«Há de chamar-se Nazareno».
Neste
primeiro domingo, depois da Solenidade do Natal, a Igreja celebra a Festa da
Sagrada Família. O Evangelho convida-nos a viver com José e Maria os
acontecimentos que sucederam ao nascimento de Jesus em Belém. Um acontecimento
algo movimentado, assinalado por um êxodo e por um regresso. O protagonista que
se destaca é José, chamado a desempenhar um papel fundamental na tutela nos
primeiros dias de vida do Filho de Deus.
Avisado
de novo em sonhos pelo Anjo, este pai adotivo do Salvador deve agora defender e
proteger a pequena criança no núcleo familiar, da maldade e do ódio de Herodes
e seus cúmplices. Estes sonhos constituídos apenas por palavras, são palavras
do Senhor, que só pedem para serem acolhidas. Dentro das narrativas da Infância
de Jesus, é um modo de mostrar a revelação da vontade de Deus em relação a José
e Maria e indicar a sua total disponibilidade em segui-la, sem oferecer
resistência.
Graças
à obediência, à vontade divina e à dedicação total de José em tomar conta do
Menino e de Maria, o drama dos acontecimentos que envolve já a vida de Jesus,
acaba com um final feliz. É maravilhoso contemplar a união que se estabeleceu
entre eles. E esta união é sinal de que a família, com a graça de Deus, é a
célula primordial onde o Amor é mais forte que todas as dificuldades. A Família
de Nazaré é modelo para todas as famílias. Basta acolhê-la no seio de cada lar
e tê-la como exemplo.
Ir.
Anabela Silva fma
Evangelho
(Mt 1, 18- 24) - «Depois dos Magos
partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te,
toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois
Herodes vai procurar o menino para matá-lo.” José levantou-se de noite, tomou o
Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim
se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo profeta: “Do Egito chamei o meu
filho.” Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egito e
disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel,
pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram.” José
levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel. Mas
quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai,
Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a
região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o
que fora anunciado pelos Profetas: “Há de chamar-se Nazareno.”
«Depois dos Magos partirem, o Anjo do
Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e Sua
Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar
o menino para matá-lo.”»
Os
Magos vindos do Oriente terminaram a sua missão. Cumpriram o objetivo da sua
viagem: encontraram o Menino. E ao encontrá-l’O podem agora voltar, levando
dentro de si a experiência do encontro e levam-na para a vida. O Anjo, sem
perder tempo, pois o tempo urge, com três verbos imperativos diz a José para se
pôr a caminho: levanta-te, toma e fica. Já não se trata de um acontecimento de
esperança mas de algo a defender e a proteger. Existe um perigo: ao contrário
dos Magos que vieram para conhecê-lo e adorar, há quem O queira identificar
para matá-lo.
Parece
que ainda não saboreamos o grande acontecimento do Natal e entram as trevas
para “escurecer” a luz da vinda de Jesus. É uma escuridão diferente: não se
trata de uma escuridão provocada pela ausência de Deus, mas pela ação do homem,
e do homem sem Deus. A vida do recém-nascido, do Salvador, não pode crescer na
serenidade e na normalidade dos dias. Já se encontra em perigo e de novo é
necessário uma intervenção divina. Não há tempo para grandes explicações nem
considerações. É preciso pôr-se a caminho, partir, com a angústia e a rapidez
de quem foge para não ser reconhecido. É preciso pôr-se a caminho para fugir da
maldade que muitas vezes vem das trevas humanas; é preciso pôr-se a caminho com
alguém que nos ama e em quem confiamos; é preciso pôr-se a caminho e deixar o que
não nos deixa encontrar Deus. É preciso acolher os sinais de Deus que nos
orientam para a luz. Quando o fazemos Ele caminha conosco, Ele é o Deus-
conosco.
«José levantou-se de noite, tomou o
Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim
se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho.”
José,
homem do silêncio e da obediência. Não diz nada, apenas escuta, crê e colabora.
