quarta-feira, 8 de julho de 2026

Sexta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Santa Verônica Giuliáni, virgem
 
1ª Leitura (Os 14,2-10):
Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair. Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios. Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo, nem chamaremos ‘Nosso Deus’ à obra das nossas mãos, porque só em Vós o órfão encontra piedade”. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles. Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano. Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira e a sua fragrância como a do Líbano. Voltarão a sentar-se à minha sombra, farão reviver o trigo; florescerão como a vinha, criarão fama como o vinho do Líbano. Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Sou Eu que o atendo e olho por ele. Sou como o cipreste verdejante: graças a Mim darás muito fruto». Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá compreendê-las. Porque são retos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores.
 
Salmo Responsorial: 50
R. A minha boca proclamará o vosso louvor.
 
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas.
 
Amais a sinceridade de coração e fazeis-me conhecer a sabedoria no íntimo da alma. Aspergi-me com o hissope e ficarei puro, lavai-me e ficarei mais branco do que a neve.
 
Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.
 
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor.
 
Aleluia. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos ensinará toda a verdade e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,16-23): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem».
 
«Sereis odiados por todos, por causa do meu nome»
 
P. Josep LAPLANA OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho remarca as dificuldades e as contradições que o cristão haverá de sofrer por causa de Cristo e do seu Evangelho e como deverá resistir e perseverar até o final. Jesus nos prometeu: «Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos» (Mt 28,20); mas não prometeu, aos seus, um caminho fácil, antes pelo contrário, lhes disse: «Sereis odiados por todos, por causa do meu nome» (Mt 10,22).
 
A Igreja e o mundo são duas realidades de ”difícil” convivência. O mundo, que a Igreja há de converter a Jesus Cristo, não é uma realidade neutra, como se fosse uma cera virgem que só espera o selo que lhe dará forma. Isto só teria sido assim se não tivesse havido uma história de pecado entre a criação do homem e a sua redenção. O mundo, como estrutura afastada de Deus, obedece a outro senhor, que o Evangelho de São João denomina como o senhor deste mundo, o inimigo da alma, o que fez com que o cristão fizesse um juramento — no dia de seu batismo — de desobediência, de dizer não ao inimigo, para pertencer somente ao Senhor e à Mãe Igreja que ela engendrou em Jesus Cristo.
 
Mas o batizado continua vivendo neste mundo e não em outro, não renuncia à cidadania deste mundo nem lhe nega sua honesta contribuição para mantê-lo e melhorá-lo; os deveres de cidadania cívica são também deveres dos cristãos; pagar os impostos é um dever de justiça para o cristão. Jesus disse que nós, seus seguidores, estamos no mundo, mas não somos do mundo (cf. Jo 17,14-15). Não pertencemos ao mundo incondicionalmente, inteiramente, só pertencemos a Jesus Cristo e à sua Igreja, verdadeira pátria espiritual, que está aqui na terra e que transpassa a barreira do espaço e do tempo para desembarcar-nos na pátria definitiva que é o céu.
 
Esta dupla cidadania inevitavelmente se choca com as forças do pecado e do domínio que move os mecanismos mundanos. Repassando a história da Igreja, Newman dizia que «a perseguição é a marca da Igreja e talvez a mais duradoura de todas».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O atleta não ganha quando tira a roupa, porque deixa a roupa para começar a lutar. Ele só recebe a coroa de vencedor depois de ter lutado adequadamente» (São Paulino de Nola)
 
«Jesus nos diz: ‘Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos’. O cristão, antes, deverá de ser prudente, às vezes até astuto: essas são as virtudes aceites pela lógica evangélica. Mas nunca a violência» (Francisco)
 
«Podemos, portanto, aguardar a glória do céu prometida por Deus a àqueles que o amam e fazem a sua vontade. Em todas as circunstâncias, cada um deve esperar, com a graça de Deus, ‘permanecer firme até o fim’ (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1821)
 
Reflexão
 
• Olhando para sua futura missão, Jesus dá algumas orientações para a comunidade dos seus discípulos, chamados e reunidos em torno dele e investidos de sua mesma autoridade como colaboradores.
 
Mateus 10,16-19: o perigo e a confiança em Deus. Jesus introduz esta parte do seu discurso com duas metáforas: ovelhas entre lobos, ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas. A primeira mostra o contexto difícil e perigoso em que os discípulos são enviados. Por um lado, demonstra a situação de perigo em que se encontram os discípulos enviados em missão; por outro lado, a expressão "eu vos envio" expressa proteção. Também na esperteza das serpentes e a simplicidade das pombas parece que Jesus relaciona dois comportamentos: a confiança em Deus e a reflexão atenta e prolongada do modo de se relacionar com os outros.
Jesus continua depois uma ordem que, à primeira vista, parece ser marcada por uma acentuada desconfiança: "Cuidado com os homens ...", mas na realidade é estar alerta para uma possível perseguição, hostilidade e denúncias. A expressão "os entregarão" não se refere apenas à acusação no tribunal, mas principalmente tem um valor teológico: o discípulo que segue Jesus poderá ter a mesma experiência que o Mestre, “ser entregue nas mãos dos homens” (17,22). Os discípulos devem ser fortes e resistir "para dar testemunho", sua entrega aos tribunais será um testemunho para os judeus e para os pagãos, como a possibilidade de atraí-los para a pessoa e para a causa de Jesus e, portanto, ao conhecimento do evangelho. É importante este retorno positivo ao testemunho caracterizado pela fé que se faz crível e atraente.
 
Mateus 10,20: ajuda divina. Para que tudo isso seja realizado na missão-testemunho dos discípulos, é essencial a ajuda que vem de Deus. Ou seja, não devemos confiar nas próprias seguranças ou recursos, mas nas situações críticas, perigosas e agressivas de sua vida, os discípulos encontrarão em Deus ajuda e solidariedade. Aos discípulos também se prometeu o Espírito do Pai (v. 20) para realizar a sua missão. Ele vai trabalhar neles para realizar sua missão de evangelização e dar testemunho, o Espírito falará através deles.
 
