domingo, 26 de julho de 2026

Terça-feira da 17ª semana do Tempo Comum

S. Pedro Poveda Castroverde, presbítero e mártir - Fundador da Instituição Teresiana
 
1ª Leitura (Jer 14,17-22):
Chorem meus olhos, noite e dia, lágrimas sem fim, porque uma grande ruína, uma chaga atroz, tortura a virgem, filha do meu povo. Se saio para o campo, eis os mortos à espada; se entro na cidade, eis as vítimas da fome. Tanto o profeta como o sacerdote percorrem o país e não compreendem. Acaso rejeitastes inteiramente Judá? Porque Vos desgostastes com Sião? Porque nos feristes sem esperança de remédio? Esperávamos a paz e nada vemos de bom, uma era de restauração e surgiu a angústia. Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade e a culpa dos nossos pais, porque pecámos contra Vós. Não nos rejeiteis, por amor do vosso nome, não deixeis profanar o vosso trono de glória. Recordai e não revogueis a vossa aliança conosco. Pode algum dos falsos deuses das nações fazer que chova? Ou é o céu que nos dá sozinho os aguaceiros? Não sois Vós, Senhor, nosso Deus, em quem esperamos? Na verdade, sois Vós que realizais tudo isto.
 
Salmo Responsorial: 78
R. Salvai-nos, Senhor, para glória do vosso nome.
 
Não recordeis, Senhor, contra nós as culpas dos nossos pais. Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia, porque somos tão miseráveis.
 
Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador, para glória do vosso nome. Salvai-nos e perdoai os nossos pecados, para glória do vosso nome.
 
Chegue à vossa presença, Senhor, o gemido dos cativos; pela omnipotência do vosso braço, libertai os condenados à morte.
 
E nós, vosso povo, ovelhas do vosso rebanho, louvar-Vos-emos para sempre e de geração em geração cantaremos a vossa glória.
 
Aleluia. A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo: quem O encontra permanece para sempre. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,36-43): Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Explica-nos a parábola do joio». Ele respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça».
 
«Explica-nos a parábola do joio»
 
Rev. D. Iñaki BALLBÉ i Turu (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, com a parábola do joio e do trigo, a Igreja nos convida a meditar sobre a convivência do bem e do mal. O bem e o mal dentro do nosso coração; o bem e o mal que vemos em outros, que vemos existir neste mundo.
 
«Explica-nos a parábola» (Mt 13,36), pedem os discípulos a Jesus. E nós, hoje, podemos fazer o propósito de ter mais cuidado com a nossa oração pessoal, com o nosso trato cotidiano com Deus. Senhor, podemos dizer-lhe, explique-me por que não avanço suficientemente em minha vida interior. Explique-me como posso lhe ser mais fiel, como posso buscar-lhe em meu trabalho, ou através dessa circunstância que não entendo, ou não quero. Como posso ser um apóstolo qualificado. A oração é isso, pedir explicações a Deus. Como é minha oração? É sincera? É constante? É confiante?
 
Jesus Cristo nos convida a ter os olhos fixos no céu, nossa morada eterna. Freqüentemente, vivemos enlouquecidos pela pressa, e quase nunca nos detemos para pensar que um dia próximo ou não, não o sabemos deveremos prestar contas a Deus de nossa vida, de como temos feito frutificar as qualidades que Ele nos tem dado. E o Senhor nos diz que no fim dos tempos haverá uma triagem. Devemos ganhar o Céu na terra, no dia a dia, sem esperar situações que possivelmente nunca virão. Devemos viver heroicamente o que é ordinário, o que aparentemente não possui nenhuma transcendência. Viver pensando na eternidade e ajudar os outros a pensar nela!: paradoxalmente, «esforça-se para não morrer o homem que há de morrer; e não se esforça para não pecar o homem que há de viver eternamente» (São João de Toledo).
 
Colheremos o que houvermos semeado. Devemos lutar para dar 100% hoje. Para que quando Deus nos chame a sua presença Lhe apresentemos as mãos cheias: de atos de fé, de esperança, de amor. Que se concretizam em coisas muito pequenas e em pequenos vencimentos que, vividos diariamente, nos fazem mais cristãos, mais santos, mais humanos.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Esforça-se por não morrer o homem que morrerá; e não se esforça por não pecar, o homem que viverá eternamente» (São Julião de Toledo)
 
«Devemos estar preparados para protegermos a graça recebida no dia do nosso Baptismo, alimentando a fé em Nosso Senhor impedindo assim que o mal lance as suas raízes» (Bento XVI)
 
«(...) Jesus fala muitas vezes da «gehena» do «fogo que não se apaga» reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. Jesus anuncia, em termos muitos severos, que «enviará os seus anjos que tirarão do seu Reino [...] todos os que praticaram a iniquidade, e hão de lançá-los na fornalha ardente» (Mt 13, 41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: «afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno» (Mt 25, 41)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1034)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz a explicação que Jesus, a pedido dos discípulos, deu da parábola do joio e do trigo.
Alguns estudiosos acham que esta explicação, dada por Jesus aos discípulos, não seja de Jesus, mas sim da comunidade. É possível e provável, pois uma parábola, por sua própria natureza, pede o envolvimento e a participação das pessoas na descoberta do sentido. Assim como a planta já está dentro da sua semente, assim, de certo modo, a explicação da comunidade já está dentro da parábola. É exatamente este o objetivo que Jesus queria e ainda quer alcançar com a parábola. O sentido que nós hoje vamos descobrindo na parábola que Jesus contou dois mil anos atrás já estava implicado na história que Jesus contou, como a flor já está dentro da sua semente.
 
* Mateus 13,36: O pedido dos discípulos para explicar a parábola do joio e do trigo
Os discípulos, em casa conversam com Jesus e pedem uma explicação da parábola do joio e do trigo (Mt 13,24-30). Várias vezes se informa que Jesus, em casa, continuava o seu ensinamento aos discípulos (Mc 7,17; 9,28.33; 10,10). Naquele tempo não havia televisão e nas longas horas das noites do inverno o povo reunia para conversar e tratar dos assuntos da vida. Jesus fazia o mesmo. Era nestas ocasiões que ele completava o ensinamento e a formação dos discípulos.
 
* Mateus 13,38-39: O significado de cada um dos elementos da parábola. Jesus responde retomando cada um dos seis elementos da parábola e lhes dá um sentido: o campo é o mundo; a boa semente são os membros do Reino; o joio são os membros do adversário (maligno); o inimigo é o diabo; a colheita é o fim dos tempos; os ceifadores são os anjos. Experimente você agora ler de novo a parábola (Mt 13,24-30) colocando o sentido certo em cada um dos seis elementos: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Aí, a história toma um sentido totalmente diferente e você alcança o objetivo que Jesus tinha em mente ao contar esta história do joio e do trigo ao povo. Alguns acham que esta parábola que deve ser entendida como uma alegoria e não como uma parábola propriamente dita.
 
