sábado, 16 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Segunda-feira da 7ª semana da Páscoa

São Félix de Cantalício, religioso
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 19,1-8): Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou a região alta e chegou a Éfeso. Encontrou lá alguns discípulos e perguntou-lhes: «Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?». Eles responderam-lhe: «Nem sequer ouvimos falar do Espírito Santo». Paulo perguntou: «Então, que baptismo recebestes?». Eles responderam: «O baptismo de João». Disse-lhes Paulo: «João administrou um baptismo de penitência, dizendo ao povo que acreditasse n’Aquele que ia chegar depois dele, isto é, em Jesus». Depois de ouvirem estas palavras, receberam o Baptismo em nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar línguas e a profetizar. Eram ao todo uns doze homens. Paulo foi em seguida à sinagoga, onde falou com firmeza durante três meses, argumentando de modo convincente sobre o reino de Deus.
 
Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.
 
Levanta-se Deus, dispersam-se os inimigos e fogem diante deles os que O odeiam. Como se desfaz o fumo, assim eles se dissipam, assim perecem os ímpios à vista de Deus.
 
Os justos exultam na presença de Deus, exultam e transbordam de alegria. Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome; o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.
 
Pai dos órfãos e defensor das viúvas é Deus na sua morada santa. Aos abandonados Deus prepara uma casa, conduz os cativos à liberdade.
 
Aleluia. Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 16,29-33): Os seus discípulos disseram: «Agora, sim, falas abertamente, e não em figuras. Agora vemos que conheces tudo e não precisas que ninguém te faça perguntas. Por isso acreditamos que saíste de junto de Deus!». Jesus respondeu: «Credes agora? Eis que vem a hora, e já chegou, em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis sozinho. Mas eu não estou só. O Pai está sempre comigo. Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo».
 
«Que tenham em si a minha alegria em plenitude»
 
Rev. D. Miquel SALÓ Casajuana (Sabadell, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, Jesus afirma que os discípulos O deixarão sozinho, mas acrescenta imediatamente que não está só, «porque o Pai está comigo» (Jo 16,32). Pai, Filho e Espírito Santo formam uma comunidade de amor. Do mesmo modo, também nós, os batizados, participamos desta comunhão de amor; nunca estamos sozinhos: «Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o “Espírito da Verdade”» (Leão XIV).
 
Podemos participar da vida divina em qualquer momento. Como criaturas, o Pai mantém-nos sempre no ser. Como batizados, podemos sempre participar da Inabitação da Santíssima Trindade em nós. Tem presente que podes sempre dirigir-te ao Senhor em qualquer lugar e circunstância. Esta relação com a Trindade alimenta-se especialmente nos sacramentos e deve manifestar-se na prática da caridade.
 
É necessário cuidar da relação com Deus para a tornar mais intensa e viva: participar nos sacramentos (especialmente, na Eucaristia e na Penitência), ter uma vida de maior intimidade através da oração, da leitura da Sagrada Escritura ou da prática da caridade, seguindo as obras de misericórdia. Ele vem ao nosso encontro; devemos acolhê-Lo na nossa pessoa.
 
Com o olhar posto na Ascensão e no Pentecostes, o Evangelho recorda-nos também que Cristo venceu a morte. Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente. Ainda estamos no tempo pascal. Jesus recorda-nos que Ele venceu o mundo (cf. Jo 16,33). Se compararmos isto com o mundo do desporto, seria como estar a jogar um jogo sabendo que já está ganho. Isto não significa que não haja perigos; não significa que não seja necessário esforçar-se. Apesar de ainda restar tempo de jogo e de haver suor e sofrimento, sabemos que a vitória é nossa.
 
Sempre pela mão de Maria! Ela está cheia do Espírito Santo, viveu uma vida de grande intimidade com Cristo, trouxe-O no seu seio durante nove meses, escutou-O ao longo dos anos e acompanhou os discípulos na recepção do Espírito Santo no dia de Pentecostes.
 
«Mas tende coragem! Eu venci o mundo»
 
Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala (Vic, Barcelona, Espanha)
 
Hoje podemos ter a sensação de que o mundo da fé em Cristo se debilita. Existem várias notícias que vão contra a fortaleza que quereríamos receber de uma vida fundamentada integramente no Evangelho. Os valores do consumismo, do capitalismo, da sensualidade e do materialismo estão em voga e em contra de tudo o que suponha pôr-se em sintonia com as exigências evangélicas. Não obstante, este conjunto de valores e de formas de entender a vida não nos dão nem a plenitude pessoal nem a paz, mas apenas trazem mais mal-estar e inquietude interior. Não será por isso que, hoje, as pessoas que vão pela rua enferrujadas, fechadas e preocupadas com um futuro que não vêm nada claro, precisamente porque o hipotecaram ao preço de um carro, de um apartamento ou de umas férias que, de fato, não se podem permitir?
 
As palavras de Jesus convidam-nos à confiança: «Eu venci o mundo» (Jo 16,33), quer dizer, pela sua Paixão, Morte e Ressurreição alcançou a vida eterna, aquela que não tem obstáculos, aquela que não tem limite e superou todas as dificuldades.
 
Os de Cristo vencemos as dificuldades tal e como Ele as venceu, apesar de na nossa vida também termos de passar por sucessivas mortes e ressurreições, nunca desejadas mas assumidas pelo próprio Mistério Pascal de Cristo. Por acaso não são “mortes” a perca de um amigo, a separação da pessoa amada, o fracasso de um projeto ou as limitações que experimentamos por causa da nossa fragilidade humana?
 
Mas «em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou» (Rom 8,37). Sejamos testemunhas do amor de Deus, porque Ele em nós «fez (…) grandes coisas» (Lc 1,49) e deu-nos a sua ajuda para superar todas as dificuldades, inclusivamente a da morte, porque Cristo nos comunica o seu Espírito Santo.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Durante todo este tempo entre a ressurreição do Senhor e a sua ascensão, a providência de Deus encarregou-se de demonstrar, insinuando-se nos olhos e no coração dos seus, que a ressurreição do Senhor Jesus Cristo foi tão real quanto o seu nascimento, paixão e morte» (São Leão Magno)
 
«Aqui nos interessa destacar o segredo da alegria insondável que Jesus traz consigo e que é sua. Se Jesus irradia essa paz, essa segurança, essa alegria, essa disponibilidade, é pelo amor inefável com que se sabe amado pelo Pai» (São Paulo VI)
 
«(…) A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. (...) ‘No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!’ (Jo 16, 33)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.808)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O contexto do evangelho de hoje continua sendo o ambiente da Última Ceia, ambiente de confraternização e de despedida, de tristeza e de expectativa, no qual se reflete a situação das comunidades da Ásia Menor do fim do primeiro século.
Para poder entender bem os evangelhos, não podemos nunca esquecer que eles não relatam as palavras de Jesus como se fossem gravadas num CD para transmiti-las literalmente. Os Evangelhos são escritos pastorais que procuram encarnar e atualizar as palavras de Jesus nas novas situações em que se encontravam as comunidades na segunda metade do primeiro século na Galileia (Mateus), na Grécia (Lucas), na Itália (Marcos) e na Ásia Menor (João). No evangelho de João, as palavras e as perguntas dos discípulos não são só dos discípulos, mas nelas transparecem também as perguntas e os problemas das comunidades. São espelhos, nos quais as comunidades, tanto as daquele tempo como as de hoje, se reconhecem com suas tristezas e angústias, com suas alegrias e esperanças. Elas encontram luz e força nas respostas de Jesus.
 