Mateus 10, 21-22: ameaça-consolo. O tema da ameaça retorna de novo com o termo "entregará": irmão contra irmão, pai contra filho, filho contra seus pais. Trata-se de uma verdadeira e grande desordem das relações sociais, o esmagamento da família. As pessoas unidas pelos mais íntimos laços familiares - como pais, filhos, irmãos e irmãs - caem na desgraça de odiar-se e de se eliminar um ao outro. Em que sentido essa divisão da família tem algo a ver com o testemunho em favor de Jesus? Tal ruptura nas relações familiares poderia encontrar sua causa na diversidade de atitudes adotadas no seio da família em relação a Jesus. A expressão "sereis odiados", sugere o tema da acolhida hostil de seus enviados por parte dos contemporâneos. A dureza das palavras de Jesus são comparáveis a outro texto do NT: "Bem-aventurados sois se são insultados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de glória, que é o Espírito de Deus repousa sobre vós. Que nenhum de vós padeça como homicida, ladrão, malfeitor ou delator. Mas, se alguém sofre como cristão, não se envergonhe, mas sim dê glória a Deus por este nome." Ao anúncio da ameaça segue a promessa de consolação (v. 23). O maior consolo dos discípulos será "ser salvos", para viver a esperança do salvador, ou seja, participar na sua vitória.
 
Para um confronto pessoal
1. Estas disposições de Jesus nos ensinam hoje como entender a missão do cristão?
2. Você sabe confiar na ajuda de Deus quando você sofre conflitos, per
seguições

3ª dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ (2026)

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
 
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
REFORMADOR DO CARMELO

 
2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
Dirigente: Quando, em 1567, aos 25 anos, se ordenou sacerdote, o então frei João de São Matias, que depois se tornará, frei João da Cruz, desejando uma vida mais perfeita, e vendo o relaxamento dos seus irmãos carmelitas, alimentava no coração a possibilidade de deixar a Ordem de Nossa Senhora do Carmo e ingressar na Ordem de São Bruno, os Cartuxos. Encontrando-se com Santa Teresa de Jesus é animado a abraçar e a encabeçar entre os frades a reforma do Carmelo, por ela iniciada entre as monjas. Em vez de abandonar sua Ordem, ele é convencido a trabalhar pela sua renovação. E, assim, torna-se o primeiro carmelita descalço. Descalço aqui significa o retorno à simplicidade e ao rigor da vida religiosa. Neste terceiro dia, escutemos o relato da chegada de João da Cruz a Duruelo, em 1568, para a fundação do primeiro convento da nova família carmelita. Em Duruelo, deixa o nome de Frei João de São Matias e passa a chamar-se Frei João da Cruz.
 
Leitor: “Ao chegar a Duruelo, recolhido em oração e falando com Cristo e com sua Santíssima Mãe, tirou o hábito leve dos Carmelitas da Antiga Observância e vestiu o hábito grosseiro, ficando com os pés descalços sobre o chão. Com isso agradou muito à Virgem Maria, em cuja honra e serviço esta obra estava sendo fundada.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p. 26)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Jo 2, 1-11
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA
Dirigente: O Carmelo, Ordem de Maria, como qualquer outra ordem ou congregação, como também qualquer grupo, pastoral ou movimento, precisa sempre de renovação, para ser fiel à sua identidade. Durante a história houve várias reformas no Carmelo, e uma das que mais causaram impacto foi a de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Reformar o Carmelo significa convertê-lo a fim de continuar a transparecer no mundo o que Jesus quer comunicar através deste carisma. Simbolicamente, a atitude de João de trocar o hábito, ficar descalço e mudar de nome, são expressões externas de um compromisso interno de esvaziar-se para encher-se de Deus, ser todo de Deus, ser em Cristo uma nova pessoa. Esvaziar-se de si para encher-se de Deus é uma atitude constante na vida de quem quer seguir o Senhor, sendo fiel aos compromissos batismais. Isso agrada à Virgem Maria, a cheia de graça, que constantemente pede ao seu Filho que não falte à sua Igreja o vinho novo da fidelidade, da vida nova.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) João percebeu o relaxamento, a falta de zelo na vivência dos compromissos religiosos dentro da comunidade dos Carmelitas. Este é um mal que continua a afetar as pessoas, as famílias, os grupos. O que o exemplo de João da Cruz e Teresa de Jesus nos ensina?
3) Uma verdadeira devoção mariana deve conduzir à conversão pessoal e comunitária. Procuro seguir o conselho de Maria, escutando o seu Filho, que é o Filho amado do
Pai?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, ave-maria, glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

terça-feira, 7 de julho de 2026

Quinta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Beata Joana Scopélli, virgem da nossa Ordem
Sta Paulina do Coração de Jesus Agonizante, virgem
 
1ª Leitura (Os 11,1-4.8c-9):
Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o fazer sair do Egipto, chamei o meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, mais eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos ídolos. Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir».
 
Salmo Responsorial: 79
R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto e seremos salvos.
 
Pastor de Israel, escutai, Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei. Despertai o vosso poder e vinde em nosso auxílio.
 
Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha. Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento que fortalecestes para Vós.
 
Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,7-15): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro à cintura; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, procurai saber quem ali é digno e permanecei com ele até a vossa partida. Ao entrardes na casa, saudai-a: se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossas palavras, saí daquela casa ou daquela cidade e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade, vos digo: no dia do juízo, a terra de Sodoma e Gomorra receberá uma sentença menos dura do que aquela cidade».
 
«No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo»
 
Rev. D. Antonio BORDAS i Belmonte (L’Ametlla de Mar, Tarragona, Espanha)
 
Hoje, o texto do Evangelho convida-nos a evangelizar; diz-nos: «Pregai» (cf. Mt 10,7). O anúncio é a boa nova de Jesus, que tenta falar-nos sobre o reino de Deus, que Ele é nosso salvador, enviado pelo Pai ao mundo e, por este motivo, o único que nos pode renovar desde o nosso interior e mudar a sociedade em que vivemos.
 
