S. Francisco, Diácono |
1ª Leitura (Jó 19,21-27): Job tomou a
palavra e disse: «Tende compaixão, meus amigos, tende compaixão de mim, pois a
mão de Deus me atingiu! Porque me perseguis, como Deus faz, e não vos cansais
de me torturar? Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou
gravadas em bronze com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre!
Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra.
Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei a Deus. Eu próprio
O verei, meus olhos O hão de contemplar. Dentro de mim suspira o meu coração».
Salmo Responsorial: 27
R.
Espero contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos.
Ouvi, Senhor, a voz da
minha súplica, tende compaixão de mim e atendei-me. Diz-me o coração: «Procurai
a sua face». A vossa face, Senhor, eu procuro.
Não escondais de mim o
vosso rosto, nem afasteis com ira o vosso servo. Não me rejeiteis nem me
abandoneis, meu Deus e meu Salvador.
Espero vir a
contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos. Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.
Aleluia. Está próximo o reino de
Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.
Evangelho (Lc 10,1-12):
Naquele tempo, O Senhor escolheu outros
setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar
para onde ele mesmo devia ir. E dizia-lhes: «A colheita é grande, mas os
trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande
trabalhadores para sua colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio
de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não vos demoreis para
saudar ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro:
A paz esteja nesta casa! Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará
sobre ele; senão, ela retornará a vós. Permanecei naquela mesma casa; comei e
bebei do que tiverem, porque o trabalhador tem direito a seu salário. Não
passeis de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos,
comei do que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei: O Reino de
Deus está próximo de vós. Mas quando entrardes numa cidade e não fordes bem
recebidos, saindo pelas ruas, dizei: Até a poeira de vossa cidade que se grudou
aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus
está próximo! Eu vos digo: naquele dia, Sodoma receberá sentença menos dura do
que aquela cidade».
«Pedi (...) ao Senhor da colheita
que mande trabalhadores para sua colheita»
Rev.
D. Ignasi NAVARRI i Benet (La Seu d'Urgell, Lleida, Espanha)
Hoje Jesus nos fala da
missão apostólica. Porém «escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a
dois» (Lc 10,1), a proclamação do Evangelho é uma tarefa «que não pode ser
delegada a uns poucos especialistas» diz S. João Paulo II: todos estamos chamados a
essa tarefa e, todos vamos sentir-nos responsáveis dela. Cada um desde seu lugar
e condição. O dia do Batismo nos disseram: «Sois Sacerdote, Profeta e Rei para
a vida eterna». Hoje mais que nunca, nosso mundo precisa do testemunho dos
seguidores de Cristo.
«A colheita é grande,
mas os trabalhadores são poucos» (Lc 10,2): É interessante esse sentido
positivo da missão, pois o texto não diz: «Há muito para semear e poucos trabalhadores».
Tal vez, hoje teríamos que falar desse jeito, pelo grande desconhecimento de
Jesus Cristo e sua Igreja em nossa sociedade. Um olhar esperançado da missão
gera otimismo e ilusão. Não nos deixemos abater pela desilusão e a
desesperança.
No inicio, a missão
que nos espera é, ao mesmo tempo, apaixonante e difícil. O anúncio da Verdade e
da Vida, nossa missão, não pode nem deve pretender forçar a adesão, pelo
contrário, deve suscitar uma livre adesão. As ideias, devem se propor e não
impor, nos lembra o Papa.
«Não leveis bolsa, nem
sacola, nem sandálias...» (Lc 10,4): a única força do missionário deve ser
Cristo. E para que ele encha sua vida, é preciso que o evangelizador se esvazie
de tudo aquilo que não é Cristo. A pobreza evangélica é um requisito importante
e, ao mesmo tempo, o testemunho mais crível que o apóstolo pode dar, além de
que só esse desprendimento nos fará livres.
O missionário anuncia
a paz. É portador de paz, porque leva a Cristo, o Príncipe da Paz. Por isso,
«Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz esteja nesta casa! Se
ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; senão, ela retornará
a vós» (Lc 10,5-6). Nosso mundo, nossas famílias, nosso Eu pessoal, têm
necessidade de Paz. Nossa missão é urgente e apaixonante.