* João 16,29-30: Agora estás falando claramente. Jesus tinha dito aos discípulos: O próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus. Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai (Jo 16,27-28). Ouvindo esta afirmação de Jesus, os discípulos respondem: Agora estás falando claramente e sem comparações. Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus". Os discípulos acham que entenderam tudo. Sim, realmente, eles captaram uma luz verdadeira para clarear seus problemas. Mas era uma luz ainda muito pequena. Captaram a semente, mas por agora não conhecem a árvore. A luz ou a semente era a intuição básica da fé de que Jesus é para nós a revelação de Deus como Pai: Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus. Mas isto era apenas o começo, a semente. Jesus, ele mesmo, era e continua sendo a grande parábola ou revelação de Deus para nós. Nele Deus chega até nós e se revela. Mas Deus não cabe em nossos esquemas. Ultrapassa tudo, desarruma nossos esquemas e traz surpresas inesperadas que, por vezes, são muito dolorosas.
 
* João 16,31-32: Vocês me deixam só, mas não estou só. O Pai está comigo. Jesus pergunta: "Agora vocês acreditam?" Ele conhece seus discípulos. Sabe que falta muito para a compreensão total do mistério de Deus e da Boa Nova de Deus. Sabe que, apesar da boa vontade e apesar da luz que acabaram de receber naquele momento, eles ainda deviam enfrentar a surpresa inesperada e dolorosa da Paixão e Morte de Jesus. A pequena luz que captaram não bastava para vencer a escuridão da crise: Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. Esta é a fonte da certeza de Jesus e, através de Jesus, esta é e será a fonte da certeza de todos nós: O Pai está comigo! Quando Moisés foi enviado para a missão de libertar o povo da opressão do Egito, ele recebeu esta certeza: “Vai! Estou com você!” (Ex 3,12). A certeza da presença libertadora de Deus está expressa no nome que Deus assumiu na hora de iniciar o Êxodo e de libertar o seu povo: JHWH, Deus conosco: Este é o meu nome para sempre (Ex 3,15). Nome que ocorre mais de seis mil vezes só no Antigo Testamento.
 
* João 16,33: Coragem! Venci o mundo! E vem agora a última frase de Jesus que antecipa a vitória e que será fonte de paz e de resistência tanto para os discípulos e discípulas daquele tempo como para todos nós, até hoje: Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo. “Com seu sacrifício por amor, Jesus vence o mundo e o Satanás. Seus discípulos são chamados a participar da luta e da vitória. Sentir o ânimo que ele infunde já é ganhar uma batalha” (L.A.Schokel).
 
Para confronto pessoal
1) Uma pequena luz ajudou os discípulos a dar um passo, mas não iluminou o caminho todo. Você já teve uma experiência assim na sua vida?
2) Coragem! Eu venci o mundo! Esta frase de Jesus já te ajudou alguma vez em sua vida?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Ascensão do Senhor

São Pascoal Bailão, religioso
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 1,1-11): No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João batizou com água; vós, porém, sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
 
Salmo Responsorial: 46
R. Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.
 
Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com brados de alegria, porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível, o Rei soberano de toda a terra.
 
Deus subiu entre aclamações, o Senhor subiu ao som da trombeta. Cantai hinos a Deus, cantai, cantai hinos ao nosso Rei, cantai.
 
Deus é Rei do universo: cantai os hinos mais belos. Deus reina sobre os povos, Deus está sentado no seu trono sagrado.
 
2ª Leitura (Ef 1,17-23): Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
 
Aleluia. Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 28,16-20): Os onze discípulos voltaram à Galileia, à montanha que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, prostraram-se; mas alguns tiveram dúvida. Jesus se aproximou deles e disse: «Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos».
 
«Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra»
 
Dr. Josef ARQUER (Berlin, Alemanha)
 
Hoje contemplamos umas mãos que abençoam —o último gesto terreno do Senhor (cf. Lc 24,51). Ou algumas pegadas marcadas numa colina —o último sinal visível da passagem de Deus pela nossa terra. Em algumas ocasiões, representa-se essa colina como uma rocha, e a pegada de suas pisadas ficam gravadas não sobre a terra, mas na rocha. Como que aludindo àquela pedra que Ele anunciou e que rapidamente será selada pelo vento e pelo fogo do Pentecostes. A iconografia emprega desde a antiguidade esses símbolos tão sugestivos. E também a nuvem misteriosa —sombra e luz ao mesmo tempo que acompanha tantas teofanias já no antigo testamento. O rosto do Senhor nos deslumbraria.
 
São Leão Magno ajuda-nos a aprofundar o acontecimento: «O que era visível no nosso Salvador passou agora aos seus mistérios». A que mistérios? Aos que confiou à sua Igreja. O gesto da bênção realiza-se na liturgia, as pegadas sobre a terra marcam o caminho dos sacramentos. E é um caminho que conduz à plenitude do definitivo encontro com Deus.
 
Os apóstolos terão tido tempo para se habituar ao outro modo de ser do seu Mestre ao longo daqueles quarenta dias, nos quais o Senhor— dizem-nos os exegetas— não “se aparece”, mas que —numa tradução fiel literal— “se deixa ver”. Agora nesse último encontro, renova-se o assombro. Porque agora descobrem que, daqui em diante, não só anunciarão a Palavra, mas que infundirão vida e saúde, com o gesto visível e a palavra audível: no batismo e nos outros sacramentos.
 
«Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra» (Mt 28, 18). Toda a autoridade… Ir a todas as gentes… E ensinar a guardar tudo… E Ele estará com eles —com a sua Igreja, conosco— todos os tempos (cf Mt 28,19-20). Esse “todo” retumba através do espaço e do tempo, afirmando-nos na esperança.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Os Apóstolos aproveitaram tanto a Ascensão do Senhor que tudo o que antes lhes causava medo, depois tornou-se alegria. A partir daquele momento elevaram toda a contemplação da sua alma à divindade sentada à direita do Pai» (São Leão Magno)
 
«A Ascensão de Jesus ao céu constitui o fim da missão que o Filho recebeu do Pai e o início da continuação desta missão por parte da Igreja, que durará até o fim da história e contará com a ajuda do Senhor Ressuscitado» (Francisco)
 
«A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu estar com os seus, ‘sempre, até ao fim do mundo’ (Mt 28, 20)» (Catecismo da Igreja Católica, n. 80)

"Eu estarei convosco, até o fim do mundo"

Do site da Ordem do Carmo em Portugal

*
Diversamente dos outros evangelistas, Mateus refere uma só aparição de Jesus ressuscitado aos “onze discípulos”, que redige e insere como conclusão final da sua obra, retomando o tema principal da mesma: Jesus é o Messias, o Deus conosco, cuja palavra, obra e salvação, se devem estender a todas as nações, cumprindo-se assim as promessas de Deus a Abraão. E assim como no seu Evangelho recolhe as palavras de Jesus em cinco discursos, também conclui a sua obra, não com palavras suas, mas deixando que seja o próprio Jesus, uma vez mais, a dirigir-se pessoalmente aos seus discípulos, a cada um dos destinatários do Evangelho.
 
* O texto de hoje tem duas partes: a) a aparição de Jesus aos Onze (vv. 16-18); e b) o grande mandato missionário (vv. 19-20).
 
v. 16. Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. Os onze discípulos" (Mc 16,14; Lc 24,9.33; At 1,26) são os "Doze discípulos" (10,1; 11,1; 20,17), ou seja, "os Doze” (10,5; 11,1; 26,20) “apóstolos" (10,2), que agora, sem Judas Iscariotes – “um dos Doze” (26,14.47), aquele que traiu Jesus (10,4) –, ficaram reduzidos a onze, pois Judas Iscariotes, ao tomar consciência do seu ato, se tinha suicidado (27,3-5).
 
* A aparição de Jesus aos onze é situada por Mateus, sem indicação de tempo, nem precisão de lugar, não em Jerusalém, mas na Galileia (he. "distrito", "região"). Porquê? Porque:
 
a) A missão de Jesus, que tinha começado na periferia norte de Israel, consuma-se onde tinha começado: na Galileia. E a missão universal da Igreja, que agora vai começar, a partir de Cristo ressuscitado, nasce da missão de Jesus na Galileia, que se alargou, tomando corpo primeiro na missão dos apóstolos, ainda quando Jesus estava fisicamente entre eles (10,5), e estendendo-se depois do Pentecostes a cada um dos membros da Igreja, de modo que o Evangelho seja anunciado sempre, por todos os discípulos de Jesus, a todos, em toda a parte, até ao fim dos tempos.
 
b) esta região é a desprezada “Galileia das nações” (4,15; Is 9,1; cf. Jo 7,52), onde coabitavam gentios e judeus, nessa altura, numa proporção de 2 para 1. A missão da Igreja, doravante, já não se restringirá apenas “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6), mas destinar-se-á a todas as gentes.
 
c) quando Mateus escreve o Evangelho, Jerusalém já tinha sido destruída pelas tropas de Tito, no ano de 70 d.C. Antes, porém, no Inverno de 66-67 d.C., quando as tropas romanas começaram a reconquistar a Galileia, após a sublevação de Israel no verão de 66, a comunidade cristã, obedecendo à palavra de Jesus (24,15-28), já tinha deixado Jerusalém e fugido da Judeia, primeiro para Pela, na Decápole (atual Jordânia: cf. Eus. Hist. eccl. 3.5.3), e, depois da conquista de Jerusalém, espalhando-se daí para a Galileia, o Líbano e a Síria. Mateus, no seguimento de Marcos, dá aqui a entender que Jerusalém deixa, desde então, de ser a capital do Povo de Deus (cf. Lc 21,24), para o centro do novo Povo de Deus passar a ser o lugar onde Jesus convoca e reúne os seus discípulos (Mc 16,7 precisa-o: à volta de Pedro), neste caso, a Galileia, o lugar onde os eles vivem e trabalham, ou seja, a Galileia da vida concreta: é aí que Jesus ressuscitado se encontra com os seus discípulos e os envia em missão – primeiro os apóstolos e, depois, neles, todos os membros da comunidade cristã, que os apóstolos representam. É por este motivo que Mateus não os designa como “os onze apóstolos”, mas “os onze discípulos”, para neles ver representados todos os cristãos.
 
* O encontro de Jesus ressuscitado com os Onze ocorre num “monte” da Galileia. É o último dos oito montes (4,8 [1º]; 5,1 [2º].14 [é também um “monte”, o 3º!]; 14,23 [4º]; 15,29 [5º]; 17,1 [6º]; 21,1 [7º]) que Mateus refere na sua obra, dos quais (exceto no caso do monte das Oliveiras: Zc 14,4), nunca indica o lugar preciso nem o nome, a fim de se destacar apenas o seu significado teológico. No AT, o “monte” é o lugar do encontro com Deus e da revelação. Este “monte” agora é Jesus, sobre o qual está assente e é edificada a Igreja (cf. 5,14!; 16,18), a nova Jerusalém, a partir da qual será anunciada a Palavra de Cristo, a nova lei de Deus, a todas as nações, como tinha sido prometido através dos profetas (cf. Is 2,2-5; 66,20; Jr 31,6; Mq 4,2; Zc 8,20-23). E tal como Moisés, antes de morrer, contemplou do cimo do monte indicado por Deus a Terra Prometida e aí instituiu Josué como seu sucessor (Nm 27,12‑23; Dt 3,27s; 34,1-4), Jesus, o novo Moisés, confia aos seus discípulos a terra inteira para nela formar o novo Povo de Deus, que Ele, o novo Josué (o nome hebraico Iehoschua – em aramaico Ioschua – é traduzido para grego, pelos LXX, como Iesous, "Jesus"), introduzirá na verdadeira terra prometida, que é o Reino dos céus. E assim como foi num monte da Galileia que Jesus “começou a ensinar” (5,1), é também a partir dum monte da Galileia que Ele envia os seus discípulos a "ensinar", não apenas ao povo de Israel, mas a todas as nações.
 
* “Designar” (gr. tássô) tem aqui duplo significado: a) refere-se ao lugar da Galileia (26,32), indicado por Jesus na Última Ceia, tal como o anjo o recordou às mulheres quando lhes anunciou a ressurreição de Jesus (v. 7) e o próprio Jesus ressuscitado lhes mandou anunciar “aos seus irmãos” (v. 10); b) significa “instituir num serviço”, porque é agora que os Doze são constituídos apóstolos para todas as nações.
 