Jesus anunciava que «o Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,7). Ele anunciava o reino de Deus, que se fazia presente entre os homens e mulheres à medida que o bem avançava e o mal retrocedia.
 
Jesus quer a salvação do homem total, seu corpo e seu espírito; mais ainda, perante o enigma que preocupa a humanidade, que é a morte, Jesus propõe a ressurreição. Quem vive morto pelo pecado, quando recupera a graça, experimenta uma nova vida. Este é um grande mistério que começamos a experimentar a partir de nosso baptismo: os cristãos estamos chamados à ressurreição.
 
Uma amostra de como o Papa Francisco procura o bem do homem: «Esta ‘cultura do descarte’ tornou-nos insensíveis também ao esbanjamento e ao desaproveitamento de alimentos. Outrora, os nossos avós prestavam muita atenção a não perder nada da comida que sobejava. A comida que se desaproveita é como se fosse roubada da mesa do pobre, de quantos têm fome!».
 
Jesus diz-nos que sejamos sempre portadores de paz. Quando os sacerdotes levam a Comunhão a um enfermo dizem: «A paz do Senhor esteja nesta casa!». E a paz de Cristo permanece aí, se houver pessoas dignas dela. Para receber os dons do reino de Deus é necessário ter boa disposição interior. Por outro lado, também vemos como muita gente dá desculpas para não receber o Evangelho.
 
Temos uma grande responsabilidade entre os homens: é que, depois de crer, não podemos deixar de anunciar o Evangelho, porque vivemos dele e queremos que outros também vivam.
 
«Não leveis nem ouro, nem prata (...) para o caminho»
 
Rev. D. David COMPTE i Verdaguer (Manlleu, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, até o imprevisível queremos prever. Hoje, se multiplicam os serviços em domicílio. E se hoje falamos tanto de paz, talvez seja porque temos muita necessidade dela. Hoje, o Evangelho nos fala exatamente desses vários “hoje”. Mas vamos por partes.
 
Queremos prever até o imprevisível: em breve estaremos fazendo um seguro para o caso do nosso seguro falhar. Ou então quando comprarmos uma calça o vendedor nos vai oferecer um modelo com manchas ou com o desbotado já incluído! O Evangelho de hoje, com a sua proposta de irmos sem bagagem («Não leveis nem ouro nem prata...»), nos convida à confiança e à disponibilidade. Mas nos alerta: isto não significa um descuido nem tampouco improviso. Viver esta realidade só é possível quando nossa vida está enraizada no fundamental: na pessoa de Cristo. Como dizia o Papa João Paulo II, «é necessário respeitar um princípio essencial da visão cristã de vida: a primazia da graça (...). Não se há de esquecer que, sem Cristo, nada podemos fazer» (cf. Jo 15,5).
 
Também afirmamos que hoje proliferam os serviços em domicílio: não cozinhamos mais em casa, agora o arroz com feijão é feito para você, na sua casa, por outros. Isto é um exemplo de como a sociedade pretende se organizar prescindindo dos outros. Hoje Jesus nos diz: «Ide»; saí. Isto quer dizer, preocupe-se com quem está ao seu lado. Estejamos, portanto atentos e abertos para as necessidades dos mais próximos.
 
Férias! Uma paisagem tranquila... Serão sinônimos de paz? Talvez devêssemos duvidar disto. Às vezes é um descanso para as angústias interiores, que mais adiante voltarão a despertar. Nós cristãos sabemos que somos portadores de paz, e mais ainda, que esta paz impregna todo nosso ser —mesmo quando à nossa volta o ambiente seja hostil— na medida em que seguirmos de perto a Jesus.
 
Deixemos que Jesus nos toque, pela força do Cristo de Hoje! E..., «quem encontrou verdadeiramente a Cristo não deve guardá-Lo só para si, deve anunciá-Lo» (João Paulo II).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Os milagres visíveis brilham para atrair os corações daqueles que os admiram pela fé nas coisas invisíveis, muito mais admiráveis» (São Gregório Magno)
 
«Os santos são os que mais podem nos ajudar a compreender o sentido profundo das Bem-aventuranças» (Francisco)
 
«(…) É impossível alguém apropriar-se dos bens espirituais e comportar-se a respeito deles como proprietário ou dono, pois eles têm a sua fonte em Deus, e só d'Ele se podem receber gratuitamente» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.121)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz a segunda parte do envio dos discípulos.
Ontem vimos a insistência de Jesus em dirigir-se primeiro para as ovelhas perdidas de Israel. Hoje, veremos as instruções concretas de como realizar a missão.
 
* Mateus 10,7: O objetivo da missão: revelar a presença do Reino. “Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. O objetivo principal é anunciar a proximidade do Reino. Aqui está a novidade trazida por Jesus. Para os outros judeus ainda faltava muito para o Reino poder chegar. Só chegaria, depois que eles tivessem realizado a sua parte. A chegada do Reino dependia do esforço deles. Para os fariseus, por exemplo, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita. Para os Essênios, quando o país fosse purificado. Jesus pensa diferente. Ele tem outra maneira de ler os fatos. Ele diz que o prazo já se esgotou (Mc 1,15). Quando ele diz que o Reino está próximo ou que o Reino chegou, Jesus não quer dizer que o Reino estava chegando só naquele momento, mas sim que já estava aí, independentemente do esforço feito pelo povo. Aquilo que todos esperavam, já estava presente no meio do povo, gratuitamente, mas o povo não o sabia, nem o percebia (cf. Lc 17,21). Jesus o percebeu! Pois ele lia a realidade com um olhar diferente. E é esta presença escondida do Reino no meio do povo, que ele vai revelar e anunciar aos pobres da sua terra (Lc 4,18). Esta é a semente de mostarda que vai receber a chuva da sua palavra e o calor do seu amor. 
 