* Mateus 13,40-43: A aplicação da parábola ou da alegoria. Com estas informações dadas por Jesus você entenderá a aplicação que ele dá: Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”. O destino do joio é a fornalha, o destino do trigo bom é o brilho do sol no Reino do Pai. Por de trás destas duas imagens está a experiência das pessoas. Depois que elas escutaram Jesus e o aceitaram em suas vidas, tudo mudou para elas. O fim chegou. Ou seja, em Jesus chegou aquilo que, no fundo, todos esperavam: a realização das promessas. A vida agora se divide em antes e depois que escutaram e aceitaram Jesus em suas vidas. A nova vida começou como o brilho do sol. Se tivessem continuado a viver como antes, seriam como o joio jogado na fornalha, vida sem sentido e sem serventia para nada.
 
* Parábola e Alegoria. Existe a parábola. Existe a alegoria. Existe a mistura das duas que é a forma mais comum. Geralmente tudo é chamado de parábola. No evangelho de hoje temos o exemplo de uma alegoria. Uma alegoria é uma história que a pessoa conta, mas enquanto conta, ela não pensa nos elementos da história, mas sim no assunto que deve ser esclarecido. Ao ler uma alegoria não é necessário olhar primeiro a história como um todo, pois numa alegoria a história não se constrói em torno de um ponto central que depois serve como meio de comparação, mas cada elementos tem a sua função independente a partir do sentido que recebe. Trata-se de descobrir o que cada elemento das duas histórias nos tem a dizer sobre o Reino como fez a explicação que Jesus deu da parábola: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Geralmente, as parábolas são alegorizantes. Mistura das duas.
 
Para um confronto pessoal
1) No campo existe tudo misturado: joio e trigo. No campo da minha vida, o que prevalece: o joio ou o trigo?
2) Você já tentou conversar com outras pessoas para descobrir o sentido de alguma parábola?

sábado, 25 de julho de 2026

28 de julho

 São Pedro Poveda Castroverde
Presbítero e mártir - Fundador da Instituição Teresiana

 

Pedro Poveda Castroverde nasceu em Linhares (Jaén) em 3 de dezembro de 1874. Desde criança sentiu atração pelo sacerdócio. Ingressou no seminário de Jaén e concluiu os estudos no de Guadix, diocese na qual recebeu a ordenação em 1897. Começou seu ministério no Seminário e no atendimento pastoral aos que viviam nas margens da população, criando uma escola para eles. Nomeado canônico de Covadonga ocupou-se da formação cristã dos peregrinos e começou a escrever livros sobre educação e a relação entre a fé e a ciência. A partir de 1911, com algumas jovens colaboradoras, começou a fundação de Academias e Centros pedagógicos que dariam início à Instituição Teresiana. Transferiu-se para Jaén para consolidar a mesma Instituição que receberia ali aprovação diocesana e depois, estando ele já em Madri como capelão real, a aprovação pontifícia. Sacerdote prudente e audaz, pacífico e aberto ao diálogo, entregou sua vida por causa da fé na madrugada de 28 de julho de 1936, identificando-se: "Sou sacerdote de Cristo" perante aqueles que o conduziriam ao martírio.

 

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.


Oração

Senhor nosso Deus, que concedestes a são Pedro Poveda, fundador da Instituição Teresiana, impulsionar a ação evangelizadora dos cristãos mediante a educação e a cultura, e entregar a sua vida no martírio como «sacerdote de Jesus Cristo»; concedei-nos que saibamos, como ele, participar fielmente da missão da Igreja com o testemunho de nossa vida cristã e a entrega generosa ao anúncio de vosso Reino. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. 

Segunda-feira da 17ª semana do Tempo Comum

São Tito Brandsma, presbítero e mártir de nossa Ordem.
 
1ª Leitura (Jer 13,1-11):
O Senhor disse-me: «Vai comprar uma faixa de linho e põe-na à cintura, mas sem a molhares na água». Eu comprei a faixa e pu-la à cintura, como o Senhor me tinha ordenado. Pela segunda vez me foi dirigida a palavra do Senhor: «Toma a faixa que compraste e que trazes à cintura, põe-te a caminho até ao rio Eufrates e esconde-a lá na fenda dum rochedo». Eu fui esconder a faixa na margem do Eufrates, como o Senhor me tinha ordenado. Muitos dias depois, disse-me o Senhor: «Põe-te a caminho e vai ao rio Eufrates buscar a faixa que lá te mandei esconder». Eu fui ao Eufrates procurar a faixa e tirá-la do lugar onde a escondera. Mas a faixa tinha-se estragado e já não servia para nada. Então o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Assim fala o Senhor: Deste modo destruirei o orgulho de Judá, a grande soberba de Jerusalém. Este povo perverso, que recusa ouvir as minhas palavras, que segue as tendências do seu coração obstinado e segue outros deuses para os servir e adorar, ficará como essa faixa, que já não serve para nada. Porque assim como a faixa se prende à cintura do homem, também Eu tinha prendido a Mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, – diz o Senhor – para que fossem o meu povo, proclamando o meu nome, o meu louvor e a minha glória. Mas eles não Me obedeceram».
 
Salmo Responsorial: Dt 32
R. Abandonaste a Deus que te criou.
 
Desprezaste o Rochedo que te gerou, esqueceste a Deus que te deu a vida. O Senhor viu e ficou indignado e rejeitou teus filhos e tuas filhas.
 
O Senhor disse: «Vou ocultar-lhes o meu rosto e ver qual será o seu futuro, porque são uma geração perversa de filhos que não conhecem a fidelidade».
 
«Provocaram-Me com um deus falso, irritaram-Me com inúteis ídolos; e Eu vou provocá-los com um povo falso, vou irritá-los com uma nação insensata».
 
Aleluia. Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade, para sermos as primícias das suas criaturas. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,31-35): Naquele tempo Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: «O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos». E contou-lhes mais uma parábola: «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado». Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: «Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo».
 
«Nada lhes falava sem usar de parábolas»
 
Rev. D. Josep Mª MANRESA Lamarca (Valldoreix, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus predicando aos seus discípulos. E o faz do jeito que nele é habitual, através das parábolas, quer dizer, empregando imagens simples e comuns para explicar os grandes mistérios escondidos do Reino. Assim todo mundo podia entender, desde as pessoas com maior formação até as menos formadas.
 
«O Reino dos Céus é como um grão de mostarda...» (Mt 13,31). Os grãos de mostarda não se veem, são muito pequenos, mas se temos cuidado deles e os regamos... Acabam se tornando em grandes árvores. «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha...» (Mt 13,33). O fermento não se vê, mas se não estivesse aí, a massa não subiria. Assim também é a vida cristã, a vida da graça: não se percebe no exterior, não faz barulho, mas... Se você deixa que se introduza no seu coração, a graça divina vai fazendo frutificar a semente e transformando assim às pessoas pecadoras em santas.
 
Esta graça divina dá-se nos pela fé, pela oração, pelos sacramentos, pela caridade. Mas a vida da graça é, sobretudo, um dom que devemos esperar e desejar com humildade. Um dom que sábios e eruditos deste mundo não sabem valorar, mas que Deus Nosso Senhor quer fazer chegar aos humildes e simples.
 
