sexta-feira, 30 de maio de 2014

MÊS DE MARIA - 31 de Maio: A Visitação da Virgem

LEITURA
Evangelho (Lc 1,39-56): Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!». Maria então disse: «A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre». Maria ficou três meses com Isabel. Depois, voltou para sua casa.

Comentário: Mons. F. Xavier CIURANETA i Aymí Bispo Emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

O menino pulou de alegria no meu ventre

Hoje contemplamos o fato da Visitação da Virgem Maria a sua prima Isabel. Tão rapidamente como lhe foi comunicado que tinha sido escolhida por Deus Pai para ser Mãe do Filho de Deus e que sua prima Isabel tinha recebido também o dom da maternidade, caminha decididamente até a montanha para cumprimentar sua prima, para compartilhar com ela o gozo de terem sido agraciadas com o dom da maternidade e para servi-la.

A saudação da Mãe de Deus provoca que o menino, que Isabel leva no seu ventre, pule de entusiasmo dentro das entranhas de sua mãe. A Mãe de Deus, que leva Jesus no seu ventre é causa de alegria. A maternidade é um dom que gera alegria. As famílias alegram-se quando há um anúncio de uma nova vida. O nascimento de Cristo produz certamente «uma grande alegria» (Lc 2,10).

Apesar de tudo, hoje em dia, a maternidade não é devidamente valorizada. Frequentemente colocam-se em primeiro lugar outros interesses superficiais, que são manifestação de comodidade e de egoísmo. As possíveis renúncias que comporta o amor paternal e maternal, assustam a muitos matrimônios que, talvez pelos meios que receberam de Deus, devessem ser mais generosos e dizer “sim” mais responsavelmente a novas vidas. Muitas famílias deixam de ser “santuários da vida”. O Papa João Paulo II constata que a contracepção e o aborto “têm as suas raízes numa mentalidade hedonista e irresponsável a respeito da sexualidade e pressupõem uma concepção egoísta da liberdade, que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade».

Isabel, durante cinco meses, não saía de casa, e pensava: «Isto é o que o Senhor fez por mim» (Lc 1,25). E Maria dizia: «A minha alma glorifica o Senhor (…) porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1,46.48). A Virgem Maria e Isabel valorizam e agradecem a obra de Deus nelas: a maternidade! É necessário que os católicos reencontrem o significado da vida como um dom sagrado de Deus aos seres humanos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Lucas acentua a prontidão de Maria em servir, em ser serva. O anjo falou da gravidez de Isabel e, imediatamente, Maria se levanta apressadamente para ir ajudá-la. De Nazaré até à casa de Isabel são bem mais de 100 quilômetros, quatro dias de viagem, no mínimo! Não havia ônibus nem trem. Maria começa a servir e cumprir sua missão a favor do povo de Deus.

* Isabel representa o Antigo Testamento que estava terminando. Maria representa o Novo que está começando. O Antigo Testamento acolhe o Novo com gratidão e confiança, reconhecendo nele o dom gratuito de Deus que vem realizar e completar a expectativa do povo. No encontro das duas mulheres manifesta-se o dom do Espírito. A criança estremece de alegria no seio de Isabel. Esta é a leitura de fé que Isabel faz das coisas da vida.

* A Boa Nova de Deus revela a sua presença numa das coisas mais comuns da vida humana: duas donas de casa se visitando para se ajudar mutuamente. Visita, alegria, gravidez, criança, ajuda mútua, casa, família: é nisto que Lucas quer que as comunidades e nós todos percebamos e descubramos a presença de Deus.

* Isabel diz a Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Até hoje, estas palavras fazem parte do salmo mais conhecido e mais rezado no mundo inteiro, que é a Ave Maria.

* "Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor vai acontecer". É o elogio de Isabel a Maria e o recado de Lucas para as comunidades: crer na Palavra de Deus, pois a Palavra de Deus tem força para realizar tudo aquilo que ela nos diz. É Palavra criadora. Gera vida nova no seio da virgem, no seio do povo pobre que a acolhe com fé.

* Maria e Isabel já eram conhecidas uma da outra. E no entanto, neste encontro, elas descobrem, uma na outra, um mistério que ainda não conheciam e que as encheu de muita alegria. Hoje também encontramos pessoas que nos surpreendem com a sabedoria que possuem e com o testemunho de fé que elas nos dão. Algo parecido já aconteceu com você? Já encontrou pessoas que te surpreenderam? O que nos impede de descobrir e de viver a alegria da presença de Deus em nossa vida?

* A atitude de Maria frente à Palavra expressa o ideal que Lucas quer comunicar às Comunidades: não fechar-se sobre si mesma, mas sair de si, sair de casa, e estar atenta às necessidades bem concretas das pessoas e procurar ajudar os outros na medida das necessidades.

* O cântico de Maria era um dos cântico das comunidades dos primeiros cristãos. Ele revela o nível de consciência e a firmeza da fé que as animava por dentro. Cantado nas Comunidades, este cântico de Maria ensina como rezar e cantar.
* Lucas 1,46-50: Maria começa proclamando a mudança que aconteceu em sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: "Exulto de alegria em Deus, meu Salvador".

