Sta. Teresa Margarida do
Coração de Jesus (Redi), virgem de nossa Ordem.
Leitura (1Cor 2,10b-16): Irmãos:
O Espírito Santo conhece todas as coisas, até o que há de mais profundo em
Deus. Na verdade, quem sabe o que há no homem senão o espírito humano que nele
se encontra? Assim também, ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito
de Deus. Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus,
para conhecermos os dons da graça de Deus. Para falarmos desses dons, não
usamos a linguagem ensinada pela sabedoria humana, mas a linguagem que o
Espírito de Deus nos ensina, exprimindo em termos espirituais as realidades
espirituais. O homem natural não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus,
pois são loucura para ele. Não pode entendê-las, porque só podem ser julgadas
com critério espiritual. Mas o homem espiritual julga todas as coisas, enquanto
ele próprio não é julgado por ninguém. Na verdade, quem conheceu o pensamento
do Senhor, para que O possa instruir? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo.
Salmo Responsorial: 144
R. O Senhor é justo em todos os seus caminhos.
O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de
bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas
as criaturas.
Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas e bendigam-Vos
os vossos fiéis. Proclamem a glória do vosso reino e anunciem os vossos feitos
gloriosos;
Para darem a conhecer aos homens o vosso poder, a glória e o
esplendor do vosso reino. O vosso reino é um reino eterno, o vosso domínio
estende-se por todas as gerações.
O Senhor é fiel à sua palavra e perfeito em todas as suas
obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos os oprimidos.
Aleluia. Apareceu no meio de nós um grande profeta: Deus
visitou o seu povo. Aleluia.
Evangelho (Lc 4,31-37): Naquele
tempo, Jesus desceu para Cafarnaum, cidade da Galileia, e lá os ensinava, aos
sábados. Eles ficavam maravilhados com os seus ensinamentos, pois sua palavra
tinha autoridade. Na sinagoga estava um homem que tinha um espírito impuro, e
ele gritou em alta voz: «Que queres de nós, Jesus de Nazaré? Vieste para nos
destruir? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!». Jesus o repreendeu: «Cala-te,
sai dele!». O demônio então lançou o homem no chão e saiu dele, sem lhe fazer
mal algum. Todos ficaram espantados e comentavam: «Que palavra é essa? Ele dá
ordens aos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem». E sua fama
se espalhava por todos os lugares da redondeza.
«Eles ficavam maravilhados com os seus ensinamentos, pois
sua palavra tinha autoridade»
Rev. D. Joan BLADÉ i Piñol (Barcelona, Espanha)
Hoje vemos como a atividade de ensinar foi, para Jesus, a
missão central de sua vida pública. Porém a pregação de Jesus era muito
diferente da dos outros mestres e isso fazia com que as pessoas se espantassem
e se admirassem. Certamente, ainda que o Senhor não tivesse estudado (cf. Jo
7,15), desconcertava a todos com sua doutrina, porque «falava com autoridade»
(Lc 4,32). Seu estilo possuía a autoridade de quem se sabia o “Santo de Deus”.
Precisamente aquela autoridade no seu falar era o que dava
força a sua linguagem. Utilizava imagens vivas e concretas, sem silogismos nem
definições; palavras e imagens que extraía da própria natureza quando não das
Sagradas Escrituras. Não há dúvida de que Jesus era um bom observador, homem
próximo das situações humanas: ao mesmo tempo em que o vemos ensinando, também
o contemplamos perto das pessoas fazendo-lhes o bem (curando as doenças e
expulsando demônios, etc.). Lia no livro da vida diária as experiências que
depois lhe serviriam para ensinar. Ainda que fosse um material tão simples e
“rudimentar”, a palavra do Senhor era sempre profunda, inquietante,
radicalmente nova, definitiva.
O mais admirável da fala de Jesus Cristo, era esse saber
harmonizar a autoridade divina com a mais incrível simplicidade humana.
Autoridade e simplicidade eram possíveis em Jesus graças ao conhecimento que
possuía do Pai e de sua relação de amorosa obediência a Ele (cf. Mt 11,25-27).
