quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VIGÍLIA DA ASSUNÇÃO DA MÃE DE DEUS

A Vigília da Assunção é celebrada na noite anterior à Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, sendo um momento de preparação espiritual e oração. Ela convida os fiéis a refletirem sobre a vida de Maria, sua fidelidade a Deus e sua participação na glória celestial, servindo como antecipação do destino prometido a todos os cristãos: a ressurreição e a vida eterna (CNBB).
 
Oração
Ó Deus, olhando para a humildade da Virgem Maria, a elevastes à dignidade de Mãe do Verbo encarnado e a coroastes hoje de incomparável glória; concedei que, salvos pelo mistério da redenção, mereçamos, por suas preces, ser por vós glorificados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
 
Primeira Leitura (1Cr 15,3-4.15-16; 16,1-2) - Naqueles dias, Davi convocou todo Israel em Jerusalém, a fim de transportar a arca do Senhor para o lugar que lhe havia preparado. Davi reuniu também os filhos de Aarão e os levitas. Os filhos de Levi levaram a arca de Deus com os varais sobre os ombros, como Moisés havia mandado, de acordo com a ordem do Senhor. Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem seus irmãos como cantores, para entoarem cânticos festivos, acompanhados de instrumentos musicais, harpas, cítaras e címbalos. Tendo, pois, introduzido a arca de Deus e colocado no meio da tenda que Davi tinha armado, ofereceram, na presença de Deus, holocaustos e sacrifícios pacíficos. Depois de oferecer os holocaustos e os sacrifícios pacíficos, Davi abençoou o povo em nome do Senhor.
 
Salmo Responsorial 131(132)
R. Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, / subi com vossa arca poderosa!
 
Nós soubemos que a arca estava em Éfrata / e nos campos de Iaar a encontramos: / entremos no lugar em que ele habita, / ante o escabelo de seus pés o adoremos! – R.
 
Que se vistam de alegria os vossos santos, / e os vossos sacerdotes, de justiça! / Por causa de Davi, o vosso servo, / não afasteis do vosso ungido a vossa face! – R.
 
Pois o Senhor quis para si Jerusalém / e a desejou para que fosse sua morada: / “Eis o lugar do meu repouso para sempre, / eu fico aqui: este é o lugar que preferi!” – R.
 
 
Segunda Leitura (1Cor 15,54-57) - Irmãos: Quando este ser corruptível estiver vestido de incorruptibilidade e este ser mortal estiver vestido de imortalidade, então estará cumprida a palavra da Escritura: “A morte foi tragada pela vitória. Ó morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória pelo Senhor nosso, Jesus Cristo.
 
Aleluia. Felizes aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a guardam! Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,27-28) -  Naquele tempo, enquanto Jesus falava ao povo, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Palavra da salvação.
 
"Felizes, antes, aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática."
 
Do site Liturgia Diária
 
* Jesus está enfatizando que, embora sua mãe, Maria, seja abençoada por ter dado à luz a Ele, uma maior bênção está reservada para aqueles que ouvem a palavra de Deus e a obedecem.
Ele está direcionando a atenção para a importância da obediência à vontade divina em vez de focar apenas nas relações familiares. Isso nos lembra que a verdadeira bênção vem de uma fé ativa e da prática dos ensinamentos de Deus em nossas vidas.
 
* Esses versículos também destacam a importância de ouvir atentamente a palavra de Deus, compreendê-la e aplicá-la em nossas vidas. A verdadeira felicidade e bênção vêm não apenas de ouvir, mas de agir de acordo com a vontade de Deus. Portanto, podemos tirar dessa passagem a importância de não apenas reconhecer a importância das figuras religiosas, mas também de seguir os ensinamentos divinos em nossas vidas diárias, agindo com amor, compaixão e obediência à vontade de Deus.
 
"A Verdadeira Bênção: Ouvir e Viver a Palavra de Deus"
 
Do site Liturgia Diária
 
* Hoje, nas palavras de Lucas 11:27-28, encontramos uma lição profunda que nos convida a refletir sobre o significado da verdadeira bênção.
Uma mulher da multidão ergue a voz e elogia a mãe de Jesus, dizendo: "Feliz o ventre que te trouxe e os seios em que mamaste!" É natural que admiremos a Mãe de Jesus, Maria, mas Jesus nos oferece uma perspectiva mais profunda, uma lição que ecoa ao longo dos séculos e permanece profundamente relevante em nossas vidas hoje.
 
* A resposta de Jesus é clara: "Felizes, antes, aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática." Nesta simples resposta, Ele nos lembra que a verdadeira bênção não está apenas em relações familiares ou em aparências externas, mas reside naqueles que ouvem a Palavra de Deus e a vivem em suas vidas cotidianas.
 
* Vivemos em um mundo onde muitas vezes somos bombardeados por mensagens sobre sucesso, riqueza e fama. Somos constantemente confrontados com a ideia de que a felicidade está ligada a posses materiais, à nossa aparência ou ao nosso status social. No entanto, Jesus nos convida a olhar mais fundo, a buscar uma bênção mais duradoura, uma bênção que transcende as circunstâncias temporais.
 
* A verdadeira bênção é encontrada naqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática. Significa viver uma vida de fé, amor, perdão e compaixão. Significa amar o próximo como a si mesmo, ajudar os necessitados, perdoar os que nos ofendem e viver de acordo com os princípios divinos, mesmo quando isso é desafiador.
 
