segunda-feira, 31 de março de 2014

A CRUZ EM TERESA DO MENINO JESUS

Por:  Souer Genevieve Devergnies
  
Como para qualquer cristão, a cruz é para Santa Teresinha o símbolo da fé na obra redentora  do Filho de  Deus. Para não trair o verdadeiro significado cruz, ela considera as duas faces do mistério cristão. De um lado, o acontecimento histórico do Calvário: Deus escolhe a morte ignominiosa de seu Filho inocente para resgatar a humanidade pecadora; de outro lado, a exaltação, por Deus,  do Filho encarnado, ao qual  ressuscita e senta-O à sua direita: “Para me conquistar, Te fizeste mortal, igual a mim;  derramaste teu sangue, mistério supremo” (P 23,5). “Antes de entrar na celeste glória, o Deus-Homem tinha que sofrer. Quantos desprezos sofreste por meu amor, em terra estrangeira” (P 31,3).

Tratemos agora de alguns aspectos que iluminam o conteúdo espiritual da cruz em Teresinha:

1. O MISTÉRIO DA CRUZ. Esta realidade do cristianismo está profundamente integrada em sua vida. “A cruz me tem acompanhado deste o berço” (A 36v); e da graças a Deus por ela:”vou cantar a inefável graça de ter sofrido e carregado a cruz. Compreendi que pela cruz se salvam os pecadores. Pela cruz minha alma viu abrir-se um horizonte novo” (P 16)

Na cruz Teresinha contempla o mistério de Cristo:”Nosso Senhor morreu na cruz entre angústias, e apesar disso, essa  foi a mais bela morte de amor” (U.C 4.7.2). Por outra parte, Teresinha quer deixar bem claro que não é a cruz o que oferece a verdadeira dificuldade, senão o desapego de si mesmo através do qual a pessoa se entrega a Deus. “As cruzes exteriores, o que são? Cruz verdadeira é o martírio do coração, o sofrimento íntimo da alma…” (Carta 167).

2. A CRUZ É UMA FONTE INESGOTÁVEL DE DEVOÇÃO PARA TERESINHA, desde a idade de 13 anos: “Num domingo, ao olhar uma estampa de Nosso Senhor na cruz, senti-me profundamente impressionada com o sangue que caía de uma de suas divinas mãos. Senti grande aflição pensando que esse sangue caía no chão sem que ninguém se apressasse em recolhê-lo. Tomei a resolução de estar sempre, em espírito, ao pé da cruz…” (A 45v)

Semelhante a São Paulo, Teresinha quer conhecer, seguir e imitar a “Jesus Cristo, e este crucificado” (1Cor 2,2). Isso traz consigo a adesão da vontade e a resposta de toda a pessoa: ”Jesus me fez amar apaixonadamente essa cruz”. (Carta 253).

A humanidade de Cristo crucificado, mais concretamente a sua “Santa Face” é o objeto inesgotável de sua contemplação: “Olha para Jesus na sua Face… Aí verás quanto ele nos ama”. (Carta 87).

3. TERESINHA ENCONTRA UMA AUTÊNTICA ALEGRIA ESPIRITUAL NA “MÍSTICA DA CRUZ”, no fato de aceitar “levar sua cruz”, as cruzes exteriores (tais como a forma de vida que escolheu, a falta de saúde, o sofrimento físico e moral, não escolhidas livremente): “Que alegria inefável a de carregar nossas cruzes debilitadamente” (Carta 82). “As pequenas cruzes são as que constituem toda nossa alegria” (Carta 148).

4. O LIVRO “A IMITAÇÃO DE CRISTO”, que Teresinha conhece de memória, expressa esta mística na qual a mortificação se inscreve dentro da teologia paulina do sacrifício (cf. R 6,8). Entre os numerosos ecos desta doutrina J.R Caussade, seguidor da espiritualidade do abandono, confere grande importância à cruz para a santificação das almas; considera as cruzes como graças exteriores particularmente eficazes. A ascese cristã, por sua parte, deve ao mistério da cruz a marca específica que domina a luta contra o pecado e a busca da união divina. A humildade, recurso essencial do progresso espiritual, é um elemento indispensável no exercício da fé, da esperança e da caridade.

5. EM TERESINHA, A UNIÃO COM JESUS É MISSIONÁRIA, buscada de forma privilegiada na cruz redentora: ”Tomei a resolução de estar sempre, em espírito, ao pé da cruz para receber o divino orvalho que se desprendia dela, e compreendi que, a seguir, teria que derramá-lo sobre as almas” (A,45v).

Seu desejo da cruz é aprofundado no martírio:”Quisera plantar tua cruz gloriosa em solo infiel. Quisera derramar por tia até a última gota de meu sangue. O martírio! É o sonho da minha juventude. Um sonho que cresceu comigo nos claustros do Carmelo” (B 31,r)

Finalmente, a união à cruz redentora de Jesus se manifesta no grito de Teresinha, no momento de morrer: “Nunca poderia crer que fosse possível sofrer tanto. Não consigo explicações para isso, a não ser pelos ardentes desejos que tenho de salvar almas” (UC. 30,9)

A alta santidade de Teresinha arraiga-se na conformidade com Jesus Cristo morto na cruz e ressuscitado.

