domingo, 10 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Terça-feira da 6ª semana da Páscoa

São Pancrácio, mártir
Beato Álvaro del Portillo, bispo
Beata Joana de Portugal, virgem
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 16,22-34): Naqueles dias, a multidão dos habitantes de Filipos amotinou-se contra Paulo e Silas e os magistrados mandaram que lhes arrancassem as vestes e os açoitassem. Depois de lhes terem dado muitas vergastadas, meteram-nos na cadeia e ordenaram ao carcereiro que os guardasse cuidadosamente. Ao receber semelhante ordem, o carcereiro lançou-os no calabouço interior e prendeu-lhes os pés no cepo. Por volta da meia noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus e os outros presos escutavam-nos. De repente, sentiu-se um tremor de terra tão grande que abalou os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos os presos. O carcereiro acordou e, ao ver abertas as portas da prisão, puxou da espada e queria suicidar-se, julgando que os presos se tinham evadido. Mas Paulo bradou com voz forte: «Não faças nenhum mal a ti mesmo, pois nós estamos todos aqui». O carcereiro pediu uma luz, correu para dentro e lançou-se, a tremer, aos pés de Paulo e Silas. Depois trouxe-os para fora e perguntou-lhes: «Senhores, que devo fazer para ser salvo?» Eles responderam-lhe: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua família». E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, bem como a todos os que viviam em sua casa. O carcereiro, àquela hora da noite, tomou-os consigo, lavou-lhes as feridas e logo recebeu o Baptismo, juntamente com todos os seus. Depois mandou-os subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua família, por ter acreditado em Deus.
 
Salmo Responsorial: 137
R. A vossa mão direita salvou-me, Senhor.
 
De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças, porque ouvistes as palavras da minha boca. Na presença dos Anjos hei de cantar-Vos e adorar-Vos, voltado para o vosso templo santo.
 
Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade, porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa. Quando Vos invoquei, me respondestes, aumentastes a fortaleza da minha alma.
 
A vossa mão direita me salvará, o Senhor completará o que em meu auxílio começou. Senhor, a vossa bondade é eterna, não abandoneis a obra das vossas mãos.
 
Aleluia. Eu vos enviarei o Espírito da verdade, diz o Senhor; Ele vos ensinará toda a verdade. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 16,5-11): «Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais? ’ Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza. No entanto, eu vos digo a verdade: é bom para vós que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós. Quando ele vier, acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento. Quanto ao pecado: eles não acreditaram em mim. Quanto à justiça: eu vou para o Pai, de modo que não mais me vereis. E quanto ao julgamento: o chefe deste mundo já está condenado».
 
«É bom para vós que eu vá»
 
Fr. Joseph A. PELLEGRINO (Tarpon Springs, Florida, Estados Unidos)
 
Hoje, o Evangelho nos apresenta um entendimento mais profundo da realidade da Ascensão do Senhor. Na leitura do Evangelho de João no Domingo de Páscoa, é dito a Maria Madalena que não deve tocar o Senhor porque «ainda não subi para junto do Pai» (Jo 20,17). No Evangelho de hoje, Jesus observa, sobre os discípulos: «porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza», mas que «é bom para vós que eu vá» (Jo 16,6-7). Jesus precisa subir ao Pai. No entanto, Ele ainda permanece conosco.
 
Como Ele pode ir e, ao mesmo tempo permanecer? Este mistério foi explicado por nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI: «Dado que Deus abraça e ampara toda a criação, a Ascensão do Senhor significa que Cristo não se afastou de nós, mas que agora, graças ao Seu ser com o Pai, está próximo de cada um de nós, para sempre».
 
Nossa esperança está em Jesus Cristo. Sua vitória sobre a morte nos deu a vida que a morte nunca poderá destruir: Sua Vida. Sua ressurreição é uma confirmação de que o espiritual é real. Nada poderá nos separar do amor de Deus. Nada poderá diminuir nossa esperança. Os negativos do mundo não poderão destruir o positivo de Jesus Cristo.
 
O mundo imperfeito no qual vivemos, um mundo onde os inocentes sofrem, pode nos levar ao pessimismo. Mas Jesus Cristo nos transforma em eternos otimistas.
 
A presença viva de Nosso Senhor em nossa comunidade, em nossas famílias, naqueles aspectos de nossa sociedade que podem corretamente ser chamados “cristãos”, nos dá uma razão para ter esperança. A presença viva de Nosso Senhor em cada um de nós nos dá alegria. Não importa quão alta seja a barreira de negatividade que a mídia se deleita em apresentar, os pontos positivos do mundo pesam mais, de longe, do que os pontos negativos, pois Jesus Cristo subiu aos céus.
 
Ele ascendeu, mas não nos deixou.
 
«É bom para vós que eu vá»
 
Rev. D. Lluís ROQUÉ i Roqué (Manresa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje contemplamos outra despedida de Jesus, necessária para o estabelecimento de seu Reino. Inclui, porém, uma promessa: «Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós» (Jo 16,7).
 
Promessa feita realidade de maneira impetuosa no dia de Pentecostes, dez dias depois da Ascensão de Jesus ao céu. Aquele dia —além de tirar a tristeza do coração dos Apóstolos e dos que estavam reunidos como Maria, a Mãe de Jesus (cf. Fts 1,13-14) —os confirma e fortalece na fé, de maneira que, «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se» (Fts 2,4).
 
Fato que se “faz presente” ao longo dos séculos através da Igreja, uma, santa, católica e apostólica, já que, por a ação do mesmo Espírito prometido, se anuncia a todos e em todas partes que Jesus de Nazaré —o Filho de Deus, nascido de Maria Virgem, que foi crucificado, morto e sepultado — verdadeiramente ressuscitou, está sentado à direita de Deus Pai (cf. Credo) e vive entre nós. Seu Espírito está em nós pelo Batismo, constituindo-nos filhos no Filho, reafirmando sua presença em cada um de nós o dia da Confirmação. Tudo isso para levar a termo nossa vocação à santidade e reforçar a missão de chamar a outros a serem santos.
 
Assim, graças ao querer do Pai, a redenção do Filho e a ação constante do Espírito Santo, todos podemos responder com total fidelidade ao chamado, sendo santos; e, com uma caridade apostólica audaz, sem exclusivismos, realizar a missão, propondo e ajudando a outros a serem.
 
