Talvez devêssemos duvidar disto. Às vezes é um descanso para as angústias interiores, que mais adiante voltarão a despertar. Nós cristãos sabemos que somos portadores de paz, e mais ainda, que esta paz impregna todo nosso ser —mesmo quando à nossa volta o ambiente seja hostil— na medida em que seguirmos de perto a Jesus.
 
Deixemos que Jesus nos toque, pela força do Cristo de Hoje! E..., «quem encontrou verdadeiramente a Cristo não deve guardá-Lo só para si, deve anunciá-Lo» (João Paulo II).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Os milagres visíveis brilham para atrair os corações daqueles que os admiram pela fé nas coisas invisíveis, muito mais admiráveis» (São Gregório Magno)
 
«Os santos são os que mais podem nos ajudar a compreender o sentido profundo das Bem-aventuranças» (Francisco)
 
«(…) É impossível alguém apropriar-se dos bens espirituais e comportar-se a respeito deles como proprietário ou dono, pois eles têm a sua fonte em Deus, e só d'Ele se podem receber gratuitamente» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.121)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz a segunda parte do envio dos discípulos.
Ontem vimos a insistência de Jesus em dirigir-se primeiro para as ovelhas perdidas de Israel. Hoje, veremos as instruções concretas de como realizar a missão.
 
* Mateus 10,7: O objetivo da missão: revelar a presença do Reino. “Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. O objetivo principal é anunciar a proximidade do Reino. Aqui está a novidade trazida por Jesus. Para os outros judeus ainda faltava muito para o Reino poder chegar. Só chegaria, depois que eles tivessem realizado a sua parte. A chegada do Reino dependia do esforço deles. Para os fariseus, por exemplo, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita. Para os Essênios, quando o país fosse purificado. Jesus pensa diferente. Ele tem outra maneira de ler os fatos. Ele diz que o prazo já se esgotou (Mc 1,15). Quando ele diz que o Reino está próximo ou que o Reino chegou, Jesus não quer dizer que o Reino estava chegando só naquele momento, mas sim que já estava aí, independentemente do esforço feito pelo povo. Aquilo que todos esperavam, já estava presente no meio do povo, gratuitamente, mas o povo não o sabia, nem o percebia (cf. Lc 17,21). Jesus o percebeu! Pois ele lia a realidade com um olhar diferente. E é esta presença escondida do Reino no meio do povo, que ele vai revelar e anunciar aos pobres da sua terra (Lc 4,18). Esta é a semente de mostarda que vai receber a chuva da sua palavra e o calor do seu amor. 
 
* Mateus 10,8: Os sinais da presença do Reino: acolher os excluídos. Como anunciar a presença do Reino? Só por meio de palavras e discursos? Não! Os sinais da presença do Reino são antes de tudo gestos concretos, realizados de graça: “Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem também de graça”. Isto significa que os discípulos devem acolher para dentro da comunidade os que dela foram excluídos. Esta prática solidária critica tanto a religião como a sociedade excludente, e aponta saídas concretas.
 
* Mateus 10,9-10: Não levar nada no caminho. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus não podem levar nada: “Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento”. Isto significa que devem confiar na hospitalidade do povo. Pois o discípulo que vai sem nada levando apenas a paz (Mc 10,13), mostra que confia no povo. Acredita que vai ser acolhido, que vai poder participar da vida e do trabalho do povo do lugar e que vai poder sobreviver com aquilo que receberá em troca, pois o operário direito ao seu alimento. Isto significa que os discípulos devem confiar na partilha Por meio desta prática eles criticam as leis de exclusão e resgatam os antigos valores da convivência comunitária.
 
* Mateus 10,11-13: Partilhar a paz na comunidade. Os discípulos não devem andar de casa em casa, mas devem procurar uma pessoa de Paz e permanecer nesta casa. Isto é, devem conviver de maneira estável. Assim, por meio desta nova prática, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano, e anunciam um novo modelo de convivência. Caso todas estas exigências forem preenchidas, os discípulos podem gritar: O Reino chegou! Anunciar o Reino não consiste, em primeiro lugar, em ensinar verdades e doutrinas, mas sim em provocar a uma nova maneira fraterna de viver e de conviver a partir da Boa Nova que Jesus nos trouxe de que Deus é Pai e Mãe de todos e de todas.
 
* Mateus 10,14-15: A severidade da ameaça. Como entender esta ameaça tão severa? É que Jesus não veio trazer uma coisa totalmente nova. Ele veio resgatar os valores comunitários do passado: a hospitalidade, a partilha, a comunhão de mesa, a acolhida aos excluídos. Isto explica a severidade contra os que recusam a mensagem. Pois eles não recusam algo novo, mas sim o seu próprio passado, a sua própria cultura e sabedoria! A pedagogia de Jesus tem por objetivo desenterrar a memória, resgatar a sabedoria do povo, reconstruir a comunidade, renovar a Aliança, refazer a vida.
 
Para um confronto pessoal
1) Como realizar hoje a recomendação de não levar nada no caminho quando se vai em missão?
2) Jesus manda procurar uma pessoa de paz, para poder viver na casa dela. Quais seria hoje uma pessoa de paz a quem nos dirigir no anúncio da Boa Nova?

2º dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
NA ORDEM DA VIRGEM


2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
 
Dirigente: Vimos ontem que João foi acolhido numa escola para crianças pobres. Certo homem rico e conceituado percebeu as qualidades de João, e deu-lhe possibilidades de estudar humanidades na escola dos jesuítas entre 1559 e1563; ao mesmo tempo que o empregou no hospital de Medina. Dez anos foi o tempo que o jovem João de Yepes passou a tratar de doentes, vítimas de doenças incuráveis, sobretudo a sífilis que era terrivelmente mortal. Na sua juventude, algumas Ordens Religiosas queriam que João ingressasse em alguma delas. Até mesmo o seu benfeitor queria que ele fosse capelão do hospital, depois de ordenado sacerdote. Em 1563, aos 21 anos de idade, sem dizer nada a ninguém, João dirigiu-se ao Convento dos Carmelitas, onde tomou o hábito e onde nesse dia recebeu o nome de Frei João de São Matias. Fez os seus votos em 1564. Para João, a escolha da Ordem do Carmo era plenamente justificada: tendo João de Yepes tanto amor à  Nossa Senhora, que o livrara de alguns perigos na sua infância, escolheu a Ordem de Maria para servi-la e assim agradecer-lhe. Escolhe o Carmelo por ser uma Ordem Mariana. Neste segundo dia de novena, escutemos o testemunho daqueles que escreveram sobre esse momento da vida do santo.
 