O Anjo explicou-lhe que não havia tempo a perder: era preciso agir! Por isso,
não faz grandes cálculos e raciocínios. Nem sequer pede esclarecimentos, nem se
lamenta por ter aceitado uma missão que exigia tanto empenho. Põe-se a caminho,
provavelmente ainda cansado da viagem feita da Galileia para a Judeia e ainda
confuso com a missão daquele Menino. Não espera o nascer da aurora: recolhe o
que tem e aceita partir.
José
tinha partido com Maria para um recenseamento que certificaria a existência da
sua família e agora José reparte para dar um futuro a este pequeno núcleo familiar
que Herodes quer eliminar. Para que Jesus possa crescer é necessário esperar a
cessação do perigo: que o rei terreno morra. Só assim, o Rei poderá entrar na
sua terra.
Possivelmente,
algo de semelhante pode acontecer com a nossa vida espiritual: quantas vezes
temos e devemos repartir depois de uma queda, de um desânimo, de um sofrimento;
quantas vezes a vida nos reserva perigos tão grandes de não os conseguirmos
enfrentar, mas só evitar. E, hoje, nos nossos tempos, podemos constatar que a
nossa vida espiritual está em perigo, mais que a integridade física.
Encontramo-nos rodeados de outros inimigos, de outras riquezas, e por vezes,
por governantes invisíveis que nos têm dependentes e que querem matar-nos a
alma. Talvez, também para nós, haja um caminho de êxodo e de regresso a fazer…
«Quando Herodes morreu, o Anjo
apareceu em sonhos a José no Egito e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e
sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida
do Menino já morreram.”
Também
Herodes chegou ao final dos seus dias, sem conseguir atingir o seu objetivo:
matar Aquele que considerava um possível rival. O monarca não teve qualquer
intenção de se aproximar de Jesus como a intenção dos Magos que queriam
aproximar-se de Jesus e reconhecer n’Ele o poder de Deus.
Nos
últimos anos da sua vida, empenhou-se em conspirar e investir na morte de
Jesus, levando à sua frente a morte de centenas de mulheres e filhos.
Paralelamente a este triste cenário, para a família de José, abre-se a esperança
de poderem entrar na sua pátria. Vez por vez, o Anjo mensageiro revela a este
homem, que colabora em pleno, os possíveis passos, encontrando-o sempre pronto
para realizá-los.
José
é o verdadeiro anjo da guarda de Jesus e Maria: permanece, quotidianamente,
numa atitude de escuta de Deus e dos seus mensageiros, colocando a sua
experiência ao serviço do projeto de Deus. Como o grande patriarca Abraão,
também ele protege e cuida do filho amado com fé, no silêncio, de forma ativa.
O Anjo vai convidando-o a “levantar-se” e iniciar um novo trilho de caminho,
abandonando aquele já percorrido. Mais uma vez, o Evangelho não nos dá a
conhecer o pensamento de José e o que possa ter dito nem mesmo como reagiu. O
pedido, uma ordem não se discute, faz-se. Mas isto é fé, e José é um homem de
fé. Não uma fé cega, por nada esclarecida. José conhece e compreende os motivos
do seu peregrinar, pois o Anjo explica-lhe bem o porquê. Por isso está pronto a
partir. O caminho ainda é longo mas é aquele para regressar a casa.
A
fé é o caminho para nos levar à casa, ao encontro com o Senhor. É o caminho
para regressarmos à nossa terra, à nossa pátria celeste. Uma escuta atenta, uma
esperança e caridade ativa e uma fé iluminada, leva-nos a viver cada dia, o
regresso à casa do Pai, à casa do Amor.
«José levantou-se, tomou o Menino e
sua Mãe, e voltou para a terra de Israel.»
José
segue com exatidão as indicações que o Anjo continua a revelar-lhe. Com a mesma
determinação, o chefe de família, passa do sono para a vigilância e dirige-se
para a terra dos seus pais. Há pouca coisa para levar: apenas uma criança e uma
jovem mãe, o mistério do desígnio de Deus, que José não desiste de acolher,
mesmo que não entenda tudo. Uma jovem família mas já posta à prova: uma grande
responsabilidade que o carpinteiro de Nazaré vive com simplicidade e completa
humildade.
