domingo, 7 de junho de 2026

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS - Terça-feira da 10ª semana do Tempo Comum

São José de Anchieta, presbítero e Apóstolo do Brasil
 
ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à divina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos séculos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem-aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (1Re 17,7-16): Naqueles dias, secou a torrente, junto da qual se tinha refugiado o profeta Elias, porque não tinha chovido na região. Então o Senhor dirigiu a palavra a Elias, dizendo: «Levanta-te, vai a Sarepta de Sidônia e fica lá, porque Eu ordenei a uma viúva que te dê alimento». Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva a apanhar lenha. Chamou-a e disse-lhe: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber». Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse: «Por favor, traz-me também um pedaço de pão». Mas ela respondeu: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte». Elias disse-lhe: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traze-o aqui. Depois farás pão para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’». A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho. Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite, como o Senhor prometera pela boca de Elias.
 
Salmo Responsorial: 4
R. Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto.
 
Quando Vos invocar, ouvi-me, ó Deus de justiça. Vós que na tribulação me tendes protegido, compadecei-Vos de mim e ouvi a minha súplica. Até quando, ó homens, sereis duros de coração? Porque amais a vaidade e procurais a mentira?
 
Sabei que o Senhor faz maravilhas pelos seus amigos, o Senhor me atende quando O invoco. Tremei e não pequeis, no silêncio dos vossos leitos falai ao vosso coração.
 
Muitos dizem: «Quem nos fará felizes?». Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face. Dais ao meu coração uma alegria maior do que a deles na abundância de trigo e vinho.
 
Aleluia. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 5,13-16): «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas. Vós sois a luz do mundo. Uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida. Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus».

«Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo»
 
Rev. D. Francesc PERARNAU i Cañellas (Girona, Espanha)
 
Hoje, São Mateus nos lembra aquelas palavras que Jesus nos fala sobre a missão dos cristãos: ser sal e luz do mundo. O sal, por uma parte, é este condimento necessário que dá sabor aos alimentos: sem sal, que pouco valem os pratos! Por outra parte, ao longo dos séculos o sal tem sido um elemento fundamental para a conservação dos alimentos pelo seu poder de evitar a decomposição. Jesus nos diz: “Deveis ser sal em vosso mundo, e como o sal, dar sabor e evitar a deterioração.”
 
Em nosso tempo, muitos perderam o sentido de sua vida e dizem que não vale à pena; que está cheia de desgostos, dificuldades e sofrimentos; que passa muito depressa e que tem como perspectiva final —e bem triste— a morte. Por isso, «Jesus confia-nos uma missão maravilhosa: dar sabor ao mundo com o Evangelho e levar a sua luz aos lugares onde parecem impor-se a tristeza, a violência e a indiferença» (Leão XIV).
 
«Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas» (Mt 5,13). O cristão deve dar o sabor: mostrar com a alegria e o otimismo sereno de quem sabe que é filho de Deus, que tudo nesta vida é caminho de santidade; que dificuldades, sofrimentos e dores nos ajudam a purificar-nos; e que ao final nos espera a vida de Gloria, a felicidade eterna.
 
E, também como o sal, o discípulo de Cristo deve preservar-se da corrupção: onde estão os cristãos de fé viva, não pode haver injustiças, violências, abusos aos débeis... Todo o contrário, devemos deixar resplandecer a virtude da caridade com toda a força: a preocupação pelos outros, a solidariedade, a generosidade...
 
E, assim, o cristão é a luz do mundo (cf. Mt 5,14). O cristão é esta tocha que, com o exemplo de sua vida, leva a luz da verdade a todos os cantos do mundo, mostrando o caminho da salvação... Lá onde antes só havia escuridão, incertezas e dúvidas, nasce a claridade, a certeza e a segurança.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não pensei que o combate ao que se lhes chama é de pouca importância e que a causa que se lhes encomenda é exígua: “Vocês são a sal da terra”» (São João Crisóstomo)
 
«Precisamente nesta época, os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo. Não nos deixemos roubar a comunidade!» (Francisco)
 
«O povo de Deus possui características que o distinguem nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história (...). A sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo. “Constitui para todo o género humano o mais forte gérmen de unidade, esperança e salvação”» (Catecismo da Igreja Católica, n° 782)
 
REFLEXÃO
 
* Ontem, meditando as oito bem-aventuranças, passamos pelo portão de entrada do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).
No evangelho de hoje recebemos uma importante instrução sobre a missão da Comunidade. Ela deve ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16). Sal não existe para si, mas para dar sabor à comida. Luz não existe para si, mas para iluminar o caminho. A comunidade não existe para si, mas para servir ao povo. Na época em que Mateus escrevia o seu evangelho, esta missão estava sendo difícil para as comunidades dos judeus convertidos. Apesar de viverem na observância fiel da lei de Moisés, elas estavam sendo expulsas das sinagogas, cortadas do seu passado judeu. Enquanto isso, entre os pagãos convertidos alguns diziam: “Depois que Jesus veio, a Lei de Moisés está superada”. Tudo isto era causa de tensões e incertezas. A abertura de uns parecia criticar a observância dos outros, e vice-versa. Este conflito gerou uma crise que levou cada um a se fechar na sua própria posição. Uns querendo avançar, outros querendo colocar a luz debaixo da mesa. Muitos se perguntavam: "Afinal, qual a nossa missão?" Lembrando e atualizando as palavras de Jesus, o Evangelho de Mateus procura ajudá-los:
 
* Mateus 5,13-16: Sal da terra. Usando imagens do quotidiano, com palavras simples e diretas, Jesus faz saber qual a missão e a razão de ser de uma comunidade cristã: ser sal. Naquele tempo, com o calor que fazia, o povo e os animais precisavam de consumir muito sal. O sal, entregue pelo fornecedor em grandes blocos colocados em praça pública, ia sendo consumido pelo povo. No fim, aquilo que sobrava ficava espalhado como poeira no chão, tinha perdido o gosto. “Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”.  Jesus evoca este costume para esclarecer os discípulos e as discípulas sobre a missão que devem realizar.
 