Como os primeiros —como os fiéis de sempre¬— com Maria rogamos e, confiando que novamente virá o Defensor e que haverá um novo Pentecostes, digamos: «Vem, Espírito Santo, enche o coração dos teus fiéis e acende neles a chama do teu amor» (Aleluia do Pentecostes).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Quem, tendo ouvido os nomes dados ao Espírito, não se sente elevado e não eleva o seu pensamento à natureza divina? "Espírito Firme", "Espírito Generoso", "Espírito Santo" são seus apelidos próprios e peculiares» (São Basílio, o Grande)
 
«O Espírito Santo nos faz filhos e filhas de Deus. Compromete-nos com a mesma responsabilidade de Deus com respeito ao seu mundo, a toda a humanidade. Ensina-nos a olhar o mundo, os outros e a nós mesmos com os olhos de Deus» (Bento XVI)
 
«Depois da Páscoa, é o Espírito Santo que ‘confunde o mundo no tocante ao pecado’, isto é, faz ver ao mundo o pecado de não ter acreditado n'Aquele que o Pai enviou (23). Mas este mesmo Espírito, que desmascara o pecado, é o Consolador (24) que dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão (25)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.433)
 
Reflexão de Frei Carlos Mesters, OCarm.
 
• João 16,5-7: Tristeza dos discípulos.
Jesus, a partir de comunicação artificial de sua separação, provoca que a tristeza que os discípulos guardavam no coração aflore neles: " Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?". É evidente que separar-se do estilo de vida aprendido com Jesus implica para os discípulos um sofrimento. Jesus insiste: "6Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza" (v.6). Santo Agostinho explica assim este sentimento de abandono que invadia os discípulos: "Dava-lhes medo o pensamento de perder a presença visível de Jesus ... Seu afeto humano se entristecia ao pensar que seus olhos não iriam mais experimentar o consolo de vê-lo" (Comentário ao Evangelho de João, XCIV, 4). Jesus tenta dissipar essa tristeza, causada pela diminuição da sua presença, ao revelar o propósito de sua partida. Isto é, se ele não partir, o Paráclito não virá a eles, mas se ele morrer para voltar para o Pai, poderá enviá-lo para os discípulos. A partida e a separação são condição para a vinda do Paráclito: "Se eu não for, o Defensor não virá a vós..." (v. 7).
 
• João 16,8-11: Missão do Paráclito. Jesus continua a descrever a missão do Paráclito. O termo "Paráclito" significa "advogado", ou seja, assistente de apoio. Aqui, o Paráclito é indicado como o acusador em um processo que se realiza diante de Deus, no qual o acusado é o mundo, culpável por condenar Jesus: " acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento " (v. 8). O verbo grego significa elègkein que investigará, interrogará, colocará à prova: trará à tona a realidade, oferecerá a prova da culpa.
 
* O objeto da demonstração é o pecado: ele oferecerá ao mundo a prova do pecado que cometeu em relação a Jesus e o manifestará. De que pecado se trata? O da incredulidade (Jo 5,44 ss; 6,36; 8,21.24.26; 10,31 ss). Além disso, o ter pensado o mundo que Jesus é um pecador (Jo 9,24; 18,30) resulta ser uma culpa imperdoável (Jo 15,21 ss).
 
* Em segundo lugar, "demonstrará" a culpa do mundo "sobre a justiça." Em termos jurídicos, a noção de justiça que mais concorda com o texto é o que traz uma declaração de culpa ou inocência no julgamento. Em nosso contexto, é a única vez no Evangelho de João que aparece o termo "justiça", em outros lugares aparece o de "justo". Em Jo 16,8 a justiça está ligada ao que Jesus disse de si mesmo, isto é, o motivo pelo qual vai para o Pai. Com esta exposição explica a sua glorificação: Jesus vai para o Pai, está prestes a ser eclipsado, e, portanto, os discípulos não poderão vê-lo, está prestes a se entregar e mergulhar totalmente na vontade do Pai. A glorificação de Jesus confirma sua filiação divina e a aprovação pelo Pai da missão realizada por Jesus. Portanto, o Espírito demonstrará diretamente a justiça de Cristo (Jo 14,26; 15,26) ao proteger os discípulos e a comunidade eclesial.
 
* O mundo, pensava ter julgado Jesus condenando-o, agora é condenado pelo "príncipe deste mundo", porque ele é responsável por sua crucificação (13,2.27). Jesus morrendo na cruz, ressuscitou (12,31) e derrotou Satanás. Agora, o Espírito testemunhará a todos o sentido da morte de Jesus, que coincide com a queda de Satanás (Jo 12,32, 14,30, 16,33).
 
Para confronto pessoal
1) Temos o mesmo medo e preocupação de perder Jesus como tinham os discípulos?
2) Você se deixa conduzir pelo Espírito Paráclito que leva você a identificar o erro do mundo, o ajuda a aderir a Jesus e leva-o a conhecer a verdade sobre si mesmo?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

sábado, 9 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Segunda-feira da 6ª semana da Páscoa

ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 16,11-15): Naqueles dias, deixámos Tróade e navegámos diretamente para Samotrácia. No dia seguinte, fomos para Neápoles e de lá para Filipos, cidade principal daquela região da Macedónia e colónia romana. Estivemos nesta cidade durante alguns dias. No sábado, saímos pelas portas da cidade, em direção à margem do rio, onde julgávamos que havia um lugar de oração. Sentámo-nos e começámos a falar às mulheres ali reunidas. Uma delas, chamada Lídia, escutava-nos com atenção; era negociante de púrpura, natural da cidade de Tiatira, e adorava o verdadeiro Deus. O Senhor abriu-lhe o coração, para aderir ao que Paulo dizia. Quando recebeu o Baptismo, juntamente com toda a sua família, fez-nos este pedido: «Se me considerais fiel ao Senhor, vinde hospedar-vos em minha casa». E obrigou-nos a aceitar.
 
Salmo Responsorial: 149
R. O Senhor ama o seu povo.
 
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor na assembleia dos santos. Alegre-se Israel em seu Criador, rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.
 
Louvem o seu nome com danças, cantem ao som do tímpano e da cítara, porque o Senhor ama o seu povo, coroa os humildes com a vitória.
 
Exultem de alegria os fiéis, cantem jubilosos em suas casas; em sua boca os louvores de Deus. Esta é a glória de todos os seus fiéis.
 
Aleluia. O Espírito da verdade dará testemunho de Mim, diz o Senhor, e vós também dareis testemunho. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 15,26—16,4): «Quando, porém, vier o Defensor que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós, também, dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. Eu vos disse estas coisas para que vossa fé não fique abalada. Sereis expulsos das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos matar, julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim por não terem conhecido nem ao Pai, nem a mim. Eu vos falei assim, para que vos recordeis do que eu disse, quando chegar a hora. Eu não vos disse isso desde o começo, porque eu estava convosco».
 