A
obediência de José é mais uma vez exemplar. O seu proceder não é glorioso,
vitorioso, mas silencioso, vigilante. Ao longo do texto, não se faz a menção de
que alguém os acolheu, os socorreu ou que lhes tenha dado algum sustento para o
caminho. Maria e José confiam completamente em Deus que aos poucos conduz a sua
existência e os guia no seu projeto de redenção. Esta simples frase do
Evangelho, mais do que deixar-nos intuir que a vida de Maria e de José era um
continuo itinerário de escuta e obediência serena e confiante, sem procurar
compreender tudo de uma só vez, diz-nos que Jesus teve uma família normal, que
viveu as alegrias, as preocupações e canseiras do quotidiano, que atravessou
momentos dolorosos, de dúvidas, de procura, de incompreensão e algumas vezes de
insucesso e de frustração.
A
grande fortaleza desta família: a união entre eles. Uma união fundada na
disponibilidade a Deus, sobre uma fé concreta e profunda capaz de confiar sem
“ses” nem meios “ses” aos Seus modos misteriosos de proceder.
«Mas quando ouviu dizer que Arquelau
reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E,
avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia…»
À
morte de Herodes, o Imperador Augusto executa o seu testamento e reparte a
Palestina pelos seus três filhos: Arquelau, Antipas e Filipe. Arquelau torna-se
tetrarca da Judeia e Samaria. Governou poucos anos; foi destituído porque era
incapaz de acalmar revoltas e rebeliões. A sua maldade chegou até ao Egito, aos
ouvidos de José, que como homem sábio compreende como proteger o pequeno Jesus,
e depois de ter escutado mais uma revelação, escolhe partir para a Judeia e
parte para a Galileia.
Mais
uma vez José escuta a mensagem do Anjo. A sua inteligência e o seu coração, que
fazem também a experiência do medo, deliberam que é melhor percorrer toda a
palestina, até à região da Galileia. A sua obediência não é formal, mas
essencial reavivada e aprofundada pela atitude de vigilância. Neste itinerário
feito de partidas, paragens e repartidas, José escutou, acolheu, refletiu e
procurou. Neste momento tem o compromisso de levar são e salvo o Menino, de
preservá-lo, defender de qualquer perigo. Por isso, desta vez, não se limita a
seguir uma ordem, mas faz algo mais: participa de modo ativo e responsável no
projeto de Deus. Escolhe estabelecer-se longe da ação de Arquelau e sobe para
Nazaré. Em muitos momentos da vida é preciso colaborar com o projeto de Deus. É
importante escutar e escolher o que os pode salvar ou pôr a salvo. Somos
convidados a usar a nossa inteligência e prudência na realização do desígnio de
Deus e saber distinguir com clareza o que é bom e o que é mau na história.
Somos chamados a colaborar, de modo concreto e de forma inteligente, na obra de
Deus no mundo.
«… e foi morar numa cidade chamada
Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: “Há de chamar-se
Nazareno.”»
A
longa viagem de Jesus, guiada pelos seus pais, finalmente chegou ao fim. A
santa família regressa à pátria, ao lugar de partida. José e Maria tinham
partido, apenas se tinham conhecido e provavelmente partiram com o juízo de
muitos concidadãos; ao regressarem deste itinerário encontram-se profundamente
unidos e quer Maria quer José viram o desvelar-se do projeto de Deus ao qual
tinham aderido. Também neste regresso S. Mateus refere que mais uma profecia se
tinha cumprido (ver Is 11,1)
Deus
completa a sua obra favorecendo a entrada de Jesus na Palestina. Através de
Maria e José, dois humildes servos do Senhor, assentou as bases para o seu
projeto de salvação. Agora Jesus poderá crescer em sabedoria, idade e graça e
ser verdadeiramente o Deus conosco, de quem o Homem, nós, temos necessidade.
Também nós, como Maria e José, somos chamados a cuidar da vida de Jesus na terra e em nós. Se Ele estiver em nós, seremos homens e mulheres de Deus e será mais fácil dar ao mundo aquilo que ele mais precisa: Deus.
Também nós, como Maria e José, somos chamados a cuidar da vida de Jesus na terra e em nós. Se Ele estiver em nós, seremos homens e mulheres de Deus e será mais fácil dar ao mundo aquilo que ele mais precisa: Deus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO