sábado, 6 de julho de 2024

NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO - 1º DIA

 

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Pai olha com benevolência para aqueles que se revestem com o Escapulário do Carmo. Faz com que, deixando-se amar pela Virgem Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe do Carmelo, sejam conformes à imagem de Jesus Cristo. E depois de terem percorrido, livres de todos os perigos, o caminho da vida, possam entrar na glória da vossa Casa. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
 
JACULATÓRIAS
1. Falou Elias para seu servo:
«Sobe a montanha, olha pro mar!”
Ave Maria...
 
2. Disse o servo a Elias:
“Eis que sobe do mar uma nuvem, pequena como a mão de um homem”
Ave Maria...
 
3. O Céu cobriu-se de nuvens escuras,
Soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.
Ave Maria...
 
ANTÍFONA MARIANA
Flor do Carmelo,
Videira florescente,
Esplendor do Céu,
Virgem fecunda
e singular.
Mãe amável,
Mas sempre Virgem,
Aos carmelitas,
Sede propícia,
Ó Estrela do Mar.
 
HINO
Dizei lábios meus
palavras benditas,
em louvor da Virgem,
Mãe dos carmelitas.
 
Senhora do Carmo,
vinde em meu favor,
o inimigo afastai
com o vosso valor.
 
É por vós Maria
humilde servidora
que nos vem Jesus,
graça redentora.
 
Quem Deus tanto amou,
nós amar devemos.
Quem Deus respeitou,
nós respeitaremos.
 
Ao Monte subindo
do Carmelo os cimos,
nós, filhos e irmãos,
vos cantamos hinos
 
Levai-nos Maria,
pela vossa mão
à Montanha santa:
Cristo, nosso Irmão.
 
No louvor unido,
como em Belém,
o Carmelo exulta:
Glória a Deus! Amém!
 
Senhora do Carmo,
vinde em meu favor,
o inimigo afastai
com o vosso valor.
 
Glória seja ao Pai,
ao Filho e ao Amor também,
Deus que vos criou para o nosso bem.
Agora e sempre e sem fim. Amém.
 
MEDITAÇÃO
Maria é a Virgem que sabe ouvir, que acolhe a palavra de Deus com fé; fé, que foi para ela prelúdio e caminho para a maternidade divina, pois, como intuiu Santo Agostinho, "a bem-aventurada Maria, acreditando, deu à luz Aquele (Jesus) que, acreditando, concebera" (Sermo 215, 4; PL 38,1074); na verdade, recebida do Anjo a resposta à sua dúvida (cf. Lc 1,34-37), "Ela, cheia de fé e concebendo Cristo na sua mente, antes de o conceber no seu seio, disse: "Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38 - ibid.); fé, ainda, que foi para Ela motivo de beatitude e de segurança no cumprimento da promessa: "Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45); fé, enfim, com a qual ela, protagonista e testemunha singular da Encarnação, reconsiderava os acontecimentos da infância de Cristo, confrontando-os entre si, no íntimo do seu coração (cf. Lc 2,19.51). É isto que também a Igreja faz; na sagrada Liturgia, sobretudo, ela escuta com fé, acolhe, proclama e venera a Palavra de Deus, distribui-a aos fiéis como pão de vida (DV 21), à luz da mesma, perscruta os sinais dos tempos, interpreta e vive os acontecimentos da história.
 
ORAÇÃO
Ó Senhora do Carmo, estrela fúlgida, divina aurora, beleza e sol do paraíso, chama e esplendor da santidade de Deus; inflamai nossos corações com o fogo que ardia na Sarça de Moisés e que abrasou o coração do Profeta Elias, patriarca dos Carmelitas.
Ó formosura do Carmelo, fazei-nos formosos aos olhos de Jesus e afortunados habitantes do celeste Carmelo e, pela virtude do santo Escapulário, sinal de vosso amor materno, que nos trouxestes do céu, sejamos livres de todos os males temporais e eternos. Assim seja, amém!
 
LADAINHA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
Senhor, tende piedade de nós...
Jesus Cristo, tende piedade de nós...
Senhor, tende piedade de nós...
 
Jesus Cristo, ouvi-nos...
Jesus Cristo, atendei-nos...
 
Deus Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Santa Maria, rogai por nós.
Alma enamorada de Deus...
Auxílio dos Carmelitas...
Cabeça do Carmelo...
Caminho que leva a Deus...
Caminho seguro na noite escura...
Esperança dos Carmelitas...
Esposa da Viva Chama de Amor...
Estrela do Carmelo...
Fiel esposa de José...
Flor do Carmelo...
Formosura do Carmelo...
Fundadora da Ordem...
Irmã primogênita dos Carmelitas
Legisladora da Ordem...
Mãe da caridade...
Mãe da humildade...
Mãe da Ordem...
Mãe da Pequena Via...
Mãe das Fundações...
Mãe do abandono perfeito...
Mãe e esplendor do Carmelo...
Mãe piedosa dos carmelitas...
Mestra da Ordem...
Mestra da vida interior...
Modelo de oração...
Modelo de vida interior...
Nossa Senhora da Subida do Monte Carmelo...
Nuvem do Carmelo...
Patrona da Ordem...
Perfeita esposa do Cântico Espiritual...
Porta-bandeira do exército do Carmelo...
Princesa da Família de Elias...
Princesa sereníssima dos carmelitas...
Priora do Carmelo...
Rainha do Carmelo...
Rainha do Castelo Interior...
Rainha do silêncio...
Rainha e Mãe dos Carmelitas...
Rainha soberana dos Carmelitas
Senhora das Moradas Eternas...
Senhora do “SIM”...
Senhora do Lugar...
Senhora do Monte Carmelo...
Serva do Senhor...
Sublime filha de Sião...
Testamento divino...
Videira fecunda...
Virgem do Caminho de Perfeição...
Virgem e Mãe puríssima do Carmelo...
Virgem fecunda do Carmelo...
Virgem fiel...
Virgem que sabe ouvir...
 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós!
 
V. Rogai por nós, Rainha e Formosura do Carmelo.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
ORAÇÃO
Ó Deus, que distinguistes a Ordem do Carmelo com o título glorioso da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de vosso Filho, concedei-nos propício que hoje, na sua presença, possamos, munidos de sua ajuda, chegar ao vértice da sagrada montanha que é Jesus Cristo, Vosso Filho, Nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.
 
ORAÇÃO FINAL
Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo.
Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório.
Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado.
Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Domingo XIV do Tempo Comum

1ª Leitura (Ez 2,2-5):
Naqueles dias, o Espírito entrou em mim e fez-me levantar. Ouvi então Alguém que me dizia: «Filho do homem, Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje. É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado que te envio, para lhes dizeres: ‘Eis o que diz o Senhor’. Podem escutar-te ou não – porque são uma casa de rebeldes –, mas saberão que há um profeta no meio deles».
 
Salmo Responsorial: 122
R. Os nossos olhos estão postos no Senhor, até que Se compadeça de nós.
 
Levanto os meus olhos para Vós, para Vós que habitais no Céu, como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu senhor.
 
Como os olhos da serva se fixam nas mãos da sua senhora, assim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós.
 
Piedade, Senhor, tende piedade de nós, porque estamos saturados de desprezo. A nossa alma está saturada do sarcasmo dos arrogantes e do desprezo dos soberbos.
 
2ª Leitura (2Cor 12,7b-10): Irmãos: Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne, – um anjo de Satanás que me esbofeteia – para que não me orgulhe. Por três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder». Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.
 
Aleluia. O Espírito do Senhor está sobre mim: Ele me enviou a anunciar o Evangelho aos pobres. Aleluia.
 
Evangelho (Mc 6,1-6): Naquele tempo Jesus foi para sua própria terra. Seus discípulos o acompanhavam. No sábado, ele começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam se admiravam. «De onde lhe vem isso?», diziam. «Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão? E suas irmãs não estão aqui conosco?». E ele se tornou para eles uma pedra de tropeço. Jesus, então, dizia-lhes: «Um profeta só não é valorizado na sua própria terra, entre os parentes e na própria casa». E não conseguia fazer ali nenhum milagre, a não ser impor as mãos a uns poucos doentes. Ele se admirava da incredulidade deles. E percorria os povoados da região, ensinando.
 
«Ele se admirava da incredulidade deles»
 
P. Joaquim PETIT Limpona, L.C. (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, a liturgia ajuda-nos a descobrir os sentimentos do Coração de Jesus: «Ele admirava-se da incredulidade deles» (Mc 6,6). A falta de fé dos concidadãos do Mestre e a Sua reação certamente deve ter impressionado os discípulos. Parecia muito normal que as coisas tivessem acontecido de outra forma: chegavam à terra onde tinham vivido tantos anos, tinham ouvido contar as obras que realizava, e a consequência lógica era que O acolhessem com carinho e confiança, mais dispostos do que os outros a escutar os seus ensinamentos. No entanto, não foi assim, mas exatamente ao contrário: «E tornou-se para eles pedra de tropeço» (Mc 6,3).
 
A estranheza de Jesus pela atitude da gente da sua terra mostra-nos um coração que confia nos homens, que espera uma resposta e a quem a falta da mesma não deixa indiferente, porque é um coração que se dá, procurando o nosso bem. S. Bernardo expressa-o muito bem, quando escreve: «Veio o Filho de Deus e fez tais maravilhas no mundo que afastou o nosso entendimento de tudo quanto é mundano, para que meditemos e nunca cessemos de ponderar nas suas maravilhas. Deixou-nos horizontes infinitos para ocupar a inteligência, e um rio tão caudaloso de ideias que é impossível atravessá-lo. Existe alguém capaz de compreender por que quis a majestade suprema morrer para nos dar a vida, servir Ele para que nós reinemos, viver desterrado para nos levar à pátria, e rebaixar-se até ao mais vil e ordinário para nos exaltar acima de tudo?»
 
Podemos pensar como teria mudado a vida dos habitantes de Nazaré, se se tivessem aproximado de Jesus com fé. Assim, temos de Lhe pedir dia a dia, como os seus discípulos: «Senhor, aumenta a nossa fé» (Lc 17,5), para que nos abramos mais e mais à sua ação amorosa.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O Filho de Deus veio e fez tais maravilhas no mundo que desarraigou nossa compreensão de tudo o que é mundano, para que meditemos e nunca deixemos de ponderar suas maravilhas» (São Bernardo)
 
«Maria não se escandalizou com o seu Filho: a sua admiração por ele é cheia de fé, cheia de amor e alegria, ao vê-lo tão humano e ao mesmo tempo tão divino» (Bento XVI)
 
«(…) Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 495)
 
Deus nas obras e palavras de um dos nossos?
 
Pe. Jorge Guarda
 
* Através de quem se pode Deus revelar?
Pode ser seu profeta alguém da nossa terra e dos nossos? Que acontece quando pessoas religiosas não reconhecem os sinais de Deus? Estas questões levam-nos a uma experiência vivida por Jesus na sinagoga da sua terra, quando os seus conterrâneos ficam admirados com as suas obras e palavras, mas os seus olhos e coração não o reconhecem como enviado de Deus. Pode acontecer que também nós tenhamos adquirido tal familiaridade com certas tradições e práticas religiosas que os nossos olhos, por falta de fé, não consigam reconhecer a palavra e os sinais de Deus na Igreja, no mundo e na nossa vida. Será que Deus se pode dar a conhecer nas obras e palavras de um nosso familiar, vizinho, colega de trabalho ou membro da nossa comunidade? E na Eucaristia dominical?
 
* A cena passa-se em Nazaré, a terra de Jesus e onde viviam os familiares. A um sábado, ele vai com os discípulos à sinagoga, para escutar a palavra de Deus, bendizê-lo e adorá-lo juntamente com a comunidade judaica local. Já tinham chegado ali notícias dos prodígios que Jesus fizera em toda a Galileia. Ele aceita fazer a leitura da Palavra de Deus e o respetivo comentário ou homilia.
 
* “Desde que se tinha ido embora para começar a pregar nos povoados e aldeias circunvizinhas, Jesus nunca voltara à sua pátria. Voltou. Portanto, toda a cidade terá ido ouvir este filho do povo, cuja fama de mestre sábio e de poderoso curador já se alastrava pela Galileia e além. Mas aquilo que se poderia apresentar como um sucesso, transformou-se numa clamorosa recusa, a ponto que Jesus não pôde realizar ali prodígio algum, mas apenas poucas curas. A dinâmica daquele dia foi reconstruída detalhadamente pelo evangelista Marcos; o povo de Nazaré inicialmente ouve, e fica admirado; depois questiona-se perplexo: «de onde lhe vêm estas coisas», esta sabedoria? E no final escandaliza-se, ao reconhecer n’Ele o carpinteiro, o filho de Maria, que eles viram nascer. Por isso Jesus conclui com a expressão que se tornou proverbial: «um profeta só é desprezado na sua pátria».
 
* Perguntemo-nos: por que passam os concidadãos de Jesus da admiração à incredulidade? Eles fazem um confronto entre a origem humilde de Jesus e as suas capacidades atuais: é um carpinteiro, não estudou, contudo, prega melhor que os escribas e faz milagres. Mas em vez de se abrirem à realidade, escandalizam-se. Segundo os habitantes de Nazaré, Deus é demasiado grande para se abaixar e falar através de um homem tão simples! É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus que se fez carne, que pensa com mente de homem, trabalha e age com mãos de homem, ama com coração de homem, um Deus que trabalha, come e dorme como um de nós. O Filho de Deus inverte qualquer esquema humano: não foram os discípulos que lavaram os pés ao Senhor, mas foi o Senhor que lavou os pés aos discípulos (cf. Jo 13, 1-20). É este o motivo de escândalo e de incredulidade não só naquela época, em todas as épocas, mas também hoje.” (Papa Francisco, Angelus, 8/7/2021)
 
* Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Espantados com o ensinamento de Jesus, os seus conterrâneos interrogam-se como é possível ele saber tanto e falar tão bem das coisas de Deus. Pode acontecer também hoje que os preconceitos impeçam reconhecer a realidade. “Mas o Senhor convida-nos a assumir uma atitude de escuta humilde e de expetativa dócil, porque a graça de Deus se apresenta, com frequência, de maneiras surpreendentes, que não correspondem às nossas expetativas.” (Papa Francisco)
 
* Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Para os habitantes de Nazaré, Jesus é um homem demasiado normal para ser um enviado de Deus, profeta. Ficam escandalizados e incrédulos. “Deus não se conforma com os preconceitos. Devemos esforçar-nos por abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus.” (Papa Francisco)
 
* Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando. Embora recusado como profeta pelos seus irmãos por ser também um simples homem, Jesus não desiste e vai para outro lado continuar a missão. Jesus identifica-se com os débeis e fracos e vai à sua procura para os ensinar e curar com a misericórdia divina. Vem também ao nosso encontro para nos tocar e transformar com o amor de Deus e tornar-nos como ele instrumentos desse amor e da salvação para todos.
 
Meditação
1. Sou capaz de me deixar surpreender e reconhecer os sinais e os mensageiros de Deus? Que preconceitos me cegam a vista e entorpeçam o entendimento da realidade?
2. Acredito que Deus se manifesta através de pessoas frágeis e com defeitos, de gente como nós? Reconheço nos padres, catequistas e outras pessoas verdadeiros mensageiros de Deus e aceito a sua ajuda para crescer na vida cristã?
3. Acredito que, na fragilidade do pão eucarístico, Jesus está presente e se dá verdadeiramente em comunhão? Saio da celebração da Missa com vontade de ser testemunha do amor de Jesus no meio dos outros?
 

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Sábado da Semana XIII do Tempo Comum

Santa Maria Goretti, virgem e mártir
 
1ª Leitura (Am 9,11-15):
Eis o que diz o Senhor: «Naquele dia voltarei a erguer a tenda arruinada de David, repararei as suas brechas, restaurarei as suas ruínas e reconstrui-la-ei como nos tempos de outrora. Assim poderão conquistar o resto de Edom e de todas as nações em que o meu nome foi proclamado, – diz o Senhor, que cumprirá a sua palavra –. Dias virão – diz o Senhor – em que o homem que lavra seguirá de perto o que ceifa e o que pisa as uvas seguirá de perto aquele que planta. O vinho novo jorrará dos montes e escorrerá das colinas. Farei voltar os cativos do meu povo de Israel: eles reconstruirão as cidades devastadas e habitarão nelas, plantarão vinhas e beberão o seu vinho, cultivarão pomares e comerão os seus frutos. Plantá-los-ei na sua terra e não mais serão arrancados da terra que Eu lhes dei» – diz o Senhor, teu Deus –.
 
Salmo Responsorial: 84
R. O Senhor anuncia a paz ao seu povo.
 
Escutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem.
 
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu.
 
O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus frutos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos.
 
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,14-17): Aproximaram-se de Jesus os discípulos de João e perguntaram: «Por que jejuamos, nós e os fariseus, ao passo que os teus discípulos não jejuam?». Jesus lhes respondeu: «Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. Também não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se põe em odres novos, e assim os dois se conservam».
 
«Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão»
 
Rev. D. Joaquim FORTUNY i Vizcarro (Cunit, Tarragona, Espanha)
 
Hoje notamos os novos tempos que se iniciam com Jesus, a sua nova doutrina que é ensinada com autoridade, e, como todas as coisas novas, vemos como elas chocam e questionam a realidade e os valores dominantes na sociedade. Assim, nas páginas que precedem o Evangelho que estamos contemplando, vemos a Jesus perdoando os pecados, o paralítico sendo curado e, ao mesmo tempo, acompanhamos como isso escandaliza os fariseus. Vemos também Jesus, chamado à casa de Mateus, o cobrador de impostos, comendo com eles outros publicanos e pecadores, o que fez os fariseus “subirem pelas paredes”. No Evangelho de hoje são os discípulos de João que se aproximam de Jesus porque não compreendem que Ele e seus discípulos não jejuem.
 
Jesus que nunca deixa a ninguém sem resposta, lhes dirá: «Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão» (Mt 9,15). O jejum era, e é, uma prática penitencial que contribui para «adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2043) e a implorar à misericórdia divina. Mas nesses momentos, a misericórdia e o amor infinito de Deus estavam no meio deles com a presença de Jesus, o Verbo Encarnado. Como podiam jejuar? Só havia uma atitude possível: a alegria, o gozo pela presença de Deus feito homem. Como poderiam jejuar se Jesus havia revelado uma maneira nova de relacionar-se com Deus, um espírito novo que rompia com todas aquelas maneiras antigas de viver?
 
Hoje Jesus está: «Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos» (Mt 28,20) e também não está, porque voltou ao Pai e por isso clamamos: Vem Senhor Jesus!
 
Estamos vivendo tempos de expectativa. Por isso, convém renovar-nos a cada dia, com o espírito novo de Jesus, desprendendo-nos de nossas rotinas, jejuando de tudo aquilo que nos impeça de avançar a uma identificação plena com Cristo, à santidade. «Justo é nosso choro —nosso jejum— se queimamos em desejos de vê-lo» (Santo Agostinho).
 
À Santa Maria, supliquemos que nos outorgue as graças que necessitamos para viver a alegria de nos sabermos filhos amados de Deus.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O jejum é o timoneiro da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo» (São Pedro Crisólogo)
 
«Ao vinho novo, odres novos. E por esta razão, a Igreja pede a todos nós que façamos algumas mudanças, pede-nos que ponhamos de lado as estruturas perecíveis: não servem para nada! E abraçar outras novas, as do Evangelho» (Francisco)
 
«Os leigos realizam a sua missão profética também pela evangelização, isto é, pelo anúncio de Cristo, concretizado no testemunho da vida e na palavra´. Para os leigos, esta ação evangelizadora adquire um carácter específico e uma particular eficácia, por se realizar nas condições ordinárias da vida secular´ (Concilio Vaticano II)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 905)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* Mateus 9,14: A pergunta dos discípulos de João em torno da prática do jejum.
O jejum é um costume muito antigo, praticado por quase todas as religiões. O próprio Jesus o praticou durante quarenta dias (Mt 4,2). Mas ele não insiste com os discípulos para que façam o mesmo. Deixa a eles a liberdade. Por isso, os discípulos de João Batista e dos fariseus, que eram obrigados a jejuar, querem saber porque Jesus não insiste no jejum: "Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus discípulos não fazem jejum?"
 
* Mateus 9,15: A resposta de Jesus. Jesus responde com uma comparação em forma de pergunta: “Vocês acham que os amigos do noivo podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles?” Jesus associa o jejum com luto, e ele se considera o noivo. Enquanto o noivo está com os amigos do noivo, isto é, durante a festa do casamento, estes não precisam jejuar. Durante o tempo em que ele, Jesus, estiver com os discípulos, é festa de casamento. Não precisam nem podem jejuar. Um dia, porém, o noivo vai ser tirado. Será um dia de luto. Aí, se quiserem, poderão jejuar. Jesus alude à sua morte. Sabe e sente que, se ele continuar neste caminho de liberdade, as autoridades vão querer matá-lo.
 
* Mateus 9,16-17: Vinho novo em odre novo! Nestes dois versículos, o evangelho de Mateus traz duas sentenças soltas de Jesus sobre o remendo novo em pano velho e sobre o vinho novo em odre novo. Estas palavras jogam uma luz sobre as discussões e conflitos de Jesus com as autoridades religiosas da época. Não se coloca remendo de pano novo em roupa velha. Na hora de lavar, o remendo novo repuxa o vestido velho e o estraga mais ainda. Ninguém coloca vinho novo em odre velho, porque o vinho novo pela fermentação faz estourar o odre velho. Vinho novo em odre novo! A religião defendida pelas autoridades religiosas era como roupa velha, como odre velho. Tanto os discípulos de João como os fariseus, os dois procuravam renovar a religião. Na realidade, porém, faziam apenas remendos e, por isso, corriam o perigo de comprometer e estragar tanto a novidade deles como os costumes antigos. Não se deve querer combinar o novo que Jesus trouxe com os costumes antigos. Ou um, ou outro! O vinho novo que Jesus trouxe faz estourar o odre velho. Tem que saber separar as coisas. Muito provavelmente, Mateus traz estas palavras de Jesus para orientar as comunidades dos anos 80. Havia um grupo de judeu-cristãos que queriam reduzir a novidade de Jesus ao tamanho do judaísmo de antes da vinda de Jesus. Jesus não é contra o que é “velho”. O que ele não quer é que o velho se imponha ao novo e, assim, o impeça de manifestar-se. Não se pode reler o Vaticano II com mentalidade pré-conciliar, como alguns procuram fazer hoje.
 
Para um confronto pessoal
1. Quais os conflitos em torno de práticas religiosas que, hoje, trazem sofrimento para as pessoas e são motivo de muita discussão e polêmica? Qual a imagem de Deus que está por trás de todos estes preconceitos, normas e proibições?
2. Como entender a frase de Jesus: “Não colocar remendo de pano novo em roupa velha”? Qual a mensagem que você tira de tudo isto para a sua comunidade hoje?

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Sexta-feira da 13ª semana do Tempo Comum

Santo Antônio Maria Zacarias, presbítero
 
1ª Leitura (Am 8,4-6.9-12):
Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». Diz o Senhor Deus: «Eis o que há-de acontecer naquele dia: Eu farei que o sol se ponha ao meio-dia e em pleno dia escurecerei a terra. Mudarei em luto as vossas festas e em lamentações os vossos cânticos. Porei o cilício em todos os flancos e tonsura em todas as cabeças. Imporei luto como por um filho único e o seu fim será como um dia amargo». «Dias virão – diz o Senhor Deus – em que mandarei a fome sobre a terra: não será fome de pão, nem sede de água, mas fome de ouvir a palavra do Senhor. Irão cambaleando de um ao outro mar, irão sem rumo do Norte até ao Oriente, à procura da palavra do Senhor, mas não a poderão encontrar».
 
Salmo Responsorial: 118
R. Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
 
Felizes os que observam as ordens do Senhor e O procuram de todo o coração. De todo o coração Vos procuro, Senhor, não me deixeis afastar dos vossos mandamentos.
 
A minha alma suspira por cumprir sempre a vossa vontade. Escolhi o caminho da verdade e decidi-me pelos vossos juízos.
 
Vede como amo os vossos preceitos: fazei-me viver segundo a vossa justiça. Eu abro a minha boca e aspiro, porque estou ávido dos vossos mandamentos.
 
Aleluia. Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei, diz o Senhor. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,9-13): Ao passar, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: «Segue-me!». Ele se levantou e seguiu-o. Depois, enquanto estava à mesa na casa de Mateus, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se à mesa, junto com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e disseram aos discípulos: «Por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?». Tendo ouvido a pergunta, Jesus disse: «Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Ide, pois, aprender o que significa: ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores».
 
«Segue-me»
 
Rev. D. Pere CAMPANYÀ i Ribó (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho nos fala da vocação do publicano Mateus. Jesus está preparando o pequeno grupo de discípulos que continuarão sua obra de salvação. Ele escolhe a quem quer: serão pescadores, ou de uma humilde profissão. Inclusive, chama a que lhe siga um cobrador de impostos, profissão desprezada pelos judeus —que se consideravam perfeitos observantes da lei—, porque a viam como muito próxima a ter uma vida pecadora, já que cobravam impostos em nome do governador romano, a quem não queriam submeter-se.
 
É suficiente com o convite de Jesus: «Segue-me!» (Mt 9,9). Com uma palavra do Mestre, Mateus deixa sua profissão e muito contente o convida a sua casa para celebrar ali um banquete de agradecimento. Era natural que Mateus tivesse um grupo de bons amigos, do mesmo “ramo profissional”, para que o acompanharam a participar de aquele convite. Segundo os fariseus, todas aquelas pessoas eram pecadores reconhecidos publicamente como tais.
 
Os fariseus não podem calar e comentam com alguns discípulos de Jesus: «Depois, enquanto estava à mesa na casa de Mateus, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se à mesa, junto com Jesus e seus discípulos» (Mt 9,10). A resposta de Jesus é imediata: «Tendo ouvido a pergunta, Jesus disse: “Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes» (Mt 9,12). A comparação é perfeita: «De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores» (Mt 9,13).
 
As palavras deste Evangelho são de atualidade. Jesus continua convidando a segui-lo, cada um segundo seu estado e profissão. E seguir Jesus, com frequência, supõe deixar paixões desordenadas, mau comportamento familiar, perda de tempo, para dedicar momentos à oração, ao banquete eucarístico, à pastoral missioneira. Enfim, que «um cristão não é dono de si mesmo, e sim que está entregue ao serviço de Deus» (Santo Inácio de Antioquia).
 
Com certeza, Jesus me pede uma mudança de vida e, assim, me pergunto: de que grupo formo parte, da pessoa perfeita ou da que se reconhece sinceramente defeituosa? É verdade que posso melhorar?
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Meu doce Senhor, voltai generosamente os vossos olhos misericordiosos para este vosso povo; pois será muito a Vossa glória se tiverdes piedade da imensa multidão das vossas criaturas«» (Santa Catarina de Siena)
 
«Jesus Cristo é a face visível da misericórdia do Pai. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o último e supremo ato pelo qual Deus vem ao nosso encontro» (Francisco)
 
«Jesus praticou atos, como o perdão dos pecados, que O manifestaram como sendo o próprio Deus salvador. Alguns judeus, que, não reconhecendo o Deus feito homem viam n'Ele `um homem que se faz Deus´ (Jo 10,33), julgaram-no como blasfemo» (Catecismo da Igreja Católica, nº 594)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O Sermão da Montanha ocupou os capítulos 5 a 7 do evangelho de Mateus.
A parte narrativa dos capítulos 8 e 9, tem como finalidade mostrar como Jesus praticava o que acabava de ensinar. No Sermão da Montanha, ele ensinou o acolhimento (Mt 5,23-25.38-42.43). Agora, ele mesmo o pratica acolhendo leprosos (Mt 8,1-4), estrangeiros (Mt 8,5-13), mulheres (Mt 8,14-15), doentes (Mt 8,16-17), endemoninhados (Mt 8,28-34), paralíticos (Mt 9,1-8), publicanos (Mt 9,9-13), pessoas impuras (Mt 9,20-22), etc. Jesus rompe com as normas e costumes que excluíam e dividiam as pessoas, isto é, o medo e a falta de fé (Mt 8,23-27) e as leis da pureza (9,14-17), e não faz segredo das exigências para os que querem segui-lo. Eles terão que ter a coragem de largar muita coisa (Mt 8,18-22). Assim, nas atitudes e na prática de Jesus, aparece em que consistem o Reino e a observância perfeita da Lei de Deus.
 
* Mateus 9,9:  O chamado para seguir Jesus. As primeiras pessoas chamadas para seguir Jesus eram quatro pescadores, todos judeus (Mt 4,18-22). Agora, Jesus chama um publicano, considerado pecador e tratado como impuro pelas comunidades mais observantes dos fariseus. Nos outros evangelhos, este publicano se chama Levi. Aqui, o nome dele é Mateus que significa dom de Deus ou dado por Deus. As comunidades, em vez de excluir o publicano como impuro, devem considerá-lo como um Dom de Deus para a comunidade, pois a presença dele faz com que a comunidade se torne sinal de salvação para todos! Como os primeiros quatro chamados, assim o publicano Mateus larga tudo que tem e segue Jesus. O seguimento de Jesus exige ruptura. Mateus largou a coletoria, sua fonte de renda, e foi atrás de Jesus!
 
* Mateus 9,10: Jesus se senta à mesa junto com pecadores e publicanos. Naquele tempo, os judeus viviam separados dos pagãos e dos pecadores e não comiam com eles na mesma mesa. Os judeus cristãos deviam romper este isolamento e criar comunhão de mesa com os pagãos e os impuros. Foi isto que Jesus ensinou no Sermão da Montanha como sendo uma expressão do amor universal de Deus Pai. (Mt 5,44-48). A missão das comunidades era oferecer um lugar aos que não tinham lugar. Mas esta nova lei não era aceita por todos. Em algumas comunidades, as pessoas vindas do paganismo, mesmo sendo cristãs, não eram aceitas na mesma mesa (cf. At 10,28; 11,3; Gal 2,12). O texto do evangelho de hoje mostra como Jesus comia com publicanos e pecadores na mesma casa e na mesma mesa. 
 
* Mateus 9,11: A pergunta dos fariseus. Para os judeus era proibida a comunhão de mesa com publicanos e pagãos, mas Jesus nem liga. Ele até faz uma confraternização com eles. Os fariseus, vendo a atitude de Jesus, perguntam aos discípulos: "Por que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e os pecadores?" Esta pergunta pode ser interpretada como expressão do desejo deles de quererem saber por que Jesus agia assim. Outros interpretam a pergunta como crítica deles ao comportamento de Jesus, pois durante mais de quinhentos anos, desde os tempos do cativeiro na Babilônia até à época de Jesus, os judeus tinham observado as leis da pureza. Esta observância secular tornou-se para eles um forte sinal identidade. Ao mesmo tempo, era fator de sua separação no meio dos outros povos. Assim, por causa das leis da pureza, não podiam nem conseguiam sentar-se na mesma mesa para comer com pagãos. Comer com pagãos significava contaminar-se, tornar-se impuro. Os preceitos da pureza legal eram rigorosamente observados, tanto na Palestina como nas comunidades judaicas da Diáspora. Na época de Jesus, havia mais de quinhentos preceitos para preservar a pureza. Nos anos setenta, época em que Mateus escreve, este conflito era muito atual.
 
* Mateus 9,12-13: Eu quero misericórdia e não sacrifício. Jesus ouviu a pergunta dos fariseus aos discípulos e responde com dois esclarecimentos. O primeiro é tirado do bom senso: "As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes”. O outro é tirado da Bíblia: “Aprendam, pois, o que significa: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício”. Por meio destes dois esclarecimentos Jesus explicita e esclarece a sua missão junto ao povo: “Eu não vim para chamar os justos, e sim os pecadores".  Jesus nega a crítica dos fariseus, nem aceita os argumentos deles, pois nasciam de uma ideia falsa da Lei de Deus. Ele mesmo invoca a Bíblia: "Eu quero misericórdia e não sacrifício!" Para Jesus a misericórdia é mais importante que a pureza legal. Ele apela para a tradição profética para dizer que a misericórdia vale mais para Deus do que os todos sacrifícios (Os 6,6; Is 1,10-17). Deus tem entranhas de misericórdia, que se comovem diante das faltas do seu povo (Os 11,8-9).
 
Para um confronto pessoal
1. Hoje, na nossa sociedade, quem é o marginalizado e o excluído? Por que? Na nossa comunidade temos preconceitos? Quais? Qual o desafio que as palavras de Jesus colocam para a nossa comunidade hoje?
2. Jesus manda o povo ler e entender o Antigo Testamento que diz: "Quero misericórdia e não sacrifício". O que Jesus quer com isto para nós hoje?

terça-feira, 2 de julho de 2024

Quinta-feira da 13ª semana do Tempo Comum

Santa Isabel, rainha de Portugal, viúva
Beata Mª Crucificada Cúrcio, virgem de nossa Ordem
D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo
 
1ª Leitura (Am 7,10-17):
Naqueles dias, Amasias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: «Amós conspira contra ti no meio da casa de Israel. O país já não pode suportar os suas palavras. Porque Amós anda a dizer: ‘Jeroboão morrerá à espada e Israel será deportado para longe da sua terra’». Depois, Amasias disse a Amós: «Vai-te embora daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho, foi o Senhor que me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’. E agora escuta a palavra do Senhor: Tu dizes: ‘Não profetizes contra Israel, nem faças vaticínios contra a casa de Isaac’. Por isso, assim fala o Senhor: ‘A tua mulher será desonrada na cidade, os teus filhos e filhas cairão mortos à espada, as tuas terras serão repartidas a cordel. Tu próprio morrerás em terra impura. E Israel será levado para o exílio, para longe da sua terra’».
 
Salmo Responsorial: 18
R. Os juízos do Senhor são verdadeiros e retos.
 
A lei do Senhor é perfeita, ela reconforta a alma. As ordens do Senhor são firmes e dão sabedoria aos simples.
 
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração. Os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos.
 
O temor do Senhor é puro e permanece eternamente. Os juízos do Senhor são verdadeiros, todos eles são retos.
 
São mais preciosos que o ouro, o ouro mais fino; são mais doces que o mel, o puro mel dos favos.
 
Aleluia. Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo e confiou-nos a palavra da reconciliação. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 9,1-8): Naquele tempo, entrando num barco, Jesus passou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. Apresentaram-lhe, então, um paralítico, deitado numa maca. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: «Coragem, filho, teus pecados estão perdoados!». Então alguns escribas pensaram: «Esse homem está blasfemando». Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? Que é mais fácil, dizer? Os teus pecados são perdoados?, ou: Levanta-te e anda? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, disse então ao paralítico: 'Levanta-te, pega a tua maca e vai para casa'». O paralítico levantou-se e foi para casa. Vendo isso, a multidão ficou cheia de temor e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos seres humanos.
 
«Levanta-te, pega a tua maca e vai para casa»
 
Rev. D. Francesc NICOLAU i Pous (Barcelona, Espanha)
 
Hoje encontramos uma das muitas manifestações evangélicas da bondade misericordiosa do Senhor. Todas elas nos mostram aspectos ricos em detalhes. A compaixão misericordiosamente exercida de Jesus vai desde a ressurreição de um morto ou a cura da lepra até perdoar uma mulher pecadora, passando por muitas outras curas de enfermidades e o perdão dos pecadores arrependidos. Perdão esse, expresso em parábolas como a da ovelha desgarrada, da moeda perdida e a do filho pródigo.
 
O Evangelho de hoje nos dá uma mostra da misericórdia do Salvador em dois aspectos de uma só vez: diante da enfermidade do corpo e da enfermidade da alma. E, considerando que a alma é mais importante, Jesus começa por ela. Sabe que o doente está arrependido de seus pecados, vê a sua fé, e a fé daqueles que o conduzem e diz: «Coragem, filho, teus pecados estão perdoados!» (Mt 9,2).
 
Por que começa por aí se ninguém Lhe pediu isso? Está claro que Ele lê seus pensamentos e sabe que é precisamente isto o que mais agradecerá aquele paralitico, que provavelmente, ao se ver diante da Santidade de Jesus Cristo, se sentiria confuso e envergonhado de seus próprios pecados, e com certo temor deles serem um impedimento para receber a graça da cura de sua saúde. O Senhor quer tranquilizá-lo. Não se importa com os maus pensamentos do coração dos escribas, ao contrário, quer mostrar que veio para exercer a misericórdia com os pecadores e agora a quer proclamar.
 
É que aqueles que estão cegos pelo orgulho, se acham justos e por isto não aceitam a chamada de Jesus; ao contrário, O acolhem todos aqueles que sinceramente se sentem pecadores. Ante estes, Deus se inclina perdoando-os. Como diz Santo Agostinho, «é uma grande miséria o homem orgulhoso, mas é muito maior a misericórdia de Deus humilde». E, neste caso a misericórdia divina vai mais longe: como complemento do perdão, devolve a saúde: «Levanta-te, pega a tua maca e vai para casa» (Mt 9,6). Jesus quer que a felicidade do pecador convertido seja completa.
 
Nossa confiança nele se há de afirmar. Mas, nos sintamos pecadores, a fim de não nos fecharmos para a graça.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O homem orgulhoso é uma grande miséria, mas maior é a misericórdia de Deus humilde» (Santo Agostinho)
 
«O paralítico não poderia ter-se encontrado com Ele se não houvesse outros que o levaram na maca. É sempre bonito poder contar com pessoas que nos aproximam de Jesus com o exemplo das suas boas obras. A santidade pessoal ajuda a outros a serem santos» (Bento XVI)
 
«‘Deus, que nos criou sem nós, não quis salvar-nos sem nós’ (Santo Agostinho). O acolhimento da sua misericórdia exige de nós a confissão das nossas faltas (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1847)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* A solidariedade dos amigos consegue o perdão dos pecados para o paralítico.
Jesus está de volta em Cafarnaum. Juntou muita gente na porta da casa. Chega um paralítico carregado por familiares e amigos. Jesus é a única esperança deles. Jesus, vendo a fé deles, diz ao paralítico: "Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados."  Naquele tempo, o povo achava que defeitos físicos (paralítico) fossem castigo de Deus por algum pecado. Os doutores ensinavam que tal pessoa ficava impura e tornava-se incapaz de aproximar-se de Deus. Por isso, os doentes, os pobres, os paralíticos, sentiam-se rejeitados por Deus! Mas Jesus não pensava assim. Aquela fé tão grande era um sinal evidente de que o paralítico estava sendo acolhido por Deus. Por isso, ele declarou: Teus pecados estão perdoados! Ou seja: “Você não está afastado de Deus!” Com esta afirmação Jesus negou que a paralisia fosse um castigo pelo pecado do homem.
 
* Jesus é acusado de blasfêmia pelos donos do poder. A afirmação de Jesus era contrária ao catecismo da época. Não combinava com a ideia que eles tinham de Deus. Por isso, reagem e acusam Jesus: Ele blasfema! Para eles, só Deus podia perdoar os pecados. E só o sacerdote podia declarar alguém perdoado e purificado. Como é que Jesus, homem sem estudo, leigo, simples carpinteiro, podia declarar as pessoas perdoadas e purificadas dos pecados?
 
* Curando, Jesus prova que ele tem poder de perdoar os pecados.
  Jesus percebeu a crítica. Por isso, pergunta: O que é mais fácil dizer: ‘Teus pecados estão perdoados!’ ou: ‘Levanta-te e anda!’? É muito mais fácil dizer: “Teus pecados estão perdoados”. Pois ninguém pode verificar se de fato o pecado foi ou não foi perdoado. Mas se digo: “Levanta-te e anda!”, aí todos podem verificar se tenho ou não esse poder de curar. Por isso, para mostrar que tinha o poder de perdoar os pecados em nome de Deus, Jesus disse ao paralítico: Levanta-te, toma teu leito e vá para casa! Curou o homem! Assim através de um milagre provou que a paralisia do homem não era um castigo de Deus, e mostrou que a fé dos pobres é uma prova de que Deus os acolhe no seu amor.
 
*  A mensagem do milagre e a reação do povo.  O paralítico se levanta, pega seu leito, começa a andar, e todos dizem: Nunca vimos coisa igual!  (Mc 2,12) Este milagre revelou três coisas muito importantes: 1) As doenças das pessoas não são castigo pelos pecados. 2) Jesus abre um novo caminho para chegar até Deus. Aquilo que o sistema chamava de impureza já não era empecilho para as pessoas se aproximarem de Deus. 3) O rosto de Deus revelado através da atitude de Jesus era diferente do rosto severo do Deus revelado pela atitude dos doutores.
 
Para um confronto pessoal
1) Qual o rosto de Deus que transparece para os outros através do meu comportamento?

4 de julho

 4 de julho
Beata Maria Crocifissa Curcio
Virgem de nossa Ordem
 

Rosa Curcio nasceu em Ispica no dia 30 de janeiro de 1877.  Em 1890 obteve permissão para inscrever-se na Ordem Terceira do Carmo, tomando o nome e Irmã Maria Crocifissa.  Por meio da leitura da vida de Santa Teresa de Jesus e iluminada com a ocasião da canonização de Santa Teresa do Menino Jesus em 17 de maio de 1925 em Roma, compreendeu os desígnios de Deus que a chamavam a fazer florescer o Carmelo em sua cidade e em muitos outros lugares.  Em união com seu diretor espiritual fundou uma nova Congregação religiosa filiada à Ordem do Carmo, realizando assim seu desejo de ser carmelita e missionária.  Sua congregação religiosa se difundiu na Itália e fora dela.  Morreu em Santa Marinella no dia 4 de julho de 1957.
 
Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Ó Deus, que na Beata Maria Crocifissa destes à vossa Igreja um modelo de contemplação e de ação, nós vos rogamos, nos concedais por seu exemplo e intercessão, que pela contemplação de vossa Face e no serviço aos irmãos, colaboremos na restauração de vossa imagem no coração dos homens.  Por nosso Senhor Jesus Cristo...

segunda-feira, 1 de julho de 2024

3 de julho: São Tomé Apóstolo

1ª Leitura (Ef 2,19-22):
Irmãos: Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular. Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor; e em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.
 