* Mateus 10,8: Os sinais da presença do Reino: acolher os excluídos. Como anunciar a presença do Reino? Só por meio de palavras e discursos? Não! Os sinais da presença do Reino são antes de tudo gestos concretos, realizados de graça: “Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem também de graça”. Isto significa que os discípulos devem acolher para dentro da comunidade os que dela foram excluídos. Esta prática solidária critica tanto a religião como a sociedade excludente, e aponta saídas concretas.
 
* Mateus 10,9-10: Não levar nada no caminho. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus não podem levar nada: “Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento”. Isto significa que devem confiar na hospitalidade do povo. Pois o discípulo que vai sem nada levando apenas a paz (Mc 10,13), mostra que confia no povo. Acredita que vai ser acolhido, que vai poder participar da vida e do trabalho do povo do lugar e que vai poder sobreviver com aquilo que receberá em troca, pois o operário direito ao seu alimento. Isto significa que os discípulos devem confiar na partilha Por meio desta prática eles criticam as leis de exclusão e resgatam os antigos valores da convivência comunitária.
 
* Mateus 10,11-13: Partilhar a paz na comunidade. Os discípulos não devem andar de casa em casa, mas devem procurar uma pessoa de Paz e permanecer nesta casa. Isto é, devem conviver de maneira estável. Assim, por meio desta nova prática, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano, e anunciam um novo modelo de convivência. Caso todas estas exigências forem preenchidas, os discípulos podem gritar: O Reino chegou! Anunciar o Reino não consiste, em primeiro lugar, em ensinar verdades e doutrinas, mas sim em provocar a uma nova maneira fraterna de viver e de conviver a partir da Boa Nova que Jesus nos trouxe de que Deus é Pai e Mãe de todos e de todas.
 
* Mateus 10,14-15: A severidade da ameaça. Como entender esta ameaça tão severa? É que Jesus não veio trazer uma coisa totalmente nova. Ele veio resgatar os valores comunitários do passado: a hospitalidade, a partilha, a comunhão de mesa, a acolhida aos excluídos. Isto explica a severidade contra os que recusam a mensagem. Pois eles não recusam algo novo, mas sim o seu próprio passado, a sua própria cultura e sabedoria! A pedagogia de Jesus tem por objetivo desenterrar a memória, resgatar a sabedoria do povo, reconstruir a comunidade, renovar a Aliança, refazer a vida.
 
Para um confronto pessoal
1) Como realizar hoje a recomendação de não levar nada no caminho quando se vai em missão?
2) Jesus manda procurar uma pessoa de paz, para poder viver na casa dela. Quais seria hoje uma pessoa de paz a quem nos dirigir no anúncio da Boa Nova?

2º dia da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
NA ORDEM DA VIRGEM


2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ
 
Dirigente: Vimos ontem que João foi acolhido numa escola para crianças pobres. Certo homem rico e conceituado percebeu as qualidades de João, e deu-lhe possibilidades de estudar humanidades na escola dos jesuítas entre 1559 e1563; ao mesmo tempo que o empregou no hospital de Medina. Dez anos foi o tempo que o jovem João de Yepes passou a tratar de doentes, vítimas de doenças incuráveis, sobretudo a sífilis que era terrivelmente mortal. Na sua juventude, algumas Ordens Religiosas queriam que João ingressasse em alguma delas. Até mesmo o seu benfeitor queria que ele fosse capelão do hospital, depois de ordenado sacerdote. Em 1563, aos 21 anos de idade, sem dizer nada a ninguém, João dirigiu-se ao Convento dos Carmelitas, onde tomou o hábito e onde nesse dia recebeu o nome de Frei João de São Matias. Fez os seus votos em 1564. Para João, a escolha da Ordem do Carmo era plenamente justificada: tendo João de Yepes tanto amor à  Nossa Senhora, que o livrara de alguns perigos na sua infância, escolheu a Ordem de Maria para servi-la e assim agradecer-lhe. Escolhe o Carmelo por ser uma Ordem Mariana. Neste segundo dia de novena, escutemos o testemunho daqueles que escreveram sobre esse momento da vida do santo.
 