* Mateus 5,14-16: Luz do mundo. A comparação é óbvia. Ninguém acende uma vela para colocá-la debaixo de um caixote. Uma cidade situada em cima de um morro não consegue ficar escondida. A comunidade deve ser luz, deve iluminar. Não deve ter medo de que apareça o bem que faz. Não o faz para aparecer, mas o que faz pode aparecer. Sal não existe para si. Luz não existe para si! Assim deve ser a comunidade: ela não pode fechar-se sobre si mesma. “Que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu."
 
* Mateus 5,17-19: Nenhuma vírgula da lei vai cair. Entre os judeus convertidos havia duas tendências. Uns achavam que já não era necessário observar as leis do AT, pois é pela fé em Jesus que somos salvos e não pela observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros achavam que eles, sendo judeus, deviam continuar observando as leis do AT (At 15,1-2). Em cada uma das duas tendências havia grupos mais radicais. Diante deste conflito, Mateus procura um equilíbrio para além dos dois extremos. A comunidade deve ser o espaço, onde este equilíbrio possa ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continuava bem atual: “Não vim abolir a lei, mas dar-lhe pleno cumprimento!”. As comunidades não podem ser contra a Lei, nem podem fechar-se dentro da observância da lei. Como Jesus, devem dar um passo e mostrar, na prática, que o objetivo que a lei quer alcançar na vida é a prática perfeita do amor.
 
*  As várias tendências nas primeiras comunidades cristãs. O plano de salvação tem três etapas unidas entre si pelo chão da vida: 1) O Antigo Testamento: a caminhada do povo hebreu, orientada pela Lei de Deus. 2) A vida de Jesus de Nazaré: ele renova a Lei de Moisés a partir da sua experiência de Deus como Pai/Mãe. 3) A vida das Comunidades: através do Espírito de Jesus, elas procuram viver a vida como Jesus a viveu. A unidade destas três etapas gera a certeza de fé de que Deus está no meio de nós. As tentativas de quebrar ou de enfraquecer a unidade deste plano de salvação geravam os vários grupos e tendências nas comunidades:
1. Os fariseus não reconheciam Jesus como Messias e aceitavam só o AT. Dentro das comunidades havia gente simpatizante com a linha dos fariseus (At 15,5)
2. Alguns judeus convertidos aceitavam Jesus como Messias, mas não aceitavam a liberdade do Espírito com que as comunidades viviam a presença de Jesus ressuscitado. (At 15,1).
3. Outros, tanto judeus como pagãos convertidos, achavam que com Jesus tinha chegado o fim do AT. Daqui para a frente, só Jesus e a vida no Espírito. 
4. Havia ainda cristãos que viviam tão plenamente a vida na liberdade do Espírito, que já não olhavam mais para a vida de Jesus de Nazaré nem para o Antigo Testamento (1Cor 12,3).
5. Ora, a grande preocupação do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito não podem ser separados. Os três fazem parte do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza central da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré.
 
Para um confronto pessoal
1. Para você, na sua experiência de vida, para que serve o sal? Sua comunidade está sendo sal? Para você, o que significa a luz na sua vida? De que maneira sua comunidade está sendo Luz?
2. Como as pessoas do bairro veem a sua comunidade? Sua comunidade exerce alguma atração? É sinal? Sinal de que? Para quem?
 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
 
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Deus Pai dos Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, ...
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, ...
Coração de Jesus, de majestade infinita, ...
Coração de Jesus, templo santo de Deus, ...
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,...
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, ...
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, ...
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, ...
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, ...
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, ...
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, ...
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, ...
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, ...
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, ...
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, ...
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,...
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, ...
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,...
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, ...
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, ...
Coração de Jesus, saturado de opróbios, ...
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,...
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, ...
Coração de Jesus, atravessado pela lança,...
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,...
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, ...
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, ...
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, ...
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, ...
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, ...
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
 
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
 
ORAÇÃO
Onipotente e eterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
 
CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS (composta por Sta. Margarida Maria)
Eu...(Nome), dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo a minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para o honrar, amar e glorificar É esta a minha vontade irrevogável - pertencer-lhe e fazer tudo por seu amor, renunciando completamente ao que não for do seu agrado.
Eu vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.
Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus, vosso Pai, e afastai de mim os castigos de sua cólera. Ó Coração de amor, ponho em vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade. Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais me esquecer nem me separar de Vós.
Suplico-vos, também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vós, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco, na qualidade de vossa (o) escrava (o). Assim seja.

sábado, 6 de junho de 2026

Sto. Efrém, diácono e Doutor da Igreja
 
ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à divina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos séculos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem-aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (1Re 17,1-6): Naqueles dias, Elias, o tesbita, de Tisbé de Galaad, disse ao rei Acab: «Tão certo como estar vivo o Senhor, Deus de Israel, a quem eu sirvo, não cairá nestes anos nem orvalho nem chuva, senão quando eu disser». Então o Senhor dirigiu a palavra a Elias, dizendo: «Sai daqui, vai para o Oriente e refugia-te junto à torrente de Carit, em frente do Jordão. Beberás da torrente e Eu ordenei aos corvos que te levem alimento». Elias fez como o Senhor lhe tinha dito: partiu e foi viver junto à torrente de Carit, em frente do Jordão. Os corvos traziam-lhe pão e carne de manhã, pão e carne à tarde, e ele bebia da torrente.
 
Salmo Responsorial: 120
R. O nosso auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
 
Levanto os meus olhos para os montes: donde me virá o auxílio? O meu auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
 
Não permitirá que vacilem os teus passos, não dormirá Aquele que te guarda. Não há-de dormir nem adormecer Aquele que guarda Israel.
 
O Senhor é quem te guarda, o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo. O sol não te fará mal durante o dia, nem a lua durante a noite.
 
O Senhor te defende de todo o mal, o Senhor vela pela tua vida. Ele te protege quando vais e quando vens, agora e para sempre.
 
Aleluia. Exultai e alegrai-vos, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 5,1-12): Vendo as multidões, Jesus subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e ele começou a ensinar: «Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança. Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus. Pois foi deste modo que perseguiram os profetas que vieram antes de vós».
 