Tomara que quando nos procure, encontre-nos não no grupo dos orgulhosos, mas naquele dos humildes, que se reconhecem fracos e pecadores, mas muito agradecidos e confiando na bondade do Senhor. Assim, o grão de mostarda chegará a ser uma grande árvore; assim o fermento da Palavra de Deus dará em nós frutos de vida eterna. Porque, «quanto mais se abaixa o coração pela humildade, mais se levanta até a perfeição» (São Agostinho).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«No tenha medo ao mundo paganizado, porque o Senhor nos procura justamente para que sejamos fermento, sal e luz no médio deste mundo. Não te preocupes, que o mundo não te fara dano, só se você quiser» (São Josemaría)
 
«A família que vive a alegria da fé, a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toada a sociedade» (Francisco)
 
«Sendo próprio do estado dos leigos viverem a sua vida no meio do mundo e dos assuntos profanos, eles são chamados por Deus a exercer a seu apostolado no mundo à maneira de fermento» (Catecismo da Igreja Católica, n° 940)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Estamos meditando o Sermão das Parábolas, cujo objetivo é revelar, por meio de comparações, o mistério do Reino de Deus presente na vida do povo.
O evangelho de hoje traz duas pequenas parábolas, da semente de mostarda e do fermento. Nelas Jesus conta duas histórias tiradas da vida de cada dia que vão servir como meio de comparação para ajudar o povo a descobrir o mistério do Reino. Ao meditar estas duas histórias não se deve logo querer descobrir o que cada elemento das histórias nos tem a dizer sobre o Reino. Antes disso, se deve olhar, primeiro, a história em si mesma como um todo e procurar descobrir qual o ponto central em torno do qual a história foi construída, pois é este ponto central que servirá como meio de comparação para revelar o Reino de Deus. Vamos ver qual o ponto central das duas parábolas.
 
* Mateus 13,31-32: A parábola da semente de mostarda. Jesus diz: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda“ e, em seguida, ele conta a história: uma semente bem pequena é lançada no campo; mesmo sendo pequena, ela cresce, fica maior que as outras plantas e chega a atrair os passarinhos para fazer nela seus ninhos. Jesus não explica a história. Aqui vale o que ele disse em outra ocasião: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” Ou seja: “É isso. Vocês ouviram e agora tratem de entender!” Compete a nós descobrir o que esta história nos revela sobre o Reino de Deus presente em nossas vidas. Assim, por meio desta história da semente de mostarda Jesus provoca nossa fantasia, pois cada um de nós entende algo de semente. Jesus espera que as pessoas, nós todos, comecemos a partilhar o que cada um descobriu. Partilho aqui três pontos que descobri sobre o Reino a partir desta parábola:
(1) Jesus diz: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda“. O Reino não é algo abstrato, não é uma ideia. É uma presença no meio de nós (Lc 17,21). Como é esta presença? Ela é como a semente de mostarda: presença bem pequena, humilde, que quase não se vê. Trata-se do próprio Jesus, um pobre camponês carpinteiro, andando pela Galileia, falando do Reino ao povo das aldeias. O Reino de Deus não segue os critérios dos grandes do mundo. Tem outro modo de pensar e de proceder.
(2) A parábola evoca uma profecia de Ezequiel, onde se diz que Deus vai pegar um pequeno broto de cedro e plantá-lo nas alturas da montanha de Israel. Este pequeno broto de cedro ”vai soltar ramos e produzir frutos, e se transformará num cedro gigante. Os passarinhos farão nele seus ninhos, e os pássaros se abrigarão à sombra de seus ramos E todas as árvores do campo saberão que sou eu, Javé, que rebaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa, seco a árvore verde e faço brotar a árvore seca. Eu, Javé, falo e faço". (Ez 17,22-23).
(3) A semente de mostarda, mesmo sendo pequena, cresce e suscita esperança. Como a semente de mostarda, assim o Reino tem uma força interior e cresce. Cresce como? Cresce através da pregação de Jesus e dos discípulos e discípulas nos povoados da Galileia. Cresce, até hoje, através do testemunho das comunidades e se torna uma boa notícia de Deus que irradia e atrai o povo. A pessoa que chega perto da comunidade, se sente acolhida, em casa, e faz nela seu ninho, a sua morada. No fim, a parábola deixa uma pergunta no ar: quem são os passarinhos? A pergunta vai ter resposta mais adiante no evangelho. O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar no Reino (Mt 15,21-28).
 
* Mateus 13,33: A parábola do fermento. A história da segunda parábola é esta: uma mulher pega um pouco de fermento e o mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado. Novamente, Jesus não explica. Só diz: "O Reino do Céu é como o fermento...”. Como na primeira parábola, fica por nossa conta de descobrir o significado para nós hoje. Partilho alguns pontos que descobri e me fizeram pensar: (1) O que cresce não é o fermento, mas sim a massa. (2) Trata-se de uma coisa bem caseira, do trabalho da mulher em casa. (3) Fermento tem algo de podre que é misturado na massa pura da farinha. (4) O objetivo é fazer levedar a massa toda e não apenas uma parte. (5) Fermento não tem finalidade em si mesma, mas serve apenas para fazer crescer a massa.
 
* Mateus 13,34-35: Por que Jesus fala em parábolas. Aqui, no fim do Sermão das Parábolas, Mateus traz um esclarecimento sobre o motivo que levava Jesus a ensinar o povo em forma de parábolas. Ele diz que era para se cumprir a profecia que dizia: "Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo". Na realidade, o texto citado não é de um profeta, mas de um salmo (Sl 78,2). É que para os primeiros cristãos todo o Antigo Testamento era uma grande profecia a anunciar veladamente a vinda do Messias e a realização das promessas de Deus. Em Marcos 4,34-34, o motivo que levava Jesus a ensinar o povo por meio de parábolas era para adaptar a mensagem à capacidade do povo. Por serem exemplos tirados da vida do povo, Jesus ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no quotidiano. Tornava a vida transparente. Fazia perceber que o extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. O povo entendia da vida. Nas parábolas recebia a chave para abri-la e encontrar dentro dela os sinais de Deus. No fim do Sermão das Parábolas, em Mateus 13,52, como ainda veremos, vai ser dado outro motivo que levava Jesus a ensinar por meio de parábolas.
 
Para um confronto pessoal
1. Qual o ponto destas duas parábolas de que você mais gostou ou que mais chamou a sua atenção? Por que?
2. Qual a semente que, sem você se dar conta, cresceu em você e na sua comunidade?

sexta-feira, 24 de julho de 2026

27 de julho

São Tito Brandsma
Presbítero e Mártir Nossa Ordem
 
Nasceu na cidade de Bolsward, na Frísia (Holanda), no ano de 1881.  Ainda muito jovem, entrou para a Ordem do Carmo e foi ordenado sacerdote em 1905. Estudou em Roma, onde conseguiu o grau de Doutor em Filosofia na Universidade Gregoriana. Retomando para a Holanda, ensinou em diversas escolas e foi nomeado professor de Filosofia, Teologia Mística e sua história, na Universidade Católica de Nimega, da qual também foi eleito "Reitor Magnífico". Salientou-se pela sua afabilidade para com todos. Foi jornalista profissional e, em 1935, foi designado Assistente Eclesiástico dos jornalistas católicos. Opôs-se à ocupação nazista da Holanda e, baseando-se no Evangelho, combateu tenazmente a ideologia do Nacional Socialismo (Nazismo), defendeu a liberdade da Educação e da Imprensa católicas e protestou contra a perseguição às crianças de origem judaica. Por estas razões foi preso: começa desta forma o seu Calvário de campo em campo, de prisão em prisão e, depois de tantos sofrimentos e humilhações, foi assassinado em Dachau, no ano de 1942. Até o seu último suspiro, não se cansou de levar a paz e o conforto espiritual a todos os seus colegas de prisão. No meio de inúmeros e atrozes sofrimentos soube comunicar o bem, o amor e a paz. No dia 3 de novembro de 1985 foi proclamado beato da Igreja de Cristo pelo Papa João Paulo II. Canonizado em 15 de maio de 2022, pelo Papa Francisco
 
INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos o Senhor, Rei dos Mártires.
 