* Lucas 1,51-53: Em seguida ela canta a fidelidade de Deus para com seu povo e proclama a mudança que o braço do Senhor estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão "braço de Deus" lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora e libertadora de Javé que faz acontecer as mudanças: ela dispersa os orgulhosos (Lc 1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (Lc 1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (Lc 1,53).

* Lucas 1,54-55: No fim, Maria lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão da sua fidelidade às promessas feitas à Abraão. A Boa Nova veio, não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às suas promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos.

Para um confronto pessoal
1) Colocando-me na posição de Maria e Isabel: sou capaz de perceber e experimentar a presença de Deus nas coisas simples e comuns da vida de cada dia?
2) O elogio de Isabel para Maria: “Você acreditou!” O marido dela teve problema em crer no que o anjo lhe dizia. E eu?

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Novena em honra do Espírito Santo – Composta pela Beata Elena Guerra

1º dia

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra!

Oremos: Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de Suas consolações, por Cristo Senhor Nosso, Amém!

HINO AO ESPÍRITO SANTO

Ó vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai,
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.

 Vós sois chamado o Intercessor,
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois o doador dos sete dons,
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer.
Que procedeis do seu amor,
fazei-nos sempre firmes crer.

ORAÇÃO ANTES DA MEDITAÇÃO
Ó Divino Espírito, que pela Igreja sois chamado Criador, não somente porque és em relação a nós, criaturas; mas também, porque movendo nas nossas almas, santos pensamentos e afetos, criais em nós aquela santidade que é obra Vossa! Venha também sobre nós a Vossa benéfica virtude, e enquanto nós Vos honrarmos com este devoto exercício, digne-se a visitar com a Tua Divina Luz a nossa mente, e com Tua Suprema Graça o nosso coração, para que as nossas orações subam agradáveis a Vós, e do Céu, desça sobre nós a abundância de Vossas divinas misericórdias. Amém!

MEDITAÇÕES
Essa belíssima e nobre criatura que é a alma humana, criada pela paterna Mão de Deus, foi pelo Eterno Amor enriquecida das mais eleitas virtudes; e nela produz seus frutos, graças a ação vivificante do mesmo Amor que é o Espírito Santo.

As ações deste Divino Espírito nas almas são admiráveis, e quanto mais as contemplamos, tanto mais nos enchemos de maravilha e de consolação. Inacessível por sua natureza, o Espírito Santo se torna acessível por sua infinita bondade, sobretudo para as almas que O desejam, e a elas se comunica de modo inexplicável. Ele as enche de Si, e as faz sentir Sua presença com luzes, inspirações, confortos graças de todas as maneiras. E por mais que seja simples na sua essência, é variado e múltiplo nos seus efeitos. E na obra da santificação das almas, pode-se afirmar, que o Espírito Santo é tudo em todos.

Este dogma da inefável operação do Espírito Santo na alma do cristão, mostra claramente uma verdade que eleva a uma dignidade incompreensível: Eis uma expressão desta verdade. “Um Deus se ocupa de mim. Um Deus se preocupa em me fazer o bem. O desejo pela minha perfeição é a sua predileta ocupação! Ele trabalha em mim, pensa sempre em mim, não cessa de trabalhar por mim!”. E por que tudo isso? Porque me ama e me ama infinitamente! Por quê? Porque eu sou uma feliz criatura dos eternos e amorosos cuidados de Deus!

Se esta verdade fosse por ti bem considerada e bem entendida, que mais te importaria, ó alma cristã, das coisas da terra? Você, tão amada por Deus, como poderia não aproveitar seus afetos, desperdiçando-os pelos bens desta terra? Ah, se conhecesses a ti mesma e Àquele que opera em ti, estarias morta para o mundo e o mundo estaria morto para ti, e viverias desde agora toda em Deus!

ORAÇÃO
Ó Espírito Santo, Eterno Amor, esta pobre alma não encontra palavras para exprimir a doce maravilha e o reconhecimento que experimenta pensando em Vós, ó Altíssimo Deus, que Vos dignastes Vos ocupar desta mesquinha criatura e de fazer-lhe continuamente o bem. Agradeço-Vos de coração; mas ao mesmo tempo, sinto necessidade de pedir-Vos perdão por ter apreciado tão pouco e correspondido tão mal até agora ao Vosso amoroso operar na minha alma. Vós que me encheis de favores e favores tão grandes que não consigo nem mesmo compreendê-los, acrescentai-me um outro favor: aquele de fazer-me apreciar, ó Divino Espírito, os benefícios do Vosso Amor, e de ajudar-me a corresponder-Vos fielmente.
Abri ó Espírito Santo, com aquela luz da qual sois origem e fonte, os olhos da minha mente, e fazendo-me melhor conhecer os efeitos do infinito amor que me trazeis, movei ó Espírito Santo, o meu coração à verdadeira e constante correspondência.