«Felizes os pobres no espírito»
 
Rev. D. Àngel CALDAS i Bosch (Salt, Girona, Espanha)
 
Hoje, com a proclamação das Bem-aventuranças, Jesus nos faz notar que frequentemente somos uns desmemoriados e que atuamos como crianças, pois as brincadeiras fazem esquecer certas obrigações. Jesus temia que a grande quantidade de “boas notícias” que nos tem dado —quer dizer, de palavras, gestos e silêncios— se diluísse em nossos pecados e preocupações. Lembra, na parábola do Semeador, a imagem do grão de trigo sufocado nos espinhos? Por isso São Mateus introduz as Bem- aventuranças como princípios fundamentais, para que não as esqueçamos nunca. É um resumo da Nova Lei apresentada por Jesus, como uns pontos básicos que nos ajudam a viver de maneira cristã.
 
As bem-aventuranças estão destinadas a todo o mundo. O Mestre não só ensina aos discípulos que o rodeiam, nem exclui a nenhum tipo de pessoa, ele apresenta uma mensagem universal. Agora bem, destaca as disposições que devemos ter e a conduta moral que nos pede. Embora a salvação definitiva não aconteça neste mundo, e sim no outro, enquanto vivemos na terra devemos mudar nossa mentalidade e transformar nossa maneira de valorizar as coisas. Devemos acostumar-nos a ver o rosto de Cristo que chora nas pessoas que choram, nas que querem viver sem a palavra e, nos mansos de coração, nos que fomentam as ânsias de santidade, nos que tomaram uma “determinada determinação”, como dizia Santa Teresa de Jesus, para ser semeador da paz e alegria.
 
As bem-aventuranças são o perfume do Senhor participando na história humana. Também na sua e na minha. Os dois últimos versículos incorporam a presença da Cruz, pois convidam à alegria quando as coisas ficam difíceis humanamente falando por causa de Jesus e do Evangelho. E é que, enquanto a coerência da vida cristã seja firme, então, facilmente virá a persecução de mil maneiras diferentes, entre as dificuldades e contrariedades inesperadas. O texto de São Mateus é claro: então «Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus. Pois foi deste modo que perseguiram os profetas que vieram antes de vós» (Mt 5,12).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Vêm Deus aqueles que são capazes de O olhar, porque têm abertos os olhos do espírito. Toda a gente tem olhos, mas alguns têm-nos escurecidos e não veem a luz do sol» (Santo Teófilo de Antioquia)
 
«Cada uma das Bem-aventuranças provém do olhar de Jesus dirigido aos seus discípulos. Descrevem a sua situação factual: são pobres, têm fome, choram, são odiados e perseguidos... Apesar da situação concreta de ameaça, ela torna-se uma promessa quando vista à luz providencial que vem do Pai» (Bento XVI)
 
«As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua paixão e ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.717)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* A partir de hoje, início da 10ª Semana Comum, até o fim da 21ª Semana Comum, os evangelhos diários serão tomados do evangelho de Mateus.
Depois até o fim do ano litúrgico em novembro, serão do evangelho de Lucas.
 
* No Evangelho de Mateus, escrito para as comunidades de judeus convertidos da Galileia e Síria, Jesus é apresentado como o novo Moisés, o novo legislador. No AT a Lei de Moisés foi codificada em cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Imitando o modelo antigo, Mateus apresenta a Nova Lei em cinco grandes Sermões espalhados pelo evangelho:  1) O Sermão da Montanha (Mt 5,1 a 7,29);  2) O Sermão da Missão (Mt 10,1-42);  3) O Sermão das Parábolas (Mt 13,1-52);  4) O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35);  5) O Sermão do Futuro do Reino (Mt 24,1 a 25,46). As partes narrativas, intercaladas entre os cinco Sermões, descrevem a prática de Jesus e mostram como ele observava a nova Lei e a encarnava em sua vida.
 
* Mateus 5,1-2: O solene anúncio da Nova Lei. De acordo com o contexto do evangelho de Mateus, no momento em que Jesus pronunciou o Sermão da Montanha, havia apenas quatro discípulos com ele (cf. Mt 4,18-22). Pouca gente. Mas uma multidão imensa estava à sua procura (Mt 4,25). No AT, Moisés subiu o Monte Sinai para receber a Lei de Deus. Como Moisés, Jesus sobe a Montanha e, olhando o povo, proclama a Nova Lei. É significativa a maneira solene como Mateus introduz a proclamação da Nova Lei: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: 'Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” As oito Bem-Aventuranças formam a solene abertura do "Sermão da Montanha". Nelas Jesus define quem pode ser considerado feliz, quem pode entrar no Reino. São oito categorias de pessoas, oito portas de entrada para o Reino, para a Comunidade. Não há outras entradas! Quem quiser entrar no Reino terá que identificar-se ao menos com uma destas oito categorias.
 
* Mateus 5,3: Felizes os pobres em espírito. Jesus reconhece a riqueza e o valor dos pobres (Mt 11,25-26). Define sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ele mesmo, vive como pobre. Não possui nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Mt 8,20). E a quem quer segui-lo ele manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). No evangelho de Lucas se diz: “Felizes vocês pobres!” (Lc 6,20). Então, quem é o “pobre em espírito”? É o pobre que tem o mesmo espírito que animou Jesus. Não é o rico. Nem é o pobre com cabeça de rico. Mas é o pobre que, como Jesus, acredita nos pobres e reconhece o valor deles. É o pobre que diz: “Eu acredito que o mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor”.
 