LAUDES
Hino
Ó Jesus, quando te contemplo,
eu redescubro, a sós contigo,
que te amo e que teu coração
me ama como a um dileto amigo.
 
Ainda que a descoberta exija
coragem, faz-me bem a dor:
por ela me assemelho a ti,
que ela é o caminho redentor.
 
Na minha dor me rejubilo;
já não a julgo sofrimento,
mas sim predestinada escolha,
que me une a ti neste momento.
 
Deixa-me, pois, nesta quietude,
malgrado o frio que me alcança.
Presença humana não permitas,
que a solidão já não me cansa,
 
pois de ti sinto-me tão próximo
como jamais antes senti.
Doce Jesus, fica comigo,
que tudo é bom junto de ti.
 
Salmos, cântico, leitura, responsório e preces do comum de um mártir
 
Cântico evangélico
Ant. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, conservei a minha fé!
 
Oração
Senhor Deus, fonte e origem da vida, infundistes no Beato Tito a força do vosso Espírito e a coragem, para, mesmo durante a crueldade da perseguição e do martírio, proclamar a liberdade da Igreja e a dignidade da pessoa humana. Concedei-nos, por sua intercessão, empenharmo-nos na construção do Reino da justiça e da paz, sem nos envergonharmos do Evangelho, e que, em cada momento da vida, reconheçamos a vossa presença misericordiosa. Por N.S. J.C.
 
VÉSPERAS
Hino
Seguir os passos de Cristo,
imitando a Virgem Maria,
tendo de Elias o espírito,
é lema do Carmo, nossa alegria.
 
Maria, ó Mãe da nossa alma
acende em nós o fulgor
da luz ardente e calma,
que a Tito deu força, coragem e amor.
 
Viver no Carmo é contemplar
o Deus a Elias revelado.
Vi ver no Carmo é habitar
no Tabor com Cristo Transfigurado.
 
Viver no Carmelo é aceitar
ser holocausto, que se deixa consumir,
sem temer, mas antes desejar
os raios divinos atrair.
 
Viver no Carmelo é fitar
a Cruz, que se ama e se deseja,
para nela e por ela alcançar
que Cristo viva nos membros da Igreja.
 
Salmos, cântico, leitura, responsório e preces do comum de um mártir
 
Cântico evangélico
Ant. Na dureza do combate o Senhor lhe deu a vitória, pois mais forte do que tudo é a força do amor.
 
Oração
Senhor Deus, fonte e origem da vida, infundistes no Beato Tito a força do vosso Espírito e a coragem, para, mesmo durante a crueldade da perseguição e do martírio, proclamar a liberdade da Igreja e a dignidade da pessoa humana. Concedei-nos, por sua intercessão, empenharmo-nos na construção do Reino da justiça e da paz, sem nos envergonharmos do Evangelho, e que, em cada momento da vida, reconheçamos a vossa presença misericordiosa. Por N.S. J.C.

XVII Domingo do Tempo Comum

S. Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria e Protetores secundários da Ordem
 
1ª Leitura (1Re 3,5.7-12):
Naqueles dias, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: «Pede o que quiseres». Salomão respondeu: «Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?». Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: «Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».
 
Salmo Responsorial: 118
R. Quanto amo, Senhor, a vossa lei!
 
Senhor, eu disse: A minha herança é cumprir as vossas palavras. Para mim vale mais a lei da vossa boca do que milhões em ouro e prata.
 
Console-me a vossa bondade, segundo a promessa feita ao vosso servo. Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei, porque a vossa lei faz as minhas delícias.
 
Por isso, eu amo os vossos mandamentos, mais que o ouro, o ouro mais fino. Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos e detesto todo o caminho da mentira.
 
São admiráveis as vossas ordens, por isso, a minha alma as observa. A manifestação das vossas palavras ilumina e dá inteligência aos simples.
 
2ª Leitura (Rom 8,28-30): Irmãos: Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.
 
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,44-52): «O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo». O Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, ele vai, vende todos os bens e compra aquela pérola. O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que pegou peixes de todo tipo. Quando ficou cheia, os pescadores puxaram a rede para a praia, sentaram-se, recolheram os peixes bons em cestos e jogaram fora os que não prestavam. Assim acontecerá no fim do mundo: os anjos virão para separar os maus dos justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isso?». —«Sim», responderam eles. Então ele acrescentou: «Assim, pois, todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas».
 
«Um tesouro escondido num campo um negociante que procura pérolas preciosas»
 
 
Rev. D. Enric PRAT i Jordana (Sort, Lleida, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho quer ajudar-nos a olhar para dentro, a encontrar algo escondido: «O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo» (Mt 13,44). Quando falamos de tesouro referimo-nos a algo de valor excepcional, de apreciação máxima, não a coisas ou situações que, ainda que amadas, não deixam de ser fugazes e bijuteria barata, como as satisfações e prazeres temporais: aquilo com que tanta gente se extenua procurando no exterior, e com o que se desencanta uma vez encontrado e experimentado.
 
O tesouro que Jesus propõe está enterrado no mais profundo da nossa alma, no próprio núcleo da nossa alma. É o Reino de Deus. Consiste em encontrar-nos amorosamente, de maneira misteriosa, com a Fonte da vida, da beleza, da verdade e do bem, e em permanecer unidos à mesma Fonte até que, cumprido o tempo da nossa peregrinação, e livres de toda a bijuteria inútil, o Reino do céu que procuramos no nosso coração e que cultivamos na fé e no amor, se abra como uma flor e apareça o brilho do tesouro escondido.
 
Alguns, como São Paulo ou o próprio bom ladrão, encontraram-se subitamente com o Reino de Deus ou de maneira inesperada, porque os caminhos do senhor são infinitos, mas normalmente, para chegar a descobrir o tesouro, há que procurá-lo intencionalmente: «O Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas» (Mt 13,45). Talvez este tesouro só seja encontrado por aqueles que não se dão por satisfeitos facilmente, pelos que não se contentam com pouca coisa, pelos idealistas, pelos aventureiros.
 