ORAÇÃO FINAL
Ó prometido e suspirado Consolador, Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, que escutando a unânime oração dos discípulos do Salvador, fraternalmente reunidos no Cenáculo, descestes para consolar e santificar a Igreja nascente; Sede propício às nossas súplicas, reacendei o Vosso Divino Fogo nos corações dos homens. Fazei resplandecer a Vossa luz até os confins da Terra; chamai novamente ao seio da Mãe Igreja Romana todas as Igrejas separadas.
Ó Espírito Santo, que sois o Amor, piedade de tanta mediocridade e de tantas almas que se perdem! Fazei com que rapidamente aconteça aquilo que Davi profetizava dizendo: “Mandai o Teu Espírito”. Fazei-nos novas criaturas, e assim renovareis a face da Terra. A partir desta consoladora profecia, unidos em oração, como nos ensina a Igreja, com plena confiança repitamos: Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra!
PAI NOSSO.... AVE MARIA.... GLÓRIA AO PAI....

LADAINHA DO ESPÍRITO SANTO
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.
Deus Pai dos Céus,
Deus Filho, Redentor do mundo 
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, 
Espírito da Verdade, tende piedade de nós.
Espírito da Sabedoria,
Espírito da Inteligência,
Espírito da Fortaleza,
Espírito da Piedade,
Espírito do Bom Conselho, 
Espírito da Ciência,
Espírito do Santo Temor,
Espírito da Caridade,
Espírito da Alegria, 
Espírito da Paz,
Espírito das Virtudes,
Espírito de toda Graça, 
Espírito da adoção dos filhos de Deus,
Purificador das nossas almas,
Santificador e guia da Igreja católica,
Distribuidor dos bens celestes,
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração,
Doçura dos que começam a vos servir,
Coroa dos perfeitos,
Alegria dos anjos, 
Luz dos patriarcas,
Inspiração dos profetas, 
Palavra e sabedoria dos apóstolos,
Vitória dos mártires,
Ciência dos confessores,
Pureza das virgens,
Unção de todos os santos,
 
Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.
De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, 
De toda a presunção e desesperação, 
Do ataque à verdade conhecida,
Da inveja da graça fraterna, 
De toda a obstinação e impenitência, 
De toda a negligência e tepidez do espírito, 
De toda a impureza da mente e do corpo, 
De todas as heresias e erros, 
De todo o mau espírito, 
Da morte má e eterna,
Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, 
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus,
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado,
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor,
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor,
No dia do juízo,  

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis santificar todos os membros da Igreja,
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração,
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade,
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro,
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade do coração,
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça,
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça,
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos,
Para que vos digneis ouvir-nos,
Espírito de Deus,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.
Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é reto, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna! Amém!

MÊS DE MARIA - Sexta-feira da VI Semana da Páscoa

LEITURA
Evangelho (Jo 16,20-23a): «Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará».

Comentário: Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)

Mas a vossa tristeza se transformará em alegria

Hoje nós começamos a Novena do Espírito Santo. Revivendo o Cenáculo, vemos a Mãe de Jesus, Mãe do Bom Conselho, conversando com os Apóstolos. Que diálogo tão cordial e tão pleno! A recordação de todas as alegrias que tiveram ao lado do Mestre, os dias pascoais, a Ascensão e as promessas de Jesus. Os sofrimentos dos dias da Paixão se converteram em alegrias. Que belíssimo ambiente no Cenáculo! E quanta beleza está sendo preparada, como Jesus lhes prometeu.

Nós sabemos que Maria, Rainha dos Apóstolos, Esposa do Espírito Santo, Mãe da Igreja nascente, nos guia para receber os dons e os frutos do Espírito Santo. Os dons são como a vela desdobrada de uma embarcação e o vento — que representa a graça — está a seu favor: que rapidez e facilidade no caminho!

O Senhor nos promete também, em nossa rota, converter as fadigas em alegria: «ninguém poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). E no Salmo 126,6: «Quando vai, vai chorando, levando a semente para plantar; mas quando volta, volta alegre, trazendo seus feixes».

Durante toda esta semana, a liturgia nos fala de rejuvenescer, de exultar (pular de alegria), da felicidade segura e eterna. Tudo nos leva a viver de oração. Como nos diz São Josemaria: «Quero que estejas sempre contente, porque a alegria é parte integrante de teu caminho. Pede essa mesma alegria sobrenatural para todos».

O ser humano necessita sorrir para ter boa saúde física e espiritual. O humor sadio ensina a viver. São Paulo nos dirá: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). Eis aqui uma boa jaculatória: «Tudo é para o bem!»; «Omnia in bonum!»

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Nestes dias entre Ascensão e Pentecostes, os evangelhos de cada dia são tirados dos capítulos 16 a 21 do evangelho de São João, onde fazem parte do assim chamado “Livro da Consolação ou da Revelação perante a Comunidade” (Jo 13,1 a 21,31). Este Livro tem a seguinte subdivisão: despedida dos amigos (Jo 13,1 a 14,31); testamento de Jesus e oração ao Pai (Jo 15,1 a 17,28); a obra consumada (Jo 18,1 a 20,31). O ambiente é de tristeza e de expectativa. Tristeza, porque Jesus se despede e a saudade toma conta do coração. Expectativa, porque está chegando a hora de receber o dom prometido do consolador que fará desaparecer a tristeza e trará de volta a alegria da presença amiga de Jesus no meio da comunidade.