* Em um mundo repleto de divisões, desigualdade, violência e intolerância, a mensagem de Jesus é mais relevante do que nunca. Ele nos chama a sermos agentes de mudança, a sermos portadores da verdadeira bênção, a vivermos de forma a transformar nossa sociedade. Ele nos chama a sermos luzes em meio à escuridão, a sermos fontes de amor e esperança em um mundo frequentemente carente dessas virtudes.
 
* Neste Evangelho, Jesus nos recorda que a verdadeira bênção não é dada apenas aos privilegiados, mas está disponível para todos nós. Ela está ao alcance de todos, não importa nossa origem, nossa condição social ou nosso passado. A verdadeira bênção é um presente que Deus oferece a cada um de nós, e a única condição é que estejamos dispostos a ouvir Sua Palavra e a viver de acordo com ela.
 
* Assim, quando enfrentarmos as dificuldades da vida, quando nos sentirmos perdidos ou desanimados, lembremo-nos destas palavras de Jesus. Encontremos nossa verdadeira bênção em Deus e na aplicação de Sua Palavra em nossas vidas. Se o fizermos, seremos verdadeiramente felizes, e nossa luz brilhará em um mundo que anseia por amor, paz e justiça. Que Deus nos dê a graça de ouvir Sua Palavra e a coragem de vivê-la diariamente. Amém.

Sexta-feira da 19ª semana do Tempo Comum

S. Maximiliano Maria Kolbe, presbítero e mártir
Bta. Mª Patrocínio de S. José. Virgem e Mártir de nossa Ordem
 
1
ª Leitura (Ez 16,1-15.60.63):
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, mostra a Jerusalém as suas ações abomináveis e diz-lhe: Assim fala o Senhor Deus a Jerusalém: Pela tua origem e nascimento, és da terra de Canaã. O teu pai era amorreu e a tua mãe hitita. Quando nasceste, no dia em que vieste ao mundo, não te cortaram o cordão, nem te banharam para seres purificada; não te fizeram as fricções de sal, nem te envolveram em panos. Ninguém lançou sobre ti um olhar compassivo; ninguém te prestou esses cuidados, nem teve pena de ti. No dia em que nasceste, foste deixada no meio do campo, pela repugnância que inspiravas. Quando passei junto de ti, vi que te revolvias no teu sangue. E, vendo-te ensanguentada, Eu disse-te: ‘Quero que vivas’; e fiz-te crescer como a erva dos campos. Cresceste, ganhaste corpo e chegaste à idade florida. Formaram-se os teus seios, cresceram os teus cabelos, mas estavas nua. Passei de novo junto de ti e vi que tinhas chegado à idade dos amores. Estendi sobre ti a aba do meu manto e escondi a tua nudez. Fiz então um juramento e estabeleci uma aliança contigo, – diz o Senhor Deus – e ficaste a pertencer-Me. Lavei-te com água, limpei-te do sangue que te cobria e ungi-te com óleo. Vesti-te com roupas bordadas, calcei-te sandálias de fino cabedal, dei-te uma faixa de linho e um manto de seda. Adornei-te com joias, coloquei braceletes nos teus pulsos e um colar ao teu pescoço. Pus-te um anel no nariz, brincos nas orelhas e um precioso diadema na cabeça. Tinhas adornos de ouro e de prata, os teus vestidos eram de linho fino, de seda e tecidos bordados, e o teu alimento era a flor da farinha, mel e azeite. Tornaste-te cada vez mais bela e chegaste a ser rainha. A tua fama divulgou-se entre as nações, por causa da tua formosura, que era perfeita, graças ao esplendor com que Eu te tinha revestido, – diz o Senhor Deus –. Mas tu confiaste na tua beleza e aproveitaste a tua fama para te restituíres com todos os que passavam. Eu, porém, lembrar-Me-ei da aliança que fiz contigo nos dias da tua juventude e estabelecerei contigo uma aliança eterna, de modo que te lembres do passado e te humilhes e não voltes a abrir a boca de vergonha, quando Eu te perdoar o que fizeste – diz o Senhor Deus».
 
Salmo Responsorial: Is
R. Passou a vossa ira e Vós me consolastes, Senhor.
 
Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação.
 
Tirareis água com alegria das fontes da salvação. Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome; anunciai aos povos a grandeza das suas obras, proclamai a todos que o seu nome é santo.
 
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
 
Aleluia. Escutai o que diz o Senhor, não como palavra dos homens, mas como palavra de Deus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 19,3-12): Naquele tempo, alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e, para experimentá-lo, perguntaram: «É permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?». Ele respondeu: «Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe». Perguntaram: «Como então Moisés mandou dar atestado de divórcio e despedir a mulher?». Jesus respondeu: «Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio. Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher fora o caso de união ilícita e se casa com outra, comete adultério». Os discípulos disseram-lhe: «Se a situação do homem com a mulher é assim, é melhor não casar-se». Ele respondeu: «Nem todos são capazes de entender isso, mas só aqueles a quem é concedido. De fato, existem homens impossibilitados de casar-se, porque nasceram assim; outros foram feitos assim por mão humana; outros ainda, por causa do Reino dos Céus se fizeram incapazes do casamento. Quem puder entender, entenda».
 
«Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe»
 
Fr. Roger J. LANDRY (Hyannis, Massachusetts, Estados Unidos)
 
Hoje, Jesus responde às perguntas dos seus contemporâneos sobre o verdadeiro significado do matrimônio, ressaltando a indissolubilidade do mesmo.
 
Sua resposta, no entanto, também proporciona a base adequada para que nós, cristãos, possamos responder a aqueles cujos corações teimosos os obrigam a procurar a ampliação da definição de matrimônio para os casais homossexuais.
 