Leitor: “Declara o seu primeiro biógrafo, Carmelita da Observância, de Medina del Campo, José de Velasco: ‘João da Cruz sempre foi muito devoto de Nossa Senhora e, movido no coração por essa devoção, tomou o hábito da Ordem de Nossa Senhora, a Virgem Maria do Monte Carmelo... E sempre lhe foi muito agradecido  por ter recebido o hábito em sua santa ordem religiosa, na qual sempre se mostrou muito seu devoto e deu muitas demonstrações do quanto a amava.’ Isso mesmo foi confirmado também pelo carmelita da Antiga Observância Jerônimo de Olmos, contemporâneo do Santo: ‘Frei João tomou o hábito de frade carmelita e foi muito devoto da Virgem Nossa Senhora, pois a escolheu como mãee padroeira e entrou em sua ordem religiosa’.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p. 21)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Mt 12, 46-50
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA:
Dirigente: João de Yepes escolhe consagrar-se a Deus na Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Atraído pelo amor à Virgem Santíssima, é levado à Ordem que leva o seu nome, almejando levar uma vida santa inspirada no seu exemplo. A Ordem do Carmo tem suas raízes no século XII, na época das cruzadas, quando um grupo de eremitas cristãos se estabeleceu no Monte Carmelo, na Terra Santa, inspirados nos exemplos do profeta Elias e da Virgem Maria. Ali buscavam viver numa vida de oração, penitência, silêncio, trabalho e fidelidade radical a Deus. Esses primeiros eremitas formaram uma comunidade que, por volta de 1207, recebeu uma regra de vida aprovada por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Por causa da instabilidade política da região, os Carmelitas deixaram o Monte Carmelo e se dispersaram pela Europa e depois nos outros continentes, tendo que passar por várias reformas. No Brasil, chegaram em 1580, em Olinda/ PE. O Carisma Carmelitano continua a atrair homens e mulheres que desejam participar desta família, seja pela recepção do hábito carmelita ou simplesmente através do escapulário, sinal que agrega tantos batizados a esta santa Ordem. Não basta, porém, o uso de um sinal externo, é preciso desenvolver uma vida devotada à Virgem, que demonstre o amor a ela, sobretudo pela imitação de suas virtudes. Não se pode resumir a devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo à invocação do seu nome nas necessidades e à celebração de suas festas, com seus belos andores e procissões.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) João de Yepes sentiu-se atraído pela Ordem do Carmo por causa da devoção à Virgem Maria. Quando, na minha história, conheci a devoção a Nossa Senhora do Carmo? Conheço algo mais da Ordem dos Carmelitas, além da devoção a Maria e do uso do Escapulário?
3) É membro da família de Cristo “quem faz a vontade do meu Pai”, assim como fez Maria. A minha devoção a Nossa Senhora do Carmo me leva a viver esta verdade?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quarta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (Os 10,1-3. 7-8. 12):
Israel era uma vinha exuberante, que produzia os seus frutos. Quanto mais abundantes eram os frutos, mais aumentavam os altares. Quanto mais rica se tornava a sua terra, mais belos eram os monumentos pagãos. O coração de Israel está dividido, mas agora eles têm de pagar: o próprio Senhor derrubará os seus altares, destruirá os seus monumentos pagãos. Então eles vão dizer: «Não temos rei, porque não tememos o Senhor; e ainda que o tivéssemos, que poderia o rei fazer por nós?». Samaria desaparece com o seu rei, como uma palha à tona da água. Serão destruídos os lugares altos da idolatria, que eram o pecado de Israel; espinheiros e cardos crescerão sobre os seus altares. E gritarão às montanhas: «Cobri-nos!» e às colinas: «Caí sobre nós!». Semeai segundo a justiça e colhereis o fruto da misericórdia; arroteai novas terras, porque já é tempo de procurar o Senhor, até que Ele venha derramar sobre vós a chuva da justiça –.
 
Salmo Responsorial: 104
R. Procurai sempre a face do Senhor.
 
Cantai salmos e hinos ao Senhor, proclamai todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu santo nome, exulte o coração dos que procuram o Senhor.
 
Considerai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face. Recordai as maravilhas que Ele operou, os prodígios e os oráculos da sua boca.
 
Descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacob, seu eleito, Ele é o Senhor, o nosso Deus, e as suas sentenças são lei em toda a terra.
 
Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 10,1-7): Naquele tempo, chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo».
 
«Ide e proclamai: O Reino dos Céus está próximo»
 
Rev. D. Fernando PERALES i Madueño (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos mostra Jesus enviando os seus discípulos em missão: «Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações» (Mt 10,5). Os doze discípulos formaram então o Colégio Apostólico, que significa missionário; a Igreja, que em sua peregrinação terrena, é uma comunidade missionária, pois tem a sua origem no cumprimento da missão do Filho e do Espírito Santo segundo os desígnios de Deus Pai. Do mesmo modo que Pedro e os demais apóstolos constituem um só Colégio Apostólico por instituição do Senhor, assim o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, formam um todo sobre o qual recai o dever de anunciar o Evangelho por toda a terra.
 
Entre os discípulos enviados em missão, encontramos aqueles aos quais Cristo conferiu um lugar destacado e uma maior responsabilidade, como Pedro; e a outros como Tadeu, do qual quase não temos notícias; afinal, os Evangelhos foram escritos para nos comunicar a Boa Nova e não para satisfazer nossa curiosidade. Nós, por nossa parte, devemos rezar por todos os bispos, pelos importantes e pelos menos conhecidos, e viver em comunhão com eles: «Segui a todos os bispos, como Jesus Cristo seguiu ao Pai, e ao Colégio dos Anciãos como aos Apóstolos» (Santo Inácio de Antioquia). Jesus não buscou pessoas instruídas, mas simplesmente as disponíveis e capazes de segui-lo até o fim. Isto me ensina que eu, como cristão, também devo sentir-me responsável por uma parte da obra de salvação de Jesus. Afasto o mal? Ajudo meus irmãos?
 
Como a obra está em seu começo, Jesus logo estabelece uns limites: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,5-6). Hoje há de se fazer tudo o que se possa, com a certeza de que Deus chamará a todos os pagãos e samaritanos em outra fase do trabalho missionário.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O vosso batismo deve permanecer como a vossa armadura, a fé como um capacete, a caridade como uma lança, a paciência como um arsenal de todas as armas» (Santo Inácio de Antioquia)
 
«Também nós somos enviados como mensageiros e testemunhas da paz. Quanto o mundo precisa de nós como mensageiros da paz!» (Francisco)
 
«Os discípulos de Cristo devem conformar-se com Ele até que Ele Se forme neles (331), (…): configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 562)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No capítulo 10 do Evangelho de Mateus começa o segundo grande discurso, o Sermão da Missão.
Mateus organizou o seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus ou como um novo “pentateuco” com seus cinco livros. Por isso, o seu evangelho traz cinco grandes discursos ou ensinamentos de Jesus, seguidos por partes narrativas, nas quais ele descreve como Jesus praticava o que tinha ensinado nos discursos. Eis o esquema:
Introdução: nascimento e preparação do Messias (Mt 1 a 4)
1. Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7)
Narrativa Mt 8 e 9
2. Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10)
Narrativa Mt 11 e 12
3. Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13)
Narrativa Mt 14 a 17
4. Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18)
Narrativa 19 a 23
5. Sermão da vinda futura do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25)
Conclusão: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).
 
*  O evangelho de hoje traz o início do Sermão da Missão, no qual se acentuam três assuntos: (1) o chamado dos discípulos (Mt 10,1); (2) a lista dos nomes dos doze apóstolos que vão ser os destinatários do sermão da missão (Mt 10,2-4); (3) o envio dos doze (Mt 10,5-7).
 
