Sto Antonio Maria Claret, Bispo |
1ª
Leitura (Rm 6,19-23): Irmãos: Falo com linguagem humana,
por causa da vossa fraqueza: Assim como entregastes os vossos membros como
escravos ao serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra
Deus, colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à
santidade. Na verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação
à justiça. Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos
envergonhais? De facto, o seu fim é a morte. Mas agora, libertos do pecado e
tornados servos de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é
a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus
é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Salmo
Responsorial: 1
R/. Feliz o homem que
pôs a sua esperança no Senhor.
Feliz
o homem que não segue o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos
pecadores, mas antes se compraz na lei do Senhor, e nela medita dia e noite.
É
como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e sua folhagem não
murcha. Tudo quanto fizer será bem sucedido.
Bem
diferente é a sorte dos ímpios: são como palha que o vento leva. O Senhor vela
pelo caminho dos justos, mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
Aleluia. Considero
todas as coisas como prejuízo, para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar.
Aleluia.
Evangelho
(Lc 12,49-53): Naquele tempo, o Senhor disse aos
seus discípulos: «Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já
estivesse aceso! Um batismo eu devo receber, e como estou ansioso até que isto
se cumpra! Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos
digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas,
três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai
contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra
conta nora e nora contra sogra».
«Fogo eu vim lançar
sobre a terra»
Rev. D. Joan MARQUÉS i Suriñach (Vilamarí, Girona,
Espanha)
Hoje,
o Evangelho apresenta-nos Jesus como uma pessoa de grandes desejos: Fogo eu vim
lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12,49). Jesus
já queria ver o mundo a arder em caridade e em virtude. Nada menos! Tem que
passar pela prova de um batismo, quer dizer, da cruz, e já queria tê-la
passado. Naturalmente! Jesus tem planos e tem pressa em vê-los realizados.
Poderíamos dizer que é pressa de uma santa impaciência. Também nós temos ideias
e projetos, e queríamos vê-los realizados rapidamente. O tempo estorva-nos.
Como estou ansioso até que isto se cumpra! (Lc 12,50), disse Jesus.
É
a pressão da vida, a inquietude experimentada pelas pessoas que têm grandes
projetos. Por outro lado, quem não tenha desejos é um covarde, um morto, um
freio. E, além disso, é um triste, um amargurado que costuma desabafar
criticando os que trabalham. São as pessoas com desejos que se mexem e originam
movimento à sua volta, as que avançam e fazem avançar.
Tem
grandes desejos! Aponta bem para o alto! Busca a perfeição pessoal, a da tua
família, a do teu trabalho, a das tuas obras, a dos cargos que te confiem. Os
santos aspiraram ao máximo. Não se assustaram diante do esforço e da pressão.
Mexeram-se. Mexe-te tu também! Lembra-te das palavras de Santo Agostinho: Se
dizes já chega, estás perdido. Acrescenta sempre, caminha sempre. Avança
sempre; não pares no caminho, não retrocedas, não te desvies. O que não avança,
pára; retrocede o que volta a pensar no ponto de partida, desvia-se o que
deserta. É melhor o coxo que anda no caminho que o que corre fora do caminho. E
acrescenta: Examina-te e não te contentes com o que és se queres chegar ao que
não és. Porque no instante em que te deleites contigo mesmo, terás parado.
Mexes-te ou estás parado? Pede ajuda à Santíssima Virgem, Mãe da Esperança.
Reflexões de Frei
Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz algumas
frases soltas de Jesus. A primeira sobre o fogo na terra só ocorre em Lucas. As
outras têm frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos remete para o
problema da origem da composição destes dois evangelhos que já fez correr muita
tinta ao longo dos últimos dois séculos e só será resolvido plenamente quando
pudermos conversar com Mateus e Lucas, depois da nossa ressurreição.
* Lucas 12,49-50:
Jesus veio trazer fogo sobre a terra
"Eu
vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso!
Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra!”
A imagem do fogo ocorre muito na Bíblia e não tem um sentido único. Pode ser
imagem de devastação e castigo e também pode ser imagem de purificação e
iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode até evocar proteção como transparece em
Isaías: “Se passar pelo fogo, estarei contigo” (Is 43,2). João Batista batizava
com água, mas depois dele Jesus haveria de batizar pelo fogo (Lc 3,16). Aqui, a
imagem do fogo é associada à ação do Espírito Santo que desceu no dia de
Pentecostes sob a imagem de línguas de fogo (At 2,2-4). Imagens e símbolos
nunca têm um sentido obrigatório, totalmente definido, que não permitiria
divergência. Nesse caso já não seria imagem nem símbolo. É da natureza do
símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e expectadores. Deixando liberdade
aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a imagem do batismo indica a
direção na qual Jesus quer que a gente dirija a imaginação. Batismo é associado
com água e é sempre expressão de um compromisso. Em outro lugar o batismo
aparece como símbolo do compromisso de Jesus com a sua paixão: “Você podem ser
batizados com o batismo com que serei batizado?”. (Mc 10,38-39).
* Lucas 12,51-53:
Jesus veio trazer a divisão
Jesus
sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo 14,27;
16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que parece
dizer o contrário: “Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo
contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão”. Esta afirmação não significa que
Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não quer a divisão. Mas o
anúncio da verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o Messias tornou-se motivo
de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou comunidade, uns
eram a favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Nova de Jesus
era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou,
como dizia Jesus: “Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o
pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a
nora contra a sogra”. Era o que estava acontecendo, de fato, nas famílias e nas
comunidades: muita divisão, muita discussão, como consequência do anúncio da
Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros negando. O mesmo
vale para o anúncio da fraternidade como o valor supremo da convivência humana.
Nem todos concordavam com este anúncio, pois preferiam manter seus privilégios.
Por isso, não tinham medo de perseguir os que anunciavam a fraternidade e a
partilha. Esta é a divisão que surgia e que está na origem da paixão e morte de
Jesus. Era o que estava acontecendo. Era o julgamento em andamento. Jesus quer
é a união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Até hoje é assim. Muitas
vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo da Boa Nova se torna um “sinal de contradição”
e de divisão. Pessoas que durante anos viveram acomodadas na rotina da sua vida
cristã, já não querem ser incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II.
Incomodadas pelas mudanças, elas usam toda a sua inteligência para encontrar
argumentos em defesa de suas opiniões e para condenar as mudanças como
contrárias ao que elas pensam ser a verdadeira fé.
Para um confronto
pessoal
1) Buscando a união, Jesus era causa
de divisão. Isto já aconteceu com você?
2) Diante das mudanças na Igreja, como
me situo?
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