«Também vocês darão testemunho»
 
Rev. P. Higinio Rafael ROSOLEN IVE (Cobourg, Ontario, Canadá)
 
Hoje, no evangelho Jesus anuncia e promete a vinda do Espírito Santo, «Quando venha o Paráclito (…) que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim» (Jn 15,26). “Paráclito” literalmente significa “aquele que é chamado junto a um”, e habitualmente é traduzido como “Consolador”. Deste modo, Jesus nos lembra a bondade de Deus, pois sendo o Espírito Santo o amor de Deus, Ele infunde em nossos corações a paz, a serenidade nas adversidades e a alegria pelas coisas de Deus. Ele nos faz ver as coisas de cima e nos unir a Deus.
 
Além disso, Jesus diz aos Apóstolos, «Também vocês darão testemunho» (Jn 15,27). Para dar testemunho é necessário:
 
1º Ter comunhão e intimidade com Jesus. Isto nasce do trato cotidiano com ler o Evangelho, escutar suas palavras, conhecer seus ensinamentos, frequentar seus sacramentos, estar em comunhão com sua Igreja, imitar seu exemplo, cumprir os mandamentos, vê-lo nos santos, reconhecê-lo em nossos irmãos, ter seu espírito e ama-lo. Trata-se de ter uma experiência pessoal e viva de Jesus.
 
2º Nosso testemunho é acreditado se aparece em nossas obras. Uma testemunha não é só uma pessoa que algo é verdade, mas também que está disposta a dizê-lo e vivê-lo. O que experimentamos e vivemos em nossa alma devemos transmitir ao exterior. Somos testemunhas de Jesus não só por conhecermos seus ensinamentos, mas principalmente quando queremos e fazemos que outros o conheçam e o amem. Como diz o dito: «As palavras movem, os exemplos arrastam».
 
O Papa Francisco nos dizia: «Agradeço o maravilhoso exemplo que me dão tantos cristãos que oferecem sua vida e seu tempo com alegria”. Esse testemunho me faz muito bem e me sustenta em meu próprio desejo de superar o egoísmo para entregar-me. E adicionando: «Quero pedir especialmente um testemunho de comunhão fraterna que se mostre atrativo e resplandecente». Isso é sempre uma luz que atrai.
 
«Quando vier o Defensor (...), o Espírito da Verdade (...), ele dará testemunho de mim»
 
Rev. D. Jordi POU i Sabater (Sant Jordi Desvalls, Girona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho é quase tão atual como nos anos finais do evangelista São João. Ser cristão então não estava na moda (mais bem era bastante perigoso), como também não o está agora. Se alguém quiser ser bem considerado pela nossa sociedade, melhor que não seja cristão —porque em muitas coisas— tal como os primeiros cristãos judeus, «Sereis expulsos das sinagogas» (Jo 16,2).
 
Sabemos que ser cristão é viver na contracorrente: o tem sido sempre. Inclusive em épocas onde “todo mundo” era cristão: os que queriam sê-lo de verdade não eram demasiado bem vistos por alguns. O cristão é, se vive segundo Jesus Cristo, um testemunho do que Cristo tinha previsto para todos os homens; é uma testemunha de que é possível imitar Jesus Cristo e viver com toda dignidade como homem. Isso não gostará a muitos, como Jesus mesmo não gostou a muitos e foi levado à morte. Os motivos da rejeição serão variados, mas devemos ter presente que em ocasiões o nosso testemunho será tomado como uma acusação.
 
Não se pode dizer que São João, pelos seus escritos, fosse pessimista: nos faz uma descrição vitoriosa da Igreja e do triunfo de Cristo. Também não se pode dizer que Ele não tivesse tido que sofrer as mesmas coisas que descreve. Não esconde a realidade das coisas nem a substância da vida cristã: a luta.
 
Uma luta que é para todos, porque não temos que vencer com as nossas forças. O Espírito Santo luta conosco. É Ele quem nos dá as forças. É Ele, o Protetor, quem nos libera dos perigos. Com Ele ao lado nada temos que temer.
 
João confiou plenamente em Jesus, lhe fez a entrega de sua vida. Assim não lhe custou depois confiar em Aquele que foi enviado por Ele: O Espírito Santo.
 
«Eu vos enviarei (...) o Espírito da Verdade»
 
Pe. D. Luis A. GALA Rodríguez (Campeche, México)
 
Hoje, o texto evangélico contém o aviso de Jesus das dificuldades que encontrará todo aquele que seja seu discípulo: «Inclusive chegará a hora em que todo aquele que os mate pense que dá culto a Deus» (Jn 16,2). Humanamente é normal que o medo possa abraçar-nos, mas também é verdade que nos conforta o saber que não estamos sozinhos, senão que contamos com o Paráclito, o Espírito da Verdade, que é quem dará testemunho (cf. Jn 15,26).
 
Devemos ter presente que o Espírito vive em cada batizado, pois somos por adoção "filhos de Deus" e "Templo vivo do Espírito": quanta verdade!, e muitas vezes o esquecemos ou já não acreditamos, porque não conhecemos nem ao Pai nem ao Filho (cf. Jn 16,3). Vivemos uma crise de valores e de fé, pensamos que a mudança está fora e que teria que ser somente obra de Deus, algo mágico. Mas o Evangelho nos recorda que a mudança opera em nós e por nós na ação do Espírito Santo. O “Paráclito” não vem a solucionar nossos problemas, mas nos ensina a analisá-los e, a saber, descobrir o que é o que verdadeiramente temos que trabalhar em nós para poder manter e intensificar o testemunho de uma vida em Cristo.
 
Bento XVI, na Missa de abertura do Ano da Fé, nos recordou que, «hoje —mais que nunca— evangelizar quer dizer dar testemunho de uma vida nova, transformada por Deus», onde o Evangelho e a fé firme na Igreja constituem o essencial.
 
Devemos deixar tocar pelo Espírito de Deus para que diante e tanta dor, sofrimento e impotência de um mundo tão materialista —e ainda quando pareça que Deus não está presente ou é inalcançável— não tenhamos medo, e sem que aprendamos a pedir a ajuda do Paráclito: «Vem Espírito Santo e transforma a tua Igreja segundo tua vontade!».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«E assim como a virtude da santa humanidade de Cristo faz com que todos aqueles em que se encontra formem o mesmo corpo, acho que do mesmo modo o Espírito de Deus que habita em todos, único e indivisível, reduz todos a unidade espiritual» (São Cirilo de Alejandría)
 
«Peçam ao Senhor a graça de receber o Espírito Santo que nos fará lembrar das coisas de Jesus, que nos guiará a toda a verdade e nos preparará todos os dias para testemunhar, segundo a vontade do Senhor» (Francisco)
 
«Jesus Cristo, tendo entrado, uma vez por todas, no santuário dos céus, intercede incessantemente por nós, como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo» (Catecismo da Igreja Católica, nº 667)
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

 São João de Ávila, presbítero e Doutor da Igreja
Sto. Antonino de Florença, bispo.
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 8,5-8.14-17): Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam batizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.
 