O SOFRIMENTO

Teresinha sofreu muito durante toda a sua vida. Desejou o sofrimento porque estava convencida de que toda provação, aceita por a amor a Deus, é fecunda, e que, unido ao sacrifício redentor, o sofrimento é um tesouro para a salvação das almas. Na manhã do dia de sua morte dirá: “O cálice está cheio até à borda. Nunca poderia crer que fosse possível sofrer tanto. Não consigo explicações para isso, a não ser pelos ardentes desejos que tenho de salvar almas” (UC. 30,9). E assim ora: “Te dou graças, meu Deus, por todos os benefícios que me concedeste, em especial por ter-me feito passar pelo crisol do sofrimento” (Oração 6,11)

1. O QUE É O SOFRIMENTO PARA SANTA TERESA DO MENINO JESUS?

Teresa não é masoquista, não ama o sofrimento em si mesmo, mas como um meio de mostrar seu amor a Jesus: “não desejo nem o sofrimento nem a morte, embora ame os dois; mas é só o amor o que me atrai”. Durante muito tempo os desejei; tive o sofrimento,… agora só o abandono me guia” (A 83 f)

Para Teresinha, o sofrimento é uma alegria: “O sofrimento passa a ser a maior das alegrias quando é buscado como o mais precioso dos tesouros” (C 10v)

Não escolhe os sofrimentos quer deseja suportar, quer os que Deus quer para ela: “Eu gosto do que Ele faz” (UC 27.4.4). “Eu gosto de tudo o que Deus me dá” (U.C 14.8.1). “Jesus não pode desejar para nós sofrimentos inúteis” . (A 84V)

2. O VALOR DO SOFRIMENTO PARA TERESINHA

Dois pontos essenciais: a Paixão de Cristo, e em consequência a redenção, deve ser “completada com nosso sofrimento. “Vejo que só o sofrimento pode gerar as almas, e que mais do que nunca, essas sublimes palavras de Jesus me revelam sua profundeza: ‘Se o grão de trigo, lançado na terra, não morrer…’ ” (A 81 f).

Teresinha aprecia em seu justo valor santificante e redentor o preço do sofrimento. “O sofrimento tornou-se meu atrativo, possuía encantos que me enfeitiçavam, embora não os conhecesse direito” (A 36f) . “Quantos tesouros o sofrimento nos faz ganhar! É nossa fraqueza, nosso meio de ganharmos a vida” (Carta 89)

Para ela o sofrimento tem sempre sentido e valor apostólicos: para agradar a Jesus, Teresinha trabalha salvando almas: “Ofereçamos nossos sofrimentos a Jesus” (Carta 213)

Quando sua vida espiritual se aprofunda, Teresinha valoriza o sofrimento como prolongamento da paixão buscando desde agora o gozo dos favores da Redenção: “Se houvesse par ao homem algo melhor e mais útil que sofrer, Jesus Cristo no-lo haveria ensinado com sua palavra e com seu exemplo. Quando chegares a encontra o doce sofrimento e a amá-lo por Jesus Cristo, então crê que és ditoso, porque encontraste o paraíso sobre a terra” (Imitação II,12).

3. A ALMA DE TERESINHA SOFRE POR SUPORTAR O PESO E A INTENSIDADE DA TERNURA DE JESUS

Não se pode viver no amor sem sofrer, porém tudo sofrimento é doce quando se ama: “Estou verdadeiramente contente por sofrer” (C 4v).

Sofrimento por sentir sua impotência frente ao amor infinito: “Ah! Bem sei que todas nossas justiças não têm nenhum valor ante seus olhos” (P 23,7)

Sofrimento por pensar que é desprezado o amor misericordioso de Deus, que quer transbordar sobre todos os homens: “Oh, meu Deus! vosso amor desprezado vai ficar em vosso coração? Em todo lugar é desconhecido, rejeitado” (A 84f).

Aos olhos de Teresinha, sofrimentos (e alegrias) são ocasiões providenciais para testemunhar a Deus a qualidade a quantidade do amor que a consome por inteiro: “Minhas dores mais profundas, minha felicidade e minhas penas… acariciam teu rosto e te dizem que é teu todo o meu coração” (P 34, 1-3).

O dom da fortaleza lhe faz aguentar os maiores sofrimentos (enfermidades, oposições, provas morais): “no dia de minha Confirmação recebi fortaleza para sofrer, pois em seguida, ia começar o martírio de minha alma” (A 36v).

Porém, em nossos dias, o sofrimento continua sendo um problema. Os homens progrediram mais na luta contra a dor que na compreensão do sofrimento que Teresinha tão perfeitamente assimilou: “O sofrimento me estendeu os braços e eu me lancei neles com amor” (A 69v). Atualmente abre-se caminho a uma nova perspectiva: o sofrimento dos “pobres” é apresentando pela teologia da libertação como lugar privilegiado do amor.

Porém, o sofrimento de Deus é ainda muito mais incompreensível que o dos homens. Muito reservado sobre o sentido que dá ao seu próprio sofrimento, Jesus se submete totalmente à vontade do Pai. Como um eco seu Teresinha diz: “Meu coração está por completo colocado na vontade de Deus, por isso permaneço em profunda paz” (U.C. 15.7.9)

“Tanto amou Deus o mundo que deu seu próprio Filho” (Jo 3,16). Ao entregar seu Filho aos homens, o Pai é o primeiro a sofrer com isso. Há, por acaso, um sinal mais claro do poder salvífico do sofrimento?