* João 16,20: A tristeza se transformará em Alegria
Jesus diz: “Eu lhes garanto: vocês vão gemer e se lamentar, enquanto o mundo vai se alegrar. Vocês ficarão angustiados, mas a angústia de vocês se transformará em alegria”. A frequente alusão à tristeza e ao sofrimento reflete o ambiente das comunidades do fim do primeiro século na Ásia Menor (atual Turquia), para as quais João escreve o seu evangelho. Elas viviam uma situação difícil de perseguição e de opressão que era causa de tristeza. Os apóstolos tinham ensinado que Jesus voltaria logo, mas a Parusia, o retorno glorioso de Jesus, estava demorando e a perseguição aumentava. Muitos ficavam impacientes: “Até quando?” (cf. 2Tes 2,1-5; 2Pd 3,8-9). Pois, uma pessoa só aguenta uma situação de sofrimento e de perseguição quando ela sabe que o sofrimento é caminho e condição para a perfeita alegria. Então, mesmo tendo a morte diante dos olhos, ela aguenta e enfrenta a dor. Por isso o evangelho traz a comparação tão bonita das dores do parto.

* João 16,21: A comparação das dores do parto
Todos entendem esta comparação, sobretudo as mães: “Quando a mulher está para dar à luz, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ela nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um ser humano no mundo”. A dor e a tristeza causadas pela perseguição, mesmo sem oferecerem nenhum horizonte de melhora, não são estertores de morte, mas sim dores de parto. As mães sabem disto por experiência. A dor é terrível, mas elas aguentam, porque sabem que a dor é fonte de vida nova. Assim é a dor da perseguição dos cristãos, e assim pode e deve ser vivida qualquer dor, contanto que seja à luz da experiência da morte e ressurreição de Jesus.

* João 16,22-23a: A alegria eterna
Jesus aplica a comparação: Agora, vocês também estão angustiados. Mas, quando vocês tornarem a me ver, vocês ficarão alegres, e essa alegria ninguém tirará de vocês. Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Esta é a certeza que anima as comunidades cansadas e perseguidas da Ásia Menor e as faz cantar de alegria no meio das dores. Como diz o poeta: “Faz escuto, mas eu canto!” Ou como diz o místico São João da Cruz: “Em uma noite escura, com ânsias e amores inflamado, ó ditosa ventura, saí sem ser notado, estando já minha casa sossegada!” A expressão Nesse Dia indica a chegada definitiva do Reino que traz consigo a sua própria claridade. À luz de Deus já não haverá mais necessidade de perguntar coisa alguma. A luz de Deus é a resposta total e plena a todas as perguntas que poderiam nascer de dentro do coração humano.

Para confronto pessoal
1) Tristeza e alegria. Elas existem misturadas na vida. Como isto acontece em sua vida?
2) Dores de parto. Esta experiência está na origem da vida de cada um de nós. Minha mãe aguentou a dor com esperança, e por isso eu estou vivo. Pare e pense neste mistério da vida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

29 de maio

BEATA ELIA DE S. CLEMENTE
Virgem de nossa Ordem


A vida de Ir. Elias nos deixa numa espécie de constrangimento pela sua simplicidade, na qual podemos ver uma profunda experiência de Deus e grande  humanidade. Seu nome era Teodora Fracasso. Ela nasceu em Bari, sul da Itália, filha de José Fracasso e de Páscoa Cianci no dia 17 de janeiro de 1901. Era a terceira dos nove filhos do casal. Viveu em sua família até os dezenove anos, muito animada e inteligente, sincera, sensível às belezas da natureza e fascinada pelo amor de Deus, entrou no Mosteiro das Carmelitas Descalças de S . José, em Bari a 8 de abril de 1920; fez a profissão simples a 4 de dezembro de 1921 e a 11 de fevereiro de 1925 fez a profissão solene. No final de 1926 começa a sofrer uma dor de cabeça contínua e grave, a qual ela chamou de "irmãozinho" amado "Meu irmãozinho - escreve para o sacerdote que dirigia a sua alma - não me permite fazer longos discursos, muito menos ouvir. Como você vê, todas as coisas cooperam para me isolar cada vez mais de tudo e viver somente de Deus. Nada perturba a paz de minha alma. Tudo que eu preciso é uma alavanca para levantar-me a Ele. Não, Padre venerável, não me arrependo de ter consagrada uma vítima do Senhor.” Na verdade, era o começo de encefalite, que a levaria à morte. Sua doença foi quase despercebida, tratada como uma simples gripe.  Faleceu ao meio-dia no Natal, de 1927.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

LAUDES
Cântico evangélico
Ant. Quão suave, Senhor, é teu amor! Perdida em ti, vivo feliz para sempre!