Leitor: “Declara o seu primeiro biógrafo, Carmelita da Observância, de Medina del Campo, José de Velasco: ‘João da Cruz sempre foi muito devoto de Nossa Senhora e, movido no coração por essa devoção, tomou o hábito da Ordem de Nossa Senhora, a Virgem Maria do Monte Carmelo... E sempre lhe foi muito agradecido  por ter recebido o hábito em sua santa ordem religiosa, na qual sempre se mostrou muito seu devoto e deu muitas demonstrações do quanto a amava.’ Isso mesmo foi confirmado também pelo carmelita da Antiga Observância Jerônimo de Olmos, contemporâneo do Santo: ‘Frei João tomou o hábito de frade carmelita e foi muito devoto da Virgem Nossa Senhora, pois a escolheu como mãee padroeira e entrou em sua ordem religiosa’.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p. 21)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Mt 12, 46-50
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA:
Dirigente: João de Yepes escolhe consagrar-se a Deus na Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Atraído pelo amor à Virgem Santíssima, é levado à Ordem que leva o seu nome, almejando levar uma vida santa inspirada no seu exemplo. A Ordem do Carmo tem suas raízes no século XII, na época das cruzadas, quando um grupo de eremitas cristãos se estabeleceu no Monte Carmelo, na Terra Santa, inspirados nos exemplos do profeta Elias e da Virgem Maria. Ali buscavam viver numa vida de oração, penitência, silêncio, trabalho e fidelidade radical a Deus. Esses primeiros eremitas formaram uma comunidade que, por volta de 1207, recebeu uma regra de vida aprovada por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Por causa da instabilidade política da região, os Carmelitas deixaram o Monte Carmelo e se dispersaram pela Europa e depois nos outros continentes, tendo que passar por várias reformas. No Brasil, chegaram em 1580, em Olinda/ PE. O Carisma Carmelitano continua a atrair homens e mulheres que desejam participar desta família, seja pela recepção do hábito carmelita ou simplesmente através do escapulário, sinal que agrega tantos batizados a esta santa Ordem. Não basta, porém, o uso de um sinal externo, é preciso desenvolver uma vida devotada à Virgem, que demonstre o amor a ela, sobretudo pela imitação de suas virtudes. Não se pode resumir a devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo à invocação do seu nome nas necessidades e à celebração de suas festas, com seus belos andores e procissões.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) João de Yepes sentiu-se atraído pela Ordem do Carmo por causa da devoção à Virgem Maria. Quando, na minha história, conheci a devoção a Nossa Senhora do Carmo? Conheço algo mais da Ordem dos Carmelitas, além da devoção a Maria e do uso do Escapulário?
3) É membro da família de Cristo “quem faz a vontade do meu Pai”, assim como fez Maria. A minha devoção a Nossa Senhora do Carmo me leva a viver esta verdade?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quarta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (Os 10,1-3. 7-8. 12):
Israel era uma vinha exuberante, que produzia os seus frutos. Quanto mais abundantes eram os frutos, mais aumentavam os altares. Quanto mais rica se tornava a sua terra, mais belos eram os monumentos pagãos. O coração de Israel está dividido, mas agora eles têm de pagar: o próprio Senhor derrubará os seus altares, destruirá os seus monumentos pagãos. Então eles vão dizer: «Não temos rei, porque não tememos o Senhor; e ainda que o tivéssemos, que poderia o rei fazer por nós?». Samaria desaparece com o seu rei, como uma palha à tona da água. Serão destruídos os lugares altos da idolatria, que eram o pecado de Israel; espinheiros e cardos crescerão sobre os seus altares. E gritarão às montanhas: «Cobri-nos!» e às colinas: «Caí sobre nós!». Semeai segundo a justiça e colhereis o fruto da misericórdia; arroteai novas terras, porque já é tempo de procurar o Senhor, até que Ele venha derramar sobre vós a chuva da justiça –.
 
Salmo Responsorial: 104
R. Procurai sempre a face do Senhor.
 
Cantai salmos e hinos ao Senhor, proclamai todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu santo nome, exulte o coração dos que procuram o Senhor.
 
Considerai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face. Recordai as maravilhas que Ele operou, os prodígios e os oráculos da sua boca.
 
Descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacob, seu eleito, Ele é o Senhor, o nosso Deus, e as suas sentenças são lei em toda a terra.
 
Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,1-7): Naquele tempo, chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo».
 
«Ide e proclamai: O Reino dos Céus está próximo»
 
Rev. D. Fernando PERALES i Madueño (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos mostra Jesus enviando os seus discípulos em missão: «Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações» (Mt 10,5). Os doze discípulos formaram então o Colégio Apostólico, que significa missionário; a Igreja, que em sua peregrinação terrena, é uma comunidade missionária, pois tem a sua origem no cumprimento da missão do Filho e do Espírito Santo segundo os desígnios de Deus Pai. Do mesmo modo que Pedro e os demais apóstolos constituem um só Colégio Apostólico por instituição do Senhor, assim o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, formam um todo sobre o qual recai o dever de anunciar o Evangelho por toda a terra.
 
Entre os discípulos enviados em missão, encontramos aqueles aos quais Cristo conferiu um lugar destacado e uma maior responsabilidade, como Pedro; e a outros como Tadeu, do qual quase não temos notícias; afinal, os Evangelhos foram escritos para nos comunicar a Boa Nova e não para satisfazer nossa curiosidade. Nós, por nossa parte, devemos rezar por todos os bispos, pelos importantes e pelos menos conhecidos, e viver em comunhão com eles: «Segui a todos os bispos, como Jesus Cristo seguiu ao Pai, e ao Colégio dos Anciãos como aos Apóstolos» (Santo Inácio de Antioquia). Jesus não buscou pessoas instruídas, mas simplesmente as disponíveis e capazes de segui-lo até o fim. Isto me ensina que eu, como cristão, também devo sentir-me responsável por uma parte da obra de salvação de Jesus. Afasto o mal? Ajudo meus irmãos?
 
Como a obra está em seu começo, Jesus logo estabelece uns limites: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,5-6). Hoje há de se fazer tudo o que se possa, com a certeza de que Deus chamará a todos os pagãos e samaritanos em outra fase do trabalho missionário.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O vosso batismo deve permanecer como a vossa armadura, a fé como um capacete, a caridade como uma lança, a paciência como um arsenal de todas as armas» (Santo Inácio de Antioquia)
 
«Também nós somos enviados como mensageiros e testemunhas da paz. Quanto o mundo precisa de nós como mensageiros da paz!» (Francisco)
 
«Os discípulos de Cristo devem conformar-se com Ele até que Ele Se forme neles (331), (…): configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 562)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No capítulo 10 do Evangelho de Mateus começa o segundo grande discurso, o Sermão da Missão.
Mateus organizou o seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus ou como um novo “pentateuco” com seus cinco livros. Por isso, o seu evangelho traz cinco grandes discursos ou ensinamentos de Jesus, seguidos por partes narrativas, nas quais ele descreve como Jesus praticava o que tinha ensinado nos discursos. Eis o esquema:
Introdução: nascimento e preparação do Messias (Mt 1 a 4)
1. Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7)
Narrativa Mt 8 e 9
2. Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10)
Narrativa Mt 11 e 12
3. Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13)
Narrativa Mt 14 a 17
4. Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18)
Narrativa 19 a 23
5. Sermão da vinda futura do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25)
Conclusão: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).
 