Salmo Responsorial: 65
R. A terra inteira aclame o Senhor.
 
Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores, dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».
 
«A terra inteira Vos adore e celebre, entoe hinos ao vosso nome». Vinde contemplar as obras de Deus, admirável na sua ação pelos homens.
 
Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi, vou narrar-vos quanto Ele fez por mim. Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece, nem me retirou a sua misericórdia.
 
2ª Leitura (1Pe 3,1.15-18): Caríssimos: Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança. Mas seja com brandura e respeito, conservando uma boa consciência, para que, naquilo mesmo em que fordes caluniados, sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom procedimento em Cristo. Mais vale padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal. Na verdade, Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito.
 
Aleluia. Se alguém Me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 14,15-21): «Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós. Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele».
 
«Eu o amarei e me manifestarei a ele»
 
P. Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)
 
Hoje, Jesus —como já o fizera com os seus discípulos— despede-se, pois regressa ao Pai para ser glorificado. Parece que isto entristece os discípulos que ainda o vêm apenas com um olhar físico, humano, que acredita, aceita e se agarra apenas ao que vê e toca. Esta sensação dos seus seguidores, que ainda hoje se sente em muitos cristãos, permite ao Senhor assegurar-nos que «não vos deixarei órfãos» (Jo 14,18), pois Ele pedirá ao Pai que nos envie «outro Paráclito» (Auxiliador, Intercessor: Jo 14,16), «o Espírito de Verdade» (Jo 14,17); além disso, apesar de o mundo não o poder “ver”, «vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis» (Jo 14,19). Assim, a confiança e a compreensão destas palavras de Jesus, suscitarão ao verdadeiro discípulo, o amor que se mostrará claramente em “possuir os seus mandamentos” e “guardá-los” (cf. v. 21). E mais ainda: quem isto vive, será amado de igual forma pelo Pai, e Ele —o Filho— ao seu discípulo fiel, o amará e se lhe manifestará (cf. v. 21).
 
Quantas palavras de alento, confiança e promessa nos chegam este Domingo! No meio das preocupações quotidianas —onde o nosso coração fica oprimido pelas sombras da dúvida, do desespero e do cansaço pelas coisas que nos parecem sem solução ou que entraram num caminho sem saída— Jesus convida-nos a senti-lo sempre presente, a descobrirmos que está vivo e nos ama, ao mesmo tempo que, ao que dá o passo firme de viver os seus mandamentos, lhe garante na sua plenitude da vida nova e ressuscitada.
 
Hoje, se nos manifesta vivo e presente nos ensinamentos das escrituras que ouvimos e na Eucaristia que recebemos. —Que a tua resposta seja a da vida nova que se entrega na vivência dos seus mandamentos, em particular o do amor.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A vida verdadeira e autêntica é o Pai, a fonte pela qual, através do Filho, no Espírito Santo, emanam os seus dons para todos, e pela sua bondade também a nós, homens, nos foi prometido verdadeiramente, os bens da vida eterna» (São Cirilo de Jerusalém)
 
«Ser cristão principalmente não significa, aderir a uma certa doutrina, mas pelo contrário, vincular a nossa vida à pessoa de Jesus. O Espírito ensina-nos a única coisa indispensável: amar como Deus ama» (Francisco)
 
«Mais ainda: o que o Pai nos dá, quando a nossa oração se une à de Jesus, é `o outro Paráclito, para ficar convosco para sempre, o Espírito de verdade´ (Jo 14,16-17). Esta novidade da oração e das suas condições aparece ao longo do discurso do adeus. No Espírito Santo, a oração cristã é comunhão de amor com o Pai, não somente por Cristo, mas também n'Ele» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.615)
 
“E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco.”
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
Continuamos no Cenáculo, em Jerusalém, na Última Ceia. Jesus sabe que “volta” para o Pai e que os seus discípulos vão continuar no mundo. Despede‑se então deles e transmite-lhes as suas últimas palavras, a modo de testamento final, assegurando-lhes que a sua ida para o Pai não será um afastamento nem uma separação deles, mas o início de uma nova forma de estar com eles, mas de um modo novo, humanamente impensável, vivendo neles através do seu Espírito que neles habitará, fazendo deles morada de toda a Trindade.
 
* v. 15. «Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Jesus começa por apontar a meta. Para permanecer em Jesus e Jesus nele, há que corresponder ao seu amor (que tem sempre a iniciativa: 13,1; 15,9; 17,23s.26; 1Jo 4,10ss.19) com um amor à imagem do seu. O amor a Jesus (21,15) só é verdadeiro quando se traduz "por obra e em verdade" (1Jo 3,18).
 
O “amor” de que Jesus aqui fala é a agápê (gr. “caro”), um termo inventado pelos tradutores dos LXX (a tradução grega da Bíblia hebraica) para transmitir para o grego o sentido do substantivo hebraico 'ahabah (do verbo 'ahab, “amar”) que, por sua vez, ao ser traduzido para o latim, também irá precisar de um vocábulo novo, criado para o efeito pelos cristãos, o substantivo caritas (derivada de carus, "apreciado", "querido", "valioso"), que designa o amor por excelência, o amor gratuito, altruísta e benevolente, que de tal modo quer e procura o bem e a felicidade daquele que ama (que lhe é "caro"), que está disposto a tudo fazer, bem como a pagar em primeira pessoa "o preço" disso, sem nunca desistir, até que ela os consiga, nisso encontrando o seu próprio bem e felicidade.
 
“Guardar” é “atender”, “velar por”, “conservar”, “obedecer”, “seguir”, “pôr em prática” (Pv 3,1; 19,16; Sir 29,1; Sb 10,5; Tb 14,9) o amor a Jesus. Como? Praticando os seus mandamentos. Pois o amor a Deus consiste em praticar os seus mandamentos (vv. 21.23; 15,10; 1Jo 2,5; 5,3; 2Jo 1,6; Sb 6,18; Dn 9,4).
 
O verbo “guardar” está no futuro, indicando que a vida cristã é uma caminhada, em que cada dia se passa por diversas situações concretas, sempre novas e diferentes, sendo nelas que se prova.
 