Ao fazer retroceder o matrimônio ao plano original de Deus, Jesus ressalta quatro aspectos relevantes pelos quais só se pode unir em matrimônio a um homem e uma mulher:
 
1) «O Criador, desde o início, os fez macho e fêmea» (Mt 19,4). Jesus nos ensina que, no plano divino, a masculinidade e a feminilidade têm um grande significado. Ignorar, pois, é ignorar o que somos.
 
2) «Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher» (Mt 19,5). No plano de Deus não é que o homem abandone os seus pais e vá embora com quem ele queira, mas sim com uma esposa.
 
3) «De maneira que já não são dois, e sim uma só carne» (Mt 19,6). Esta união corporal vai mais além da pouco duradoura união física que ocorre no ato conjugal. Refere-se à união duradoura que se apresenta quando um homem e uma mulher, através do seu amor, concebem uma nova vida que é o matrimônio perdurável ou união dos seus corpos. Logicamente, que um homem com outro homem, ou uma mulher com outra mulher, não pode ser considerado um único corpo dessa maneira.
 
4) «Pois o que Deus uniu, o homem não separe» (Mt 19,6). Deus mesmo uniu em matrimônio ao homem e à mulher e, sempre que tentamos separar o que Ele uniu, faremos por nossa própria conta e por conta da sociedade.
 
Em sua catequese sobre Gênesis, o Papa João Paulo II disse: «Em sua resposta aos fariseus, Jesus Cristo comenta aos interlocutores a visão total do homem, sem o qual não é possível oferecer uma resposta adequada às perguntas relacionadas com o matrimônio».
 
Cada um de nós está chamado a ser o eco desta Palavra de Deus em nosso momento.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A estatura e os hábitos do homem podem mudar, mas a sua natureza continua idêntica e a sua pessoa é a mesma» (São Vicente de Lerins)
 
«Na narração bíblica surge a ideia de que o homem é de alguma forma, incompleto, constitutivamente no caminho para encontrar no outro a parte complementária para a sua integridade, quer dizer, a ideia de que apenas na comunhão com o outro sexo se pode considerar “completo”» (Bento XVI)
 
«A estima pela virgindade por amor do Reino e o sentido cristão do matrimónio são inseparáveis e favorecem-se mutuamente» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.620).
 
Reflexão
 
Contexto. Até o capítulo 18, Mateus mostrou como os discursos de Jesus marcaram as diferentes fases da constituição progressiva e formação da comunidade dos discípulos em torno de seu Mestre. Agora em 19,1, este pequeno grupo se afasta dos territórios da Galileia e chega nos territórios da Judéia. O chamado de Jesus que envolve os seus discípulos avança até a escolha decisiva: a aceitação ou rejeição da pessoa de Jesus. Esta fase ocorre ao longo da estrada que leva a Jerusalém (capítulos 19-20), e, finalmente, com a chegada à cidade e junto ao Templo (capítulos 21-23). Todos os encontros que Jesus experimenta no decorrer desses capítulos ocorrem ao longo do percurso da Galileia a Jerusalém.
 
Encontro com os fariseus. Passando pela Transjordânia (19,1), o primeiro encontro é com os fariseus e o tema de discussão de Jesus com ele se torna motivo de reflexão para o grupo dos discípulos. A pergunta dos fariseus é sobre o divórcio e, especialmente, coloca Jesus em dificuldade sobre o amor dentro do casamento, a realidade mais sólida e estável para toda a comunidade judaica. A intervenção dos fariseus quer acusar o ensinamento de Jesus. Trata-se de um verdadeiro processo: Mateus o considera como "colocar à prova", "um tentar". A pergunta é realmente crucial: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?” (19,3). Ao leitor não escapa a tentativa equivocada dos fariseus de interpretar o texto de Dt 24,1 para colocar Jesus em dificuldade: “Se um homem toma uma mulher e se casa com ela, e esta depois não lhe agrada porque descobriu nela algo inconveniente, ele lhe escreverá uma certidão de divórcio e assim despedirá a mulher”. Este texto deu origem ao longo dos séculos a inúmeras discussões: a admitir o divórcio por qualquer motivo, exigir um mínimo de mau comportamento, um verdadeiro adultério.
 
É Deus que une. Jesus responde aos fariseus recorrendo a Gn 1,17; 2,24, trazendo o assunto à vontade primária de Deus criador. O amor, que une o homem e a mulher, vem de Deus e por essa origem, unifica e não pode separar. Se Jesus cita Gênesis 2,24: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne”  (19,5), é porque ele quer enfatizar um princípio particular e absoluto: é a vontade criadora de Deus que une um homem e uma mulher. Quando um homem e uma mulher se unem em matrimônio, é Deus que os une; o termo "cônjuge" vem do verbo conjungir (ligar intimamente), conjugar (associar, ligar e unir), ou seja, que a conjunção dos dois parceiros sexuais é o efeito da palavra criadora de Deus. A resposta de Jesus aos fariseus atinge o seu cume: o casamento é indissolúvel na sua constituição original. Jesus continua desta vez recordando Ml 2,13-16: repudiar a própria mulher é romper a aliança com Deus e segundo os profetas, esta aliança é vivida principalmente pelos esposos em sua união conjugal (Os 1-3; Is 1,21-26; Jr 2,2; 3,1.6-12; Ez 16; 23; Is 54,6-10; 60-62). A resposta de Jesus aparece em contradição com a lei de Moisés, que dá a possibilidade de conceder um certificado de divórcio. No motivar a sua resposta, Jesus lembra aos fariseus: se Moisés deu essa possibilidade é por causa da dureza dos vossos corações (v. 8), mais especificamente por causa da vossa desobediência à Palavra de Deus. A lei de Gn 1,26; 2,24 nunca foi modificada, mas Moisés foi forçado a adaptá-la a uma atitude de desobediência. O primeiro casamento não foi anulado pelo adultério. Ao homem de hoje e, especialmente, às comunidades eclesiais a palavra de Jesus diz claramente que não deve haver divórcio, e, no entanto, vemos que existem; na vida pastoral das pessoas divorciadas são acolhidas, às quais está sempre aberta à possibilidade de entrar no reino. A reação dos discípulos foi imediata: “Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!” (v.10). A resposta de Jesus continua a sustentar a indissolubilidade do matrimônio, impossível para a mentalidade humana, mas possível para Deus. O eunuco de que Jesus fala não é aquele que não pode gerar, mas aquele que, separado de sua esposa, continua a viver em continência , mantendo-se fiel ao primeiro vínculo conjugal: é eunuco em relação a todas as outras mulheres.
 