1. Felizes os pobres em espírito

1  deles é o Reino dos Céus

2. Felizes os mansos

2  herdarão a terra

3. Felizes os aflitos

3  serão consolados

4. Felizes os que têm fome e sede de justiça

4  serão saciados

5. Felizes os  misericordiosos

5  obterão misericórdia

6. Felizes os de coração puro

6  verão a Deus

7. Felizes os promotores da paz

7  serão filhos de Deus

8. Felizes os perseguidos por causa da justiça

8  deles é o Reino dos Céus

 
*  Mateus 5,4-9: O novo projeto de vida. Cada vez que na Bíblia se tenta renovar a Aliança, se recomeça restabelecendo o direito dos pobres e dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Nas bem-aventuranças, ele anuncia o novo Projeto de Deus que acolhe os pobres e os excluídos. Ele denuncia o sistema que exclui os pobres e persegue os que lutam pela justiça. A primeira categoria dos “pobres em espírito” e a última categoria dos “perseguidos por causa da justiça” recebem a mesma promessa do Reino dos Céus. E a recebem desde agora, no presente, pois Jesus diz “deles é o Reino!” O Reino já está presente na vida deles. Entre a primeira e a última categoria, há três duplas ou seis outras categorias de pessoas que recebem a promessa do Reino. Nestas três duplas transparece o novo projeto de vida que quer reconstruir a vida na sua totalidade através de um novo tipo de relacionamento: com os bens materiais (1ª dupla); com as pessoas entre si (2ª dupla); com Deus (3ª dupla). A comunidade cristã deve ser uma amostra deste Reino, um lugar onde o Reino começa a tomar forma desde agora.
 
*  As três duplas:
Primeira dupla: os mansos e os aflitos: Os mansos são os pobres de que fala o salmo 37. Eles foram privados de suas terras e vão herdá-las de novo (Sl 37,11; cf Sl 37.22.29.34). Os aflitos são os que choram diante da injustiça no mundo e no povo (cf. Sl 119,136; Ez 9,4; Tob 13,16; 2Pd 2,7). Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento com os bens materiais: a posse da terra e o mundo reconciliado.
 
Segunda dupla: os que tem fome e sede de justiça e os misericordiosos: Os que tem fome e sede de justiça são os que desejam renovar a convivência humana, para que ela esteja novamente de acordo com as exigências da justiça. Os misericordiosos são os que tem o coração na miséria dos outros porque querem eliminar as desigualdades entre os irmãos e irmãs. Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento entre as pessoas através da prática da justiça e da solidariedade.
 
Terceira dupla: os puros de coração e os pacíficos: Os puros de coração são os que tem um olhar contemplativo que lhes permite perceber a presença de Deus em tudo. Os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus, porque eles se esforçam para que a nova experiência de Deus possa penetrar tudo e realize a integração de tudo (Shalom). Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento com Deus: ver a presença atuante de Deus em tudo e ser chamado filho e filha  de Deus.
 
* Mateus 5,10-12: Os perseguidos por causa da justiça e do evangelho. As bem-aventuranças dizem exatamente o contrário do que diz a sociedade em que vivemos. Nesta, o perseguido pela causa da justiça é visto como um infeliz. O pobre é um infeliz. Feliz é quem tem dinheiro e pode ir ao supermercado e gastar à vontade. Feliz é quem tem fama e poder. Os infelizes são os pobres, os que choram! Na televisão, as novelas divulgam este mito da pessoa feliz e realizada. E sem nos se dar conta, as novelas acabam se tornando o padrão de vida para muitos de nós. Será que na nossa sociedade ainda há lugar para estas palavras de Jesus: “Felizes os perseguidos por causa da justiça e do evangelho! Felizes os pobres! Felizes os que choram!”? E para mim, que sou cristão ou cristã, quem é feliz de fato?
 
Para um confronto pessoal
1) Todos queremos ser felizes. Todos e todas! Mas somos realmente felizes? Por que sim? Por que não? Como entender que uma pessoa possa ser pobre e feliz ao mesmo tempo?
2) Quais os momentos em sua vida em que você se sentiu realmente feliz. Era uma felicidade como aquela que foi proclamada por Jesus nas bem-aventuranças, ou era de outro tipo?
 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
 
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Deus Pai dos Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, ...
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, ...
Coração de Jesus, de majestade infinita, ...
Coração de Jesus, templo santo de Deus, ...
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,...
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, ...
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, ...
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, ...
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, ...
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, ...
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, ...
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, ...
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, ...
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, ...
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, ...
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,...
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, ...
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,...
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, ...
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, ...
Coração de Jesus, saturado de opróbios, ...
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,...
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, ...
Coração de Jesus, atravessado pela lança,...
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,...
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, ...
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, ...
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, ...
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, ...
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, ...
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
 
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
 
ORAÇÃO
Onipotente e eterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
 
CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS (composta por Sta. Margarida Maria)
Eu...(Nome), dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo a minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para o honrar, amar e glorificar É esta a minha vontade irrevogável - pertencer-lhe e fazer tudo por seu amor, renunciando completamente ao que não for do seu agrado.
Eu vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.
Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus, vosso Pai, e afastai de mim os castigos de sua cólera. Ó Coração de amor, ponho em vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade. Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais me esquecer nem me separar de Vós.
Suplico-vos, também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vós, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco, na qualidade de vossa (o) escrava (o). Assim seja.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – X Domingo do Tempo Comum

Bta. Ana de São Bartolomeu, virgem da nossa Ordem.


ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à divina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos séculos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem-aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
I Leitura  (Os 6, 3-6): Profecia de Oseias: Procuremos conhecer o Senhor. A sua vinda é certa como a aurora. Virá a nós como o aguaceiro de outono, como a chuva da primavera sobre a face da terra. «Que farei por ti, Efraim? Que farei por ti, Judá?» – diz o Senhor – «O vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada, que logo se evapora. Por isso vos castiguei por meio dos Profetas e vos matei com palavras da minha boca; e o meu direito resplandece como a luz. Porque Eu quero a misericórdia e não o sacrifício, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos».
 
Salmo Responsorial Sl 49 (50), 1.8.12-13.14-15 (R. 23b)
R. A quem procede retamente, farei ver a salvação de Deus.
 
Falou o Senhor, Deus soberano, e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:
«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo: os teus holocaustos estão sempre na minha presença.
 
Se tivesse fome, não te diria, porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.
Comerei porventura as carnes dos touros ou beberei o sangue dos cabritos?
 