*  O evangelho de hoje traz o início do Sermão da Missão, no qual se acentuam três assuntos: (1) o chamado dos discípulos (Mt 10,1); (2) a lista dos nomes dos doze apóstolos que vão ser os destinatários do sermão da missão (Mt 10,2-4); (3) o envio dos doze (Mt 10,5-7).
 
* Mateus 10,1: O chamado dos doze discípulos. Mateus já tinha falado do chamado dos discípulos (Mt 4,18-22; 9,9). Aqui, no começo do Sermão da Missão, ele traz um resumo: “Então Jesus chamou seus discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos maus, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade”. A tarefa ou missão do discípulo é seguir Jesus, o Mestre, formando comunidade com ele e realizando a mesma missão de Jesus: expulsar os espíritos maus, curar qualquer tipo de doença e enfermidade. No evangelho de Marcos, eles recebem a mesma dupla missão, formulada com outras palavras: Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3,14-15). 1) Estar com ele, isto é, formar comunidade, na qual Jesus é o eixo. 2) Pregar e ter poder para expulsar demônio, isto é, anunciar a Boa Nova e combater o poder do mal que estraga a vida do povo e aliena as pessoas. Lucas diz que Jesus rezou a noite toda e, no dia seguinte, chamou os discípulos. Rezou a Deus para saber a quem escolher (Lc 6,12-13).
 
* Mateus 10,2-4: A lista dos nomes dos doze apóstolos. Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Por exemplo, Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também tinha o nome de Levi (Mc 2,14), que é outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete têm nome que vem do tempo dos patriarcas. Dois se chamam Simão; dois, Tiago; dois, Judas; um, Levi! Só tem um com nome grego: Filipe. Isto revela o desejo do povo de refazer a história desde o começo! Seria como hoje numa família bem brasileira, na qual todos os filhos têm nomes do tempo dos índios Raoni, Ubiratan, Jussara, etc, e só têm nome americano Washington. Vale a pena pensar nos nomes que hoje damos para os filhos. Como eles, cada um de nós é chamado por Deus pelo nome.
 
* Mateus 10,5-7: O envio ou missão dos doze apóstolos para as ovelhas perdidas de Israel. Depois de ter enumerado os nomes dos doze, Jesus os envia com estas recomendações: "Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. Nesta única frase há uma tripla insistência em mostrar que a preferência da missão é para com a casa de Israel: (1) Não tomar o caminho dos pagãos, (2) não entrar nas cidades samaritanas, (3) ir primeiro para as ovelhas perdidas de Israel. Aqui transparece uma resposta à dúvida dos primeiros cristãos em torno da abertura para os pagãos. Paulo, que afirmava com tanta firmeza a abertura para os pagãos, concorda em dizer que a Boa Nova trazida por Jesus devia ser anunciada primeiro aos judeus e, depois, aos pagãos (Rom 9,1 a 11,36; cf. At 1,8; 11,3; 13,46; 15,1.5.23-29). Mais adiante, no mesmo evangelho de Mateus, na conversa de Jesus com a mulher cananeia, acontecerá a abertura para os pagãos (Mt 15,21-29).
 
* O envio dos apóstolos para todos os povos. Depois da ressurreição de Jesus, há vários episódios do envio dos apóstolos não só para os judeus, mas para todos os povos. Em Mateus: “Ide e fazei que todas as nações se tornem  discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estarei com convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). Em Marcos: “Ide por todo mundo, proclamai a Boa Nova a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 15-16). Em Lucas: "Assim está escrito: O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. E vocês são testemunhas disso. (Lc 24,46-48; At 1,8) João resume tudo nesta frase: “Como Pai me enviou, eu envio vocês!” (Jo 20,21) :
 
Para um confronto pessoal
1. Você já pensou no significado do seu nome? Já perguntou a seus pais por que motivo lhe deram o nome que você tem? Você gosta do seu nome?
2. Jesus chama os discípulos. O seu chamado tem uma dupla finalidade: formar comunidade e ir em missão. Como vivo esta dupla finalidade na minha vida?

1 º DIA da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
SALVO DAS ÁGUAS POR MARIA


2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ:
 
Dirigente: João de Yepes, que mais tarde se chamará João da Cruz, nasceu em Fontiveros, perto de Ávila, Espanha, em1542. Seus pais eram católicos. Seu pai, Gonçalo de Yepes, sendo de nobre família, a tudo renunciou, inclusive foi deserdado, para casar-se com Catarina Álvares, uma pobre órfã, assumindo a profissão de sua esposa, que era tecelã. O casal teve três filhos: Luís, João e Francisco. João de Yepes nasceu num lar pobre, mas de muito amor. A sua pobreza depressa se transformou em miséria com a morte do pai, em 1545. Dois anos depois morreu o irmão mais velho, Luís, possivelmente por má nutrição. A partir de então, Catarina, peregrinando de terra em terra, acabou por se fixar em Medina del Campo, onde encontrou trabalho e colocou João numa escola para crianças pobres. Lá ele recebeu uma educação básica, principalmente a doutrina cristã, além de alguma comida, roupas e um lugar para viver; ali também foi escolhido para servir como coroinha num mosteiro vizinho de freiras agostinianas. Neste primeiro dia de novena, escutemos um dos relatos da infância deste santo, em que é salvo das águas pela intercessão de Nossa Senhora:
 
Leitor: “O padre frei Luís de Santo Ângelo estando na cidade de Granada na companhia do santo frei João da Cruz, escutou-o contar que, quando era menino, brincando com outras crianças junto a uma lagoa profunda, caiu dentro dela. E estando em grande perigo de se afogar, por haver muita água e lama, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e lhe pedia a mão para tirá-lo dali. E o santo Padre contava isso dizendo: ‘Vejam minha tolice e simplicidade: ela me pedia a mão, e como eu a tinha cheia de lama, não queria dá-la para não sujar a dela, que era tão bela e formosa. Enquanto eu estava nesse dilema, chegou ali um lavrador; ao ver-me em tão grande perigo e sem conseguir sair, estendeu-me uma vara comprida que trazia na mão, e eu me agarrei a ela, e assim saí da lagoa’.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p.17)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Lc 1, 39-45
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA:
 