Fonte: Nuevo Diccionario de Santa Teresa de Lisieux. Editorial Monte Carmelo. España

Terça-feira da 4ª semana da Quaresma

Evangelho (Jo 5,1-3.5-16): Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Ora, existe em Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Bezata em hebraico. Muitos doentes, cegos, coxos e paralíticos ficavam ali deitados Encontrava-se ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus o viu ali deitado e, sabendo que estava assim desde muito tempo, perguntou-lhe: «Queres ficar curado?» O enfermo respondeu: «Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água se movimenta. Quando estou chegando, outro entra na minha frente». Jesus lhe disse: «Levanta-te, pega a tua maca e anda».  No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua maca e começou a andar. Aquele dia, porém, era um sábado. Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: «É sábado. Não te é permitido carregar a tua maca”. Ele respondeu: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua maca e anda!’» Então lhe perguntaram: «Quem é que te disse: ‘Pega a tua maca e anda’?» O homem que tinha sido curado não sabia quem era, pois Jesus se afastara da multidão que se tinha ajuntado ali. Mais tarde, Jesus encontrou o homem no templo e lhe disse: «Olha, estás curado. Não peques mais, para que não te aconteça coisa pior». O homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

Comentário: Rev. D. Àngel CALDAS i Bosch (Salt, Girona, Espanha)

Jesus o viu e, perguntou-lhe: Queres ficar curado?

Hoje, São João nos fala da cena da piscina de Betsaida. Parecia, mais uma sala de espera de um hospital: «Muitos doentes ficavam aí deitados: eram cegos, coxos e paralíticos, esperando que a água se movesse» (Jo 5,3). Jesus se deixou cair por ali.

É curioso! Jesus sempre está no meio dos problemas. Ali onde há algo para “libertar”, para fazer feliz às pessoas, ali está Ele. Os fariseus, ao contrário, só pensavam em se era sábado. Sua má fé matava o espírito. A má baba do pecado gotejava de seus olhos. No há pior surdo que o que aquele não quer entender.

O protagonista do milagre levava trinta e oito anos de invalidez. «Jesus viu o homem deitado e ficou sabendo que estava doente havia muito tempo. Então lhe perguntou: «Você quer ficar curado?» (Jo 5,6), disse-lhe Jesus. Fazia tempo que lutava em vão porque não havia encontrado a Jesus. Finalmente, havia encontrado ao Homem. Os cinco pórticos da piscina de Betsaida retumbaram quando se ouviu a voz do Mestre: «Jesus disse: ‘Levante-se, pegue sua cama e ande’» (Jo 5,8). Foi questão de um instante.

A voz de Cristo é a voz de Deus. Tudo era novo naquele velho paralítico, gastado pelo desânimo. Mais tarde, São João Crisóstomo dirá que na piscina de Betsaida se curavam os enfermos do corpo, e no Batismo se restabeleciam os da alma; lá, era de quando em quando e para um só enfermo. No Batismo é sempre e para todos. Em ambos os casos se manifesta o poder de Deus através da água.

O paralítico impotente na beira da água, não te faz pensar na experiência da própria impotência para fazer o bem? Como pretendemos resolver, sozinhos, aquilo que tem um alcance sobrenatural? Não vês cada dia, ao teu redor, uma constelação de paralíticos que se “movem” muito, mas que são incapazes de separar-se de sua falta de liberdade? O pecado paralisa, envelhece, mata. Devemos pôr os olhos em Jesus. É necessário que Ele —sua graça— nos mergulhe nas águas da oração, da confissão, da abertura de espírito. Eu e você podemos ser paralíticos eternos, ou portadores e instrumentos de luz.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O Evangelho de hoje descreve como Jesus curou um paralítico que ficou esperando 38 anos por alguém que o ajudasse chegar à água da piscina para poder ser curado! Trinta e oito anos! Diante desta ausência total de solidariedade, Jesus, o que faz? Ele transgride a lei do sábado curando o paralítico. Hoje, com a falência do atendimento às pessoas doentes nos países pobres, muita gente experimenta a mesma falta de solidariedade. Vivem num total abandono, sem ajuda nem solidariedade da parte de ninguém.

* João 5,1-2: Jesus vai a Jerusalém .
Por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus vai a Jerusalém. Havia ali, perto do Templo, uma piscina com cinco pórticos ou corredores. Naquele tempo, o culto no Templo exigia muita água por causa dos inúmeros animais que eram sacrificados, sobretudo nas grandes festas. Por isso, perto do templo havia várias cisternas, que recolhiam a água da chuva. Algumas delas tinham a capacidade de mais de um milhão de litros de água. Lá por perto, por causa da abundância de água, havia um balneário público, onde os doentes se aglomeravam à espera de ajuda ou de cura. A arqueologia informa que, naquela mesma redondeza do Templo, havia o lugar onde os escribas ensinavam a lei aos estudantes. De um lado, o ensino da Lei de Deus. Do outro lado, o abandono dos pobres. A água purificava o Templo, mas não purificava o povo.

*João 5,3-4: A situação dos doentes.
Esses doentes eram atraídos pelas águas do balneário. Diziam que um anjo mexia nas águas e o primeiro que nelas descesse depois do mexido do anjo ficava curado. Com outras palavras, os doentes eram atraídos por falsas esperanças. Pois a cura era só para uma única pessoa. Como as loterias de hoje. Só uma única pessoa ganha um prêmio! A maioria só paga e não ganha nada. É nessa situação de total abandono, lá no balneário popular, que Jesus vai encontrar os doentes.

* João 5,5-9: Jesus cura em dia de sábado.
Bem perto do lugar, onde se ensinava a observância da Lei de Deus, um paralítico ficou 38 anos à espera de alguém que o ajudasse a descer na água para obter a cura. Este fato revela a falta absoluta de solidariedade e de acolhida aos excluídos! O número 38 indicava a duração de uma geração (Dt 2,14). É toda uma geração que não chegou a experimentar solidariedade nem misericórdia. A religião da época já não era capaz de revelar a face acolhedora e misericordiosa de Deus. Diante desta situação dramática, Jesus transgride a lei do sábado e atende o paralítico dizendo: "Toma teu leito e anda!" O homem pegou a sua cama nas costas e foi andando, e Jesus desapareceu no meio da multidão.