Oração
Deus todo-poderoso e eterno, que aceitastes comprazido a oblação que de si mesma vos fez a Beata Elias de São Clemente, virgem, concedei-nos, por sua intercessão, que, alimentados pelo Pão Eucarístico e iluminados pela luz da Vossa Palavra, cumpramos fielmente a Vossa santa vontade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém!

VÉSPERAS
Cântico evangélico
Ant. Teu amor, ó Deus, me consumiu como um fogo na fornalha ardente do teu Coração.

MÊS DE MARIA- Quinta-feira da 6ª semana da Páscoa

LEITURA
Quinta-feira da Ascensão do Senhor
Evangelho (Jo 16,16-20): «Um pouco de tempo, e não mais me vereis; e mais um pouco, e me vereis de novo». Alguns dos seus discípulos comentavam: «Que significa isto que ele está dizendo: ‘Um pouco de tempo e não mais me vereis, e mais um pouco, e me vereis de novo’ e ‘Eu vou para junto do Pai’?». Diziam ainda: «O que é esse ‘pouco’? Não entendemos o que ele quer dizer». Jesus entendeu que eles queriam fazer perguntas; então falou: «Estais discutindo porque eu disse: ‘Um pouco de tempo, e não me vereis, e mais um pouco, e me vereis de novo’? Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria».

Comentário: Rev. D. Joan Pere PULIDO i Gutiérrez (Sant Feliu de Llobregat, Espanha)

Vossa tristeza se transformará em alegria

Hoje contemplamos mais uma vez a palavra de Deus com a ajuda do evangelista João. Nestes últimos dias da Páscoa sentimos uma inquietação especial por viver esta palavra e entendê-la. A mesma inquietação dos primeiros discípulos que se expressa profundamente nas palavras de Jesus — «Um pouco de tempo, e não mais me vereis; e mais um pouco, e me vereis de novo» (Jo 16,16) — concentra a tensão de nossas inquietações de fé, da busca de Deus em nosso dia a dia.

Os cristãos do século XXI sentimos essa mesma urgência que os cristãos do primeiro século. Queremos ver Jesus, precisamos experimentar a sua presença em meio de nós para reforçar a nossa fé, esperança e caridade. Por isso, sentimos tristeza ao pensar que Ele não esteja entre nós, que não podamos sentir e tocar sua presença, sentir e escutar sua palavra. Mas essa tristeza se transforma em alegria profunda quando experimentamos sua presença segura entre nós.

Essa presença, era recordada pelo Papa João Paulo II na sua última Carta encíclica Ecclesia de Eucharistia, concretiza-se — especificamente — na Eucaristia: «A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja». Ela experimenta com alegria, como se realiza constantemente, de muitas maneiras, a promessa do Senhor: `Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’ (Mt 28,20). (...) A Eucaristia é mistério de fé, e ao mesmo tempo, “mistério de luz”. Quando a Igreja a celebra, os fiéis podem reviver, de algum jeito a experiência dos discípulos de Emaús: «Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram (Lc 24,31)».

Peçamos a Deus uma fé profunda, uma inquietação constante que se sacie na Eucaristia, ouvindo e compreendendo a Palavra de Deus; comendo e saciando a nossa fome no Corpo de Cristo. Que o espirito Santo enche de sua luz a nossa busca de Deus.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

• João 16,16: ausência e presença.
Jesus diz "um pouco" (mikrón), ou seja, um tempo muito curto, como um "momento". Ao longo dos muitos matizes, se quer enfatizar a brevidade de tempo. Se o tempo que Jesus passou junto aos seus como Verbo Encarnado foi muito curto, igualmente será breve o tempo entre sua partida e seu regresso. Não haverá mudança na situação interna dos seus discípulos, porque não muda a relação deles com Jesus: há uma proximidade permanente. Assim, a visão de Jesus não sofrerá interrupção, mas terá como característica a comunhão de vida com Ele (Jo 14,19). É interessante o uso repetido do verbo "ver" no versículo 16: "Um pouco de tempo, e não mais me vereis; e mais um pouco, e me vereis de novo". A expressão "Um pouco de tempo, e não mais me vereis", recorda a maneira pela qual os discípulos vêem no Jesus histórico o Filho de Deus; a outra expressão "mais um pouco, e me vereis de novo" se refere á experiência do Cristo ressuscitado. Parece que Jesus quer dizer aos seus discípulos que por brevíssimo tempo permanecerão ainda em condição de vê-lo, reconhecê-lo em sua carne visível, mas depois o contemplarão com uma visão diferente, porque ele se lhes mostrará transformado, transfigurado.