* v. 17. E, quando o viram, adoraram-no, mas alguns duvidaram. Os apóstolos, “quando o viram” (Jo 20,20), prostram-se por terra e “adoram” Jesus ressuscitado (v. 9; Lc 24,52), pois é só então, a partir da Sua ressurreição, que Ele se lhes revela claramente como Deus, ou seja, como o único Senhor (he. Adonai; gr. Kyriós) a quem se deve adorar (4,10).
 
* “Alguns duvidaram”: Mateus refere aqui, descontextualizadas e sintetizadas nesta brevíssima expressão, as dúvidas e as dificuldades que os discípulos tiveram em acreditar na ressurreição de Jesus
(Mc 16,10-14; Lc 24,25; Jo 20,25.27). A persistência de dúvidas nalguns deles, mesma na presença do próprio Cristo ressuscitado, mostra que não é a partir dos sentidos, nem apenas duma visão interior, mas da fé na Palavra que é possível encontrar-se com Jesus Ressuscitado e reconhecê-lo (cf. Jo 20,8s; 2Cor 5,16; Rm 10,8ss). Este encontro e este reconhecimento, porém, requerem um “salto na fé” tão grande e uma conversão interior tão profunda, que muitos, demasiado presos à letra da Lei ou aos seus próprios esquemas mentais, têm dificuldade de dar.
 
* v. 18. Aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: «Foi-Me dada toda a autoridade no céu e sobre a terra. A segunda parte narra o grande mandato missionário de Jesus aos “onze discípulos” e, neles, a todos os membros da Igreja que eles representam (19,28).
O mandato (vv. 19-20a) é precedido pela declaração da autoridade de Jesus (v. 18) e concluído com a sua promessa de permanecer com eles até ao fim do tempo (20b), estando dispostos os seus elementos numa estrutura quiástica: A, autoridade (v. 18b); B, fazer discípulos (v. 19a); C: batizar (o elemento central: v. 19b); B’, ensinar os discípulos (v. 20a); A’, presença (v. 20b).
 
* “Aproximando-se deles” (17,7): pela ressurreição, Jesus não se separou dos seus discípulos, mas aproxima-se antes deles, tomando a iniciativa de ir ao seu encontro, a fim de restabelecer uma relação íntima e pessoal com eles, que será o meio deles receberem o seu poder e a fonte donde jorrará cada dia o ímpeto sempre renovado da sua missão e a fecundidade da sua obra. Ao tomar a iniciativa de se aproximar deles, Jesus ensina os seus discípulos a imitá-lo, tomando também eles a iniciativa de ir ao encontro dos outros, neste caso, das gentes de toda a humanidade.
 
* Depois, Jesus revela-lhes que, graças à sua ressurreição, "Lhe foi dada" (é um passivo divino; subentende-se: por Deus; cf. a paródia diabólica acerca deste poder, sobre o primeiro monte: 4,9), “toda a autoridade”. É a décima e última vez que o termo "autoridade" (gr. exousía) aparece em Mateus, simbolizando o número dez, em hebraico, a totalidade. Mateus indica assim que, pela paixão, morte e ressurreição, "foi dada" a Jesus, enquanto "Filho do homem", tal como tinha sido anunciado por Dn 7,13-14, toda a autoridade, ou seja, todo o poder, toda a potestade divina (11,27; Lc 10,22; Jo 3,35).
 
* Esta autoridade é exercida por Jesus de forma universal, sobretudo, “no céu e sobre a terra”, unindo-os (cf. Ef 1,20ss; Ap 12,10). A tradição judaica dizia que Moisés “tinha controle sobre a terra e os céus” (ExRab 12,75a); Jesus, o novo Moisés, é constituído Senhor sobre toda a criação, inaugurando assim um novo êxodo, o êxodo do novo povo de Deus, que se estenderá a toda a humanidade, libertando-a do poder da morte e fazendo-a sair do Egito do pecado (1,21), para a introduzir na verdadeira terra da promissão, o Reino dos céus.
 
* Porque divina, a autoridade de Jesus ressuscitado é universal, abarcando "o céu e a terra", estendendo-se aos anjos, a todos os homens de todos os tempos (vivos ou mortos) e a toda a criação (22,32; 25,32), como o adjetivo “todo” (gr. pãs, "todo", "tudo" e "cada um", 4x no presente texto: vv. 18ss) indica.
 
* v. 19. Ide, pois, fazei discípulas todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. “Ide” é o imperativo missionário (7,10; Mc 16,15; 2Rs 2,16). O particípio aoristo passivo indica que a missão não é uma ação pontual, mas constante, que se vai processando, à medida que os discípulos vão avançando, ao longo da história, ao encontro de todas as pessoas, em todo o tempo e lugar. A Igreja, nascida da missão de Jesus, é, por sua natureza, missionária.
 
* Jesus explicita o mandato que transmite aos seus discípulos em cinco pontos:
 
1) a missão é universal, já não se limita apenas ao povo de Israel (10,5s), mas destina-se a “todas as gentes” (24,14p; 26,13; Mc 16,15; At 1,8; Cl 1,23). A autoridade universal que foi dada a Jesus é o fundamento da missão universal da Igreja.
2) A missão articula-se em três etapas:
 
i) “fazei discípulas”. É a primeira etapa, a evangelização. "Evangelizar" é pregar o querigma (1Cor 15,3-5), por palavras e obras, no poder do Espírito (cf. Rm 15,19; 2Cor 12,12; Gl 3,5; 1Ts 1,5; Hb 2,4).
 
* "Todas as gentes”: a expressão está no acusativo, sendo o complemento direto do verbo “fazer discípulos/as” (gr. matheteuo, só 4x na Bíblia: três em Mateus, 13,52; 27,57; e uma em At 14,21).
 
* O AT tinha duas palavras para designar um povo: a) "povo" (he. 'am; gr. laós), quase sempre, o povo de Deus propriamente dito, ou seja, Israel; b) "nação" (he. gôy; gr.éthnos), aqueles povos e nações que não faziam parte de Israel.
 
* É a estas que Jesus se refere aqui, no sentido mais amplo.
De facto, o termo “nação”  em grego não tem apenas a conotação sociopolítica que hoje tem, mas indica também o conjunto de pessoas que fazem parte da mesma nação, ou seja, aqueles que normalmente se costuma designar "gentios" ou “gentes”. É o caso desta expressão, em que Jesus pensa mais nas pessoas do que nas instituições (embora não as exclua), incluindo também entre elas o povo de Deus da antiga aliança, a quem os “doze apóstolos” já tinham sido enviados (10,5-6), não sendo por isso aqui explicitamente mencionado, uma vez que Jesus só quer indicar que doravante a missão se dirige também aos gentios. Jesus não exclui ninguém da sua oferta de salvação; pelo contrário: quer que todos dela possam beneficiar. Desta forma, a missão evangelizadora da Igreja deve estender-se a todos as pessoas, de todos os povos, nações, línguas, sexo, idade, tempo, cultura ou condição social, quer sejam hebreias, quer não.
 