* João 5,10-13: Discussão do homem curado com os judeus.
Logo em seguida, alguns judeus chegam ao local e criticam o homem por ele estar carregando a cama em dia de sábado. O homem nem soube responder quem foi a pessoa que o tinha curado. Não conhecia Jesus. Isto significa que Jesus, passando por aquele lugar dos pobres e doentes, viu aquele fulano, percebeu a situação dramática em que se encontrava e, sem mais, o curou. Não fez a cura para que o homem se convertesse, nem para que acreditasse em Deus. Fez, porque queria ajudá-lo. Queria que ele pudesse experimentar um pouco do amor e de solidariedade através da sua ajuda e bem-querer.

* João 5,14-16: O reencontro com Jesus.
Andando no Templo no meio da multidão, Jesus encontra o mesmo fulano e lhe diz: "Você está curado! Não deve pecar mais, para que não te aconteça algo pior!" Naquele tempo, o povo dizia: "Doença é castigo de Deus! Se você é paralítico, é sinal de que Deus está de mal com você!" Jesus não concordava com este modo de pensar. Curando o homem, ele estava dizendo o contrário: "Tua doença não é castigo de Deus. Deus está de bem com você!" Uma vez curado, o homem deve manter-se de bem com Deus e não pecar mais, para que não lhe aconteça algo pior! Meio ingênuo, o homem foi dizer aos judeus que tinha sido Jesus quem o curou. Os judeus começam a perseguir Jesus por ele fazer tais coisas em dia de sábado. No Evangelho de amanhã vem a sequência.

Para um confronto pessoal
1. Você já passou alguma vez por uma experiência como a do paralítico: ficar tanto tempo sem ajuda? Como é a situação de atendimento aos doentes no lugar onde você mora? Você percebe sinais de solidariedade?
2. O que tudo isto ensina para nós hoje?

domingo, 30 de março de 2014

Segunda-feira da 4ª semana da Quaresma - Mês de São José

ORAÇÃO PREPARATÓRIA - Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa Mãe santíssima, a São José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a São José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto estes devotos exercícios que em vosso louvor alegremente começamos. Amém.

Evangelho (Jo 4,43-54): Passados os dois dias, Jesus foi para a Galileia. Jesus mesmo tinha declarado, de fato, que um profeta não é reconhecido em sua própria terra. Quando então chegou à Galileia, os galileus o receberam bem, porque tinham visto tudo o que fizera em Jerusalém, por ocasião da festa. Pois também eles tinham ido à festa. Jesus voltou a Caná da Galileia, onde tinha mudado a água em vinho. Havia um funcionário do rei, cujo filho se encontrava doente em Cafarnaum. Quando ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judéia para a Galileia, ele foi ao encontro dele e pediu-lhe que descesse até Cafarnaum para curar o seu filho, que estava à morte. Jesus lhe disse: «Se não virdes sinais e prodígios, nunca acreditareis» . O funcionário do rei disse: «Senhor, desce, antes que meu filho morra! » Ele respondeu: «Podes ir, teu filho vive». O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu.  Enquanto descia para Cafarnaum, os empregados foram-lhe ao encontro para dizer que seu filho vivia. O funcionário do rei perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: «Ontem, à uma da tarde, a febre passou”. O pai verificou que era exatamente nessa hora que Jesus lhe tinha dito: “Teu filho vive». Ele, então, passou a crer, juntamente com toda a sua família. Também este segundo sinal, Jesus o fez depois de voltar da Judeia para a Galileia.

Comentário: Rev. D. Ramon Octavi SÁNCHEZ i Valero (Viladecans, Barcelona, Espanha)

Jesus foi para a Galileia

Hoje voltamos a encontrar Jesus nos cinco pórticos da piscina de Betsaida, onde tinha realizado o conhecido milagre da conversão da água em vinho. Agora, nesta ocasião, faz um novo milagre: a cura do filho de um funcionário real. Mesmo que o primeiro foi espetacular, este é —sem dúvida— mais valioso, porque não é algo material o que se soluciona com o milagre, e sim que se trata da vida de uma pessoa.

O que chama atenção deste novo milagre é que Jesus atua à distância, não acode a Cafarnaum para curar diretamente ao enfermo, e sem mover-se de Canaã faz possível o restabelecimento: «O funcionário do rei disse: ‘Senhor, desce, antes que meu filho morra!’ » Jesus disse-lhe: «Pode ir, seu filho está vivo» O homem acreditou na palavra de Jesus e foi embora» (Jo 4, 49.50).

Isto nos lembra a todos nós que podemos fazer muito bem à distância, quer dizer, sem ter que estar presentes no lugar onde é solicitada nossa generosidade. Assim, por exemplo, ajudamos ao Terceiro Mundo colaborando economicamente com nossos missioneiros ou com entidades católicas que estão ali trabalhando. Ajudamos aos pobres de bairros marginais das grandes cidades com nossas contribuições a instituições como Cáritas, sem que devamos pôr os pés em suas ruas. Ou, inclusive, podemos dar uma alegria a muita gente que está muito distante de nós com uma chamada de telefone, uma carta ou um correio eletrônico.

Muitas vezes nos escusamos de fazer o bem porque não temos possibilidades de estar fisicamente presentes nos lugares onde há necessidades urgentes. Jesus não se escusa porque não estava em Cafarnaúm, senão que fez o milagre.