Na ordem temporal, dos inquietos e inconformados dizemos que são pessoas ambiciosas, e no mundo do espírito, são os santos. Eles estão dispostos a vender tudo para comprar o campo, como diz São João da Cruz: «Para chegar a possuir tudo, não queiras possuir algo em nada»
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Considerem, meus filhos: o tesouro do homem cristão não está na terra, mas no céu. Portanto, o nosso pensamento deve estar sempre orientado para onde está o nosso tesouro» (São João Mª Vianney)
 
«A pessoa de Jesus é o tesouro escondido, é a pérola de grande valor. Ele é a descoberta fundamental, que pode dar um rumo decisivo à nossa vida, enchendo-a de sentido» (Francisco)
 
«(…) A fé dos fiéis é a fé da Igreja recebida dos Apóstolos, tesouro de vida que se enriquece na medida em que é partilhada» (Catecismo da Igreja Católica, nº 949)
 
«Por isso, todo o escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
 
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
 
Conclui-se hoje a leitura do “discurso das parábolas” (13,1-52), que nos acompanha já há dois domingos. Nele, Jesus ilustra como se deve acolher o reino dos céus. O texto de hoje apresenta-nos quatro parábolas, todas elas exclusivas de Mateus, correspondendo à quinta, sexta, sétima e oitava parábola do referido discurso: a) a parábola do tesouro escondido (v. 44); b) a parábola da pérola preciosa (vv. 45s); c) a parábola da rede lançada ao mar (vv. 47-50); d) e a parábola do escriba, discípulo do Reino dos céus (vv. 51s), a oitava deste discurso, que também lhe serve de conclusão.
 
v. 44. «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. O homem que o encontrou voltou a escondê-lo e, na sua alegria, vai e vende tudo quanto tem e compra aquele campo.
 
* A quinta parábola do "discurso das parábolas" é a do “tesouro escondido”, uma imagem da sabedoria no AT (Pv 2,4 LXX; Sir 20,30; 41,14). Este tesouro (cf. 19,21), mal é encontrado, logo se volta a “esconder” (gr. krypto), uma nota que se compreende porque se pretende comprar aquele campo sem que ninguém saiba – inclusive o proprietário – o que nele se achou. Transpondo para o tema da “procura” do “encontro” do Reino dos céus (v. 46; cf. 7,7-18; Jo 1,41.45), Jesus dá a entender que antes de se alcançar a verdadeira sabedoria, a do Reino, e a comunicar, há que “guardá-la” no coração (gr. krypto, he. tsaphan, “acumular”, “entesourar”: Pv 2,1), aprendê-la e pô-la em prática (cf. Pv 2,1-4).
 
* De fato, a sabedoria do Reino é loucura aos olhos do mundo (1Cor 1,17-25), permanecendo “escondida” “aos sábios e entendidos”, sendo só revelada aos “pequeninos” (11,25) e dada aos “pobres em espírito” (5,3). Por isso, quem o encontra, “na sua alegria” (gr. khará) – a alegria escatológica do Reino dos céus (25,21.33; Rm 14,17; Gl 5,22 cf. Lc 15,10) –, “vai e vende tudo quanto tem” (v. 46; 19,21), para o adquirir.
 
v. 45. O reino dos Céus é também semelhante a um comerciante que procura boas margaritas.
 
* Semelhante à parábola anterior, é a sexta parábola, a “parábola da margarita de grande valor” (do gr. margarítes, “pérola preciosa”), à “procura” da qual um comerciante de pérolas preciosas anda.
 
v. 46. Ao encontrar uma margarita de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.
 
* O comerciante vai procurando até que “encontra” uma margarita de grande valor. Faz então o mesmo que o homem da parábola anterior: “foi, vendeu tudo quanto tinha” (cf. v. 44; Lc 14,33; cf. Fl 3,7) “e comprou-a”.
 
* Ambas as parábolas realçam que a única riqueza, que tem real valor, é o Reino de Deus, que o homem deve preferir e eleger como sendo o seu bem mais precioso, o fim último da própria existência, o valor fundamental pelo qual se rege toda a sua vida e em favor do qual renuncia a tudo quanto possui – ou é incompatível com ele – estando disposto a “vendê-lo” (para depois o dar aos pobres: 19,21), a fim de o possuir, pois só o Reino pode dar um sentido definitivo à vida e enchê-la de alegria.
 
v. 47. O reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha todo o género [de peixes].
 
* Na sétima parábola (vv. 47-50), o Reino é comparado a “uma rede que, lançada ao mar, apanha todo o género”. “De peixes” é um acrescento das traduções. Mas não é exato, pois Jesus fala da sagena (gr. sagéne: Hab 1,15s; no NT, só aqui), uma rede de pesca que tanto pode ser usada em águas pouco profundas, como na pesca de arrasto. Nela podem cair peixes de “todo o género”, mas também ser arrastadas todo o tipo de coisas, incluindo lixo.
 
* A “rede”, nos Evangelhos, é imagem da atividade evangelizadora da Igreja (cf. 4,19sp; Mc 1,16, Lc 5,5s; Jo 21,6.8.11). Tal como a semente da Palavra é semeada em todo o tipo de terreno (vv. 4-8.18-22), também a “rede” da pregação do Evangelho se estende a todo o tipo de pessoas, acolhendo o Reino dos céus bons e maus, como o ilustra a parábola do trigo e da cizânia (vv. 25-30).
 
v. 48. Quando fica cheia, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e deitam fora o que não presta.
 
* A rede (sagena) do Reino “fica cheia” quando “se cumprirem os tempos das nações” (Lc 21,24) e chegar “a plenitude dos gentios. Então todo o Israel será salvo” (Rm 11,25s), ou seja, “na consumação do tempo” (v. 49). Só nessa ocasião é que a rede será puxada para a “praia” (gr. aigialós: “margem” arenosa de um rio, lago ou mar: v. 2; Jo 21,4s; At 27,39s) e se separará o peixe bom, que será “escolhido” e juntado nos “cestos”, do “que não presta”, seja ele lixo ou peixe. É o mesmo que se diz na parábola do trigo e da cizânia: o Reino não é um condomínio fechado, onde só há gente boa e santa, mas é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente e convivem juntos (cf. 22,10).
 
v. 49. Assim será na consumação do tempo: os anjos sairão para separar os maus do meio dos justos.
 
* O momento da “separação” de ambos só ocorrerá na “consumação do tempo” (gr. syntéleia tõy aiônos, “consumação do século”). Esta expressão, no singular, exclusiva de Mateus (vv. 39s; 24,3; 28,20; cf. Hb 9,26, no plural), designa o último dia do “fim dos tempos” (a era messiânica em que se cumprem as Escrituras: Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 1,2; 9,26; Gl 4,4; Ef 1,10), em que Jesus, “o Filho do Homem,” virá na sua glória (25,31). Então os mortos ressuscitarão e todos, bons e maus, serão julgados por Ele (13,49; 24,3; 25,32), como Jesus o diz na parábola do trigo e do joio sob a imagem da “ceifa” (v. 39), substituída aqui por outra imagem: “Ele enviará os seus anjos” (v. 41; 24,31), que “sairão para separar os maus do meio dos justos”. Então o universo será consumido pelo fogo (daí a palavra “consumação”) e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), a eternidade prometida (13,43; 25,46).
 
* A referência ao envio dos “anjos” a “separar” (25,32; 2Cor 6,17) “os maus do meio dos justos” (cf. Sl 1,5), é uma forma de exortar as pessoas a acolherem a palavra anunciada pelos “anjos” (gr. “mensageiro”: 11,10), ou seja, pelos “enviados” (gr. apóstolos) e “mensageiros” de Jesus Cristo. O juízo final já começa aqui, dependendo a salvação e a condenação da decisão de cada um de acolher o Evangelho e de o pôr em prática pelas obras de misericórdia (5,7; 9,13; 12,7; 23,23; 25,35s) ou não.
 
v. 50. E lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes.
 