* A expressão “todas as gentes” evoca a promessa de Deus a Abraão de na sua descendência (que é Jesus: Gl 3,16) serem "abençoadas todas as gentes da terra" (Gn 18,18; 22,18; 26,6), cumprindo-se assim esta promessa da forma mais universal (cf. 3,9; 8,11; Sl 47,2; 72,11.17; 117,1; Is 2,2; 25,7; 66,18; Jr 3,17; Dn 7,14; Am 9,12; Ag 2,7).
 
* Inserida aqui, na conclusão final, a expressão indica que a salvação que Jesus alcançou com a sua paixão e morte de cruz não se destina apenas “ao seu povo” (1,21), nem se limita à "redenção” e à remissão dos pecados “de muitos” (20,28; 26,28), mas tem um alcance universal, abrangendo não só “todas as gentes” de todas as épocas, mas abarcando também toda a criação (cf. v. 18).
 
ii) “batizar” (gr. "mergulhar", “imergir”: 2Rs 5,14) os que acreditaram no Evangelho (Mc 16,16; At 2,38; 8,12). É a segunda etapa, a iniciação cristã: fazer renascer e participar na vida divina os que escutaram a Palavra, se arrependeram e confessam a Jesus Cristo como o Senhor, a fim de viver a vida nova do Evangelho.
 
“Em nome” (eis ónoma: 10,41s; 18,20; 24,9): o Nome designa a pessoa (6,9), sendo doravante a presença libertadora e salvífica da Trindade o novo e definitivo “memorial” de Deus (cf. Ex 3,15) no meio do Seu povo, espalhado entre todas as gentes.
 
* Pelo batismo (o termo inclui aqui os três sacramentos de iniciação cristã: batismo, crisma e Eucaristia), o crente nasce de novo, é unido a Cristo como membro do seu Corpo e feito filho de Deus, tornando-se morada do Espírito Santo e participante da vida divina, ficando assim capacitado para viver como discípulo-missionário de Jesus, seguindo-o como seu Senhor, no seio da Igreja;
 
* v. 20. E ensinando-as a guardar tudo o que vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação do tempo».
 
iii) “Ensinar” (5,2; 13,54; 21,24; 22,16). É a terceira etapa: ajudar os que já renasceram pelo batismo e receberam o dom do Espírito Santo a viver segundo a sua nova condição. "Ensinar" e evangelizar (4,23; 9,35; 11,1) eram as atividades fundamentais de Jesus, que os seus discípulos continuam, destinando-se a primeira aos membros do povo de Deus que já conheciam a Sua Palavra, e a segunda, àqueles que ainda não conheciam Deus e a Sua Palavra. “Ensinar” (que, em Mateus, começa por pôr em prática, cumprir: 5,19!) consiste em expor aos batizados, de forma orgânica e estruturada, todo o desígnio salvífico de Deus, dizendo-lhes qual é a sua vontade e mostrando-lhes como a cumprir, de modo que possam progredir na vida cristã, pondo em prática o Evangelho (3,10; 7,21.24; 12,50; 21,31ss) em todos os aspetos e dimensões da sua existência, imitando Jesus (10,25).
 
* “Tudo o que vos mandei”. A expressão evoca:
a) a fidelidade à Palavra (5,19; Ex 23,22; Dt 6,25; 8,1; 13,1. 19; 28,1; 30,16; 32,46; Js 22,2). Os discípulos de Jesus devem transmitir integralmente a Sua palavra, o Evangelho – não as suas próprias ideias, opiniões ou preferências pessoais –, ensinando os outros a "guardá-lo", ou seja, a conservá-lo vivo, na mente e no coração, para o observar, o "pôr em prática". Na Igreja primitiva, o ensino, assente na palavra de Deus, sobretudo no Evangelho, e dirigido à vida, fazia-se depois do batismo, sacramento que se recebia imediatamente a seguir ao querigma (At 2,41s), a primeira fase da evangelização, durante a qual se transmitia o núcleo essencial da fé (Hb 6,1s; cf. supra, v. 19, 2.i).
 
b) a atividade profética (Ex 25,22; Jr 1,7.17). Apesar da oposição do mundo (5,12s; 10,18.22.25; 23,34; 24,9), os discípulos, tal como os profetas em relação à palavra de Deus, não devem deixar de anunciar o Evangelho a todos.
 
3) A profissão de fé trinitária, a mais clara e concisa do NT (v. 19): Deus é Trindade, uma comunhão de três Pessoas divinas, iguais e distintas, que são um só Deus, como mostra o polissíndeto (“e”) em que o único “Nome” de Deus as une e rege por igual (cf. 1Cor 12,4-6; 2Cor 13,13).
 
4) A promessa de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias” (Dt 31,23; Js 1,5.9; Is 41,10; 43,2; Jr 1,19; Ag 1,13; 2,4s; At 18,10; 2Tm 4,17). O Evangelho conclui como começou, formando a grande inclusão mateana. No início do Evangelho, o anjo tinha dito que Jesus se haveria de chamar Emanuel, "Deus connosco" (1,23; Is 7,14; Is 8,10); agora, o próprio Jesus confirma esta declaração, anunciando o novo nome de Deus (do "Eu Sou": Ex 3,14) que nele se revela, literalmente: “Eu convosco Sou”. Cumpre deste modo no novo Povo de Deus, a Igreja (cf. 18,20), a grande promessa do AT: a de Deus habitar sempre, “todos os dias”, no meio do seu povo (Ex 29,45; Ez 37,26s; Zc 2,14s; 8,23; 2Cor 6,16), doravante não apenas na terra de Israel, como anunciaram os profetas, mas no meio de todas as gentes e nações da terra, no seio da humanidade renascida da sua obra redentora de alcance universal.
 
5) A duração da missão. A missão durará "até à consumação do tempo” (gr. aiôn: “século”, "era"). A expressão, no singular, é própria de Mateus (13,39-40.49; 24,3).
 
* "Consumar" significa devorar, consumir pelo fogo (cf. 1Cor 3,13). "A consumação do tempo" designa o último dia do “fim dos tempos” (Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 2,9; Gl 4,4; Ef 1,10), determinado pelo Pai (24,36), em que Jesus virá, os mortos ressuscitarão e todos serão julgados por Ele (13,49; 24,3; cf. 25,31). Então o universo será "consumido" pelo fogo do amor de Deus e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), que, assumidos por Cristo ressuscitado, participarão da sua ressurreição, na eternidade prometida (13,43; 25,46), de uma forma que só Deus conhece, sendo então, finalmente, Deus tudo em todos (1Cor 15,28).
 