A distância não é nenhum problema na hora de ser generoso, porque a generosidade sai do coração e traspassa todas as fronteiras. Como diria Santo Agostinho: «Quem tem caridade em seu coração, sempre encontra alguma coisa para dar».

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Jesus tinha saído da Galileia, andou pela Judéia, foi até Jerusalém por ocasião da festa (Jo 4,45) e, passando pela Samaria, ia voltar para a Galileia (Jo 4,3-4). Para os judeus observantes era proibido passar pela Samaria, nem era costume conversar com os samaritanos (Jo 4,9). Jesus não se importa com estas normas que impedem a amizade e o diálogo. Ele ficou vários dias na Samaria e muita gente se converteu (Jo 4,40). Depois disso ele resolveu voltar para a Galileia.

* João 4,43-46ª: O retorno para a Galileia.
Mesmo sabendo que o povo da Galileia olhava para ele com uma certa reserva, Jesus quis voltar para a sua terra. Provavelmente, João se refere à má acolhida que Jesus recebera em Nazaré da Galileia. Jesus mesmo tinha dito: “Um profeta não é honrado em sua pátria” (Lc 4,24). Mas agora, diante da evidência dos sinais de Jesus em Jerusalém, os galileus mudaram de opinião e lhe fizeram uma boa acolhida. Jesus voltou para Caná, onde tinha feito o primeiro “sinal” (Jo 2,11).

* João 4,46b-47: O pedido de um funcionário do rei.
Trata-se de um pagão. Pouco antes, na Samaria, Jesus tinha conversado com uma samaritana, pessoa herética para os judeus, à qual Jesus revelara sua condição de messias (Jo 4,26). E agora, na Galileia, ele recebe um pagão, funcionário do Rei, que buscava ajuda para o filho doente. Jesus não se fecha na sua raça nem na sua religião. Ele é ecumênico e acolhe a todos.

* João 4,48: A resposta de Jesus ao funcionário.
O funcionário queria que Jesus fosse com ele até à casa dele para curar o filho. Jesus responde: “Se vocês não veem sinais e prodígios vocês não acreditam!”. Resposta dura e estranha. Por que será que Jesus respondeu assim? Qual era o defeito do pedido do funcionário? O que Jesus queria alcançar com esta resposta? Jesus quer ensinar como deve ser a fé. O funcionário do rei só acreditaria se Jesus fosse com ele até à casa dele. Ele queria ver Jesus fazendo a cura. No fundo, esta é e continua sendo a atitude normal de todos nós. Não nos damos conta da deficiência da nossa fé.

* João 4,49-50: O funcionário repete o pedido e Jesus repete a resposta.
Apesar da resposta dura de Jesus, o homem não se abalou e repetiu o mesmo pedido: “Desça comigo antes que meu filho morra!” Jesus continuou firme. Ele não atendeu ao pedido e não foi com o homem até à casa dele e repetiu a mesma resposta, mas formulada de outra maneira: “Vai! Teu filho vive!” Tanta na primeira resposta como agora na segunda resposta, Jesus pede fé, muita fé. Pede que o funcionário acredite que o filho já esteja curado. E o verdadeiro milagre aconteceu! Sem ver nenhum sinal nem prodígio, o homem acreditou na palavra de Jesus e voltou para casa. Não deve ter sido fácil. Este é o verdadeiro milagre da fé: acreditar sem nenhuma outra garantia a não ser a Palavra de Jesus. O ideal é crer na palavra de Jesus, mesmo sem ver (cf. Jo 20,29).

* João 4,51-53: O resultado da fé na palavra de Jesus.
Enquanto o homem vai indo para casa, os empregados lhe vem ao encontro para dizer que o filho estava curado. Ele investigou a hora e descobriu que era exatamente a hora em que Jesus tinha dito: “Teu filho vive!” Ele teve a confirmação da sua fé.

* João 4,54: Um resumo da parte de João, o evangelista.
João termina dizendo: “Este foi o segundo sinal que Jesus fez”. João prefere falar sinal e não milagre. A palavra sinal evoca algo que eu vejo com os olhos, mas cujo sentido profundo só a fé me faz descobrir. A fé é como Raio-X: faz descobrir o que a olho nu não se vê.

Para um confronto pessoal
1) Como você vive a sua fé? Confia na palavra de Jesus ou só crê na base de milagres e experiências sensíveis?
2) Jesus acolhe pessoas heréticas e estrangeiras. E eu, como me relaciono com as pessoas?

ORAÇÃO - Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.

LADAINHA DE SÃO JOSÉ
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo tende piedade de nós.
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, escutai-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
São José,
Ilustre Filho de Davi,
Luz dos Patriarcas,
Esposo da mãe de Deus,
Guarda da puríssima Virgem,
Sustentador do Filho de Deus,
Zeloso defensor de Jesus Cristo,
Chefe da Sagrada Família,
José justíssimo,
José castíssimo,
José prudentíssimo,
José fortíssimo,
José obedientíssimo,
José fidelíssimo,
Espelho de paciência,
Amante da pobreza,
Modelo dos operários,
Honra da vida de família,
Guarda das virgens,
Amparo das famílias,
Alívio dos sofredores,
Esperança dos doentes,
Consolador dos aflitos,
Patrono dos moribundos,
Terror dos demônios,
Protetor da Santa Igreja,
Patrono da Ordem Carmelita,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade nós.

V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.
R. - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.

ORAÇÃO: Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso Protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.