* É o que Jesus explicita em seguida, repetindo aqui à letra o que já dissera no v. 42, na conclusão da parábola do trigo e da cizânia.
 
* “A fornalha ardente” (cf. 3,12; 25,31) é uma imagem retirada de Dn 3,6, referida à fornalha de fogo onde eram castigados os que não adorassem a estátua de Nabucodonosor. Daí que a fornalha de fogo e a Geena (5,22.29s; 10,28; 23,15.33) se tivessem tornado figuras do suplício do inferno, expresso na forma popular do pranto e do ranger de dentes: o “choro” como expressão de sofrimento e luto irremediável, e “o ranger de dentes”, como símbolo da inveja e do desespero dos réprobos ao ver a sua irremediável condenação e a felicidade eterna dos justos (cf. 8,12; 22,13;24,51;25,30; Lc 13,28).
 
* Em suma: Deus não tem pressa de condenar e destruir, porque não quer a morte do pecador (Ez 18,23.32); por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para que tome consciência do que faz, se arrependa e opte pela vida verdadeira.
 
v. 51. «Entendestes tudo isto?» Eles responderam-lhe: «Sim!»
 
* Na terceira parte, conclui-se o discurso das parábolas com um breve diálogo entre Jesus e os discípulos (vv. 51-52). Jesus certifica-se que os seus discípulos “compreenderam” (gr. syníemi, 6x em Mt 13: vv. 13-15.19.23; Is 6,9) o que Ele lhes disse, pois esta é a condição fundamental para acolher a palavra de Jesus e de a pôr em prática, dando muito fruto (v. 23). Eles respondem afirmativamente.
 
v. 52. Então Ele disse-lhes: «Por isso, todo o escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
 
* Jesus termina o “discurso das parábolas” com uma oitava e última parábola, a do escriba que “se torna discípulo do Reino dos céus” e como tal permanece, não se impondo como instrutor e juiz dos outros, como no judaísmo (cf. 23,2-10), mas esforçando-se por compreender e pôr em prática o que aprendeu (5,19) a fim de dar muito fruto (v. 23).
 
* A referência ao fato do “escriba” (23,34) “tirar do seu tesouro” (v. 44; 12,35; cf. 6,19ss; 19,21) – o tesouro do coração, onde se guarda aquilo que se viu e ouviu (12,35) –, “coisas novas e velhas” refere-se antes de mais aos judeus, profundos conhecedores do AT (o “velho”), mas também se pode referir a todos os cristãos que encontraram o tesouro escondido e que agora são convidados a refletirem sobre os ensinamentos e as promessas do AT, vendo-as realizadas e levadas à perfeição por Jesus no Evangelho (o “novo”). O Evangelho, por sua vez, só manifesta todo o seu valor, alcance, sentido e novidade se lido à luz do AT.
 
MEDITAÇÃO
1) O que é que comanda a minha vida? Quais são os valores que ponho em primeiro lugar? Que significado têm para mim as propostas de Jesus?
2) O Reino é para mim fonte de paz, alegria e generosidade? A minha opção por ele é sincera ou pactua com desvios, hipocrisias e incoerências?

quinta-feira, 23 de julho de 2026

25 de julho: São Tiago, Apóstolo

1ª Leitura (At 2 Cor 4, 7-15):
Irmãos: Nós trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério, para que se reconheça que um poder tão sublime vem de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não esmagados; andamos perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Levamos sempre e em toda a parte no nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no nosso corpo a vida de Jesus. Porque, estando ainda vivos, somos constantemente entregues à morte por causa de Jesus, para que se manifeste também na nossa carne mortal a vida de Jesus. E assim, a morte atua em nós e a vida em vós. Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus.
 
Salmo Responsorial: 126
R. Os que semeiam com lágrimas recolhem com alegria.
 
Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo.
 
Diziam então os pagãos: «O Senhor fez por eles grandes coisas». Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor, estamos exultantes de alegria.
 
Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos, como as torrentes do deserto. Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria.
 
À ida, vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas.
 
2ª Leitura (2Cor 4,7-15): Irmãos: Nós trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério, para que se reconheça que um poder tão sublime vem de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não esmagados; andamos perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Levamos sempre e em toda a parte no nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no nosso corpo a vida de Jesus. Porque, estando ainda vivos, somos constantemente entregues à morte por causa de Jesus, para que se manifeste também na nossa carne mortal a vida de Jesus. E assim, a morte atua em nós e a vida em vós. Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus.
 
Aleluia. Eu vos escolhi do mundo, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 20,20-28): A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: «Que queres?». Ela respondeu: «Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?». Eles responderam: «Sim, podemos». Declarou Jesus: «Do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou». Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: «Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos».
 
«Podes beber do cálice que eu vou beber?»
 
Mons. Octavio RUIZ Arenas (Città del Vaticano, Vaticano)
 
Hoje, o episódio que nos narra este fragmento do Evangelho nos põe diante a uma situação que ocorre com muita frequência nas diferentes comunidades cristãs. João e Santiago foram muito generosos ao abandonar sua casa e suas redes para seguir Jesus. Escutaram que o Senhor anuncia um Reino e que oferece a vida eterna, mas não chegam a entender ainda a nova dimensão que apresenta o Senhor e, por isso, sua mãe pedir a algo bom, mas que estão nas simples aspirações humanas: «Manda que estes dois filhos meus que se sentem, um a tua direita e outro a tua esquerda, em teu Reino» (Mt 20,21).
 
Igualmente, nós escutamos e seguimos o Senhor, como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, mas não sempre chegamos entender totalmente sua mensagem e nos deixamos levar por interesses pessoais ou ambições dentro da igreja. Esquecemos que ao aceitar ao Senhor, temos que entregarmos confiança e de maneira plena a Ele, que não podemos pensar em obter a gloria sem ter aceitado a cruz.
 
A resposta que lhes dá Jesus pões exatamente a entonação neste aspecto: para participar de seu Reino, o que importa é aceitar beber de seu próprio «cálice» (cf. Mt 20,22), ou seja, estar dispostos a entregar nossa vida por amor a Deus e dedicarmos ao serviço de nossos irmãos, com a mesma atitude de misericórdia que teve Jesus. O Papa Francisco, em sua primeira homilia, ressaltava que para seguir a Jesus devemos caminhar com a cruz, pois «quando caminhamos sem a cruz, quando confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor».
 
«Não sabeis o que estais pedindo (...) sentar-se à minha direita e à minha esquerda (...) é para aqueles a quem meu Pai o preparou»
 
Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, no fragmento do Evangelho de São Mateus encontramos vários ensinamentos. Vou destacar apenas um, aquele que se refere ao absoluto domínio de Deus sobre a História: tanto a de todos os homens em seu conjunto (a humanidade), como a de todos e cada um dos grupos humanos (no caso, por exemplo, o grupo familiar dos Zebedeus), como também a de cada indivíduo. Por isto Jesus disse-lhes claramente: «Não sabeis o que estais pedindo» (Mt 20,22).
 