* O Evangelho de Mateus termina assim com uma mensagem de fé e de esperança, destinadas a toda a humanidade, da qual Jesus, o Filho de Deus, se tornou irmão (v. 10), nascendo como "filho de David, filho de Abraão" (1,1), ou seja, como "Filho do homem" (16,13; 25,31; 26,64), a fim de tornar o homem filho de Deus e fazer todas as criaturas participar, cada uma a seu modo, da glória da Sua ressurreição.
 
MEDITAÇÃO
1. Sou discípulo de Jesus? Acredito na sua ressurreição? Conheço a sua Palavra, para ler à sua luz a minha vida e a história, e a praticar?
2. Sou Igreja? Como tenho cumprido o mandato missionário de Jesus em casa, no trabalho, na paróquia, no grupo? A quem ainda não fui?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA

 
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Sábado VI da Páscoa

São Simão Stock, presbítero
São João Nepomuceno, presbítero e mártir
Sta. Margarida de Cortona. penitente
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 18,23-28): Depois de ter passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu de novo e percorreu sucessivamente a Galácia e a Frígia, fortalecendo todos os discípulos na fé. Entretanto, chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente, muito versado nas Escrituras. Fora instruído no caminho do Senhor e pregava com muito entusiasmo, ensinando com exatidão o que se referia a Jesus, embora só conhecesse o baptismo de João. E começou a falar também com firmeza na sinagoga. Priscila e Áquila, ouvindo-o falar, tomaram-no consigo e expuseram-lhe com maior exatidão o caminho do Senhor. Como ele queria partir para a Acaia, os irmãos encorajaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem. Depois de lá ter chegado, ajudava muito os fiéis com o auxílio da graça: refutava energicamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Messias.
 
Salmo Responsorial: 46
R. Deus é o Senhor de toda a terra.
 
Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com júbilo, porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível, o Rei soberano de toda a terra.
 
Deus é Rei do universo, cantai os hinos mais belos. Deus reina sobre os povos, Deus está sentado no trono sagrado.
 
Reuniram-se os príncipes dos povos ao povo do Deus de Abraão; porque a Deus pertencem os poderes da terra, Ele está acima de todas as coisas.
 
Aleluia. Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e vou para o Pai. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 16, 23-28): «Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará. Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. Eu vos falei estas coisas por meio de figuras. Vem a hora em que não mais vos falarei em figuras, mas vos falarei claramente do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome. E não digo que eu rogarei ao Pai por vós. Pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que saí de junto de Deus. Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo, deixo o mundo e vou para o Pai».
 
«Eu saí do Pai (...) e vou para o Pai»
 
Rev. D. Xavier ROMERO i Galdeano (Cervera, Lleida, Espanha)
 
Hoje, na véspera da festa da Ascensão do Senhor, o Evangelho deixa-nos com palavras afetuosas de despedida. Jesus dá-nos a partilhar o seu mistério mais precioso; Deus Pai é a sua origem e, ao mesmo tempo, o seu destino: «Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo, deixo o mundo e vou para o Pai» (Jo 16,28).
 
Esta verdade, relativa à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não deveria jamais deixar de ressoar nos nossos corações: realmente, Jesus é o Filho de Deus; o Pai Divino é a sua origem e, ao mesmo tempo, o seu destino.
 
Para aqueles que julgam saber tudo sobre Deus, mas duvidam da filiação divina de Jesus, o Evangelho de hoje tem algo importante a lembrar-lhes: “Aquele” a quem os judeus chamam Deus é quem enviou Jesus; é, portanto, o Pai dos crentes. Com isto se diz, claramente, que Deus só se pode conhecer verdadeiramente se se aceitar que Ele é o Pai de Jesus.
 
E esta filiação divina de Jesus recorda-nos outro aspecto, fundamental para a nossa vida: nós, os batizados, somos filhos de Deus em Cristo pelo Espírito Santo. Aqui se esconde, para nós, um mistério belíssimo: esta paternidade divina adotiva, de Deus para cada homem, distingue-se da adoção humana na medida em que tem um fundamento real em nós, já que pressupõe um novo nascimento. Portanto, quem foi introduzido na grande Família divina já não é um estranho.
 
Por isso recordamos, na Oração Coleta da Missa do dia da Ascensão, que como filhos temos seguido os passos do Filho: «Deus onipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo». Finalmente, nenhum cristão deveria aceitar “despendurar-se”, pois tudo isto é mais importante que participar em qualquer corrida ou maratona, já que a nossa meta é o Céu, o próprio Deus!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A glória de Deus é que o homem viva, e a vida do homem é a visão de Deus» (Santo Irineu de Lyon)
 
«Após a grande manifestação de Jesus Cristo no terreno da fé, por vezes, encontramos com frequência, uma vida obscura, dura, difícil, uma seara de lagrimas mas, igualmente certos de que a luz de Cristo, no final, nos dará uma grande colheita» (Bento XVI)
 
«Mais ainda: o que o Pai nos dá, quando a nossa oração se une à de Jesus, é «o outro Paráclito, para ficar convosco para sempre, o Espírito de verdade» (Jo14, 16-17). Esta novidade da oração e das suas condições aparece ao longo do discurso do adeus. No Espírito Santo, a oração cristã é comunhão de amor com o Pai, não somente por Cristo, mas também n'Ele (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.615)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
• Jo 16,23b: Os discípulos têm acesso total ao Pai.
Esta é a garantia que Jesus anuncia aos discípulos: que, em união com ele, podem ter acesso à paternidade de Deus. A mediação de Jesus conduz os discípulos ao Pai. É claro que o papel de Jesus não é substituir aos "seus": não os suplanta por uma função de intercessão, mas que os une a si; e em comunhão com Ele, eles apresentam seus desejos e necessidades.
 
• Os discípulos estão seguros de que Jesus tem a riqueza do Pai: "Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará." (v.23b). Desta forma, a saber, em união com Ele, a riqueza passa a ser eficaz. O objeto de qualquer pedido ao Pai deve ser sempre ligado a Jesus, isto é, ao seu amor e ao seu plano de dar vida ao homem (Jo 10,10). A oração dirigida ao Pai em nome de Jesus, em união com Ele (Jo 14,13; 16,23) é atendida.
Até o momento, os discípulos não tinham pedido nada em nome de Jesus, poderão  fazer depois de sua glorificação (Jo 14,13 s) quando receberem o Espírito que irradiará plenamente a sua identidade (Jo 4,22 ss) e operará a união com Ele. Os seus poderão pedir e receber com alegria plena, quando passarem da visão sensível  à visão da fé.
 