Para um confronto pessoal
1) Em relação ao casamento sabemos acolher o ensinamento de Jesus com simplicidade, sem adaptá-lo às nossas próprias escolhas legítimas de conveniência?
2) O Evangelho recorda-nos que o plano do Pai para o homem e a mulher é um maravilhoso projeto de amor. Você está ciente de que o amor tem uma lei imprescindível: implica o dom total e cheio da própria pessoa para o outro?

14 de agosto

 Beata Maria Patrocínio de São José
Virgem e Mártir de nossa Ordem
 
Irmã Maria do Patrocinio de S. José, carmelita da Antiga Observância, de 33 anos, entrou no mosteiro aos 26 anos de idade, saindo de casa contra a vontade de seus parentes. Ela fez sua profissão solene em 14 de abril de 1934, e em 18 de julho, as carmelitas receberam ordem de desocupar o mosteiro. Ela deixou o convento com outras duas freiras, passando a esconder-se em casas particulares até que os milicianos chegarem à cidade, semeando o terror por toda parte. Consciente de sua situação, ela disse: “Que me martirizem, que me matem: isso não me importa; que me toquem, jamais consentirei nisso.” Em 13 de agosto, presa junto com dois sacerdotes, foi conduzida à prefeitura. Duas horas tensas, da sedução às ameaças. Só porque era freira, ela foi maltratada sem nenhum julgamento. Finalmente, o presidente do comitê comunista exclamou, derrotado, para seus capangas: “Peguem essa mulher e façam com ela o que quiserem.” Às 0h30, do dia 14, os detidos foram levados em dois carros para a prisão, Ao passarem em frente à igreja paroquial de Sant Martí Riudeperes, os dois padres foram assassinados. Depois disso, os milicianos começaram a fazer exigências insistentes a ela que dizia: “Mil vezes morrer do que fazer isso!”. Diante de suas recusas e protestos, arrastaram-na violentamente para fora do carro. Houve grande agitação e vozes de homens dizendo: “Corra, corra, corra”. Ir. Maria do Patrocínio de São José, tentou fugir para não ser estuprada, saiu correndo com sua capa branca, iluminada pela luz dos faróis, enquanto os milicianos disparavam suas armas contra ela. Ainda de pé, ela exclamou em voz alta e clara: "Meu Deus, me perdoe, estão me matando!” E desabou no chão, segurando um crucifixo. Ela era linda e muito jovem. Seu corpo tinha mais de trinta balas. Um homem, chamado Castany, disse à superiora do Carmelo: “Como fizeram essa pobre freira sofrer para roubar-lhe a pureza!”
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Oração
Senhor, que hoje nos alegrais com a festa anual da Beata Maria Patrocínio de São José, concedei-nos a ajuda dos seus méritos, Vós que nos iluminastes com o exemplo da sua virgindade e fortaleza. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Quinta-feira da 19ª semana do Tempo Comum

 Santa Dulce Lopes Pontes, virgem 
 
1ª Leitura (Ez 12,1-12):
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, tu habitas no meio desta gente rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, têm ouvidos para ouvir e não ouvem: é uma geração de rebeldes. Tu, filho do homem, prepara a tua bagagem de exilado e parte para o exílio em pleno dia, à vista deles. Sairás deste lugar para outro, à vista deles. Talvez assim reconheçam que são gente rebelde. Prepararás a tua bagagem como bagagem de um exilado, em pleno dia, à vista deles, e sairás à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio. À vista deles, faz uma abertura na muralha e sai através dela. Põe a trouxa aos ombros à vista deles e sai ao escurecer, cobrindo o rosto para não veres o país, porque eu faço de ti um símbolo para a casa de Israel». Eu procedi conforme a ordem que recebi. Preparei a minha bagagem de dia, como bagagem de exilado. À tarde fiz com a mão uma abertura na muralha e saí ao escurecer; saí com a bagagem às costas, à vista deles. Na manhã seguinte, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, a casa de Israel, essa gente rebelde, não te perguntou: ‘Que fazes?’. Então responde-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo dirige-se a quem governa Jerusalém e a toda a casa de Israel que nela vive. Fala-lhes assim: ‘Eu sou para vós um símbolo. Como Eu fiz, assim vos será feito: ireis deportados para o exílio. Aquele que vos governa terá de pôr aos ombros a sua bagagem e ao escurecer passará através da muralha, na qual farão uma abertura para ele sair; cobrirá o rosto para não ver com os seus olhos o país’».
 
Salmo Responsorial: 77
R. Não esqueçais as obras do Senhor.
 