Se sentarão à direita de Jesus Cristo aqueles a quem seu Pai tenha destinado: «Mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou» (Mt 20,23). Assim, tal como se escuta. Como escreve Cervantes na célebre obra Dom Quixote: «Não se move a folha na árvore, sem a vontade do Senhor». E isto é assim porque Deus é Deus. Dito de outro jeito: se não fosse assim, Deus não seria Deus.
 
Na presença disso, que indiscutivelmente se sobrepõe a todo condicionamento humano, aos homens só resta, em princípio, à aceitação e a adoração (porque Deus se nos revelou como o Absoluto);a confiança e o amor enquanto caminhamos (porque Deus se revelou a nós, também, como Pai); e no final... no final, o maior e o mais definitivo: sentar-nos junto à Jesus (à sua direita ou à sua esquerda, isso é uma questão secundária, sem dúvida).
 
O enigma da eleição e da predestinação divinas só se resolve, da nossa parte, com a confiança. Mais vale um miligrama de confiança depositado no coração de Deus, que todo o peso do universo pressionando sobre nosso pobre prato da balança. Na verdade, «Santiago viveu pouco tempo, pois já demonstrava uma grande fé: desprezou todas as coisas humanas e ascendeu a um patamar tão inefável, que morreu imediatamente» (São João Crisóstomo).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É como se Jesus lhes dissesse: Vocês me falam de honra e coroas, mas eu lhes falo de lutas e fatigas. Este não é tempo de prêmios» (São João Crisóstomo)
 
«A tentação do cristianismo sem cruz, uma Igreja a médio caminho, que não quer chegar a onde o Padre quer, é a tentação do triunfalismo. Queremos o trinfo de hoje, sem ir à cruz, um trinfo mundano, um triunfo razoável» (Francisco)
 
«Nisto consiste a redenção de Cristo: Ele “veio dar a sua vida em resgate pela multidão” (Mt 20, 28) quer dizer; veio “amar os seus até ao fim” (Jo 13,1), para que fossem “libertos da má conduta herdada dos seus pais” (Pe 1,18)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 622)
 
Reflexão de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Jesus e os discípulos estão a caminho de Jerusalém (Mt 20,17).
Jesus sabe que vão matá-lo (Mt 20,8). O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Sua morte não será fruto de um destino cego ou de um plano já preestabelecido, mas será consequência do compromisso livremente assumido de ser fiel à missão que recebeu do Pai junto aos pobres da sua terra. Jesus já tinha avisado que o discípulo deve seguir o mestre e carregar sua cruz atrás dele (Mt 16,21.24), Mas os discípulos não entendiam bem o que estava acontecendo (Mt 16,22-23; 17,23). O sofrimento e a cruz não combinavam com a ideia que eles tinham do messias.
 
* Mateus 20,20-21: O pedido da mãe dos filhos de Zebedeu. Os discípulos não só não entendem, mas continuam com suas ambições pessoais. A mãe dos filhos de Zebedeu, como porta-voz de seus dois filhos Tiago e João, chega perto de Jesus para pedir um favor: "Promete que meus dois filhos se sentem, um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino". Eles não tinham entendido a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Isto reflete as tensões nas comunidades, tanto no tempo de Jesus e de Mateus, como hoje nas nossas comunidades.
 
* Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus. Jesus reage com firmeza. Ele responde aos filhos e não à mãe: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso, vocês podem beber o cálice que eu vou beber?" Trata-se do cálice do sofrimento. Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar sua vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Era uma resposta sincera e Jesus confirma: "Vocês vão beber do meu cálice”. Ao mesmo tempo, parece uma resposta precipitada, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mt 26,51). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. E Jesus completa: “Não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É meu Pai quem dará esses lugares àqueles para os quais ele mesmo preparou". O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice do sofrimento da cruz.
 
* Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim. “Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram com raiva dos dois irmãos”. O pedido que a mãe fez em nome dos dois, provocou briga e discussão no grupo. Jesus os chamou e falou sobre o exercício do poder: “Vocês sabem: os governadores das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês.   Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!”. Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 14,3-12). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Inverte o sistema e insiste na atitude de serviço como remédio contra a ambição pessoal. A comunidade deve preparar uma alternativa. Quando império romano desintegrar, vítima das suas próprias contradições internas, as comunidades deverão estar preparadas para oferecer ao povo um modelo alternativo de convivência social.
 
* Mateus 20,28:  O resumo da vida de Jesus. Jesus define a sua vida e a sua missão: “O Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. Nesta autodefinição de Jesus estão implicados três títulos que o definem e que eram para os primeiros cristãos o início da Cristologia: Filho do Homem, Servo de Javé e Irmão mais velho (Parente próximo ou Goêl).  Jesus é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.
 
Para um confronto pessoal
1. Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que busco na minha relação com Deus e o que peço na oração? Como acolho o sofrimento que acontece na vida e que é o contrário daquilo que pedimos na oração?
2. Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Nosso jeito de viver na comunidade e na igreja está de acordo com este conselho de Jesus?
 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Sexta-feira da 16ª semana do Tempo Comum

Bto. João Soreth, presbítero de nossa Ordem e fundador das Ordens II e III
Btas. Maria Pilar de São Francisco de Borja, Teresa do Menino Jesus e Maria de São José, virgens e mártires de nossa Ordem
Bta. Mª das Mercês do Sagrado Coração Prat, religiosa da Companhia de Santa Teresa, virgem e mártir
 
1ª Leitura (Jer 3,14-17):
Assim fala o Senhor: «Voltai para Mim, filhos rebeldes, porque Eu sou o vosso Senhor. Eu vos tomarei, um de uma cidade e dois de uma família, para vos conduzir a Sião. Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com inteligência e sabedoria. Nesses dias – diz o Senhor – quando crescerdes e vos multiplicardes na terra, não mais se falará da arca da aliança do Senhor. Não tornará a ser recordada, ninguém mais pensará nela; nunca se dará pela sua falta, nem será construída outra nova. Nesse tempo, chamarão a Jerusalém ‘Trono do Senhor’; em Jerusalém se reunirão todos os povos em nome do Senhor e não seguirão mais a dureza do seu coração perverso».
 
Salmo Responsorial: Jer 31
R. Como o pastor guarda o seu rebanho, assim nos guarda o Senhor.
 
Escutai, ó povos, a palavra do Senhor e anunciai-a às ilhas distantes: Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como um pastor ao seu rebanho.
 
O Senhor resgatou Jacob e libertou-o das mãos do seu dominador. Regressarão com brados de alegria ao monte Sião, acorrendo às bênçãos do Senhor.
 
A virgem dançará alegremente, exultarão os jovens e os velhos. Converterei o seu luto em alegria e a sua dor será mudada em consolação e júbilo.
 
Aleluia. Felizes os que recebem a palavra de Deus de coração sincero e generoso e produzem fruto pela perseverança. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 13,18-23): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta».
 
«Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador»
 
P. Josep LAPLANA OSB Monge de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, contemplamos a Deus como um lavrador bom e magnânimo, que semeia com as mãos cheias. Não poupou nada para a redenção do homem, mas gastou tudo em seu próprio Filho, Jesus Cristo, que como grão enterrado (morte e sepultamento) converteu-se em nossa vida e ressurreição graças à sua santa Ressurreição.
 
