São José de Cupertino,
presbítero
São João Macias, religioso
1ª Leitura (1Cor 15,12-20): Irmãos:
Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de
vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos,
também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, então a nossa
pregação é inútil e também é inútil a vossa fé. E nós aparecemos como falsas
testemunhas de Deus, porque damos testemunho contra Deus, ao afirmar que Ele
ressuscitou Jesus Cristo, quando de facto não O ressuscitou, a ser verdade que
os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo
não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, ainda estais
nos vossos pecados; e assim, os que morreram em Cristo também se perderam. Se é
só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os
mais miseráveis de todos os homens. Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos,
como primícias dos que morreram.
Salmo Responsorial: 16
R. Senhor, ficarei saciado, quando aparecer a vossa
glória.
Ouvi, Senhor, uma causa justa, atendei a minha súplica.
Escutai a minha oração, feita com sinceridade.
Eu Vos invoco, ó Deus, respondei-me, ouvi-me e escutai as
minhas palavras. Mostrai a vossa admirável misericórdia, Vós que salvais quem
se acolhe à vossa direita.
Guardai-me como a menina dos olhos, protegei-me à sombra das
vossas asas. Mereça eu contemplar a vossa face e, ao despertar, saciar-me com a
vossa imagem.
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
Evangelho (Lc 8,1-3): Naquele
tempo, Jesus percorria cidades e povoados proclamando e anunciando a Boa Nova
do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres que tinham
sido curadas de espíritos maus e de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem
saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes;
Susana, e muitas outras mulheres, que os ajudavam com seus bens.
«Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres»
Cardeal Raniero CANTALAMESSA (Cidade do Vaticano, Vaticano)
Hoje admiramos as mulheres que seguiram Jesus por Ele mesmo,
por gratidão pelo bem que d’Ele tinham recebido («tinham sido curadas de
espíritos malignos e de doenças»). Não O seguiam na esperança de fazer carreira
depois. Este é um dos sinais mais seguros da honestidade e da credibilidade
histórica dos Evangelhos: o papel modesto que neles desempenham os autores e
inspiradores dos Evangelhos, e o papel magnífico que é atribuído às mulheres.
A sua presença junto do Crucificado e do Ressuscitado contém
para nós uma lição vital. A nossa civilização, dominada pela técnica, precisa
de um coração para que o homem possa nela sobreviver sem se desumanizar
totalmente. Temos de dar mais espaço às razões do coração, se quisermos evitar
que o nosso planeta colapse espiritualmente numa era glacial.
Não é difícil compreender porque estamos tão ansiosos em
aumentar os nossos conhecimentos e tão pouco em aumentar a nossa capacidade de
amar: o conhecimento traduz-se automaticamente em poder, o amor em serviço. «A
ciência envaidece, ao passo que a caridade edifica» (1Cor 8,1).
Na verdade, nenhuma mulher esteve envolvida, nem sequer
indiretamente, na condenação de Jesus Cristo. Até a única mulher pagã
mencionada nos relatos, a esposa de Pilatos, se dissociou da sua condenação
(cf. Mt 27,19). É certo que Jesus morreu também pelos pecados das mulheres, mas
historicamente só elas podem verdadeiramente dizer: «Eu não sou responsável
pelo sangue deste homem» (Mt 27,24).
Sempre nos perguntámos porque é que as santas mulheres foram
as primeiras a ver o Ressuscitado e porque lhes foi confiada a missão de O
anunciar aos apóstolos. A verdadeira resposta é esta: elas foram as primeiras a
ver o Ressuscitado porque tinham sido as últimas a abandoná-Lo morto e, mesmo
depois da morte, foram levar aromas ao seu sepulcro (cf. Mc 16,1).
Com elas estava Santa Maria: as mães não abandonam um filho,
nem sequer condenado à morte. (Da pregação da Sexta-feira Santa de 2007, na
Basílica de São Pedro)
«Jesus percorria cidades e povoados proclamando e
anunciando a Boa Nova do Reino de Deus»
Rev. D. Jordi PASCUAL i Bancells (Salt, Girona, Espanha)
Hoje, vemos no Evangelho o que seria uma jornada cotidiana
dos três anos da vida pública de Jesus. São Lucas nos narra-o com poucas
palavras: «Jesus percorria cidades e povoados proclamando e anunciando a Boa
Nova do Reino de Deus» (Lc 8,1). É o que contemplamos no terceiro mistério de
luz do Santo Rosário.
Comentando este mistério diz o Papa são João Paulo II:
«Mistério de luz é a predicação com a que Jesus anuncia a chegada do Reino de
Deus e convida à conversão, perdoando os pecados de quem se aproxima a Ele com
fé humilde, iniciando assim o mistério da misericórdia que Ele continuará
exercendo até o fim do mundo, especialmente através do sacramento da
Reconciliação confiado à Igreja».
Jesus continua passando perto de nós, oferecendo-nos seus
bens sobrenaturais: quando fazemos oração, quando lemos e meditamos o Evangelho
para conhecê-lo e amá-lo mais e imitar sua vida, quando recebemos algum
sacramento, especialmente a Eucaristia e a Penitência, quando dedicamo-nos com
esforço e constância ao trabalho de cada dia, quando tratamos com a família, os
amigos ou vizinhos, quando ajudamos àquela pessoa necessitada material e
espiritualmente, quando descansamos ou nos divertimos... Em todas essas
circunstâncias podemos encontrar a Jesus e segui-lo como aqueles doze e aquelas
santas mulheres.