* Mateus 10,1: O chamado dos doze discípulos. Mateus já tinha falado do chamado dos discípulos (Mt 4,18-22; 9,9). Aqui, no começo do Sermão da Missão, ele traz um resumo: “Então Jesus chamou seus discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos maus, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade”. A tarefa ou missão do discípulo é seguir Jesus, o Mestre, formando comunidade com ele e realizando a mesma missão de Jesus: expulsar os espíritos maus, curar qualquer tipo de doença e enfermidade. No evangelho de Marcos, eles recebem a mesma dupla missão, formulada com outras palavras: Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3,14-15). 1) Estar com ele, isto é, formar comunidade, na qual Jesus é o eixo. 2) Pregar e ter poder para expulsar demônio, isto é, anunciar a Boa Nova e combater o poder do mal que estraga a vida do povo e aliena as pessoas. Lucas diz que Jesus rezou a noite toda e, no dia seguinte, chamou os discípulos. Rezou a Deus para saber a quem escolher (Lc 6,12-13).
 
* Mateus 10,2-4: A lista dos nomes dos doze apóstolos. Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Por exemplo, Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também tinha o nome de Levi (Mc 2,14), que é outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete têm nome que vem do tempo dos patriarcas. Dois se chamam Simão; dois, Tiago; dois, Judas; um, Levi! Só tem um com nome grego: Filipe. Isto revela o desejo do povo de refazer a história desde o começo! Seria como hoje numa família bem brasileira, na qual todos os filhos têm nomes do tempo dos índios Raoni, Ubiratan, Jussara, etc, e só têm nome americano Washington. Vale a pena pensar nos nomes que hoje damos para os filhos. Como eles, cada um de nós é chamado por Deus pelo nome.
 
* Mateus 10,5-7: O envio ou missão dos doze apóstolos para as ovelhas perdidas de Israel. Depois de ter enumerado os nomes dos doze, Jesus os envia com estas recomendações: "Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. Nesta única frase há uma tripla insistência em mostrar que a preferência da missão é para com a casa de Israel: (1) Não tomar o caminho dos pagãos, (2) não entrar nas cidades samaritanas, (3) ir primeiro para as ovelhas perdidas de Israel. Aqui transparece uma resposta à dúvida dos primeiros cristãos em torno da abertura para os pagãos. Paulo, que afirmava com tanta firmeza a abertura para os pagãos, concorda em dizer que a Boa Nova trazida por Jesus devia ser anunciada primeiro aos judeus e, depois, aos pagãos (Rom 9,1 a 11,36; cf. At 1,8; 11,3; 13,46; 15,1.5.23-29). Mais adiante, no mesmo evangelho de Mateus, na conversa de Jesus com a mulher cananeia, acontecerá a abertura para os pagãos (Mt 15,21-29).
 
* O envio dos apóstolos para todos os povos. Depois da ressurreição de Jesus, há vários episódios do envio dos apóstolos não só para os judeus, mas para todos os povos. Em Mateus: “Ide e fazei que todas as nações se tornem  discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estarei com convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). Em Marcos: “Ide por todo mundo, proclamai a Boa Nova a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 15-16). Em Lucas: "Assim está escrito: O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. E vocês são testemunhas disso. (Lc 24,46-48; At 1,8) João resume tudo nesta frase: “Como Pai me enviou, eu envio vocês!” (Jo 20,21) :
 
Para um confronto pessoal
1. Você já pensou no significado do seu nome? Já perguntou a seus pais por que motivo lhe deram o nome que você tem? Você gosta do seu nome?
2. Jesus chama os discípulos. O seu chamado tem uma dupla finalidade: formar comunidade e ir em missão. Como vivo esta dupla finalidade na minha vida?

1 º DIA da NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO COM SÃO JOÃO DA CRUZ

1. ORAÇÃO DE ABERTURA
Dirigente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém
 
Dirigente: Com São João da Cruz e os santos do Carmelo louvemos a Virgem Santíssima.
Todos: Ela é nossa Mãe e Mestra, que nos guia ao cume do monte, que é Cristo.
 
Dirigente: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 
SALVO DAS ÁGUAS POR MARIA


2. FATO DA VIDA DE SÃO JOÃO DA CRUZ:
 
Dirigente: João de Yepes, que mais tarde se chamará João da Cruz, nasceu em Fontiveros, perto de Ávila, Espanha, em1542. Seus pais eram católicos. Seu pai, Gonçalo de Yepes, sendo de nobre família, a tudo renunciou, inclusive foi deserdado, para casar-se com Catarina Álvares, uma pobre órfã, assumindo a profissão de sua esposa, que era tecelã. O casal teve três filhos: Luís, João e Francisco. João de Yepes nasceu num lar pobre, mas de muito amor. A sua pobreza depressa se transformou em miséria com a morte do pai, em 1545. Dois anos depois morreu o irmão mais velho, Luís, possivelmente por má nutrição. A partir de então, Catarina, peregrinando de terra em terra, acabou por se fixar em Medina del Campo, onde encontrou trabalho e colocou João numa escola para crianças pobres. Lá ele recebeu uma educação básica, principalmente a doutrina cristã, além de alguma comida, roupas e um lugar para viver; ali também foi escolhido para servir como coroinha num mosteiro vizinho de freiras agostinianas. Neste primeiro dia de novena, escutemos um dos relatos da infância deste santo, em que é salvo das águas pela intercessão de Nossa Senhora:
 