Dirigente: Essa experiência da presença de Maria, que salva o menino João de um afogamento, tem algo profundo a nos ensinar. Somos chamados a recordar a maternidade de Maria: ela é Mãe da Igreja, Mãe de todos os cristãos; e, como tal, cuida amorosamente dos seus filhos e filhas para que, conservando a graça batismal e crescendo na santidade, sejam salvos das águas do mal e do pecado que querem afogá-los. Ela, a Imaculada Conceição, toda bela, toda pura, não tem receio de se aproximar da humanidade, manchada
pelo pecado, para ajudá-la, socorrê-la, levá-la ao seu Filho, nosso Senhor e Salvador, que veio para nos libertar de nossos pecados. Por outro lado, já que Maria é membro da Igreja e figura dela, vemos, na atitude do menino João, que não quer sujar a toda bela e formosa, o compromisso e o zelo de cada filho e filha de Deus em não manchar a Igreja com o mal exemplo, o contratestemunho, o pecado, e em honrar a Mãe de Deus com uma vida santa.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) Tenho alguma recordação significativa da presença de Nossa Senhora em minha infância, ou noutro período de minha vida, seja através de orações, cantos, procissões, imagens, graças alcançadas, etc?
3) “Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” A mãe do Senhor visitou João da Cruz e também nos visita, comunicando a salvação, que é seu Filho. Acolho a sua visita e o dom que ela traz?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!
 
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


domingo, 5 de julho de 2026

Terça-feira da 14ª semana do Tempo Comum

São Marcos Ji Tianxiang, leigo e mártir
 
1ª Leitura (Os 8,4-7.11.13):
Eis o que diz o Senhor: «Os filhos de Israel nomearam reis sem o meu consentimento, escolheram chefes sem Me terem consultado. Com a prata e o ouro que possuíam, fabricaram ídolos para sua perdição. – Considero abominável, ó Samaria, o bezerro que adoras! – Contra eles se inflamou a minha ira: até quando serão incapazes de se purificarem? Aquele ídolo provém de Israel; foi um artífice que o fez, ele não é Deus! Mas o bezerro de Samaria será feito em pedaços: já que semeiam ventos, colhem tempestades. Caule sem espiga não produz farinha; e ainda que a produzisse, os estrangeiros a comeriam. Efraim levantou muitos altares, mas só lhe serviram para pecar ainda mais. Se Eu lhe puser por escrito mil preceitos da minha lei, serão considerados como obra de um estranho. Eles oferecem sacrifícios e comem a carne imolada, mas o Senhor não os aceitará. O Senhor recordará o seu pecado e castigará as suas faltas e eles terão de voltar para o Egipto».
 
Salmo Responsorial: 113
R. A casa de Israel confia no Senhor.
 
O nosso Deus está no céu, faz tudo o que Lhe apraz. Os ídolos dos gentios são ouro e prata, são obra das mãos do homem.
 
Têm boca e não falam, têm olhos e não veem. Têm ouvidos e não ouvem, têm nariz mas sem olfato.
 
Têm mãos e não palpam, têm pés e não andam. Serão como eles os que os fazem e quantos neles põem a sua confiança.
 
A casa de Israel confia no Senhor, Ele é o seu auxílio e o seu escudo. A casa de Aarão confia no Senhor, Ele é o seu auxílio e o seu escudo.
 
Aleluia. Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,32-38): Naquele tempo as pessoas trouxeram a Jesus um possesso mudo. Expulso o demônio, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: «Nunca se viu coisa igual em Israel». Os fariseus, porém, diziam: «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios». Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: «A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!».
 
«Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!»
 
Rev. D. Joan SOLÀ i Triadúm (Girona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos fala da cura de um endemoninhado mudo, que provoca diferentes reações nos fariseus e na multidão. Enquanto os fariseus, ante a evidência de um prodígio inegável, atribuem isso a poderes demoníacos - «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios» (Mt 9,34), a multidão fica maravilhada: «Nunca se viu coisa igual em Israel» (Mt 9,33). São João Crisóstomo, comentando essa passagem, diz: «O que verdadeiramente incomodava aos fariseus era que consideravam Jesus superior a todos, não somente aos que existiam então, mas a todos os que haviam existido anteriormente».
 
Jesus não se abala ante a aversão dos fariseus, Ele continua fiel à sua missão. Na verdade, Jesus, ante a evidência de que os guias de Israel, ao invés de guiar e instruir o rebanho, o estavam afastando do bom caminho, apiedou-se daquela multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Que as multidões desejam e agradeçam uma boa orientação ficou comprovado nas visitas pastorais do São João Paulo II a tantos países do mundo. Quantas multidões reunidas em volta dele! Como escutavam sua palavra, sobretudo os jovens! E o Papa não rebaixava o Evangelho, mas o pregava com todas as suas exigências.
 
Todos nós, «se fôssemos consequentes com a nossa fé - nos diz São Josemaria Escrivá - se olhássemos à nossa volta e contemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos senão deixar crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram os de Jesus Cristo», o que nos conduziria a uma generosa tarefa apostólica. Mas é evidente a desproporção que existe entre o grande número de pessoas que esperam a pregação da Boa Nova e a escassez de operários. A solução Jesus nos dá ao final do Evangelho: Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita! (cf. Mt 9,38).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Este Coração divino é um abismo de alegria no qual submergimos todas as nossas dores; É um abismo de humildade, um remédio para nossa vaidade» (Santa Margarida Mª de Alacoque)
 
«Jesus, pelo seu amor compassivo, curou os doentes que lhe foram apresentados e com alguns pães e peixes acalmou a fome de grandes multidões» (Francisco)
 
«Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças» (Mt 8, 17) (111)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.505)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz dois assuntos:
(1) a cura de um endemoninhado mudo (Mt 9,32-34) e (2) um resumo das atividades de Jesus (Mt 9,35-38). Estes dois episódios encerram a parte narrativa dos capítulos 8 e 9 do evangelho de Mateus na qual o evangelista procura mostrar como Jesus praticava os ensinamentos dados no Sermão da Montanha (Mt 5 a 7). No capítulo 10, cuja meditação começa no evangelho de amanhã, veremos o segundo grande discurso de Jesus: o Sermão da Missão (Mt 10,1-42).
 