Eles tentaram e ofenderam o Altíssimo e não observaram os seus mandamentos. Foram infiéis e renegados como seus pais, como flecha errante, desviaram-se do caminho.
 
Ofenderam-no no alto dos montes, provocaram-no com seus ídolos. Deus ouviu e inflamou-Se em cólera e repudiou com veemência Israel.
 
Deixou cair os seus heróis em cativeiro e a sua glória nas mãos de inimigos; e entregou o seu povo à espada, irritou-Se contra a sua herança.
 
Aleluia. Fazei brilhar sobre mim a vossa face e dai-me a conhecer os vossos decretos. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 18,21—19,1): Naquele tempo, Pedro dirigiu-se a Jesus perguntando: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. O Reino dos Céus é, portanto, como um rei que resolveu ajustar contas com seus servos. Quando começou o ajuste, trouxeram-lhe um que lhe devia uma fortuna inimaginável. Como o servo não tivesse com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher, os filhos e tudo o que possuía, para pagar a dívida. O servo, porém, prostrou-se diante dele pedindo: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. Diante disso, o senhor teve compaixão, soltou o servo e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma quantia irrisória. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos pés dele, suplicava: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei’. Mas o servo não quis saber. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que estava devendo. Quando viram o que havia acontecido, os outros servos ficaram muito sentidos, procuraram o senhor e lhe contaram tudo. Então o senhor mandou chamar aquele servo e lhe disse: ‘Servo malvado, eu te perdoei toda a tua dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? O senhor se irritou e mandou entregar aquele servo aos carrascos, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão». Quando terminou essas palavras, Jesus deixou a Galileia e foi para a região da Judéia, pelo outro lado do Jordão.
 
«Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?»
 
Rev. D. Joan BLADÉ i Piñol (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, perguntar «quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?» (Mt 18,21), é também perguntar: Estes a quem tanto amo, os vejo com tantas manias e caprichos que me chateiam, que me incomodam com frequência, não falam comigo... E isto se repete este dia e no outro dia. Senhor, até quando tenho que aguentar isso?
 
Jesus responde com a lição de paciência. Na realidade, os dois devedores coincidem quando dizem: «Tem paciência comigo» (Mt 18,26.29). Mas, enquanto o descontrole do malvado, que já ia sufocando o outro por pouca coisa, lhe ocasionaria a ruína moral e econômica, a paciência do rei, não só salva o devedor, sua família e os bens, como engrandece a personalidade do monarca e gera confiança na corte. A reação do rei, nos lábios de Jesus, nos recorda o livro dos Salmos: «Mas em ti se encontra o perdão, para seres venerado com respeito» (Sal 130,4).
 
Está claro que precisamos nos opor à injustiça, e, se necessário, energicamente (suportar o mal seria um indício de apatia ou covardia). Mas, a indignação é saudável quando nela não há egoísmo, nem ira, nem sandice, senão o desejo reto de defender a verdade. A autêntica paciência é a que nos leva a suportar misericordiosamente a contradição, a debilidade, as doenças, as faltas de oportunidade das pessoas, dos acontecimentos ou das coisas. Ser paciente equivale a dominar-se a si mesmo. As pessoas susceptíveis ou violentas não podem ser pacientes porque nem pensam nem são donos de si mesmos.
 
A paciência é uma virtude cristã porque faz parte da mensagem do Reino dos Céus, e se forja na experiência de que todos nós temos defeitos. Se Paulo nos exorta a nos suportarmos uns aos outros (cf. Col 3,12-13), Pedro nos recorda que a paciência do Senhor nos dá a oportunidade de nos salvarmos (cf. 2 Pe 3,15).
 
Certamente, quantas vezes a paciência do bom Deus nos perdoou no confessionário! Sete vezes? Setenta vezes sete? Quiçá mais!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Se buscar um exemplo de paciência, encontrara o melhor deles na Cruz. Grande foi a paciência de Cristo na cruz» (São Tomás de Aquino)
 
«O Senhor toma-se seu tempo. Mas incluso Ele, nesta relação conosco, tem muita paciência. E espera por nós até o final da vida! Pensemos no bom ladrão, que justo ao final, reconheceu a Deus» (Francisco)
 
«Os leigos recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos cada vez mais abundantes. De facto, todas as suas atividades, orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres do espírito e do corpo, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida se pacientemente suportadas, tudo se transforma em “sacrifício espiritual, agradável a Deus por Jesus Cristo”. Na celebração eucarística, todas estas oblações se unem à do Corpo de Senhor, para serem piedosamente oferecidas ao Pai (...).» (Catecismo da Igreja Católica, n° 901)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*  No evangelho de ontem ouvimos as palavras de Jesus sobre a correção fraterna (Mt 18,15-20).
No evangelho de hoje (Mt 18,21-39) o assunto central é o perdão e a reconciliação.
 
* Mateus 18,21-22: Perdoar setenta vezes sete!. Diante das palavras de Jesus sobre a correção fraterna e a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?” Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!” É como se dissesse: “Sempre, não! Pedro, mas setenta vezes sempre!” Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor para com o irmão. Aqui se evoca o episódio de Lamec do AT. “Lamec disse para as suas mulheres: Ada e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete" (Gn 4,23-24). A tarefa das comunidades é a de reverter o processo da espiral da violência. Para esclarecer a sua resposta a Pedro Jesus conta a parábola do perdão sem limite.
 