Leitor: “O padre frei Luís de Santo Ângelo estando na cidade de Granada na companhia do santo frei João da Cruz, escutou-o contar que, quando era menino, brincando com outras crianças junto a uma lagoa profunda, caiu dentro dela. E estando em grande perigo de se afogar, por haver muita água e lama, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e lhe pedia a mão para tirá-lo dali. E o santo Padre contava isso dizendo: ‘Vejam minha tolice e simplicidade: ela me pedia a mão, e como eu a tinha cheia de lama, não queria dá-la para não sujar a dela, que era tão bela e formosa. Enquanto eu estava nesse dilema, chegou ali um lavrador; ao ver-me em tão grande perigo e sem conseguir sair, estendeu-me uma vara comprida que trazia na mão, e eu me agarrei a ela, e assim saí da lagoa’.” (BENGOECHEA, Ismael, 1990, p.17)
 
3. PALAVRA DE DEUS: Lc 1, 39-45
 
4. REFLETINDO SOBRE O TEMA:
 
Dirigente: Essa experiência da presença de Maria, que salva o menino João de um afogamento, tem algo profundo a nos ensinar. Somos chamados a recordar a maternidade de Maria: ela é Mãe da Igreja, Mãe de todos os cristãos; e, como tal, cuida amorosamente dos seus filhos e filhas para que, conservando a graça batismal e crescendo na santidade, sejam salvos das águas do mal e do pecado que querem afogá-los. Ela, a Imaculada Conceição, toda bela, toda pura, não tem receio de se aproximar da humanidade, manchada
pelo pecado, para ajudá-la, socorrê-la, levá-la ao seu Filho, nosso Senhor e Salvador, que veio para nos libertar de nossos pecados. Por outro lado, já que Maria é membro da Igreja e figura dela, vemos, na atitude do menino João, que não quer sujar a toda bela e formosa, o compromisso e o zelo de cada filho e filha de Deus em não manchar a Igreja com o mal exemplo, o contratestemunho, o pecado, e em honrar a Mãe de Deus com uma vida santa.
 
PARA REFLEXÃO PESSOAL
1) O que mais me chama a atenção no fato da vida de João da Cruz e no evangelho?
2) Tenho alguma recordação significativa da presença de Nossa Senhora em minha infância, ou noutro período de minha vida, seja através de orações, cantos, procissões, imagens, graças alcançadas, etc?
3) “Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” A mãe do Senhor visitou João da Cruz e também nos visita, comunicando a salvação, que é seu Filho. Acolho a sua visita e o dom que ela traz?
 
Partilha e oração espontânea (pedido, louvor ou agradecimento)
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai...
 
5. SAUDAÇÃO A N. S. DO CARMO
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mãe e Senhora do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Formosura do Carmelo.
Todos: Ave Maria...
 
Dirigente: Deus te salve Maria, Mestra da vida interior.
Todos: Ave Maria...
 
Todos: Venha, ó Deus, em nosso auxílio, a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob sua proteção, e a exemplo de São João da Cruz, subir ao monte que é Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!
 
Dirigente: Estivemos e estaremos sempre reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!
 
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


domingo, 5 de julho de 2026

Terça-feira da 14ª semana do Tempo Comum

São Marcos Ji Tianxiang, leigo e mártir
 
1ª Leitura (Os 8,4-7.11.13):
Eis o que diz o Senhor: «Os filhos de Israel nomearam reis sem o meu consentimento, escolheram chefes sem Me terem consultado. Com a prata e o ouro que possuíam, fabricaram ídolos para sua perdição. – Considero abominável, ó Samaria, o bezerro que adoras! – Contra eles se inflamou a minha ira: até quando serão incapazes de se purificarem? Aquele ídolo provém de Israel; foi um artífice que o fez, ele não é Deus! Mas o bezerro de Samaria será feito em pedaços: já que semeiam ventos, colhem tempestades. Caule sem espiga não produz farinha; e ainda que a produzisse, os estrangeiros a comeriam. Efraim levantou muitos altares, mas só lhe serviram para pecar ainda mais. Se Eu lhe puser por escrito mil preceitos da minha lei, serão considerados como obra de um estranho. Eles oferecem sacrifícios e comem a carne imolada, mas o Senhor não os aceitará. O Senhor recordará o seu pecado e castigará as suas faltas e eles terão de voltar para o Egipto».
 
Salmo Responsorial: 113
R. A casa de Israel confia no Senhor.
 
O nosso Deus está no céu, faz tudo o que Lhe apraz. Os ídolos dos gentios são ouro e prata, são obra das mãos do homem.
 
Têm boca e não falam, têm olhos e não veem. Têm ouvidos e não ouvem, têm nariz mas sem olfato.
 
Têm mãos e não palpam, têm pés e não andam. Serão como eles os que os fazem e quantos neles põem a sua confiança.
 
A casa de Israel confia no Senhor, Ele é o seu auxílio e o seu escudo. A casa de Aarão confia no Senhor, Ele é o seu auxílio e o seu escudo.
 
Aleluia. Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,32-38): Naquele tempo as pessoas trouxeram a Jesus um possesso mudo. Expulso o demônio, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: «Nunca se viu coisa igual em Israel». Os fariseus, porém, diziam: «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios». Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: «A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!».
 
«Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!»
 
Rev. D. Joan SOLÀ i Triadúm (Girona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos fala da cura de um endemoninhado mudo, que provoca diferentes reações nos fariseus e na multidão. Enquanto os fariseus, ante a evidência de um prodígio inegável, atribuem isso a poderes demoníacos - «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios» (Mt 9,34), a multidão fica maravilhada: «Nunca se viu coisa igual em Israel» (Mt 9,33). São João Crisóstomo, comentando essa passagem, diz: «O que verdadeiramente incomodava aos fariseus era que consideravam Jesus superior a todos, não somente aos que existiam então, mas a todos os que haviam existido anteriormente».
 
Jesus não se abala ante a aversão dos fariseus, Ele continua fiel à sua missão. Na verdade, Jesus, ante a evidência de que os guias de Israel, ao invés de guiar e instruir o rebanho, o estavam afastando do bom caminho, apiedou-se daquela multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Que as multidões desejam e agradeçam uma boa orientação ficou comprovado nas visitas pastorais do São João Paulo II a tantos países do mundo. Quantas multidões reunidas em volta dele! Como escutavam sua palavra, sobretudo os jovens! E o Papa não rebaixava o Evangelho, mas o pregava com todas as suas exigências.
 