 “Mandamento” (gr. entolê) é “o que é posto dentro” para ser levado a cabo como tarefa. Não é uma lei exterior, mas uma exigência íntima, sentida como própria (12,49s), um mandato interior, que anima, impele e dirige toda a existência. “Mandamentos” está no plural, porque Jesus não se está a referir apenas ao “seu” mandamento, o mandamento novo do amor (13,34; 15,12.17), mas também às suas palavras (vv. 23-24; 1Jo 2,3-11), que o explicitam (15,14-15). Quem ama Jesus põe em prática as suas palavras, cumpre o seu mandamento.
 
* v. 16. E Eu rogarei ao Pai e Ele dar-vosá outro Paráclito para que esteja convosco para sempre. O homem por si só não é capaz de amar como Jesus (cf. 15,5): só o Espírito Santo poderá fazer nele essa obra (1Jo 3,24). Espírito Santo que Jesus “rogará ao Pai” e que, glorificado (7,39; Lc 24,49), enviará de junto dele (15,26), infundindo-o no coração daquele que nele crê, para que possa amar e pôr em prática os seus mandamentos (v. 15; cf. Ez 36,27).
 
Jesus chama o Espírito Santo “Paráclito” (v. 26; 15,26; 16,7), termo jurídico grego que significa “ser chamado” (klétos) em tribunal para “estar ao lado” (pará) duma pessoa acusada que não sabe ou não se pode defender (como o órfão, a viúva, o estrangeiro: Ex 22,21; Dt 24,17; Jb 24,3; Is 1,17; Zc 7,10; Ml 3,5), para a defender, representar e interceder por ela (Mt 10,20; Mc 13,11), levando a sua causa até ao fim, garantindo o seu triunfo e restabelecendo os seus direitos. Em grego, o termo também tem o sentido de “consolador” (cf. Jb 21,2; Is 61,2; 66,1; Jr 31,9), reconfortador (cf. Is 57,18; Zc 1,13), exortador (cf. 2Ma 2,3; 7,21; Lc 3,18; At 2,40) e encorajador (cf. 1Ma 10,24).
 
A literatura rabínica usa o termo grego parákletos, transliterado em hebraico peraklith, com o sentido de “advogado de defesa”, “intercessor” (Targ Jb 16,20), aplicando-o a Moisés (Midr ExR 18,3), aos anjos (Targ Jb 33,23), ao arrependimento e boas obras (mAb 4,11; bShab 32a.7), aos sacrifícios expiatórios (bZeb 7b.9) e às obras de caridade (bBB 10a; cf. Str-B 2,560ss).
 
O Espírito Santo é o “outro Paráclito”, porque Jesus é o primeiro Paráclito, intercessor, junto do Pai (1Jo 2,1). Ao designá-lo assim, como uma Pessoa, ao mesmo tempo semelhante a si e distinta de si e do Pai, Jesus apresenta-o como uma Pessoa divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, dotada duma personalidade própria. O Espírito Santo procede do Pai e será enviado por Jesus glorificado de junto do Pai (cf. 15,26) “para estar com” os discípulos e tornar Jesus presente neles e no meio deles, agindo neles e através deles, continuando assim e levando a bom termo a missão de Jesus sobre a terra (cf. 20,22).
 
“Para sempre”, ou seja, o Espírito Santo não será dado por Jesus apenas para ficar com os seus discípulos nesta vida, mas também por toda a eternidade, na vida futura, como fonte perene de água viva que jorra para a vida eterna (4,14; 7,38), imergindo os discípulos no âmago da própria vida trinitária, onde Ele vive e é um com o Pai e o Filho.
 
* v. 17. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco e em vós estará. O Paráclito era uma pessoa acima de toda a suspeita, que gozava de tal prestígio, que bastava a sua palavra para fazer fé, garantindo o triunfo da causa que defendia.
 
a) Jesus chama-o “Espírito da Verdade” (cf. Is 57,18 LXX; Jo, 4x: 15,26; 16,13; 1Jo 4,6; 5,6), por oposição a Satanás, o “acusador” (Ap 12,10; Zc 3,1; cf. Jb 1,6; 2,1) e “pai da mentira” (8,44), porque sendo “o Espírito a verdade” (1Jo 5,6; Jo 4,23s), dá testemunho de Jesus (15,26), “a Verdade” (v. 6: he. ‘emet), fazendo o homem andar na verdade (2Jo 4), reconhecendo o seu pecado (Sb 1,6!; cf. Sl 51,8.13; 1Jo 1,8; cf. Jo 16,8-11) e praticando as obras do amor (Tb 13,6; 1Jo 2,4; 3,18).
 
b) O mundo não “vê” o Espírito da verdade, porque não acredita em Jesus e só olha às aparências (5,44; 12,43). Nem o “conhece” (1Cor 2,14), porque só busca os seus próprios interesses (15,19), opostos ao amor do Pai (1Jo 2,15s; 3,1).
 
c) A seguir, Jesus passa para a situação atual dos discípulos (cf. v. 7; 3,11; 4,22), depois de terem recebido o Espírito como dom da nova Aliança, dizendo que eles o “conhecem” (Jr 31,34; Hb 8,11; cf. 1Cor 2,11; 1Jo 3,24; 4,13), porque Ele “permanece junto” deles. “E em vós estará” como dom messiânico prometido, concedido por Jesus glorificado (7,39; 20,22), não de forma episódica (como no AT), mas de forma definitiva, permanente.
 
* v. 18. Não vos deixarei órfãos: venho a vós. Jesus promete que assim, após a sua partida, os seus discípulos não ficarão “órfãos” neste mundo (Lm 5,3; Os 14,3). No AT, o “órfão” é a imagem por excelência do pobre e desamparado que está à mercê dos poderosos e é vítima de todas as injustiças. Os discípulos vão ficar temporariamente sem Jesus, porque Ele vai partir (morrendo), mas (ressuscitado) “vem” (vv. 3.28; 20,19.26; 21,13). Esta é a grande promessa de Jesus (21,22s; cf. 6,39s.44.54; 11,24) e a esperança da Igreja (Ap 22,17; 22,20) – que Jesus venha na Sua glória – da qual a ressurreição do Senhor é anúncio e primícias.
 
* v. 19. Um pouco mais e o mundo já não me vê, mas vós vedes-me, porque Eu vivo e vós vivereis.
Jesus fala novamente a partir da situação atual dos discípulos, dizendo que daí a “pouco” (7,33; 12,35; 13,33; umas horas) o mundo já não o “vê” (o verbo está no presente), porque Ele vai morrer, deixando de estar fisicamente presente na terra.
 