* Mateus 9,32-33a: A cura de um mudo. Num único versículo, Mateus descreve como trouxeram um endemoninhado mudo até Jesus, como Jesus expulsou o demônio e como o mudo começou a falar de novo. O que impressiona na atitude de Jesus, aqui e em todos os quatro evangelhos, é o cuidado e o carinho com as pessoas doentes. As doenças eram muitas, e a previdência social, inexistente. As doenças não eram só as deficiências corporais: mudez, surdez, paralisia, lepra, cegueira e tantos outros males. No fundo, estas doenças eram apenas a manifestação de um mal muito mais amplo e mais profundo que arruinava a saúde do povo, a saber, o total abandono e o estado deprimente e desumano em que ele era obrigado a viver. As atividades e as curas de Jesus se dirigiam não só contra as deficiências corporais, mas também e sobretudo contra esse mal maior do abandono material e espiritual em que o povo era condenado a passar os poucos anos da sua vida. Pois, além da exploração econômica que roubava a metade do orçamento familiar, a religião oficial da época, em vez de ajudar o povo a encontrar em Deus uma força para resistir e ter esperança, ensinava que as doenças eram castigo de Deus pelo pecado. Aumentava nele o sentimento de exclusão e de condenação. Jesus fazia o contrário. O acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos faziam parte do esforço mais amplo para refazer o relacionamento humano entre as pessoas e restabelecer a convivência comunitária e fraterna nos povoados e aldeias da Galileia, sua terra.
 
* Mateus 9,33b-34: A dupla interpretação da cura do mudo. Diante da cura do endemoninhado mudo, a reação do povo é de admiração e de gratidão: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!” A reação dos fariseus é de desconfiança e de malícia: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios!” Não podendo negar os fatos que provocam a admiração do povo, a única maneira que os fariseus encontravam para neutralizar a influência de Jesus junto ao povo era atribuir a expulsão ao poder maligno. Marcos traz uma longa argumentação de Jesus para mostrar a malícia e a falta de coerência da interpretação dos fariseus (Mc 3,22-27). Mateus não traz nenhuma resposta de Jesus à interpretação dos fariseus, pois quando a malícia é evidente, a verdade brilha por si mesma.
 
* Mateus 9,35:  Incansável, Jesus percorre os povoados É bonita a descrição da atividade incansável de Jesus, na qual transparece a dupla preocupação a que aludimos: o acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos: “Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade”. Nos capítulos anteriores, Mateus já tinha aludido várias vezes a esta atividade ambulante de Jesus pelos povoados Galileia (Mt 4,23-24; 8,16).
 
* Mateus 9,36:  A compaixão de Jesus. “Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”. Os que deviam ser os pastores não eram pastores, não cuidavam do rebanho. Jesus procura ser o pastor (Jo 10,11-14). Mateus vê aqui a realização da profecia do Servo de Javé que “levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” (Mt 8,17 e Is 53,4). Como Jesus, a grande preocupação do Servo era “encontrar uma palavra de conforto para quem estava desanimado” (Is 50,4). A mesma compaixão para com o povo abandonado, Jesus a mostrou por ocasião da multiplicação dos pães: são como ovelhas sem pastor (Mt 15,32). O evangelho de Mateus tem uma preocupação constante em revelar aos judeus convertidas das comunidades da Galileia e da Síria que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas. Por isso, frequentemente, ele mostra como nas atividades de Jesus se realizam as profecias (cf. Mt 1,23; 2,5.15.17.23; 3,3; 4,14-16; etc).
 
* Mateus 9,37-38:  A messe é grande e os operários são poucos. Jesus transmite aos discípulos a preocupação e a compaixão que o animam por dentro: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita".
 
Para um confronto pessoal
1) Compaixão diante das multidões cansadas e famintas. Na história da humanidade, nunca houve tanta gente cansada e faminta como hoje. A TV divulga os fatos, mas não oferece resposta. Será que nós cristãos conseguimos ter em nós a mesma compaixão de Jesus e irradiá-la aos outros?
2) A bondade de Jesus para com os pobres incomodava os fariseus. Estes recorrem à malícia para desfazer e neutralizar o incômodo que Jesus causava. Existem muitas atitudes boas nas pessoas que me incomodam? Como eu as interpreto: com admiração agradecida como o povo ou com malícia como os fariseus?

sábado, 4 de julho de 2026

Segunda-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Santa Maria Goretti, virgem e mártir
 
1ª Leitura (Os 2,16.17b-18.21-22):
Eis o que diz o Senhor: «Hei-de atrair ao meu amor a casa de Israel, hei de conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração. Ali corresponderá como nos dias da sua juventude, quando saiu da terra do Egipto. Nesse dia, diz o Senhor, chamar-Me-ás ‘meu marido’ e não ‘meu baal’. Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor».
 
Salmo Responsorial: 144
R. O Senhor é clemente e cheio de compaixão.
 
Quero bendizer-Vos dia após dia e louvar o vosso nome para sempre. O Senhor é grande e digno de louvor, insondável é a sua grandeza.
 
Uma geração anuncia à outra as vossas obras e todas proclamam o vosso poder. Falam do esplendor da vossa majestade e anunciam as vossas maravilhas.
 
Cantam o poder das vossas obras e proclamam a vossa grandeza. Celebram a memória da vossa imensa bondade e aclamam a vossa justiça.
 
O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Aleluia. Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte e fez brilhar a vida por meio do Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,18-26): Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, prostrou-se diante dele e disse: «Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem impor a mão sobre ela, e viverá». Jesus levantou-se e o acompanhou, junto com os discípulos. Nisto, uma mulher que havia doze anos sofria de hemorragias veio por trás dele e tocou na franja de seu manto. Ela pensava consigo: «Se eu conseguir ao menos tocar no seu manto, ficarei curada». Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: «Coragem, filha! A tua fé te salvou». E a mulher ficou curada a partir daquele instante. Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão agitada, e disse: «Retirai-vos! A menina não morreu; ela dorme». Mas eles zombavam dele. Afastada a multidão, ele entrou, pegou a menina pela mão, e ela se levantou. E a notícia disso espalhou-se por toda aquela região.
 
«A tua fé te Salvou»
 
Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, a Liturgia da Palavra nos convida a admirar duas magníficas manifestações de fé. Tão magníficas que comoveram o coração de Jesus Cristo e provocaram imediatamente a sua resposta. O Senhor não se deixa vencer em generosidade!
 
«Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem impor a mão sobre ela, e viverá» (Mt 9,18). Quase poderíamos dizer que com uma fé consistente nós «obrigamos» a Deus. Ele gosta desta espécie de obrigação. O outro testemunho de fé do Evangelho de hoje também é impressionante: «Se eu conseguir ao menos tocar no seu manto, ficarei curada» (Mt 9,21).
 
Poderíamos afirmar que Deus se deixa «manipular» de bom grado pela nossa boa fé. O que Ele não admite é que O tentemos por desconfiança. Este foi o caso de Zacarias, que pediu uma prova ao arcanjo Gabriel: «Zacarias disse ao anjo: Como posso ter certeza disso?» (Lc 1,18). O Arcanjo não cedeu à desconfiança de Zacarias e respondeu: «Eu sou Gabriel, e estou sempre na presença de Deus (...). E agora, ficarás mudo, sem poder falar até o dia em que estas coisas acontecerem, já que não acreditaste nas minhas palavras, que se cumprirão no tempo certo» (Lc 1,19-20). E assim aconteceu.
 