Oferece a Deus sacrifícios de louvor e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da tribulação: Eu te livrarei e tu Me darás glória».
 
II Leitura (Rm 4, 18-25): Irmãos: Contra toda a esperança, Abraão acreditou que havia de tornar-se pai de muitas nações, como tinha sido anunciado: «Assim será a tua descendência». Sem vacilar na fé, não tomou em consideração nem a falta de vigor do seu corpo, pois tinha quase cem anos, nem a falta de vitalidade do seio materno de Sara. Perante a promessa de Deus, não se deixou abalar pela desconfiança, antes se fortaleceu na fé, dando glória a Deus, plenamente convencido de que Deus era capaz de cumprir o que tinha prometido. Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça». Não é só por causa dele que está escrito «Foi-lhe atribuído», mas também por causa de nós, que acreditamos n’Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, Nosso Senhor, que foi entregue à morte por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justificação.
 
Aleluia. Foi o Senhor quem me mandou boas notícias anunciar; ao pobre, a quem está no cativeiro, libertação eu vou proclamar. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,9-13): Ao passar, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: «Segue-me!». Ele se levantou e seguiu-o. Depois, enquanto estava à mesa na casa de Mateus, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se à mesa, junto com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e disseram aos discípulos: «Por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?». Tendo ouvido a pergunta, Jesus disse: «Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Ide, pois, aprender o que significa: ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores».
 
«Não é a justos que vim chamar, mas a pecadores»
 
P. Jorge LORING SJ (Cádiz, Espanha)
 
Hoje, Jesus fala-nos da alegria que produz a conversão de alguém que havia afastando-se de Deus. Existem alguns textos do Evangelho que se pode entender com erros, como por exemplo: «Não é a justos que vim chamar, mas a pecadores» (Mt 9,13), ou a outra frase de Jesus: «haverá no céu alegria por um só pecador que se converte, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão» (Lc 15,7). Parece que Deus prefere que fossemos pecadores, e não é assim. A alegria acrescenta-se porque se trata de uma alegria distinta, nova.
 
Se um jovem emigrante voltasse para casa, sua mãe o receberia com uma grande alegria, que não lhe dão seus outros filhos que permaneceram com ela. A mãe preferia que seu filho não tivesse que emigrar a procurar um trabalho, mas ao voltar lhe dá uma alegria nova que não lhe dão os outros filhos. Se um filho estiver gravemente doente e recupera a saúde, dará aos seus pais uma alegria nova que não lhe darão seus filhos sadios. Mas o pai preferia que seu filho não adoecesse. É o caso da alegria que recebe o pai do filho prodigo quando ele voltar para casa.
 
É evidente que o Senhor quer que lhe sejamos fiéis e não afastemo-nos de Ele. Mas quando separarmos, Ele sai a buscarmos, como o Bom Pastor que deixa as outras ovelhas no redil e sai em busca da ovelha perdida até encontrá-la. «Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes» (Mt 9,12); Jesus Cristo, médico divino, não espera aos doentes acudirem a Ele, mas Ele mesmo sai ao seu encontro. Como diz Santo Agostinho, Jesus «convoca aos pecadores à paz, e aos doentes à cura».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Mateus, que estava destinado a ser apóstolo e mestre dos gentios, no seu primeiro contato com o Senhor arrastou atrás de si pelo caminho da salvação um grupo considerável de pecadores» (São Beda o Venerável)
 
«Que Maria, que é Mãe de misericórdia, coloque em nossos corações a certeza de que somos amados por Deus; que fique perto de nós nos momentos de dificuldade e que nos dei os sentimentos do seu Filho, para que o nosso itinerário seja uma experiência de perdão, acolhida e caridade» (Francisco)
 
«Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (399). Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (400), os admitia no banquete messiânico (401). Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema» (Catecismo da Igreja Católica, nº 589)
 
Cristo passa e chama quem Ele quer
 
Pe. Pedro Viva

* Retomando o Tempo Comum da liturgia e após as solenidades da Santíssima Trindade e do Corpo e Sangue do Senhor, entramos, de novo, no ritmo litúrgico da vida quotidiana de Jesus.
Um tempo mais distendido em que muitas das atividades pastorais estão a chegar ao fim e se começam a preparar as do próximo ano. É neste contexto da vida eclesial e pessoal de avaliação, pausa e programação que somos confrontados com o chamamento de Mateus a seguir o Mestre. Surpreendente o chamamento deste homem, por parte de Jesus, e não menos surpreendente a resposta imediata de Mateus. Jesus encontra-o entregue ao seu trabalho e não perde tempo. Faz o mesmo hoje com cada uma e com cada um de nós. Todos os momentos são bons para nos chamar a um maior seguimento e a fazer-nos rever as nossas prioridades e projetos.
 
* Ao tempo de Jesus, a maioria dos rabinos eram escolhidos por aqueles que os reconheciam por mestres e que com eles queriam aprender. Jesus tem uma forma de ser diferente. É ele quem chama quem ele quer e escolhe até aqueles que o senso comum diria que não eram boas escolhas. Mateus/Levi é sem dúvida um destes, pois era cobrador de impostos, ou seja, alguém malvisto pela sociedade em geral. Eram tidos como colaboracionistas com o estado romano opressor, na recolha de impostos; cobravam em regra mais do que deviam, caindo na usura e até no roubo descarado; olhavam mais para os bens materiais que aos bens espirituais. Por isso, deles se dizia que não tinham salvação possível, pois mesmo que quisessem restituir o que tinham roubado, era tanto que nem eles sabiam.
 
* Jesus chama para segui-lo um homem assim. É uma provocação de Jesus para aqueles que se consideravam puros. Mas os gestos inauditos de Jesus não se ficam por aqui. Vai mais longe. Participa numa festa, num banquete onde estão amigos de Mateus, também eles cobradores de impostos. E isto é alvo de críticas. No texto paralelo de Marcos, afirma-se que a festa decorreu na casa dele, ou seja, de Jesus, e assim se percebe melhor a crítica: acolhe os pecadores e come com eles. Jesus não se limita a chamar Mateus para o seguir. Não o chama para o repreender pela sua vida e pela sua conduta moral. Também não o fará com Zaqueu. Isto não significa que não se importe com o que ele faz. Simplesmente a sua pedagogia é outra: o do perdão e o da misericórdia. É o amor que salva e, uma vez, sentindo-se amado, a pessoa reconhece os caminhos novos a trilhar.
 