• João 16,17-19: A incompreensão dos discípulos.
Enquanto isso, alguns discípulos não conseguem entender o que significa esta ausência de Jesus, ou seja, sua ida ao Pai. Experimentam desconforto diante das palavras de Jesus, e o expressam com quatro interrogações, unidas na mesma expressão: "O que é que isso nos diz?". O leitor já ouviu isso outras vezes nas perguntas de Pedro, de Filipe, de Tomé, de Judas – não o Iscariotes, e agora as dos discípulos que pedem explicações. Os discípulos não compreendem realmente o que Ele está falando. Eles não entendem como Jesus, se ele vai ao Pai, pode ser visto de novo por eles (vv.16-19). Mas a questão parece centrar-se sobre aquele "pouco", que para o leitor parece ser um tempo muito longo que não termina nunca, especialmente quando se está na angústia e tristeza. De fato, não passa o tempo da tristeza. Espera-se uma resposta por parte de Jesus, mas o evangelista retoma outra vez a pergunta: Estais discutindo porque eu disse: ‘Um pouco de tempo, e não me vereis, e mais um pouco, e me vereis de novo’? "(v.19)

• João 16,20: A resposta de Jesus.
Na verdade, Jesus não responde a pergunta que lhe fazem: "O que é esse ‘pouco’?" Mas os convida à confiança. É verdade que os discípulos serão provados, vão sofrer muito, eles se sentirão sós diante de uma situação hostil, abandonados a um mundo que se alegra com a morte de Jesus, mas Jesus assegura que sua tristeza se tornará em alegria. À tristeza se contrapõe um tempo, no qual tudo será invertido. A expressão adversativa "mas a vossa tristeza se transformará em alegria", ressalta esta mudança de perspectiva. Para o leitor, é claro que a expressão "um pouco", "dentro de um curto espaço de tempo" corresponde ao momento ou época em que a situação será alterada, mas até então, tudo será tristeza e prova.
Em resumo, os discípulos recebem de Jesus uma promessa de felicidade e alegria; em virtude daquele momento em que será invertida aquela situação difícil a que "os seus" e a comunidade eclesial estão submetidos, eles entrarão na realidade de um mundo iluminado pela ressurreição.

Para confronto pessoal
1. Tenho certeza de que vai passar o tempo de teste e Ele vai estar comigo?
2. "Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria." Qual é o impacto dessas palavras de Jesus sobre os acontecimentos de sua vida? Como você vive as situações de tristeza e angústia?

terça-feira, 27 de maio de 2014

MÊS DE MARIA - Quarta-feira da 6ª semana da Páscoa

LEITURA
Evangelho (Jo 16,12-15): «Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar. Tudo que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vos anunciar».

Comentário: Rev. D. Santi COLLELL i Aguirre (La Garriga, Barcelona, Espanha)

Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade

Hoje, Senhor, uma vez mais, queres abrir-nos os olhos para que demos conta de que com demasiada frequência fazemos as coisas ao contrário. «O Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade» (Jo 16,13), aquilo que o Pai deu a conhecer ao filho.

É curioso! Mais que deixar-nos guiar pelo Espírito (que grande desconhecido em nossas vidas!), o que fazemos é, seguir a direito, impor-lhe as coisas uma vez que já tomamos as decisões. E o que hoje se nos diz é bem diferente: deixar que Ele nos guie.

Penso, Senhor, em voz alta… Volto a ler o Evangelho de hoje e veem-me à cabeça os meninos e meninas que receberam a Confirmação este ano. Vejo os que me rodeiam e estou tentado a pensar: Estão tão verdes! A estes, o teu Espírito não os leva nem pela frente nem por detrás; e melhor se deixam guiar por tudo e por nada!

Aos que somos considerados adultos na fé, faz-nos instrumentos eficazes do teu Espírito para chegar a ser “contagiadores” da tua verdade; para tentar “guiar-acompanhar”, e ajudar a abrir os corações e os ouvidos daqueles que nos rodeiam.

«Tenho ainda muitas coisas a vos dizer» (Jo 16,12). Não de retenhas, Senhor, em dirigir-nos a tua voz para revelar-nos as nossas próprias identidades! Que o teu Espírito de Verdade nos leve a reconhecer tudo aquilo de falso que possa haver nas nossas vidas e nos faça valentes para emendá-lo. Que ponha luz nos nossos corações para que reconheçamos, também, aquilo que de autentico há dentro de nós e que já participa da tua Verdade. Que reconhecendo-o saibamos agradecê-lo e vivê-lo com alegria.

Espírito de verdade, abre os nossos corações e as nossas vidas ao Evangelho de Cristo: que seja esta a luz que ilumine a nossa vida quotidiana. Espírito Defensor, faz-nos fortes para viver a Verdade de Cristo, dando testemunho a todos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Nestas semanas do tempo pascal, os evangelhos diários são quase todos tirados dos capítulos 12 a 17 de João. Isto revela algo a respeito da origem e do destino destes capítulos. Eles refletem não só o que aconteceu antes da paixão e morte de Jesus, mas também e sobretudo a vivência da fé das primeiras comunidades depois da ressurreição. Refletem a fé pascal que as animava.

* João 16,12: Ainda tenho muita coisa para dizer
O evangelho de hoje começa com esta frase: "Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar”. Nestas palavras de Jesus transparecem duas coisas: o ambiente de despedida que marcava a última ceia, e a preocupação de Jesus, o irmão mais velho, com seus irmãos mais novos que em breve ficariam sem a sua presença. O tempo que restava era pouco. Em breve Jesus iria ser preso. A obra iniciada ainda estava incompleta. Os discípulos estavam apenas no início do aprendizado. Três anos é muito pouco para alguém mudar de vida e começar a viver e pensar a partir de uma nova imagem de Deus. A formação deles não estava terminada. Faltava muito, e Jesus ainda tinha muita coisa para ensinar e transmitir. Mas ele conhece seus discípulos. Eles não são dos mais inteligentes. Nem suportariam conhecer desde já todas as implicações e conseqüências do discipulado. Ficariam desanimados. Não seriam capazes de suporta-lo.