Deus é um agricultor paciente. Os tempos pertencem o Pai, porque só Ele sabe o dia e a hora (cf. Mc 13,32) de ceifar e de separar os grãos da palha. Deus espera. Também nós temos de esperar, sincronizando o relógio da nossa esperança com o desígnio salvador de Deus. Diz São Tiago «Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até cair a chuva do outono ou da primavera» (Tg 5,7). Deus espera a colheita fazendo-a crescer com a sua graça. Nós tampouco não podemos dormir, mas devemos colaborar com a graça de Deus prestando a nossa cooperação, sem pôr obstáculos a esta ação transformadora de Deus.
 
O cultivo de Deus que nasce e cresce assim na terra é um fato visível em seus efeitos; podemos vê-los nos milagres autênticos e nos exemplos clamorosos de santidade de vida. Há muita gente que depois de haver escutado todas as palavras e o ruído deste mundo, tem fome e sede de ouvir a autêntica Palavra de Deus, ali onde ela se encontra viva e encarnada. Há milhões de pessoas que vivem a sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja com o mesmo entusiasmo inicial do Evangelho, pois a palavra divina «encontra a terra onde germinar e dar fruto» (São Agostinho); o que temos que fazer é levantar a nossa moral e olhar o futuro com olhos de fé.
 
O êxito da colheita não se encontra nas nossas estratégias humanas nem no marketing, mas na iniciativa salvadora de Deus “rico em misericórdia” e na eficácia do Espírito Santo, que pode transformar as nossas vidas para que demos frutos saborosos de caridade e de contagiosa alegria.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«As obras boas que fazemos não são nada se não somos capazes de suportar também pacientemente os males. Quanto mais ascende alguém na perfeição, tanto mais cresce contra ele a adversidade do mundo» (São Gregório Magno)
 
«Deus é generoso no seu amor — literalmente, derrama-o em abundância, nunca se cansando de semear até que a sua semente germine e dê fruto» (Leão XIV)
 
«Mas esta “relação íntima e vital que une a homem a Deus” pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosa, as preocupações do mundo e das riquezas, o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus e foge quando Ele o chama» (Catecismo da Igreja Católica, n° 29)
 
Reflexão
 
Contexto. A partir do capítulo 12, aparece uma oposição entre os líderes religiosos de Israel, os escribas e fariseus, de um lado, enquanto por outro lado, entre as multidões que ouvem Jesus maravilhadas com suas ações prodigiosas, vai-se formando pouco a pouco um grupo de discípulos de características ainda não definidas, mas que segue a Jesus com perseverança. A doze destes discípulos Jesus dá o dom da sua autoridade e de seus poderes; envia-os como mensageiros do reino e lhes dá instruções exigentes e radicais (10,5-39). No momento da controvérsia com seus adversários, Jesus reconhece a sua verdadeira parentela não vinha da carne (mãe, irmãos), mas sim nos que o seguem, ouvem e fazem a vontade do Pai (12,46 -50). Este último relato nos permite imaginar que o público a quem Jesus dirige a palavra é duplo: de um lado, os discípulos aos quais lhes concede conhecer os mistérios do reino (13,11) e que são capazes de compreendê-los (13,50 ) e, por outro lado, a multidão que parece estar privada desta compreensão profunda (13,11.34-36). Às grandes multidões que se reúnem para ouvir Jesus é apresentada em primeiro lugar a parábola do semeador. Jesus fala de uma semente que cai na terra ou não. O seu crescimento depende do lugar onde ela cai, é possível que seja impedida até o ponto de não dar frutos, como acontece nas três primeiras categorias de terra: "o caminho" (lugar duro por causa da passagem de homens e animais), "o terreno rochoso" (formada por rochas), "cardos" (terra coberta de espinhos). No entanto, aquela que cai na "boa terra" dá um fruto excelente ainda que em quantidades diferentes. O leitor é orientado a prestar mais atenção ao fruto do grão que à ação do semeador. Além disso, Mateus focaliza a atenção do público sobre a boa terra e sobre fruto que ela é capaz de produzir excepcionalmente. A primeira parte da parábola termina com uma advertência: “Aquele que tem ouvidos, ouça." (v. 9), é uma chamada para a liberdade de ouvir. A palavra de Jesus pode permanecer uma simples "parábola" para uma multidão incapaz de entender, mas para aquele que se deixa conduzir por sua força pode revelar "os mistérios do reino dos céus." O acolher a palavra de Jesus é o que distingue os discípulos e a multidão anônima, a fé dos primeiros revela a cegueira dos segundos e os empurra a buscar para além da parábola.
 
Ouvir e compreender. É sempre Jesus quem conduz os discípulos no caminho certo para a compreensão da parábola. No futuro, será a Igreja a ser guiada através dos discípulos para a compreensão da Palavra de Jesus. Na explicação da parábola, os dois verbos "ouvir" e "entender" aparecem em 13,23: “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende." É na compreensão onde o discípulo que ouve cada dia a Palavra de Jesus se distingue das multidões que só a escutam ocasionalmente.
 
Impedimentos à compreensão. Jesus refere-se, principalmente, à resposta negativa que seus contemporâneos dão à sua pregação do reino dos céus. Esta resposta negativa está ligada a impedimentos de vários tipos. O terreno da beira do caminho é aquele que os pedestres tornaram endurecido e aparece totalmente negativo: "Todo mundo sabe que não serve para nada lançar a semente no caminho: não há as condições necessárias para o crescimento. Depois as pessoas passam, pisoteiam e destroem a semente. A semente não se lança em qualquer parte” (Carlos Mesters). Antes de tudo está a responsabilidade pessoal do indivíduo: acolher a Palavra de Deus no próprio coração; se ao contrário cai em um coração "endurecido", teimoso em suas convicções e na indiferença, se oferece campo ao maligno que acaba completar por completar esta atitude persistente de fechamento à Palavra de Deus.
 
* O solo pedregoso. Se o primeiro obstáculo é um coração insensível e indiferente, a imagem da semente que cai sobre pedras, sobre rochas e entre os espinhos, indica o coração imerso em uma vida superficial e mundana. Estes estilos de vida são a energia que impedem que a Palavra dê frutos. Ele dá um vislumbre de ouvir, mas logo se torna bloqueado, não só pelas provações e tribulações inevitáveis, mas também para o envolvimento do coração nas preocupações e riqueza. A vida não profunda e superficial provoca a instabilidade.
 
* A boa terra é o coração que ouve e compreende a palavra; esta dá frutos. Esse desempenho é o trabalho da Palavra em um coração acolhedor. Trata-se de uma compreensão dinâmica, que se deixa envolver pela ação de Deus presente na Palavra de Jesus. A compreensão da sua Palavra permanecerá inacessível se negligenciarmos o encontro com ele e não o deixamos que dialogue conosco.
 
Para um confronto pessoal
1. A escuta da Palavra de Deus, te leva à compreensão profunda ou permanece apenas como um exercício intelectual?
2. És coração acolhedor e disponível, dócil para chegar a uma compreensão plena da Palavra?