Salmo Responsorial: 116
R. Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho.
 
Louvai o Senhor, todas as nações, aclamai-O, todos os povos.
 
É firme a sua misericórdia para conosco, a fidelidade do Senhor permanece para sempre.
 
Aleluia. Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto. Aleluia.
 
Evangelho (Jo 20,24-29): Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe: «Nós vimos o Senhor!». Mas Tomé disse: «Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!». Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!». Jesus lhe disse: «Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!».
 
«Meu Senhor e meu Deus»
 
Rev. D. Joan SERRA i Fontanet (Barcelona, Espanha)

Hoje, a Igreja celebra a festa de Santo Tomé. O evangelista João, depois de descrever a aparição de Jesus, no próprio Domingo da Ressurreição, diz que o apóstolo Tomé não estava ali, e quando os Apóstolos —que tinham visto o Senhor— disso davam testemunho, Tomé respondeu: «Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei» (Jo 20,25).
 
Jesus é bom e vai ao encontro de Tomé. Passados oito dias, Jesus aparece novamente e diz a Tomé: «Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!» (Jo 20,27).
 
— Oh, Jesus, como és bom! Se vês que alguma vez me afasto de Ti, vem ao meu encontro, como foste ao encontro de Tomé.
 
Estas palavras foram a reação de Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20,28). Que bonitas são estas palavras de Tomé! Chama-lhe “Senhor” e “Deus”. Faz um ato de fé na divindade de Jesus. Ao vê-lo ressuscitado, já não vê somente o homem Jesus, que estava com os Apóstolos e comia com eles, mas o seu Senhor e seu Deus.
 
Jesus repreende-o e diz-lhe que não seja incrédulo, mas crente e acrescenta: «Bem-aventurados os que não viram, e creram!» (Jo 20,28). Nós não vimos Cristo crucificado, nem Cristo ressuscitado, nem nos apareceu, mas somos felizes porque acreditamos neste Jesus Cristo que morreu e ressuscitou por nós.
 
Então, rezemos: «Meu Senhor e meu Deus, afasta de mim tudo o que me afasta de Ti; meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de Ti; meu Senhor e meu Deus, tira-me de mim próprio para me dar inteiramente a Ti» (S. Nicolau de Flüe).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado» (Santo Agostinho)
 
«O caso do Apóstolo Tomé é importante para nós pelo menos por três motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de adesão a Ele» (Bento XVI)
 
«A hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a ação da graça divina da experiência direta da realidade de Jesus Ressuscitado» (Catecismo da Igreja Católica, n° 644)
 
Reflexão
 
*
Hoje, na festa de São Tomé, o evangelho coloca diante de nós o encontro de Jesus ressuscitado com o apóstolo Tomé que queria ver para poder crer. Foi por isso que muitos o chamam de incrédulo Tomé. Na realidade, a mensagem deste evangelho é bem diferente. É muito mais profunda e atual.
 
* João 20,24-25: A dúvida de Tomé. Tomé, um dos doze, não estava presente quando Jesus apareceu aos discípulos na semana anterior. Tomé não crê no testemunho dos outros que diziam: “Nós vimos o Senhor”. Ele coloca condições: "Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei". Tomé é exigente. Quer ver para crer! Ele não quer um milagre para poder crer. Não! Ele quer ver os sinais nas mãos, nos pés e no lado. Ele não crê num Jesus glorioso, desligado do Jesus humano que sofreu na cruz. No tempo em que João escreve, fim do primeiro século, havia pessoas que não aceitavam a vinda do Filho de Deus na carne (2Jo 7; 1Jo 4,2-3). Eram os gnósticos que desprezavam a matéria e o corpo. É para criticar os gnósticos que o evangelho de João traz a preocupação de Tome em “ver para crer”. A dúvida de Tomé também deixa transparecer como era difícil crer na ressurreição!
 
* João 20,26-27: Não seja incrédulo, mas tenha fé. O texto diz “seis dias depois”. Isto significa que Tomé foi capaz de sustentar sua opinião durante uma semana inteira contra o testemunho dos outros apóstolos. Cabeçudo mesmo! Graças a Deus, para nós! Assim, uma semana depois, durante a reunião da comunidade, eles têm novamente uma experiência profunda da presença de Jesus ressuscitado no meio deles. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: "A Paz esteja com vocês!" O que chama a atenção é a bondade de Jesus. Ele não critica nem xinga a incredulidade de Tomé, mas aceita o desafio e diz: "Tomé, vem cá colocar seu dedo nas feridas!". Jesus confirma a convicção de Tomé e das comunidades, a saber: o ressuscitado glorioso é o crucificado torturado! O Jesus que está na comunidade, não é um Jesus glorioso que não teria mais nada em comum com a nossa vida de gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu nesta terra e ele traz no corpo as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater, que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós. É neste Cristo que Tomé acredita, e nós também!
 
*  João 20,28-29: Felizes os que não viram e creram. Com ele digamos: "Meu Senhor e meu Deus!"  Esta entrega de Tomé é a atitude ideal da fé. E Jesus completa com a mensagem final: "Você acreditou porque viu! Felizes os que não viram e no entanto creram!" Com esta frase, Jesus declara felizes a todos nós que estamos nesta mesma condição: sem termos visto acreditamos que o Jesus que está no nosso meio, é o mesmo que morreu crucificado!
 
* O envio: "Como o Pai me enviou, eu envio vocês!" É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai (Jo 20,21). Aqui, na segunda aparição, Jesus repete: "A paz esteja com vocês!" Esta repetição acentua a importância da Paz. Construir a paz faz parte da missão. Paz, significa muito mais do que só ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, convivendo felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Jesus soprou e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). É só mesmo com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos deu. Em seguida, Jesus comunicou o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos!". O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam. Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19). Aqui se percebe que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é comunidade cristã. Numa palavra, nossa missão é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
 
Para um confronto pessoal
1) Na sociedade de hoje, as divergências e tensões de raça, classe, religião, gênero e cultura são enormes e crescem cada dia. Como realizar hoje a missão da reconciliação?
2) Na sua família e na sua comunidade existe alguma semente de mostarda que aponta para uma sociedade reconciliada?