* Mateus 18,23-27: A atitude do patrão. Esta parábola é uma alegoria, isto é, Jesus fala de um patrão, mas pensa em Deus. Isto explica os contrastes enormes desta parábola. Como veremos, apesar de se tratar de coisas normais diárias, existe algo nesta história que não acontece nunca na vida diária. Na história que Jesus conta, o patrão segue as normas do direito da época. Era um direito dele de prender o empregado com toda a sua família e mantê-lo na prisão até que tivesse pagado pelo trabalho escravo a sua dívida. Mas diante do pedido do empregado endividado, o patrão perdoa a dívida. O que chama a atenção é o tamanho da dívida: dez mil talentos. Um talento equivale a 35 kg de ouro. Segundo os cálculos feitos, dez mil talentos equivalem a 350 toneladas de ouro. Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fossem trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 350 toneladas de ouro. O cálculo extremo é proposital. Nossa dívida frente a Deus é incalculável e impagável.
 
* Mateus 18,28-31: A atitude do empregado. Ao sair daí, esse empregado perdoado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. Dívida de cem denários é o salário de cem dias de trabalho. Alguns calculam que era de 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois! Nem dá para entender a atitude do empregado: o patrão lhe perdoou 350 toneladas de outro e ele não quer perdoar 30 gramas de ouro. Em vez de perdoar, ele faz com o companheiro aquilo que o patrão ia fazer, mas não fez. Mandou prender o companheiro de acordo com as normas da lei, até que fosse paga a dívida. Atitude chocante para qualquer ser humano. Chocou os outros companheiros. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. Qualquer um de nós teria tido a mesma atitude de desaprovação.
 
* Mateus 18,32-35: A atitude de Deus. “O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida”. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 350 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos ao irmão a pequena dívida de 30 gramas de ouro. O perdão de Deus é sem limites. O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus vem de nós mesmos, da nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34). É o que dizemos e pedimos no Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,12-15).
 
* A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade. A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas comunidades cristãs, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro da convivência os mesmos critérios da sociedade e da sinagoga. Assim, nas comunidades começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e na sinagoga entre rico e pobre, dominação e submissão, homem e mulher, raça e religião. Em vez da comunidade ser um espaço de acolhimento, tornava-se um lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus, Mateus quer iluminar a caminhada dos seguidores e das seguidoras de Jesus, para que as comunidades sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Notícia para os pobres.
 
Para um confronto pessoal
1) Perdoar. Tem gente que diz: “Perdoo, mas não esqueço!” E eu? Sou capaz de imitar a Deus?
2) Jesus deu o exemplo. Na hora de ser morto pediu perdão para os seus assassinos (Lc 23,34). Será que sou capaz de imitar Jesu

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quarta-feira da 19ª semana do Tempo Comum

Bto Isidoro Bakanja, leigo e mártir de nossa Ordem
Sta. Joana Francisca de Chantal, viúva e religiosa
Bta Vitória Díez y Bustos de Molina, virgem e mártir, do Instituto Teresiano
 
1ª Leitura (Ez 9,1-7; 10,18-22):
Eu ouvi o Senhor bradar com voz forte: «Aproximai-vos, flagelos da cidade, cada um com o seu instrumento de morte na mão». E do pórtico superior que dá para o norte saíram seis homens, trazendo cada um na mão o seu instrumento de morte. No meio deles estava um homem vestido de linho, com um estojo de escriba à cintura. Aproximaram-se e pararam junto do altar de bronze. A glória do Deus de Israel elevou-se dos querubins em que poisava e dirigiu-se para o limiar do templo. Depois chamou o homem vestido de linho, que trazia à cintura o estojo de escriba. Disse-lhe o Senhor: «Vai pela cidade, percorre Jerusalém e assinala com uma cruz na fronte os homens que gemem e se lamentam por causa das abominações que nela se praticam». Depois, ouvi o Senhor dizer aos outros: «Percorrei a cidade atrás dele e feri sem piedade e sem compaixão: velhos, novos, donzelas, crianças e mulheres, matai-os, exterminai-os a todos. Mas não toqueis naqueles que foram assinalados com a cruz. Começai pelo meu santuário». E eles começaram pelos anciãos que estavam diante do templo. A seguir, ordenou-lhes: «Profanai o templo, enchei de cadáveres os seus átrios e saí». Eles saíram e continuaram o massacre na cidade. A glória do Senhor deixou o limiar do templo e pairou sobre os querubins. Os querubins abriram as asas e elevaram-se do solo à minha vista, elevando-se as rodas com eles. Pararam à entrada da porta oriental do templo do Senhor e a glória do Deus de Israel pairava sobre eles. Eram os seres vivos que eu tinha visto sob o Deus de Israel, nas margens do rio Quebar, e reconheci então que eram querubins. Cada um tinha quatro faces e quatro asas e, debaixo das asas, uma espécie de mãos humanas. As suas faces eram semelhantes às que eu vira nas margens do rio Quebar. Cada um seguia sempre em frente.
 
Salmo Responsorial: 112
R. A glória do Senhor está acima dos céus.
 
Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.
 
Desde o nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor. O Senhor domina sobre todos os povos, a sua glória está acima dos céus.
 
Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra?
 
Aleluia. Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo e confiou-nos a palavra da reconciliação. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 18,15-20): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a sós! Se ele te ouvir, terás ganhado o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, de modo que toda questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Eu vos digo mais isto: se dois de vós estiverem de acordo, na terra, sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que está nos céus o concederá. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles».
 
«Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a sós! (...) Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles»
 
Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz(El Montanyà, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, neste breve fragmento do Evangelho, o Senhor nos ensina três importantes modos de proceder que frequentemente se ignoram.
 