É Ele mesmo quem deseja “obrigar-se” conosco e deixar-se “prender” por nossa fé: «Eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta» (Lc 11,9). Ele é nosso Pai, e não quer negar nada do que convém aos seus filhos.
 
Entretanto, é necessário que lhe manifestemos confiantemente os nossos pedidos. A confiança e a conaturalidade com Deus requerem intimidade: para confiar em alguém é preciso conhecê-lo, e para conhecê-lo é necessário conviver com ele. Assim, «a fé faz brotar a oração, e a oração - enquanto brota - alcança a firmeza da fé» (Santo Agostinho). Não nos esqueçamos do louvor que mereceu Santa Maria: «Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!» (Lc 1,45).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Embora estejamos deitados na cama dos nossos pecados e do nosso corpo, se Jesus nos tocar, ficaremos instantaneamente curados» (São Jerônimo)
 
«Jesus Cristo veio para vencer o mal pela raiz, e as curas são uma amostra da sua vitória, obtida com a sua morte e ressurreição» (Bento XVI)
 
«‘Curai os enfermos!’ (Mt 10, 8). A Igreja recebeu este encargo do Senhor e procura cumpri-lo, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes, como pela oração de intercessão com que os acompanha. Ela crê na presença vivificante de Cristo, médico das almas e dos corpos (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1509)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje nos leva a meditar dois milagres de Jesus em favor de duas mulheres.
O primeiro foi em favor de uma senhora, considerada impura por causa de uma hemorragia irregular que já durava doze anos. O outro, em favor de uma menina que acabava de falecer. Conforme a mentalidade daquela época, qualquer pessoa que tocasse em sangue ou em cadáver era considerada impura e quem tocasse nela também ficava impura. Sangue e morte eram fatores de exclusão! Por isso, aquelas duas mulheres eram pessoas marginalizadas, excluídas da participação na comunidade. Quem nelas tocasse também estaria impura, impedida de participar na comunidade, e já não poderia relacionar-se com Deus. Para poder ser readmitida na plena participação comunitária teria de fazer o rito de purificação, prescrito pelas normas da lei. Ora, curando através da fé a impureza daquela senhora, Jesus abriu um novo caminho para Deus que já não dependia dos ritos de purificação, controlados pelos sacerdotes. Ressuscitando a menina, venceu o poder da morte e abriu um novo horizonte para a vida.
 
* Mateus 9,18-19: A morte da menina. Enquanto Jesus ainda estava falando, um chefe do lugar vem interceder pela filha que acabava de morrer. Ele pede que Jesus venha e imponha a mão na menina, “e ela viverá”. O chefe crê que Jesus tem o poder de devolver a vida à filha. Sinal de muita fé em Jesus da parte do pai da menina. Jesus se levanta e vai com ele levando consigo os discípulos. Este é o ponto de partida para os dois episódios que seguem: a cura da mulher com doze anos de hemorragia e a ressurreição da menina. O evangelho de Marcos traz os mesmos dois episódios, mas com muitos detalhes: o chefe se chamava Jairo e era um dos chefes da sinagoga. A menina ainda não estava morta, e tinha doze anos, etc (Mc 5,21-43). Mateus abreviou a narração tão viva de Marcos.
 
* Mateus 9,20-21: A situação da mulher. Durante a caminhada para a casa do chefe, uma mulher que sofria doze anos de hemorragia irregular aproxima-se de Jesus em busca de cura. Doze anos de hemorragia! Por isso, ela vivia excluída, pois, como dissemos, naquele tempo o sangue tornava a pessoa impura. Marcos informa que a mulher tinha gastado toda a sua economia com os médicos e, em vez de ficar melhor, ficou pior (Mc 5,25-26). Ela tinha ouvido falar de Jesus (Mc 5,27). Por isso, nasceu nela uma nova esperança. Dizia consigo: “Se ao menos tocar na roupa dele, eu ficarei curada”. O catecismo da época mandava dizer: “Se eu tocar na roupa dele, ele ficará impuro”. A mulher pensava exatamente o contrário! Sinal de muita coragem. Sinal de que as mulheres não concordavam com tudo o que as autoridades religiosas ensinavam. O ensinamento dos fariseus e dos escribas não conseguia controlar o pensamento do povo! Graças a Deus! A mulher aproximou-se por de trás de Jesus, tocou na roupa dele, e ficou curada.
 
* Mateus 9,22. A palavra iluminadora de Jesus. Jesus voltando-se e vendo a mulher declara: “Coragem, minha filha, sua fé curou você!” Frase curta, mas que deixa transparecer três pontos muito importantes: (1) Dizendo “Minha filha”, Jesus acolhe a mulher na nova comunidade, que se formava ao seu redor. Ela já não é uma excluída. (2) Aquilo que ela esperava e acreditava aconteceu de fato. Ela ficou curada. Prova de que o catecismo das autoridades religiosas não estava correto e que em Jesus se abriu um novo caminho para as pessoas poderem obter a pureza exigida pela lei e entrar em contato com Deus. (3) Jesus reconhece que, sem a fé daquela senhora, ele não poderia ter feito o milagre. A cura não foi um rito mágico, mas um ato de fé.
 
* Mateus 9,23-24:  Na casa de chefe. Em seguida, Jesus vai para a casa do chefe. Ao ver o alvoroço dos que faziam luto pela morte da menina, mandou que todo mundo saísse. Dizia: “A criança não morreu. Está dormindo!”. O pessoal deu risada. O povo sabe distinguir quando uma pessoa está dormindo ou quando está morta. Para eles, a morte era uma barreira que ninguém poderia ultrapassar! É a risada de Abraão e de Sara, isto é, dos que não conseguem crer que para Deus nada é impossível (Gn 17,17; 18,12-14; Lc 1,37). As palavras de Jesus têm ainda um significado mais profundo. A situação das comunidades do tempo de Mateus parecia uma situação de morte. Elas também tinham que ouvir: “Não é morte! Vocês é que estão dormindo! Acordem!”

* Mateus 9,25-26:  A ressurreição da menina.. Jesus não deu importância à risada do povo. Ele esperou até que todos saíssem da casa. Aí ele entrou, tomou a criança pela mão e ela se levantou. Marcos conservou as palavras de Jesus: “Talita kúmi!”, o que quer dizer: Menina, levanta-te (Mc 5,41). A notícia espalhou-se por toda aquela região. Fez o povo acreditar que Jesus é o Senhor da vida que vence a morte.
 