Mas “pouco” depois (ao terceiro dia) os seus discípulos “veem-no” (16,16-22; o verbo está no presente), pela fé (6,40; 20,8), ressuscitado (20,18.20), e “viverão” (6,57; Ez 37,6.4) porque receberão pelo Espírito Santo (At 1,2s; Rm 8,11) a vida nova (3,3.5; 2Cor 5,16s) que Ele lhes dará (20,22), como penhor e antegozo da ressurreição final (5,25; 11,25). Este encontro renovador com Jesus acontece de modo particular na Eucaristia (6,57).
 
* v. 20. Naquele dia vós conhecereis que Eu estou no meu Pai e vós em mim e Eu em vós. “Naquele dia”: esse dia é Dia de Iavé, o dia do juízo e da salvação, inaugurado em Jesus ressuscitado (16,23) que cumpre as promessas de Deus (Os 2,20; Am 8,10; 9,11; Zc 9,16; 12,3.8; 13,1), enviando de junto do Pai o Paráclito (12,45; 16,10; 20,19.26).
 
O Espírito Santo Paráclito far-lhes-á “conhecer”:
a) que Jesus é Deus, o Senhor (8,28; Ex 6,7; 16,6.12, Js 3,10; Ez 13,23; 22,16; 23,49; 36,11), que está no Pai (vv. 10s; 10,38!; 17,21), desde toda a eternidade, enquanto Filho de Deus, e glorificado na sua humanidade, enquanto Filho do homem (1,51; 3,13; 6,62).
b) que os seus discípulos “estão nele” (15,2!), como membros do seu Corpo, formando um nele (17,21ss), em íntima união uns com os outros (2Cor 5,17; Rm 12,5; 1Cor 12,27), participando na sua vida divina.
c) e que Jesus está neles, por meio do seu Espírito (Rm 8,9s; 2Cor 13,5; Cl 1,27). Cumpre-se assim a promessa fundamental do AT: Deus habitará no meio do Seu povo (Ex 29,45; Ez 37,21-28; 2Cor 6,16), promessa que agora se cumpre plenamente, mas de uma forma inaudita e surpreendente: habitando Deus, a própria Santíssima Trindade, neles (cf. 1,14!).
 
* v. 21. Quem tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama. E quem me ama será amado por meu Pai e também Eu o amarei e me manifestarei a ele». Fechando o quiasma com o v. 15, Jesus repete o que já tinha dito: que o amor se prova nas obras (1Jo 3,18). Mas para “guardar” os seus mandamentos, primeiro é necessário “tê-los”. Isto só acontece tendo em si o amor de Deus (Gl 5,22; Rm 5,5; Cl 1,8; 1 Jo 3,21s; 4,12s), que o Espírito Santo é e neles infunde (v. 17), derramando e imprimindo a “nova lei” desse amor no seu coração (2Cor 3,3; 7,6; 8,2.4; Jr 31,33; Pv 7,3). Quem o “tem” e “guarda” os seus mandamentos (1Jo 3,18), “reamando” Jesus como Ele o amou, será sua “mansão” (vv. 2.23), morada definitiva, lugar do seu repouso (Sl 132,14; 2Cr 6,41; Dt 12,9), não só agora, nesta terra (v. 23), mas também por toda a eternidade, no Pai (v. 2; Sl 9,8; Sb 7,27; Is 30,18; 66,22; Dn 6,27). O Pai (16,27) e Jesus amá-lo-ão (15,9) e Jesus “manifestar-se-á” a ele (gr. emfanizein: Ex 33,13; Sb 1,2), revelando-se-lhe (17,22s; cf. Sb 7,27), agindo nele (cf. Gl 2,20) e fazendo-o participar da sua vida divina.
 
MEDITAÇÃO
1. O que prevalece na minha vida: o pessimismo e o desânimo ou a fé e a esperança em Jesus ressuscitado que continua a agir na história?
2. Que manifestações do Espírito Santo vejo eu nos acontecimentos da história, na minha vida, na vida dos outros e na Igreja?
3. A nossa comunidade e eu somos um lugar onde os homens podem encontrar a Deus? Que fazer para que isso aconteça cada vez mais?
4. Nas situações difíceis da vida, deixo-me vencer facilmente pelo desânimo ou tento reagir, com a ajuda da minha fé e esperança?
5. Acredito verdadeiramente que Jesus e o Espírito Santo são os meus defensores e consoladores, ou procuro outras ajudas duvidosas que não me levam a lado nenhum?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.
 

9 de maio

 S. Jorge Preca
Fundador da Sociedade de Doutrina Cristã,
Presbítero e terceiro carmelita
Patrono dos Padres da OTC
 
Nasceu em La Valleta (Malta) no dia 12 de fevereiro de 1880. Apenas ordenado sacerdote em 1906, empenhou-se desde logo na catequese juvenil, tendo fundado para tal fim no ano seguinte a Sociedade de Doutrina Cristã, conhecida como M.U.S.E.U.M. (Magister Utinam Sequatur Evangelium Universus Mundus), devendo, por este motivo, suportar numerosas injúrias. Dedicou toda a sua vida à pregação popular e à catequese e escreveu uma grande quantidade de livros destinados na sua maioria à formação dos membros da sua Sociedade. A eficácia do seu apostolado deveu-se a uma vida de oração e constante meditação da Sagrada Escritura. A sua espiritualidade assentava na humildade e na mansidão. Inscreveu-se na Ordem Terceira Carmelita no dia 21 de julho de 1918, tendo professado a 26 de julho do ano seguinte, adotando desde então como nome Franco, em honra do beato Franco de Sena, chegando mesmo a assinar alguns dos seus livros como “Franco, carmelita”. Em 1952 o Prior Geral P. Kilian Lynch afiliou-o à Ordem em reconhecimento pela sua grande obra de divulgação da devoção à Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Morreu a 26 de julho de 1962, tendo sido beatificado a 9 de maio de 2001 pelo Papa João Paulo II.
 
LAUDES
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Cântico evangélico
Ant. Não sois vós que falais: o Espírito de vosso Pai falará por vós.
 