Compreensão e advertência com o amigo ou o colega. Faça-o ver, com discrição e reservadamente («tu e ele a sós»), com claridade («vai corrigi-lo»), o seu comportamento equivocado para que acerte o seu caminho na vida. Acudir à colaboração de um amigo, se a primeira tentativa não deu certo. E, se nem assim se consegue a sua conversão e, se seu pecar escandaliza, não duvide em exercer a denúncia profética e pública, que hoje pode ser uma carta ao diretor de uma publicação, uma manifestação pública ou um cartaz. Esta maneira de proceder é uma exigência que pesa para o mesmo que a prática, e que frequentemente é ingrata e incômoda. Por tudo isso é mais fácil escolher o que chamamos equivocadamente de “caridade cristã” e, que costuma ser puro escapismo, comodidade, covardia, falsa tolerância. Na verdade, «está reservada a mesma pena para os que fazem o mal e para aqueles que o consentem» (São Bernardo).
 
Todo cristão tem o direito de solicitar dos nossos sacerdotes o perdão de Deus e da sua Igreja. O psicólogo, em um determinado momento, pode apaziguar o seu estado de ânimo; o psiquiatra em um ato médico pode conseguir vencer um transtorno endógeno. Ambas as atitudes são muito úteis, mas insuficientes para determinadas situações. Só Deus é capaz de perdoar, apagar, esquecer, pulverizar destruindo o pecado pessoal. E só, sua Igreja pode atar ou desatar comportamentos, transcendendo a sentença no céu. E com isso gozar da paz interior e começar a ser feliz.
 
Nas mãos e palavras do sacerdote está o privilégio de tomar o pão e que Jesus - Eucaristia seja realmente presença e alimento. Qualquer discípulo do Reino pode unir-se a outro, ou melhor, pode unir-se a muitos e, com fervor, Fé, coragem e Esperança, submergir no mundo e convertê-lo em verdadeiro corpo do Jesus - Místico. E, na sua companhia acudir a Deus Pai que escutará às suas súplicas, pois seu Filho comprometeu-se a isso: «pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles» (Mt 18,20).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«No silencio Ele nos escuta, no silencio Ele fala à alma e no silencio escutamos sua voz» (Santa Teresa de Calcutá)
 
«A fé não é unicamente uma opção individual. Por sua mesma natureza, se abre a “nós”, se dá sempre dentro da comunhão da Igreja» (Francisco)
 
«“Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós” (Rm 8,34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, “onde dois ou três estão reunidos em Meu nome” (Mt 18,20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros, nos seus sacramentos, dos quais é o autor (...)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 1373)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No evangelho de hoje e de amanhã vamos ler e meditar a segunda parte do Sermão da Comunidade.
O evangelho de hoje fala da correção fraterna (Mt 18,15-18) e da oração em comum (Mt 18,19-20). O de amanhã fala do perdão (Mt 18,21-22) e traz a parábola do perdão sem limites (Mt 18,23-35). A palavra-chave desta segunda parte é “perdoar”. O acento cai na reconciliação. Para que possa haver reconciliação que permita o retorno dos pequenos, é importante saber dialogar e perdoar, pois o fundamento da fraternidade é o amor gratuito de Deus. Só assim a comunidade será um sinal do Reino. Não é fácil perdoar. Certas mágoas continuam machucando o coração. Há pessoas que dizem: "Eu perdoo, mas não esqueço!" Rancor, tensões, brigas, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação.
 
* A organização das palavras de Jesus nos cinco grandes Sermões do evangelho de Mateus mostra que, já no fim do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese. O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35), por exemplo, traz instruções atualizadas de como proceder em caso de algum conflito entre os membros da comunidade e como encontrar critérios para solucionar os conflitos. Mateus reuniu aquelas frases de Jesus que pudessem ajudar as comunidades do fim do primeiro século a superar os dois problemas agudos que elas enfrentavam naquele momento, a saber, a saída dos pequenos por causa do escândalo de alguns e a necessidade de diálogo para superar o rigorismo de outros e acolher os pequenos, os pobres, na comunidade.
 
* Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de perdoar.
Estes versículos trazem normas simples de como proceder no caso de algum conflito na comunidade. Se um irmão ou uma irmã pecar, isto é, se tiver um comportamento não de acordo com a vida da comunidade, não se deve logo denunciá-los. Primeiro, procure conversar a sós. Procure saber os motivos do outro. Se não der resultado, leve mais duas ou três pessoas da comunidade para ver se consegue algum resultado. Só em caso extremo, deve levar o problema para a comunidade toda. E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja para você “como um publicano ou pagão”, isto é, como alguém que já não faz parte da comunidade. Não é você que está excluindo, mas é a pessoa, ela mesma, que se exclui a si mesma. A comunidade reunida apenas constata e ratifica a exclusão. A graça de poder perdoar e reconciliar em nome de Deus foi dada a Pedro (Mt 16,19), aos apóstolos (Jo 20,23) e, aqui no Sermão da Comunidade, à própria comunidade (Mt 18,18). Isto revela a importância das decisões que a comunidade toma com relação a seus membros.
 
* Mateus 18,19: A oração em comum. A exclusão não significa que a pessoa seja abandonada à sua própria sorte. Não! Ela pode estar separada da comunidade, mas nunca estará separada de Deus. Caso a conversa na comunidade não der resultado e a pessoa não quiser integrar-se na vida da comunidade, resta o último recurso de rezar juntos ao Pai para conseguir a reconciliação. E Jesus garante que o Pai vai atender: “Se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu”.
 
* Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade. O motivo da certeza de ser ouvido pelo Pai é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!” Jesus é o centro, o eixo, da comunidade e, como tal, junto com a Comunidade ele estará rezando conosco ao Pai, para que conceda o dom do retorno ao irmão ou à irmã que se excluiu.
 