Para um confronto pessoal
1. Hoje, quais as categorias de pessoas que se sentem excluídas da participação na comunidade cristã?  Quais os fatores que hoje causam a exclusão de tantas pessoas e lhes dificultam a vida tanto na família como na sociedade?
2. “A criança não morreu. Está dormindo!” “Não é morte! Vocês é que estão dormindo! Acordem!” Esta é a mensagem do evangelho de hoje. O que ela diz para mim? Sou daqueles que dão risada?

sexta-feira, 3 de julho de 2026

XIV Domingo do Tempo Comum

Santo Antônio Maria Zacarias, presbítero
 
1ª Leitura (Zac 9,9-10):
Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».
 
Salmo Responsorial: 144
R. Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.
 
Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei, e bendizer o vosso nome para sempre. Quero bendizer-Vos, dia após dia, e louvar o vosso nome para sempre.
 
O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas e bendigam-Vos os vossos fiéis. Proclamem a glória do vosso reino e anunciem os vossos feitos gloriosos.
 
O Senhor é fiel à sua palavra e perfeito em todas as suas obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos os oprimidos.
 
2ª Leitura (Rom 8,9.11-13): Irmãos: Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Assim, irmãos, não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
 
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 11,25-30): Naquela ocasião, Jesus pronunciou estas palavras: «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».
 
«Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso»
 
P. Antoni POU OSB Monge de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, Jesus mostra-nos duas realidades que o definem: Ele é quem conhece o Pai em toda a profundidade, e é «manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Também aí podemos descobrir duas atitudes necessárias para poder entender e viver o que Jesus nos oferece: a simplicidade e o desejo de nos aproximarmos d’Ele.
 
Entrar no mistério do Reino é difícil, muitas vezes, para os sábios e entendidos, porque não estão abertos à novidade da revelação divina; Deus não deixa de se manifestar, mas eles pensam que já sabem tudo e, portanto, Deus já não consegue surpreendê-los. Pelo contrário, os simples, como as crianças nos seus melhores momentos, são receptivos, são como uma esponja que absorve a água, têm capacidade de surpresa e de admiração. Também há excepções, até há homens doutos em ciências humanas que são humildes no que se refere ao conhecimento de Deus.
 
Jesus encontra o seu repouso no Pai, e a sua paz pode ser refúgio para todos os que foram maltratados pela vida: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso» (Mt 11,28). Jesus é humilde e a humildade é irmã da simplicidade. Quando aprendemos a ser felizes através da simplicidade, então desfazem-se muitas complicações, desaparecem muitas necessidades, e podemos enfim descansar. Jesus convida-nos a segui-Lo; não nos engana: estar com Ele é levar o seu jugo, assumir as exigências do amor. O sofrimento não nos será poupado, mas o seu fardo é leve, porque o nosso sofrimento não será causado pelo nosso egoísmo, mas apenas sofreremos o que seja necessário, por amor e com a ajuda do Espírito. Além disso, não esqueçamos que «as tribulações que se sofrem por Deus são suavizadas pela esperança» (Sto. Efrem).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Vamos realmente impor a nós próprios o trabalho de aprender a lição da santidade de Jesus, cujo coração era manso e humilde. A primeira lição desse coração é um exame de consciência; o resto – amor e serviço – segue-se imediatamente —amor e serviço— segue-se imediatamente» (Santa Teresa de Calcutá)
 
«Jesus faz-nos conhecer o Pai. E para quem Ele revela isto? Só quem tem coração de criança é capaz de receber esta revelação» (Francisco)
 
«O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde (…). [Jesus] identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor ativo para com eles a condição da entrada no seu Reino» (Catecismo da Igreja Católica, nº 544)
 
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.”
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
Após o “discurso da missão” (9,36-11,1), Mateus introduz uma secção narrativa, onde apresenta as reações e as atitudes que diversas pessoas e grupos têm perante Jesus e o Evangelho do Reino (11,2-12,50). É nesta secção que se insere o presente texto. Ele compõe-se de três “ditos” de Jesus: os dois primeiros (vv. 25-27) são comuns a Lucas (Lc 10,21-22) e o terceiro (vv. 28-30) é exclusivo de Mateus.
 
* v. 25. Jesus tomou a palavra e disse: «Louvo-te, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. O primeiro dito de Jesus é uma “confissão pública de louvor” (he. todah; gr. exomológesis; lat. confessio: Sl 95,2; 100,1.4; 136,26; Tb 12,6.22; 13,7; Sir 51,1) de Jesus a Deus. Jesus invoca-o como “Pai” (5x, aqui) e confessa ser o único (cf. v. 27: “tudo”) “Senhor do céu e da terra” (cf. 28,18; Js 2,11; 1Rs 8,23; 1Cr 29,11; Ne 9,6; Est 4,17c; Jon 1,9; Is 45,18; Jr 23,24).
 
* Jesus louva o Pai porque escondeu (gr. kryptô: “ocultou”) “estas coisas”, ou seja, “os mistérios do Reino dos céus” (13,11) – guardados desde toda a eternidade em Deus (cf. 10,26; 13,35; Rm 16,25; 1Cor 2,7; Ef 3,9; Cl 1,26s; 2,2s; 1Tm 3,16) e agora revelados por Ele aos homens –, “aos sábios e entendidos” (Is 29,14!), ou seja, aos fariseus, escribas e doutores da Lei, que se consideravam justos, conhecedores e cumpridores da Lei (“sábios”), que interpretam a Palavra de Deus à sua maneira, que confiavam nos seus méritos e se apresentavam a si mesmos como exemplo para os outros, quando, na realidade, não ajudavam, mas impediam as pessoas de chegar a Deus, sobrecarregando-as com as suas normas que não passavam de preceitos humanos (cf. 15,9; Is 29,13).
 
* “Mas as revelaste” (gr. apolalýpto: “des-cobrir”), por Tua graça. “Aos pequeninos” (gr. népios, criança dos 3-7 anos: 21,16), ou seja, aos simples, sem instrução (cf. Sr 51,23), aos que se arrependem, reconhecendo que são pecadores, necessitados de salvação (cf. v. 20; 3,9), e que, por isso, se abrem a Jesus e acolhem com alegria a sua Palavra (cf. 18,3; 19,14).
 
* v. 26. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. É nestes “pequeninos” que o Pai se “compraz” (cf. 18,10), pois é com eles que Jesus, seu Filho, se identifica (cf. 18,5; 25,40.45).
 
* v. 27. Tudo Me foi entregue por meu Pai; ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar. O segundo dito de Jesus relaciona-se com o anterior. É uma “fórmula de revelação” onde Jesus mostra o que é que foi escondido aos “sábios e entendidos” e revelado aos “pequeninos”: “o mistério” do Reino de Deus, ou seja, o desígnio salvífico de Deus, em Jesus Cristo (cf. Ef 1,9s).
 