Mas, além disso, cada um de nós é chamado por Deus a ser
também Jesus que passa, para falar -com nossas obras e nossas palavras- a quem
tratamos sobre a fé que enche de sentido a nossa existência, da esperança que
nos move a seguir adiante pelos caminhos da vida confiados do Senhor e, da
caridade que guia todo nosso agir.
A primeira em seguir Jesus e em ser Jesus é Maria. Que Ela
com seu exemplo e sua intercessão nos ajude!
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É melhor para um homem confessar as suas quedas, do que
endurecer o seu coração» (São Clemente de Roma)
«Diante do costume judeu da época, que considerava às
mulheres seres de segunda categoria, Cristo inicia um tipo de emancipação da
mulher» (Bento XVI)
«Desde as origens da Igreja, houve homens e mulheres que se
propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir mais livremente
Cristo e imitá-Lo de modo mais fiel. Cada qual a seu modo. Levaram uma vida
consagrada a Deus (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 918)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje
dá continuidade ao episódio de ontem que falava da atitude surpreendente de
Jesus para com as mulheres, quando defendeu uma moça, conhecida na cidade como
pecadora, contra as críticas de um fariseu. Agora, no começo do capítulo 8, Lucas
descreve como Jesus andava pelos povoados e cidades da Galileia e a novidade é
que ele era acompanhado não só por discípulos mas também por discípulas.
* Lucas 8,1: Os doze que seguem Jesus. Numa única
frase Lucas descreve a situação: Jesus anda por toda a parte, pelos povoados e
cidades da Galileia, anunciando a Boa Nova do Reino de Deus e os doze estão com
ele. A expressão “seguir Jesus” (cf. Mc 1,18; 15,41) indica a condição do
discípulo que segue o Mestre, vinte e quatro horas por dia, procurando imitar o
seu exemplo e participar do seu destino.
* Lucas 8,2-3: As mulheres seguem Jesus. O
surpreendente é que, ao lado dos homens, há também mulheres “junto com Jesus”.
Lucas coloca os discípulos e as discípulas em pé de igualdade, pois ambos
seguem Jesus. Lucas também conservou os nomes de algumas destas discípulas: Maria Madalena, nascida na cidade de Magdala.
Ela tinha sido curada de sete demônios. Joana, mulher de Cuza, procurador de
Herodes Antipas, que era governador da Galileia. Suzana e várias outras. Delas
se afirma que “servem a Jesus com seus bens”. Jesus permitia que um grupo de mulheres
o “seguisse” (Lc 8,2-3; 23,49; Mc 15,41). O evangelho de Marcos, falando das
mulheres no momento da morte de Jesus, informa: “Aí estavam também algumas
mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de
Tiago, o menor, e de José, e Salomé. Elas haviam seguido e servido a Jesus,
desde quando ele estava na Galileia. Muitas outras mulheres estavam aí, pois
tinham subido com Jesus a Jerusalém” (Mc 15,40-41). Marcos define a atitude
delas com três palavras: seguir, servir, subir até Jerusalém. Os primeiros
cristãos não chegaram a elaborar uma lista destas discípulas que seguiam Jesus
como fizeram com os doze discípulos. Mas pelas páginas do evangelho de Lucas
aparecem os nomes de sete discípulas: Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza,
Suzana (Lc 8,3), Marta e Maria (Lc 10,38), Maria, mãe de Tiago (Lc 24,10) e
Ana, a profetisa (Lc 2,36), de oitenta e quatro anos de idade. O número oitenta
e quatro é doze vezes sete. A idade perfeita! A tradição eclesiástica posterior
não valorizou este dado do discipulado das mulheres com o mesmo peso com que
valorizou o seguimento de Jesus por parte dos homens. É pena.
* O Evangelho de Lucas sempre foi considerado o Evangelho
das mulheres. De fato, Lucas é o que traz o maior número de episódios em
que se destaca o relacionamento de Jesus com as mulheres. E a novidade não está
só na presença delas ao redor de Jesus, mas também e sobretudo na atitude de
Jesus em relação a elas. Jesus as toca ou se deixa tocar por elas sem medo de
se contaminar (Lc 7,39; 8,44-45.54). Diferente dos mestres da época, Jesus
aceita mulheres como seguidoras e discípulas (Lc 8,2-3; 10,39). A força
libertadora de Deus, atuante em Jesus, faz a mulher se levantar e assumir sua
dignidade (Lc 13,13). Jesus é sensível ao sofrimento da viúva e se solidariza
com a sua dor (Lc 7,13). O trabalho da mulher preparando alimento é visto por
Jesus como sinal do Reino (Lc 13,20-21). A viúva persistente que luta por seus
direitos é colocada como modelo de oração (Lc 18,1-8), e a viúva pobre que
partilha seus poucos bens com os outros como modelo de entrega e doação (Lc
21,1-4). Numa época em que o testemunho das mulheres não era aceito como
válido, Jesus escolhe as mulheres como testemunhas da sua morte (Lc 23,49),
sepultura (Lc 23,55-56) e ressurreição (Lc 24,1-11.22-24)
Para um confronto pessoal
1) Na sua comunidade, no seu país, na sua Igreja,
como é a valorização da mulher?
2) Compare a atitude da nossa Igreja com a atitude de
Jesus.
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