Reflexão
• Contexto. O capítulo 10 do qual o nosso texto é o começo, tem um
caráter de revelação. Em 9,51, é dito que Jesus "tomou a firme decisão de
começar uma viagem em direção a Jerusalém." Este caminho, expressão do seu
ser filial, é caracterizado por uma dupla ação: está intimamente unido ao “ser
tirado” de Jesus (v. 51), a sua "vinda", mediante o envio dos seus
discípulos (V. 52): há uma ligação no duplo movimento:” ser tirado do
mundo" para ir ao Pai, e ser enviado aos homens.
Na verdade, acontece
que, por vezes, o mensageiro não é aceito (9,52 e, portanto, deve aprender a
ser "entregue", sem se deixar desanimar pela recusa dos homens
(9,54-55).
Três cenas curtas
fazem o leitor a compreender o que significa seguir a Jesus que vai a Jerusalém
para ser retirado do mundo. Na primeira cena é apresentado a um homem que quer
seguir Jesus onde quer que vá; Jesus convida-o a abandonar tudo o que
proporciona bem-estar e segurança. Aqueles que querem segui-lo devem
compartilhar o seu destino de nômade.
Na segunda cena é
Jesus quem toma a iniciativa e chama um homem cujo pai acabou de morrer. O
homem pede um tempo para cumprir com o seu dever de enterrar o pai. A urgência
de proclamar o reino supera esse dever: a preocupação de enterrar os mortos é
inútil, porque Jesus vai além das portas da morte e o exige inclusive para
aqueles que o seguem.
Finalmente na terceira
cena é apresentado a um homem que se oferece para seguir Jesus, mas apresenta
uma condição: despedir-se antes de seus pais. Entrar no reino não admite
atrasos. Após esta tríplice renúncia, a expressão de Lc 9,62: "Quem põe a
mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus." introduz o
tema do capítulo 10.
• A dinâmica do relato. O trecho, que é o objeto de nossa meditação,
começa com expressões bastante densas. A primeira: "Depois disto”, se
refere à oração de Jesus e à sua firme decisão de ir a Jerusalém. A segunda
relaciona-se com o verbo "designar": "designou setenta e dois
outros discípulos e mandou-os..." (10,1), onde se especifica que os mandou
adiante de si, ou seja, com a mesma resolução que ele se encaminha para
Jerusalém.
As recomendações, que
Jesus lhes dá antes do envio, são um convite para estar cientes da realidade em
que eles são enviados: colheita abundante em contraste com o pequeno número de
operários. O Senhor da colheita chega com toda a sua força, mas a alegria desta
chegada é dificultada pelo pequeno número de operários. Daí o convite
categórico à oração: "Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a
sua messe" (v. 2). A iniciativa de enviar em missão é de responsabilidade
do Pai, mas Jesus transmite a ordem: "Ide", e, em seguida, indica
como seguir (vv. 4-11). Ela começa com o equipamento: sem bolsa, nem alforje,
nem sandálias. Estes elementos denotam a fragilidade daquele que é enviado e a
sua dependência da ajuda que recebe do Senhor e dos habitantes da cidade.
As prescrições
positivas são sintetizadas em primeiro lugar na chegada à casa (vv. 5-7) e, em
seguida, no êxito na cidade (vv. 8-11). Em ambos os casos não se exclui a
rejeição. A casa é o primeiro lugar onde os missionários têm os primeiros
intercâmbios, os primeiros relacionamentos, valorizando os gestos humanos de
comer, beber e descansar, como mediações simples e comuns para comunicar o
evangelho. A "paz" é o dom que precede a missão deles, ou seja, a
plenitude da vida e relacionamentos, e a alegria verdadeira e real é o sinal
que marca a chegada do Reino. Não é necessário buscar conforto, é essencial ser
acolhido. A cidade torna-se, no entanto, o maior campo de missão: ali se
desenvolve a vida, a atividade política, a possibilidade de conversão, de
aceitação ou rejeição.
A este último aspecto
se une o ato de sacudir a poeira (vv. 10-11), como que se os discípulos, ao
abandonar a cidade que os rejeitou, dissessem aos moradores que estes não
aprenderam nada ou ainda poderia expressar o corte de relações. Finalmente,
Jesus lembra a culpa daquela cidade que se fecha para a proclamação do
evangelho (v. 12).
Para
um confronto pessoal
1) Todos os dias, você é enviado pelo
Senhor para anunciar o Evangelho aos seus íntimos (a casa) e aos homens (da
cidade). Você está assumindo um estilo pobre, essencial, no testemunho de sua
identidade como um cristão?
2) Você está ciente de que o sucesso
de seu testemunho não depende de sua capacidade individual, mas somente do
Senhor que envia e da sua disponibilidade?
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