* “Tudo” – a revelação definitiva de Deus, do seu desígnio salvífico, a redenção do homem e a obra de salvação – foi “entregue” pelo Pai a Jesus (cf. 28,18; Dn 7,14; Jo 3,35; 13,3), porque Ele é “o Filho”, a “expressão da sua substância” (Hb 1,3).
 
* Os “sábios e entendidos” pensavam que bastava esmiuçar a Lei, para conhecer Deus e fazer a sua vontade. Jesus diz que a vontade de Deus é que todos reconheçam Deus como Pai e O reconheçam a Ele como o seu Filho eterno (cf. Jo 17,3).
 
* “Conhecer” (gr. epiginôskô: “conhecer exatamente”; “reconhecer”) não significa apenas “conhecer”, ter a experiência pessoal, íntima, de Deus, numa vida em união com Ele, mas também “reconhecer”, “perceber” que Deus e Jesus têm uma relação única, exclusiva e divina entre si, em que Deus é “o Pai” de Jesus, e Jesus “o Filho” unigénito, o único que leva ao Pai e O dá a conhecer (Jo 1,18; 14,6) de forma plena e definitiva, pois só Ele, Deus feito homem (1,23), é a revelação do Pai.
 
* v. 28. Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos darei descanso. O terceiro dito (vv. 28-30), exclusivo de Mateus, é um convite, uma exortação sapiencial de Jesus a vir a Ele. No seu tríplice apelo – a) “vinde a Mim”, b) “tomai o meu jugo” e c) “aprendei de mim” –, Jesus aplica a si mesmo as palavras da sabedoria divina (Sr 24,14; 51,23.26s), apresentando-se implicitamente como a sabedoria de Deus encarnada (cf. 11,19; 12,42).
 
* Este convite dirige-se: a) a “todos”, não só aos judeus, mas também aos gentios; b) “que estão cansados” (lit. “exaustos”), buscando, com trabalho árduo, o que não sacia (cf. Is 55,2); c) “e oprimidos” pelo fardo da Lei – tornado insuportável pelos rabinos (cf. v. 30; 23,4) –, o “jugo da escravidão” que sobre eles pesava (cf. Gl 5,1; Sr 40,1; Hb 2,15).
 
* Ao convite, segue-se a promessa: “E Eu vos darei descanso”, ou seja, vos restaurarei (gr. anapaúô: v. 29), dando-vos o efetivo repouso sabático, regenerador (cf. Ex 23,12; Dt 5,14), do Espírito Santo (cf. Is 11,2), que vos libertará de todos os vossos inimigos (cf. 2 Sm 7,11; 1Cr 22,9), vos curará e salvará, saciando-vos com o meu manjar (cf. 26,26ss; Ez 34,14s; Sl 23), para que possais caminhar na presença de Deus (cf. Ex 33,14), segundo a minha Palavra (cf. Jr 6,16), gozando da verdadeira paz (cf. Is 32,18; Cl 1,19s; Ef 2,14-18).
 
* v. 29. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Os rabinos aplicavam a imagem do “jugo” à Lei de Deus, a suprema norma de vida (cf. Sir 51,26-27;6,24-30). Embora sustentassem que a Lei não era um “jugo” pesado, na realidade tinham feito dela um “jugo” pesadíssimo, pois ninguém conseguia cumprir todos os 613 mandamentos da Lei escrita e oral (cf. At 15,10; Rm 2,17-23). Sendo o jugo uma peça de madeira grossa, adaptada ao cachaço de dois animais, que serve para os apor ao carro ou ao arado, a imagem sugere um trabalho (cf. Jo 6,27ss), a ser feito pelo discípulo em conjunto com Jesus neste caso, o de pôr em prática a Sua palavra, o Evangelho.
 
* Quem toma o jugo de Jesus, é libertado por Ele da escravidão da Lei, para O seguir, como seu único Mestre e Guia (23,9.11), dele aprendendo a viver segundo o Evangelho. A este, Jesus convida-o a entrar na sua escola, para dele aprender a ser um verdadeiro discípulo seu, sendo manso e humilde como Ele, que o é, bem mais do que Moisés (Nm 12,3!).
 
* “Manso” (Mt, 3x: 5,5; 21,5) é aquele que é dócil na sua relação com o próximo (cf. 1Pd 3,4s) e que, mesmo quando é insultado ou privado dos seus direitos, não replica, nem alimenta sentimentos de ódio ou de vingança. Jesus é o “Servo de Iavé” que não levanta a voz (12,18-21; Is 42,2) e que, como “manso cordeiro” que não abre a boca, será conduzido ao matadouro (cf. Jr 11,19; Is 53,1-12), levando a cabo, sem desanimar, nem desfalecer, a sua missão de libertar o homem da escravidão do pecado (cf. Ez 34,27), até que a sua salvação chegue aos confins da terra (cf. Is 42,4).
 
* “Humilde” é o “pobre em espírito” (5,3) que, cônscio da sua fraqueza e impotência, não ambiciona o que é alto (cf. Rm 12,16), mas aceita a realidade, a sua condição de criatura (cf. Tg 1,9), assumindo a sua dependência de Deus, reconhecendo que Deus é tudo e que tudo o que ele é, pode e tem é dom de Deus, aspirando apenas a fazer o que Lhe é agradável (cf. Sf 2,3; 3,12; 1 Pd 5,5), apoiado na Sua graça (cf. 2Cor 12,9s).
 
* Jesus é “manso e humilde de coração”, no seu íntimo, diante de Deus, a partir da raiz do seu ser. Porém, só o reconhecem, dele aprendem e nele “encontram descanso” (v. 28), os “pequeninos” (v. 25) que acolhem a revelação do Pai (cf. 16,17).
 
* v. 30. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve». Para estes, torna-se suave o jugo, e leve, agradável, o fardo que Jesus impõe aos seus seguidores (cf. 1Jo 5,3), ou seja, o Espírito Santo, que não sobrecarrega, mas antes cura, liberta, renova e salva os que creem em Jesus, fazendo‑os caminhar numa vida nova (cf. Rm 7,6; 8,1-17; Gl 5,1. 18; 2Cor 3,17s), indo ao encontro de Jesus com fé viva, esperança firme e caridade ardente, na expectativa da plenitude final (cf. Rm 8,21).
 
MEDITAÇÃO
1. Como cheguei a Deus? Já experimentei o seu amor de Pai? Como ajudar os outros a fazer uma experiência íntima e profunda de Deus?
2. O Senhor está sempre presente nas nossas vidas. Entrego-me a Ele como meu único Senhor e Salvador?
3. Como me situo face ao amor do Pai e à sua proposta em Jesus? Fico fechado no meu comodismo e instalação, orgulho e autossuficiência, olhando para trás e para o que os outros fazem, ou estou aberto e atento à novidade de Jesus, a fim de perceber a sua vontade, imitar os seus gestos e seguir os seus caminhos?