* Jesus convida para o seguir e para ir até uma festa. Se tivermos em conta que o Reino de Deus era comparado a um banquete, então percebemos melhor onde Jesus nos leva: à salvação. Também Mateus e pecadores como ele são alvo do amor e da salvação de Jesus. Ninguém fica de fora.
 
* Ao chamamento de Mateus e à participação no banquete, a terceira parte do nosso texto refere a indignação dos fariseus e a tripla resposta que Jesus lhes dá: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores». Jesus desconcerta-os pela sua resposta. Afinal, quem não quiser entrar na lógica de Jesus ficará fora da festa da misericórdia. Não participará no banquete da reconciliação, como o irmão mais velho da parábola do Filho Pródigo que se indignou com o pai por ter organizado uma festa para o filho mais novo, seu irmão, mas que não o considera como tal, que tinha regressado, segundo ele, depois de ter consumido a herança com uma vida dissoluta.
 
* Seguir Jesus, escutar a sua voz, requer silêncio e disponibilidade de coração. Requer perseverança e conversão interior. Requer uma visão nova da vida e do mundo. Requer um olhar segundo a lógica de Deus.
 
* A celebração da Eucaristia é constituída por dois momentos fundamentais: a liturgia da Palavra e a liturgia Eucarística. A mesa da Palavra e a mesa do pão. Após o chamamento a Mateus, Jesus leva-o a participar num banquete onde todos têm lugar, sem excepção. Assim deve ser a Eucaristia. Não é um banquete dos que se consideram puros, mas um convite de amor que é oferecido a todos e ao qual Jesus nos atrai. É assim que compreendo a Eucaristia? É assim que a minha comunidade cristã celebra a Eucaristia?
 
* Disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Tantas vezes nos levantamos das nossas vidas, das nossas casas, aos domingos e de semana, para poder participar na Eucaristia. Mas é o Senhor quem passa e chama: «Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com Ele». Seguir o Mestre implica disponibilidade imediata, «pois quem mete a mão ao arado e olha para trás não é digno de Mim (Lc 9, 62). Como ouço os apelos de Jesus e lhes respondo? Com que prontidão?
 
* Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens. Ao contrário do comodismo que nos instala, Jesus desinstala-nos e propõe-nos a segui-Lo. Assim aconteceu com Mateus, que, do imobilismo em que se encontrava, sentado a cobrar impostos, de imediato se levantou. E é na medida em que nos dispomos a segui-Lo que poderemos assumir a Sua missão, hoje. Ser discípulo missionário é estar disposto a seguir o mestre para onde Ele quer que vá e para onde nos leva a ir. Que contributo quero eu dar para ajudar quem vive na tristeza, no desespero, na angústia?
 
* …Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores. Quem na verdade, neste mundo, se pode considerar justo? E, no entanto, em cada Eucaristia, Jesus se oferece como Pão vivo descido do Céu para nos alimentar das razões que precisamos para viver. Mais do que nos convidar a comer e a beber, Jesus, como a Mateus, partilha, à mesa, da Sua vida e da Sua amizade. Convida-nos à intimidade e é nesse ambiente que Mateus descobre quem é e o que é chamado a fazer. Assim devia ser em cada Eucaristia. O lugar de encontro uns com os outros e com Deus. E com o coração reconciliado e agradecido, aceitar o “ite missa est” como um desafio à missão e não ao descanso imobilista.
 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO

 
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
 
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Deus Pai dos Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, ...
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, ...
Coração de Jesus, de majestade infinita, ...
Coração de Jesus, templo santo de Deus, ...
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,...
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, ...
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, ...
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, ...
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, ...
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, ...
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, ...
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, ...
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, ...
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, ...
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, ...
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,...
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, ...
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,...
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, ...
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, ...
Coração de Jesus, saturado de opróbios, ...
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,...
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, ...
Coração de Jesus, atravessado pela lança,...
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,...
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, ...
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, ...
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, ...
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, ...
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, ...
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
 
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
 
ORAÇÃO
Onipotente e eterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
 
CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS (composta por Sta. Margarida Maria)
Eu...(Nome), dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo a minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para o honrar, amar e glorificar É esta a minha vontade irrevogável - pertencer-lhe e fazer tudo por seu amor, renunciando completamente ao que não for do seu agrado.
Eu vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.
Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus, vosso Pai, e afastai de mim os castigos de sua cólera. Ó Coração de amor, ponho em vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade. Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais me esquecer nem me separar de Vós.
Suplico-vos, também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vós, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco, na qualidade de vossa (o) escrava (o). Assim seja.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

7 de junho

Beata Ana de São Bartolomeu
Virgem de nossa Ordem

 
Nasceu em Almendral (Ávila, Espanha) no dia 12 de outubro de 1549. Entrou em 1570 para o primeiro convento de S. José de Ávila e foi a primeira religiosa conversa da reforma teresiana. Professou a 15 de agosto de 1572 e foi muito estimada por S. Teresa, a ponto de a assistir nas viagens, nas doenças e na morte, em cujos braços a Santa morreu. Após a morte de S. Teresa, foi a alma da difusão do espírito e da obra teresiana em França (1604) e na Flandres (1612), na fidelidade ao carisma da reformadora e no zelo pelo bem da Igreja e pela salvação das almas. Morreu no mosteiro por ela fundado em Antuérpia (Anvers, Bélgica), no dia 7 de junho 1626, festa da Santíssima Trindade. Foi beatificada a 6 de maio de 1917 por Bento XV.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

LAUDES
Antífona do Cântico Evangélico
Ant. Onde está a humildade aí está a sabedoria, a sabedoria do humilde o exaltará (T.P. Aleluia)
 