* João 16,13-15: O Espírito Santo dará a sua ajuda
“Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês”. Esta afirmação de Jesus reflete a experiência das primeiras comunidades. Na medida em que iam imitando Jesus, tentando interpretar e aplicar a Palavra dele nas várias circunstâncias de suas vidas, experimentavam a presença e a luz do Espírito. E isto acontece até hoje nas comunidades que procuram encarnar a palavra de Jesus em suas vidas. A raiz desta experiência são as palavras de Jesus: “Tudo o que pertence ao Pai, é meu também. Por isso é que eu disse: o Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês”.

* A ação do Espírito Santo no Evangelho de João.
João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e Vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que creem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados; aqueles aos quais retiverem, serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito que Jesus nos comunica tem ação múltipla: consola e defende (Jo 14,16), comunica a verdade (Jo 14,17; 16,13), faz lembrar o que Jesus ensinou (Jo 14,26); dará testemunho de Jesus (Jo 15,26); manifesta a glória de Jesus (Jo 16,14); desmascara o mundo (Jo 16,8). O Espírito nos é dado para que possamos entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade do Espírito de que fala São Paulo: "Onde há o Espírito do Senhor, aí está a liberdade", (2Cor 3,17).

Para confronto pessoal
1) Como vivo a minha adesão a Jesus: sozinho ou em comunidade?
2) Minha participação na comunidade já me levou alguma vez a experimentar a luz e a força do Espírito Santo?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

MÊS DE MARIA - Terça-feira da 6ª semana da Páscoa

LEITURA
Evangelho (Jo 16,5-11): «Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais? ’ Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza. No entanto, eu vos digo a verdade: é bom para vós que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós. Quando ele vier, acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento. Quanto ao pecado: eles não acreditaram em mim. Quanto à justiça: eu vou para o Pai, de modo que não mais me vereis. E quanto ao julgamento: o chefe deste mundo já está condenado».

Comentário: Fr. Joseph A. PELLEGRINO (Tarpon Springs, Florida, Estados Unidos)

É bom para vós que eu vá

Hoje, o Evangelho nos apresenta um entendimento mais profundo da realidade da Ascensão do Senhor. Na leitura do Evangelho de João no Domingo de Páscoa, é dito a Maria Madalena que não deve tocar o Senhor porque «ainda não subi para junto do Pai» (Jo 20,17). No Evangelho de hoje, Jesus observa, sobre os discípulos: «porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza», mas que «é bom para vós que eu vá» (Jo 16,6-7). Jesus precisa subir ao Pai. No entanto, Ele ainda permanece conosco.

Como Ele pode ir e, ao mesmo tempo permanecer? Este mistério foi explicado por nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI: «Dado que Deus abraça e ampara toda a criação, a Ascensão do Senhor significa que Cristo não se afastou de nós, mas que agora, graças ao Seu ser com o Pai, está próximo de cada um de nós, para sempre».

Nossa esperança está em Jesus Cristo. Sua vitória sobre a morte nos deu a vida que a morte nunca poderá destruir: Sua Vida. Sua ressurreição é uma confirmação de que o espiritual é real. Nada poderá nos separar do amor de Deus. Nada poderá diminuir nossa esperança. Os negativos do mundo não poderão destruir o positivo de Jesus Cristo.

O mundo imperfeito no qual vivemos, um mundo onde os inocentes sofrem, pode nos levar ao pessimismo. Mas Jesus Cristo nos transforma em eternos otimistas.

A presença viva de Nosso Senhor em nossa comunidade, em nossas famílias, naqueles aspectos de nossa sociedade que podem corretamente ser chamados “cristãos”, nos dá uma razão para ter esperança. A presença viva de Nosso Senhor em cada um de nós nos dá alegria. Não importa quão alta seja a barreira de negatividade que a mídia se deleita em apresentar, os pontos positivos do mundo pesam mais, de longe, do que os pontos negativos, pois Jesus Cristo subiu aos céus.

Ele ascendeu, mas não nos deixou.

Comentário: + Rev. D. Lluís ROQUÉ i Roqué (Manresa, Barcelona, Espanha)

É bom para vós que eu vá

Hoje contemplamos outra despedida de Jesus, necessária para o estabelecimento de seu Reino. Inclui, porém, uma promessa: «Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós» (Jo 16,7).

Promessa feita realidade de maneira impetuosa no dia de Pentecostes, dez dias depois da Ascensão de Jesus ao céu. Aquele dia — além de tirar a tristeza do coração dos Apóstolos e dos que estavam reunidos como Maria, a Mãe de Jesus (cf.
Fts 1,13-14) — os confirma e fortalece na fé, de maneira que, «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se» (Fts 2,4).