As pessoas que rezaram, durante todo este mês, as orações do glorioso São José, cumpridas as condições ordinárias (confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre), ganharão indulgência plenária para si, ou aplicada às almas do Purgatório.

sábado, 29 de março de 2014

Decálogo das Personagens da Quaresma

1A SAMARITANA. É o exemplo da pessoa que se encontra com Jesus, corresponde ao diálogo com Jesus, deixa-se interpelar, abre a sua consciência e Jesus transforma a sua vida. Necessitava da água viva para limpar as sujidades da sua vida anterior. A água de Jesus Cristo purifica-a e ela converte-se noutra pessoa e torna-se uma testemunha do Senhor (Jo 4, 1-31).

2A MULHER ADÚLTERA. Personifica a capacidade de misericórdia de Jesus Cristo. Fala do mistério do perdão cristão. Apela a cada um para a sinceridade do coração e de uma vida recta. Alerta sobre os nossos juízos. Fala da necessária abertura cristã para todas as pessoas que são sempre dignas do amor e do perdão de Deus. Testemunha a potencialidade salvadora do olhar misericordioso de Jesus Cristo (Jo 8,1-11).

3O PAI DA PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO. É a imagem de Deus Pai rico em misericórdia. Recorda-nos o seu amor, a sua bondade, a sua esperança pelo regresso. Acredita na liberdade e confia no regresso do seu filho. Não condena, não se aproveita das opções más, mas está sempre disposto ao abraço do perdão, da reconciliação e da vida nova. Manifesta um amor que não tem medida nem regras humanas (Lc 15, 11-32).

4O FILHO PRÓDIGO. É uma imagem daqueles que fazem, em algum momento, um uso indevido da sua liberdade e dos seus direitos. É o protótipo de quem pensa só em si mesmo e busca os prazeres imediatos e efémeros. Representa também a obra da graça que vai preparando “silenciosamente” o coração para a conversão. Toma consciência da sua situação de erro, põe-se a caminho, deixa-se guiar pela reconciliação e experimenta o dom e a imensa graça do perdão e do amor.

5O IRMÃO MAIS VELHO DO FILHO PRÓDIGO. É a expressão daqueles que se manifestam fiéis à Igreja, mas que não abrem todo o seu interior à sabedoria de Deus e à plenitude do Evangelho. É calculista, tem tudo apontado, tem as suas razões e os seus direitos. Mas precisa de encontrar as verdadeiras razões e direitos do perdão e do amor.

6 NICODEMOS. Representa o homem religioso e recto que busca a verdade. A Quaresma é tempo para procurar a verdade autêntica e definitiva. (Jo 3, 1-21).

7O DOENTE DA PISCINA DE BETSAIDA. É a imagem do doente que espera saúde e de quem necessita ajuda dos outros. Estava doente há 38 anos e não tinha ninguém que o introduzisse na piscina. O cristão deve estar atento a todos aqueles que necessitam dos outros. O doente da piscina de Betsaida, uma vez curado, é também um modelo de gratidão e de testemunho.

8O CEGO DE NASCENÇA. Representa a obscuridade e a cegueira como doença do corpo e da alma. A Quaresma é descobrir as obscuridades da nossa vida cristã e procurar a cura na mão de Jesus que, através da Igreja, nos concede a luz aos nossos olhos. A fé é a luz; Jesus é a luz. Viver sem fé, viver sem Jesus é trevas e cegueira. O cristão, como o cego de nascença, uma vez recuperada a vista, deve ser testemunha da luz (Jo 9,1-41).

9LÁZARO. É o amigo de Jesus. É o ressuscitado, sinal e primícia da grande Ressurreição de Jesus Cristo, penhor da nossa futura ressurreição. Se acreditarmos, se mantivermos e cultivarmos a amizade com Jesus, poderemos ver a glória de Deus e dar testemunho dela nas nossas obras. Lázaro, com as suas irmãs Marta e Maria, fala da necessidade da necessidade de manter a intimidade com Jesus e fazer da nossa Quaresma tempo e espaço para a nossa “Betânia” (Jo 11, 1-44).

10MARIA SSMA. É a mãe, associada à paixão e ressurreição do seu Filho, Jesus Cristo. Vive a paixão e a Páscoa com olhos e coração compassivos, como Jesus. Está sempre presente. Testemunha assim a força da presença, da companhia, de saber estar no lugar onde devemos estar. Maria de Nazaré ajuda-nos a permanecer de pé junto à cruz dos nossos irmãos e a saber acompanhá-los com a nossa presença e amor nas suas Vias Dolorosas (Jo 19,25-27).

IV Domingo da Quaresma - Mês de São José

ORAÇÃO PREPARATÓRIA - Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa Mãe santíssima, a São José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a São José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto estes devotos exercícios que em vosso louvor alegremente começamos. Amém.

A cegueira do corpo e a cegueira da alma. Cristo é a luz para ver.
P. Antonio Rivero, L.C.

No seu encontro com a samaritana, Jesus nos falou do mistério da vida sobrenatural por meio do símbolo da água (domingo passado). Hoje nos fala da vitória da luz divina sobre as trevas do pecado por meio do símbolo da doença e da cegueira (evangelho). Somente assim, curados da cegueira, viveremos como filhos da luz e daremos frutos de luz: bondade, justiça, pureza, caridade e verdade (segunda leitura). Somente assim conservaremos a unção do nosso batismo, com a qual Deus nos fez participar da sua graça e abriu os nossos olhos à sua luz, nos librando da cegueira (primeira leitura).