Esta relação com o Pai é o que explica a harmonia única entre a grandeza e a
humildade. A autoridade de seu falar não se ajustava aos parâmetros humanos;
não havia disputa, nem interesses pessoais ou desejo de sobressair. Era uma
autoridade que se manifestava tanto na sublimidade da palavra ou da ação como
na humildade e simplicidade. Não houve nos seus lábios nem louvor pessoal, nem
soberba nem gritos. Mansidão, doçura, compreensão, paz, serenidade,
misericórdia, verdade, luz, justiça... Foi o aroma que rodeava a autoridade de
seus ensinos.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Tudo vem do amor, tudo está ordenado para a salvação do
homem, Deus não faz nada que não seja para este fim» (Santa Catarina de Sena)
«O Evangelho é a palavra da vida: não oprime as pessoas,
pelo contrário, liberta aqueles que são escravos de tantos espíritos malignos
deste mundo: tanto o espírito de vaidade, o apego ao dinheiro, o orgulho, a
sensualidade» (Francisco)
«A permissão divina do mal físico e do mal moral é um
mistério, que Deus esclarece por seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado
para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se
do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna
conheceremos plenamente» (Catecismo da Igreja Católica, nº 324)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* No evangelho de hoje, vamos ver de perto dois assuntos:
a admiração do povo pela maneira de Jesus ensinar e a cura de um homem possuído
por um demônio impuro. Nem todos os evangelistas contam os fatos do mesmo
jeito. Para Lucas, o primeiro milagre é a calma com que Jesus se livrou da
ameaça de morte da parte do povo de Nazaré (Lc 4,29-30) e a cura do homem
possesso (Lc 4,33-35). Para Mateus, o primeiro milagre é a cura de uma porção
de doentes e endemoninhados (Mt 4,23) ou, mais especificamente, a cura de um
leproso (Mt 8,1-4). Para Marcos, foi a expulsão de um demônio (Mc 1,23-26).
Para João, o primeiro milagre foi em Caná, onde Jesus transformou água em vinho
(Jo 2,1-11). Assim, na maneira de contar as coisas, cada evangelista mostra
qual foi, segundo ele, a maior preocupação de Jesus.
* Lucas 4,31: A
mudança de Jesus para Cafarnaum. “Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia,
e aí ensinava aos sábados”. Mateus diz que Jesus foi morar em Cafarnaum (Mt
4,13). Mudou de residência. Cafarnaum era uma pequena cidade junto ao
entroncamento de duas estradas importantes: uma que vinha da Ásia Menor e ia
para Petra no sul da Transjordânia, e a outra que vinha da região dos rios Eufrates
e Tigre e descia para o Egito. A mudança para Cafarnaum facilitava o contato
com o povo e a divulgação da Boa Nova.
* Lucas 4,32:
Admiração do povo pelo ensino de Jesus. A primeira coisa que o povo
percebe é o jeito diferente de Jesus ensinar. Não é tanto o conteúdo, mas sim o
jeito de ensinar, que impressiona. “Jesus falava com autoridade”. Marcos
acrescenta que, por este seu jeito diferente de ensinar, Jesus criava consciência
crítica no povo com relação às autoridades religiosas da época. O povo percebia
e comparava: Ele ensina com autoridade, diferente dos escribas” (Mc 1,22.27).
Os escribas da época ensinavam citando autoridades. Jesus não cita autoridade
nenhuma, mas fala a partir da sua experiência de Deus e da vida.
* Lucas 4,33-35:
Jesus combate o poder do mal. O primeiro milagre é a expulsão de um
demônio. O poder do mal tomava conta das pessoas e as alienava. Jesus devolve
as pessoas a si mesmas. Devolve a consciência e a liberdade. E ele o faz pelo
poder da sua palavra: "Cale-se, e saia dele!" Ele dizia em outra ocasião: “Se é pelo dedo
de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou para vocês”
(Lc 11,20). Hoje também, muita gente vive alienada de si mesma pelo poder dos
meios de comunicação, da propaganda do governo e do comércio. Vive escrava do
consumismo, oprimida pelas prestações e ameaçada pelos cobradores. Acha que não
vive direito enquanto não comprar aquilo que a propaganda anuncia. Não é fácil
expulsar este poder que hoje aliena tanta gente, e devolver as pessoas a si
mesmas!
* Lucas 1,36-37: A reação do povo: ele manda nos
espíritos impuros primeiro impacto. Além do jeito diferente de Jesus
ensinar as coisas de Deus, o outro aspecto que causava admiração no povo era o
seu poder sobre os espíritos impuros: "Que palavra é essa? Ele manda nos
espíritos impuros com autoridade e poder, e eles saem". Jesus abre um novo
caminho para o povo poder conseguir a pureza através do contato com ele.
Naquele tempo, uma pessoa impura não podia comparecer diante de Deus para rezar
e receber a bênção prometida a Abraão. Teria que purificar-se, primeiro. Havia
muitas leis e normas que dificultavam a vida do povo e marginalizavam muita
gente como impura. Mas agora, purificadas pela fé em Jesus, as pessoas podiam
comparecer novamente na presença de Deus e rezar a Ele, sem necessidade de
recorrer àquelas complicadas e, muitas vezes, dispendiosas normas de pureza.
Para um confronto pessoal
1) Jesus provocava a admiração do povo. A atuação da
nossa comunidade aqui no bairro provoca alguma admiração no povo? Qual?
2) Jesus expulsava o poder do mal e devolvia as
pessoas a si mesmas. Hoje, muita gente vive alienada de si mesma e de tudo.
Como devolvê-las a si mesmas?
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