Oração
Senhor nosso Deus, grandeza dos humildes, que adornastes a bem-aventurada Ana com as virtudes da caridade e da paciência, concedei-nos, por sua intercessão, que, seguindo e amando a Cristo nos irmãos, vivamos sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Antífona do Cantico Evangélico
Ant.
Deus escolheu os pobres deste mundo para fazê-los ricos com a fé e herdeiros do reino que prometeu àqueles que o amam. (T.P. Aleluia)

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS - Sábado IX do Tempo Comum

São Norberto, bispo
São Marcelino Champagnat, presbítero
 
ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à divina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos séculos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem-aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (2Tim 4,1-8): Caríssimo: Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há-de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina. Tempo virá em que os homens não suportarão mais a sã doutrina: mas, desejosos de ouvir novidades, escolherão para si uma multidão de mestres, ao sabor das suas paixões, e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se para as fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, suporta os sofrimentos, trabalha no anúncio do Evangelho, cumpre bem o teu ministério. Quanto a mim, já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda.
 
Salmo Responsorial: 70
R. A minha boca proclamará a vossa salvação.
 
A minha boca está cheia do vosso louvor, cantando continuamente a vossa glória. Não me rejeiteis na minha velhice, não me abandoneis quando me abandonarem as forças.
 
Em Vós, Senhor, hei de esperar sempre e multiplicarei os vossos louvores. A minha boca proclamará a vossa justiça, dia após dia a vossa infinita salvação.
 
Meu Deus, hei de narrar os vossos feitos grandiosos, recordarei, Senhor, a vossa justiça sem igual. Desde a juventude, ó Deus, Vós me ensinastes e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.
 
Eu louvarei com a harpa a vossa fidelidade, cantar-Vos-ei ao som da cítara, ó Santo de Israel.
 
Aleluia. Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.
 
Evangelho (Mc 12,38-44): Ao ensinar, Jesus dizia: «Cuidado com os escribas! Eles fazem questão de andar com amplas túnicas e de serem cumprimentados nas praças, gostam dos primeiros assentos na sinagoga e dos lugares de honra nos banquetes. Mas devoram as casas das viúvas, enquanto ostentam longas orações. Por isso, serão julgados com mais rigor. Jesus estava sentado em frente do cofre das ofertas e observava como a multidão punha dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam muito. Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas. Jesus chamou os discípulos e disse: «Em verdade vos digo: esta viúva pobre deu mais do que todos os outros que depositaram no cofre. Pois todos eles deram do que tinham de sobra, ao passo que ela, da sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha para viver».
 
«Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas»
 
Rev. D. Enric PRAT i Jordana (Sort, Lleida, Espanha)
 
Hoje como no tempo de Jesus, os seus devotos —e ainda mais os “profissionais” da religião— podem sofrer a tentação de uma espécie de hipocrisia espiritual, manifestada nas atitudes vaidosas, justificadas pelo fato de sentirmo-nos melhor que os outros: por alguma razão somos crentes, praticantes... os puros! Pelo menos no interior da nossa consciência, às vezes nos sentimos assim; sem chegar, porém a “fazer que rezamos” e ainda menos a “devorar os bens dos demais”.
 
No contraste evidente com os mestres da lei, o Evangelho apresenta-nos o gesto simples, insignificante, de uma mulher viúva que suscitou a admiração de Jesus: «Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas» (Mc 12,42). O valor do donativo era quase nulo, mas a decisão daquela mulher era admirável, heroica: deu tudo o que tinha para viver.
 
Neste gesto, Deus e os demais passavam diante dela e das suas próprias necessidades. Ela permanecia totalmente nas mãos da Providência. Não tinha outra coisa onde apoiar-se, porque voluntariamente havia deixado tudo ao serviço de Deus e da atenção dos pobres. Jesus —que o viu— valorou o esquecimento de si mesmo, e o desejo de glorificar a Deus e de socorrer os pobres, como o donativo mais importante de todos os que haviam feito.
 
Tudo indica que a opção fundamental e salvadora tem lugar no núcleo da própria consciência, quando decidimos abrir-nos a Deus e viver em disposição ao próximo; o valor da eleição não vem pela qualidade ou a quantidade da obra feita, senão pela pureza da intenção e a generosidade do amor.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Deves dar aquilo que te custe alguma coisa. Não basta com dar só aquilo do que podes prescindir, mas também do que não podes nem queres prescindir. A isso eu chamo-lhe o amor em ação» (Santa Teresa de Calcutá)
 
«A viúva que, na sua miséria, lança no tesouro do templo 'tudo o que tinha para viver' (Mc 12,44). A sua pequena e insignificante moeda torna-se um símbolo eloquente: esta viúva não dá a Deus o que lhe sobra, não dá apenas o que possui, mas o que ela é: toda a sua pessoa» (Bento XVI)
 
«O amor da Igreja pelos pobres [...] faz parte da sua constante tradição» (195). Esse amor inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças (196), na pobreza de Jesus (197) e na sua atenção aos pobres (198). O amor dos pobres é mesmo um dos motivos do dever de trabalhar: para ‘poder fazer o bem, socorrendo os necessitado’ (199). E não se estende somente à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa (200)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.444)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No evangelho de hoje estamos chegando ao fim da longa instrução de Jesus aos discípulos.
Desde a primeira cura do cego (Mc 8,22-26) até à cura do cego Bartimeu em Jericó 10,46-52), os discípulos caminharam com Jesus para Jerusalém, recebendo dele muitas instruções sobre a paixão, morte e ressurreição e as consequências para a vida do discípulo. Chegando em Jerusalém, estiveram presentes aos debates de Jesus com os comerciantes no Templo (Mc 11,15-19), com os sumos sacerdotes e escribas (Mc 11,27 a 12,12), com os fariseus, herodianos e saduceus (Mc 12,13-27), com os doutores da lei (Mc 12,28-37. Agora, no evangelho de hoje, após uma última crítica fortíssimo contra os escribas (Mc 12,38-40), Jesus encerra a instrução aos discípulos. Sentado em frente ao cofre de esmolas do Templo, ele chama a atenção deles para o gesto de partilha de uma pobre viúva. É neste gesto que eles devem procurar a manifestação da vontade de Deus (Mc 12,41-44).
 