Oração
Senhor, que fortalecestes são Jorge com o vosso Espírito de verdade e de amor para apascentar o vosso povo, concedei a quantos celebram a sua memória a graça de crescerem na santidade, imitando o seu exemplo, e de receberem o auxílio da sua intercessão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Cântico evangélico
Ant
. Eu Vos dou graças, Cristo, bom pastor, que quisestes glorificar-me. Peço-Vos que as ovelhas confiadas ao meu cuidado participem comigo da vossa glória.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Sábado V da Páscoa

S. Jorge Preca, presbítero e Terceiro Carmelita
Santa Luísa de Marillac, viúva e religiosa
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 16,1-10): Naqueles dias, Paulo chegou a Derbe e depois a Listra. Havia lá um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente e de pai grego. Os irmãos de Listra e de Icônio davam dele bom testemunho. Querendo Paulo levá-lo consigo, mandou-o circuncidar, por causa dos judeus que havia na região, pois todos sabiam que seu pai era grego. Nas cidades por onde passavam, transmitiam as decisões dos Apóstolos e anciãos de Jerusalém, recomendando que se cumprissem. Desse modo as Igrejas eram confirmadas na fé e cresciam em número, de dia para dia. Como o Espírito Santo os tinha impedido de anunciarem a palavra de Deus na Ásia, atravessaram a Frígia e o território da Galácia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram dirigir-se à Bítínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu. Atravessaram então a Mísia e desceram a Trôade. Durante a noite, Paulo teve uma visão: Um macedónio estava de pé diante dele e fazia-lhe este pedido: «Passa à Macedónia e vem ajudar-nos». Logo que ele teve esta visão, procurámos partir para a Macedónia, convencidos de que Deus nos chamava para anunciar ali o Evangelho.
 
Salmo Responsorial: 99
R. Aclamai o Senhor, terra inteira.
 
Aclamai o Senhor, terra inteira, servi o Senhor com alegria, vinde a Ele com cânticos de júbilo.
 
Sabei que o Senhor é Deus, Ele nos fez, a Ele pertencemos, somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
 
Porque o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia, a sua fidelidade estende-se de geração em geração.
 
Aleluia. Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 15,18-21): «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia. Recordai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, perseguirão a vós também. E se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa. Eles farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou».
 
«Tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou»
 
Rev. D. Ferran JARABO i Carbonell (Agullana, Girona, Espanha)

Hoje, o Evangelho contrapõe o mundo com os seguidores de Cristo. O mundo representa todo aquele pecado que encontramos em nossa vida. Uma das características do seguidor de Jesus é, pois, a luta contra o mal e o pecado que está no interior de cada homem e no mundo. Por isso, Jesus ressuscitado é luz, luz que ilumina a escuridão do mundo. Karol Wojtyla nos exortava a «que esta luz nos faça fortes e capazes de aceitar e amar a completa Verdade de Cristo, de amá-la mais quanto mais a contradiz o mundo».
 
Nem o cristão, nem a Igreja podem seguir as modas ou os critérios do mundo. O critério único, definitivo e iniludível é Cristo. Não é Jesus quem se deve de adaptar ao mundo em que vivemos; somos nós quem devemos transformar nossas vidas em Jesus. «Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre». Isso nos faz pensar. Quando nossa sociedade secularizada pede certas mudanças ou licenças aos cristãos e à Igreja, simplesmente nos está pedindo que nos afastemos de Deus. O Cristão deve manter-se fiel a Cristo e à sua mensagem. Diz São Irineu: «Deus não tem necessidade de nada; mas o homem tem necessidade de estar em comunhão com Deus. E a gloria do homem está em perseverar e manter-se no serviço de Deus».
 
Esta fidelidade pode trazer muitas vezes a persecução: «Se me perseguiram, perseguirão a vós também» (Jo 15,20). Não devemos ter medo da persecução; devemos temer não buscar com suficiente desejo cumprir a vontade do Senhor. Sejamos valentes proclamemos sem medo a Cristo ressuscitado, luz e alegria dos cristãos! Deixemos que o Espírito Santo nos transforme para sermos capazes de comunicar isto ao mundo!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não se recuse se rejuvenescer com Cristo, mesmo num mundo envelhecido. Ele lhe diz: ‘Não tenha medo, a sua juventude será renovada como a da águia’» (Santo Agostinho)
 
«Se tentarmos aprofundar a nossa relação com o Pai, não devemos de nos surpreender ao descobrir que somos incompreendidos, contestados ou perseguidos por causa das nossas crenças» (São João Paulo II)
 
«Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o ‘mistério da iniquidade’, sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade» (Catecismo da Igreja Católica, nº 675)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* João 15,18-19: O ódio do mundo.
"Se o mundo odiar vocês, saibam que odiou primeiro a mim”. O cristão que segue Jesus é chamado a viver na contramão da sociedade. Num mundo organizado a partir dos interesses egoístas de pessoas e grupos, quem procura viver e irradiar o amor será crucificado. Este foi o destino de Jesus. Por isso, quando um cristão ou uma cristã é muito elogiado pelos poderes deste mundo e é exaltado como modelo para todos pelos meios de comunicação, convém desconfiar sempre um pouco. “Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é dele. Mas o mundo odiará vocês, porque vocês não são do mundo, pois eu escolhi vocês e os tirei do mundo”. Foi a escolha de Jesus que nos separou. É baseando-nos nesta escolha ou vocação gratuita de Jesus que teremos força para aguentar a perseguição e a calúnia, e que poderemos ter a alegria no meio das dificuldades.
 
* João 15,20: O servo não é maior que o seu senhor. “Nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também; se guardaram a minha palavra, vão guardar também a palavra de vocês”. Jesus já tinha insistido neste mesmo ponto no lava-pés (Jo 13,16) e no discurso da Missão (Mt 10,24-25). E é esta identificação com Jesus que, ao longo dos séculos, deu tanta força às pessoas para continuar na caminhada e foi fonte de experiência mística para muitos santos e santas mártires.
 
* João 15,21: Perseguição por causa de Jesus. “Farão isso a vocês por causa de meu nome, pois não reconhecem aquele que me enviou”.  A insistência repetida dos evangelhos em lembrar aquelas palavras de Jesus que possam ajudar as comunidades a entender o porquê das crises e das perseguições, é um sinal evidente de que nossos irmãos e irmãs das primeiras comunidades não tiveram uma vida fácil. Desde a perseguição de Nero em 64 depois de Cristo até o fim do primeiro século, eles viviam na eminência de poderem ser perseguidos, acusados, aprisionados e mortos a qualquer momento. A força que os sustentava era a certeza que Jesus comunicava de que Deus estava com eles.
 
Para confronto pessoal
1) Jesus se dirige a mim e me diz: Se você fosse do mundo, o mundo amaria o que é dele. Como aplico isto na minha vida?
2) Dentro de mim existem as duas tendências: o mundo e o evangelho. Qual dos dois está levando vantagem?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

MÊS DE MARIA – Sexta-feira da 5ª semana da Páscoa

Nossa Senhora do Rosário de Pompéia
Nossa Senhora do Ssmo Sacramento
São Miguel Arcanjo
Bto. Luís Rabatá, presbítero de nossa Ordem
 
ORAÇÂO
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor. Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção. Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (At 15,22-31): Naqueles dias, os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja de Jerusalém, resolveram escolher alguns irmãos, para os mandarem a Antioquia com Barnabé e Paulo: eram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. Mandaram por eles esta carta: Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã, residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, resolvemos de comum acordo escolher delegados para vo-los enviarmos, juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, homens que expuseram a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor outras obrigações, além destas que são indispensáveis: abster-vos das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isto. Adeus». Feitas as despedidas, os delegados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembleia e entregaram a carta. Quando a leram, todos ficaram contentes com aquelas palavras de estímulo.
 