Todos nós, «se fôssemos consequentes com a nossa fé - nos diz São Josemaria Escrivá - se olhássemos à nossa volta e contemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos senão deixar crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram os de Jesus Cristo», o que nos conduziria a uma generosa tarefa apostólica. Mas é evidente a desproporção que existe entre o grande número de pessoas que esperam a pregação da Boa Nova e a escassez de operários. A solução Jesus nos dá ao final do Evangelho: Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita! (cf. Mt 9,38).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Este Coração divino é um abismo de alegria no qual submergimos todas as nossas dores; É um abismo de humildade, um remédio para nossa vaidade» (Santa Margarida Mª de Alacoque)
 
«Jesus, pelo seu amor compassivo, curou os doentes que lhe foram apresentados e com alguns pães e peixes acalmou a fome de grandes multidões» (Francisco)
 
«Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças» (Mt 8, 17) (111)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.505)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz dois assuntos:
(1) a cura de um endemoninhado mudo (Mt 9,32-34) e (2) um resumo das atividades de Jesus (Mt 9,35-38). Estes dois episódios encerram a parte narrativa dos capítulos 8 e 9 do evangelho de Mateus na qual o evangelista procura mostrar como Jesus praticava os ensinamentos dados no Sermão da Montanha (Mt 5 a 7). No capítulo 10, cuja meditação começa no evangelho de amanhã, veremos o segundo grande discurso de Jesus: o Sermão da Missão (Mt 10,1-42).
 
* Mateus 9,32-33a: A cura de um mudo. Num único versículo, Mateus descreve como trouxeram um endemoninhado mudo até Jesus, como Jesus expulsou o demônio e como o mudo começou a falar de novo. O que impressiona na atitude de Jesus, aqui e em todos os quatro evangelhos, é o cuidado e o carinho com as pessoas doentes. As doenças eram muitas, e a previdência social, inexistente. As doenças não eram só as deficiências corporais: mudez, surdez, paralisia, lepra, cegueira e tantos outros males. No fundo, estas doenças eram apenas a manifestação de um mal muito mais amplo e mais profundo que arruinava a saúde do povo, a saber, o total abandono e o estado deprimente e desumano em que ele era obrigado a viver. As atividades e as curas de Jesus se dirigiam não só contra as deficiências corporais, mas também e sobretudo contra esse mal maior do abandono material e espiritual em que o povo era condenado a passar os poucos anos da sua vida. Pois, além da exploração econômica que roubava a metade do orçamento familiar, a religião oficial da época, em vez de ajudar o povo a encontrar em Deus uma força para resistir e ter esperança, ensinava que as doenças eram castigo de Deus pelo pecado. Aumentava nele o sentimento de exclusão e de condenação. Jesus fazia o contrário. O acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos faziam parte do esforço mais amplo para refazer o relacionamento humano entre as pessoas e restabelecer a convivência comunitária e fraterna nos povoados e aldeias da Galileia, sua terra.
 
* Mateus 9,33b-34: A dupla interpretação da cura do mudo. Diante da cura do endemoninhado mudo, a reação do povo é de admiração e de gratidão: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!” A reação dos fariseus é de desconfiança e de malícia: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios!” Não podendo negar os fatos que provocam a admiração do povo, a única maneira que os fariseus encontravam para neutralizar a influência de Jesus junto ao povo era atribuir a expulsão ao poder maligno. Marcos traz uma longa argumentação de Jesus para mostrar a malícia e a falta de coerência da interpretação dos fariseus (Mc 3,22-27). Mateus não traz nenhuma resposta de Jesus à interpretação dos fariseus, pois quando a malícia é evidente, a verdade brilha por si mesma.
 
* Mateus 9,35:  Incansável, Jesus percorre os povoados É bonita a descrição da atividade incansável de Jesus, na qual transparece a dupla preocupação a que aludimos: o acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos: “Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade”. Nos capítulos anteriores, Mateus já tinha aludido várias vezes a esta atividade ambulante de Jesus pelos povoados Galileia (Mt 4,23-24; 8,16).
 
* Mateus 9,36:  A compaixão de Jesus. “Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”. Os que deviam ser os pastores não eram pastores, não cuidavam do rebanho. Jesus procura ser o pastor (Jo 10,11-14). Mateus vê aqui a realização da profecia do Servo de Javé que “levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” (Mt 8,17 e Is 53,4). Como Jesus, a grande preocupação do Servo era “encontrar uma palavra de conforto para quem estava desanimado” (Is 50,4). A mesma compaixão para com o povo abandonado, Jesus a mostrou por ocasião da multiplicação dos pães: são como ovelhas sem pastor (Mt 15,32). O evangelho de Mateus tem uma preocupação constante em revelar aos judeus convertidas das comunidades da Galileia e da Síria que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas. Por isso, frequentemente, ele mostra como nas atividades de Jesus se realizam as profecias (cf. Mt 1,23; 2,5.15.17.23; 3,3; 4,14-16; etc).
 
* Mateus 9,37-38:  A messe é grande e os operários são poucos. Jesus transmite aos discípulos a preocupação e a compaixão que o animam por dentro: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita".
 
Para um confronto pessoal
1) Compaixão diante das multidões cansadas e famintas. Na história da humanidade, nunca houve tanta gente cansada e faminta como hoje. A TV divulga os fatos, mas não oferece resposta. Será que nós cristãos conseguimos ter em nós a mesma compaixão de Jesus e irradiá-la aos outros?
2) A bondade de Jesus para com os pobres incomodava os fariseus. Estes recorrem à malícia para desfazer e neutralizar o incômodo que Jesus causava. Existem muitas atitudes boas nas pessoas que me incomodam? Como eu as interpreto: com admiração agradecida como o povo ou com malícia como os fariseus?