* Marcos 12,38-40: A crítica aos doutores da Lei. Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento ganancioso e hipócrita de alguns doutores da lei. Estes tinham gosto em circular pelas praças em longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! E Jesus termina: “Essa gente vai receber um julgamento mais severo!”
 
* Marcos 12,41-42. A esmola da viúva. Jesus e os discípulos, sentados em frente ao cofre de esmolas do Templo, observavam como todo mundo colocava aí a sua esmola. Os pobres jogavam poucos centavos, os ricos jogavam moedas de grande valor. Os cofres do Templo recebiam muito dinheiro. Todo mundo trazia alguma coisa para a manutenção do culto, para o sustento do clero e para a conservação do prédio. Parte deste dinheiro era usada para ajudar os pobres, pois naquele tempo não havia previdência social. Os pobres viviam entregues à caridade pública. E os pobres que mais precisavam da ajuda dos outros eram os órfãos e as viúvas. Estas não tinham nada. Dependiam em tudo da ajuda dos outros. Mas mesmo sem ter nada, elas faziam questão de partilhar. Assim, uma viúva bem pobre colocou sua esmola no cofre do templo. Poucos centavos, apenas!
 
* Marcos 12,43-44. Jesus aponta onde se manifesta a vontade de Deus. O que vale mais: os dez centavos da viúva ou os mil reais dos ricos? Para os discípulos, os mil reais dos ricos eram muito mais úteis para fazer a caridade do que os dez centavos da viúva. Eles pensavam que o problema do povo só poderia ser resolvido com muito dinheiro. Por ocasião da multiplicação dos pães, eles tinham dito a Jesus: “O senhor quer que vamos comprar pão por duzentos denários para dar de comer ao povo?” (Mc 6,37) De fato, para quem pensa assim, os dez centavos da viúva não servem para nada. Mas Jesus diz: “Esta viúva que é pobre lançou mais do que todos que ofereceram moedas ao Tesouro”. Jesus tem critérios diferentes. Chamando a atenção dos discípulos para o gesto da viúva, ele ensina onde eles e nós devemos procurar a manifestação da vontade de Deus, a saber, nos pobres e na partilha. Muitos pobres de hoje fazem o mesmo. O povo diz: “Pobre não deixa pobre morrer de fome”. Mas às vezes, nem isso é possível. Dona Cícera que veio do interior da Paraíba, Brasil, para morar na periferia da capital, João Pessoa, dizia: “No interior, a gente era pobre, mas tinha sempre uma coisinha para dividir com o pobre na porta. Agora que estou aqui na cidade grande, quando vejo um pobre que vem bater na porta, eu me escondo de vergonha, porque não tenho nada em casa para dividir com ele!” De um lado: gente rica que tem tudo, mas não quer partilhar. Do outro lado: gente pobre que não tem quase nada, mas quer partilhar o pouco que tem.
 
* Esmola, partilha, riqueza. A prática da esmola era muito importante para os judeus. Era considerada uma “boa obra”, pois dizia a lei do Antigo Testamento: “Nunca deixará de haver pobres na terra; por isso, eu te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, do teu humilde e do teu pobre em tua terra”. (Dt 15,11). As esmolas, colocadas no cofre do templo, seja para o culto, seja para os necessitados, os órfãos ou as viúvas, eram consideradas como uma ação agradável a Deus. Dar esmola era uma maneira de reconhecer que todos os bens pertencem a Deus e que nós somos apenas administradores desses bens, para que haja vida em abundância para todas as pessoas. A prática da partilha e da solidariedade é uma das características das primeiras comunidades cristãs: “Não havia entre eles necessitado algum. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os, traziam o resultado da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos” (At 4,34-35; 2,44-45). O dinheiro da venda, oferecido aos apóstolos, não era acumulado, mas “distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade” (At 4,35b; 2,45). A entrada de pessoas mais ricas nas comunidades fez com que a mentalidade da acumulação entrasse na comunidade e bloqueasse o movimento da solidariedade e da partilha. Tiago adverte estas pessoas: “Pois bem, agora vós, ricos, chorai por causa das desgraças que estão a sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes estão carcomidas pelas traças.” (Tg 5,1-3). Para aprender o caminho do Reino, todos precisam tornar-se alunos daquela viúva pobre, que partilhou tudo o que tinha, o necessário para viver (Mc 12,41-44).
 
Para um confronto pessoal
1. Como é que os dois centavos da viúva podem valer mais que os mil reais dos ricos? Olhe bem o texto e diga por que Jesus elogiou a viúva pobre. Qual a mensagem deste texto para nós hoje?
2. Quais as dificuldades e alegrias que você já encontrou na sua vida ao praticar a solidariedade e a partilha com os outros?
 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
 
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Deus Pai dos Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, ...
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, ...
Coração de Jesus, de majestade infinita, ...
Coração de Jesus, templo santo de Deus, ...
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,...
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, ...
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, ...
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, ...
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, ...
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, ...
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, ...
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, ...
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, ...
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, ...
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, ...
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,...
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, ...
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,...
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, ...
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, ...
Coração de Jesus, saturado de opróbios, ...
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,...
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, ...
Coração de Jesus, atravessado pela lança,...
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,...
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, ...
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, ...
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, ...
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, ...
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, ...
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
 
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
 
ORAÇÃO
Onipotente e eterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
 
CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS (composta por Sta. Margarida Maria)
Eu...(Nome), dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo a minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para o honrar, amar e glorificar É esta a minha vontade irrevogável - pertencer-lhe e fazer tudo por seu amor, renunciando completamente ao que não for do seu agrado.
Eu vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.
Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus, vosso Pai, e afastai de mim os castigos de sua cólera. Ó Coração de amor, ponho em vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade. Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais me esquecer nem me separar de Vós.
Suplico-vos, também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vós, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco, na qualidade de vossa (o) escrava (o). Assim seja.