Salmo Responsorial: 56
R. Eu Vos louvarei, Senhor, no meio dos povos.
 
Firme está meu coração, ó Deus; meu coração está firme: quero cantar e salmodiar. Desperta, minha alma; despertai, lira e cítara: quero acordar a aurora.
 
Louvar-Vos-ei, Senhor, entre os povos, cantar-Vos-ei entre as nações; porque aos céus se eleva a vossa bondade e até às nuvens a vossa fidelidade.
 
Aleluia. Eu chamo-vos amigos, diz o Senhor, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 15,12-17): «Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros».
 
«Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei»
 
Rev. D. Carles ELÍAS i Cao (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Senhor convida-nos ao amor fraterno: «Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei» (Jo 15,12), ou seja, como me haveis visto fazer a mim e como ainda me vereis fazer. Jesus fala-te como a um amigo, disse-te que o Pai te chama, que quer que sejas apostolo, e que te destina a dar fruto, um fruto que se manifesta no amor. São João Crisóstomo afirma: «Se o amor estivesse espalhado por todos os lados, nasceria dele uma infinidade de bens».
 
Amar é dar a vida. Sabem-no os esposos que, porque se amam, fazem uma doação recíproca da sua vida e assumem a responsabilidade de ser pais, aceitando também a abnegação e o sacrifício do seu tempo e do seu ser a favor daqueles a quem hão de cuidar, proteger, educar e formar como pessoas. Sabem-no os missionários que dão a sua vida pelo Evangelho, com um mesmo espírito cristão de sacrifício e abnegação. E sabem-no os religiosos, sacerdotes e bispos, sabe-o todo o discípulo de Jesus que se compromete com o Salvador.
 
Jesus disse-te um pouco antes qual é o requisito do amor, de dar fruto: «se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24). Jesus convida-te a perder a tua vida, a que lha entregues a Ele sem medo, a morrer em ti próprio para poder amar o teu irmão com o amor de Cristo, com o amor sobrenatural. Jesus convida-te a atingir um amor operante, benfeitor e concreto; assim o entendeu o apóstolo Santiago quando disse: «Se um irmão o irmã minha estiver nu e carecer de sustento diário, e um de vocês lhe disser: «Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos», mas não lhes deres o suficiente para o corpo, de que lhe servirá? Assim também a fé, se não tem obras, está realmente morta» (2,15-17).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Se procuras um exemplo de amor: Ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Foi isso que Cristo fez na cruz. E, por isso, se deu a vida por nós, não devemos considerar grave nenhum mal que tenhamos de sofrer por Ele» (Santo Tomás de Aquino)
 
«Na sua morte na cruz, realiza-se esta oposição de Deus a si mesmo. É ali, na cruz, que esta verdade pode ser vista. E a partir daí devemos agora definir o que é o amor. E, nesse olhar, o cristão encontra a orientação do seu viver e do seu amor» (Bento XVI)
 
«Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus ‘amou-os até ao fim’ (Jo 13, 1), ‘pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama’ (Jo 15, 13). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens (470). Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens» (Catecismo da Igreja Católica, nº 609)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
• João 15:12-13: amar os irmãos como Cristo nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar uns aos outros como Ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus supera o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos como Eu vos amei". Aqui ele diz a frase que cantamos até hoje: "Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos!"
 
• João 15,14-15: Amigos e não servos. "Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando", ou seja, a prática do amor até o dom total de si! Em seguida Jesus coloca um altíssimo ideal para a vida dos discípulos. Ele diz: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.". Jesus não tinha mais segredos para seus discípulos. Tudo que escuta do Pai nos diz. Este é o belo ideal da vida em comunidade: alcançar uma total transparência, até o ponto de não ter segredos entre nós e confiar plenamente um no outro, para partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e assim nos enriquecemos mutuamente. Os primeiros cristãos puderam realizar este ideal por alguns anos. "Eles eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14, 2,42.46).
 
• João 15,16-17: Foi Jesus quem nos escolheu.
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele quem nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, e fruto que permaneça. Precisamos dele, mas ele também precisa de nós para continuar a fazer hoje o que ele fez com o povo da Galileia. A última recomendação: "O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros".
 
Para confronto pessoal
1. Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de todo cristão. Como eu estou vivendo este ideal?
2. Tudo o que eu ouvi de meu Pai vos tenho dito. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma transparência total. Como vivo isto em minha comunidade?
 
ORAÇÃO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida! Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA
 

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
 
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria,  rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,...
Santa Virgem das virgens,...
Mãe de Jesus Cristo, ...
Mãe da Igreja, ...
Mãe da Misericórdia, ...
Mãe da Divina Graça, ...
Mãe da Esperança,...
Mãe puríssima, ...
Mãe castíssima, ...
Mãe imaculada,...
Mãe sempre virgem,...
Mãe amável,...
Mãe admirável,...
Mãe do bom conselho,...
Mãe do Criador,...
Mãe do Salvador,...
Virgem prudentíssima,...
Virgem digna de honra,...
Virgem digna de louvor,...
Virgem poderosa,...
Virgem clemente,...
Virgem fiel,...
Espelho de justiça,...
Sede da sabedoria,...
Causa da nossa alegria,...
Templo do Espírito Santo,...
Tabernáculo da eterna glória,...
Moradia consagrada a Deus,...
Rosa mística,...
Torre de Davi,...
Fortaleza inexpugnável,...
Santuário da divina presença,...
Arca da Aliança,...
Porta do Céu,...
Estrela da Manhã,...
Saúde dos enfermos,...
Refúgio dos pecadores,...
Conforto dos migrantes,...
Consoladora dos aflitos,...
Auxílio dos cristãos,...
Rainha dos anjos,...
Rainha dos patriarcas,...
Rainha dos profetas,...
Rainha dos apóstolos,...
Rainha dos mártires,...
Rainha dos confessores da fé,...
Rainha das virgens,...
Rainha de todos os santos,...
Rainha concebida sem pecado,...
Rainha assunta ao céu,...
Rainha do sacratíssimo Rosário,...
Rainha das famílias,...
Rainha da paz,...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
“LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.