• Jo 16,24-25: Em Jesus temos contato direto com o Pai. Os crentes estão incluídos na relação entre o Filho e o Pai. Em João 16,26 Jesus insiste na ligação operada pelo Espírito, que permitirá aos seus apresentar ao Pai qualquer pedido em união com Ele. Isso vai acontecer "naquele dia". O que quer dizer "aquele dia pedireis?" É o dia em que virá para os seus e lhe comunicará o Espírito (Jo 20,19-22). Então os discípulos, conhecendo a relação entre Jesus e o Pai, saberão que são ouvidos. Será necessário que Jesus se interpõe entre o Pai e os discípulos pedindo para favorecê-los, não porque tenha terminado sua mediação, mas porque eles, tendo acreditado na Encarnação do Verbo e estando intimamente unidos a Cristo, serão amados pelo Pai como o Pai ama o Filho (Jo 17,23.26). Em Jesus, os discípulos experimentam o contato direto com o Pai.
 
• Jo 16,26-27: Oração ao Pai.
Assim pois, orar é ir ao Pai por meio de Jesus; dirigir-se ao Pai em nome de Jesus. Deve-se prestar especial atenção para a expressão de Jesus nos vv. 26-27: " E não digo que eu rogarei ao Pai por vós. Pois o próprio Pai vos ama". O amor do Pai para com os discípulos se baseia na adesão dos "seus" a Jesus, na fé de sua procedência, ou seja, no reconhecimento de Jesus como dom do Pai. Após ter assemelhado os discípulos com ele, parece que Jesus se retira da sua condição de mediador, mas na verdade deixa que nos tome e nos atenda somente o Pai: "Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa " (v 24). Conectados na relação com o Pai através da união com Ele, a nossa alegria é total e nossa oração perfeita. Deus sempre oferece o seu amor ao mundo todo, mas esse amor se torna recíproco somente se o homem responder. O amor é incompleto se não for recíproco: até que o homem não o aceita, permanece suspenso. Os discípulos o aceitam no momento em que amam a Jesus, e desta maneira se torna operativo o amor de Deus. A oração é essa relação de amor. No fundo, a história de cada um de nós se identifica com a história de sua oração, incluindo os momentos que não parecem como tal: o desejo já é uma oração, bem como a busca, a angústia ...
 
Para confronto pessoal
1) Minha oração pessoal e comunitária, é realizada em um estado de quietude, de paz e de grande tranquilidade?
2) Com que empenho me dedico a crescer na amizade com Jesus? Você está convencido de que você pode conseguir uma identificação real através de comunhão com Ele e do amor ao próximo?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

16 de maio

 S. Simão Stock
Presbítero e 6º Prior Geral de nossa Ordem
 
De nacionalidade inglesa, fala-se dele em documentos antigos como tendo vivido no séc. XIII, na província de Inglaterra, e morrido em Bordéus. O seu nome tornou-se muito popular graças à oração “Flos Carmeli”, que lhe foi atribuída, e à grande difusão do Escapulário, em virtude da tradicional visão, acompanhada da grande promessa de Maria: “Este é o privilégio, que te concedo a ti e a todos os que o usarem: quem com ele morrer, não padecerá o fogo eterno, ou seja, será salvo”, a qual inspirou numerosos artistas a partir do séc. XV. É venerado na Ordem do Carmo pela sua grande santidade e sobretudo pela sua peculiar piedade para com a SS. Virgem, à qual recomendou a Ordem no meio das dificuldades com que esta, vinda da Palestina, deparou quando a sua chegada à Europa. O seu culto estendeu-se liturgicamente a toda a Ordem em 1564.
 
HINO DE LAUDES E DE VÉSPERAS
 
Ao despontar (terminar) o dia a Deus louvamos
com São Simão
e tributamos todo o nosso amor
e gratidão
 
De Maria, nossa querida Mãe
e Protetora
recordamos as graças recebidas
naquela hora.
 
Ó Virgem, que proteges com amor
os filhos teus
e a toda hora sobre nós derramas
os dons de Deus.
 
Concede, ó Mãe querida, à tua Ordem,
- te suplicamos –
que no amor a Deus e aos irmãos
sempre vivamos.
 
À Eterna e Santíssima Trindade,
Ao Deus de amor,
Nós damos com Maria e São Simão
Nosso louvor.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
LAUDES
 
Cântico Evangélico
Ant. O Senhor é minha herança, ele é bom para quem o busca. (T.P. Aleluia)
 
Oração
Senhor, nosso Deus, que chamastes São Simão Stock ao vosso serviço entre os Irmãos da Virgem Maria do Monte Carmelo, concedei-nos, por sua intercessão, que busquemos sempre o vosso rosto na oração e cooperemos na salvação dos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ou
Oração
Ó Deus, que pelos méritos e preces do bem-aventurado Simão, vosso confessor, ornastes, pelas mãos da Genitora de vosso Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, com o singular privilégio a Ordem do Monte Carmelo: concedei, por sua intercessão, atingirmos a glória que vós preparastes aos que vos amam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
 
Cântico Evangélico (Magnificat)
Ant.
Onde, unidos, os irmãos louvam a Deus, aí o Senhor abençoará o seu povo. (T.P. Aleluia)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – 6ª Sexta-feira da Páscoa

 Santo Isidro o lavrador, leigo
Beato Egídio (Gil de Santarém), presbítero
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 18,9-18): Quando Paulo estava em Corinto, certa noite o Senhor disse-lhe numa visão: «Não temas, continua a falar, que Eu estou contigo e ninguém porá as mãos sobre ti, para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade». Então Paulo demorou-se ali ano e meio a ensinar aos coríntios a palavra de Deus. Quando Galião era procônsul da Acaia, os judeus levantaram-se todos contra Paulo e levaram-no ao tribunal, dizendo: «Este homem induz as pessoas a prestarem culto a Deus à margem da lei». Quando Paulo ia a abrir a boca, disse Galião aos judeus: «Judeus, se se tratasse de alguma injustiça ou grave delito, escutaria certamente as vossas queixas, como é meu dever. Uma vez, porém, que são questões de doutrina e de nomes da vossa própria lei, o assunto é convosco. Eu não quero ser juiz dessas coisas». E mandou-os sair do tribunal. Todos então se apoderaram de Sóstenes, chefe da sinagoga, e começaram a bater-lhe em frente do tribunal. Mas Galião não se importou nada com isso. Paulo demorou-se ainda algum tempo em Corinto; depois despediu-se dos irmãos e embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila, e rapou a cabeça em Cêncreas, por causa de um voto que fizera.
 
Salmo Responsorial: 46
R. Deus é o Senhor de toda a terra.
 
Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com brados de alegria, porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível, o Rei soberano de toda a terra.
 
Submeteu os povos à nossa obediência e pôs as nações a nossos pés. Para nós escolheu a nossa herança, glória de Jacob, por Ele amado.
 