Em primeiro lugar, a Quaresma é uma chamada para fazer uma boa confissão dos nossos pecados, pois eles são a causa da nossa cegueira espiritual. O pecado nubla e ofusca a nossa mente, mancha e prostitui a nossa afetividade, debilita a nossa vontade. E assim adoecemos de cegueira espiritual, de apatia anímica e de depressão, como este cego de nascença (evangelho), que estava jogado fora do templo pedindo esmola. Jesus exige que nos aproximemos d’Ele com fé, que gritemos com confiança e que obedeçamos quando nos mande descer para nos banhar na piscina de Siloé da confissão. Este cego, já curado da cegueira, tem um processo de visão impressionante: primeiro confessa Jesus como “este homem”; depois o reconhece como profeta; e, finalmente, como Deus. Se abriu ao dom da fé que Jesus lhe ofereceu.  

Em segundo lugar, Jesus apresenta a sua missão salvífica como um dramático conflito entre a luz e as trevas. O mundo malvado se esforça para apagar a Luz de Cristo, porque os homens que o integram preferem as trevas à luz, já que as suas obras são más. A hora da paixão, que vivemos na Semana Santa é a “hora das trevas” por excelência. Nós temos que ser filhos da luz, e por isso, caminhar na luz (segunda leitura). Temos que achegar-nos a essa piscina de Siloé que é a confissão, para que Cristo nos cure da cegueira espiritual, que nos impede de ver as coisas da perspectiva de Deus e como Deus as vê. Só os fariseus de coração continuarão cegos, porque não querem aceitar Jesus. Altivos, não quiseram deixar-se iluminar por Jesus. Creiam que viam, que possuíam o reto conhecimento de Deus; mas na realidade, fecharam os olhos à luz, que é Cristo; vão à sua perdição. Ao contrário, o cego, imagem do homem simples e reto, se abre à fé, recuperando a vista. Assim, reconhece Jesus como Salvador, e se salva.

Finalmente, cada um de nós deve se aproximar de Cristo Luz, que quer iluminar a nossa vida, a nossa alma, os nossos projetos, as nossas empresas. Cristo deseja me curar da minha hipermetropia, da minha presbiopia, da minha miopia, do meu daltonismo. Somente devo me aproximar da confissão, confessar os meus pecados, aceitar o seu perdão e sair com uma vida nova, com os olhos curados. “Não existe pior cego do que aquele que não quer ver”.   

Para refletir:
1. Deixamos que a luz de Cristo nos penetre?
2. Reconhecemos que somos cegos de nascença, por culpa do pecado?
3. Levamos a luz de Cristo aos nossos irmãos que ainda estão cegos?
4. Que frutos de luz estamos dando ao nosso redor?

ORAÇÃO - Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.

LADAINHA DE SÃO JOSÉ
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo tende piedade de nós.
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, escutai-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
São José,
Ilustre Filho de Davi,
Luz dos Patriarcas,
Esposo da mãe de Deus,
Guarda da puríssima Virgem,
Sustentador do Filho de Deus,
Zeloso defensor de Jesus Cristo,
Chefe da Sagrada Família,
José justíssimo,
José castíssimo,
José prudentíssimo,
José fortíssimo,
José obedientíssimo,
José fidelíssimo,
Espelho de paciência,
Amante da pobreza,
Modelo dos operários,
Honra da vida de família,
Guarda das virgens,
Amparo das famílias,
Alívio dos sofredores,
Esperança dos doentes,
Consolador dos aflitos,
Patrono dos moribundos,
Terror dos demônios,
Protetor da Santa Igreja,
Patrono da Ordem Carmelita,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade nós.

V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.
R - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.

ORAÇÃO: Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso Protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.

IV Domingo da Quaresma

«Sou a luz do mundo»

Nesta caminhada quaresmal, a liturgia apresenta-nos a cura do cego de nascença. Jesus é a luz do mundo que vem abrir os nossos olhos à fé, à nossa adesão plena como discípulos. Quando tudo parece perdido, Jesus faz-se próximo, com o seu brilho, para dar sentido à nossa vida. Assim, são-nos apresentados dois caminhos: o caminho da visão plena, percorrido por aquele homem inicialmente cego, mas que chegou ao reconhecimento de Jesus como Messias; e o caminho da cegueira obstinada, renitente, personificada pelos fariseus e pelas autoridades judaicas que se recusaram em reconhecer, em ver, em Jesus a luz do mundo.
Sérgio Paulo Pinto

Evangelho segundo S. João (Jo 9,1-41) - Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais? Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo». Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver. Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola? ». Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu». Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram os teus olhos? » Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver». Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele? » O homem respondeu: «Não sei». Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizeram lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres? » E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizias d’Aquele que te deu a vista? » O homem respondeu: «É um profeta». Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que agora vê? » Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder: perguntai-lho vós». Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador». Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo». Perguntaram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos? ». O homem replicou: «Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos? ». Então insultaram-no e disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; mas este, nem sabemos de onde é». O homem respondeu-lhes: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer». Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos? » E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem? » Ele respondeu-Lhe: «Senhor, quem é Ele, para que eu acredite? » Disse-lhe Jesus; «Já O viste: é Quem está a falar contigo». O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor». Então Jesus disse-lhe: «Eu vim para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos». Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós também somos cegos? » Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Não vemos’, o vosso pecado permanece».

Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais? Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo». Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver.

O caminho de Jesus é a vida dos necessitados, dos que sofrem, sejam eles pecadores, cegos, coxos, ou excluídos da sociedade e do culto. O caminho de Jesus é passar e dar sentido, luz, aos que estão à beira do caminho, “encostados”, à espera que alguém passe, os atenda, os conduza à luz, à abertura dos olhos para a fé. Jesus é o filho obediente que está no mundo para ser luz no caminho dos homens e manifestar as obras de Deus. Este cego que Jesus encontra, representa as nossas cegueiras, tudo o que colocamos como prioridades, sem Deus, e que ofusca a visão plena de Deus: nada vemos além do nosso mundo fechado de trevas… e precisamente aí, quando tudo parece perdido, onde não encontramos saída… aparece Jesus, num gesto criador! O toque de Jesus, acompanhado com a nossa obediência, dará lugar ao milagre! Porque teimamos a nossa cegueira? Falta-nos confiar em Jesus?

Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola? ». Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu». Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram os teus olhos? » Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver». Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele? » O homem respondeu: «Não sei».

O milagre da cura deste cego de nascença provocou reações diversas. Em primeiro lugar, são os seus vizinhos e conhecidos que se admiram com o ocorrido, tão acostumados estavam em vê-lo pedir esmola, no local do costume, no local de todos os dias. Era normal a sua admiração, habituados a ver nele um homem limitado e dependente. A ação de Jesus veio quebrar esta rotina, veio trazer-lhe autonomia, veio trazer a luz que os seus olhos precisavam; luz, no entanto, que ainda não tinha chegado ao seu coração, à fé em Jesus: “Foi esse homem, que se chama Jesus…mas não sei onde está Ele”. Mas a luz de Cristo não tardará em chegar ao seu coração e a reconhecê-lo como Senhor. De facto, para ser discípulo de Jesus, não basta que nossos olhos o vejam; o que é fundamental é a adesão do nosso coração. É Ele a luz do meu coração?

Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizeram lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres? » E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizias d’Aquele que te deu a vista? » O homem respondeu: «É um profeta».

Outro grupo que reagiu à cura do cego de nascença: os fariseus, os guardiões da fé do povo, homens cumpridores à risca da lei: como é possível curar um homem ao sábado? Como é possível fazer bem ao sábado? “Esse homem não pode vir de Deus!”. Mas, poderá um “transgressor” da lei, um pecador, fazer tais milagres? Aqueles homens tiveram a “luz do mundo” diante de seus olhos; certamente viram o brilho de Deus nas obras de Jesus; no entanto, escolheram as trevas, recusaram a luz de Deus em Jesus, rejeitaram ver, de olhos abertos, permaneceram na cegueira cerrada; pelo contrário, o homem curado vai amadurecendo na fé, reconhecendo agora em Jesus, não apenas um “homem” mas um “profeta”. Quem é Jesus para mim?

Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que agora vê? » Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder: perguntai-lho vós». Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós».

Um novo grupo reagiu à cura deste cego: os Judeus! Era um milagre demasiado portentoso: era difícil acreditar que aquele homem tinha sido cego e agora estava curado! Por isso, confrontaram os pais, que se limitaram a constatar os factos: aquele filho nasceu cego, agora vê e nada sabem da sua cura! Nada mais podiam dizer, com risco de serem expulsos da sinagoga, do local de culto e ficarem à margem, excluídos de tudo e todos. Com factos tão evidentes diante dos olhos, mesmo assim, custa acreditar, custa “ver” as obras de Deus em Jesus. Por outro lado, aqueles pais, por temor, perderam a oportunidade de darem testemunho de Jesus; quantas vezes, também nós, por temor ou falta de audácia, vamos perdendo oportunidades de dar testemunho da nossa fé em Jesus. Porque esperamos, porque tememos?

Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador». Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo». Perguntaram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos? ». O homem replicou: «Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos? ». Então insultaram-no e disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; mas este, nem sabemos de onde é». O homem respondeu-lhes: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer». Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos? » E expulsaram-no.

Aquele homem curado da sua cegueira por Jesus, foi levado, novamente, à presença das autoridades dos Judeus. Depois do testemunho que ele próprio deu, depois do testemunho dado pelos seus pais… foi, ainda, insuficiente para os Judeus. Como era possível Jesus, um “homem” pecador, que faz milagres ao sábado, fazer estas obras de Deus? Não é possível! E interrogam-no de novo! Quantas vezes, também nós, procuramos mil explicações para questionar a presença de Deus na nossa vida. Aquele homem curado, que inicialmente nem sabia “onde estava Jesus”, sabe, agora, que Jesus “vem de Deus”, caso contrário, “nada poderia fazer”. Era a sua fé a crescer, a sua adesão a Cristo mais consciente. Bem pelo contrário, as autoridades judaicas fecharam-se definitivamente na sua cegueira: não só não acolheram Jesus, como desprezaram aquele irmão, rotularam-no de “pecador” e expulsaram-no da sinagoga, da comunhão plena, da prática do culto. Perder a Deus e perder o irmão: não existe maior cegueira!

Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem? » Ele respondeu-Lhe: «Senhor, quem é Ele, para que eu acredite? » Disse-lhe Jesus; «Já O viste: é Quem está a falar contigo». O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor». Então Jesus disse-lhe: «Eu vim para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos». Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós também somos cegos? » Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Não vemos’, o vosso pecado permanece».

O primeiro encontro daquele homem com Jesus deu-lhe a abertura de seus olhos; agora, este segundo encontro deu-lhe a abertura da fé, a adesão plena como discípulo! No primeiro encontro aquele homem era cego; no segundo, tinha acabado de ser expulso. E mais uma vez o milagre se realiza; Jesus não o abandonou à sua sorte. E aquele homem que nada via, começou a ver a “luz de Deus”: “Eu creio, Senhor”. E prostrou-se para adorar Jesus. A sua fé tinha chegado ao ponto alto da sua caminhada. Bem pelo contrário, os fariseus persistiram na sua cegueira e perderam a sua grande oportunidade para serem também “curados”. O seu grande pecado, foi não deixarem ser curados; por isso, “o seu pecado permanece”. Também eu acho, como os fariseus, que não preciso de ser curado?