Fato que se “faz presente” ao longo dos séculos através da Igreja, uma, santa, católica e apostólica, já que, por a ação do mesmo Espírito prometido, se anuncia a todos e em todas partes que Jesus de Nazaré —o Filho de Deus, nascido de Maria Virgem, que foi crucificado, morto e sepultado — verdadeiramente ressuscitou, está sentado à direita de Deus Pai (cf. Credo) e vive entre nós. Seu Espírito está em nós pelo Batismo, constituindo-nos filhos no Filho, reafirmando sua presença em cada um de nós o dia da Confirmação. Tudo isso para levar a termo nossa vocação à santidade e reforçar a missão de chamar a outros a serem santos.

Assim, graças ao querer do Pai, a redenção do Filho e a ação constante do Espírito Santo, todos podemos responder com total fidelidade ao chamado, sendo santos; e, com uma caridade apostólica audaz, sem exclusivismos, realizar a missão, propondo e ajudando a outros a serem.

Como os primeiros — como os fiéis de sempre — com Maria rogamos e, confiando que novamente virá o Defensor e que haverá um novo Pentecostes, digamos: «Vem, Espírito Santo, enche o coração dos teus fiéis e acende neles a chama do teu amor» (Aleluia do Pentecostes).

Reflexão de Frei Carlos Mesters, Ocarm

• João 16,5-7: Tristeza dos discípulos.
Jesus, a partir de comunicação artificial de sua separação, provoca que a tristeza que os discípulos guardavam no coração aflore neles: " Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?". É evidente se que separar-se do estilo de vida aprendido com Jesus implica para os discípulos um sofrimento. Jesus insiste: "6Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza" (v.6). Santo Agostinho explica assim este sentimento de abandono que invadia os discípulos: "Dava-lhes medo o pensamento de perder a presença visível de Jesus ... Seu afeto humano se entristecia ao pensar que seus olhos não iriam mais experimentar o consolo de vê-lo" (Comentário ao Evangelho de João, XCIV, 4). Jesus tenta dissipar essa tristeza, causada pela diminuição da sua presença, ao revelar o propósito de sua partida. Isto é, se ele não partir, o Paráclito não virá a eles, mas se ele morrer para voltar para o Pai, poderá enviá-lo para os discípulos. A partida e a separação são condição para a vinda do Paráclito: " Se eu não for, o Defensor não virá a vós..." (v. 7).

• João 16,8-11: Missão do Paráclito.
Jesus continua a descrever a missão do Paráclito. O termo "Paráclito" significa "advogado", ou seja, assistente de apoio. Aqui, o Paráclito é indicado como o acusador em um processo que se realiza diante de Deus, no qual o acusado é o mundo, culpável por condenar Jesus: " acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento " (v. 8). A tradução da CEI diz: "Ele convencerá o mundo", o verbo grego significa elègkein que investigará, interrogará, colocará à prova: trará à tona a realidade, oferecerá a prova da culpa.

O objeto da demonstração é o pecado: ele oferecerá ao mundo a prova do pecado que cometeu em relação a Jesus e o manifestará. De que pecado se trata? O da incredulidade (Jo 5,44 ss; 6,36; 8,21.24.26; 10,31 ss). Além disso, o ter pensado o mundo que Jesus é um pecador (Jo 9,24; 18,30) resulta ser uma culpa imperdoável (Jo 15,21 ss).

Em segundo lugar, "demonstrará" a culpa do mundo "sobre a justiça." Em termos jurídicos, a noção de justiça que mais concorda com o texto é o que traz uma declaração de culpa ou inocência no julgamento. Em nosso contexto, é a única vez no Evangelho de João que aparece o termo "justiça", em outros lugares aparece o de "justo". Em Jo 16,8 a justiça está ligada ao que Jesus disse de si mesmo, isto é, o motivo pelo qual vai para o Pai. Com esta exposição explica a sua glorificação: Jesus vai para o Pai, está prestes a ser eclipsado, e, portanto, os discípulos não poderão vê-lo, está prestes a se entregar e mergulhar totalmente na vontade do Pai. A glorificação de Jesus confirma sua filiação divina e a aprovação pelo Pai da missão realizada por Jesus. Portanto, o Espírito demonstrará diretamente a justiça de Cristo (Jo 14,26; 15,26) ao proteger os discípulos e a comunidade eclesial.

O mundo, pensava ter julgado Jesus condenando-o, agora é condenado pelo "príncipe deste mundo", porque ele é responsável por sua crucificação (13,2.27). Jesus morrendo na cruz, ressuscitou (12,31) e derrotou Satanás. Agora, o Espírito testemunhará a todos o sentido da morte de Jesus, que coincide com a queda de Satanás (Jo 12,32, 14,30, 16,33).

Para confronto pessoal
1) Temos o mesmo medo e preocupação de perder Jesus como tinham os discípulos?
2) Você se deixa conduzir pelo Espírito Paráclito que leva você a identificar o erro do mundo, o ajuda a aderir a Jesus e leva-o a conhecer a verdade sobre si mesmo?