Deus subiu entre aclamações, o Senhor subiu ao som da trombeta. Cantai hinos a Deus, cantai, cantai hinos ao nosso Rei, cantai.
 
Aleluia. Cristo tinha de sofrer e ressuscitar dos mortos para entrar na sua glória. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 16,20-23a): «Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará».
 
«Mas a vossa tristeza se transformará em alegria»
 
Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)
 
Hoje nós começamos a Novena do Espírito Santo. Revivendo o Cenáculo, vemos a Mãe de Jesus, Mãe do Bom Conselho, conversando com os Apóstolos. Que diálogo tão cordial e tão pleno! A recordação de todas as alegrias que tiveram ao lado do Mestre, os dias pascoais, a Ascenção e as promessas de Jesus. Os sofrimentos dos dias da Paixão se converteram em alegrias. Que belíssimo ambiente no Cenáculo! E quanta beleza está sendo preparada, como Jesus lhes prometeu.
 
Nós sabemos que Maria, Rainha dos Apóstolos, Esposa do Espírito Santo, Mãe da Igreja nascente, nos guia para receber os dons e os frutos do Espírito Santo. Os dons são como a vela desdobrada de uma embarcação e o vento —que representa a graça— está a seu favor: que rapidez e facilidade no caminho!
 
O Senhor nos promete também, em nossa rota, converter as fadigas em alegria: «ninguém poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). E no Salmo 126,6: «Quando vai, vai chorando, levando a semente para plantar; mas quando volta, volta alegre, trazendo seus feixes».
 
Durante toda esta semana, a liturgia nos fala de rejuvenescer, de exultar (pular de alegria), da felicidade segura e eterna. Tudo nos leva a viver de oração. Como nos diz São Josemaria: «Quero que estejas sempre contente, porque a alegria é parte integrante de teu caminho. — Pede essa mesma alegria sobrenatural para todos».
 
O ser humano necessita sorrir para ter boa saúde física e espiritual. O humor sadio ensina a viver. São Paulo nos dirá: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). Eis aqui uma boa jaculatória: «Tudo é para o bem!»; «Omnia in bonum!»
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Enquanto o Senhor nasce, os anjos cantam cheios de gozo. Como não deveria então alegrar-se a pequenez humana perante esta obra indizível da misericórdia divina, quando, inclusivamente os coros sublimes dos anjos encontravam nela um gozo tão intenso?» (São Leão Magno)
 
«A alegria humana pode ser apagada em qualquer momento, perante uma qualquer dificuldade. Mas, esta alegria que o Senhor nos dá, faz-nos regozijarmo-nos na esperança de O encontrar, mesmo nos momentos mais obscuros» (Bento XVI)
 
«(...) Cristo, que tudo assumiu a fim de tudo resgatar, é glorificado pelos pedidos que dirigimos ao Pai em seu nome (Cf. Jo 14,13). É com esta certeza que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todas as ocasiões» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.633)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Nestes dias entre Ascensão e Pentecostes, os evangelhos de cada dia são tirados dos capítulos 16 a 21 do evangelho de São João, onde fazem parte do assim chamado “Livro da Consolação ou da Revelação perante a Comunidade” (Jo 13,1 a 21,31).
Este Livro tem a seguinte subdivisão: despedida dos amigos (Jo 13,1 a 14,31); testamento de Jesus e oração ao Pai (Jo 15,1 a 17,28); a obra consumada (Jo 18,1 a 20,31). O ambiente é de tristeza e de expectativa. Tristeza, porque Jesus se despede e a saudade toma conta do coração. Expectativa, porque está chegando a hora de receber o dom prometido do consolador que fará desaparecer a tristeza e trará de volta a alegria da presença amiga de Jesus no meio da comunidade.
 
* João 16,20: A tristeza se transformará em alegria. Jesus diz: “Eu lhes garanto: vocês vão gemer e se lamentar, enquanto o mundo vai se alegrar. Vocês ficarão angustiados, mas a angústia de vocês se transformará em alegria”. A frequente alusão à tristeza e ao sofrimento reflete o ambiente das comunidades do fim do primeiro século na Ásia Menor (atual Turquia), para as quais João escreve o seu evangelho. Elas viviam uma situação difícil de perseguição e de opressão que era causa de tristeza. Os apóstolos tinham ensinado que Jesus voltaria logo, mas a Parusia, o retorno glorioso de Jesus, estava demorando e a perseguição aumentava. Muitos ficavam impacientes: “Até quando?” (cf. 2Tess 2,1-5; 2Pd 3,8-9). Pois, uma pessoa só aguenta uma situação de sofrimento e de perseguição quando ela sabe que o sofrimento é caminho e condição para a perfeita alegria. Então, mesmo tendo a morte diante dos olhos, ela aguenta e enfrenta a dor. Por isso o evangelho traz a comparação tão bonita das dores do parto.
 
* João 16,21: A comparação das dores do parto. Todos entendem esta comparação, sobretudo as mães: “Quando a mulher está para dar à luz, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ela nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um ser humano no mundo”. A dor e a tristeza causadas pela perseguição, mesmo sem oferecerem nenhum horizonte de melhora, não são estertores de morte, mas sim dores de parto. As mães sabem disto por experiência. A dor é terrível, mas elas aguentam, porque sabem que a dor é fonte de vida nova. Assim é a dor da perseguição dos cristãos, e assim pode e deve ser vivida qualquer dor, contanto que seja à luz da experiência da morte e ressurreição de Jesus.
 
* João 16,22-23a: A alegria eterna.
 Jesus aplica a comparação: Agora, vocês também estão angustiados. Mas, quando vocês tornarem a me ver, vocês ficarão alegres, e essa alegria ninguém tirará de vocês. Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Esta é a certeza que anima as comunidades cansadas e perseguidas da Ásia Menor e as faz cantar de alegria no meio das dores. Como diz o poeta: “Faz escuro, mas eu canto!” Ou como diz o místico São João da Cruz: “Em uma noite escura, com ânsias e amores inflamado, ó ditosa ventura, saí sem ser notado, estando já minha casa sossegada!” A expressão Nesse Dia indica a chegada definitiva do Reino que traz consigo a sua própria claridade. À luz de Deus já não haverá mais necessidade de perguntar coisa alguma. A luz de Deus é a resposta total e plena a todas as perguntas que poderiam nascer de dentro do coração humano.
 
Para confronto pessoal
1) Tristeza e alegria. Elas existem misturadas na vida. Como isto acontece em sua vida?
2) Dores de parto. Esta experiência está na origem da vida de cada um de nós. Minha mãe aguentou a dor com esperança, e por isso eu estou vivo. Pare e pense neste mistério da vida.
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.