São
Francisco de Paula, eremita
1ª
Leitura (Is 49,8-15): Assim fala o Senhor: «No tempo da graça, Eu te
ouvi; no dia da salvação, Eu te ajudei. Eu te formei e designei para renovar a
aliança do povo, para restaurar a terra e reocupar as herdades devastadas; para
dizer aos prisioneiros: ‘Saí para fora’ e àqueles que vivem nas trevas: ‘Vinde
para a luz’. Hão de alimentar-se em todos os caminhos e acharão pastagem em
todas as encostas. Não sentirão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente
cairão sobre eles, porque Aquele que tem compaixão deles os guiará e os
conduzirá às nascentes da água. De todas as minhas montanhas farei caminhos e
as minhas estradas serão niveladas. Ei-los que vêm de longe: uns do Norte e do
Poente, outros da terra de Sinim. Rejubilai, ó céus; exulta, ó terra; montes,
soltai gritos de alegria, porque o Senhor consola o seu povo e tem compaixão dos
seus pobres. Sião dizia: ‘O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim’.
Pode a mulher esquecer-se da criança que amamenta e não ter carinho pelo fruto
das suas entranhas? Mas ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esquecerei».
Salmo
Responsorial: 144
R. Senhor é clemente e cheio
de compaixão.
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia
se estende a todas as criaturas.
O Senhor é fiel à sua palavra e
perfeito em todas as suas obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos
os oprimidos.
O Senhor é justo em todos os seus
caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos O
invocam, de quantos O invocam em verdade.
Eu sou a ressurreição e a
vida, diz o Senhor. Quem acredita em Mim nunca morrerá.
Evangelho
(Jo 5,17-30): Jesus, porém, deu-lhes esta resposta: «Meu Pai trabalha
sempre, e eu também trabalho». Por isso, os judeus ainda mais procuravam
matá-lo, pois, além de violar o sábado, chamava a Deus de Pai, fazendo-se assim
igual a Deus. Jesus então deu-lhes esta resposta: «Em verdade, em verdade, vos
digo: o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai
fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz igualmente. O Pai ama o Filho e lhe
mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo
que ficareis admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida,
o Filho também dá a vida a quem ele quer. Na verdade, o Pai não julga ninguém,
mas deu ao Filho o poder de julgar, para que todos honrem o Filho assim como
honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. Em
verdade, em verdade, vos digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me
enviou possui a vida eterna e não vai a julgamento, mas passou da morte para a
vida. Em verdade, em verdade, vos digo: vem a hora, e é agora, em que os mortos
ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão. Pois assim como o
Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida
em si mesmo. Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do
Homem. Não fiqueis admirados com isso, pois vem a hora em que todos os que
estão nos túmulos ouvirão sua voz, e sairão. Aqueles que fizeram o bem
ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação.
Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Julgo segundo o que eu escuto, e o meu
julgamento é justo, porque procuro fazer não a minha vontade, mas a vontade
daquele que me enviou».
«Em verdade, em verdade, vos
digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou possui a vida
eterna »
Rev. D. Francesc PERARNAU i
Cañellas (Girona, Espanha)
Hoje, o Evangelho fala-nos da
resposta de Jesus aos que viam mal que Ele tivesse curado um paralítico num
Sábado. Jesus Cristo aproveita essas críticas para manifestar a Sua condição de
Filho de Deus e, como tal, Senhor do Sábado. Essas palavras serão motivo de
condenação, no dia do julgamento em casa de Caifás. Com efeito, quando Jesus se
reconheceu como Filho de Deus, o grande sacerdote exclamou: «Blasfemou! Que
necessidade temos, ainda, de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos
parece?» (Mt 26,65).
Por muitas vezes, Jesus tinha
feito referências ao Pai, mas sempre marcando uma distinção: a Paternidade de
Deus é diferente, caso falemos de Cristo ou dos homens. E os judeus que o
escutavam entendiam-no muito bem: não é Filho de Deus como os outros, mas a
filiação que reclama para Si mesmo é uma filiação natural. Jesus afirma que a
sua natureza e a natureza do Pai são iguais, apesar de serem pessoas distintas.
Manifesta assim, dessa maneira, a sua divindade. Esse fragmento do Evangelho é
muito interessante para a revelação do mistério da Santíssima Trindade.
Entre as coisas que hoje diz o
Senhor, há algumas que fazem especial referência a todos aqueles que, ao longo
da história, acreditaram Nele: escutar e crer em Jesus é ter já a vida eterna
(cf. Jo 5,24). Certamente, não é ainda a vida definitiva, mas é já participar
da sua promessa. Convém que o tenhamos bem presente, e que façamos o esforço de
escutar a palavra de Jesus, como o que ela realmente é: a Palavra de Deus que
salva. A leitura e a meditação do Evangelho devem fazer parte das nossas
práticas religiosas habituais. Nas páginas reveladas, ouviremos as palavras de
Jesus, palavras imortais que nos abrem as portas da vida eterna. Com efeito,
como ensinava Santo Efrem, a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de vida.
Pensamentos para o Evangelho
de hoje
«Cristo, quando morreu, teve que
obedecer a lei do sepulcro, ao ressuscitar, no entanto, a revogou, até o ponto,
que deitou por terra a perpetuidade da morte e a converteu de eterna em
temporária, pois se por Adão morreram todos, por Cristo todos voltarão à vida»
(São Leão Magno)
«Cristo é um juiz divino com um
coração humano, um juiz que deseja dar a vida. Só a teimosia impenitente do mal
pode impedi-lo de fazer este dom, pelo qual Ele não hesitou em enfrentar a
morte» (São João Paulo II)
«Cristo é Senhor da vida eterna.
O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens
pertence-Lhe a Ele, enquanto redentor do mundo (…). Ora, o Filho não veio para
julgar, mas para salvar e dar a vida que tem em Si. É pela recusa da graça
nesta vida que cada qual se julga já a si próprio; e pode, mesmo, condenar-se
para a eternidade, recusando o Espírito de amor» (Catecismo da Igreja Católica,
nº 679)
Reflexões de Frei Carlos
Mesters, O.Carm.
* O Evangelho de João é
diferente dos outros três. Ele revela uma dimensão mais profunda que só a
fé consegue perceber nas palavras e gestos de Jesus. Os Padres da Igreja diziam
que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito faz
descobrir nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um exemplo bonito desta
dimensão espiritual do evangelho de João é o trecho que meditamos hoje.
* João 5,17-18: Jesus
explicita o significado profundo da cura do paralítico. Criticado pelos
judeus por ter feito uma cura em dia de sábado, Jesus responde: “Meu Pai
trabalha até agora e por isso eu também trabalho!”. Os judeus ensinavam que em
dia de sábado não se podia trabalhar, pois até o próprio Deus descansou e não
trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele
diz que o Pai não parou de trabalhar até agora. Por isso, ele, Jesus, também
trabalha, mesmo em dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora
não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o
universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade à obra da
criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos
judeus foi violenta. Querem matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do
sábado e por se dizer igual a Deus.
* João 5,19-21: É o amor que
deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo
do mistério do relacionamento entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em
atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, ele também faz.
Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta atenção total do Filho ao Pai,
faz com que o amor do Pai possa entrar totalmente no Filho e, através do Filho,
realizar a sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e
fazer viver. A cura do paralítico foi uma forma de tirar as pessoas da morte e
fazê-las viver. É uma forma de dar continuidade à obra criadora do Pai.
* João 5,22-23: O Pai não
julga, mas confiou o julgamento ao Filho. O decisivo na vida é a maneira
como nós nos situamos frente ao Criador, pois dele dependemos radicalmente.
Ora, o Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude
da divindade (cf. Col 1,19). Por isso, é na maneira como nos definimos diante
de Jesus, que expressamos nossa posição frente ao Deus Criador. O que o Pai
quer é que o conheçamos e honremos na revelação que Ele fez de si mesmo em
Jesus.
* João 5,24: A vida de Deus em
nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Onde ele se faz
presente, a vida renasce. Ele se faz presente através da Palavra de Jesus. Quem
escuta a palavra de Jesus como sendo de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o
toque vivificante que o leva para além da morte. Já passou da morte para a
vida. A cura do paralítico é a prova disso.
* João 5,25-29: A ressurreição
já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que ainda não nos abrimos
para a voz de Jesus que vem do Pai. Mas “vem a hora, e é agora, em que os
mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que o ouvirem viverão”. Com a
palavra de Jesus, vinda do Pai, iniciou-se a nova criação. Ela já está em
andamento. A palavra criadora de Jesus vai atingir a todos, mesmo os que já
morreram. Eles ouvirão e viverão.
* João 5,30: Jesus é o reflexo
do Pai. “Por mim mesmo nada posso fazer, eu julgo segundo o que ouço, e meu
julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas sim a vontade
daquele que me enviou”. Esta frase final é o resumo de tudo que foi refletido
anteriormente. Esta era a compreensão que as comunidades da época de João
tinham e irradiavam a respeito de Jesus.
Para um confronto pessoal
1) Como você imagina o
relacionamento entre Jesus e o Pai?
2) Como você vive a fé na
ressurreição?
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