Para um confronto pessoal
1. Por que será que é tão difícil perdoar? Na nossa comunidade existe espaço para a reconciliação? De que maneira?
2. Jesus disse: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estarei no meio deles". O que significa isto para nós hoje?

domingo, 9 de agosto de 2026

Mesmo dia 12 de agosto

 Beata Victoria Diez y Bustos de Molina
Virgem e Mártir do Instituto Teresiano
 

Victoria Diez (11-11-1903 / 12-08-1936) foi professora do Instituto Teresiano em Hornachuellos e durante os oito anos em que permaneceu na cidade, Victoria esteve intensamente envolvida no serviço à Igreja e à comunidade local, além de suas funções específicas, como professora. Promove a Ação Católica, organiza aulas à noite para as mulheres trabalhadoras, ajuda famílias carentes e lança catequese infantil, e continuará, mesmo quando os professores são proibidos de ensinar religião. Ao mesmo tempo, exerce as suas funções como Presidente do Consejo Local del Pueblo. Em 1925, conhece a Instituição Teresiana e reconhece nela o seu lugar de vida. A mediação educacional em todas as suas manifestações era a chave da missão daquela instituição e esta abordagem atrairá definitivamente essa mulher com vocação docente qualificada. Em 11 de agosto de 1936, em plena guerra civil espanhola, Victoria é chamada para depor perante ao Comitê. Na madrugada do dia 12, Victoria foi conduzida juntamente com 17 homens, para a periferia da cidade para realizar uma marcha de 12 quilômetros. Uma marcha sem retorno. E, talvez, seja esta caminhada que a transforme numa mulher excepcional.  Agora não é apenas a professora boa, suave e disponível, agora é a mulher de fé, marchando com a força da convicção, que sabe suportar os próprios medos e os alheios. No caminho para morte, Victoria bradava: “Ânimo companheiros, que a vida pode mais”.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Oração
Deus Pai todo-poderoso, que destes à virgem Victoria Diez, a graça de combater até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar a adversidade por vosso amor e a caminhar corajosamente para Vós, fonte da verdadeira vida. Por Nosso Senhor.

12 de agosto

 Beato Isidoro Bakanja
Leigo, mártir, Patrono do Laicato Carmelita


 
Nasceu por volta de 1885 no Congo belga (Zaire). Foi batizado ainda adolescente, sendo o primeiro católico da sua região. Nutriu uma especial devoção a Maria através do Rosario e do Escapulário. Zelosamente dedicado à difusão do Cristianismo através da oração e de obras de caridade, recusou tirar o Escapulário, sendo, por isso, flagelado sem piedade. Morreu seis meses mais tarde, no dia 15 de agosto de 1909, rezando pelo seu algoz.  O Papa João Paulo II beatificou esse jovem africano cristão que chamou de: o "Mártir do Escapulário", em 1994.  O seu testemunho fez florescer muitas obras de caridade promovidas pelos leigos carmelitas e devotos do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, em todos os continentes.
 
INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos o Senhor, Rei dos Mártires.
 
LAUDES
Hino
Aqui o Batismo proclama
Sua voz de glória e luz;
Aqui o mistério da Cruz
Vence a espada e vence a chama.
 
Se Cristo é a minha comida,
Deixai-me ser pão e vinho,
No lagar e no moinho
Onde me arrancam a vida.
 
O amor do reino dos céus
Me conduza e me conforte,
Pela vida e pela morte,
Buscando o rosto de Deus.
 
Glória a Deus, Pai de bondade
E a Jesus Cristo Senhor
E ao Espírito de amor,
No tempo e na eternidade.
 
Do comum de um mártir (exceto)
 
Cântico evangélico (Benedictus)
Ant. Exultai e alegrai-vos, todos os Santos, porque é grande no Céu a vossa recompensa.
 
Oração
Deus Pai todo-poderoso, que chamastes o bem-aventurado Isidoro à luz do Evangelho, e dele fizestes uma testemunha de Jesus Cristo, concedei-nos, por seus méritos e intercessão, a graça de amarmos a todos e de intercedermos pelos que nos perseguem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Poder e glória do Espírito,
Felizes todos os Mártires:
A carne sacrificada
Por Deus há de ressurgir.
 
Iguais aos grãos que se enterram
Para serem nosso pão,
Seu corpo se une ao de Cristo,
Oferta das nossas mãos.
 
Seu sangue se junta ao Sangue
De Cristo que nos redime.
É seiva ardente escorrendo
Das mesmas veias rasgadas.
 
Feliz quem dá sem medida,
Até dar a vida à morte.
Em Deus liberto, o seu rosto
No rosto de Deus se espelha.
 
É vã a carne sem alma,
É cinza espalhada ao vento.
Na Cruz, Senhor, sobrevive
A glória dos nossos corpos.
 
Morrendo nos vossos Mártires,
Em todos viveis, Senhor.
Neles a Igreja se exalta
Com a força do Espírito.
 
O grão chegará, na messe,
Ao dia do vosso Dia.
No reino do vosso Amor,
A morte é vida sem fim.
 
Do comum de um mártir (exceto)
 
Cântico evangélico (Magnificat)
Ant. Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, dá muito fruto. Aleluia.
 
Oração
Deus Pai todo-poderoso, que chamastes o bem-aventurado Isidoro à luz do Evangelho, e dele fizestes uma testemunha de Jesus Cristo, concedei-nos, por seus méritos e intercessão, a graça de amarmos a todos e de intercedermos pelos que nos perseguem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.